Olá tudo bem O Mundo de Sonia é silencioso como vai Ele trabalha na TV entrevistando como é que ela tá se sentindo snia é surda e não entende as minhas perguntas nós poderíamos entrevistar a senhora certo tudo bem ela precisa de ajuda você tá triste cansada ela tá triste triste snia nunca aprendeu Libras a língua brasileira de sinais a comunicação é restrita a sons expressões e alguns gestos primeira vez que ela vai ter esse contato com a Libras foi escola para as autoridades o mundo silencioso Deia tinha muito trabalho ela foi resgatada de condições análogas
à escravidão nesta sexta-feira em Florianópolis segundo auditores fiscais Sônia foi submetida a trabalho forçado e condições degradantes por 37 anos os acusados de manter Sonia em escravidão moderna São Jorge Luiz de Borba e a mulher dele Ana Cristina gaioto de Borba Jorge é Desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Preside a primeira Câmara de direito público do TJ e tem pós-graduação em Direito do Trabalho em depoimento à justiça o casal contou que Sônia teria sido agredida pelo pai na infância e que o espancamento seria o possível motivo da surdez Aos 8 anos de idade
quando estava numa creche Sônia conheceu uma psicóloga Leonor gaioto mãe de Ana Cristina gaioto de Borba e sogra do desembargador segundo o Desembargador Jorge de Luiz de Borba Sônia foi morar com ele e a esposa depois que eles se casaram quando tiveram o primeiro filho Sônia tinha na época entre 12 e 13 anos e ela foi morar com eles nas palavras do desembargador Porque ela gostava de crianças o casal teve ainda outros três filhos todos cresceram as décadas passaram e Sônia chegou aos 49 anos ainda vivendo com a família numa casa nesse condomínio em novembro
do ano passado as autoridades receberam uma denúncia anônima era uma denúncia que reportava uma trabalhadora sem eh eh algum direito trabalhista garantido houve umas diligências preliminares do Ministério Público do Trabalho que confirmaram o teor da denúncia trabalhadores que estiveram na no domicílio em tempos diferentes cujos relatos iam ao encontro um do outro né três ex-funcionários do desembargador foram ouvidas uma cuidadora contratada entre 2 2021 diz que Sônia fazia as refeições com os funcionários sempre depois dos patrões e dormia num quartinho nos fundos da casa que Sônia levava a vida de empregada doméstica mas não tinha
salário que chegou a dar banho nela quando Sônia estava com assaduras embaixo dos seios porque não tinha sutiã e que Sônia era de acordo com o depoimento uma escravinha os cachorros da família eram mais bem tratados do que ela uma fachineira que trabalhou na entre 2015 e 2016 definiu Sônia com uma palavra muito utilizada durante a escravidão mucama as mucamas eram escravizadas encarregadas dos serviços domésticos existia uma relação de emprego sem quaisquer direitos garantidos sob o manto né de uma pessoa que era quase da família uma operação conjunta coordenada pelo Ministério do Trabalho foi realizada
na terça-feira passada três dias antes de Sônia ser libertada no momento que a ação fiscal foi deflagrada a notícia já tinha sido veiculada e em mídia n poucos minutos antes e isso pode fazer com que o empregador eventualmente altere a realidade que a equipe encontraria ali e a gente entende que isso Acabou dificultando um pouco a confirmação mesmo assim uma cena chamou atenção o local em que ela dormia era fora de casa né roupas sapatos objetos de higiene pessoal se encontravam no ambiente externo essa semana os auditores ouviram três mulheres que trabalham atualmente para o
desembargador todas afirmaram que Sônia não era obrigada a fazer trabalhos domésticos sempre almoçava com os patrões e tinha quarto próprio dentro da casa principal a justiça O desembargador disse que ama Sônia como se fosse sua filha que já chegou a pensar em adotá-la formalmente mas via Muitas dificuldades documentais as redes sociais da família Borba tem vários registros com Sônia o fato de existir afeto não Afasta a exploração que é o que caracteriza uma relação abusiva ela não tinha outros espaços de convivência nem familiar nem de amizade as únicas relações dela eram no âmbito da familha
empregadora essa semana as autoridades chegaram a uma nova testemunha uma ex diarista que confirmou as denúncias iniciais ela afirmou que via a Sônia como uma trabalhadora e não como alguém da família que as filhas do desembargador TM tudo e que Sônia não tem a senhora tem conhecimento dos seus direitos não houve resposta não ela ficou muito tempo presa eh Fechada no uma caixa então ela não tinha nenhuma informação em depoimento O desembargador disse que quando Sônia precisava de cuidados de saúde amigos e a filha que é médica a atendiam e que em 2021 começou a
pagar plano de saúde para ela ele afirmou também que há poucos anos tirou o CPF dela e que não o fez antes porque achava que não havia necessidade o elemento de prova que seria talvez o mais robusto que seria o depoimento da própria trabalhadora ele fica eh prejudicado pela eh omissão da família em relação a esse direito elementar dessa pessoa que seria o direito à comunicação e se desenvolver através da linguagem isso é pior do que uma corrente pior do que ficar preso É como se você não pudesse falar é de uma solidão absurda né
que você tá determinando que ela não vai ter possibilidade de interação a pessoa tem pouquíssimas condições de humanização mesmo ela é uma pessoa só né só o mundo dela é ela o desembargador enviou ao Fantástico esta lista de tentativas de ensino de Libras oferecidas a Sônia mas não apresentou nenhum documento escolar formal sem apresentar nenhum laudo médico alega que Sônia Tem dificuldades cognitivas em nota Jorge Luiz de Borba também negou qualquer acusação de trabalho análogo à escravid maus tratos ou condições insalubres e hoje em nova nota afirmou que vai ingressar com pedido judicial para reconhecimento
da filiação afetiva de Sônia garantindo-lhe todos os direitos hereditários e que pretende colaborar com todas as instâncias administrativas e judiciais para que as investigações avancem com brevidade a fim de permitir a retomada da convivência familiar o Conselho Nacional de Justiça vai apurar a conduta do desembargador que recebeu no mês passado um salário bruto de quase R 63.000 é um absurdo um desembargador fazer isso é uma vergonha eu tô me colocando no lugar dela e falando isso para você eu sou ser humano ela ser humano e a intérprete tá aqui para dar a voz na sexta-feira
com a interprete Sônia já aprendeu algumas palavras em livras esse sinal é de sorriso é seria o próprio o nome dela snia também aprendeu a comunicar as cores As aulas mesmo começam amanhã ela vai viver temporariamente num abrigo para Mulheres vítimas de violência a expectativa é que em 4 meses Sônia seja capaz de fazer o que nunca conseguiu antes contar a sua própria história Y