o judiciário mais caro do mundo entrega ao Brasil lentidão ineficiência e insegurança jurídica como começar a desatar esse problema e qual é o tamanho dos danos que essa situação causa para o futuro do país pro nosso convidado de hoje O Brasil precisa de uma espécie de plano real para a segurança jurídica eu tô falando de Marcelo Trindade advogado ex-diretor da cvm professor da PUC no valor e muito nos honra como associado do Livres Eu sou mano Ferreira e esse é o Livres [Música] entrevista Marcelo antes de mais nada muito obrigado por reservar um tempinho para
conversar com a gente aqui no Livres prazer enorme mano est com você e est falando com seu público público do Livres aqui Marcelo Vamos começar com Panorama a gente fala muito Inclusive tem um um relatório do Tesouro Nacional que mostra que nós temos o judiciário mais caro do mundo né uma 1,6 do PIB na comparação com a sexta de outros países selecionados pelo próprio tesouro quer dizer três vezes acima do custo médio dos outros países ao redor do mundo por que o nosso judiciário é tão caro em primeiro lugar é você tem duas respostas ostas
para isso uma que é que tem sido dada pelo próprio judiciário né tenta justificar esse custo né dizendo que as contas são incomparáveis que nós temos custos no Brasil que não são atribuídos ao judiciário fora do Brasil que nós temos uma grande judicialização no Brasil eh muito maior do que em outros países o que é verdade diga-se passagem Ah e e e portanto no fundo o judiciário tem adotado uma postura muito defensiva quando esses dados são expostos né e e isso é o primeiro dos nossos problemas o fato de que o próprio judiciário não reconhece
a gravidade do problema não é porque o judiciário pode não ser o mais caro do mundo se você fizer algum ajuste nas nas métricas mas ele certamente será um dos mais caros do mundo e ele certamente está longe de ser um dos melhores do mundo um dos mais eficientes aquele que entrega a justiça mais rapidamente de maneira mais previsível e com isso paradoxalmente reduz a judicialização reduz a a litigiosidade do sistema né então Eh Infelizmente o judiciário não reconhece esse problema resiste a reconhecer esse problema e a primeira coisa que a gente tem que fazer
é mudar essa percepção né Eh é tentar de fato enfrentar o problema quais são as consequências de termos um judiciário tão ineficiente ou perguntando de outra forma o que é um um bom medidor uma boa evidência de que o judiciário é ineficiente no Brasil eu acho que o número de recursos e e a possibilidade de interposição de recursos é uma grande evidência de ineficiência você tem em muitos países você tem processos que não são necessariamente rápidos Mas eles são eh definitivos Isto é eles eh São julgados em uma ou no máximo Duas instâncias né e
além de além disso você não tem tantas possibilidades de recursos ao longo dos processos sobre cada uma das decisões que é proferida ao longo dos processos adicionalmente quando você tem um judiciário lento eh a tendência das partes é demandar a antecipação das medidas que elas vão receber no final elas pretendem receber no final né as famosas liminares as medidas cautelares né e e e isso no caso do Brasil pegou a um nível intolerável né na medida em que você tem até nos tribunais superiores e até no Supremo Tribunal Federal decisões liminares que são concedidas e
é da da Essência dessas decisões o reconhecimento de que haverá uma demora no julgamento dos processos não é E essas decisões são concedidas muito Muitas vezes são concedidas por um dos ministros Apenas não pelo tribunal como um todo ou pela turma como um todo demoram a ser revistas e demoram muitíssimo a ser julgada né a ser eh deferidas em definitivo ou indeferidas em definitivo de sorte que eh essa eh eh proporção esse número de recursos muito grande essa possibilidade de recursos muito grande com as medidas cautelares e o fato de que isso acaba aumentando a
quantidade de temas que precisão ser examinados pelo Judiciário eh reforça a lentidão faz o processo cada vez menos eficiente eh tem um ponto Man entretanto quer dizer a legislação mudou no Brasil tem mudado ao longo dos anos né Eh em busca de resolver esse problema em busca de reduzir o número de recursos em busca de resolver a questão das cautelares de impedir recursos eh durante o processo tudo isso tem sido tentado fazer do ponto de vista da Lei mas essas leis infelizmente não pegam no Brasil né curiosamente leis que são feitas para serem aplicadas pelo
Judiciário acabam não sendo efetivas nãoé e e e no fundo que parece ser a solução de de maior impacto de impacto é realmente eliminar a possibilidade idade dos recursos né de muitos desses recursos eliminar a possibilidade de recursos à instâncias superiores e e e com isso você ter pelo menos um processo que vai ser julgado em duas instâncias eh você acabou tocando na questão das decisões monocráticas dos ministros do Supremo Tribunal Federal e esse é um ponto que tem levantado muita polêmica inclusive por conta da iniciativa de um projeto de lei que foi aprovado no
na ccj né então ainda tem um longo caminho de tramitação para uma eventual aprovação de fato que tentaria limitar a capacidade dos ministros do Supremo de eh exercitarem essas decisões monocráticas Qual a tua opinião sobre esse projeto é eu acho que no fundo esse projeto enxuga um pouco o gelo por quê Porque de fato você não deveria ter essa quantidade de decisões monocráticas eh adicionalmente decisões muitas vezes proferidas durante o recesso enfim com uma aparência muito ruim uma percepção muito negativa do público com toda a razão de que aquelas decisões foram obtidas ali eh de
uma maneira eh indevida no sentido de terem sido obtidas com base em prestígio dos Advogados com base em prestígio das partes em situações eh que não permitem a revisão da decisão rapidamente e às vezes elas são concedidas assim e quando o tribunal retoma se seus trabalhos não examina essas decisões né não re examina rapidamente as decisões eh então de fato isso é isso é é muito ruim mas se a gente não tivesse tantas matérias de competência do supremo tantas matérias que podem ser levadas ou originariamente ou em recurso para o Supremo esse problema seria muito
menor então não precisaria se preocupar com as decisões monocráticas não haveria nem decisões monocráticas nem decisões das dos colegiados porque aqueles temas não seriam levados ao Supremo Tribunal o Supremo Tribunal não pode julgar não é razoável que um tribunal que se chama Supremo não é superior né Supremo é Deus é lá em cima um tribunal que se chama Supremo não pode ter essa quantidade de processo para ser julgado né E até porque é contrário de Deus ele não é onisciente nem onipresente então ele não vai conseguir resolver todos os problemas que são levados a ele
né de modo que eh eh o próprio Superior Tribunal de Justiça tem o mesmo problema a Constituição de 88 tentou acionar a competência do supremo dividindo a discussão da uniformização do entendimento sobre a lei federal no Superior Tribunal de Justiça e sobre a Constituição no Supremo Tribunal Federal você hoje tem dois tribunais que julgam muito mais do que deviam julgar então insisto acho que a questão principal é você eh eliminar essa competência recursal né E ela ser muito especial ela ser de fato uma decisão dos tribunais em situações como er nos Estados Unidos Unidos Por
exemplo em situações muito específicas o tribunal decide examinar aquela matéria e isso acontece muito raramente faz parte não ser fácil no no debate sobre essa situação das decisões monocráticas da insegurança jurídica no Brasil tem ficado muito em evidência ultimamente o aspecto político né dos das disputas entre o Supremo e os demais poderes mas eu eu gosto de lembrar que recentemente o Supremo julgou até é o título brasileiro de 87 pela 5ª vez por conta do recurso do Flamengo ou seja é é algo que vai muito além das disputas políticas né a gente tá falando de
um problema que tem efeitos no no país e nas mais variadas formas e áreas né inclusive do ponto de vista econômico Existe alguma estimativa do tamanho do prejuízo econômico ou do efeito eh enfim de atrapalhar a prosperidade do país que e a insegurança jurídica gera hoje no no Brasil então quero dividir essa resposta para dois públicos né o público das grandes empresas das grandes demandas tinha conseguido resolver esse problema pela arbitragem Então as disputas contratuais passaram no Brasil nas últimas décadas a ser decididas por árbitro eu eu não me lembro o último contrato que eu
fiz tem uma cláusula de arbitragem nãoé Eu trabalho com contratos entre grandes empresas não me lembro certamente tem mais de 20 anos e eh com isso Você atingiu aquele ponto que Eu mencionei no começo a arbitragem só tem uma Instância a decisão não é recorrível o processo é longo demora 2 anos 3 anos não é um processo rapidinho mas ele acaba tem uma decisão final Ch de anulação A não ser que haja de fato um vício era muito baixa o judiciário se portou muito bem para fazer um elogio ao judiciário de então portou muito bem
não interferindo nas decisões arbitrais o percentual de anulações de decisões arbitrais em juízo é muito baixo no Brasil e isso deu muita segurança jurídica às grandes empresas aos contratos empresariais agora recentemente nós passamos a ter um recurso mais frequente ao judiciário em alguns casos muito eh com muita visibilidade na imprensa inclusive e infelizmente tem havido decisões judiciais e adiando a eficácia de decisões arbitrais com base em a alegações em muitas na maior parte das vezes a meu juízo fúteis né apenas para conseguir de fato a revisão da decisão então isso de fato eh tá colocando
em risco uma coisa que estava razoavelmente resolvida do ponto de vista das grandes disputas agora no mundo das pequenas disputas das ações de locação das ações de compra e venda de imóveis das ações eh de consumidor nesse mundo a demora a a a possibilidade de recursos é imensa né então lá o que acaba inibindo o prolongamento excessivo eh dos processos é o custo como custa caro ter um advogado atrasando os processos os processos acabam sendo resolvidos mais rapidamente Mas entre os dois extremos tem os processos que demoram muito porque as pessoas têm dinheiro para cusar
aquele processo não são decididos em Arbitragem e isso é uma grande massa de processo se você junta isso todas as demandas públicas envolvem interesse público notadamente as demandas tributárias né as demandas de regularização fund se você junta todo este caminhão as as demandas contra o poder público né todo processos isso de fato eh eh vai muito mal é um é uma é um custo muito grande para fazer negócios no Brasil claramente constituir uma empresa no Brasil e e iniciar um projeto Empresarial no Brasil inclui refletir sobre qual vai ser a sua jurisdição a aonde você
vai ser demandado e onde você vai demandar há coisas que você consegue transferir para arbitragem você consegue construir uma uma empresa fora do Brasil certas demandas são fora mas se o seu negócio for aqui você vai estar submetido à justiça do trabalho a justiça do Consumidor no Brasil isso é muito lento Muito calo agora um aspecto interessante que você introduziu um pouco é que um dos grandes litigantes no Brasil é o próprio poder público né como dar com isso tem alguma medida que poderia ser tomada do ponto de vista do próprio poder público para diminuir
esse volume de litigância Sem dúvida fazer leis melhores não é e como você sabe boa parte das das leis brasileiras é de iniciativa do Poder Executivo né então quem propõe a lei é é o poder executivo em grande parte das matérias que geram litígio funcionalismo por público tributos a iniciativa é do Poder Executivo às vezes até os projetos não são muito ruins mal feitos às vezes são e muitas vezes eles pioram no Congresso Nacional então você sai com uma lei mal fe mal feita as partes olham aquela lei vem uma oportunidade de não cumpri-la ou
de obter um benefício que a lei não queria dar mas que acaba dando e isso gera a litigiosidade então se você tiver uma qualidade melhor no legislativo né isso melhora Outro ponto a receita federal brasileira eh quando a visão dela sobre o que é o bom e o ruim não é atendida pelo legislativo ela ignora ela ignora a lei ela interpreta a lei de uma maneira como a lei deveria ser na visão dela então ela alua as pessoas muitas vezes contra o que tá expressamente dito na lei isso gera muito litígio então às vezes são
litígios de iniciativa das partes às vezes são litígios de iniciativa da própria Receita Federal mas o fato é que eh esse essa montanha de processos tem uma conta um pedaço dessa conta Sem dúvida tá na qualidade das lei outra parte da questão é na minha enfim experiência ouvindo muitos advogados é que a depender do tipo de caso no Brasil parece que a decisão depende da loteria de quem é o juiz né ou seja casos semelhantes muitas vezes tem decisões diferentes como começar a enfrentar esse gargalo como fazer com que a lei Valha mais do que
o homem que julga a lei então mano não existe o tal do juiz robô o Napoleão tentou fazer isso já e não funcionou eh então o juiz que não interpreta a lei não existe o que você você tem eh em muitos países são mecanismos de uniformização e no Brasil também do entendimento O problema é que no Brasil essa uniformização do entendimento demora muito a acontecer Então por quê Porque só quem vai uniformizar o entendimento é um Tribunal Superior né que vai dizer essas leis se aplicam o Brasil é uma falsa Federação né grande parte das
competências legislativas São da união não são dos Estados ao contar ao contrário do que acontece nos Estados Unidos então os poderes Judiciários estaduais né interpretam a lei federal e esses poderes Judiciários estaduais que interpretam a lei federal interpretam de maneira muito diversa por isso é que você precisa ter um Tribunal Superior Tribunal de Justiça para uniformizar esse entendimento eh que 27 tribunais de justiça tem sobre a lei federal né quando a gente tem uma disputa numa ação de despejo eu e você essa lei é uma lei federal né e portanto isso é um complicador se
tivesse uma uma competência Legislativa dos Estados forte não é Ou se você tivesse só um tribunal um judiciário Federal isso seria muito mais fácil aqui a gente combina o judiciário Estadual com uma grande quantidade de leis federais que são examinadas pelo Judiciário Estadual daí a necessidade dessa uni uniformização dito isto é possível fazer essa uniformização é possível ter mecanismos de uniformização muito mais rápida fazendo com que esses tribunais atuem de maneira coordenada não é e de novo a lei brasileira evoluiu nesse sentido o códo processo civil de 2015 tomou várias medidas nesse sentido e infelizmente
ainda não estão produzindo os efeitos desejados e qual o caminho para implementar uma padronização como essa o caminho é autocrítica e por isso que eu comecei dizendo que o nosso principal problema é o judiciário não reconhecer o problema porque se você tem um problema dessa magnitude e não é capaz de reconhecer que ele existe você não vai conseguir resolv então ou o poder judiciário reconhece não é de cima para baixo do supremo do STJ dos tribunais de justiça reconhece que esse problema existe que o judiciário está desmoralizado perante a população que o judiciário ainda por
cima se desmoral eh e aí por culpa muitas vezes do próprio Supremo Tribunal em assuntos que ele não tinha que se meter né quando você vê hoje mese tava lá ontem hoje saiu no Jornal se discutindo a lista Tríplice pro STJ o candidato do ministro Fulano o candidato do ministro beltrano né Isso é um absurdo os ministros não tin ter candidato nenhum os ministros né os ministros dão entrevista à vontade os ministros fazem R show pelo mundo né isso não acontece nos outros países então de fato o o o Supremo Tribunal precisa eh e por
isso que eu falei em plano real precisa fazer um plano real né E quem faz o plano real é a sociedade é o próprio Supremo Tribunal né ele precisa reconhecer que ele tem um problema que nós todos temos um problema e começar a enfrentar esse problema como a meu ver eh fazendo uma mudança bem radical na questão dos recursos apresentando projetos de lei né ao ao congresso nacional que elimine radicalmente os recursos no Brasil e permitam a uniformização da jurisprudência de maneira muito mais rápida vinculante de modo que os juízes de primeira instância sejam obrigados
a seguir aquele aquele padrão estipulado pelo Tribunal Superior mas de maneira muito radical muito radical sem meias palavras porque se a gente continuar fazendo o que a gente tá fazendo a gente vai continuar enxugando gelo agora isso precisa ser de iniciativa do Pró próprio judiciário uma lei como essa não se não algumas matérias TM que ser de iniciativa do Judiciário mas mas se não for é pior porque está criando um atrito entre os poderes né É preciso que o judiciário seja o protagonista dessa mudança porque senão a gente fica vendo isso emendas constitucionais para tentar
limitar os poderes do supremo que o próprio Supremo pode declarar inconstitucionais Supremo tem o poder de dizer esta emenda constitucional é inconstitucional imagina crise agora tá ameaçado de acontecer isso imagina crise institucional quando uma coisa dessas aconteceu agora o problema é que isso demanda uma espécie de abertura de mão do próprio poder né O Poder os ministros abrirem mão de um poder que eles passaram a ter e que aparentemente continuam gostando de usufruir né Olha mano você sabe que eu acho que eh sim e não porque esse poder dá um trabalho da nado não é
não vai haver nenhuma redução de vencimento dos Ministro do Supremo Tribunal Federal Não vai haver nenhuma redução até porque são irredutíveis esses President não vai haver nenhuma redução do prestígio do Supremo Tribunal Federal outro Superior Tribunal de Justiça se H uma redução do número de processos ao contrário eles vão conseguir julgar processo o que eles Passarem a dizer sobre coisas importantes vai ser mais ouvido como uma decisão ada e não com esses espasmos eh de decisões eh eh unilaterais eu não tô nem falando da patologia dos processos iniciados do próprio supremo do processo do inquérito
do fim do mundo nada disso eu tô falando do do beabá no babá já não funciona no dia a dia já não funciona no dia a dia então Eh eu eu eh acho que que quem liderar esse movimento o Supremo que liderar esse movimento não é uma coisa nacionalismo não é o presidente do supremo o quando o tribunal liderar esse movimento ele vai ele vai adquirir uma relevância política no bom sentido da palavra muito maior não é sem perda de poder na verdade porque eh hoje o que acontece é que o Supremo tá em escuído
em pequenas questões né em pequenas disputas eh coisa que ele não podia tá fazendo né E nisso na indicação Fulano é ministro então ah Os ministros Beltran ess clano der porque a lista trp não incluiu o nome deles né Isso é uma vergonha então é vexatório ministro Supremo ter se metido nessa nessa nesses pequenos assuntos e ter perdido são 11 pessoas em 200 e tantos milhões de habitantes uma coisa muito especial para ser misturada com coisas que não vale a pena você vem falando de algumas posturas que são tanto quanto apropriadas por parte de ministros
do Supremo a gente para adicionar nessa conversa a gente teve recentemente a participação de ministros em mesas de discussão no exterior ao lado de empresários que recentemente estavam envolvidos nos escândalos da lava-jato e enfim e muito curiosamente falando sobre a confusão entre público e privado falando sobre a cultura patrimonialista do Brasil ao mesmo tempo em que estavam como representantes de um poder público num evento privado com empresários que precisam ainda ter julgamentos na própria corte eh não há limite pro constrangimento o que precisa acontecer na tua visão para que a chave de e enfim de
para que para virar essa chave sobre o grau de consciência a respeito da da responsabilidade que há e da autocontenção que se é exigido para que o judiciário possa ter credibilidade junto à sociedade é eu acho que a palavra chave é essa que você mencionou credibilidade né reputação eh Não basta ser precisa aparecer né Eh quando quando alguém é juiz ele necessariamente vai lidar com interesses em conflito eh e e vai conviver com pessoas advogados e mesmo partes que TM eh interesses eh em conflitos submetidos à sua jurisdição atualmente ou ou potencialmente eh Isso faz
parte da da vida de um juiz né saber lidar com isso e por isso que o juiz precisa estar permanentemente preocupado com a aparência não apenas com o conteúdo né Porque mesmo que todos esses juízes de que a gente tá falando aqui sejam honestos eles decidam Com base no que eles entendem que é o mais correto nos altos independentemente de terem ido falar num seminário patrocinado ou não pela empresa que vai ser que é patrocinadora daquele seminário a aparência é muito ruim a percepção Popular né das pessoas que não conhecem os juízes que não sabem
da sua personalidade da sua reputação da sua honra é caramba que bagunça nãoé como é que pode isso tem lá o logo de uma empresa que tem um caso no Supremo eh ou no STJ eh patrocinando um caso patrocinando um seminário em que estão falando os ministros né independentemente deles não receberem remuneração que é uma argumento sempre usada Ah mas não há remuneração não importa né a impressão é é muito ruim isso tinha melhorado muito no Brasil eh durante um Pero e que começou a acabar Há uns há uns 5 anos mais ou menos começou
a piorar de volta eh houve uma época em que era muito ruim eh so pretexto de educar os magistrados eh em relação a ao setor Empresarial porque muitas vezes se imputava a ignorância dos magistrados quanto a a natureza do negócio Empresarial a a incorreção Econômica a ou agressão a lógica Econômica que muitas decisões judiciais praticavam eh houve durante muitos anos seminários organizados por indústrias né indústrias áreas de atuação Empresarial eh e que chamavam os juízes para que eles participassem dos seminários mas também para que eles ouvissem eles aprendessem isso até aí eh era razoavelmente legítimo
era explícito que a finalidade da aquilo era eh falar sobre o tema Seguros né e educar os juízes e o público em geral sobre a visão da indústria daí isso começou a se transformar em eh resorts né Vamos fazer o seminário na Bahia né ou em Pernambuco bom todo mundo quer ir paraa Bahia ou para Pernambuco mas não é bom que os juízes façam isso né passem o final de semana o Resort falando isso tinha melhorado muito os tribunais inclusive tinham reprimido esse tipo de Conduta e agora nós expandimos as fronteiras Estamos fazendo isso mundo
aa organizam um seminários eh em todo o mundo em que os juízes comparecem e isso é uma Bola de Neve eh mano porque os Eu graças a Deus não trabalho no no litigo no judiciário não sou advogado de contencioso mas os meus colegas de contencioso muitas vezes constrangidos com o fato de que eles vão a esses congresso eles dizer B se eu não for o meu concorrente vai vai jantar com o ministro vai tomar um drink com o com o juiz né ali na sala depois do congresso vai conviver socialmente eu não posso não ir
né os clientes estarão lá também vendo que advogados estão e que advogados não não estão Então veja veja o nível de eh eh de de pervas que este que este tipo de pequena coisa tem não é ah a aparência de que quem está lá tem mais poder com aqueles juízes porque os juízes estão lá e há um convívio social eh mais mais intenso entre pessoas que não são amigas da vida toda evidentemente H juízes que tem advogados amigos nós estos todos do mesmo saco né Cada um foi por um caminho da carreira e e eu
tenho muitos amigos juízes eh e e ministros que que são amigos da vida toda eu por sorte não advogo lá mas outros advog isso é muito claro e as decisões são a favor ou contra isso não é isso faz parte da vida n é o que nos pode fazer ter esse tipo de Conduta que gera a a percepção pública e que acaba gerando Como eu disse profissionais acabam participando disso porque precisam trabalhar precisam competir no mercado né e acabam reforçando esse esse esse esse modo de atuação que é muito ruim e que de novo não
não é comum não é comum fora do Brasil Marcelo tentando então dar uma sintetizada no na receita digamos feito o o diagnóstico a gente precisa de uma espécie de o plano real teve alguns eixos de trabalho né tiveram etapas do plano eh E no fim do plano né boa parte das etapas tinham a ver com a construção institucional né com eh a implementação de reformas estruturais como que a gente pode trazer essa metáfora pra situação do Judiciário quais seriam as etapas de um plano real da segurança jurídica eu acho que quem resolveu né o o
problema da inflação da hiperinflação não da inflação inflação existe mas da hiperinflação brasileira eh foi o próprio podero n fo não era de todo ruim estrar o país com com hiperinflação correção monetária e overnight né Eh isso permitia alguma administração inclusive mais fácil de certos problemas mas foi o próprio Poder Executivo porque houve liderança nesse sentido e tomou a decisão de agir reuniu-se um grupo de pessoas com essa capacidade técnica e isso aconteceu Por isso que eu digo que o plano real do Judiciário tem que partir dos judiciário né É preciso que dentro do Judiciário
se forme esta consciência que esses temas sejam discutidos que essas propostas e os eixos são esses que eu falei mano redução dramática do número de recursos e da competência do Supremo Tribunal e do Superior Tribunal de Justiça dramática eh com isso vai se ganhar tempo nos processos em Primeira e Segunda instância eh os processos vão acabar mais rápido eles vão acabar quase sempre em duas instâncias ah moralidade aspectos de percepção pública regras de ética não é tudo isto pode partir perfeitamente do Judiciário se houver liderança neste neste sentido né E claro uma coisa que não
depende só do Judiciário que é a Interpretação da Lei leis melhor feitas leis feitas com mais cuidado eh e que e que se preocupem com um eh os riscos de dubiedade como é que você faz isso você faz um processo legislativo que tenha este ponto como um Ponto Central a audiência pública que é uma prática por exemplo os órgãos reguladores na cvm você mencionou que eu fui presendo da cvm na cvm eu tô falando de uma coisa que se iniciou em 1978 você foi criado em 73 mas ela começou a funcionar em 78 desde 78
tem audiência pública no Então as normas são expostas ao mercado expostas aos agentes de mercado ó nó vamos fazer isso aqui que que vocês acham os lobes se movimentam publicamente por escrito tá lá depois tem um relatório dizendo o Lob tal disse tal coisa o Lob qual disse tal coisa aliás um parêntese a regulamentação do Lob no Brasil é um elemento muito importante na melhoria do processo legislativo você vai ver uma audiência pública hoje no Congresso é é inass distímico aquelas pessoas falando ali para PR pra TV Câmara e ninguém e ninguém de verdade tá
prando passa assina o nome na pauta então parece um bando de estudantes eh fugidios né Então as discussões de verdade eh eh nas audiências públicas melhoram muito a qualidade Legislativa podem melhorar muito a qualidade Legislativa então basta ter um processo adequado disso né E claro é muito difícil administrar um país do tamanho do Brasil um Judiciário do tamanho do Judiciário brasileiro um legislativo com tantas competências quanto a do Legislativo brasileiro mas também era muito difícil administrar uma inflação uma hiper inflação com décadas de vida e fazendo a coisa certa foi possível resolver por isso que
eu acho que é possível resolver fazendo a coisa certa no judiciário Marcel Trindade muito obrigado por essa conversa prazer muito obrigado a vocês bom então se você também acha importante defender o Império da lei reformas institucionais que aumentem a segurança jurídica e defendam na prática a liberdade individual no Brasil Você também precisa se tornar um associado Livres entre no nosso site eu sou livres.org bar participe e até a próxima [Música] C [Música]