Sejam todos bem-vindos bem-vindos e bem-vindos ao auditório do Sesc Vila Mariana para essa edição do sempre um papo com Lívia Santana e mediação de Afonso Borges a conversa de hoje tem o tema cota não é esmola seguida do lançamento do livro cotas raciais Os encontros do sempre um papo são gravados e postados no canal do YouTube do projeto a presença no teatro autoriza o uso das imagens e posterior de fusão Lívia Santana nasceu em Salvador na Bahia é promotora de justiça e Doutora em direitos e Estudos jurídicos pela Universidade de Lisboa é mestre em Direito
Público pela Universidade Federal da Bahia em seu estado já foi coordenadora do grupo de atuação especial de proteção dos direitos humanos e combate à discriminação e do grupo de atuação especial em defesa da mulher e da população LGBT em 2020 foi nomeado uma Das 100 pessoas de descendência africana mais influentes do mundo na edição lei e justiça da organização mipade Lívia é também com a autora do livro A justiça é uma mulher negra com Kiara Ramos Afonso Borges a jornalista gestor cultural escritor criou em 1986 o projeto sempre um papo em 2012 o flearaxá festival
literário de Araxá em 2021 o Fili Itabira festival literário de Itabira dos quais também é curadora é Comentarista da rádio Alvorada FM com o programa mundo livro tem seis livros publicados e a curador do Portal Mundo Livre atualmente integra o conselho de cultura da associação comercial de Minas Gerais e a vice-presidência do Conselho da organização social SP de leituras Associação Paulista de bibliotecas e leitura sediada em São Paulo contaremos nessa noite novamente enfatizando com os intérpretes de libras Milena e moez Convidamos agora ao palco autora e o mediador Para darmos início ao bate-papo uma ótima
noite a todos e todos e todos [Aplausos] gente muito boa noite meu nome é Afonso Borges e faço o projeto sempre um papo a 36 anos como já foi dito no Youtube do projeto sempre um papo tem ali mais de 700 programas de TV programas como esse gravados e à disposição de vocês lá tem Praticamente todo mundo da Literatura brasileira e a partir da semana que vem também a nossa convidada Lívia Santana para mim é uma alegria da sequência essa curadoria na qual eu junto com a equipe aqui do Sesc Vila Mariana a qual agradeço
faz escolheu essas pessoas durante o ano que a gente tem tem trago para conversar com vocês na semana que vem já na semana que vem né no dia 14 daqui a 14 dias nós vamos receber aqui o professor Silvio Almeida Também encerrando esse ano Essas atividades e ano que vem a gente volta se Deus quiser hoje Eu tenho alegria a gente tem alegria de conversar com a Lívia que vem apresentar de início depois a gente pode falar sobre qualquer assunto o livro cotas raciais e falar sobre esse tema que na verdade é uma provocação que
é cota não entre parênteses é esmola uma noite livre Boa noite Afonso Boa noite a todas todas uma alegria tá com vocês aqui hoje Afonso pediu para me apresentar então eu vou começar como eu costumo começar dizendo que eu sou uma mulher negra não dá para dizer que eu sou uma promotora de Justiça Negra força eu sou uma mulher negra promotora de justiça porque a promotora de Justiça passa né mas a mulher negra ela fica é minha essência e é o que vai trazer as minhas vivências a vivências atravessadas mesmo pelo racismo pelo sexismo e
isso vai estabelecer muito do Que eu tenho como Missão de Vida então eu digo que hoje eu me encontro cumprindo uma missão ancestral a partir de uma orientação do meu pai Afonso que nem sabia que estava me orientando naquele momento mas é importante que a gente entenda que o racismo ele é tão violento no nosso país que ele vai estabelecer inclusive Nossas escolhas de vida né A minha primeira escolha de vida no que diz respeito a minha carreira ela ser jornalista Eu me lembro como se fosse hoje assim meu pai me chamou no canto da
sala somente nós dois me perguntou preocupado né qual vai ser a carreira que você vai seguir o que quer seguir né eu respondi prontamente ele dizia que eu tinha resposta pronta para todos eu tinha 16 anos Exatamente é precoce né na nossa sociedade mas é um momento nessa fase exatamente E a pergunta dele foi muito preocupado com essas escolha né eu respondi jornalista assim segundo ele tinha resposta pronta para tudo igual minhas filhas não por acaso e Áries adora ele disse assim para mim você já viu algum jornalista negra na televisão aquilo para mim foi
um balde de água fria né ele disse assim que você não vai para carreira jurídica não que a carreira Jurídica seja um espaço de portas abertas ainda nos dias de hoje para mulheres negras mas ele dizia assim você gosta tanto de argumentar você fica tão indignada com injustiças né aí relembrou as reuniões de família que minha mãe fazia as fome geradas reuniões de família espero que eu nunca faça isso lá em casa ainda não fiz mas enfim e aí meu irmão mais velho muito tímido ficava calado a minha irmã do Meio muito emotiva sempre chorava
e quando chegava Na minha vez era dedinho em riste ele disse então você tem que ir para área jurídica e assim eu fiz né assim eu fiz então sinto que hoje estou cumprindo essa missão ancestral que é uma missão de Lutar Por Justiça racial nesse país por nossa liberdade que foi Prometida mas nunca foi cumprida né então sigamos né Nós precisamos de todos e todos nessa missão 18 anos de ministério público E eu costumo dizer a fonte que mesmo depois de 18 anos eu ainda tenho que provar muitas vezes que eu sou promotora de justiça
Sabe não na cara 17 não porque eu não tenho cara E aí eu brinco com isso não fui envelhecer nunca vou ficar feliz com isso né é eu vou estar lá para aposentadoria compulsória e vão dizer que eu sou muito jovem para fazer promotora de justiça porque que não é sobre isso né e uma vez eu já ouvi até De uma mulher quando sentou de ser eu não mas eu vim falar com a promotora de Justiça onde é que ela tá né na mesa tinha uma plaquinha assim Lívia Santana de Justiça né Eu disse Mas
então você veio falar comigo Ah mas eu tava esperando outra coisa tipo estranhamento foi tanto que ela ainda disse isso tava esperando outra coisa que você não tava esperando aí ela foi lá catou e disse isso que Você falou agora tava esperando uma senhora eu fiz pois eu sou uma senhora mãe de família casada eu só não sou recatada e do lá lembra dessa recatada de lá eu não sou não mas senhora e a gente continua ali o atendimento mas isso ainda é frequente nos dias de hoje mesmo depois de 18 anos de carreira e
me pergunto e pergunta as pessoas que agora eu aprendi a transferir o constrangimento Afonso não sou eu que tenho que ficar constrangida São as pessoas que reproduzem racismo e eu pergunto mas o que é ter cara de formatura de justiça como é uma cara de promotora de justiça porque a gente tá falando sim dos atravessamentos do racismo vamos falar rapidamente para dar uma contextualizada na sua vida como eu disse a primeira vez que você faz eu sempre um papo da segunda não vai ser mais preciso não jura Mas conta aquela episódio que marcou a sua
vida naquele Naquela naquele problema do vídeo naquela debate Na TV Cultura que foi decisivo na sua história não foi não foi decisivo para escrita do livro inclusive o momento de tomar decisão de escrever né Eu tive que assistir ao debate para poder escrever eu nunca tinha assistido não porque me dá embrulho no estômago até hoje E aí eu botei o QR code para vocês terem embrulho no estômago junto comigo Tá certo tá o QR Code aí no livro foi um debate sobre cotas raciais na TV Em 2017 mas eu não esperava o tom do debate
sei cinco anos atrás Você é a favor de um lado pessoas negras eu e Marcilene Garcia época e do outro lado pessoas brancas contra as coisas Porque para mim isso já era uma questão ultrapassada Pois é cilada exatamente armadilha né há vários nomes para isso então eu me espantei ali naquele momento e pensei né levanto pensei em ir embora cheguei a abrir a porta do estúdio para ir embora Quando eu entendi o que é que ia acontecer E aí chegou Marcilene eu disse não não é à toa se encontra não é à toa e aí
fomos para o debate no qual eu tive que contra argumentar não sei nem se eu posso falar contra argumentar Mas vamos lá eu tive que trazer fundamentos para afirmações do tipo quem tem raça é gato e cachorro você até que tem traços finos ou seja para dizer que eu era negra que me reconhecia como Negra você até que tem traços finos como as pessoas negras Não fossem diversas né pessoas negras tem que entrar na universidade pelos meios normais então quando eu me pergunto por que que eu escrevi esse livro para quem que eu estou escrevendo
esse debate vem à tona não é inevitável que ele vem à tona e eu escrevo para as pessoas que estão dispostas a ouvir a escutar e se aprofundar antes de opinar sobre esse tema que é tão importante para que nós possamos começar a caminhar rumo a Justiça racial nesse país mas o que mais me marcou e que eu vim entender algum tempo depois a importância desse debate foram duas experiências com mais velhos né os mais velhos o respeito à nossa sociedade é muito importante e eu costumo almoçar no restaurante perto do meu trabalho e uns
garçons chama Seu Manoel chamou ele carinhosamente Seu Manuel e eu cheguei lá nesse dia abracei a gente sempre conversava né entre um Atendimento de uma mesa e outra ele vinha falar comigo falar sobre o meu trabalho sobre admiração que ele tinha meu trabalho na promotoria de combate ao racismo de Salvador e nesse dia quando eu cheguei ele me deu um abraço disse Doutor eu assistia uma entrevista assim olha eu fiz foi foi Samuel Qual foi a entrevista Ele respondeu assim uma que a senhora Levanta o Dedo e diz assim eu ainda não terminei de falar
eu disse isso mesmo não lembrava de ter feito Aliás vários momentos ali eu não me reconheço quando eu assisto aquele vídeo vamos todos assistir junto assim cheguei em casa no início do livro logo mas foi um vídeo que viralizou muito eu conheci inclusive de Jamila Ribeiro me conheceu a partir desse debate né e meses depois eu tava com minha assessora minha então assessora Francine Cardoso eu tava muito esgotadas assim né pensando sobre os custos mesmo dessa labuta Diário de Enfrentamento é o racismo a gente sofre violência institucional enfim e aí passa um senhor na calçada
e volta assim o senhor de uns 65 70 anos e volta e pergunta assim você é Doutora Lívia eu falei assim sou eu ele disse assim muito obrigada eu disse porque ele eu assisti ao debate sobre cotas raciais com toda minha família eu posso lhe dizer que ali você me ensinou a falar então é aí que eu venho concluir a fãs Que esse livro acho que isso importante ele diz que você Ele te ensinou a falar eu ensinei ele a falar a partir do debate tinha contra argumentado uma coisa dessa exato esse comportamento e essa
postura do eu também tenho espaço de fala eu não serei mais interrompida eu lembro uma Mariele Franco um dos últimos discursos dela em plenária foi justamente dizendo isso não serei mais interrompida isso é muito forte para nós pessoas negras mulheres negras em Espaços em que nossas vozes não são escutadas e ali eu me fiz escutar eu disse como interrompida eu ainda não terminei de falar né e ouvir isso de mais velhos assim para mim me fez entender a importância desse debate E aí eu digo no livro repito aqui para vocês que não é só sobre
uma política de promoção da Igualdade racial é sobre realmente podermos falar sem sermos interrompidas é sobre a nossa humanidade que foi Negada e segue sendo negada em grandes medidas nos dias de hoje Afonso sabe as cotas raciais são sobre isso são sobre isso até pensou em ao invés de escrever na coleção feminina porque é um tema denso eu tenho uma longa pesquisa sobre esse assunto inclusive na Minha tese de doutoramento mas eu disse não eu prefiro que seja pelo tempo fundamental igualdade racial é mais Abrangente do direito à igualdade racial E aí o que acontece
é que eu disse não prefiro que seja pela coleção fêmea de plurais um grande desafio colocar em poucas páginas um tema tão denso tão importante mas ao mesmo tempo com a profundidade necessária para que o público possa aprofundar com referências importantes né E aí eu vou começar Afonso já entrando um pouquinho no livro para enfim de repente a gente poder trocar Com o público trazendo um histórico da legislação brasileira que proibia pessoas negras e escravizadas de frequentarem as escolas a nossa Constituição Imperial de 1824 que a primeira constituição brasileira ela cria a instrução primária pública
né gratuita para cidadãos já aí começa a restrição porque pessoas negras escravizadas não eram cidadões pessoas Libertas pela construção ou eram mas uma espécie de segunda categoria de Cidadania eu diria 10 anos depois dessa constituição que diga-se de passagem teve um ato adicional proibido negros e leprosos de frequentar as escolas teve isso 10 anos depois dessa constituição a gente tem um ato adicional que vai descentralizar o poder no Brasil criando assembleias provinciais E essas assembleias providenciais tinham a competência para legislar sobre a instrução primária E aí começa a proliferação de leis Proviciais de norte a
sul do Brasil proibindo pessoas negras e ou escravizadas ainda ainda que Preto os africanos libertos é importante dizer isso não é só uma restrição uma pessoas escravizadas também pessoas pretas africanas ainda que Libertas sofreram proibição legal então essa esse tipo de restrição e ou proibição Afonso vai durar quase do século 19 inteiro essas restrições são só a escola mais abrangentes a frequentar a escola a Matricular frequentar a escola tem proibição de ensinar pessoas escravizadas eu falo escravizadas na legislação tem escravos a lei a escrever aí tem doenças interessantes por exemplo a proibição completa de pessoas
negras escravizadas de frequentar as escolas salvo prendas domésticas prendas domésticas quem Afinal tinha necessidade de aprender prendas domésticas para os senhores e senhoras as meninas escravizadas para serem ambas De leite mucamas cozinheiros essa exceção se abre determinadas leis também traziam a possibilidade criavam colégios específicos de artes de mecânica né para é acolher também numa perspectiva social pessoas pobres filhos de indigentes né órfãos exceto os Cravos mesmo com a preocupação social existente na lei a perspectiva racial está ali presente a exclusão a partir da raça está ali presente e aí Eu começo esse ponto de Partida
importante Afonso para que a gente entenda a discussão sobre o mérito no Brasil que afinal de contas a educação é um instrumento fundamental de mobilidade social para a ascensão social é um instrumento fundamental para acessar inclusive outros direitos fundamentais e como é que nós podemos falar em meritocracia de maneira descontextualizada tem um dado Fundamental da ocde que a organização para cooperação do desenvolvimento econômico de 2018 cujo nome é elevador social quebrado elevador social quebrado Olha só se a gente está falando de meritocracia o normal o natural e que haja grande mobilidade social as pessoas estão
competindo né de maneira justa Afinal o princípio meritocrático ele surge para afastar os privilégios do Estado Absolutista Mas será que nós estamos de fato afastando esses privilégios e a Esse estudo vai dizer o seguinte de 2018 tudo Brasil tem a segunda pior colocação do mundo perdendo apenas para Colômbia no nosso país precisamos de nove gerações inteiras para que pessoas que compõem os 10% mais pobre da população atinja uma renda média eu ainda brinco assim para ficar rico não é só para atingir a renda média E aí a grande sacada que é importante para nós para
debater cotas raciais é pensar sobre esse assunto e sobre esse dado na Perspectiva racial porque a nova gerações Onde nós estávamos em pleno regime escravocrata de onde é então que pessoas negras tomam impulso para acender socialmente essa mesma organização vai concluir a partir de seus estudos que cerca de 70% dos rendimentos de uma geração vem da geraçãos anteriores eu não conheço a Força Você conhece muitas pessoas a gente conversou lá fora eu não conheço famílias negras abastadas a gerações a gente não herda a gente parte do zero né no máximo a gente conhece uma geração
anterior que furou a bolha com muito esforço primeiro ou único da família inteira Exatamente exatamente então é preciso a gente contextualizar o mérito porque se nós vivemos de fato na sociedade meritocrática essa mobilidade social Seria natural e ela não é natural nós temos um elevador social quebrado no Brasil quebrado e a grande injustiça disso tudo é que as pessoas que se encontram no topo dessa pirâmide que é realmente determinada acredito que merecem o sucesso esquece em todo o contexto que colaborou muitas vezes no contexto de Privilégio para que essa pessoa estivesse nesse lugar né E
aí se essa Pessoa imputa ao seu mérito individual e aos seus esforço o seu sucesso o que que a gente vai imputar as pessoas que estão na base da pirâmide O merecimento do fracasso e será que é à toa que as pessoas que estão na base dessa pirâmide são pessoas negras em sua maioria então é preciso contextualizar o mérito para não importarmos racialmente falta de merecimento falta de Competência a pessoas negras a gente tem uma história que determina esse lugar mesmo 134 anos após a lei Áurea nós Ainda temos a raça como fator determinante de
desigualdades Afonso determinantes se a gente falar em mortalidade infantil são crianças negras que mais morrem violência obstétrica mortalidade materna violência sexual violência doméstica familiar feminicídios são mulheres negras se nós falarmos em violência policial letal em Encarceramento em massa se nós falarmos em outras Juliana tá ali Sanches nós falarmos Doutora Juliana em erro erro entre aspas não reconhecimento de pessoas que gera condenações no processo penal Afonso são jovens negros eu nunca vi nunca vi um caso de erro um reconhecimento de pessoas que afetasse um homem branco nunca vi e Se nós formos falar de expectativas de
vida dados da pinagem 2017 demonstram que em todos os Estados da Federação Brasileira pessoas negras vivem menos que pessoas brancas Então não é uma questão transversal tangencial periférica é uma questão central da nossa não democracia que vai determinar nossas vidas do Nascimento até a morte eu tô achando legal sobre uma devagada dizer com um pouco para o pessoal do SESC que tá aqui comigo que a gente acompanhou a Eliane Alves Cruz aqui nesse nesse nesse debate uma sequência de pessoas que Trouxeram para cá a realidade nesse Campo mas do ponto de vista sociológico ideológico literário
Itamar Vieira Júnior Jefferson Tenório Apesar de que o Jefferson conta a história no livro dele de uma pessoa que morre de bala perdida ela não é horroroso né a bala encontra alguém né E você tá dando a luz trazendo uma luz para esse contexto de debates que a gente tá fazendo da Ótica do direito que explica Complementa a explicação dos outros debates em termos sociais de uma coisa é ouvir a Eliane falar sobre o cais do Valongo e sobretudo que aconteceu que foi uma uma tragédia e uma vamos falar a palavra certa não assassinato em
massa né cometido mas sobre essa luz então assim a pergunta que eu te faço é a seguinte é com relação ao seu livro você mostra através do direito né essas diferenças e essa progressão do Apagamento no século passado e até hoje sim a gente traz uma linha do tempo Afonso Com todas essas leis que eu identifiquei com restrições e proibições legais de pessoas negras frequentarias escolas a gente faz uma análise da lei 12.711 de 2012 que é a lei de cotas para acesso ao ensino superior e também da lei 12.990 de 2014 que é a
lei de cotas raciais aqui hoje raciais vou explicar já porque para acesso ao concurso público eu brinco assim quando A gente dá um passo né contundente firme e eu digo que as cotas raciais são um pequeno passo porém firme rumo a justiça racial nesse país a branquitude né e a Cida mente vai falar do pacto nazismo da branquitude que é um pacto de silêncio entre linguagem para manter seus privilégios a branquitude sempre tem que dar um último golpe de Misericórdia impressionante E aí quando os movimentos negros Conseguem estabelecer as cotas raciais as ações afirmativas como
um elemento de combate ao racismo no país inevitável né pressiona para que a gente consiga as cotas raciais porque não foi posicionamento de nenhum partido político mente de esquerda nem de direita foram os movimentos negros esse protagonismo a gente tem que reconhecer aí a branquitude vem com um golpe da Misericórdia de tornar as cotas raciais subcotas das Cotas sociais na lei 12.711 que é a lei de cotas por isso que a gente chama lei de cotas raciais é lei de cotas essa lei vai estabelecer cotas sociais com prioridade a gente tem 50% das vagas para
instituições de ensino superior para pessoas que cursaram o ensino médio inteiramente em escolas públicas isso é um critério social não é um critério racial dessas 50% das vagas desses 50% metade né ou seja 25% do total é para pessoas Que têm a renda per capita da família até um salário mínimo e meio outro critério social só então é que a lei vai falar na questão racial que vai ser um percentual correspondente a presença daquela população negra na sede da instituição que está estabelecendo as cotas ou seja cota racial entra como uma subcota da cota social
sendo que uma pessoa negra que com esforço sacrifício da sua família que furou a bolha e conseguiu Estudar numa escola particular no ensino médio ou até foi no ensino médio não entra pelas cotas mesmo sendo as cotas medidas de combate ao racismo e de promoção da Igualdade racial mas uma pessoa branca entra pelas cotas na universidade se tiver cursado o ensino médio inteiramente em escola pública e a gente sabe que as escolas públicas embranquecidas né nesse país Então o que a branquitude faz nesse sentido é de Racializar as cotas né de racializar as cotas porque
cota não é medida de combate à pobreza não é medida de combate à pobreza distribuição de renda e Brasil no século 20 cresceu de maneira exponencial e não distribuir o renda como deveria medida de combate à pobreza reforma agrária para que as pessoas tenham a base econômica da terra e nós não fizemos ainda medidas de combate à pobreza é Reforma tributária é tributação de grandes Fortunas Então as cotas são medidas de enfrentamento ao racismo é preciso que a gente tenha isso muito Evidente né Muito nítido para poder falar sobre as cotas raciais para defender as
cotas raciais mas na lei 12.990 que a lei para acessar concursos públicos Aí sim a gente pode falar em cotas raciais porque não há nenhuma condição ou requisito social para adentrar para se auto declarar e ser reconhecida Como uma pessoa negra e portanto acessar a política pública mas só para a gente arrematar fomos e a gente poder dialogar e trocar eu finalizo o livro dizendo que cota esmola assim eu começo dizendo que não é esmola porque são medidas de reparação histórica e o Brasil tem uma dívida histórica imensa com o povo negro e precisa ser
paga essa dívida mas ao final vou dizer que a esmola Assim porque 10 anos lei de cotas não dá conta de quase quatro séculos escravização de pessoas negras cota esmola Porque nós não podemos nos contentar com cotas raciais apenas para acesso ao ensino superior e a concursos públicos porque todos os nossos direitos foram violados secularmente nesse Brasil e ainda são nós não discutimos com seriedade Afonso a indenização a descendente de pessoas Escravizadas aí tem pessoas que dizem que absurdo essa discussão mas ninguém acha absurdo quando a gente fala indenização pelo holocausto judeu em Messenger vai
dizer isso é Europa é moralmente indefensável é a maior produtor de cadáveres da história quando os mecanismos de tortura de niquilação né estavam sendo produzidos nas colônias era aceitável era naturalizado inclusive Mas quando esses mesmos mecanismos são aplicados em solo europeu contra corpos brancos gerem indignação gera produção de documentos internacionais de direitos humanos condenações e indenizações e sobre o Holocausto negro a gente não discutiu com seriedade desse assunto nós não discutimos no livro inclusive não é não é para ser para Lívia né para Juliana não é sobre isso nós podemos e devemos fazer essa Conta
e não é difícil a gente tem um número estimado de pessoas que foram escravizadas a gente tem o período de escravização né exato então a gente bons economistas fazem esse cálculo e a partir do valor que se Estabeleça a gente pode aplicar isso no fundo no fundo de promoção da igualdade para que a gente possa realmente não há política pública sem orçamento o estatuto da Igualdade racial no Brasil foi negociado por 10 anos no Congresso Nacional e saiu sem o fundo necessário para financiar políticas públicas de igualdade racial Então essa indenização ela é necessária para
isso a gente ainda não discutiu também é preciso que a lei traga essa determinação de adoção de ações afirmativas por instituições privadas nós não vamos conseguir só com concurso público E aí é preciso deixar bem Evidente as cotas raciais não são a única modalidade De ação afirmativa nós temos várias medidas medidas de incentivo fiscal né metas de inclusão de pessoas negras em cargos de chefia né ascensão na carreira para essas pessoas Exatamente é muito importante Afonso que a gente é pense na amplitude das possibilidades que as ações afirmativas nos trazem e na necessidade na demanda
que existe porque é o que eu digo as concessões que a branquitude né e não São concessões na verdade é com muita luta sangue suor do povo negro nada foi benéfico mas são constações milimétricas que não vão nos permitir uma ascensão coletiva acaba que acontece na prática ascensões individuais pontuais que não atingem o coletivo de novas gerações novas gerações a gente precisa né para conseguir atingir a renda média então é preciso que a gente tenha uma amplitude aí eu vou trazer uma outra proposta um Livro importante que são cotas raciais eleitorais interseccionais eu vou lembrar
de Dias Nascimento né um homem visionário que em 1983 Apresentou um projeto de lei no Congresso Nacional que previa já medidas compensatórias dentre elas percentual né a reserva de vagas de 20% para mulheres negras e 20% para homens negros e aqui eu vou invocar só ele Carneiro quando ela diz que ser uma Mulher negra na sociedade brasileira é sofrer de uma espécie de asfixia social porque se evoluem as políticas de promoção da igualdade de gênero nós ficamos engessadas por conta do racismo e se evoluem as políticas públicas de promoção da Igualdade racial ou sexismo nos
império de avançar então nós temos inclusive cotas eleitorais de gênero desde a década de 90 no Brasil Quem são as mulheres que conseguem acessar ainda Que com toda dificuldade e necessidade de imposição né de concretude essa política pública são mulheres brancas porque num país como nosso nós mulheres negras não somos vaváveis E se a gente garante cotas raciais eleitorais simplesmente sem pensar questão interseccional homens negros vão avançar a gente vai ficar Afonso então é preciso pensar assim em políticas públicas que tenham esse olhar essa Perspectiva interseccional tá então é muito importante que a gente amplia
essa discussão para falar de fato em todas as possibilidades e necessidades para que a gente consiga construir democracia nesse país pessoas negras e indígenas também nunca vivenciaram a democracia Democracia para poucos no seu livro eu aprendi palavras estranhas como afro oportunismo que que é isso vamos lá cota esmola também Afonso Porque a gente não estabeleceu ainda medidas de controle da política pública não adianta uma política pública que não atinge o seu objetivo Qual é o objetivo das cotas raciais é incrementar a presença Negra nos espaços de poder e decisão que não são legados cotidianamente nesse
país só que nós movimentos negros de modo geral pensamos né Que ninguém ia querer se auto declarar negro né ninguém quer sofrer racismo mas só que não Na ocasião e que os movimentos negros pleiteiam alto declaração como mecanismo de identidade racial isso se dá num contexto desinteressado Afonso hoje não é mais um contexto desinteressado se auto declarar uma pessoa negra e ter essa autodeclaração validada significa acessar direitos formalmente reconhecidos pela primeira vez na história do Brasil e Aí surge a figura do afroportunismo ou afro-conveniência ou a apropriação racial como eu digo eu Me aproprio daquela
identidade racial enquanto me convém Porque se vocês forem parar para pesquisar muitos candidatos e candidatas nas últimas eleições Se auto declararam negros e negras até vencerem as eleições voltaram atrás em suas autodeclarações sendo que hoje Se auto declarar um candidato uma candidata Negra tem como resultado acessar recursos para campanha política deveria ter aí por isso que eu falo que Cota no sentido que a gente precisa controlar a política do modo como a gente está aplicando Tá vindo um desvio de finalidade da política pública essas pessoas precisam ser responsabilizadas por isso responsabilizadas e é isso nos
traz uma discussão Afonso sob quem é negro no Brasil Afinal quem são as pessoas negras nós precisamos saber responder não é muito difícil né quando eu Converso com estudantes assim nas escolas de Ensino Médio me dizer assim a polícia sabe o segurança do Shopping é os recursos humanos que nos negam acesso também sabe quem são pessoas negras nós é que vamos dizer que não sabemos sabemos no Brasil nós vivemos um preconceito racial de marca por isso que eu comecei me dizendo uma mulher negra não dá tempo de dizer que eu sou promotora de Justiça As
pessoas olham ver imagens de uma Pessoa negra João mulher negra sobretudo e me classificam e colocam no lugar numa caixinha nessa marginalização já vem com a imagem ninguém pergunta a minha ascendência então se auto declaração ela é importante preliminarmente para inclusive você passar por um processo de identificação ela não é absoluta e por que ela não é absoluta Porque qualquer declaração pode ser falsa inclusive alta declaração racial E aí embora Auto declaração seja importante ela precisa ser complementada sabe porque porque o racismo ele não acontece com base na minha autodeclaração a tem pessoas que dizem
assim mas por dentro Eu me sinto Negra Não é para se sentir Negra por dentro gente porque se sentir negro por dentro não lhe faz ser vítima de racismo né Pois é não é sobre isso o que vai determinar a minha condição de ser potencialmente Vítima de racismo no Brasil é a percepção social ao meu respeito é a leitura social de que ali tem uma pessoa negra Então essa autodeclaração precisa ser complementada porque se hoje Afonso você me der um papel aqui e eu fizer uma autodeclaração me dizendo Branca eu não vou passar a colher
privilégio da branquitude eu vou continuar sendo percebida socialmente como uma mulher negra eu não Vou deixar de sofrer racismo do mesmo modo uma pessoa branca que se auto declare Negra não vai passar sofrer racismo E aí eu complemento dizendo se eu mulher negra não posso porque eu não consigo recorrer a minha ascendência branca e minha avó materna até era uma mulher branca para me livrar do racismo uma pessoa socialmente branca não pode invocar sua suposta ascendência negra para se impor nas cotas raciais É sobre isso que nós estamos falando sobre a política pública muito séria
porque aí a gente tem o argumento também da branquitude que vai dizer mas nós somos um país mestiço eu tenho a sentença vai invocar até zumbi né vai até lá zumbi pois não é sobre sua tendência se o objetivo da política pública incrementar a presença Negra e você não é uma pessoa socialmente Negra tá vindo de finalidade porque afinal de contas zumbi ou seu Suposto ascendente negro não vai baixar aqui para assumir o cargo assumir a função assumir a vaga é você que vai assumir então é fundamental que a gente tem é isso muito nítido
quando nós falamos sobre cotas raciais Qual o papel que você imagina ser adequado na questão da branquitude Porque eu conheço e Conheço muita gente branca que tem uma posição extremamente é séria com relação a isso séria mesmo no sentido de praticar Diariamente o anti racismo vamos lá que ouço muito essa pergunta de pessoas brancas que querem de fato exercer o anti-racismo porque é preciso transformar indignação em Ação Afonso né a gente tem muita gente indignada que não faz nada então é preciso transcender o Mero discurso antirracista e partir para a prática eu vou invocar Lourenço
Cardoso intelectual negro que vai falar sobre branquitude e ele vai distinguir a Branquitude a crítica que aquela branca que tudo que de fato é racista embora não declarax que é assista mas que tem uma crença na supremacia Branca mesmo e tem a branquitude crítica que pelo menos publicamente se coloca como anti-racista e a pergunta que eu faço é será que podemos contar com a branquitude crítica para romper o pacto nazismo da branquitude não posso responder eu não faço parte desse pacto Mas a pergunta que fica para essas Pessoas e aí tem alguns passos eu diria
fundamentais para realmente exercitar esse racismo primeiro é reconhecer os seus privilégios reconhecer o privilégio da sua branquitude não é uma escolha é uma posição social de Privilégio já adquirida e sem fazer força Exatamente é importante entender que se de um lado da relação né falando em relação a gente não corraciais toda relação tem pelo menos dois polos né se de um lado dessa Relação há pessoas negras que foram historicamente oprimidas do outro lado a pessoas brancas que colhem os privilégios decorrentes dessa pressão histórica então é preciso se reconhecer isso que você tem privilégios por ser
uma pessoa branca nesse país e a partir desse lugar de Privilégio buscar entender que tipo de ação antirracista você pode adotar eles são várias camadas tem a camada individual de uma ação Individual que às vezes você faz uma ação antirracista contemplando supostamente uma pessoa que vai vai impactar na gerações futuras dessa pessoa né Afinal de contas vamos colocar aqui como é que essas mulheres que se dizem feministas brancas tratam suas funcionárias do Lar eu não gosto da expressão empregada doméstica embora seja ainda que a expressão utilizada pela categoria é aquela lei utiliza porque é trabalho
doméstico a gente Falou que prendas domésticas né vem justamente do período escravocrata né mas eu pergunto para essas mulheres muitas vezes Quais são as mulheres que vocês oprimem o que vocês podem estar oprimindo para serem as feministas que dizem que são para terem um capital social e profissional que tem porque muitas vezes essas mulheres estão deixando de cuidar do seu lar dos seus filhos do seu dia a dia do seu Autocuidado enfim para assumir as suas responsabilidades sequer tem esse trabalho reconhecido se quer tem seus direitos trabalhistas reconhecidos então a mudança começa assim começa daí
de medidas que vão contemplar uma pessoa que tem relação Direta com você que vai transformar realidades eu lembro delas e Lucinda dizendo de uma conversa com uma amiga branca que dizia essa aqui é a minha babá a filha dela é babá da minha sabe gente que pensamento colonial e Fala com orgulho e alisando depois Essa foi a minha Babá e a filha dela juíza é sobre isso que a gente está falando também tá então a gente tem a camada individual a gente tem a camada interfamiliar né intrafamiliar na verdade a camada social é do micro
ao Macro sabe nem todo mundo vai estar em posição de fazer grandes transformações coletivas anti-racistas mas a transformação que parte de você desse reconhecimento da branquitude das suas Possibilidades de mudar a realidade seja essa realidade micro ou macro como eu coloquei é um passo importantíssimo Afonso eu tenho ali duas duas referências eu queria fazer disso uma pergunta a primeira é no ponto de vista da literatura é claro que Conceição Evaristo que isso ele carneiro e tantos outros estão aí há tantos anos mas no momento em que o Tom Farias escreveu a biografia de Carolina Maria
de Jesus Ele trouxe né digamos o Fernando Morais ele usa essa expressão de ressuscitar né Fernando que escreveu tantas biografias ele falou tem que tirar a pessoa da tumba e colocar em pé Ele trouxe de novo Carolina Maria de Jesus por cotidiano da vida Brasileira hoje não sei quem não sabe quem é Carolina só que Carolina foi famosa na década de 60 Carolina foi seguramente o maior best-seller da história da literatura brasileira isso não se diz mas é verdade chegou a vender 600 livros Por dia na Suíça você imagina o que que é isso não
existe ninguém nem Paulo Coelho passa perto desse número é então assim quando ele trouxe houve uma mudança de comportamento do leitor na no trato do interesse de ler aquilo e das editoras que começaram obviamente a ver nesse campo um interesse financeiro para publicar os autores negros Esse é um ponto que também é uma pergunta se concorda a outra questão da legislação sobre as Entre aspas empregadas domésticas que também fez uma pequena revolução nas lares brasileiros dos brancos dos brancos eu vou começar falando das empregadas domésticas né não é à toa que nós estamos falando praticamente
da última categoria profissional a ter direitos trabalhistas reconhecidos não não era obrigatório não era obrigatório de carteira de trabalho doméstico não lembro mas não é à toa Quando 2015 eu ia falar 2013 2015 é que a categoria empregada domésticas tem seus direitos trabalhistas de reconhecidos por lei gente isso não é à toa quando a gente fala interseccionalidade sobre isso também Afonso mulheres negras sofreram violências e sofrem violência porque são mulheres e negras eu vou lembrar algumas históricas assim muito pincelando nós fomos na história do Brasil reprodutoras sofremos estupro Colonial nós fomos como Negras de ganho
prostituídas com grande participação de mulheres brancas negras de ganho negros de ganho pessoas negras escravizadas que podiam sair das propriedades das casas grandes fazendas enfim durante o dia exercer atividades lucrativas e voltar ao fim do dia com o lucro tá negras de ganho no Brasil Muitas delas foram prostituídas com participação das mulheres brancas que cobriram essas mulheres com rendas com Joias com luxo para que elas pudessem render mais ao fim do dia né E nós fomos a mais de leite Afonso são violências que não acometeram homens negros embora escravizados e nem mulheres brancas embora mulheres
Tá e isso nos traz aos dias de hoje nos explica porque mulheres negras são as maiores vítimas de todos os tipos de violência nos explica porque mulheres negras são tão raras em espaços de poder eu estou falando do Ministério Público Da Bahia eu estou falando de Salvador que a capital a cidade mais Negra fora da África com 86% de pessoas negras eu estou falando do sistema de Justiça num país cuja Suprema corte nunca teve uma mulher negra como ministra nunca então Afonso teve mulher mulher pouco tempo teve mulher tivemos homens negros pedidos de novo Sueli
Carneiro essas ficção social da mulher negra mulher negra nunca tivemos e olha que eu não estou falando do STF Supremo Tribunal Federal como exceção não a gente tem isso comum nos tribunais no Brasil um sistema de Justiça no Brasil os parlamentos No Brasil quando mulheres negras Afonso compõem o maior grupo social Brasileiro nós somos 28% da população brasileira então isso tem a ver com essa raiz histórica escravocrata quando nós falamos em violência obstétrica não sei se você conhece esse dado a Fiocruz então a Fiocruz tem pesquisas que dão conta de que mulheres negras no SUS
no Sistema Único de Saúde recebe menos anestesia no parto normal do que mulheres brancas aí a gente vai tentar fazer uma análise as pessoas querem analisar o mundo em tiras aí isso é uma questão de classe não a gente precisa a interseccionalidade é uma categoria analítica que vai uma categoria analítica a interseccionalidade a Carla cotirene Escreve também para a coleção feminismo plurais escreve sobre interseccionalidade né é um termo criado por Kimberly Cream Shaw uma jurista Negra estadunidense e que vai nos permitir analisar o mundo a sociedade em sua complexidade a entender que raça em forma
classe que informa gênero que a intersecção dessas formas de opressão vão causar vulnerabilidades ou vulnerações melhor dizendo muito peculiares contra determinados grupos E Aí voltando para o dado relativo à pesquisa da Fiocruz bom se mulheres negras são as mais pobres elas são a maior clientela do SUS quando comparamos com mulheres brancas porque não possui recursos para pagar planos de saúde particulares se Essas mulheres são a maior clientela do SUS porque elas recebem menos anestesia no parto normal nós Ainda temos um país com a mentalidade escravocrata que entende que mulheres negras suportam as dor e não
Precisam de anestesia no parto normal por conta disso então pensar as mulheres negras que foram sequestradas capturadas trazidas nessa travessia forçada né colocadas em senzalas entraram nas casas grandes forçadas também como mucamas como prendas domésticas amas de leite e migraram para os quartinhos dos Fundos é disso que a gente tá falando e por isso esse reconhecimento tão tardio dos direitos dessas mulheres E aí você fez uma outra perguntaram marido digamos assim estabelecido e se tiveram filhos eram fora da relação as famílias negras foram desestruturadas por esse processo que foi a escravização e e o racismo
estrutural no nosso país e você pergunta sobre faz faz parte do projeto completamente pessoas negras na verdade os sistemas alcatra brasileiro ele tinha estratégias muito peculiares mas que se repetem Também ao longo das Américas digamos assim separar famílias famílias eram vendidas separadamente para evitar convergência a unidade né perseguir as práticas religiosas e culturais negras as religiões matrizes africanas a gente pode falar em racismo religioso todas as nossas rodas Afonso foram perseguidas a roda de samba roda do Candomblé roda de capoeira e não à toa isso não é à toa A troca dos nossos nomes africanos
a impossibilidade de conhecer nossas origens eu não sei te dizer de onde vem minha família a gente ouve pessoas brancas a dizer a minha família veio de tal região da Itália da Alemanha Nós não sabemos são direito que dá a nossa ancestralidade que nos foi roubado também e com isso você vai minando a dignidade dessas pessoas a humanidade dessas pessoas então foram essas estratégias E aí as Religiões de matrizes africanas isso é importante dizer para Além da questão religiosa representa o resgate de famílias negras não é a todos desmante Santo filho de santo irmão irmã
de santo é uma família extensa é um resgate para pessoas que perderam suas famílias no processo de escravização isso é muito importante mas são espaços sagrados de resistência histórica Negra Majoritariamente liderado por mulheres Isso é uma quebra de paradigma fantástica num país como nós com a história escravocrata que nós temos posso dar uma mudada de assunto rápida pode eu não esqueci do negócio do Tom Farias não meu amigo querido amigo querido uma referência não sei se é o melhor Marco você pode dizer que não mas depois disso apareceram autores negros sim sim mas aí A
sua pergunta Me leva para uma discussão sobre epistemicídio é a Sueli Carneiro ela é fantástica porque ela vai trazer a discussão para a questão racial Boaventura de seus atos atribui-se a Ele o termo epistemicídio e ele vai dizer que você é um dos piores que me encontra a humanidade porque ele representa o empobrecimento dessa Humanidade em termos de saberes né termo de cultura e para ele esse epistemicídio significa A Aniquilação de saber dos locais por um Saber alienígena que se coloca como dominante inclusive no papel de validar o que é e o que não é
conhecimento só que Sueli Carneiro vai dizer não não é qualquer saber Alienígena Não saber Alienígena Colonial num contexto de colonização tá então é muito importante falar sobre isso e aí a gente pode lembrar também da chamada disco quando ela fala no perigo da história única história que nos foi contada e que segue sendo contada nas Escolas é uma uma história a partir da perspectiva do colonizador então quando me perguntam assim mas não é possível mudar a história é possível mudar a história recontando a história é isso que tom faz recontando resgatando a história de Carolina
Maria de Jesus nós não tivemos acesso a intelectuais negros e negras nesse país não tivemos então de alguns anos para cá isso tem sido Um fenômeno muito importante de resgate desses intelectuais uma que talvez mencionar alguns Clóvis Moura Abdias Nascimento Sou ele carneiro é Milton Santos maravilhoso Milton Santos geógrafo a lélia gonzale gente a Ângela Davis veio aqui diz não sei porque que vocês me buscam tanto eu tive como referência ela era González e a gente não acessava os escritos de lá le Gonzales no Brasil e aí o que a gente tem ainda com esse
olhar É colonial é uma espécie de modelo linear cuja academia seria o ápice não é assim a academia se empobrece porque ela não dialoga com outros saberes academia não é o saber dela Quanto saber quanto conhecimento não existe num terreiro de candomblé quanto mais eu leio mais eu me interesso como Branco Porque porque não só a minha educação foi toda de leituras escritas por brancos digamos assim ou se não sai escrita ela tem ali a visão da branquitude né mas é muito interessante a história do Jefferson é muito interessante a história do Itamar é muito
interessante as histórias que a Eliana escreveu e que vai escrever que eu sei né Não só do Cais do Valongo mas tantas outras é muito mais interessante porque a gente Tem a oferecer é isso que eu queria te dizer é muito mais interessante do que nós brancos temos oferecer falar um negócio meio difícil para você agora que eu digo no livro a justiça é uma mulher negra eu digo que a branquitude digo que o pacto narcísico da branquitude uma concepção trazida Por cidabento que a gente já mencionou aqui tem vários pactos agregados a ele um
desses pactos eu chamo de pacto de mediocridade Porque a branquitude acha que se basta e ela é medíocre quando ela acha que se basta porque ela deixa de enriquecer como grupo ela deixa de dialogar de beber de outras fontes Então quando você fala é só o que me interessa agora é ler quanto mais eu leio mas eu me interesso pela leitura como falar em psicanálise sem ler francês não falar em Geografia Sem Lei Milton Santos sabe então esse apagamento precisa acabar e a gente está caminhando para Isso né a gente tá caminhando para isso mas
é preciso dizer que a academia não é um caminho necessário é importante não tô dizendo que os jovens não acessem a academia mas de novo né Quanto saber quanto conhecimento ancestral não tem um terreiro de candomblé não tem uma comunidade quilombola na comunidade indígena e a gente desconhece e a gente vai apagando e olhando mesmo esse saberes Quantos idiomas indígenas Nós já não perdemos nesse processo muitos né Me fala sobre o assunto delicado tolerância como é que tá Como é que tá o nível de tolerância Olha só eu tenho dito que nós precisamos revisitar essa
concepção de tolerância primeira questão né a tolerância o que que significa tolerar aguentar suportar né admitir permitir porque na verdade é branca tudo nesse país se coloca nesse lugar Isso é uma relação de poder no fim das contas a relação de Tolerância é uma relação de poder na qual quinto era ou quem está na posição de dizer que tolera vai escolher o objeto de sua tolerância eu escolho quem eu tolero quem eu não tolero escolhe a verdade eu quero Qual a verdade eu quero e qual a verdade eu não quero e se eu posso escolher
quem ou que tolerar e deixar de tolerar eu posso escolher quando deixar de tolerar então é uma relação de poder tolerância uma perspectiva de democracia Mera tolerância não basta a gente tem que falar em respeito mas aí eu vou trazer um contraponto Afonso a essa discussão que até que ponto nós sociedade que nos dizemos democrática na sociedade democrática devemos tolerar os intolerantes porque os intolerantes com o poder que tem eles têm a capacidade de minar a própria democracia Você não pode sofrer tanta crítica Porque isso é uma reportagem uma entrevista minha na Folha de São
Paulo que eu falei ditadura da liberdade de expressão porque que eu falei essa expressão as pessoas não leem não só vem só o título é uma preguiça é uma coisa tão automática tão virtualidade né as pessoas não leem as coisas mas por que dizer isso nós não podemos fazer uso do direito à liberdade de Expressão que não é absoluto porque nenhum direito absoluto até a vida tem restrições da Constituição em Tempo de Guerra né para praticar o discurso de ódio para disseminar um ódio que mata então o discurso de ódio ele é o exercício abusivo
da liberdade de expressão E aí já são subalternizados socialmente Então isso é muito grave e são grupos que estão subaterizados socialmente que não tem acesso aos meios de comunicação que São dominados pelos intolerantes para trazer uma resposta para trazer a pluralidade de Visões de perspectivas então a gente acaba tendo pessoas que dominam o direito da liberdade de expressão né e fazem dele um instrumento de violência contra grupos vulnerabilizados bem aí nós temos outra questão que a educação mas eu queria só focar na questão da educação relacionada a língua porque a Língua tem poder entende através
da língua e de suas expressões aqui agora a gente brincou com algumas delas é capaz de a gente é capaz de fazer as transformações necessárias também não é com certeza eu vou lembrar a gente tem um preto guejo no Brasil e que a gente não aceita nos espaços de poder né E que a gente julga e avalia as pessoas que falam o preto gays então de fato língua é poder nós na América Latina somos uma bolha o Brasil é o único país que fala português na América Latina né e nós não conhecemos a gente tem
uma visão uma fixação eu diria tão grande pela razão moderna né essa razão cartesiana do penso logo existo que eu digo que tem conjugação verbal assim eu penso logo eu existo e quem não pensa conforme essa lógica da Razão moderna que é uma razão moderna escravocrata porque ali surge a escravização de pessoas com duas Características fundamentais que a racialização e a comercialização que a escravidão é um estudo muito antigo né pessoas que não pensam conforme essa lógica não são dignas de existência E aí você vai afastar a racionalidade é afro africana e afrodispórica das Cosmo
percepção africana que não Traz essa dicotomia entre mente e corpo entre espírito é sentimento e razão nós somos tudo isso isso é conhecimento e essa razão moderna Vai se colocar no lugar de dizer não isso não é conhecimento né então a gente tem essa fixação pela razão moderna pela filosofia pelo direito né europeu e a gente desconhece a produção cultural a produção de conhecimento acadêmico enfim da América Latina sabe a gente se fixa no norte global que não falam lá se vão nortear nada a gente não entende né vou buscar um Horizonte até mas no
Dia que eu vou buscar um Norte para lugar nenhum já chega de norte a gente se fixa na Europa e nos Estados Unidos e a gente só tem essa base de conhecimento quem aqui teve chance na escola ou na universidade de estudar um filósofo africano por exemplo latino-americano da colonial quem aqui na escola ou na faculdade de novo conseguiu ter acesso à Constituição haitiana de 1805 Não vai estudar todas as construções europeias né você procurar nas redes sociais na internet você acha a tradução para todas elas mas você não consegue exato você não consegue encontrar
haitiana da branquitude está baseada na cultura francesa e a gente não vai considerar essa constituição por exemplo a gente chama de 1805 como um documento histórico de direitos humanos a gente entende de Direitos humanos como monopólio da Europa não é a gente tem a carta mandinga de 1235 se eu não tiver falhando a memória aqui que é uma carta que vai ser produzida pelos povos mandingas e transmitida de geração a geração pela oralidade e que tinha Direitos Humanos fundamentais que nós consideramos hoje avançadíssimos por exemplo a proteção ao meio ambiente a responsabilidade coletiva pela Paternidade
são provérbio africano que diz que para criar uma criança é preciso toda uma comunidade paternidade a responsabilidade coletiva pela paternidade um outro princípio da carta mandinga vai dizer que mulheres deveriam participar de todas as instâncias do governo mandinga onde é que a gente tem isso hoje no mundo entende então isso é para dizer que direitos humanos conhecimento filosofia direito de um modo geral não são exclusividade Monopólio da branquitude não são exclusividade e monopólio da Europa tá na hora de acabar já falamos mais né bem a gente pedir para você fazer um encerramento Infelizmente vou fazer
isso vou fazer eu vou lembrar uma música de lua de Luna porque eu falei de livro de História né Eu falei que as cotas raciais elas tá bom que vamos fazer então duas perguntas por Favor vamos lá lá atrás Tomara que não esqueça de cantar depois quando as políticas de transferência de renda como Bolsa Família foram criadas uma década e pouco atrás mais ou menos concomitantemente as políticas de cotas raciais nas universidades a gente teve um furor né era difícil achar uma pessoa branca que defendesse o que não é tacasse essas políticas das Mais variadas
perspectivas e muitas vezes algumas pessoas negras também atacando pois bem o tempo passou uma década um pouco mais e o que a gente vê hoje as políticas de transferências de renda Foram capturadas pela extrema-direitos você não viu nenhum burburinho mais que se ouvia em 2011 2010 contra o bolsa família essas políticas de Transmissão de transferência de renda acima direita capturou essas políticas aumentou o valor que é transferido e falar e falou isso como a gente viu na última eleição de uma forma assim é bastante exaltada por um outro lado as políticas de cotas raciais sofrendo
um movimento inverso elas foram sendo arquivadas deixadas de lado enfim como é que você vê isso e o que que você acha que isso significa que isso diz da população Branca brasileira E que que isso deve dizer para a população preta brasileira também Bom vamos lá Pergunta que dava uma conversa longa mas vou tentar sintetizar meu pensamento sobre isso primeiro dizer que essa apropriação das políticas públicas né determinadas políticas públicas pela direita pelos temas direito como você falou uma questão leitoria né Muito marcante isso porque quando eu falei sobre as cotas raciais eu fiz questão
de Dizer que os movimentos negros têm o protagonismo por conseguir concretizar as cotas raciais na legislação nos tribunais etc não foi partido político de esquerda nem direita nem o anel B nem eu sei isso é importante que seja dito porque partidos políticos que se colocaram contra as cotas raciais inclusive judicialmente hoje se dizia a favor então a branquitude ela vive Com um pacto de conveniência também quando ele convém defender né para manter os seus próprios privilégios a defesa acontece quando não convém muda-se de ideia ou transforma se diz racializa né Nós temos um país e
isso me vem muito em mente agora com atual contexto político as pessoas têm estado muita vontade para manifestar ódio Eu trabalho numa promotoria de Justiça especializada no combate ao racismo e eu ainda me surpreendo com as Manifestações de ódio a pessoas negras que eu vivencio ali nós temos um país que odeia pessoas negras odeia pessoas negras então quando a discussão é sobre raça se parte para um negacionismo do racismo né se fala de novo em democracia racial onde demorou muito tempo acreditando nessa democracia racial que nunca existiu por isso essa resistência as políticas públicas de
promoção da Igualdade racial a gente tem que dominar os fenômenos não dá para enfrentar nenhum mal sem reconhecer a sua existência a gente tem Dados pessoas não querem se informar né aí eu digo que esse negacionismo Afonso ou ele é fruto de ignorância e aí a gente tem uma uma gama de escritores negros e negras né para nos subsidiar e trazer fundamentos para que a gente opine com propriedade se não é Ignorância é desespero para manter o privilégio da branquitude é brincadeira do privilégio é terrível porque eles querem preservar um privilégio que ainda não tem
Olha eu digo que a branquitude é tão perversa nesse sentido né é um processo autofágico assim sabe Principalmente quando a gente fala em homens brancos que são aqueles que estão mesmo nos espaços de poder nós pessoas negras somos objeto de política pública nesse País nós não estamos decidindo sobre o nosso destino né E aí a branquitude ela formaliza seus privilégios como se direitos fossem por isso que eu escrevo a justiça é uma mulher negra sem uma provocação Porque se o direito à academia jurídica o sistema de Justiça permanece sendo branco masculino e para complementar Sis
heterossexual e Cristão a justiça precisa ser um outro fenômeno uma outra concepção que nós vamos construir juntos e juntas nós não Queremos mais uma Justiça de olhos vendados que é Inclusive a gente falou em razão moderna né uma e na fixação pelo nosso Global uma figura de origem mitológica grega atemes de olhos vendados e que na frente do Supremo Tribunal Federal tá com as espadas assim no colo não a representação da justiça para mim é uma mulher negra as primeiras empreendedoras desse país Como que tu teiras as primeiras empreendedoras Nós não Pedimos não fomos as
ruas para exigir trabalhar fora de casa nós sempre trabalhamos fora de casa fora da África e fora da nossa casa nas casas grandes depois nas casas de família né que dizem assim até tratada como se fosse da Família ninguém quer ser tratada como se fosse da família [Música] é como se fosse da família só reconhece os direitos trabalhista acho que tá bom não precisa ser como se fosse da família Não que esse tipo de família eu quero longe de mim [Música] é como se fosse da família mas aquela pessoa da família que não é convidada
para viajar com a família e não sentado não é convidada para almoçar e pior não é convidada para estudar a gente tem um fenômeno a gente vai mudando de assunto mas terminando para mim a justiça é uma mulher negra nesse Sentido é para que a justiça precisa representar o nosso povo e ela não representa a gente tem visões unilaterais do que é igualdade do que a liberdade nesse país a visão produzida por homens brancos que se auto protegem o tempo inteiro historicamente é tudo ali ó Por isso que eu digo que é autofágico né eles
produzem constrói interpretam direito por si para si isso esse modelo nunca vai produzir Justiça racial nesse país Porque a gente quer falar só injustiça a gente não quer falar em justiça racial mas não há como falar em construir Justiça democracia sem tratar a questão racial sem tratar essa ferida que permanece aberta nos dias de hoje e Essa justiça com uma mulher negra eu digo que tem os cabelos crespos lhe coroando a cabeça e que está com uma espada sempre riscos jamais pendente porque ela sabe o que tem que enfrentar também tem que ter olhos abertos
e atentos a todas as Injustiças que ela precisa corrigir né Essa é a justiça que a gente precisa para mudar a realidade desse país tá que você fala você fica falando alguma coisa de interrompido não foi ele fala um monte de coisa boa noite tudo bem E eu queria saber o que que você acha sobre como a micropolítica consegue realmente Porque na minha aula passada meu professor de redação ele falou por exemplo que nunca iria mudar a Micropolítica não muda de fato a macropolítica e eu queria saber se essa coisa de corrigir uma fala racista
coisas do tipo assim realmente consegue mudar essa coisa da política de homens brancos sabe Depende do que você entende como micropolítica vamos lá eu tenho dito que o ditado uma andorinha só não faz verão é meio injusto com as poucas pessoas negras sobretudo mulheres negras que estão em espaços institucionais quando nós falamos em solidão da mulher Negra e Afonso mencionou isso aqui eu me concentro na discussão sobre solidão institucional que é a doença dor mas eu não posso dizer que essa mulher negra naquele lugar ela não muda verão ela muda ela faz vários Verões inclusive
né ela consegue fazer isso ela agir estrategicamente E aí são várias estratégias possíveis Mas é para dizer que o corpo de uma mulher negra no espaço de poder Afonso essa presença por si só já é pedagógica Nosso corpo é um corpo político naquele espaço né quando eu Me apresento aqui com minhas tranças minhas Búzios eu digo que isso não é não é estética apenas se a linguagem é originalidade isso é poder isso sou eu são as mulheres negras dizendo estamos aqui e estaremos aqui como quisermos ser como somos e não como a branquitude que é
impor que sejamos sabe essa esse é o recado que a gente passa com essa linguagem corporal Nos lugares em que muitas vezes nossas vozes não são escutadas então eu a micropolítica Pode sim alterar a macropolítica E aí a gente precisa buscar convergência na luta para que a micropolítica consiga fazer essa alteração né porque aqui interessa a nossa divisão então é preciso que a gente esteja buscando a convergência dos vários movimentos de movimento é sobre isso né de mulheres negras de pessoas negras de modo geral movimentos negros De pessoas lgbtqi ap mais né de pessoas que
lombolas sem terra enfim é sobre transformar esse país num espaço que no qual a democracia seja uma realidade para todas as pessoas né falar em justiça plurriversal vou trazer meu golpe ramosa que é um filósofo africano quando ele fala em pluriversalidade ao invés de universalidade a noção de universalidade de sujeito Universal não nos contempla Ocidental total eu tenho um texto em que eu digo o título né eu mulher negra não sou sujeito Universal porque esse sujeito Universal parte de um ponto de um protótipo de homem branco que vai ter o poder de dizer quem é
e quem não é sujeito Universal e o lugar das pessoas na sociedade tem esse poder então é preciso pensar numa pluriversalidade que famosa e vai dizer que são eixos de humanidade né Então as pessoas São policentros de humanidade e a gente aprende nas universidades né como pesquisadores e pesquisadores como intérpretes do direito a nos afastarmos do objeto do conhecimento né nos afastarmos do objeto da nossa pesquisa eu proponho o contrário a gente tem que se aproximado objeto porque no nosso caso especialmente falando aqui o objeto do nosso conhecimento são pessoas Então eu estou objetificando pessoas
quando eu me afasto não me enxergo o policentro de humanidade que cada pessoa é quando eu não enxergo eu não escuto as pessoas algumas pessoas se aborrecem comigo no sistema de Justiça quando eu digo que juiz juíza promotor promotora Defensor Público defensora pública nós somos servidores públicos e nós temos um perfil nesse sistema de Justiça branco e masculino de pessoas que nunca vivenciaram Racismo sexismo né classicismo que nunca estiverem comunidade que não conhecem as demandas das pessoas que atendem como você pode atender a um público né como você pode servir a um público que você
não conhece minimamente você precisa escutar e infelizmente nesses espaços as pessoas em geral não estão dispostas a escutar então é preciso enquanto a gente não chega lá nesses espaços né enquanto a gente não consegue trazer diversidade Para esses espaços é preciso que a gente busca letramento né Eu não sei como é que a gente impõe essa letramento a obra que tudo já crítica Mas enfim vamos tentar contar com a Branca de crítica para esse letramento eu digo que é letramento não é letramento racial apenas é letramento antes racista né É mais do que racial letramento
racial não é só você ler livros de autores negros e negras e leia a coleção feminina de explorar Não é só isso é a capacidade de Você entender o mundo interpretar o mundo a partir dessas lentes da questão racial mas o tratamento anti-racista precisa gerar movimento né Precisa transformar como eu disse antes indignação em ação e também tem que ter eu acredito que está surgindo eu acredito porque eu conheço pessoas brancas que são assim que praticam diariamente não só no seu âmbito familiar Ou pessoal mas também no âmbito social e no onde onde aquele campo
de Trabalho dela alcança ou anti-racismo porque o anti-racismo praticado pela branquitude também é uma posição política importante fundamental Afonso eu digo assim não fomos não as pessoas negras que inventamos o racismo nós precisamos protagonizar a luta antirracista ou seja nós que temos as dores e conhecemos as demandas Precisamos ser escutados escutadas estarmos de fato decidindo sobre isso mas pessoas brancas antirracistas Precisam ser aliadas precisamos de aliardes né E aí há uma grande confusão sobre a concepção de lugar de fala quantas pessoas brancas já não ouvi dizer assim ah mas eu não tenho lugar de fala
para falar sobre racismo digo tem o lugar de fala de uma pessoa branca anti-racista Óbvio então é disso que a gente precisa de engajamento né porque lugar de fala não pode ser um pretexto para omissão racismo estrutural não pode Ser um pretexto para uma missão ai estrutural não posso fazer nada cruza os braços é estrutural não se é estrutural nós precisamos de posturas e ações antirracistas tão Profundas quanto o racismo é para mudar essa realidade e precisamos muito de pessoas brancas aliadas racistas aliadas eu digo que a nossa nosso lugar né esse corpo político pedagógico
em instituições é de poder precisa de estratégias eu digo que não são estratégias de sobrevivência não Porque a gente não quer mais só sobreviver Mas são a partir de vivências Então são estratégias sobre vivências Porque a partir das vivências a gente consegue estabelecer como a gente se infiltra eu digo que nós somos como água infiltrada e que a água sempre acha o caminho não é fácil quem é de axé aqui vai entender o que eu tô falando também a água sempre encontra o caminho se ela não contornar ela Perfura de algum modo Então essa água
Quando consegue se infiltrar numa estrutura tão densa Como é o racismo ela consegue eliminar por dentro essa estrutura a gente está nesse processo a gente está nesse processo a gente só precisa de mais unidade E aí uma das estratégias que eu digo que é fundamental assim é é precisa ser foco para nós pessoas negras nesses espaços é a estratégia do constrangimento A gente precisa aprender a constranger as instituições a assumir o seu compromisso antirracista porque não é um compromisso responsabilidade de Lívia instituições públicas públicas de atitudes das empresas privadas que estão nesse sentido não sei
se estão cumprindo mas estão esse papel de a partir de dentro das instituições fazer esse exercício de constranger essas instituições porque Lívia passa a responsabilidade o compromisso da Instituição precisa ficar para além do meu compromisso pessoal profissional que teve a Maria Firmina como como patrono e tinha 62% de pessoas negras autores negros convidados assim como o fritadeira o autor homenageado Apesar o patrão não ser sempre Carlos Drummond de Andrade foi o Ricardo Aleixo quer dizer não tem desculpa descobrir como curador de festivais e eventos não tem desculpa a conversa Fiada concordo as pessoas perguntam como
se anti racista né na prática uma postura anti-racista dizer não aceito não faço parte não me chame para feiras literárias que tem umas pessoas brancas né não me chame para em congresso em espaços Nos quais as pessoas negras não estejam também no mesmo patamar sabe e nem oposição eu não precisa também da oposição tem que estar entrar como pessoas no contexto daquilo que foi Colocado é assim para falar sobre aquilo que sabemos né não apenas necessariamente sobre racismo eu não me incomodo com essa posição porque eu estudei sobre a Minha tese é sobre mas nós
temos pessoas negras intelectuais negros em todas as áreas do conhecimento não é então tem aquela Desculpa mas eu não conheço nenhuma pessoa negra não dá mais tá desculpa já não cola mais né Afonso não cola mais vamos Finalizar é uma música de lua de Luna que se chama acabou eu gosto de cantar ela quando eu falo de contas raciais porque ela fala dessa dívida histórica né ela faz uma pergunta importante e por isso eu Trago essa música Ela diz assim quem vai pagar a conta quem vai contar os corpos quem vai catar os cacos dos
corações quem vai apagar As recordações quem vai secar cada gota de suor e sangue cada gota de suor e sangue acabou e eu respondo que todas nós e todos nós temos que ter a responsabilidade por secar cada gota de suas sangue negro nesse país muito obrigada gente [Aplausos] [Música] [Música]