Você se considera uma pessoa mais tolerante ou intolerante com os outros? A política tem sido uma fonte de bastante intolerância no Brasil, mas também existe muita intolerância religiosa, ligada à sexualidade e à nacionalidade dos outros tanto aqui quanto em vários outros lugares do mundo. Oi!
Eu sou André, tenho doutorado em psicologia e hoje quero falar com você sobre algo que tem impactado a vida de muitos: a intolerância. Se você achou interessante o tema de hoje, não deixa de clicar no joinha aqui embaixo, inscreva-se no canal e siga a gente nas redes sociais. Você pode se cadastrar na nossa lista de e-mails para receber notícias sobre o canal e o mundo da psicologia.
Se tiver interesse, o link tá aqui embaixo. Cada vez mais, a diversidade se espalha pelo mundo. Pessoas com difererentes etnias, crenças e tradições culturais estão convivendo muito mais entre elas devido a fatores como as imigrações e a maior facilidade para se deslocar.
Infelizmente, a tolerância não tem se espalhado na mesma velocidade, já que muitos ainda têm dificuldade em conviver pacificamente com quem não compartilha das mesmas convicções, estilo de vida ou aparência. A intolerância não surge apenas entre indíviduos de culturas diferentes, ela também se manifesta entre aqueles que nasceram e vivem em uma mesma cultura, mas que possuem alguma diferença que incomoda uma das partes. Os alvos mais frequentes de intolerância são refugiados, estrangeiros, pessoas negras, membros da comunidade LGBTQIA+, minorias étnicas, religiosas, pessoas com transtornos mentais ou em situação de pobreza.
Pelo próprio conteúdo de algumas religiões e culturas, o qual muitas vezes inclui uma ênfase na importância de se adotar certas ideias, valores e hábitos, muitos dos seus adeptos não veem outras religiões ou culturas com bons olhos. Por exemplo, se eu acreditar em uma religião que se diz a detentora de uma verdade universal que deveria ser aceita por cada ser humano, talvez seja mais difícil tolerar outras crenças religiosas ou condutas incoerentes com essa verdade. A tendência de muitos é a de considerar suas próprias crenças e valores como verdades universais, objetivamente corretas e até sagradas.
Logo, quem diverge disso pode ser julgado de forma negativa, discriminado ou até agredido. Por esse motivo e por outros, nem todas as crenças e práticas culturais, religiosas ou ideológicas possuem a mesma facilidade de coexistir pacificamente em um mesmo contexto e é daí que muitos conflitos surgem. Para complicar ainda mais as coisas, nem sempre a intolerância é algo consciente ou deliberado.
A intolerância intuitiva ocorre quando agimos de forma intolerante com base em reações espontâneas, automáticas e afetivas. Já a intolerância deliberada resulta de uma reflexão sobre o quanto uma crença ou prática é indesejável ou não. Isso significa que você pode tratar alguém de forma intolerante sem ser de propósito e sem perceber imediatamente a gravidade do que fez, o que não diminui a sua responsabilidade por esse ato e nem os danos causados por ele.
Outros agem de forma deliberada e a partir de preconceitos preexistentes, como aquele que ofende uma pessoa negra de forma intencional e que já tinha uma visão negativa sobre pessoas negras. A intolerância costuma ser vista de forma negativa, especialmente quando usada para oprimir grupos minoritários, por exemplo, mas é a partir de reflexões sobre o que é tolerável ou não que sociedades definem regras capazes de permitir a convivência em grupo. Por exemplo, muitos consideram que beber álcool e depois dirigir é intolerável, já que coloca a própria pessoa e os outros em risco.
Ou seja, na prática, é difícil ser 100% tolerável com relação a tudo, já que precisamos chegar a alguns consensos sobre quais comportamentos serão classificados formalmente como aceitáveis e quais não serão para tornar a nossa convivência viável. Essa convivência em sociedade começa a se fragilizar quando um número cada vez maior de indivíduos quer submeter os outros aos seus próprios valores e crenças pessoais, o que ameaça a liberdade dos outros. Ser tolerante significa demonstrar abertura, flexibilidade, paciência e aceitação em relação aos outros.
Também podemos incluir aí uma tendência geral a não tratar mal os outros com base em preconceitos de qualquer tipo. Já ser intolerante envolve expressar preconceitos contra outras pessoas, ser inflexível, fechado, impaciente e hostil. O indivíduo tem dificuldade em lidar com quem possui crenças, práticas ou até características físicas diferentes das dele.
Um dos grandes desafios para vivermos em uma sociedade mais plural e pacífica é estimular a tolerância das pessoas, e olha, como isso é difícil? ! Tolerar não significa necessariamente achar que crenças ou práticas divergentes das suas são tão válidas quanto as suas.
Você pode ser tolerante com uma pessoa simplesmente não enchendo o saco dela ou não tentando restringir o modo como ela vive a própria vida. Da mesma forma que você quer excercer a sua liberdade de ter as crenças e os hábitos que tem, as outras pessoas também querem e têm o direito de fazer isso. Numa convivência democrática, a liberdade de um termina onde começa a do outro, já que se a liberdade de 2 indivíduos fosse irrestrita, a liberdade de um deles ameaçaria a do outro.
Ou seja, a ideia de uma liberdade individual irrestrita é autocontraditória e isso já foi explicado por Karl Popper há quase 80 anos, quando descreveu o paradoxo da tolerância. A tolerância não pode sobreviver em uma sociedade na qual intolerantes possuam liberdade irrestrita, já que a tendência é que eles a usem para oprimir ou exterminar os tolerantes. Aqui vão agora algumas dicas para te ajuda a ser alguém mais tolerante.
Dica número 1: abra a sua mente para a possibilidade de que você talvez não seja tão tolerante quanto imagina. Muitas pessoas que são bem intolerantes não se enxergam assim e fazer com que elas percebam isso pode ser bem desafiador. As chances são consideráveis de que você seja intolerante em relação a algumas pessoas ou grupos.
Uma vez que isso esteja mais claro, o ideal é questionar seus preconceitos, só que mais importante ainda é não deixá-los te induzirem a oprimir ou agredir os outros. Dica número 2: ajude a estimular uma sociedade mais tolerante. Você pode fazer isso não sendo um escroto com os outros e não ficando calado diante de uma demonstração de intolerância, seja ela dirigida a você ou a outra pessoa.
Ser conivente ou omisso diante da intolerância passa para os intolerantes a mensagem de que podem fazer o que quiserem sem sofrer punições. Para promover a tolerância na sociedade, precisamos passar outra mensagem. Países como o Brasil vêm se tornando um solo ainda mais fértil para a difusão da intolerância nos últimos anos, o que acaba sendo prejudicial para todo mundo.
Se você é alguém que valoriza muito a sua liberdade de acreditar nas coisas que acredita e de viver a vida que vive, defenda a liberdade dos outros de fazerem o mesmo. Para ser mais tolerante, é essencial reconhecer os outros enquanto cidadãos livres, autônomos, com seus própios valores e história de vida. Eu sei que pode ser difícil conviver com quem acredita em coisas que achamos absurdas, mas precisamos urgentemente melhorar nisso para construirmos um país e um mundo mais pacífico.
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Hoje explicamos o que é a intolerância, a tolerância e como podemos manifestar ambas tanto de uma forma mais intuitiva quanto deliberada. Mais para o final, detalhamos a relação entre liberdades individuais e a convivência em grupo, explicamos o que é o paradoxo da tolerância e demos algumas dicas de como ser mais tolerante. E aí, gostou do vídeo de hoje?
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