apesar disso que a senhora acabou de dizer esse encontro de todos estão falando a mesma coisa artista plástica a escritora a dramaturga a senhora tem marcado uma posição de que a sua obra não é uma obra que deve ser colocada num compartimento de literatura que se chama literatura negra literatura Marginal alternativa esse tipo de coisa né porque isso limitaria a sua abrangência porque na sua avaliação a sua obra e a verdade é uma obra de caráter Universal portanto não se encaixaria nessa essa medida vamos dizer assim Apesar dessa preocupação identitária e tudo isso eu gostaria
de saber se esse é um movimento que é uma postura que começa a se firmar dentro da literatura afro-brasileira entre seus pais essa ideia de você olhar um pouco mais de reivindicar mais uma leitura estética sem que vai nessa palavra nenhum formalismo nenhum nada né de vazio de frieza etc mas enquanto um processo mesmo de construção artística né que tem Claro um recado ser dado gente para o Brasil mas é antes de tudo é literatura eu Suponho que isso para a senhora também se se aplique a chamada literatura feminina a literatura LGBT que é mais
enfim todas essas literaturas que são normalmente colocadas em alguns compartimentos né em que o primeiro olhar é para isso e não para a ideia de que é uma obra uma construção estética de linguagens eu acho que a literatura afro-brasileira ou literatura negra brasileira né E aí fazendo todas essas outras literaturas também né Há um campo na academia que eu acho que é extremamente válido também né porque ele joga ele lança visibilidade é um trabalho que a gente tá fazendo né é uma postura pessoal minha né e eu acredito que não é que não é a
mesma de grande parte dos escritores ou escritoras negras com os quais eu convivo né mas é de alguns né Essa de reivindicar esse local de literatura brasileira né porque me incomoda muito durante muito tempo né se fez antologia de literatura brasileira ou de poesia brasileira assim Pode os congressos e pá chamando de literatura brasileira uma literatura que era escrita majoritaria por homens brancos né não havia ali nenhum representante de uma literatura indígena ou de uma literatura LGBT ou de uma literatura negra geralmente era um homens brancos sudestinos né ali achando que eles eram o que
se chamava de literatura brasileira Então eu acho que é um campo fundamental para a gente começar a entender que a literatura brasileira ela tem que ser inclusiva né agora a minha postura nesse sentido eu acho que a gente tem que talvez caiba o artista também reivindicar o além né Eu quero reivindicar o momento em que eu possa dizer que apesar de ser uma mulher negra escrevendo isso eu acho que é extremamente importante frisar para o trabalho que eu faço né eu sou atravessada Pela Minha experiência de mulher negra num país racista né então a minha
escrita é óbvio que ela vem daí ela vem desse lugar ela quer tocar nessa ferida ela quer mexer nesse problema social brasileiro que a gente tem então Ou seja eu sou uma mulher negra escritora né e isso é fundamental né fundacional no trabalho que eu faço mas eu quero reivindicar esse local de literatura brasileira né ou de literatura de literatura em língua portuguesa enfim que seja né que eu acho que é importante a gente reivindicar também né então Ou seja é um processo que eu acho que não anula né é o nicho dentro da Academia
Brasileira na fundada principalmente por professores negros que estão lá e Ou seja é completamente válido eu entendo de onde vem eu legítimo de onde vem o que eu tô reivindicando é um além né Essa minha inscrição nesse lugar que não me coloca num determinado