Narrativas compartilhadas tem o prazer de continuar ouvindo Júlio Moura. Agora, ele falou um pouco das coisas que tem feito dentro da universidade ou RH na Uniso. Foi superimportante.
Cheguei na Uniso com 30 anos – 31 anos, 30 anos, 80, 31, 30 – foi um momento assim de uma arejada na minha vida, sempre, sabe? É uma arejada grande na minha vida compreender esse momento novo, em contato com pessoas muito experientes e, ao mesmo tempo, pessoas muito novas. Foi muito legal.
Eu lembro que, quando entrei na universidade aqui em Sorocaba, já tive aula com você de cara. Tive aula com Ana María González e foram as duas, dois grandes acontecimentos. Aqueles… e mesmo assim, porque na sua matéria, teatro, tinha que te peça, tinha que montar um roteiro, isso em grupo, em um grupo grande.
E a matéria da Maria era uma loucura, porque era aquele começo da língua portuguesa. Então, desde lá, tinha até os nós, né? Análise macro-sintática, meta, claro, novas marcas sintáticas, então, de uma maneira teórico-científica e de uma maneira prática e vivencial, aconteceu tudo.
Sabe? Então, todos os departamentos foram preenchidos e, no primeiro semestre, é um baque em uma pessoa de 30 anos que está começando um curso novo, depois que fez um monte de coisas que eu contei aqui já, né? E para pra pensar que você tem 18 anos, tem uma coisa que tem que decidir se vai ser com 30.
Porque ainda pode ser um monte de coisa. Eu até tenho a impressão de que, para o resto da vida, a gente pode ser muita coisa, né? Porque o fio condutor sempre vai ser aquela escola que o coração já fez faz tempo.
E o pensamento de novo é que eu tô saindo do curso como mesmo, sabe? Que a mesma chama assim, que. .
. mas os acontecimentos aqui foram muito importantes. Primeiro, todos os semestres, tem um sarau muito legal, onde existe uma troca, onde as pessoas estão dispostas a, assim como a gente está fazendo aqui, abrir pedaços de suas vidas, às vezes em depoimentos, às vezes declamando poemas de autoria própria ou de outra pessoa, às vezes se propondo a trabalhar junto com amigos só por uma ideia que acham legal.
E, no meu caso, além dessa coisa de se relacionar com todo mundo, todo o tempo que eu tive no curso de Letras foi um tempo de olhar pra mim, a produção, enquanto escritor, músico e compositor, assim, sabe? Porque todo semestre, além de toda a grade lá, além das aulas regulares, que são muito legais, eu tive espaço para exercitar o ato de compor, a execução das composições e a divulgação do meu trabalho, e pensar como artista. E tem um palco na faculdade onde acontece esse tipo de evento, onde as pessoas querem assistir, onde os professores incentivam, onde tem uma mesa de luz, onde tem um palco e equipamento de som, sabe?
E isso não acontece em todos os lugares. É muito importante dizer isso: que o curso de Letras da Universidade de Sorocaba tem uma efervescência que não acontece em todos os lugares, mas acontece no Conservatório de Tatuí, também acontece em São Paulo. Então, por isso que eu disse com certeza que, cada vez mais, a gente precisa se olhar como parte de um contexto nacional de produção artística, de produção intelectual e divisão do mundo.
Porque se a gente não começar a se olhar assim, seja para uma publicação científica, seja por uma peça de teatro, seja por um disco gravado, seja por um poema escrito, a gente nunca vai dar o devido valor para o que está produzindo. E tudo tem muito valor, assim, o fato de existirem pessoas a fim de assistir o que você escreveu e, depois, você sentar para assistir às aulas. É esse movimento que faz as coisas acontecerem.
E ter vivido esse movimento aqui foi o que deu continuidade para mim, com certeza, e combustível para ter certeza de que pude… e é esse trabalho que eu quero fazer. E ainda, você, professor de português, vou trazer essa visão para a sala de aula também, sabe? E você, professor de canto, porque, além de trabalhar como ator, eu trabalhei com preparação vocal e orientação musical para alguns grupos de teatro.
Trabalhei com o grupo Trança de Teatro na peça… não lembro o nome da peça, vou lembrar, mas era uma crise incrível da ideia. Daiana de Camargo, Vanessa Soares, Camila… um volume a todos sobre nós, já chama a peça linda. Assim, eu fiz a preparação vocal.
Passou um tempo e fiz a preparação vocal de uma outra companhia, que era a Companhia de Teatro Nada, que tinha de novo a Baiana de Camargo, Douglas e Milho, Fabiana e Robson Nunes. Depois, fui chamada para fazer a preparação vocal de uma peça de teatro infantil, que era "Aquilo Khan – Histórias que Minha Avó Contava", que acabou de ser aprovado pelo ProAC. Então ela tem um trabalho contínuo para esse ano de novo.
Desde 2011, venho trabalhando com teatro, já há um tempo, tudo. E tudo que eu vi no teatro eu vim aqui na Uniso. E aí, de quebra, além de ter contato com todos os professores e todos os alunos, eu encontrei dois Robertos: você, que trouxe essa vivência que possibilitou esse espaço e incentivou isso o tempo todo, e o Roberto Gill Camargo, que me deu a honra de iluminar o show de lançamento do meu primeiro trabalho solo no teatro do SESC Sorocaba.
Então, assim, eu tive um dos maiores nomes da iluminação cênica do país, fim, como professor e como iluminador do meu primeiro show solo. Fim. Então, são coisas que não cabem dentro de um curso, assim, é muito maior.
É para a vida, né? É muito legal. Acho que é isso.
É ótimo! Muito bom! Uma delícia ter você.
Mas que ela sente agora pra finalizar alguma coisa que se queira dizer ainda aí. Chouto e você sente à vontade. Qual a deixar?
Bom, é tanto. Meu último trabalho é também meu primeiro trabalho solo, como o meu TCC no curso de Letras. Estão voltados, de alguma maneira, para a voz do negro na literatura brasileira; quase negro na literatura, pois é.
Sabe, eu encerro meu TCC fazendo uma analogia e trazendo a referência da voz do negro na literatura desde Lima Barreto, de Lima Barreto, até Carolina de Jesus, que é "Diário de uma Favelada". Ainda Carolina de Jesus, eu faço um outro paralelo com os Racionais, início que entra para a lista da Unicamp, que tem a publicação do disco "Sobrevivendo no Inferno" como o livro. E a importância, pra mim, de estudar Letras, de ser um estudante da língua portuguesa, da literatura e das expressões artísticas relacionadas à língua, é enxergar também como mais um personagem negro na história do Brasil que se coloca como uma pessoa centrada.
Eu acho que talvez essa seja a maior conquista, que não está completa, porque é pro resto da vida. Mas isso é muito importante e estou muito feliz em estar concluindo isso com meu TCC dessa maneira, em ter ficado feliz com o terceiro da maneira como ele ficou, com a orientação da Denise New Indenize, que virou uma grande amiga com certeza, e é uma grande professora, foi uma grande coordenadora pra mim, foi uma orientadora muito especial. Já lembro da El Chelsea, não desculpa, da Intel, que assim também foi minha professora, mas a ITF Intel que foi orientadora na Cásper Líbero, e André dos Guimarães, que foi orientadora da minha conclusão de curso no Conservatório de Tatuí.
No Conservatório, a gente faz um recital de conclusão de curso, e agora tenho que entrar no mestrado, não é? Também, pois é, porque não, né? Você quer.
Então, esses encontros acadêmicos, esses encontros artísticos, esses encontros de corredores, eles têm todos o mesmo valor. No fim das contas, a gente sempre carrega para o nosso trabalho uma conversa de café no corredor, assim, sabe? Eu acho que isso é a coisa mais viva que tá de lugares como a Uniso e da vivência que tive em lugares como antes.
Hoje é você, que é criar uma coisa também. Alguma coisa, o que mais motiva nesse momento viver aqui e o conteúdo, por exemplo, o dia de algumas produções de dança, toda de criar um exemplo é o Tinga Tinga. Bastante força para esta conclusão, tem algum significado que são muito pessoais pra eu preferir não colocar.
O rapaz assim, os laços que a vida proporciona de amigos definitivamente são. O Júlio, eu queria agradecer muito carinho seu em todos os momentos. Nas primeiras, qualquer coisa, você sempre me ajudou muito nas semanas em Letras.
Ao apresentar sintomas como trazendo colega seu, Neto de Mandela, esteve nesse palco. Vai ser só você, que fosse amigos e próximos dos seus maravilhosos aqui que projetaram trabalho também. E você, na sala de aula, também sempre motivador.
Você é sempre motivando as pessoas, esse é o grande exemplo para todos nós. A minha gratidão tarde recebendo é você e continue curtindo tantas coisas boas que estão por perto e que vale a pena que estejamos juntos. A narrativa com narrativas compartilhadas agradece a presença do Júlio e agradece também a vocês.
Até o próximo encontro.