[Música] essa é a nossa primeira videoaula da terceira semana Nossa sétima videoaula e se nas semanas anteriores nós fizemos um movimento mais básico mais de de fazer os primeiros debates debatemos sobre o que seja a literatura sua função etc logo em seguida visitamos os gêneros antigos nas próximas três semanas o movimento é bastante diferente nós vamos mergulhar com bastante profundidade em três grandes gêneros literários modernos a começar pelo romance em seguida o conto e depois a poesia esse gênero agora dessa semana é o gênero romance as origens do romance e suas teorias esse título da
vídeoaula já é muito ele já ele já indica um pouco o nosso caminho assim porque a depender da teoria que nós escolhermos a origem do romance vai se localizar em um momento ou outro romo eh vou abrir como eu fiz nas outras semanas com epígrafes né Só que nesse caso vou abrir com duas epígrafes a primeira do georg lucat o romance é a epopeia de um mundo sem Deuses essa epígrafe é uma Cinese de uma das epígrafes que eu já utilizei antes e que eu vou aprofundar nessa aula a segunda epígrafe é do mel baktin
que vai dizer o romance é o único gênero por se construir e ainda inacabado as forças criadoras dos gêneros agem sob os nossos olhos o nascimento e a formação do gênero romanesco realizam-se sob a plena luz da história uma das coisas importantes do baktin é essa ideia de inacabamento do romance que o romance é um gênio que está sempre se construindo se reconstruindo e nós vamos ver isso no detalhe logo adiante bom como eu já havia dito eh essa semana ela é singular em relação a outras abordagens porque eu tenho dois modelos pelo menos dois
modelos que competem pela hegemonia do campo teórico literário sobre a origem do romance né o modelo do lucat e o modelo do baktin e a depender de Qual modelo você assume como modelo de leitura do romance você vai acabar por localizar a origem do romance e acentuar certas características do romance distintas se você se movimentar pelo lucat ou pelo baktin aqui na aula a gente vai começar pelo lucat só por conta de uma ordenação cronológica mas a ideia é sempre ter os dois como parâmetros importantes paraa abordagem do romance né bom para o baktin o
parâmetro que o baktin tem é o cotejo do romance com a era da epopeia e sua consonância ou seja não se trata de uma consonância no sentido psicológico mas se trata da relação estabelecida entre a ideologia no mundo grego e a epopeia é essa relação para o lucat era uma relação de pertencimento simetria reciprocidade acabamento perfeição Ou seja quando os gregos Liam as epopeias eles enxergavam nas epopeias a ressonância de seu próprio mundo de maneira afinada de maneira assonante né eles Liam Os destinos dos heróis e esses destinos dos heróis reverberava a sua própria consciência
sobre o que é ser grego né a ideologia sobre o que seja grego naquele momento tá eh aspas pro lucat epopeia e romance ambas as objetivações da grande Épica não diferem pelas intenções configuradoras mas pelos dados histórico-filosóficos com que se deparam para a configuração Isto é tanto a epopeia quanto o romance Elas têm a mesma orientação Elas têm a mesma intenção configuradora para o o que que muda de uma coisa para outra o mundo externo a essas formas né para o lucat o mundo existente na epopeia é um mundo em que a harmonia entre os
sujeitos e as coisas ainda existia valia e validava a relação entre forma e mundo o herói da epopeia por exemplo não seria a Rigor um indivíduo Esse é um termo famoso na construção do lucat ele estaria representando toda a gregadeus não ele é definitivamente o indivíduo e por isso alguém perdido né o indivíduo significa essa unidade essa pessoa que não tem as relações todas Integradas com a sua coletividade né ou seja o romance é a forma que recompõe essa unidade ou seja ele a partir da narrativa o indivíduo do romance O Herói do romance recupera
sua integridade mas perde logo em sequência porque a integridade no mundo não está dada nesse sentido o que o Luca tá fazendo é recompor a filiação do romance à epopeia é como se ele dissesse o romance é filho da epopeia mas as transformações no mundo alteraram a forma do romance lembrem do get e do chila que eu falei que a gente ia citar muitas vezes aqui quando o gate Schiller fala as formas nascem da sociedade o lucat agora tá fazendo mes mesma coisa ou seja o romance é diferente da epopeia porque o mundo em que
ele foi criado é diferente do mundo grego e por isso as características do romance também se diferenciam das características da epopeia no sentido da configuração formal mas o intuito das duas formas é o mesmo o impulso épico é o mesmo ao mesmo tempo o Luca está contando para nós a história da alienação da sociedade ao longo do tempo inclusive com com o estabelecimento do Modulo de produção capitalista isso é a partir do momento em que a alienação aumenta eh dentro desse mesmo uxo épico dentro dessa mesma ideia de contar uma história vai essa esse esse
aumento da alienação vai modificar a configuração do herói que vai passar a ser um herói desamparado né ou seja alguém que tá em busca da integridade eventualmente vai conseguir essa integridade no romance mas vai perder diferente da integridade do odisseu ou do Ulisses que vai ser o que vai ser o tempo inteiro referendada ao longo da sua volta paraa casa e que ao final vai ser confirmada essa integridade tá então Ou seja a leitura do lucat é uma leitura que coloca duas formas diacronicamente relacionadas e ao mesmo tempo Traz duas sociedades e também relaciona essas
sociedades a o outro modelo teórico importante sobre o romance a outra formulação sobre o romance parte do teórico Russo baktin 1895 1975 e é menos sobre a ideia de contar uma história e mais sobre a ideia da linguagem mobilizada para se contar a história aqui eu preciso fazer uma observação importante pro baktin a a linguagem não é algo não é algo separado do mundo assim ele tem ele sempre trabalha com uma condição responsiva da linguagem Ou seja a linguagem é a maneira como o sujeito intervém no mundo a partir das demandas que lhe aparecem então
não dá para pensar aqui uma diferença entre linguagem e mundo tão estanque para as formulações do baktin pro baktin a linguagem faz parte do mundo e faz parte inclusive da maneira como o sujeito se coloca no mundo e responde às coisas do mundo né para ele o romance eh centralmente caracterizado pela linguagem é o gênero da linguagem mais Atenta às transformações do mundo possível né Ou seja a linguagem do romance é aquela linguagem mais candente mais transformadora que está reagindo ao mundo etc etc aspas pro Braque Tim o romance como todo verbalizado é um fenômeno
pluries ilía hetero discursivo heter vcal essas palavrinhas feias aqui podem ser traduzidas tranquilamente Ou seja é um fenômeno que tem variação de estilo que trabalha com uma enormidade grande de discursos né Tem tem uma uma certa variação de discursos notável e também trabalha com vozes distintas né os estilos os discursos e as vozes são captadas pela forma do romance pela linguagem por conta disso porque está localizando o romance ou porque está caracterizando o romance por uma certa relação da forma com a linguagem o baktin até indica o Don kot por exemplo como um primeiro romance
discernível moderno mas mas as tradições da forma que representam essas vozes pela linguagem Elas vão ir aind ainda mais antigamente do que o século X espanhol né ele vai localizar o início disso num tipo de sátira grega chamada menipeia basicamente enfim tem vários estudos sobre a sátira menipeia mas mas o que nos interessa é a sátira menipo ou seja ela não ela não aceita as indicações dos poderes estabelecidos e em geral ela mobiliza uma linguagem muito próxima do registro cotidiano né então é com isso que o romance Bacano vai conseguir essa característica polifônica né que
tanto marca a a teorização do baktin sobre o romance E aí Claro localizando o começo do romance na Grécia antiga ele vai passar pelo Rabel pelo donk shot e tal muito antes de chegar no século XVI que é onde o Luca te coloca a sua baliza de começo do romance moderno né essa caracterização do romance pela linguagem ela faz com que na formulação do baktin seja mais interessante pensar o romance como um gênero parodístico isso é isso em certa medid a formulação do baktin em certa medida reforça o vigor da forma do romance o romance
é um gênero que não acaba apesar de muita gente às vezes Ah o romance acabou o romance morreu sempre que o romance morreu mas passa bem né Sempre que ele morre ele acaba sendo recriado por quê Porque é um gênero que integra outras linguagens é um gênero capaz de adotar de incorporar outras linguagens em função da sua maleabilidade linguística isso é como como o romance não é para o btim filho da epopeia e das formulações da epopeia ele é um gênero que entra em contato com o cotidiano e incorpora o cotidiano na sua linguagem né
nesse sentido ele tem uma noção Mais lata de romance né mais mais Ampla mais larga de romance então Eh pro btim por exemplo não necessariamente precisa tá em linguagem prosaica o romance moderno então eu posso pensar em alguma medida com alguma com alguma mediação que eu não vou fazer aqui mas daria para pensar a poesia como romance a telenovela como romance a canção como romance a série como romance por quê Porque ele tá interessado na maneira como as formas reagem linguisticamente heteroisoterápicos ter a matéria cotidiana isso é romance pro baktin espero que a gente tenha
conseguido aqui tratar sobre esses dois complexos modelos de formulação do romance O que que eu tentei fazer na aula pensando na revisão recompus o raciocínio do lucat a respeito da origem do romance e eu sublin a continuidade que existe entre epopéia e romance para o lucat ainda tentei identificar no lucat uma coisa que é importante para ele que é a a continuidade e o aumento da alienação isso é o romance é a epopeia de um mundo alienado o romance é epopeia de um mundo para o qual os sujeitos nascem para trabalhar morrer etc e não
tem mais aquela integridade que existia no mundo grego que não significa que o mundo grego seja mais civilizado Mas significa que a noção de mais valia de alienação era muito menor do que no mundo moderno tá tentei de mesma forma recompor do bacin a respeito da origem do romance mostrando que o seu enfoque era linguístico mas não no sentido mais superficial do termo linguístico mas no sentido do linguístico pensando como discursivo pensando como responsivo pensando como uma intervenção do sujeito autor no mundo né e a partir desse enfoque linguístico a gente consegue verificar uma série
de características que o baktin identifica e valoriza Nos romances e ao mesmo tempo Salvo engano entender Por que o R é um é um gênero par o bacin sempre inacabado por quê Porque ele está pronto para devorar a próxima forma que existir e tá pronto para se adaptar a próxima forma que existir tá pronto para continuar porque para o batinho o que importa é essa origem menipeia do romance nessa forma como o romance é capaz de ser subversivo e acompanhar as transformações da linguagem no registro coloquial bom independentemente de um jeito ou de outro o
baktin também sinaliza isso é importante para nós nós que o Marco confiável para o começo do romance é o século XVI né então assim ou seja sei lá a gente pode pensar no Robson cruzoé do Daniel de por exemplo que apareceu numa das ilustrações aqui esse é tanto pro baktin quanto pro lukat o começo do romance moderno embora o baktin v citar o donk shot o lucat também mas vai citar o Rabel o lukat não vai citar a sátira grega e o lcat não bom e também isso para mim é a parte talvez mais importante
e nos leva a pensar na maneira como o gênero romance reage e incorpora as formas cotidianas né ou seja não sei qual é a experiência de vocês com romances cotidianos né com romances desculpa com romances contemporâneos entender como que os romances contemporâneos precisam lidar com linguagens que surgiram depois do começo do romance né Mesmo que a gente pense o romance no século XVII eh parem para pensar um pouquinho quantas linguagens estéticas surgiram para nós depois do século XVII e nesse sentido do romance como esse gênero vivo ele reage a essas formas Espero que tenha dado
tudo certo na aula de hoje revejam quantas vezes forem necessárias acesse aos monitores ou os professores e nos vemos na próxima V tchau tchau m [Música]