As narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar ouvindo o Professor Luiz Fernando Gomes. Ele pagou contando do tempo em que ele comprou e está usando, né? O pai dele comprou para ele a caneta tinteiro e depois começou a usar nanquim também, né?
Então, agora a história é dele, continuando com você, Luiz Fernando. ISO 18000, lendário de entrada, e que de repente ele percebeu que a história dele era mais interessante do que a do Robinson Crusoé. Livros lindos, a sua também é linda essa história.
A gente sempre torna tudo interessante. Você, como um grande contador de histórias, é uma delícia! Então, vai em frente, que eu quero evitar entrar muito, porque estou percebendo quanta coisa nós temos em comum nessa trajetória quando nós estivermos por perto, né?
É isso aí, sem saber exatamente, né filho? Bom, esse canal está comentando sobre o uso do lápis, né? Nossa!
Aprender a ler, a escrever e essa tecnologia do lápis. Para nós, percebia, né, a habilidade da caneta tinteiro. E na época não existia ainda a caneta BIC.
E chega a chamada bico de ponta de tungstênio. Isso porque o tungstênio tem uma bolinha perfeita, mas a esfera perfeita só foi ser aperfeiçoada na Viagem à Lua, nos gás espaciais e com gravidade próxima do zero. Conseguiu-se fabricar uma bolinha que não tivesse influência nenhuma da gravidade terrestre.
Foi daí que se desenvolveu uma tecnologia para fazer a BIC, ponta de tungstênio. Depois vieram as pontas porosas, né? Mas a primeira era triste.
Então, a gente aprende a usar o lápis e usava as canetas tinteiro no segundo ano. Falei da pá que tinha, achei também que eram bastante bonitas, né? Canetas lindas!
É uma tecnologia que deixa qualquer iPhone em Bangu, sabe? Porque era o equivalente. Nossa, tinha um mata-borrão e tinha um papel que se colocava entre as folhas para não vazar a tinta para a folha do outro lado.
Era uma tecnologia da escrita, né? Assim, a gente está falando de educação, linguagem, tecnologia, né? E aí, então, na época eu usei essa 007 e hoje eu tenho essas aqui!
Olha! Ah, mas eu estou mostrando! Nossa, que maravilha!
É uma caneta para vocês. Eu vou mostrar mais uma, tá bom? Assim, tá cheia.
Tá vendo aqui? Dá para ver que são várias cores e tudo. E tenho também!
Então, essa daqui você consegue mostrar para vocês a minha coleção de canetas. Essa pra Carol, não. Essa daqui é uma coleção de penas.
Eu acabei comprando na Argentina e ela serve para uma coisa, inclusive para isso que eu estudo agora: escrever, fazer letras. Sei que a caneta é a identidade de alguma coisa. Aqui, só um tempo para vocês, porque eu não vou deixar as canetas para escrever no caderno.
Esse para isso me parece um pouco demais para mim, mas eu uso para desenhar. Então, tem uma barriguinha aqui. Elas são canetas que têm pontas especiais para desenho.
Aquela permite certos piratas em uma caneta. Vai escrever? Não sei fazer desenho, mas quando eu saio na rua às vezes é mais fácil e mais gostoso desenhar com isso daqui.
As penas também têm a mesma finalidade: fazer essas curvas aqui. Vou ver se eu consigo mais cartão, sabe? Para ter uma ideia bem.
Tem um shampoo, que tem uma certa forma. Onde é que eu disse? Desenvolver esse gosto, essa tensão pela escrita e pelos instrumentos, né?
Pela tecnologia da escrita. Lembro lá do Estadão, nessa época, eu vou comprar caneta tinteiro para colocar no bolso, sabe? É uma outra ligação.
Hoje eu tenho cadernos de caligrafia. Eu faço uma porção de trabalhos com letras e quero estudar isso melhor. A coisa que foi interrompida, porque a vida não é um caminho fácil.
Inclusive, nos tempos do Getúlio Vargas, o professor Jefferson, não sei se você conheceu. Ele também fazia parte da caligrafia dele, que era belíssima. Ele fazia muitos convites.
Para você ter uma noção, até hoje a filha dele continua desenvolvendo esse trabalho, sim. Se chama profissão. Lembra do seu Lego lá da Unisa?
Isso foi feito por ele. E depois, aqui, alguém que fazia muito bem lembrado. Então, hoje, toda vez que olho para as minhas canetas, eu sempre lembro dele, inclusive.
Mas, voltando ali na tecnologia, né, da educação e como isso veio crescendo, falei do hino. Eu falei de alguns colegas. Eu era um aluno muito ruim.
Eu era fora da idade, eu acho, sabe? Não acreditei muito, mas tudo bem. É um certo retardo na aprendizagem.
Mas, para aprender matemática, eu pintava a caixinha de fósforo, os palitinhos dentro. Eu pintava todos coloridos para fazer 10 em 10. Azul, os primeiros, porque eu tinha dificuldade de entender.
E uma vez, o meu pai, que era muito esperto, como ele gostava de usar essa palavra, ele falava assim: "Crianças, vamos almoçar. Hora de lavar as mãos! " Lá no primário, eu fui fazer mercado.
E os irmãos não sabiam escrever. E as normalistas, lembram das normalistas e auxiliares? E a normalista olhava para mim e fazia os sinais com os olhos e eu não sabia.
Para mim, aquilo estava certo. Sabia que ela estava fazendo sinal com o olho. Eu ferrei as aulas.
Aí fui para a aula particular, para a normalista, sabe? Aprender a escrever. Porque escrever é.
. . Naquele tempo, era modo de ensinar assim.
E não sei como foi, mas eu aprendi. Isso eu tenho. Uma outra professora desmaiava na frente da minha casa.
Pois o pai, se eu digo, era um alfaiate muito bom, sabe? Filha da Dona Elza. Ela me dava aulas de português.
Ela era estudante de normalista. Eu sei que me lembro muito bem. Disso, porque eu estava lá tendo uma aula com ela em julho, nas férias, né?
E fazendo uma redação. Aí então, vamos, temos a aula para ver o homem descer na Lua. Ai, que lindo!
Quebrante, não viu? Armas, pãozinho, fazendo o primeiro passo do homem na rua. Eu me lembro que a aula ficou super interessante.
Que acabou! Agora eu fui ver o astronauta. Você lembra o ano 69?
69! Ele estava em Cananéia e o povo que morava lá, no meio do mato, né, dizia que era tudo mentira, que ninguém estava acreditando. Mas americano estava!
O filme nos Estados Unidos era difícil, né? Aqui, com isso, eu fiquei apaixonado por esse tema, né? Aliás, dizem, né, não tenho certeza, minha prima não, mas eu já li que muita gente naquela época ficou aficionada pela astronomia.
Eu era doida! Eu podia ser até astronauta, sabe? Era um sonho distante, sonho de Pedrinhas, sabe?
Tira uma! Então você adorou, adorou a música da Elis Regina naquela época, né? Poeta, Seresteiro dos Namorados, Correia, chega na hora de escrever, cantar.
Então, derradeira, antes de luar. Aí, mais tarde, quando eu pude trabalhar, né? Eu tinha 18 anos, eu fui trabalhar em uma loja, ali, super gerina, antes de ser Boulevard.
Depois que eu já estava lá, fizeram levar, mas não foi por causa de mim, eu ver o que fazer mesmo. Aí eu podia comprar essa coleção aqui. Vou mostrar para vocês: a exploração dos planetas, a coleção Prisma era escrita por professores da USP e traziam aqui no verso a família toda estudando ciências, que era uma família bem idealizada.
Mas o clima era minha paixão. Então eu queria montar telescópio, luneta, tudo que podia. E ela super bem ilustrada, né?
Hoje eu uso isso daqui como modelo ilustração. Aí eu tenho pra chegar nesse milho que está aqui, sabe? É isso aí!
Não acha que tá vendo? E aí, para comprar em outro lugar, na aguardar, daqui essa. Vou mostrar você!
Tá, por exemplo, exploração submarina. E o homem fóssil, me fácil! Tudo isso foi crescendo nessa época, aí que se discutia o que vai para o espaço e não vai para o mar, né?
Tem que estava aqui nos primórdios da humanidade, né? E enfim! É como a educação e o fornecimento comigo.
Só que eu fui podendo comprar e amadurecer para tudo isso, quando comecei a ter condições, quando comecei a trabalhar. Ela disse que eu estava falando aquele darwinismo. Sabe?
Sim! É, nem sempre a gente consegue chegar assim. Aí assim, é.
. . que sejam livres todos os usados, mas mesmo assim, quando chegou na em cima, seria tempo do Liceu, ensino médio, né?
Simples! Já era 77, né? Era época do médio, do metro, do gás, viu?
E mais para frente um pouco, doce. E aí, hoje eu fui fazer eletrônica, porque eu tinha esse relacionamento super bom com meu pai e com a ciência, né? Da eletrônica.
E eu queria fazer computação! Era meu sonho nascer, trabalhar com computação. Aí eu fui a São Paulo, ainda era menor de idade, atrás de um emprego na Bauhaus.
Era uma empresa que fazia aquelas máquinas que registravam os depósitos, pagamentos no banco. Era uma cor meio cor de leite, assemelhe a ele, a esposa e frio, na antes do computador. Era aquela que a gente apertava e saia um registro da conta, né?
O nome da empresa é Bauer. Mauro, como se escreve? O bug2 roughrider420.
Que eu já sei qual é a Guiné. Sim, trabalhar lá é porque não tinha feito o tiro de guerra, né? Mas aí, à noite, boa noite!
Um amigo meu que eu fiz, a única na escola, eles têm o do Liceu e foi fazer física na USP, chama Assis. O moço é muito bom! Acho que é uma pergunta.
Você não quer conhecer o urso? Para a gente não ter noção do que você tá falando? Em São Paulo, eu só tinha ido de bom dia com meu pai na casa da minha madrinha, lá muito antes, né?
Ele falou: "Pega o ônibus assim que eu vou te esperar lá no Tietê, na cantiga, na minha casa na tia". Teve isso! Que levou, não de ônibus, lá no laboratório de física da USP, onde eu fiz uns experimentos do inteiro.
Com aquela. . .
Nossa! Eu fiquei doida, sabe? Aí você faz os males!
Eu já pensando em ir para uso com. . .
Sabe? Só que eu não queria fazer isso! Eu queria fazer matemática, porque não existia curso de computação na época.
Não tinha! Tinha matemática e o samba da Matemática. Caminhava lá, você estuda de informática, né?
É! Nesse tempo foi quando surgiu a loteria esportiva, que eu não sei se você se lembra! Certo?
Metade lembrar que era uns furinhos, que você fazia isso com ela, estudava aquilo, como é que aquele furinho, depois dava a leitura quando você passava na máquina, como é que computador da época, ali, aqueles furinhos, né? Efe! Quando o tio furo fechavam contato, quando não tinha contato, então ele ia através daqui.
Eu era apaixonado por isso! Aí eu precisava fazer. Então eu tô sempre em torno da tecnologia, da educação e da.
. . da.
. . dinê, no social, vamos dizer assim, né?
Se você não estiver errando muito. Aí eu precisava fazer o cursinho, depois que eu terminei o Liceu. E o cursinho estava muito caro, né?
Preço bom! Excelente lá no objetivo, na Rua Clóvis. Excelente!
O problema era o bolso da gente, que não era excelente! Então o que eu fiz? Eu trabalhei um ano numa loja de super G de venda de camisas e guardei todo o dinheiro.
E depois eu fiquei um ano sem trabalhar e pegava 631, 660 por mês que eu tinha guardado e pagando cada. . .
Mensalidade do cursinho porque não podia esperar outra fonte que não fosse essa, né? E a minha grande preocupação e atenção era se eu não passasse. Tentei matemática na USP, eu passei na primeira fase com 58 pontos e, repetindo a segunda, reprovei na segunda.
Mas isso que tá indignada. Estudava 8 a 10 horas por dia, eu sabia tudo até o que sei até hoje. Sabe, eu sei que algumas daquelas coisas, se viver estudando, sabe?
Perigo, o nome alegria, para fazer aqui os origamis e as coisas que eu faço. Eu recorro àquele conhecimento, mas não passei, fiquei muito chateada. Sabe, porque eu sabia lá no fundo que eu era assim, um pouco melhorzinha, vamos dizer, em letras, né?
Mas também eu imaginava, perguntava para o meu pai que eu queria ser artista, né? Desenhista e escritor. E o pragmatismo da nossa condição financeira era: eu queria encontrar um jeito de ganhar dinheiro primeiro.
Esse não era fazer isso, me ignorar, tio, a minha vida. Sabe, vamos ter um jeito de ganhar dinheiro, senão como é que você vai desenhar e pintar? E aí pronto, eu fui.
É provável que eu tenha ficado muito grave em uma semana sem abrir a boca, não falei com ninguém na semana. E daí um amigo, meu amigo, ele, Eurípides, saiu do seminário e foi trabalhar no Cruzeiro do Sul como repórter. É muito bacana.
E ele fala: "Fernando, você tá aí, né? Não quer descer comigo até o centro da cidade? Vou lá trabalhar, você vai comigo".
"Vamos descer na Rua da Penha, passamos em frente ao Diário de Sorocaba". Eu falo: "Para você não entrar lá, faz um teste! " Foi bom, né?
Você vai lá falar com o Fernando, tem um lugar para repórter aí, exatamente nessa máquina, né? E até escreve uma matéria aí qualquer. "Tá na hora de escrever, tá?
" E aí comecei, fui admitido no Diário de Sorocaba como geral, né? Na página três e logo, em um mês e meio ou dois, passei para a página 8. O policial escrevi a página inteira da noite, né?
E aí usava máquina fotográfica também, para fazer as fotos dos acidentes, as coisas todas do quarto, né? Eu amo tudo lá. Aí falei com seu Vitor, que é do bloqueio da natureza, gente boa demais.
E olha, precisa fazer cursinho, fazer a faculdade, que eu não posso ficar assim. E ele fala: "Vai lá no não sei o quê, você escolhe e fala que eu pago seu cursinho, troca de propaganda". Então, aí eu fui no ângulo Irlanda, mas já estava atrapalhada porque eu gostava de jornalismo, mas não era chamada de Waldomiro, pena, sabe?
O nome de uma minissérie da Globo, tinha virado o meu apelido, era um jornalista que ela vai levar. Eu mesmo, é isso aí. Eu adorei mexer no jornal, fazer tudo o que se podia imaginar na jornal, espaço infantil, sabe?
Eu era o MacBook Air, não vamos lá, aquela Lelé. Esse agora eu vou fazer parte de uma página infantil, queria fazer desenho para a página infantil também. E fiquei lá, só que depois chegou no final do ano, também o meu, leva um cartãozinho, sabe?
Para sobrar, né? E então eu não tive dinheiro para ficar, para fazer os vestibulares, Abril, engenharia elétrica ali no câmpus, piada objetiva, ali na saída da zona industrial, né? Mas eu não podia nem chegar perto, não sabia nem como eu chegaria lá.
Deus pergunta dinheiro para desistir, para gente desiste dessa coisa. E assim, deixa fazer uma coisa que eu falei que eu escrevi bem. Mas é que eu esqueci de uma parte que é fundamental na minha história.
Me permita voltar um pouquinho, fique à vontade. Estava ali na sexta série e, como eu disse a vocês, eu era um pouco atrasado em relação aos colegas. Eu acho que eu era o simplório, sabe?
E não estava indo muito bem na sexta, porque quando terminou o primário, né, Roberto? Eu liguei para o ginásio. Isso imaginava, não tinha vaga para mim lá no Estadão.
E aí, olha, onde eu fui mandado para o sexto ginásio, que sem aberta, que seria inaugurado ali atrás do Jardim Paulistano, perto do João de Camargo. Se lembra desses textos, ginásio, ali agora já tá bonito. Mas não é porque ele foi a primeira turma lá, sabe, no meio do mato.
Ele trabalhava tanto aquilo, sabe? Eu gostava mais dele espalhadão. Aí, nessa época, eu fui fazer uma apresentação de teatro, uma esquete teatral lá na televisão do Silvio Santos, na cidade contra cidade.
Meu pai era o sonoplasta, Hélio Freitas, inventou lá as coisas e não tinha. Sei que Sorocaba ganhou a competição. Não deixa rolar.
Então, é turma da escola, da sua sala, não, meu pai, com o Hélio Freitas, o pessoal da Rádio Clube lá, sabe? Então tá no sexto ginásio. Mas quem participava na peça?
E na peça que eu participei, até tem as fotos, sabe? Era o policial famoso na nossa época, o Peralta, o Niterói, sabe? Eram policiais da PM, Siena, na nossa época, né?
Porque a cidade era pequena e se conhecia, tinha balas de festinhas, de pensar naqueles revólveres deles para nós, né? Obviamente que descarregados. E tem dirigir aperta.
É Hélio Freitas, é o Hélio da Silva Freitas. É, ninguém sabe onde eu ia ensaiar. Roberto, onde?
Na Rua Barão do Rio Branco, onde era a casa das Lautores lá embaixo, quase chegando na Alvorada. Parece que ele morava em cima. Não, ela mora lá em cima.
A mesa que eu ia fazer esses ensaios, perto dela ali. . .
Daí ele assim, não sei qual é. Aquele dia que vocês foram e a televisão subiu no Silvio Santos, ano na Topic, conhecer pessoalmente na época ele e outros artistas da época ganharam as câmeras e tudo. Então, vocês ganharam.
Lembra o nome da peça? Essa era alguma coisa relativa ao amor, era naquele tempo de Almeida e fazia muito sucesso, né? O Faroeste Americano fazia sucesso.
Então, eu ouvi-la em um salão, uma briga entre a Band de mocinho, né? Eu entrei com o meu colega na abertura da peça. Depois, tem um tiroteio lá com balas de festim, mesa no chão, todas aquelas coisas de um bom falecido.
E depois entra uns meus amigos, né? E eu a fazer um duelo final. Tô fazendo, e na hora que eu vou sacar o revólver, ele também saca e, em vez de sair uma bala, saiu uma flor.
A bala faz um close assim, sabe? Tem interesse, é como quem diz, né? Não adianta guerra; envolveu que o movimento hippie e essa coisa do flower power, né?
Vai ser construído em. . .
é interessante, né? Sim, muito legal. Então, tá aí.
Na verdade, era uma competição e vocês ganharam, ou se fosse uma gincana entre duas cidades, havia várias provas, né? Sei, encontrou a ser melhor. Ganhar uma ambulância?
Sei. E daí Sorocaba ganhou. Que legal!
Eu não sou muito grato, pois esse pessoal é muito bacana. Aí, eu consegui, meu pai conseguiu para mim uma transferência de volta para o Estadão no meio do ano, sabe? E deixa entender, né?
E você, você ganhou transferência por causa dessa? Aí, só fiquei um pouco mais amigo das pessoas, porque eu tinha aparecido na televisão. Não ter canal, ou ela para o meu pai; meu pai é o parceiro, certo?
Então, a televisão e o teatro vejo que você ganhasse projeção entre os amigos. Exato, mas continuava sendo um azar. Sabe assim?
No sentido de ser muito, muito simplório, né? Enfim, é que eu voltei para o padrão, mas completamente defasado, né? Atrasado, né?
E eu me lembro que eu errei uma questão na prova que me fez ir para a segunda época, que fazer o exame em fevereiro, passado às vésperas de recomeçar as aulas. Eu tava indo da Fazenda, quinta série. Qual a questão que eu errei?
A professora deu um texto e eu vou lá, "o que significa a frase 'menino, crie juízo'? " O meu, até hoje, fui pensando: "jeito de será que é criar juízo? " Sabe?
É claro que agora tenho uma resposta um pouco melhor, mas lá, é porque eu não acertaria nunca o que é criar juízo, entendeu? Porque é mais pressão, né? Aqui, o mar, né?
E eles não se criam, como você tem que ver a galinha, né? Lide, julgamento, né? Cadê ela?
Ela não era uma elaboração mental que não tinha, né? Mas não fui; eu passei arrastando, mas passei, sabe? Fui para a sexta série.
Nessa sexta, acertei. Essa, vou chegar onde eu queria contar com a televisão. Nessa sexta série, eu já tava mais espertinha; eu já dava aula de francês com os meus colegas da classe.
Tão importante, eu aprendi e ensinei os colegas para ir na prova, para fazer um monte de coisa; eu já tinha uma percepção de como estudar. Perguntei para minha amiga que foi bem na prova: "Aí, olha como é. " E nessa prova de geografia, passei a manhã inteira andando na sala da minha casa, decorando os afluentes do Rio Amazonas.
Quarto tema e normal. E você vai também? Ela falou: "Eu fico sentada ouvindo música.
" Lembro do Rio, lembrando de uma música. Eu falei que fiquei com as pernas inchadas, cansada. Eu fiquei em pé, dando volta, e foi mal.
Eu já tava desconfiando que existiam estilos de aprendizagem e que talvez o mesmo estilo não estivesse adequado para ela. Disciplina, eu fui aprendendo que existem aprendizes, diferentes estilos de aprendizagem, diferença. E eu entrei isso um pouquinho, assim.
Só que no meio do ano, nas férias de julho, nós sofremos um acidente automobilístico que deixou meu pai com problemas na perna pelo resto da vida, né? Nós todos quebramos as pernas e tal. E qual foi a ambulância que nos ocorreu?
Na estrada de Piedade, aquela que a gente havia ganho no ano anterior lá no Silvio Santos. Por isso, é um conceito, é uma ligação incrível da vida da gente, essa coisa daí. Aí eu fiquei seis meses parado em casa, engessado, reprovei, né?
Faço por falta de notas. No ano seguinte, quando eu voltei, eu voltei mais maduro. Parece que voltei na turma certa, sabe?
Parece que voltei, lá, por uma certa. . .
sei lá, era mais maduro. Nesse ano, eu jogava xadrez com um amigo meu e continuava ensinando muitas coisas que os colegas tinham mais dificuldade, sabe? Ei, pela primeira vez na minha vida eu dancei com uma menina, porque o Dia dos Professores, o meu amigo, falou assim: "Fernanda, vamos pedir para a professora deixar a gente fazer uma festinha aqui à tarde.
" Aí, mas só pensam em cigarro, aquelas cigarras cantavam muito ali naquela janela do lado, tá? Começar dela, né? E prendeu a entrada do seminário.
A gente funcionou, buscar, não era uma sonata, mas era uma vitrolinha, aqueles dias pequenas, né? Os compactos. A professora falou: "Olha, podem ir buscar.
" Então, a gente suspendeu e arrumou a sala para vocês chegarem. Aí eu fui para esse conhecer meu amigo e colocamos as músicas. Daí tem uma menina na classe, todo mundo não sabe um pouco, né?
Acho que. . .
não, mas enfim. Eu acho que se era para zoar comigo. .
. aqui é. Fala: "Fernanda, uma fulana quer dançar com você.
" Para ele, eu faço o quê? Que é isso aí? Como é que faz?
Aí puseram uma música, "você vai lá e segura lá pela cintura. " Aqui também. .
. não volta chamada. Sabe, era um sucesso da época, né?
Nossa! Gente, como eu gostei da música! Acho que eram mais erros que eu não queria dançar.
Sabe, a minha colega, ela é gente boa demais. Eu gostava muito dela, mas eu nunca pensava nela como sendo alguma coisa que usava saia. Sabe, pensava assim, né?
Tempo. . .
Enfim, ela vai na idade, sim, e hoje, né? Calma, uma coisa mais exagerada, sei lá. Bom, aí pega essa coisa marcante, e foi quando eu comecei a despertar, de fato, conhecimento.
Falei com ele, então eu ia na casa do meu pai, eu ia todos os dias e eu ia no gabinete de leitura uma vez ou duas por semana, com a câmera possível, geralmente, não por semana, para pegar livros lá. Então, eu detonei, vamos dizer assim, praticamente tudo que tinha de livros lá. Dos romances policiais, eram leituras na época.
O Gibran Khalil Gibran, que era letras das músicas de dança de debutante no Recreativo, em pneu, e com "O Profeta" de Gibran Khalil Gibran. Eu vi tudo lá: produção do Mansour Challita, li tudo aquilo lá, Júlio Verne. Júlio Verne foi a minha grande inspiração, eu já vou te falar já por quê.
E a biblioteca escolar do Sesi, onde eu ia também, para ficar lá, fazer jogar futebol. Ei, tipo, de um corte, e a gente pedia para o seu olho. Eu quero, se eu não estiver lá, um cara que ficava olhando, administrando lá.
Ele abria e dava para emprestar um livro para a gente, sabe? Então ele precisava de livro de todo lugar. Já chegava em casa com três, quatro livros, e lia tudo numa semana.
Eu vou virar para pagar outro, sabe? Era uma aventura aquele café requentado do gabinete. E a pessoa, manda Oliveira Lima, depois foi presidente.
Eu saí do Liceu à noite, depois que ela continuou no gabinete. Eu saí de lá para pegar um livro no gabinete, devolver e pegar outro, e para voltar para o Liceu, que ali pertinho, né? Isso daqui, ó!
A minha paixão pelo Júlio Verne me fez, em meses, pescar navegar por mares não navegados, ainda que for. A gente chamava antigamente ele de oceanos da internet. E aparece a possibilidade, a tecnologia do meu país, de Júlio Verne.
Eu me tornei, é estudante, de fato, de fato mesmo, de educação e tecnologia, linguagens. Olha esse livro que eu tenho aqui. Eu tenho todos dele, né?
Mas isso daqui eu comprei na França porque ele fala sobre. . .
É um livro só das imagens, das ilustrações do livro Júlio Verne que eu tô trazendo. Então vamos dar uma pausa, se vai andar no próximo bloco, você vai começar com ele falando a respeito dessa sua educação, né? Essa tecnologia, linguagem pelo Júlio Verne.
Tá bom, então vamos dar uma pequena pausa e já voltamos novamente com Luiz Fernando no terceiro bloco, falando a respeito do Júlio Verne e essa paixão dele pela tecnologia. Até já! O pé já abri, Fernando!