[Música] Boa tarde. Boa tarde a todos e todas. Estamos aqui mais uma vez no Sação Sabiá na TV247.
Eu sou Regina Zapa e trago hoje uma convidada muito especial. Vocês vão adorar conversar com ela. Muita coisa que ela vai trazer pra gente.
Primeiro, boa tarde, Luciana. Já vou te apresentar. Olá, boa tarde comunidade.
Boa tarde, Regina. A Luciana Bauer, ela é uma jurista brasileira, ela, deixa eu pegar aqui para falar direitinho, olha, formada em ciências jurídicas e sociaiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ela também atuou como juíza federal no Tribunal Regional Federal da Quarta Região por mais de duas décadas.
Depois ela fundou o coletivo Jus Clima. Vou querer que a que a Luciana conte pra gente o que que, né, o que que é isso. Voltando paraa advocacia clim, voltado, né, esse coletivo paraa advocacia climática e questões indígenas.
Atualmente a Luciana é doutoranda em ciência jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí e pela Wienne University com pesquisas focad nos Estados Unidos com pesquisas focadas em direito intergeracional climático, Teoria da Justiça de John Rolls, Geopolítica do Clima e Pedagogia da Natureza. É muita coisa, Luciana. Você é muita coisa.
E além do mais, olha que que tem aqui. Eh, eu coloquei aqui no nossa nossa descrição também que você eh é ligada sempre foi à luta pelos direitos humanos, você é pioneira no campo do direito climático. E agora a Luciana tá lançando um livro chamado A democracia indiferente, que une crise climática e crise da democracia e se baseia na sua longa experiência jurídica, no seu compromisso com os direitos humanos e na sua sensibilidade política.
A gente andou conversando aqui, né, Luciano? Luciana tem muita coisa para contar pra gente, mas eh queria começar, Luciana, eh falando um pouco do seu livro, né? A gente, eu sei que a gente tem muito assunto e o seu livro ele trata de liberdade, trata de crise do capitalismo, eh do avanço do fascismo que a gente tá vendo no Brasil, no mundo inteiro.
Fala do estado policial, o que que é um estado policial, das redes sociais e algoritmos. que a gente tava conversando agora e de democracias ecológicas. Primeira coisa, eu queria saber como é que nasceu esse livro.
Ah, muito boa pergunta. Eu fiz o meu mestrado todo em direito digital e liberdades. Eu sempre, eh, quando era juíza federal, sempre fui uma grande leitora de filosofia política, filosofia.
Passei boa parte desses dessas duas décadas, né, lendo grandes filósofos. E gosto muito da teoria de John Holls, como ele interpreta como uma democracia, ela é uma democracia plural. Isso vem também do do eh Isaia Burling, né, que ele faz essa esse recorte, que a democracia não é só a democracia de um, por exemplo, nos Estados Unidos de brancos colonizadores ou do povo olho ordinário.
Ela é uma democracia de todo mundo, de migrantes, de pessoas que que não tem religião, de pessoas muito religiosas. E o RS ele ele coloca isso como um denominador. A gente forma a razão pública com essas diferentes correntes.
E eu gosto também muito de lembrar da nossa Constituição de 1988, que é a Constituição Cidadã. a gente tava saindo da ditadura e enormes correntes eh muito diferentes estavam naquele congresso e conseguiram por meio do diálogo político, fazer uma constituição que é uma constituição maravilhosa no seu formato inicial. Já vamos depois falar porque que ela não tá tando tão maravilhosas assim.
Então, a a eu sempre gostei de de estudar isso e via que os algoritmos já 10 anos atrás eles estavam mexendo muito com essa razão pública. Por quê? Porque hoje vamos fazer um grande parênteses, vivemos na no tecnofeudalismo.
Eu não gosto muito dessa dessa palavra tecnoofudalismo. Tem várias eh pessoas que falam dela. Ultimamente o eh o ministro da Grécia fez um livro disso, mas antes o Cedric Duran eh há 10 anos atrás fez um livro em francês chamado Tecnofeudalismo.
Por quê? que eu acho que no feudalismo ainda existia uma um certo grau de ética na sociedade e o tecnofeudalismo das grandes bigtecs, como elas foram surgindo há 20 anos atrás e com grande impacto na democracia há 10 anos atrás, ela é totalmente desprovida de ética. Ella só foca no capitalismo mesmo deles minerarem os nossos dados e conseguirem com isso muito dinheiro.
Então o que que é o tecno capitalismo, né, ou tecnofeudalismo. Antigamente a a o capitalismo vivia de de bens de produção ou de exploração de de mão de obra escrava, depois de mão de obra colonial. Ele fazia produtos, ele nova produtos, ele sempre gira uma economia com base em produtos, energia e mercado financeiro.
As bigtecs, elas mudam um pouco isso, porque eu não preciso mais de uma fábrica, de um fabricante ou de um de um operário. Eu preciso só minerar dados. Eu estou falando aqui com a Regina e a minha linguagem e a dela estão passando por algoritmos que vão ser mensurados.
E essa mensuração, esse algoritmo, ele é totalmente opaco, porque ele não pertence ao público, ele pertence ao privado hoje. Essa é a grande luta que nós temos na democracia. Eh, é modular esse algoritmo para para a democracia.
Então esse livro que eu coloco, democracia indiferente, é justamente isso, o quanto a nossa democracia está refém de dessa nova forma, essa mutação do capitalismo que se chama tecnofeudalismo, o quanto isso agride e molda a discussão pública, a escolha de representantes. A gente teve o caso da Cambridge Analytics há anos atrás. que escolheu praticamente a saída do Brext, depois eh elegeu Bolsonaro, depois eh antes já tinha eleito Trump, ou seja, algoritmos que vão, sabem que você é indeciso, vão lá e captam o seu voto.
Então, a democracia indiferente é isso, o quanto nós somos indiferentes, essa grande mudança e e como nós precisamos ainda da democracia para reverter o colapso climático, que por isso que une crise climática com crise da democracia. Esse é o pano de fundo do livro. Pois é, eu ia justamente perguntar isso.
Eh, como é que você fala no teu livro sobre democracia ecológica, né? E é isso que você acabou de dizer. a gente precisa da democracia para reverter a tragédia climática.
Mas como é que a gente vai conseguir criar uma democracia eh ecológica se a gente mal conseguiu consolidar a nossa democracia social e política? Como é que a gente dá esse pulo? A a as duas democracias, elas não estão eh diluídas no tempo, elas não são uma evolução uma da outra, elas são a mesma ideia do nosso constituinte de 1988.
Nós temos lá no artigo 225 e e no preâmbulo, nos objetivos da nossa Constituição, toda aquela parte inicial da nossa constituição, até mesmo quando o Dr Ulisses faz aquele discurso maravilhoso que eu coloco no final do livro, né, dizendo esta é a Constituição Cidadã, essa é a Constituição que é eh Rubens Paiva e não os fascínes que o mataram. Então isso tudo já está lá. Nossa Constituição é uma constituição ecológica.
Fazendo novamente um parênteses com relação à Constituição dos Estados Unidos. A Constituição dos Estados Unidos é muito antiga, tem só direitos básicos, eh, liberdades básicas, algumas interpretações. A nossa Constituição, não.
A nossa Constituição de 1978 é uma evolução enorme em termos constitucionais. Ela é um exemplo na sua época de direitos e liberdades individuais, direitos coletivos e direitos difusos de proteção de gerações futuras, não só de humanos, mas também de não humanos. Então, nós temos já isso como um plano paraa nossa sociedade.
Aquilo que o constituinte originário eh colocou na nossa constituição é esse plano. Ele foi sendo construído ao longo do tempo. Só que nós chegamos em uma época em que nós temos o fenômeno hoje dos eh políticos desleais.
Isso é bem uma linguagem eh de vários professores de Harvard e Ale em falar que é o político que se elege normalmente de uma base qualquer, mas que quando ele chega no Congresso, ele não legisla para os seus eleitores, ele legisla para corporações, porque hoje o grande capital ele também evoluiu. essa esse tecnofeudalismo ele foi possível porque o grande capital foi se concentrando. Isso eu recomendo leitura de um livro maravilhoso do Dombor, do Ledsla Dombor, que é a era do capital improdutivo, em que nós temos mais ou menos 140 grandes empresas no mundo que gerenciam metade do PIB mundial.
Então essa concentração ela vai direto no político. Então tanto nos Estados Unidos quanto aqui, eu faço esse paralelo, esses políticos, eles não estão mais legislando para quem os elege. Ele tá legislando para essas corporações.
Por isso que nós temos o nosso centrão, por isso que nos Estados Unidos tem os grandes lobes. Então eu eu pergunto, como nós elegemos essas pessoas? Porque somos influenciados de maneira subrepetícia por algoritmos, por essa polarização da sociedade, que na verdade é uma coisa fabricada pelas plataformas para vender, porque o que vende é o discurso do ódio, é o discurso de muitos deputados eh eh usam esse discurso de ódio contra minorias e ganham engajamento.
enorme, terrível. Esse engavejamento vem de quê? Vem desse algoritmo que quer a barbárie mesmo, porque na barbárie ele tá 100% livre.
O grande embate da democracia hoje em todo mundo é regular isso. O nosso Supremo Tribunal Federal tá nessa batalha, tá conseguindo essa regulação, mas a no nosso Congresso a lei que regula tá parada. Por quê?
Não é interesse da sociedade. Sociedade tá vendo crianças morrendo por desafios. Nos Estados Unidos também tá parado pelos lobistas.
Então a a democracia ela se coloca assim numa esquina civilizatória para hoje para onde a gente vai se a gente não regular esses algoritmos. Ótimo. Isso.
Você sabe que eh outro dia a gente entrevistou a a deputada Jandira Fegalha, a gente tava falando justamente isso do Congresso, é que o o país, né, ele é majoritariamente feminino, negro e urbano. E aí você olha pro Congresso, ele não reflete isso, quer dizer, ele não representa o povo brasileiro, né? E esse congresso é isso.
Eu gostei que você falou de políticos, foi isso, né? Políticos desleais. os desleais.
E agora, como é que a gente faz? Essa é a pergunta que todo mundo faz e que ninguém consegue responder. Como é que você, diante desse de dessa pressão e dessa força dos algoritmos, né, das bigtecs e tal, como é que você consegue eh eh pensando mais especificamente mudar um congresso desse?
Isso passa pelos mecanismos tradicionais. com que a razão pública, com que as leis, com que a esfera pública são feitas, eram feitas e ainda são feitas. Vamos voltar lá para Hols e Habermas.
O que que é esfera pública na linguagem de Harboras e razão pública na linguagem de Halls? É quando eu tenho toda uma sociedade, não só os políticos que do Congresso que vão fazer leis, mas toda uma sociedade que entra no discurso público, que entra no debate, que contribui e e muitas vezes são são visusões totalmente eh opostas, mas mesmo assim conseguem fazer uma legislação que seja justa, porque a norma além existente, válida e eficaz, ela tem que ser justa para ser eh seguida pelas pessoas. Um exemplo é a lei do aborto.
No Brasil tem pessoas que são totalmente conta, totalmente a favor, mas nós conseguimos fazer uma legislação que seja meio termo paraa nossa sociedade até aquele momento. Uhum. Isso era feito com eh eh isso tudo eh e essa fala era feita como existiam sindicatos fortes.
Nosso presidente veio de um sindicato porque os sindicatos tinham peso, os jornalistas tinham peso porque a gente sentava na praça, tinha lido o jornal, ia discutir: "Ah, você viu aquele jornalista fez tal matéria? " as universidades eram ponto de discussão. Eh, foi muito chocante para mim como algum algumas manifestações, não tanto no Brasil, mas nos Estados Unidos de estudantes foram violentamente rechaçadas, principalmente com relação à Palestina, porque a universidade é o polo de discussão.
Primeiro, eu estou numa universidade, não para um canudo, eu estou para a formação de um cidadão. Exatamente. Então, se na universidade você não tem essa essa essa discussão na escola, você não tem.
Então, é refazer todos esses caminhos. A gente tem que ter um um uma TV pública muito mais forte, muito mais presente e com muito mais canais e dando muito mais emprego a jornalistas sérios. Nós precisamos refazer o nosso direito trabalhista e nosso direito sindical.
Porque uma parte também de como a democracia morre é a a espoliação total do do trabalhador feita justamente por esse capitalismo eh de servidão, esse tecn feudalismo, porque você não vai ter mais quem faz o valor de capital, você só vai alugar uma nuvem. eh a economia da nuvem. Nós estamos aqui alugando o YouTube ou o Instagram ou um delivery.
Então aquelas pessoas que começam a deter esses meios de capital, elas começam a a ter a mesma funcionalidade de um senhor feudal. Ele permite ou não, ele tem os seus vassalos ali digitais. No momento que a Apple eh criou a sua, o seu app de baixar eh aplicativos, todo mundo se tornou vassalo da porê porque eu só tenho o meu aplicativo lá e eu só tenho o meu produto lá, produtos, serviços, se eu sou vassalo daquela tecnologia.
Então tudo isso tem que ser refeito e voltar a um discurso que seja real, porque o que que a gente vê hoje? as pessoas ficam indignadas e vão pro Instagram colocar ali toda a sua indignação. Isso não dá, isso não vai levar nada.
Você tem que ter um fórum realmente cívico de de refazer isso. E outra característica das nossas democracias, nós amamos tanto a democracia e nós não ensinamos os nossos eh as nossas crianças a serem democratas. poucos países fazem isso como a a Suíça.
Os meus filhos estudaram uma boa parte do da vida no colégio suíço de Curitiba. E então ele, por quê? Porque a Suíça tem uma democracia direta, não sei se é boa ou não, mas é uma democracia direta.
Todo mundo tem que opinar, todo mundo é submetido a isso. Então, por que que no Brasil a gente não ensina democracia? Porque a democracia parece que é é alguma coisa que vai ser aprendida pelo ar.
Não, ela é aprendida eh desde a infância a ser respeitada. Então, hoje nós estamos num grande vazio ético no Brasil com relação a isso. As pessoas não dão mais o valor à democracia.
Tanto que tem pessoas que acham normal no 8 de janeiro todo mundo ter destruído ali Brasília. Eles acham que aquilo ali é uma expressão saudável de de cidadania quando é um golpe militar, né? Foi para um golpe militar.
Então isso tudo denota o quanto a gente tá deficitário dessas estruturas formais de construção de razão pública e também ensinar as crianças a a ter essa razão pública e construir isso pro futuro. É, você fala você falou aí várias coisas importantes, né? e você faz essa pergunta na apresentação do seu livro, que assim, que tipo de educação democrática nós vamos deixar paraas próximas gerações?
Eh, e a gente não tem nem a educação eh paraa cidadania na maioria das escolas. E isso tô falando até das escolas particulares, o que dirá das escolas eh públicas. Mas nas escolas públicas a gente tinha que aproveitar quando a gente tá com um governo progressista, um governo federal progressista para transformar a educação, né, para trazer essas matérias sobre cidadania, democracia, uma história que seja contada de uma forma eh eh correta, né?
Só que é uma coisa tão imensa você fazer essa transformação na democracia, mas ela tem que começar em algum momento, né? Mesmo que você, ah, vou começar agora, mas não sei se conseguimos terminar, mas tem que começar. E a gente não tá vendo isso, né?
Isso é uma, talvez uma falha, eh, porque a gente sabe que a gente corre risco da próxima, na próxima eleição, a gente tá batalhando para não cair num governo autoritário e fascista, mas se cair aí a gente não aproveitou esse tempo, né, para porque com a educação, né, como você tá dizendo, das novas gerações, é que a gente vai impedir esse avanço. É, então você falou essa coisa aí que é super certo, né? Como é que a gente e faz essa transformação?
Eu acho que é começando pela transformação nas escolas públicas, sobretudo, mas também eh em todas as escolas, mas queria também saber o que que a mobilização jurídica, por exemplo, pode nos oferecer como saída para tudo isso que você tá falando, porque você falou coisas muito eh eh pesadas, né? Porque a gente tem o algoritmo, a gente tem as bigtecs, a gente tem as pessoas alienadas, a gente tem a polarização, tudo isso caminha pro lado eh eh de governos não humanistas, governos fascistas. Eh, então, será que a gente também pode começar pela questão jurídica?
Sim, podemos sim, mas antes eu vou fazer um um parênteses da fala anterior. Por quê? Porque a gente tem que ver os governos fascistas que hoje estão no mundo, né?
E um deles é os Estados Unidos. Estados Unidos não é mais uma democracia. E um grande polo de inovação do fascismo aqui nos Estados Unidos é o governador da Flórida, o Hons.
Ele já tá no segundo mandato e ele faz várias pequenas e grandes incursões que são assim, eh, como é que eu vou dizer? Um laboratório. Só esclarecer aqui.
A Luciana tá nos Estados Unidos estudando e trabalhando e tá na Flórida justamente, né? É só aqui você tá vendo de perto isso. Então o que que o governo fez agora há pouco tempo?
Rondescentes tem uma grande universidade aqui que é a Universidade da Flórida, é uma das cinco melhores dos Estados Unidos em tecnologia, em várias em várias pontas. E ele simplesmente desmontou, ele falou, ele nomeou eh o reitor e ele falou que o reitor só vai eh ser só iria ser conduzido, né? Era um pressuposto para ele ser conduzido se ele extinguisse os cursos de humanas.
Olha, os cursos de humanas não têm razão de ser. Ele extingu filosofia. E então todos os cursos da da Flórida, não só essa, mas todo mundo tá se readequando, isso é um projeto também, o projeto 2025 da administração Trump V.
É um projeto de extrema direita eh mundial que eles colocaram na linguagem dos Estados Unidos para essa administração. Trump vence, é desconectar o homem do seu saber, eh, e memorial de humanas. O homem é só é só tecnológico.
Isso isso é é o puro decarts, né? Eu não tenho mais história para ser contada, porque a história é contada pelo fascismo que reescreve. Aliás, é o novo livro do Sash, aquele que escreveu como as democracias morrem, né?
Não, do Jason que escreveu que é o fascismo, é reescrevendo a história. Então, eu não tenho mais história, eu não tenho mais psicologia, eu não tenho mais nada de humanas, eu só vou ter a sociedade tecnológica que não se que não se indaga, que não se pergunta. Isso também é um é uma coisa recorrente da nossa direita, né?
é desmerecer as universidades e desmerecer principalmente os cursos de direito. Como a gente faz uma resposta jurídica para isso, o judiciário de todo mundo, diante desse desse aumento do fascismo na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil, no nosso Congresso, na Polônia, na Hungria, o que que é o judiciário? é a ponta de lança que mantém constituições ainda democráticas e direitos e liberdades civis.
é o que a gente tem visto, eh, como o fascismo se instala, ele se instala coptando todo o pessoal do sistema jurídico. Ele começa tirando as o a juízes que são nomeados quando ele pode e colocando as pessoas que são deles, tirando servidores de carreira e colocando pessoas leais a um partido. a Anne Appun, que tem vários livros legais, ela tem a autocracia SA, ela tem vários livros sobre fascismo, ela é polonesa e ela também é ã correspondente do New York Times.
Ela tem muitos livros legais. Ela fala que não existe fascismo se não tem uma elite intelectual que adere esse projeto e adere assim muito felizmente, porque o fascismo ele trabalha com duas coisas, ele trabalha com partido Único. E essa tentativa do do Trump tentativa não, ele conseguiu o seu segundo mandato, mas ele fez um grande feito para ele, pro seu projeto fascista, que foi extinguir totalmente a resistência do partido republicano.
O partido republicano não é mais o partido republicano, são os maga. E se você não adere aos magas, você não consegue se reeleger como republicano. Então ele já conseguiu isso e ele conseguiu também um grande silêncio dos democratas que tão Pois é, eu queria justamente, é, eu queria justamente perguntar isso.
Maga, para quem não lembra aqui, é Make America Great again, né? É, é o lema do Trump. Mas eh, exatamente isso que eu ia te perguntar.
Eh, os democratas estão silenciados ou ou se silenciaram. Eh, você que tá aí, você tá vendo algum tipo de resistência? Eh, a gente viu a resistência de Harvard, por exemplo, mas não de Colúmbia.
Eh, mas entre a população, as pessoas eh mais esclarecidas existe, tá existindo uma resistência além daquelas, a gente tá vendo protestos em vários pontos do país, mas vários pontos de resistência fortes, vários pontos. Um deles é Harvard, que que congrega, porque assim, o Trump ele não tá indo só contra universidades, ele tá indo contra professores. Um exemplo, dois exemplos eu cito até da minha lista de professores que eu faço parte de várias listas de professores de ambiental aqui nos Estados Unidos.
Um é da professora da Universidade de Michigan, a Hotschild. O que que acontece com os professores aqui? O sistema é um pouco diferente do do Brasil.
A gente faz como se fosse tudo jue os professores eles vão dar testemunhos. Por exemplo, a eh eu posso dar um testemunho de como as emissões da Petrobras ou as emissões da Exoníram para o aquecimento global. Isso gera desastres, desastres desenfreados, tudo que tá lá no IPSC.
E é uma consolidação das da ciência que é comum, que que todo mundo concorda. Foi lá, falou isso e o que que eh se faz? Eh, pegam-se ONGs que são financiadas por esse movimento maga e essas ONGs contratam advogados e vão dizer que aquele professor daquela universidade, como fizeram com a Hotschield, ela tá fraudando a lei porque ela está manipulando essas pesquisas, que não é bem assim, não existe aquecimento global, como ela fala, então ela tá usando verba pública para, entre aspas, ser uma comunista do clima.
Isso aconteceu, aconteceu na Universidade de Tarn também, uma professora que que eu gosto muito, ela trabalha com racismo ambiental e ela tá sofrendo um processo. Eh, por quê? Porque dentro do do dos Estados Unidos, vários eh eh juízes também são votados também.
Eles têm, eles podem ter uma, eles, eles são às vezes de uma preferência republicana ou democrata. Então o que que o que acontece? Por que que o IS também consegue vários processos?
Porque eles vão usando esses juízes que são fiéis a essa ideologia. E esse é o grande problema que nós temos no Brasil também. O poder judiciário é um poder da República que não deve ser fiel a um partido ou outro, a uma ideologia ou outra, deve ser fiel unicamente à Constituição.
E o essa é é o grande ponto de embate. Nós temos que eh reforçar o nosso judiciário. Nosso judiciário é muito eletista.
Nosso judiciário é filho de uma elite que muitas vezes não gosta do Brasil, é contra o Brasil, gosta dos Estados Unidos, faz apologia que tudo que é estrangeiro é é bom. E o exemplo, grande exemplo disso foi a Lava-Jato. A a Lava-Jato, né?
todos os seus integrantes que que hoje estão lá na mesa do Gonê para serem denunciados são filhos dessa elite que não se vê brasileira e que obra contra os interesses nacionais, contra a Constituição. Mas o que acontece com o judiciário? Ele também é muito corporativista.
Ele ele ele defende quando alguma coisa muito horreada acontece, ele não vai lá e corta da própria carne, ele ele vai lá e defende e varre para baixo do tapete. Uhum. É.
Pois é. Você tá falando eh do da desse eh judiciário entranhado no Brasil, né? Os os juízes eh eh das dos estados eh dos municípios que a gente tem ainda bem, né?
a gente tem uma Suprema Corte que conseguiu se salvar dessa eh não se contaminar nessa questão do, você tá dizendo, de do partido e tal. e eh é o que tem eh é o que tá nos defendendo ultimamente, né? A gente tem por enquanto, né?
Eh, essa essa proteção aí do do Supremo Tribunal, mas tem toda o outro judiciário que você tem toda a razão, que é elitista e que é conservador, eh, e muitas vezes até eh eh reacionário e fascista, né? Porque representa uma parte da elite que é assim, né? Exatamente.
Mas judiciário que vai lá e diz para aquela menina que é uma criança, que tá grávida de um estupro, não, você tem que ter o filho para dar paraação, porque a vida é acima de tudo. A vida, aquela balela que não respeita, aquela criança que sofreu uma violência terrível, é o mesmo judiciário que passa por cima da Constituição e de valores democráticos para instaurar o que ele acha que é a regra. E é uma regra eh que tem a ver também com mecanismos fascistas.
Por quê? Porque nosso sistema de cotas deu muito certo, mas também não deu muito certo. Eu explico porê.
Ele é maravilhoso. Ele instituiu uma lei que ele faz justamente o que o Ross fala. E eu vou eh estabelecer direitos iguais para todos.
Eu só vou estabelecer a diferença quando ela for muito proveitosa também para todos. E é muito proveitoso que no judiciário federal todos os judiciários estejam negros, estejam quilombolos, estejam indígenas. Aquilo ali é o é o é a razão.
É o Brasil. É o Brasil, né? O Brasil.
Só que o que acontece, todos os últimos concursos do MPF, vamos falar do MPF, tiveram cotas e ninguém passou. Por quê? Porque é muito difícil você passar na prova objetiva.
Então, o que que teria que fazer no Brasil? Reavaliar para os cotistas essa nota de corte que os outros têm? Porque os outros é a elite que vai ficar 3 anos estudando.
Eu fui professora a vida toda de cursinho para pessoas serem juízes federais, MPF, MP. Eu sei que as pessoas têm muito dinheiro para gastar e três ou 4 anos para passar. E o povo não tem, o povo tem que tá ali no ônibus.
Eu faço muito aula para cotista. Os meus cotistas dizem assim: "Vou fechar aqui a câmera que eu tô no buzão, Sora, né? Tô no buzão aqui.
" Ele tá tentando. Então, para aquele ali, eu não posso ter nota de corte. Ele tem direito de ser um procurador geral da República, ele tem direito de ser um ministro do STF.
Mas para isso esse povo tem que passar por essa nota de corte e naturalmente nas outras provas ele vai se adequar, né? Hoje a gente tem escolas da magistratura. Quando você passa, na minha época você passava e já saía dando sentença.
Hoje você passa, você tem dois ou três meses de de instruções, vai ensinar como você pode ser um bom juiz. Então, o nosso sistema de cotas tem que se adequar a essa realidade, não tá vendo pra realidade. E eu peço pro presidente Lula olhar isso, rever através de todos os mecanismos.
A Defensoria Pública tá mudando um pouco isso. Várias defensorias públicas pelo Brasil estão tirando essa nota de corte para quem é contista para deixar o povo entrar. A gente precisa do povo no nosso judiciário.
Eh, isso isso aí. Eh, você acha que com essa essa eh política tão pesada, né, do Trump, ele ele consegue chegar ao fim do mandato? Você acha que vai ter uma resistência?
Não, não, não consegue não. Isso aí que eu queria falar também, tá tendo muita resistência, né? Agora os democratas estão acordando.
Ontem foi eh tinham três eh pré-candidatos para prefeito de Nova York, o Como, aquele que já foi prefeito, que é irmão de um apresentador da CNN e que teve vários escândalos sexuais. Eh, tinha um outro e tinha um que é um socialista. Eh, ele ele prega zero de taxa de de transporte público.
Ele é bem socialista. Ele é o perfil do Sanders e o perfil da ocasio. Porque o que acontece nos Estados Unidos aqui as pessoas ganham para sobreviver.
Se vier uma outra grande crise econômica, vai ter uma revolta social, porque as pessoas elas não têm mais nada. Eu eu recebo encomendas, as pessoas que vêm entregar as encomendas são pessoas normais e elas não têm os dentes, elas não têm dinheiro para pagar os dentes delas. elas e aqui da furacão e as pessoas não têm dinheiro para colocar gasolina no carro para ir alguns quilômetros a mais para sair do olho do furacão.
Elas precisam de cheques do estado para fazer isso. As pessoas literalmente trabalham uma semana para comer na outra. E isso é o capitalismo no seu, no seu pior impacto, no seu pior momento, pior impacto.
O Trump foi eleito por por esse miodo da classe média que tá muito empobrecida, muito raivosa com a sua situação, porque ela olha os seus pais, seus pais tiveram casa, tiveram emprego e eles eh são dessa economia justamente das bigtecs. Eu estive aqui, todo Uber tinha uma faixinha viva Trump, vote em Trump. E daí você pensa que alguém que vive de Uber, votar em Trump é o é o fim do mundo do ponto de vista de conhecimento e de discernimento democrático.
Então, o que que tá acontecendo? Esse moço ganhou alguns ã algumas eleições para desembargador de de estados, como aquele que o Elon tentou manipular, que é no ICing. Wisconsin eh ganhou um democrata.
As pessoas estão indo na rua massivamente contra o rei Trump, né? no king, não temos rei. Então o fascismo ele também tem essa esse duplo embate que é, voltando à nossa conversa inicial de como a nossa constituição foi tão maravilhosamente escrita depois de um tempo tão tão pesado de ditadura, porque quando o fascismo se instala, as pessoas também despertam, né?
A democracia passa a não ser tão indiferente e você venci a não, eu preciso ir pra rua para defender os meus direitos, direitos dos meus filhos. E e eu vejo essa esperança nascendo. E por que que o seu livro chama democracia, a democracia indiferente?
Você tá falando da situação atual, do que a gente passou, do que a gente passou? as pessoas porque as pessoas elas eh se abandonaram totalmente ao que os algoritmos fazem com elas. Elas não se interessam.
Eh eh elas se abandonam as plataformas elas ficam horas, elas adoecem, né? A palavra do ano passado foi brain hold, ou seja, o cérebro estragado. E e nós abandonamos não só a nós mesmos, a a os alemães têm um um verbo que é internet surfing, que é surfando na internet, porque a gente relaxa também, né, passando ali na timeline.
Só que esse relaxamento tá demais. Ele ele levou a nossa democracia embora, ele levou nosso discernimento embora. Ele ele causou polarização e uma polarização no momento em que o mundo está em colapso climático, né?
Eu faço parte desse coletivo G Clima, fui a fundadora. Por quê? Porque é um os direitos climáticos eles são eh base de direitos humanos, mas eles eles estão ali para garantir que a gente não tenha uma sexta extinção.
Até agora o Pacto de Paris, ele previa que nós não devemos eh evitar, devemos evitar a emissão de gases de efeito estufa e desaparecimento de sumidos como florestas para que a gente não aqueça 1,5 no máximo dois, porque a partir disso é o caos total. E o que que a gente fez? Já aquecemos mais de 1,5.
é o relatório base do IPCC e agora a WMO, que é a a autoridade central em clima, né, e do mundo, ela falou: "Não, do ano passado para cá, esse ano passado para cá, o verão foi o mais quente, já se passou de 1,5. Agora a gente tá tentando os dois. Mas por que que isso é tão importante?
Porque acima de 2º de aquecimento, os desastres que são padrão climático, é muito difícil prever o clima, mas existem padrões. Mas passando 2 graus, eles são imprevisíveis e e a força deles vai ser muito mais extensa. Nós não tínhamos tantos tornados no Brasil.
O tornado era uma coisa assim de outro mundo. E só no ano passado teve pelo menos 13 tornados só em Santa Catarina ali naquele naquele eixo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina. Então a gente tá realmente num mundo em colapso e um colapso para uma sexta extinção, ou seja, em que mais de 60% das espécies vão não vão resistir.
Eu quer eu quero voltar a esse assunto. Eh, e a gente tá vendo agora de novo enchente no Rio Grande do Sul. Eh, e tudo isso, mas eu tenho duas perguntas aqui do nosso dos nossos internautas para você.
Eh, uma é do Luís Antônio, olha, vou botar aqui. Luís Antônio do Amaral, ele diz: "Luciana, como podemos emparedar o ministro da educação, o MEC, para termos uma educação democrática e popular? ", por exemplo, o currículo não aplica a lei 10.
639, eh, que fala da cultura afro-brasileira e africana. E e essa essa lei foi aprovada, as escolas estavam tendo isso, mas foi desmobilizado no governo passado, no governo Bolsonaro. Então essa é uma pergunta eh eh sobre a educação, né?
Como fazer com que o Ministério da Educação pense nisso. E a outra é outro assunto, mas que é do Antônio Marcos Donathan, que diz: "Luciana, é verdade que o fundamentalismo religioso espalha que a destruição do meio ambiente é coisa de Deus? É Deus que está voltando.
Eu eu nunca tinha ouvido isso, mas é interessante. Sim. Então, a gente tem que retomar a nossa democracia, inclusive participando dela ativamente todos os espaços.
Eu me lembro que eu ainda era juíza de Curitiba e teve aquela, lembra quando todos aqueles estudantes foram para dentro das escolas fazer manifestações pela educação e eu fui lá porque eu achei, eu gosto muito de Rolls. O Rolls é um grande estudioso de Tem muito em São Paulo, teve no Rio, Direito Constitucional de Resistência, que é o que tá acontecendo em várias partes do mundo, é o que várias pessoas fazem em prol da Palestina, contra a guerra, contra reis. Então eu fui lá e fui visitar aquela escola.
Tava lá um pai. A a escola não tinha nenhum vidro inteiro. Assim, eu não podia entrar numa numa sala e dizer assim, ó, tem alguma janela.
Todas as janelas t vidro. Sempre tinha alguma que tava quebrada. De toda a escola só tinha um banheiro funcionando para meninas de toda a escola.
só um banheiro. E aquele pai tava lá junto com a filha dele, que era de segundo grau na época, né, dizendo: "A gente tá aqui protestando que minha filha ficou com problema urinário porque a escola só tem um banheiro. " Então, você participa da escola do seu filho, então qual é os quais são os mecanismos que a gente tem para para refazer a educação?
a gente precisa fazer aqueles orçamentos participativos, não é o centrão que tem que pegar emenda PX. Você falou uma coisa? Nós nós elegemos eles, a gente tem que chamar aqui nos Estados Unidos.
que é uma coisa muito legal que todo político, por mais bambã que seja, ele tem que na sua prefeitura que se, né, aqui prestar contas pro povo. Temos que fazer isso e aproveitar isso para fazer uma águora e pedir tudo que você quer. Alguns se mobilizam pela educação, outros se mobilizam pelas obras públicas, outros se mobilizam pela mudança climática e assim é.
E com relação a ao fascismo, com essa visão eh fundamentalista, fundamentalista, isso é muito presente na Casa Branca, nesse final de semana tinham pessoas rezando e eh é é quase um meme de si mesmo, né? Aquelas pessoas rezando para ajudar Trump a destruir o mundo numa terceira guerra mundial, né? a a a para que o presidente tivesse a força contra os seus inimigos.
Um um livro fundamental pro pensamento brasileiro é os os eu acho que é os demônios descem do norte que fala como essa igreja messiânica veio dos Estados Unidos em 1950, 1960 para cá. Até eu tô super na expectativa do novo documentário da Petra, da Petra que fez o qual é o nome do documentário? Lembra, Regina?
Ela fez aquele primeiro eh eh democracia em trans? Eh, eu vou eu vou ver aqui enquanto você tá falando. Mas enfim, ela fez agora um novo documentário que eu acho que vai lançar agora no início de julho na Netflix, que é sobre o fundamentalismo religioso na nossa democracia.
E a mesma coisa são e eh assim, o fascismo ele tá ali por dinheiro e e esse tipo de religião tá ali também por dinheiro. Não não se enganem. E e tudo conspira para que a gente não tenha uma democracia.
E como se faz isso? Se utiliza os algaritmos. Porque daí eu amorteço quem seria o senso crítico.
Eu amorteço os eleitores para que eles achem que tudo tá perdido. Como fala o Crenac, é muito fácil falar do fim do mundo, porque daí todo mundo vai se acomodar. É o fim do mundo mesmo, é terceira guerra mundial.
Não vamos lutar, não. A gente tem que lutar. tem que lutar com todas as armas e os algoritmos eles fazem esse amortecimento.
Por isso que é democracia indiferente, porque a gente preciso sacudir as pessoas. Vamos lá, gente, vamos paraa rua, vamos eh participar, vamos exigir mais mecanismos de democracia e e razão pública que que venha de baixo. Acho o documentário dela é democracia em vertigem, não é isso que você tá falando?
É, mas o próximo ela esse ela ganhou um prêmio já faz alguns anos 5 anos, mas ela tá lançando um agora que ela entrevista várias pessoas e ela faz esse caminho desse eh dessa religião norte-americana que vem aqui chama chama apocalipse nos trópicos. Chama apocalipse nos trópicos. É isso.
Porque vem atacar o quê? vem atacar a teologia da libertação, vem atacar a igreja base que foi organizando o pessoal na na ditadura para refazer os seus direitos. a gente tem que recontar essa história da Igreja Católica como grande vetor e e e de manutenção.
Eh, o os documentos da Igreja Católica foram também os que denunciaram pro mundo o quanto a nossa ditadura estava sendo sanguinária. Então eu tô esperando muito esse documentário e falo para vocês lerem esse os demônios descem do norte que é um livro bem antigo e conta como interess muito bom veio pro Brasil aqui o Beto tá dizendo excelente essa clareza e objetividade da Luciana tá todo mundo aqui gostando muito dessa conversa, achando uma aula, a Diana dizendo, aula ampla e e bom demais. Que aula boa que a gente tá tendo aqui.
Mas eh uma coisa que eu queria, a gente tá tem 10 minutos ainda, tem tanta coisa para falar, Luciana. Ah, eu quero falar de Leferir. É, mas deixa só falar uma coisinha aqui.
Quando quando falou aqui de escola, que você lembrou desse pai que foi com a filha e tal, eh tem uma coisa que a gente no Brasil eh fala pouco. A gente sempre acha, bom, temos que cobrar do governo, do ministério. Temos sim.
Mas temos que cobrar de nós mesmos também, porque se os pais eh que têm filhos em escolas públicas ficassem, frequentassem junto com, quer dizer, frequentasse, que eu digo, ir lá, fazer força, fazer com que melhorasse, eh, exigir coisas, eu hoje fui numa escola pública municipal aqui que eu fiquei encantada. Eh, eh, uma escola que até tem o o nome do meu pai, fui visitar porque eles faziam 25 anos. eh escola eh Itaalusapa, mas eu fiquei tão encantada, ela fica dentro de uma comunidade invasem pequena aqui no Rio, mas as professoras e a diretora são tão apaixonadas que você vê o resultado no trabalho das crianças.
Então, eh, os pais têm que participar, cobrar do governo, cobrar das escolas, mas participar. E isso eh acaba sendo uma um chamado paraa gente ir paraa rua também quando for preciso para exigir nossos direitos, né? Exatamente.
Mas eh essa esse desaparecimento dos espaços públicos de discussão é um projeto. Essa é uma diferença. Essa é diferente é um projeto.
Exatamente. E a a Raquel Luciana esclarecedora, excelente entrevista. É mesmo, Luciana.
a gente tava falando, você já vai falar de LF e queria junto com isso também te perguntar eh que você fala no teu livro também sobre eh direitos humanos, né? Você tem uma história ligada a direitos humanos e e com esse com isso tudo que a gente tá vendo, principalmente nos Estados Unidos, mas em vários lugares, inclusive no Brasil, você acha que a a a questão dos direitos humanos tá regredindo? A gente tá regredindo quando se trata de direitos humanos.
Eu sou exatamente, eu sou uma grande estudiosa de como os direitos humanos nascem, porque a até um tempo atrás, há 300 anos atrás, ninguém falava em direitos humanos. Tem um livro muito interessante que se chama Nascimento dos Direitos Humanos, em que a autora conta que que nasceu com Iluminismo, com a Rousseau, fazendo um romance chamado A nova Eloía, em que reconta uma uma história medieval, né, e reconta e as pessoas se dão contas que elas têm direitos individuais, que elas têm direito à vida, que elas têm direito à liberdade. Então, eh, esse livro é interessante porque ele vai reconstruindo a história do mundo, a história do Iluminismo como esse nascimento de direitos.
Isso também eh eh eu estudo vários nascimentos de constituições, nascimento da Constituição dos Estados Unidos, do Brasil e da França especificamente. Quando os peregrinos do Myflower estavam vindo aqui pros Estados Unidos, eles estavam fugindo de uma Inglaterra que abafava eles, mas que tinha uma constituição muito da época pré-iluminista que era do João Centerra e que dava alguns alguns direitos como Abes Corpos, etc. E eles dizia, dizem os, os historiadores que eles fizeram um pacto nesse Myflower, no navio que trazia eles para cá, dizendo que jamais vamos nos submeter a um poder que não respeite os nossos direitos.
Então, as pessoas já tinham introjetado em si esses direitos. Eu quero perguntar hoje pro brasileiro que direitos vocês têm projetado em si, porque se o centrão manipula o orçamento, que é paraa sua escola, paraa sua saúde, que que direito você tem? Se você está sendo totalmente espolhado.
Então é essa esfera de atuação verdadeira das pessoas que tem que ser resgatada. E essa esfera você resgata por si próprio, você resgata no seu sindicato, você resgata eh através eh de debate com eh mecanismos de jornalismo fortes, de checagem de fake news, porque as fake news e desinformação hoje é o que tá imperando. Então você mesmo resgata o direito que você tem.
Nós temos eh, enquanto uma geração, eu falo por mim, uma geração que nasceu na ditadura e teve uma uma constituição maravilhosa que aos poucos tá sendo dilapidada por interpretações que que tão deixando ela uma constituição comum, uma constituição sem direitos, né? A gente vê como o Supremo tá fazendo a interpretação de direitos trabalhistas, tá deixando completamente pejotizado tudo. Então, que direito você tem na sua cabeça?
Que que constituição você tem na sua cabeça? Se você estivesse num navio indo para um outro país, que direitos você ia fazer lá e fazer uma nova constituição? Então, as pessoas têm que ter noção que também é um tributo pessoal.
É. E e a Lucielmo tá dizendo: "Ah, mas os pais não t muito muito tempo". Mas eu acho que podem fazer um rodízio, podem se se reunir agora pela pela pelo faz um grupo de WhatsApp.
Um grupo de WhatsApp. Cada semana vai um pai ou cada 15 dias vai um pai e conta pros outros como é que tá. Enfim, a gente sabe que é difícil ter tempo mesmo, mas é preciso fazer esse esforço.
Queria te deixar esses 4 minutos agora para você falar de Lofé que você queria falar. Quero falar de Zingaveta Gonê. Estamos na rede Laferir lutando para Kigonet, que está há um ano com a toda a denúncia que o CNJ fez com relação à peça Chaves da Lava-Jato, a esse desvio de 6 bilhões que foi apurado lá pelo ministro eh Salomão, contra Deltan, contra Moro, contra toda contra Gabriela Harp, contra todos aqueles eh procurador es da República, muitos deles que hoje estão lá ajudando Gonê, né, e e e celebrados, eh, que isso seja apurado, porque eu eu gosto muito de lembrar que teve aqui nos Estados Unidos o dia não temos rei, mas no Brasil temos sim um rei, ele se chama procurador geral da República.
Esse cargo não é dele, é do povo, é do constituinte. O constituinte só disse que ele teria tributo para denunciar ou não dentro dos limites constitucionais, dentro da transparência, dentro de tudo que é a sociedade brasileira colocou na nossa Constituição Federal como direitos. Então ele não pode deixar crimes que foram apurados pelo CNJ de formação de organização criminosa, de manipulação política de processos, de falsidade ideológica, tantos crimes ali e só 6 bilhões malversados que só não foram pro saco da história porque o STF atuou há tempo.
Não pode deixar isso sem ser denunciado. Vamos exercer a nossa democracia não indiferente, a nossa democracia atuante pedindo, eu peço para vocês fazerem has desingavetagonê, onde vocês entrarem hoje. entrou no WhatsApp, seja qualquer vídeo, coloca #dingavetagonê, porque a gente como sociedade não pode admitir que tenha procurador geral da República, que gavete um descalabro desse foi o maior escândalo do poder judiciário e que tá simplesmente dormitando na gaveta de Gonê.
Isso não é o que a sociedade quer e a gente tem que mostrar isso fazendo essa hashtag subir. Desengaveta Gonê. Muito bem, Luciana.
Muito bem. Então, a gente tá lançada aqui a campanha da Luciana Desingaveta Gonê e vamos ver o que que daqui a um tempo você volta aqui pra gente ver. Entrem lá na rede Lafer, tem várias redes sociais que tem Laufer.
Vamos subir essa hashtag hoje, gente. Peço para vocês, em nome da nossa democracia. Vamos lá.
Tá bom. Olha só, Luciana, foi muito bom conversar com você, foi muito esclarecedor. Eh, você vai voltar aqui muitas vezes aqui na na TV 247, no nosso portal aqui do Brasil 247.
E quero te agradecer por ter vindo. Sucesso com o teu livro e depois a gente vai conversar mais. até até daqui a pouco.
E quero agradecer a todos aqui que acompanharam a gente também com tantas com tanto interesse, né? Foi muito bom, Luciana, um beijo grande para você. Obrigada, comunidade.
Sempre um prazer estar aqui no 2. 7. Um beijão.
Muito obrigada. Até a próxima, Luciana. Tchau.
Ciao. Ciao. Ja.