ia mudar de assunto. Vamos falar aqui sobre outras coisas. Acaba de sair uma decisão, tá na nossa página e começando a ser muito acessada.
Algo que tem a ver com Nicolas Ferreira. Lembra da história da peruca? Do Nicolas Ferreira que ele colocou uma peruca eh no dia da mulher e falou: "Me chame de Nicole" e tudo mais?
A justiça anulou anulou a condenação de Nicolas Ferreira por discurso transfóbico com peruca. A decisão saiu hoje. O deputado federal Nicolas Ferreira foi absolvido da condenação ao pagamento de uma multa de 200.
000 por danos morais coletivos, devido a um discurso transfóbico com o uso de uma peruca no plenário da Câmara em 2023. A decisão unânime, com placar de 3 a 0 para anulação da multa defende a imunidade parlamentar. Foi esse o argumento, imunidade parlamentar.
No julgamento que foi realizado ontem, os desembargadores afirmaram que a inviolabilidade de opiniões, palavras e votos é garantida pela Constituição no exercício do mandato. Não cabe ao judiciário punir Nicolas pelo episódio. Foi o que disse os magistrados.
Eles defenderam a tese, independentemente do teor transfóbico do ato realizado pelo deputado. Nicolas comemorou já a decisão nas redes sociais. Absolvido da condenação da peruca.
Nicole tem razão. Grande dia. E aí, Josias?
Nicole tem razão. É, a justiça deu razão a Nicole, né? Eh, agora, a transfobia é crime no Brasil, Fabulo.
Desde 2019, o Supremo decidiu eh pela equiparação da homofobia e da transfobia ao crime de racismo. Isso significa que eh qualquer ato discriminatório, agressão, ofensa, motivado pela identidade de gênero, orientação sexual, isso é crime. crime considerado inafiançável, imprescritível.
E a imunidade parlamentar é um valor muito eh caro aos aos deputados e senadores, assegura a eles eh uma independência para exercitar o seu direito de voto, eh exercitar eh o direito à crítica sem ser importunados. Agora, eh, o a imunidade parlamentar não se confunde com impunidade quando o detentor do mandato eh utiliza essa prerrogativa constitucional para cometer crimes. E o deputado Nicolas Ferreira cometeu um crime quando se travestiu de mulher, colocou uma peruca e escalou a a escalou a a tribuna da Câmara para desqualificar eh pessoas com as quais ele não consegue conviver naturalmente.
Ele tem essa dificuldade atávica de aceitar o diferente. E quando o diferente eh o incomoda, ele simplesmente agride sem se importar e em transformar a agressão em crime. Então, houve um crime.
Agora, se a justiça eh não enxerga assim, contribui para a proliferação dessa criminalidade transfóbica, que vai se transformando em algo eh muito natural no Brasil, né? E a justiça contribui para naturalização do que é criminoso quando eh profere decisões como essas. Tá ainda passível de novo recurso.
Pode ser que isso não termine agora, né? É preciso ver se haverá recurso por parte do Ministério Público. A meu juízo, caberia um recurso.
Fabiola. Não. E assim, é impressionante que o Nicolas, né, claro, tá celebrando aí, né?
E aí ele fala: "A Nicole tem razão. E essa decisão da justiça dá mais força ainda para essa atuação desse tipo, que inclusive já foi repetida, né? E foi repetida ontem.
Eu acho que a gente até pode colocar isso e o Sacamoto já faz essa essa análise completa. Ontem aconteceu isso aqui em São Paulo, inclusive com um parlamentar, um deputado estadual, né? Eh, que inclusive eh colocou o Adriles, né?
colocou uma peruca para protestar contra o projeto da misogenia, né, na Câmara eh Federal. E aí a gente tem o o VT ou é só a imagem? Eu posso chamar?
Tem. Vamos ouvir o que ele o que ele fez ontem. O vereador, na verdade, eu falei da eu falei a Assembleia Legislativa, não é?
Na na Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Adril Jorge da União, ele usou uma peruca, ele usou uma peruca para criticar a proposta que foi aprovada pelo Senado, que classifica a misogenia. como um crime de preconceito previsto na lei do racismo. Antes mesmo dessa decisão da justiça, ele imitou o Nicolas Ferreira.
Vamos assistir. Colocar como uma mulher nessa casa. Eu posso em qualquer momento me julgar.
Parece que não te falta vontade, hein, Adri? Nessa casa, Senhorita Silvia da bancada feminista. Cadê?
Você tá falando só para mim. Olha aí. Em qualquer momento eu posso me colocar como uma mulher para debater de igual para igual, sem que eu seja, enquanto homem criminalizado pelo fato de ser homem.
Eu posso contestar a sua ideologia, eu posso fazer uma brincadeira com a senhora, eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula, porque ela não define o que é uma mulher. Então eu, enquanto homem, posso contestar a senhora. E é isso, Sacamoto.
Eu nem sei por onde começar exatamente, né? Mas vamos lá. Primeiro, a justiça do Distrito Federal torna-se dessa forma cúmplice de transfobia, né?
Ao perdoar um crime cometido por um deputado federal sobre a justificativa de que ele tem liberdade para cometer crimes porque ele tava numa tribuna, né? E não funciona assim de maneira alguma, né? Eh, você garante, né, a liberdade de tribuna para poder paraa pessoa poder defender pontos.
O Nicolas poderia ter defendido pontos com relação à questão, não sou contra equiparação de direitos aqui, aqui, ali. Não, ele poderia ter usado inclusive para criticar, né, a equiparação de direitos, a população, a população LGBTQ a mais, por mais bizarro e nojento que fosse, né? Mas ele não fez isso, ele simplesmente cometeu um crime e aí a justiça do Distrito Federal acaba se tornando cúmplice desse crime.
Parabéns, né? Parabéns. Porque a gente tá falando do país que tem a maior taxa de assassinatos da população trans em todo o mundo.
E aí as pessoas se perguntam sempre, quando acontece um feminicídio, as pessoas se as pessoas tentam fazer o quê? Culpar simplesmente o autor e fala: "Não, era um doente". Não, não é um doente, né?
é uma pessoa que sabe que pode matar uma mulher porque nada vai acontecer com ele. Esta é a fórmula mágica que faz com que feminicídios aconteçam a torre e direito no Brasil. É a percepção que não é questão de tamanho de pena.
Era aplicar a pena existente já seria o suficiente. É a percepção de que esta pessoa pode fazer isso porque mulher não vale nada porque mulher é um objeto que pertence a um homem. E aí acontece feminicídio.
A transfobia tem um processo semelhante, exatamente porque do outro lado é visto como uma pessoa que é um não ser humano, é uma não gente, é uma pessoa a qual não cabe os direitos previstos na Constituição. Então eu posso fazer o que eu quiser com ela, eu posso zoar com ela, eu posso xingar, eu posso bater, eu posso espancar, eu posso estuprar, eu posso matar. Por quê?
porque ela representa aquilo que eu não gosto. Então eu posso fazer tudo porque ela é um não ser humano, né? Então o que acontece quando você atua, quando você trata, como fez Nicolas Ferreira, como fez agora o o outro parlamentar aqui em São Paulo, que eu não vou citar o nome, né?
Eh, como com tudo isso, na verdade, quando você vê isso se repetindo, você tá vendo o quê? A normalização da violência contra determinados grupos. E aí quando você vê aqueles assassinatos, aquela série de mortes, ela não acontece simplesmente por maldade individual.
A maldade individual tá presente, mas também pela sensação de impunidade, pela percepção coletiva que nós homens garantimos aos nossos pares ao mostrar que aquele grupo não vale nada, aquele grupo não é gente. Então o que acontece por conta disso, por conta da impunidade de garantida pela justiça do Distrito Federal, que eu espero que seja revista por tribunais superiores, né, que guardam com mais cuidado a defesa dos dos direitos fundamentais, mas por conta de decisões como essa é que ao longo do Brasil você vai matando, você vai humilhando, você vai tratando como não pessoas essa população. E aí crimes cometidos e não punidos, eles se espalham, né?
Essa percepção, se Nicolas tivesse sido punido de forma exemplar, né? Ou esse outro parlamentar aqui não faria a mesma coisa. Outros parlamentares não fariam a mesma coisa.
Mas agora não tenha dúvida nenhuma que esse tipo de coisa vai se espalhar. E aí você vai pegar o quê? Você vai pegar uma população muitas vezes de jovens, pega [limpando a garganta] muitos jovens, homens, jovens, inseguros.
sabe, que acabam, na verdade, levando a sério e se formando por aquela, sabe, aquelas bobagens Red Pill, né? Aquelas, sabe, aquelas aquelas aquela, aqueles discursos violentos de homens também seguros, né, que têm um pequeno eh intelecto, né? E aí o que acontece?
Acabam sendo formados por eles, acabam sendo bombardeados por eles e vão repetir isso em escala na sua comunidade, na sua vida, em vários lugares do Brasil. Então, eh, eu, eu vejo com uma tristeza, na verdade profunda, que a esta altura do campeonato, a gente ainda esteja tendo que defender o que que é gente, o que que todos sabe que que as pessoas são gente, que as pessoas merecem compartilhar dos mesmos direitos que a gente e que a política seja um local decente. Fabila, não tenha dúvida nenhuma que qualquer poo, qualquer deputado, qualquer parlamentar que faz isso ganha votos, ganha voto naquele público que fala: "Não, tá sendo revolucionário não tá sendo revolucionário, pequeno gafanhoto.
Essas pessoas estão sendo reacionárias, mais reacionárias do que pessoas que viveram há 100, 200 anos, né? Elas estão simplesmente querendo manter as coisas como elas sempre foram. Elas não estão querendo mudar as coisas para garantir a efetivação de direitos para todo mundo.
Eles estão querendo, são homens, são homens frágeis, são homens inseguros, são homens violentos, são homens que não aceitam que os direitos sejam compartilhados. Eles querem só para eles. E aí o que que acontece?
Usando isso como exemplo, eles se tornam heróis de outros homens que também têm seus pequenos intelectos, sua pequena capacidade de encarar o mundo. Esperemos que a justiça, na verdade, ainda faça justiça em outras instâncias. Porque, repito, ser anuente, ser conivente com determinados crimes é, na verdade, ser cúmplice de violências muito maiores.
E é, eu nem sei o que dizia a respeito disso, porque é tão ridículo, né? ele colocar esse vereador, colocar essa peruca. Eh, só que eu queria ir e e passar pro Josias nesse ponto.
Eh, esse protesto que ele fez foi em relação a algo extremamente importante que começa a ser debatido na Câmara dos Deputados, um projeto que foi aprovado no Senado brasileiro, que é o projeto contra a misoginia. É disso que se trata, né? E é muito curioso ver os homens debatendo disso, falar assim que é um absurdo esse projeto e tudo mais.
Eu queria até ouvir, tô muito curiosa para ouvir o próprio Josias a respeito disso. Inclusive, tem uma reportagem na nossa página contando um pouquinho, se você eh não tá muito a par do que que se trata, mas esse projeto da bisogenia é uma proposta que foi aprovada com unanimidade no Senado, incluindo o voto favorável de Flávio Bolsonaro, né? e que o texto aprovado eh ele ele é eh ele é considerado misoginia a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres.
O projeto prevê de 2 a 5 anos de prisão além de multa, né? é um projeto que eh ele equipara, né, o a misoginia aos crimes de preconceito e discriminação, o que tá previsto na lei contra o racismo. E vários parlamentares da direita, deputados do PL, estão muito indignados em relação a esse projeto.
Entre eles, Nicolas Ferreira, é que acaba de, eh, ser absolvido pela justiça por ter usado peruca, né? eh, da Maris Alves, Carlos Portinho, também foram a favor inicialmente eh do texto antes de votar, a senadora, por exemplo, disse ter dúvidas sobre o projeto, né? Mas ela acabou indo por isso.
Só que na Câmara a história tá um pouco diferente. Eh, Nicolas Ferreira criticou o projeto falando que é uma aberração, eh, e é um instrumento de lei extremamente subjetivo para silenciar outras pessoas. Eles reclamam que isso afeta a liberdade de expressão.
Para quem tá conosco na TV o intervalo, mas no YouTube a gente segue com a análise do Josias de Souza. O que que você acha desse projeto, ô Josias? [roncando] é um projeto que vai na linha civilizacional que o Brasil adota nessa matéria.
E projeto muito sensato e obteve o apoio do senador Flávio Bolsonaro e daí a efervescência do bolsonarismo. Se há um algo de positivo nessas manifestações trêsloucadas, Fabíula, é o fato de que elas expõem eh a encenação eh que é hoje eh protagonizada pelo Flávio Bolsonaro. Ele hoje tem a necessidade de buscar votos, sabe que o voto bolsonarista ele cairá no colo por gravidade e tá buscando aquele voto indeciso, aquele voto que tá no centro, que vai ser muito vital nessa eleição de 2026.
Aí ele vem eh veste uma camisa, com a inscrição pai de meninas e passa a fazer declarações eh simpáticas ao eleitorado feminino e para reforçar a encenação, ele votou a favor desse projeto que foi aprovado por unanimidade no Senado na terça-feira. É um projeto que teve o aval até da da Marisa Alves, que diz que teve dúvida, não sei o quê, na hora H votou e é um projeto que não não eh eh rende homenagens à lógica, né? eh torna torna eh agrava o crime.
Hoje o crime de misogenia é tratado ali como injúria e passa a ser eh equiparado ali eh ao racismo. Eh penas mais graves. Então você hoje eh ofender mulheres é um sujeita o ofensor a um a uma a uma pena tão michuruca que acaba estimulando o ataque.
e introduziu-se ali no no Código Penal e uma equiparação e com o o crime de racismo e o bolsonarismo se apressa em dizer que ah, estão querendo censurar, ou seja, eles querem a a o direito à liberdade, Fabíula, não inclui, tá, a a democracia, assegura todo mundo o direito de se expressar, mas isso não inclui eh o direito de ser levado a sério, não é? Quando alguém utiliza o seu direito à expressão para cometer crime, eh, precisa ser punido, né? Aí eles dizem: "Não, não querem eh eh censurar a opinião alheia".
Ora, se a opinião é criminosa, ofensiva, se é um ataque eh criminoso contra mulheres, ela precisa ser punida mesmo. Eh, então, eh essa essa eh essa dicotomia entre o voto do Flávio Bolsonaro e a reação do bolsonarismo mostra o tamanho da encenação. Fabiola, o Brasil se perdeu em algum ponto eh em termos de civilização.
a política eh perdeu o rumo no Brasil e a aversão, à diferença extinguiu a civilidade. Eh, sabemos que um ponto de de um ponto central dessa ruptura se deu com a ascensão do Bolsonaro. O Bolsonaro, eh, diferentemente do que tenta fazer crer agora o seu filho, que eh faz essa pose de defensor e do dos direitos da mulher, da preservação da da das mulheres, eh o pai dele disse quando a Michele eh deu a luz a a uma filha, a Laurinha, eh que essa gravidez foi resultado de uma fraquejada, que ele que tinha tantos varões na família tantos filhos do sexo masculino e que fez questão de incutir em todos eles eh os seus valores eh machistas e misógenos, disse que a filha foi fruto de uma fraquejada.
Então, estamos diante dessa dicotomia, Fabília. Então, é preciso que o brasileiro observe essa cena e aqueles que ainda têm algum traço de eh apreço pelos valores da democracia e pelo convívio com a diferença, precisam notar essas diferenças, notar esta esta apreço de um determinado setor do política brasileira pelo crime e evitar eh dar votos a quem não merece votos, né? Eh, o gente que sobe à tribuna, como Nicolas, como esse Adriles agora coloca uma peruca e e ofende até a lógica, né?
Eh, não é ofensa apenas às mulheres, é ofensa a lógica. Isso não merece voto. Mas no Brasil, eh, esse segmento tem recebido muito voto, Fabula, até quando eh é preciso que, eh, o processo evolua para que as pessoas se autoeduquem, né?
E quando a justiça não colabora, a justiça inocenta personagens como o Nicolas Ferreira, aí contribui para para o movimento anticivilizatório. Espera-se que a gente evolua em algum momento, que a gente volte a ser o que já foi, Fabulo, o brasileiro já foi eh um ser mais civilizado. Hoje nós estamos aí adoecidos.
Eh, a política adoeceu no Brasil. Eh, é preciso curá-la, mas não tá fácil. Yeah.