Ó, e aqui nós vamos começar a falar de teoria nova. É que eu uso falar para vocês que vamos trazer duas teorias novas que vocês ainda não viram em lugar nenhum. Essa criação minha, né, que já é utilizada aqui pelo Centro de Mediadores nos processos de supervisão.
Os alunos que passam pela gente já sabem como funciona essa teoria. Então, tudo isso que eu falei para vocês é para que vocês entendam duas coisas. Essa primeira teoria foca na questão dos sentimentos e das emoções, e a segunda teoria trata da comunicação, que são os dois problemas principais de todo mediador em uma mediação, em uma sessão, em audiência.
Então, tudo que eu falei para vocês, se nós pudéssemos exemplificar, se nós pudéssemos colocar em uma linha do tempo, para que vocês pudessem perceber tudo que eu estou falando desde a primeira aula até aqui, se pudesse, isso tudo poderia estar em uma teoria, em um resumo, em uma estrutura. Seria mais ou menos assim: vem comigo, próximo slide. E com essa, é a nossa teoria Tríade do Tempo na Mediação.
Eu vou explicar lá, passo a passo, para que vocês entendam. Então, temos aqui o passado, o presente e o futuro, os três tempos. A pessoa que fica excessivamente no presente sofre de estresse; a que permanece excessivamente no passado sofre de depressão; e a pessoa que fica excessivamente no futuro sofre de ansiedade.
Ok? Então temos a nossa linha do tempo: presente, passado e futuro. Quando a pessoa está no passado, quais são as emoções, quais são as percepções, quais são os sentimentos que ela tem?
Imagine você algo que te cause um desconforto muito grande, algo que te cause um desequilíbrio emocional. Como você se sente? Alguém te contrariou?
Como se você tem a ira, a dor, a raiva, a mágoa, o sofrimento, a falta de perdão. Ou seja, você está alicerçado no passado, nas coisas ruins, e você fica ruminando o que de ruim aconteceu com você. Então, você está ali alimentando raiva, você está alimentando o desconforto, você está alimentando a falta de empatia, você está ali alimentando o julgamento: "Ele podia ter feito isso, eu não podia", ou seja, você fica se chicoteando emocionalmente.
Então, esses são os elementos negativos, que são os sentimentos negativos. Existe uma teoria da dualidade do ser humano: sombra e luz. Ou seja, nós temos as nossas qualidades, que ficam evidenciadas por ternura, urbanidade, cordialidade e entrega.
Existe o nosso lado sombra, ou seja, aqueles sentimentos ruins que são normais, mas a gente não fala. Sente raiva, rancor, chateação, decepção, frustração; são elementos normais do ser humano, só que a gente não fala porque não fica bonitinho, não dá para vender. Não é todo mundo que tem a imagem de "olha, eu sou lindo, eu sou maravilhoso, eu sou fraterno, eu consigo me conectar com as pessoas" e tenta abafar o seu lado sombra.
E, para que nós possamos ter um equilíbrio, o livro de Deepak Chopra, que é "O Efeito Sombra", ele diz justamente isso: você tem que equilibrar o teu lado luz, reconhecer o teu lado sombra, e que em algum momento ele vai ser necessário para que você tenha impulso, para que você consiga ter a força suficiente em uma determinada atitude, em uma determinada decisão. Então, você tem o lado luz e sombra. Como equilibrar?
Se você foca somente no lado luz, você abafa aquilo que você tem de ruim, e quando você abafa, você fica somente no passado, você não consegue ver outra situação. Invariavelmente, aquilo que você esconde vem à tona, e quando vem à tona, vem carregado de tudo isso: ira, dor, raiva, frustração, etc. Então, buscamos o equilíbrio.
Saiba o que você tem de melhor, mas saiba também que existe algo ruim dentro de você. Reconheça a sua sombra, saiba qual ela é, para que você não fique ancorado somente no passado. Então, quais seriam as teorias?
São os autores que falam de sentimentos ruins, a sombra do ser humano, que faz com que nós fiquemos única e exclusivamente no passado. E aqui eu trago um almoço para vocês: Augusto Cury disse que as pessoas que ficam alicerçadas, ancoradas no passado, esses sentimentos ficam alojados no que ele chama de "janelas Killer", que é o que Webraton fala de "Corpo das Dores", que é o que Tony Robbins fala de "Valores Segregadores", e que na psicologia positiva, Mihaly Csikszentmihalyi fala sobre a balança afetiva das emoções negativas. Então, essa parte do ancoramento emocional no passado, dito de outra forma, é aquela pessoa que não consegue se divorciar dessas emoções, não consegue reconhecer que essas emoções existem e prefere ficar "tá combinado, combinado, combinado, combinado".
Os autores que embasam essa teoria são esses. Dito de outra forma, mas na essência é isso: janelas Killer, corpo das dores, valores segregadores e também as emoções negativas. Então, se uma parte está no passado, onde você me ajuda?
Está onde? Em tese, como facilitador dessa comunicação, no presente. Ok?
Põe o raciocínio: você está no presente. Então, qual é o seu papel? Não é conduzir o procedimento de comunicação entre as partes?
Fazer com que as partes consigam perceber de forma clara, cada um dentro do seu plano, cada um dentro do seu universo? E você tem que respeitar. É isso, não é?
Então, percebo que as partes estão aonde? No passado. Você, mediador, está aqui no presente, nesse exato momento.
Então, quais são, dentre as ferramentas da mediação que você pode utilizar? Qual é o seu arsenal neste momento para fazer com que você faça com que a parte que se perceba que está só no passado? E aí nós temos perguntas que são focadas na identificação das questões.
E depois, você tem perguntas que podem. . .
Ser direcionadas os interesses. Mas essas perguntas podem ser embasadas com que ferramentas? Com quais ferramentas você pode utilizar para que você possa conseguir esse resultado?
E aí, nós temos que as perguntas voltadas para a identificação de questões. Você pode utilizar a normalização do conflito como algo natural ao ser humano. E aí eu vou trazer uma teoria bem interessante da terceira escola vienense de psicoterapia de Viktor Frankl mais na frente, quando a gente falar das competências autocompositivas do mediador.
Audição de propostas implícitas: como você vai ouvir essas propostas que foram feitas de forma implícita se você não está presente, se você não está percebendo o movimento que está acontecendo ali na sessão? Existe organização das questões de tudo que as partes estão falando; você consegue fazer a sua agenda. Quais são os pontos que você vai ter que enfrentar naquela sessão?
Então, a organização dessas questões é relevante, e as próprias sessões individuais. Muitas vezes, as partes não se sentem confortáveis de falar ali na frente da outra. Então, nas sessões individuais, muito do que pode ser coletado e explorado são identificados nas ações individuais.
Algumas das ferramentas que podem auxiliar vocês a identificar essas questões são: normalização, audição de propostas, ciclistas, organização das questões e as ações individuais. Só que essas perguntas direcionadas às questões, você, mediador, ainda está muito próximo ao passado da parte; você ainda está buscando entender o conflito. Então, nessa busca de entender o conflito, a questão principal, aquilo que está vindo logo de cara, aquilo que está sendo dito, é muito reflexo de onde a parte ainda se encontra no passado, com a visão no passado.
Então, sabe aquele momento que eu falei para vocês do descarrego emocional? Da descarga emocional que a parte quer dar, deixa para falar? E não quer.
Ela vai falando, você vai percebendo o que é relevante e o que não é, o que é importante ou não é. Então, perguntas que são direcionadas para os interesses: quais seriam as técnicas, quais seriam as ferramentas da mediação que vocês podem utilizar para identificação, para esse mapeamento de interesses? São elas: recontextualização ou o reenquadramento, um afago, que são os reforços positivos; o silêncio, que é uma arma poderosa e você só consegue obter o silêncio se você conseguir fazer uma pergunta assertiva e poderosa que faça com que a parte pare, reflita e comece a pensar sobre outras formas, outras alternativas, outros sentimentos e ter outras percepções; troca de papéis, que é uma ferramenta importante; geração de opções criativas; teste de realidade; foco prospectivo; escuta ativa.
E eu percebi uma coisa. É desse presente. Vocês percebem que existe uma parte que está próxima ao passado, existe uma outra parte que está próxima ao futuro?
Essa parte que está próxima ao passado são as perguntas direcionadas às questões; você está buscando entender o conflito. Quando você avança mais um pouco nessa investigação, nesse mapeamento, e começa a adentrar nos interesses, você começa a se aproximar do futuro, do que a gente sempre fala, do foco prospectivo, daquilo que as partes querem ver como uma visão melhor, uma visão mais positiva do conflito. Então, quando você faz essas perguntas direcionadas aos interesses, você consegue levar essas pessoas para o futuro.
Mas há grandes ó. . .
e aqui vem o pulo do gato da teoria. Para conseguir sair do passado, passar pelo presente e chegar ao futuro, existe uma ferramenta importantíssima chamada validação de sentimentos. Se você conseguir entender que a parte está alicerçada no passado com todas essas emoções negativas e, portanto, o conflito para ela é negativo, a forma de pensar dela é negativa, e você conseguir fazer um mapeamento das questões, utilizando essas ferramentas, avançando para os interesses e depois que você descobrir o real panorama do conflito, validar os sentimentos da parte, você consegue o processo da ressignificação e levá-la para o futuro.
Onde que a gente fala: "ah, o foco é positivo, o foco é prospectivo"? Sim! E aí, nesse futuro, o que você tem?
Um estado de beleza interior, alegria, paz, tranquilidade, harmonia. . .
e os mesmos autores que foram utilizados para ali expressar esses sentimentos, essas emoções no passado, no aspecto negativo, possuem o outro lado, o lado positivo. Então, temos no futuro, Augusto Cury chama de "janelas light"; Eckhart Tolle fala do "senso de presença"; o que eu falo para vocês que, agora, nesse exato momento, Tony Robbins apresenta valores que agregam valores; a psicologia positiva do Mihaly Csíkszentmihályi fala de "balança afetiva", da "síndrome positiva". Então, vocês conseguem entender que tudo isso aqui é o que acontece numa sessão de mediação sob a perspectiva emocional das partes.
Elas estão em momentos distintos, todos estão em momentos distintos. Um mediador está no presente, mas olhando para o futuro, enquanto a parte está alicerçada no passado. E o que você vai fazer?
Ficar parada como uma estátua e dizer: "Ei, olha para o futuro! " sem empatia, sem conexão, sem validação de sentimentos? Quando conseguimos perceber e colocar de forma sedimentada essa linha do tempo das emoções, conseguimos perceber que muitas das vezes o que todo mundo quer, o acordo, não é conseguido porque nós não conseguimos fazer essa validação, esse entendimento de que cada ator, a resolução desse conflito, cada elemento, cada personagem se encontra em momentos distintos, emocionalmente falando.
E o seu papel é chegar ao futuro, fazer com que a parte comece a perceber o conflito como algo positivo, para que a sua mentalidade, se antes era negativa, se torne positiva. E isso é possível. Nós iremos conseguir se o mediador tiver essa sensibilidade.
Aqui, coloquei inclusive as ferramentas que vocês podem utilizar para essa identificação das questões e para identificação dos interesses. Ok? Para explicar de outra forma, para que vocês possam entender, aqui eu vou utilizar um.
. . Pouco dos conhecimentos de constelação para vocês.
Então, quero que vocês imaginem. Geralmente, eu faço isso com os alunos, mas como não temos alunos aqui, eu vou tentar utilizar essa conservação para vocês. Então, quero que vocês imaginem o seguinte: aqui temos o anjinho, que eu vou colocar como nosso mediador, e ele estará aqui no presente, ok?
Tá aqui. Aqui nós temos o futuro; eu coloquei "vejo" para demonstrar a esperança. E aqui está o papelzinho do futuro.
Então, temos o presente, o mediador, que coloquei como um anjo, um ser de luz, o futuro e, aqui, temos o passado, a pessoa alicerçada no passado. Ok? Então, temos aqui o indivíduo nesses três tempos.
O que eu quero que vocês percebam, utilizando a mesma teoria, é que eu vou tentar exemplificar tudo que foi dito aqui para vocês. Existem três tempos: o presente, o passado e o futuro. Ok?
E aqui está o indivíduo, que pode caminhar. Eu quero que vocês percebam o seguinte: o mediador está aqui no presente, certo? Só que qual é o foco dele?
Toda vez a gente diz: o foco é para o futuro. Então, é como se visse, no meio-dia, alguém tivesse que olhar para cá, no primeiro momento. Olhando para o futuro, se colocou o bonequinho para cá; esse é o nosso serzinho de luz, a nossa parte.
E, no processo, significa que está com o olhar voltado para o passado. Então, eu vou girá-lo para cá porque ele está olhando para trás e não consegue chegar à frente. O mediador está olhando para frente e o futuro, olhando para frente.
Então, perceba: por enquanto, essa conjuntura aqui, o mediador no presente, mas olhando para o futuro; o futuro, olhando para o futuro; e a parte, olhando para o passado. Como é que você vai conseguir validar sentimentos com uma configuração dessa? Como é que você vai conseguir identificar questões, interesses, se o mediador sequer está olhando para a parte que está no passado?
Então, o que a grande maioria das pessoas faz é: o mediador está aqui para o futuro, e a parte tem que perceber, analisar, filtrar as informações. Aí, o mediador está aqui parado, sem nenhum tipo de empatia: "Eu tô aqui, tipo Fred da seleção. Tô aqui parado, vem, ó, você parte, você tem que vir aqui para o presente.
" O foco é prospectivo e você não faz nenhum tipo de esforço para que a parte saia do passado, comece a mudar a sua percepção, comece a entender os sentimentos que tem, e você não faz nenhum esforço. E aqui a parte sozinha: "Venha, saia do seu passado, internalize o presente para poder enxergar o futuro. " Veja o tanto de passo que a parte, alicerçada no passado, tem que fazer.
Vou pegar o mesmo bonequinho, ela tem que. . .
Vou deixar aqui só para facilitar a visualização. Ela tem que virar para se perceber, entender o que está sentindo, sair da sua zona dolorida, do seu campo das dores, caminhar em direção ao presente e, do presente, ter força suficiente para encontrar o futuro. E o mediador está parado.
O que eu gostaria que vocês percebessem e internalizassem é o seguinte: se você sabe que a sua parte está alicerçada no passado, esse é o agente facilitador da comunicação. Quem possui as técnicas, quem possui as ferramentas, que não seja imparcial, que possui todo o conhecimento de todos esses elementos, que tem essa sensibilidade, percepção para poder fazer essa mudança de percepção e de visão de si mesmo, tudo isso com vistas a restaurar a comunicação. O mediador, então, como o Sininho de luz, não tem que estar voltado para o futuro; ele tem que estar aqui no presente.
Certo? E, estando no presente, ele tem que ver o que é um processo empático. Como é que você vai se conectar com uma pessoa se você estava anteriormente de costas para ela?
Se você estava assim, qual é o nível de comunicação? Qual o nível de empatia? De que forma você virou o outro de uma forma respeitosa se você sequer se dá ao luxo de observar, de perceber, de sentir, de se conectar com ele?
Então, o mediador faz, o que eu chamo, de uma caminhada empática. Ele começa a tentar entender aquilo que a parte está sentindo, ou seja, ele dá alguns passos em busca da parte. Entender o sentido da parte, o motivo pelo qual a parte está ali, qual é o sentido, quais são as suas dores, quais são essas questões.
Lembre-se: é normal você sentir tudo isso, são conflitos, dói. Perceba sua frustração, isso descendo. Perceba sua frustração; perceba sua mágoa.
Eu sei o quanto isso te causou um certo sabor, mas eu quero que você possa receber. E aqui, vai mudando a posição do mediador: "Eu estou aqui com você. Eu não estou aqui para te julgar, eu não estou aqui para dizer se está certo ou se está errado.
Mas eu estou dizendo: eu consigo te enxergar, eu consigo te ver. E, por conseguir te ver, eu sei que muitas coisas nós podemos fazer. Só que eu estou aqui para te oferecer um ombro amigo, eu estou aqui para, de alguma forma, tentar te ajudar nesse seu conflito.
Eu não posso resolver por você, eu não posso tomar a decisão por você. O meu papel aqui é trazer outras alternativas, é talvez dizer para você que existe uma outra saída. Essa saída, essa alternativa, está dentro de você.
Eu vou simplesmente olhar para você e te perceber. " E aí, a parte que estava alicerçada pelo passado começa a sentir confiança no seu trabalho; ela começa a dizer: "Nossa, esse cara, essa mulher, esse mediador, ele consegue entender as minhas dores, ele consegue alcançar o meu castelo de princípios, de crenças e de valores. " E, com isso, o mediador começa a fazer o que eu chamo de uma caminhada empática.
E aí, se você já identificou quais são as questões que estão por trás, você começa a fazer afagos, entendendo de fato quais são os interesses que são mais profundos e, muitas vezes, não são ditos. Você está aqui como um anjo da guarda, acompanhando a sua parte, e aí você vai caminhando, você vai conduzindo. Lembra: mediador como condutor do processo de comunicação.
Você vai conduzindo, e as partes começam, aí, para onde? O presente. Indo para o presente, ele consegue ter uma percepção melhor do conflito.
As alternativas começam a surgir, as opções começam a aparecer, e aquilo que era tão dolorido, tão negativo, ele começa a enxergar uma possibilidade diferente. O futuro, que parecia tão distante, já começa a sorrir para ele, e ele já vê com bons olhos como possível o futuro, como algo palpável, como algo que pode acontecer de fato na vida dele. E o mediador vai conduzindo a parte para esse futuro indeterminado.
No momento em que a parte já consegue alcançar o futuro, o mediador volta para sua posição, e a parte, empoderada, tendo autonomia da sua vontade, sabendo exatamente o que quer, consegue alcançar esse futuro. E, claro, para vocês perceberem que esse trabalho, em um determinado momento, o mediador, ele sim, volta algumas casinhas, né, até chegar à parte. Ele a conduz até um determinado momento, fica e solta para que a parte possa tomar sua decisão com vista ao futuro.
Então, veja: o trabalho do mediador é algo muito mais denso, muito mais intenso. Não é simplesmente dizer para a parte: “Vai para o futuro. ” E essa caminhada, esse olhar, o se virar para a parte, ter essa empatia, essa escuta ativa, este lado presente, faz toda a diferença.
A parte se sente confiante, se sente no porto seguro e pensa: "Poxa, eu posso realmente dizer o que eu sinto. " Não é à toa que a mediação é regida pela confidencialidade. Ou será que vocês não tinham percebido por que seria confidencial?
Pelas matérias que são ali tratadas, pelas emoções que são ali postas. Percebam: são comunicações suas. Você é um agente facilitador de comunicação.
Você necessariamente tem que passar por onde? Pelos sentimentos. Você tem que passar pelas emoções.
E como você vai fazer isso se você não escuta, se você não é empático? Então, essa teoria — e aí eu tentei utilizar um pouco dos bonequinhos de constelação — é justamente para fazer com que você perceba o quanto não é simplesmente a parte que não quer perceber o futuro. A parte não quer enxergar o futuro?
Talvez não seja isso. Talvez o que esteja faltando é um pouquinho de empatia para que ela, as sensações, para que as emoções, aquelas percepções negativas que a parte está tendo… Então, se você não tiver essa empatia, se você não tiver, eu não sei, a parte a conduzi-la para que ela possa olhar de uma forma re-significada para o seu conflito, de nada adianta. E talvez você não tenha, depois de ter reestruturado a comunicação, chegado a um acordo.
Que, talvez, só precisa de um pouquinho só de sensibilidade, um pouquinho só de percepção. Ok, ficou claro? Gente, vocês têm alguma dúvida?
Então, coloque aí nos comentários. É uma teoria que não tem nem um livro de mediação; é uma criação nossa, fruto das experiências de tudo aquilo que acontece dentro de uma sessão de mediação. E eu volto a falar para vocês: observe, amplie os horizontes de vocês, amplie a percepção de vocês.
Vocês virão crescer muito se começarem a observar, sem julgamento. Observe, sinta, perceba, veja o que é dito e o que não está sendo dito. Se conecte com as pessoas; isso vai fazer uma diferença fundamental na sua vida.
Então, não seja simplesmente uma pessoa que diga: “Ei, vem cá, o foco é o futuro. ” Se uma parte está aqui, alicerçada no passado, ela está pouco se importando com o futuro. Ela não quer saber qual é o futuro porque ela está dizendo: “Fala para mim, me perceba, me veja.
Será que você está me vendo? Será que, de alguma forma, tudo aquilo que estou falando para você é relevante ou não? Será que você só está preocupado com o seu tempo?
Aí, estou preocupado que, daqui a pouco, tem outra audiência; daqui a pouco, tenho que fazer isso. ” Com o que você está preocupado? Será que você realmente está no estado de aqui e agora?
Bom, então veja: isso não é algo fantasmagórico, enfim. . .
Não é algo fora do real; é algo que acontece. Só que a gente está tão preocupada em utilizar ferramentas, estamos tão preocupados em sermos técnicos por sermos técnicos que perdemos isso aqui. Oi!
E aí, quando temos um relatório para falar sobre validação de sentimentos, ocorreu ou não, ninguém sabe preencher. E o que será? E o que falar de sentimentos?
É algo ruim? Validar algo que você não sente ou não quer perceber traz desconforto. Oi!
E aí, a gente não percebe quantas pessoas sofrem e a rica oportunidade que você tem para fazer a diferença na vida de alguém. Reflita sobre isso. E aí, eu vou trazer no próximo slide para vocês uma imagem.
No próximo slide, quero que você olhe por 10 segundos para essa imagem. O que é? Vocês percebem?
É melhor que vocês estão vendo? Essa é uma caricatura, o real do filme "O Coringa" (2019). Aqui, Fênix, o protagonista ganhador do Oscar como melhor ator.
O que vocês veem? O que é? Algum incômodo para vocês?
E você fica incomodado de ver isso? O ato vamo! Isso é só o retrato de um filme sério, só que isso não tem nada a ver com a teoria.
Aqui está o texto com a pontuação devidamente corrigida: Que acabei de apresentar para vocês a trade do tempo. E olha bem, olha para a imagem. Mas será que isso tá acontecendo?
Será que isso não acontece na mesa de mediação? Será que a parte não chega, assim, alicerçada no passado, e você, mediador, simplesmente chega e isole o foco, que é para o futuro? Será que a gente não se lida com pessoas todo santo dia?
Sim, e eu te pergunto: qual é a máscara que você vai utilizar? Qual a máscara que você tem utilizado? Porque as pessoas sofrem em maior ou menor quantidade, falando ou não falando, expondo ou não expondo.
O sofrimento é uma inevitável condição humana. E será que você é digno de sofrimento? O que você tem feito com seu sofrimento?
E aí eu utilizo todas as palavras de Viktor Frankl da escola e da terceira escola de Viena, um livro dele, "O Sentido da Vida". O sentido que você está dando à sua vida, inclusive às mazelas que acontecem com a sua vida, às coisas que não deram certo. Percebo que a parte chegou assim, e ela chama assim numa sessão de mediação.
E o que você faz? Você consegue ser empático? Você fica ali, alicerçado, olhando para o futuro, dizendo: "E vem cá, meu bem, vem para frente"?
Ou você vai tentar fazer alguma coisa diferente? Ei, onde é que tá a tua empatia? Onde é que tá o seu senso de humanidade?
Onde é que tá o resgate da sua humanidade? Até quando as partes vão virar e você vai utilizar a máscara de que tá tudo bem? O foco só é para o futuro?
Será que você não consegue ter um mínimo de humanidade para as pessoas que estão ali? O mínimo de respeito com as histórias que são contadas, com os conflitos que estão sendo impostos na sua mesa? É seu papel como agente facilitador da comunicação, e comunicação é trazer luz, luz para as pessoas que não conseguem manter a humanidade diante de um conflito.
E o que a fazer em relação a tudo isso? Anunciar? Isso é papel meu?
Ah, não, isso não quero fazer. Ah, não, eu só sou fomentador de acordo. Vamos deixar de ser hipócritas!
É hipocrisia saber que o outro sofre. É porque R$ 50, R$ 50 para você pode não ser nada, mas para ele pode ser a lata de leite Ninho do filho. Pode ser a tarde, pode ser tudo.
Então vamos falar de julgar? Julgar sobre as nossas percepções, sobre o nosso sistema? Nem todo mundo tem casa, né?
Nem todo mundo tem carro, nem todo mundo tem o que comer. Oi, e aí você vai julgar? É absurdo não ter fechado acordo com 50 reais?
É um absurdo para quem? Quem te deu autoridade para julgar a vida do outro? Quem te deu o bastão para você decidir a vida do outro se você não está ali?
Nós não estamos numa mesa de mediação para julgar a vida do outro, para saber se está certo ou se está errado. Estamos aqui para auxiliar, resgatar a humanidade, resgatar o diálogo, a comunicação. E será que realmente queremos fazer isso ou estamos preocupados mais com o nosso ego?
Aonde eu preciso terminar hoje? Eu preciso fazer cinco dias de acordo? Aí eu tô preocupado com sair daqui, eu vou pegar o shopping, eu vou ter que ir para o restaurante caro.
E quanto existem pessoas que estão sofrendo? E você fala simplesmente: "Olha aqui, olha para o futuro", como se fosse uma água? Se você acha que é fácil as pessoas virarem a forma de pensar, virar o seu mais de 7, sair daquele princípio das dores, do rancor, do ódio, da ira, da frustração, da decepção, e simplesmente olhar e dizer: "Agora é tudo lindo"?
Síndrome de Pollyanna não é, não é tão simples. Isso é uma caminhada, é uma jornada empática. E se você não tiver aí para Tia, você não consegue fazer nada, nada bom.
Então, vestir um pelerine, colocar aquela capinha de Batman não vai dizer se você é humano ou não. São suas ações, a forma como você conduz a sua audiência, a forma como você conduz a sua sessão, o quanto que você consegue enxergar isso. E o povo?
As pessoas estão sorrindo, mas por dentro estão dilaceradas emocionalmente. O ponto é: você tem sensibilidade para isso? O ponto é: você vai fazer da sua sessão uma experiência para essas pessoas?
E o povo de humanidade? Você tem na sua mediação? E humanidade não quer dizer: "Silvana, agora vou perder a minha parcialidade".
Não, mas é tratar as pessoas com respeito, com urbanidade, respeitar o sistema de crenças e valores das pessoas que ali estão. Nem todo mundo teve a condição que você teve para estudar, para fazer uma faculdade. Um diploma, pelo diploma, não quer dizer nada, a gente rasga papel.
Mas o que você faz? Isso com o treinamento, com o crescimento, com o conhecimento que você adquiriu, fazendo informações que você tem, isso te torna não ser humano. E é isso que a mediação e a essência querem: que você se torne gente, um ser humano regado de humanidade.
Empatia significa humanidade. Necessita, caso você não tenha entendido. Então vou tornar claro: o quanto você realmente está disposto a ajudar o outro, a servir?
Oi, será que você tá fazendo tudo isso para ganhar dinheiro, com a finalidade de ganhar dinheiro, a finalidade de ganhar é fazer acordo com a hipocrisia? E aí você muda de posição para quê? Olha para isso, essa realidade: a realidade de um mediador que se compromete e entendeu que não está sendo dito é falsa.
A gente pega pauta e vê: "Ah, a indenização por dano moral". É só isso? Uma batida de carro?
Será que é só batida de carro? Eles acham que é só isso? A questão principal é essa: ela não tem sentimento?
Será que a pessoa jurídica não tem sentimento? Será que não tem? Será que vocês são sensíveis o suficiente para não conseguir chegar a sentimento nenhum?
E sabe quem presta? Não tem honra. Não é a boa imagem de ser vista com uma boca ou uma boa pagadora.
A empresa reconhecida por seu melhor local de trabalho é a segurança dos seus protocolos. Será que nada disso importa? É da "Ok", sensível.
Na verdade, não são as partes que são essenciais. Você é, você é, você que não tem capacidade de se conectar com o outro; é você que não tem uma percepção aguçada; é você que está ali no seu castelo encantado, o seu castelo encantado achando que é tudo lindo e maravilhoso, achando que todo mundo é feliz, achando que tudo vai dar certo. Um papo só é, só é prospectivo.
E aí, como é que você faz para fazer com que as pessoas consigam enxergar o futuro? Me diz como. Bom dia, treze do tempo.
Ver praticamente para isso, para te dizer "e" e para não. É só tipo, "oi, vem cá, fulaninho, você tem que se movimentar. " Você é a gente enquanto tutor no processo de comunicação.
E você só consegue comunicar com as pessoas se você entendeu os sentimentos; validação de sentimentos e validação de sentimentos são para pessoas que sentem, seres humanos. Então, qual é o momento que você vai despertar sua humanidade? Qual é?
Vai esperar mais o que acontecer na sua vida? E o que é que está faltando? Percebe isso aqui: quantas pessoas no seu dia a dia estão assim?
E você usa a máscara da diferença? Não, porque neste momento eu não estou no pelerine, eu não estou usando pelerine, eu não estou em CEJUSC. Então, nesse momento, eu não tenho que ajudar ninguém.
Mas está lá escrito no seu Facebook, no seu Instagram, no seu LinkedIn, está lá: mediador de conflitos. Se você está, você é mediador. O teu discurso fora do tribunal é o mesmo ou não?
Se você consegue ser esse ser humano, esse agente pacificador ou não. "Vou só exercer minha função dentro do Tribunal de Justiça"? Eu sou, existe o meu papel de mediador.
Quando uma câmara privada, eu só faço. Mas eu sou o ser humano ao resgate da sua comunicação. Se eu receber alguma coisa em troca.
E aí, qual o preço te incomoda? E o quanto isso te faz tentar mudar? O quanto isso te traz de sabor e o quanto isso te motiva a ser uma pessoa melhor?
Quantas vezes, todo santo dia, uma, duas, três, milhares de pessoas passam por você assim. E as pessoas que são invisíveis? E o que você faz em relação a tudo isso?
Qual é a máscara que você utiliza? A máscara da diferença ou a máscara da superioridade? A máscara do "face", não é cômico, eu não preciso?
E a máscara da falsa empatia? Talvez uma antipatia, uma simpatia com a dor do outro? Qual a máscara que você utiliza?
E será que não está na hora de você abandonar essa máscara? Ou será que não está na hora de você fazer algo efetivamente, não só por você, mas pelo outro? E talvez, fazendo o terror, se você não está fazendo consigo mesmo.
E talvez você possa descobrir no outro a cura para as suas dores, para as suas causas emocionais, os teus dilemas de vida. Mas você não está aberto? Não.
Mas para isso não me pertence. E o quanto você está disposto a descobrir a humanidade, a resgatar a sua humanidade? Foque nessa imagem por mais 10 segundos e veja se tudo que eu falei até agora fez algum sentido para você.
E se tudo isso existe alguma congruência. O discurso é pesado, sim, mas é para fazer você refletir, porque aqui a ideia não é formar máquinas. Minha declaração de abertura é essa, as ferramentas são essas e pronto, e acabou.
E chega em um determinado momento, que já dizia Jung: "conheça todas as teorias, conheça todas as ferramentas". Mas ao se deparar com o ser humano, ou está fácil, fácil como ser humano, a estar presente, ou indo. Estou indo para ser humano, seja outro ser humano.
Não disse para você ser máquina, não disse para você ser experimento. Para ser ser humano. E para ser ser humano você tem que sentir, você tem que perceber, você tem que mostrar sua vulnerabilidade, você tem que ser empático.
Isso é característica básica de qualquer ser humano. E nós, mediadores, temos todas essas qualidades, todos esses elementos, todos esses pré-requisitos necessários para o exercício da nossa profissão. E daí, porque muita gente abandona mediação ou entra com a mediação pensando: "é a profissão do futuro, vou ganhar dinheiro".
Pode até ganhar, mas isso é secundário. Da mesma forma como o acordo, o principal é saber o que você vai fazer com as ferramentas que você tem e o que você vai fazer com tudo isso. Porque as pessoas vão vir assim: "bom, e o que você vai fazer?
" E aí, reflita sobre isso. Que tipo de profissional você quer ser? Perceba com outros olhos a tríade do tempo, receba com outros olhos isso.
E depois de tudo que eu falei para vocês, depois dessa explicação, para os bonecos utilizando a constelação, perceba se isso aqui não é algo forte, não é algo transformador. Que vocês não precisam ter um pelerine para utilizar. Vocês podem utilizar toda vez que estiverem com pessoas que estão assim.
Uma simples conversa, um simples olhar empático pode mudar cadeias e pode mudar percepções emocionais, visões equivocadas. Basta um olhar, basta a pessoa sentir confiante em você e você vai ver o quanto vai agregar à vida dessas pessoas.