Olá, [música] pessoal. Tudo bem com vocês? Agora que já entendemos os determinantes a epidemiologia da asma, precisamos nos perguntar: "E nós farmacêuticos, onde a gente entra nisso tudo?
" A nossa aula hoje é sobre a atuação do farmacêutico no cuidado ao paciente com asma. Eu sou o professor Gabriel Freitas. Venham comigo entender um pouquinho mais sobre esse assunto.
Como já vimos, a asma é uma doença respiratória crônica de alta prevalência mundial, associadas a impactos clínicos, sociais e econômicos significativos. O manejo inadequado resulta em controle subótimo dos sintomas, aumento das hospitalizações, absenteísmo escolar e laboral e ainda maior custo para os pacientes e para os sistemas de saúde. Diante desse cenário, o farmacêutico aparece como peça chave para melhorar o cuidado ao paciente asmático, contribuindo para reduzir a carga da doença e melhorar os resultados em saúde.
Vamos saber um pouquinho mais como agora. Para iniciarmos, precisamos entender quais são as principais barreiras para o manejo ótimo da atma. E entre elas podemos destacar a baixa adesão, não só pelo uso incorreto dos dispositivos inalatórios, mas também pelo esquecimento, pela falta de compreensão da doença e do tratamento, pela falta de compreensão entre o medicamento de manutenção da doença e o desresgate.
Falta de acesso aos medicamentos também é um problema e não podemos esquecer dos problemas cognitivos. Temos também as questões socioeconômicas que podem impactar o processo de uso desses medicamentos com a falta de acesso. Portanto, resumidamente, o farmacêutico vai atuar realizando educação e saúde e rastreamento.
Nós farmacêuticos estamos posicionados de forma estratégica, pois estamos justamente nos pontos de dispensação desses produtos, seja em farmácias comerciais, seja em farmácias de unidades de saúde e nos hospitais. Então, ocupamos um posto perfeito para rastrear problemas e acompanhar indivíduos com sinais e sintomas respiratórios, além de podermos ajudar a otimizar a farmacoterapia através da educação e saúde. Falando em educação e saúde, podemos prestar orientação sobre a doença explicando os fatores desencadeantes, ajudando na elaboração de um plano de ação individualizado, realizando o treinamento e a correção da técnica inalatória, monitorando a adesão e realizando intervenções na farmacoterapia junto à equipe de saúde.
Já em relação ao rastreamento, podemos auxiliar pessoas com sinais e sintomas respiratórios que não sabem que podem possuir um diagnóstico de asma, bem como rastrear pessoas com asma que não possuem controle ótimo da sua doença. Fato esse que, como já vimos, resulta em piora progressiva do quadro clínico, levando a mais utilização do serviço de saúde. Uma revisão sistemática descreveu que a realização desse serviço em farmácias comunitárias é capaz de observar elevada frequência no descontrole da doença, cerca de 50% dos pacientes em todos os estudos avaliados.
Outra revisão sistemática demonstra que intervenções colaborativas com o médico, quando aplicadas a pacientes com controle inadequado da asma, também obtém melhora significativa no autocontrole da doença e na qualidade de vida. A educação e saúde performada pelo farmacêutico no contexto da asma, sobretudo com foco no uso correto de dispositivos inalatórios, também tem extensa documentação na literatura científica sobre o seu impacto positivo. Esse impacto vai no controle da doença em outros múltiplos desfechos humanísticos, clínicos e econômicos, tanto em crianças como em adultos.
A atuação do farmacêutico no manejo da asma vai além dos benefícios clínicos, trazendo ganhos econômicos expressivos tanto pro sistema de saúde quanto para os pacientes. Uma outra revisão sistemática demonstrou que a atuação clínica do farmacêutico resulta em significativa redução tanto de custos diretos quanto de indiretos relacionados a essa doença, além de melhorar os desfechos clínicos dos pacientes. Mas como isso é possível?
Bom, vamos lá. Primeira coisa, a presença do farmacêutico na equipe multiprofissional contribui para a diminuição das hospitalizações e atendimentos de emergência, que são os principais componentes do custo direto da asma. Estudos vão mostrar pra gente que reduções de até 75% nas visitas a serviços de emergência e hospitalizações acontecem após a implementação de programas de acompanhamento farmacoterapêutico.
Outra situação é que o acompanhamento farmacoterapêutico também promove o uso adequado dos medicamentos, reduzindo desperdícios e otimizando a terapia, o que também se traduz em menor gasto com medicamentos. Já em relação à redução dos custos indiretos, é só pensar, mais controle da asma, menos dias perdidos, tanto no trabalho quanto na escola. Isso também proporciona melhora da produtividade, já que pacientes com asma e melhor controlada apresentam maior capacidade de realizar suas atividades diárias, o que potencializa o retorno econômico pro sistema de saúde e para o próprio paciente.
Portanto, investir em serviços farmacêuticos é uma estratégia sustentável e recomendada para otimizar recursos e melhorar a qualidade dos cuidados em saúde com esses pacientes. Bom, apesar das evidências robustas sobre o impacto positivo do do farmacêutico no cuidado ao paciente com asma, existem barreiras e desafios que limitam a plena integração e efetividade desse profissional na equipe multiprofissional de saúde. Por exemplo, em muitos contextos, o farmacêutico ainda é visto predominantemente como um dispensador de medicamentos e não como um agente clínico ativo no manejo da asma.
Isso limita sua participação em decisões terapêuticas e no acompanhamento longitudinal dos pacientes e ainda prejudica a valorização institucional desse profissional. Falta de espaços privados para consultas, ausência de sistemas informatizados de acompanhamento e recursos limitados para educação e saúde comprometem a qualidade das intervenções farmacêuticas. Muitos farmacêuticos também relatam insegurança quanto à demonstração da técnica inalatória, aconselhamento sobre planos de ação e manejo das comorbidades.
A carência de programas de educação continuada e atualização em asma é um desafio recorrente e é justamente nesse contexto que esse curso se insere. Superar essas barreiras exige esforços em múltiplos níveis. políticas públicas que reconheçam e incentivem a atuação clínica do farmacêutico, programas de capacitação contínua, melhorias nas estruturas das farmácias e uma melhor integração com a equipe multiprofissional.
O fortalecimento do protagonismo farmacêutico é fundamental para ampliar o impacto positivo no controle da asma e nos desfechos clínicos dos pacientes. Esperamos que você possa aproveitar todas as aulas desse curso e que isso contribua para o seu desenvolvimento profissional e, principalmente para que vocês ajudem os pacientes com asma a terem melhor controle da sua doença e uma melhor qualidade de vida. Por hoje é isso, pessoal.
Fico por aqui. Até a próxima.