[Música] Para falar em ambientes, eu gostaria de começar com uma história que eu ouvi e que me marcou esses dias. Vocês sabem que essa conferência seria de uma professora do oeste do Paraná chamada Elenira, e ela vem lidando com câncer. Então, muitas coisas nós conversamos, e isso eu gostaria de trazer dela.
Ela olhou, fez as ponderações etc. , e ela, vendo aquilo que veio das pesquisas, deu uma risada e disse assim: "Olha que legal que os jovens de hoje são jovens como todos os jovens, porque as demandas não mudaram com o tempo". Isso é positivo, porque às vezes a gente pensa que está diante de uma geração totalmente desumana, fora dos padrões humanos; que nada!
As demandas humanas são as mesmas. Isso é bom, quer dizer que a gente sabe lidar com eles, né? Tem coisinhas diferentes aqui e acolá, mas não é impossível.
E ela, depois disso, me contou uma história. [Música] A história é a seguinte: vocês lembram do Reverendo Moon, né? Que fundou uma igreja, teve uma febre.
. . depois eu não sei o que aconteceu direito.
Então, aconteceu um caso nos Estados Unidos de um rapaz que estava na faculdade, e esse rapaz foi para a igreja do Reverendo Moon. Na igreja do Reverendo Moon, na verdade, a família dele ficou desesperada e, inclusive, o rapaz estava lá e não saía. Então, a família acionou a justiça para tirar o rapaz de lá, né?
E foi com polícia e tudo; foram retirá-lo para que ele retomasse a vida dele. Aí, o jornalista foi perguntar ao rapaz: "Mas você não está vendo o que você está fazendo com a sua família, né? ".
Daí ele falou assim: "Pois é, mas a sua família quer que você estude, que você tenha uma profissão, que tenha sucesso. Isso não é bom? ".
Ele disse: "Sim, é bom, só que o Reverendo Moon me chamou para transformar o mundo". Transformar o mundo é, Alice, resumir um pouco um aspecto que nós não tocamos, não tocamos sim, mas agora é muito concretamente, é o aspecto do idealismo juvenil. O idealismo juvenil, gente, que precisa ser explorado como um ponto positivo, né?
É que nós, aqui, boa parte, somos adultos, a gente já está em uma outra fase da vida, e que os idealismos já não movem a gente como movem um jovem. Aquela efervescência, aquela força. .
. Aqui é um fenômeno incrível! Vocês vêm quando se reúnem jovens, como que a bagunça, o movimento, a vida, isso, aquilo, a risada, né?
Isto não é de hoje nem de ontem. Sempre foi visto com um certo constrangimento pelos adultos, sempre, sempre. Desde Platão e Aristóteles, a plataforma Sócrates foi também colocada com um cobertor dos jovens por causa disso, porque ele lidava com esse idealismo juvenil, que é uma força enorme que faz bem ao mundo.
E que nós, de tempos em tempos, de geração em geração, temos que fazer um exame de consciência para que a gente não apague os sonhos juvenis, não apague os desejos. Então, para começar, isso, o ideal de mundo juvenil, o idealismo de mundo juvenil, isso apareceu nas pesquisas. Vocês estão vendo?
O primeiro ponto que eu queria trabalhar com vocês é: veja, a nossa pesquisa começa aqui por aquilo que a gente chama de ambiência juvenil, mas não é de todo jovem, é a ambiência juvenil dos jovens das nossas comunidades, porque foram eles pesquisados. Porque se a gente olha os nossos jovens como passa, né, uma régua como se fossem todos os outros jovens do mundo, a gente fica desanimado e perde uma geração linda que também está nas nossas comunidades. Não vamos ser profetas da catástrofe aqui; nós somos homens da esperança, mulheres da esperança, né?
Primeiro lugar: como está a juventude das nossas comunidades? Aqueles que estão ali. Eu lembro que em [Música] 2018, antes da pandemia, nós fizemos uma pesquisa lá em Toledo para fazer essa quebra, porque geralmente nós repetimos o discurso dos jovens que não sei o que, não sei o que, não sei o que.
. . Tem, claro que tem!
Mas quando você olha para os jovens dentro da igreja, depois a gente pode abrir para os outros, não tem problema, não é seleção. Mas você vê que não é um grupo tão heterogêneo como a gente imagina, não. Vocês percebam junto comigo que há coisas bonitas ali acontecendo.
Veja só o reflorecimento dos grupos de coroinhas e acólitos, para você perceber, né? Não são pessoas tão dispersas; não são pessoas tão fora. E tem família, também tem família, tem pai, tem mãe, tem coisas positivas ali, né?
Então, não é uma coisa assim tão fora. Essa ambiência juvenil precisa ser observada a partir do movimento do desenvolvimento da vida de um jovem. Essa idade da juventude, que a gente fala que é o terceiro setênio da vida, ali de 14 até os 21, é claro que vocês vão falar: “Padre, e as outras?
”. Sim, poderíamos comentar sobre isso, mas eu não me sinto com bagagem suficiente para falar das vocações adultas, né? Embora tenha, eu não vou negar, eu só não tenho condições de falar.
Então, o padre Deu ali não teria mais condições de falar das vocações adultas. Esse epitênio da vida é um septênio marcado por aquilo que a gente chama de abertura para o mundo. O mundo da criança é o mundo belo, lúdico ainda, né?
Quando você chega nesse septênio da vida, o mundo começa a se abrir como a verdade, aquilo que é verdadeiro. Uma coisa que acontece na adolescência em direção à juventude é que, para alguém entrar na minha intimidade, eu tenho que dar autorização. A gente começa [Música] a não engolir tudo que vem da forma como os pais, os catequistas imaginam.
Não é uma proteção humana em que eu passo a me proteger. No sentido, eu só assimilo aquilo que eu autorizo que entra na minha vida. Não é isso que a gente faz com um adulto, começa ali, mas como nós somos aqueles que olham para a adolescência e juventude, aquele grande processo histórico e psicológico.
Aqui, não é nem criança nem jovem; esse respeito não acontece como deveria ser. Então, veja só: essa abertura para o mundo depende dele autorizar com que você entre. Tem coisas que a gente faz que ficam pesadas nessa etapa, por isso que vocês veem que a ambiência juvenil, aqui, perguntados a respeito da comunidade, do ciclo de relações, em algumas coisas, para a gente considerar o que eles desejam.
Todas as vezes que alguém fala para mim sobre alguém que tem preocupação a respeito dos jovens na igreja, fala: “Padre, a gente tem que fazer coisas mais animadas, mais divertidas. ” Eu sempre tenho uma certa dificuldade com isso, e a pesquisa mostra isso. Não é só a diversão pela diversão.
Gente, eles estão falando coisas diferentes. A primeira, que já é a terceira vez que aparece isso, é que eles querem ser respeitados. Estava lá na CNBB, ontem, com um pessoal; eu conheci o padre Valdecir, e ele me apresentou à equipe com adolescentes e jovens.
A primeira coisa que a pessoa disse foi isso: “Gente da base! Meu Deus! Esses adolescentes e jovens são tão desrespeitados nas nossas comunidades!
” Às vezes, a gente xinga, reclama, trata com. . .
sabe? Existe ainda muito fortemente no meio das lideranças uma resistência à efervescência juvenil. O ideal juvenil passa a incomodar na medida em que é bonito ver o jovem lá, fazendo, mas quando eu estou coordenando jovem ou fazendo essa vida, esse idealismo, a gente se incomoda.
Olha que mudança! Falta respeito! Eles falam que querem ser respeitados na adversidade de linguagens, estilos, emoções, espiritualidade, né?
O cuidado de se aproximar, né? Eles já crescem em um mundo onde há uma cidadania da diversidade, né? Então, isso é uma coisa importante.
Quer ver uma coisa? Sempre vamos lidar com isso, mas a gente às vezes pode ser mais sensível ao problema do "obrigar". Tá, uma criança, beleza, até vai, mas um jovem.
. . repetir a linguagem da obrigação torna a vida da igreja muito pesada.
Mas não é obrigação pela obrigação. A gente é, porque a gente não sabe das convicções. É fácil falar em obrigações quando a gente não sabe das convicções.
"Tá bom, pelo menos a gente bate nos pés, no peito, fala assim, igual aos pais, né? Eu não sei muito conversar sobre isso, então eu brigo. " Então, isso acontece nas comunidades.
A solicitação do respeito caracteriza um pouco esse momento da vida em que ele está dizendo assim: "Entra na minha história". Se eu te dou sentimento, isso já acontece no mundo adulto. Outra coisa que eles colocaram é a acolhida, né?
Acolhida também reverbera esse momento da vida deles. Mas tem uma dinâmica especial aqui que eu queria dizer que está por trás disso. Vocês imaginem que o isolamento passou a fazer parte das próprias casas, né?
É uma dinâmica das casas da gente, porque não é difícil eles falarem, mesmo seminaristas, quanto a isso. Vão para casa visitar a família, todo mundo, depois que jantou, senta na sua poltrona, pega o seu celular e acabou. A acolhida não chega nas comunidades.
Acolhida também é uma coisa assim, às vezes pesada. Essa disponibilidade de estar, ouvir. .
. a disponibilidade de ouvir já é um desafio que já foi falado de manhã, mas antes da disponibilidade de ouvir, tem a disponibilidade de estar, estar com o grupo. Então, Sérgio, a gente conversava ontem, né?
Gente, percebam bem: nas atividades poucas que a gente faz, a juventude já dá respostas vocacionais para nós. Por que eles dão resposta vocacional se a gente fizer um encontro ou dois no ano? Imaginem se a gente realmente se convencesse do fato de que a gente pode estar com eles!
Ou acha que o testemunho é colocar uma projeção minha aqui, né, e eu desaparecer? Não! Eles demandam acolhida no sentido de presença.
Nossa presença não demanda festa demais; não! Festa, eles sabem onde buscar, né? As nossas festas até são meio chatas porque repetem as mesmas coisas.
Eles sabem onde buscar. Eles demandam presença, acolhimento. .
. depois, empatia, né? Um aspecto ser escutado.
Isso aqui são eles falando, né? O clima da igreja. .
. o que eles esperariam que fosse. E uma coisa nova que apareceu aqui e é muito bom que apareça: eu estou percebendo isso cada vez mais nos grupos vocacionais, como eles se encantam com a convivência.
A convivência é importante! Que convivência? A convivência de tomar um tereré, gente, comer uma pipoca juntos; não é convivência de fazer um.
. . não.
É de sentar junto mesmo porque, sabe, são as demandas humanas. As demandas humanas, convivência, capacidade de estar junto. Então, eu fiquei até feliz porque, em vez de pedirem para nós algo assim super uau, super moderno, né, super XP, eles pediram para nós aquilo que é humano, que a ambiência da igreja tem esses traços do respeito, de um tratar.
. . eles como se fôssemos bestas, da acolhida e da convivência, tá?
A convivência! Essa é a ambiência, aquele sonho encontrar na igreja. Vocês percebam aqui que não há nenhum problema de fé no sentido assim: a fé católica é ruim, é boa, mas as relações católicas, né?
Isso deve ser em todos os lugares. Mas isso é importante para nós. Depois, os pecados dos nossos ambientes eclesiais.
Olha lá! Antes disso, vocês vejam que eu selecionei, fui lá, pincei na "Cristo Viviti", o parágrafo certinho para falar que a igreja está em sintonia com isso, né? Porque fala: "Olha, criar lar é criar família, é aprender a sentir-se unido aos.
. . " Outros, sem olhar a vínculos utilitaristas ou funcionais, unidos de modo a sentir a vida um pouco mais humana, é criar, lá, a segunda.
Olha os pecados: primeiro deles, todas, todas as teses tinham essa demanda; todas, todas vocês mandaram para nós. A ausência da alegria, a ausência da alegria. Realmente, nós somos um povo muito sério, né, e pesado.
Aqui tem a dinâmica do dever também; o dever impõe uma dinâmica pesada, né? A convicção, ela desenrola, desenrola outros processos, mas é duro você ouvir isso, né? A ausência da alegria é um contra; é o nosso maior contra-testemunho.
E o Papa Francisco fala: "Quando falta alegria, o evangelho não passa. " Ou seja, pode ter a mensagem mais linda, se você não tem brilho nos olhos. Gente, que fica isso?
Se os seus olhos não brilham de amor ao evangelho, o que que fica? Segundo, a falta de vontade, de convicção, a desmotivação, né? Ou seja, apareceu: olha o que, qual que é a estrutura.
Quando um jovem vem falar para nós alguma coisa, tudo para nós é difícil. Tudo é difícil: "não dá, não, o padre não vai liberar, não, isso não vai acontecer, não, isso vai gerar bagunça". Mas a gente tem que admitir: o que que é preguiça?
Nossa, também. A desmotivação, também nossa. O encanto nosso apareceu isso porque eles vêm.
Não é só uma questão da gente não ser divertido; é de não transmitir convicção. Olha que desafio! [Música] Eu fiquei assim impressionado com isso, com um raio X que vem geral, tá?
Alguém pode dizer assim: "Padre Marcelo, mas ninguém acompanha o entusiasmo juvenil, né? Ninguém dá conta de acompanhar aquele entusiasmo juvenil. " Dá dor de cabeça, é, mas a gente também precisa ter, do outro lado, perceber quem é capaz de caminhar junto com o entusiasmo juvenil.
Terceiro, esse daqui: julgamentos e fofocas, não só dos adultos com os jovens. É porque quando a gente abandona os jovens a eles mesmos, eles criam panelinhas, dificuldades. Eles não têm, como foi falado, o adulto maduro que sabe mediar os problemas.
Às vezes, isso deu para perceber: abandonar os jovens a eles mesmos também não é positivo, porque aquele grupo que deveria ser um grupo, sim, que favorecesse o crescimento, quando estão entre eles mesmos, eles não têm recurso humano para lidar com todos os problemas que aparecem nos grupos, nas atividades. Então, aquilo que seria positivo se transforma num problema. Então, eles falaram: "É, a gente não sabe lidar com todas essas divisões, fofocas, papa, pai etc.
" E eles não têm nem a defesa humana que nós temos, dos adultos, para se proteger disso, né? Quarto, a questão da falta do diálogo, né? E falta do diálogo no sentido de dar espaço para conversar mesmo.
A gente gosta muito de formar os outros; a gente não gosta de conversar com os outros. Você veja que tudo que a gente gosta de fazer é ter alguém dando aulinha para nós, né? Como se o evangelho fosse dar aula, né?
Gente, não só, né? Então, esses elementos aqui são os elementos que vieram para caracterizar um pouco essa ambiência. Você sabe; é normal eles nos criticarem.
Não é que pai que não passa por isso, né? Mas é também interessante perceber essa dinâmica do encontro de mundos, desses dois mundos, né? Juvenil e nós, adolescente, juventude.
Sobretudo, que nós tenhamos, assim, eu gostaria que vocês frisassem isso: a questão da convicção versus obrigação. Porque o fato da gente reforçar muito o dever [Música] produz falta de alegria e leveza. O dever não gera atração; pode gerar para alguns, que são os mais rígidos, mas ser rígido demais também não é um fator de saúde, né?
E se a gente vai nessa linha, nós vamos ficar só com os rígidos. Os flexíveis e mais saudáveis, rapam tudo fora! Ou eu tô louco?
[Música] Por quê? Porque a gente pode inverter isso; não pode ser uma regra para nós, um jovem. A gente fica contente que um jovem diga assim: "Não, é bela participar da igreja, é pesado, é cansativo.
" Não, gente, não é; não é essa, não pode ser a regra. E tem coisas que a gente pode favorecer ali, em que o clima realmente seja um clima que elabore bem as coisas. Antes de avançar aqui, isso é o que chamo de ambiência juvenil que veio das nossas comunidades.
Tá, a ambiência já vendeu. Agora, nós vamos avançar para os chamados ambientes vocacionais, porque dentro da ambiência, a gente vai perceber os ambientes vocacionais. Eu vou sentar um pouco agora porque minhas pernas estão um pouquinho.
. . Tá valendo, pessoal.
Aqui tem uma diversidade muito grande; eu vou até dar mais tempo para a gente conversar sobre essa diversidade. Quanto mais eu escuto as dioceses, as congregações, mais eu fico receoso, no sentido de dar fórmulas prontas, porque realmente não tem. Mas há circunstâncias que favorecem ou não favorecem.
Mas eu gostaria de destacar duas coisas para que nós refletimos sobre o modo como a gente organiza a vida vocacional das nossas dioceses e com congregações. Talvez eu possa contribuir um pouquinho aqui pelo que eu percebo. Daquilo que veio a nossa atividade de promoção de animação vocacional, precisa ser pensada.
Eu falava isso para o pessoal de Jacarezinho esses dias: a gente quase que constrói uma planta baixa do nosso edifício aqui, para que a gente tenha saúde vocacional. Essa planta baixa tem que ter dois, pelo menos, duas áreas: as chamadas áreas do despertar e as áreas do acompanhamento. Áreas do despertar e do acompanhamento, porque o despertar vocacional faz parte de um fenômeno humano que acompanha o desenvolvimento da pessoa.
Se você olha, no geral, esse despertar que começa ali pelos 14, 15 anos é um fenômeno importantíssimo que a gente não pode desconsiderar. O que acontece, às vezes, é que a gente não gosta de trabalhar com gente mais nova e a gente fala. .
. Vou receber só gente pronta para fazer acompanhamento, porque esse é um grupo que já está, não faz parte da dinâmica intrínseca de uma pessoa se abrir ao mundo e às possibilidades, né? Entrar na dinâmica dos grandes ideais, de se espelhar em alguém.
E daí a gente espera, lá na frente, assim, esse fogo continuar; a gente dá conta lá na frente, tá bom? Fica esperando fogo, e eu vejo gente chorando demais, mas que não trabalha o despertar vocacional. Gente, pelo amor de Deus!
O despertar vocacional acontece! Deus é incrível, porque Ele usa das coisas mais simples possíveis, mais simples e objetivas. E quando eles são perguntados a respeito do despertar vocacional, veja, nenhum número de coisas.
Despertar aqui significa provocação, né? As atividades que geram provocação. Olha no grupo dos coroinhas, por exemplo: um deles, a provocação vem pela missa, uma visita casa de formação, os encontros, retiros, missões vocacionais, o convite pessoal — opa, desculpa — o convite pessoal, a presença, a proximidade do consagrado, do padre, o testemunho vocacional.
A gente tem um leque enorme de coisas que podem ser provocativas e que geram um despertar, geram interesse. Ninguém precisa inventar a roda aqui; a gente precisa saber que existe uma etapa onde a ebulição da provocação vocacional é importante. É uma fase que eu trabalho muito, então eu vejo isso diariamente, né?
A provocação vocacional não precisa inventar a roda aqui, mas precisa saber que, no ciclo do desenvolvimento das nossas atividades, a gente pode valorizar esse tempo, esse interstício, para investir em atividades de despertar e de descoberta. Investir em atividades de despertar e descoberta. E já disse, Dom Sérgio, que essas atividades de despertar e descoberta, junto misturadas com a ebulição da juventude, efervescência, você vai lançar muitos terrenos.
E não tem problema investir tempo em lançar muitos terrenos, não tem problema. Aqui nós não podemos ser funcionalistas, né? Utilitários, pegar coisa pronta.
Só vou investir em quem tá segundo. Não! O tempo da descoberta serve para isso.
Ou seja, na medida em que a gente diminui a capacidade das comunidades oportunizarem a descoberta, o que vai acontecer? Sem oportunidades, não há descoberta. Agora, você imagina como é possível.
Pensa na formação da cosmovisão, da visão de mundo de um jovem. Quem que está influenciando ali? Tem TV, tem WhatsApp, tem isso, tem aquilo, tem aquilo, tem aquilo.
. . Se a gente não oferecer uma oportunidade, como que ele, por conta própria, vai se abrir à possibilidade?
Alguém me explica como que essa conta fecha? Se nossas comunidades, nossas casas, não oferecem oportunidade no tempo provocativo da adolescência em direção à juventude, se isso vai render lá na frente? Isso é um outro problema, onde que, por conta própria, ele vai realmente se abrir a isso?
Então, aqui é um problema, é um desafio para nós que eu queria pontuar. Falei isso aos bispos, né? E eu volto a dizer aqui: não desconsiderem os tempos da descoberta.
Quando a gente começa a trabalhar com jovens, eu sei que grande parte das casas tem propedêutico. [Música] Tá bom, não tem problema isso, mas, em torno das nossas casas, existem processos de acompanhamento. Mas isso não impede que a gente abra processos de descoberta, porque senão a gente perde o contato, a proximidade com uma geração, com um momento de ebulição da vocação.
Quem vai sobrar ali? Isso é um problema posterior. Esse ano vocacional é bonito por isso, né?
Porque a gente faz uma série de iniciativas que geram descoberta e gera interesse. Duvido qual diocese que não teve, não achou divertido ou congregação esse ano, porque gera iniciativas de descoberta. É bom, é importante.
Então, olha, no quadro regional, por exemplo, a gente percebe que existe uma migração das vocações para o grupo dos coroinhas, tanto para a vida masculina quanto feminina, mas a idade deles não chega aos 18; é um pouco antes. Eu preciso realmente fazer acompanhamento vocacional, aquele próximo para ingresso nas nossas casas. Ali não, mas eu preciso ter iniciativas de descoberta, sim!
Senão, a gente se ferra e fica chorando, ainda que não tenha vocações, etc. Processos de descoberta, a Igreja trabalhou com isso sempre, semeou. Depois, vocês vejam tudo que eles apresentaram aqui como possibilidades de descoberta.
As atividades de acompanhamento vocacional também são importantes, necessárias! Já foi dito muito bem aqui: olha, cresceu, inclusive, orientação espiritual vocacional com alguém da localidade, padre, religioso, liderança, os itinerários para acompanhamento nos seminários, nas casas de formação. Eles reconhecem que isso é importante, e eu gostaria que a gente pensasse que há como pensar duas modalidades aqui: tem o chamado acompanhamento remoto, do tempo do conhecer, e o próximo, que é o tempo do discernimento.
O tempo do discernimento, eu penso a partir daquilo que eu conheci. Que é preciso equilibrar as duas atividades. É preciso ter, numa balança, as duas modalidades, independente se o nosso processo de acompanhamento já é mais próximo da juventude, em quantidade, chegando aos 20 e 21 em diante, que é a tendência dominante da vida religiosa, por uma série de fatores, por uma série de fatores, inclusive culturais, mudança.
. . Você pensar hoje que um jovem vai ser tirado de casa e colocado numa casa de formação, e não vai ter contato com a sua família de uma forma mensal, é gerar um grande sofrimento humano para essa pessoa, né?
Mudou, gente, mudou! Isso daí, graças a Deus. O terceiro elemento que eu quero trazer aqui, que apareceu nas entrelinhas — por isso que eu não coloquei aqui — é o encanto pelos valores que a gente crê.
Os conselhos evangélicos, por exemplo, têm uma força de atração tão grande, né? A pérola preciosa, né? O Reino de Deus é como uma pedra preciosa.
Quando a gente encontra, deixa escondido, vai lá, vende tudo, vende tudo. Se a gente tira essa força juvenil de querer doar a vida. .
. Vender tudo se a gente não apresenta os valores centrais que configuram a vida de um presbítero ou de uma religiosa, como falou a gente, fica navegando em alto referencialidade. Então, veja positivamente: primeiro, fechando, vocês percebam o seguinte: eu anotei aqui alguns cuidados pastorais que a gente pode ter para que os nossos ambientes tenham qualidade vocacional.
Primeiro, que não tem nada de novo: cuidar da qualidade relacional de quem acompanha o público infantojuvenil. Essa necessidade de ter alguém que faça o meio de campo entre o mundo adulto e o mundo juvenil é uma coisa muito saudável e não é difícil de resolver. Talvez a gente relocar um pouco o perfil do animador já vá ajudar, porque realmente são mundos conflitivos por natureza.
Só que nós sabemos nos proteger; eles ainda não sabem. Realoca um pouquinho ali para que a gente consiga lidar com os conflitos, para conseguir ter uma boa dinâmica, ali uma interação boa. É bom ter um bom adulto saudável acompanhando o próximo dos jovens; é bom ter, né, nas comunidades, cuidar das oportunidades, das iniciativas de convivência que geram pertencimento.
Isso eles pediram: iniciativas em que gerem pertencimento e convivência. Ainda mais nessa fase que tem como tarefa criar uma identidade cristã: sem pertencimento, sem encontro, sem convivência. Na verdade, o que realmente sobra, né, daquilo que a gente fala?
O que realmente sobra daquilo que a gente fala na catequese? Né, eu lembro da minha catequista, uma pessoa que eu nunca esqueci, mas pela pessoa querida que ela era, né, por aquilo que ela doou, disse que ela foi capaz de se estender para mim e para o nosso grupo. Cuidar das iniciativas de despertar aquilo que eu chamo aqui de ambientes de descoberta: congregações tenham, sim, e neste quesito, os ambientes de descoberta.
Pensar lá no decorrer do ano quais iniciativas nossas são de descoberta e quais iniciativas são de acompanhamento. Que bom, né, a gente saber ali, perceber, investir nas iniciativas de descoberta! E o quarto: por favor, cuidar das portas de entrada das nossas casas de formação.
Quais são as portas de entrada? Elas são importantíssimas. Maldade minha aqui: às vezes a gente faz o olhar piramidal, né?
Então, o seminário de teologia, filosofia e o propedêutico menor, assim, o primo pobre dessa história. Na verdade, é o inverso, porque se o processo inicial tem que ser bom para que a coisa ande bem, as casas de formação, o processo inicial é importantíssimo; ele faz o vínculo em uma série de coisas, da família, a interação com a família, interação de iniciar os processos. Aí, coloca a pessoa mais inexperiente possível; vai fazer a pessoa sofrer e não vai transmitir aquela convicção que precisa em início de processo.
Ainda mais que interage com uma série de atividades. Gente, para que serve uma casa de que é a porta de entrada, seja da formação religiosa ou diocesana, se essa casa é fechada? Usou as outras etapas, elas têm outra dinâmica; mas as portas de entrada, seminários, casas, ali têm que ser abertas, têm que oferecer oportunidades de descoberta e de acompanhamento.
Inclusive, um dos aspectos que eu não tratei aqui: o aspecto da missão e a religiosa. Inicialmente, tem uma força incrível de testemunho e de missão de transmitir. Eu vejo quando eu preparo um encontro vocacional.
Eu acredito muito mais naquilo que a convivência que os seminaristas podem fazer do que naquilo que eu posso falar, porque, gente, uma coisa é uma coisa tão linda: o fato de você ver pessoas convivendo numa casa e convivendo bem, saudável. Isso tem uma força de atração tão grande. Eu escuto os novos, eles falam: "Nossa, é tão bonito isso!
" A força de atração quando vai, alegria, o violão e tal, e tal. Veja, as coisas estão aí; não tem nada de novo, absolutamente novo. Então, as portas de entrada, eu acho muito estranho se isso aconteça, que os formadores das casas, que são portas de entrada, não estejam envolvidos no processo vocacional.
Não tem como alinhar a história porque é reproduzir essa imagem que não dá certo de que a pastoral vocacional faz eventos de descoberta, eventos, tá? E daí, depois que selecionou lá, a gente pega o que sobrou de bom. Não é assim que funciona; é um processo de interação que tem que ser construído junto com todos esses elementos que foram falados hoje.
Vocês viram o quanto que o fenômeno vocação dá o que pensar e o que trabalhar. E, enquanto a gente achar que fazer alguns eventos resolvem o problema, não resolve. É impressão, é importante, mas eles não resolvem porque a gente precisa ter um processo em que se perfaça o caminho de acompanhamento de uma vocação.
Eu digo ainda agora, termino: animadores têm um papel importantíssimo; os animadores avalizam as casas de formação. Nós, padres, religiosos, somos o tipo da [Música] [Música] raposa cuidando do galinheiro. Sabe por quê?
Porque a gente já tá dentro da instituição. Então, os pais assim, quando têm um leigo, um animador, um animador que conhece o processo e avaliza, fala: "Não, esse processo é positivo". Gente, abre portas, porque é um igual ali que conhece.
Michele, inúmeras experiências disso: quando um animador na paróquia ama a casa de formação da diocese ou da congregação, gente, concretiza uma história, avaliza uma história, encurta as dificuldades. A pessoa, hoje, a dificuldade de uma família que vê o filho indo para um seminário, por uma série de coisas, a começar pelo fato de que pode ser que aquela mãe não vire mais avó, né? Semana passada, eu queria ver o encontro com os pais dos meninos que vão entrar o ano que vem.
Faço isso porque agosto para eles é um tempo muito difícil, porque eles estão convivendo com o fato do filho sair de casa. Humanamente, isso é difícil; tem que chamar, tem que conversar. Fala: "Não, mas não é o fim do.
. . " Mundo, ele vai para casa.
Sempre dá liberdade para ele. Acompanhado da liberdade, vamos ver. Não está nada decidido até chegar ao final do ano; é outra história.
Essa sensibilidade humana de perceber que o processo pode, ele precisa ser pensado, não só feito: feito, feito, feito, feito. A gente sempre fez e vai continuar fazendo. Vai mudando as demandas; a gente muda também o perfil.
Muito obrigado.