[Música] [Aplausos] [Música] O alarme do celular ligou automaticamente e uma suave música começou a tocar. Naquele dia, já é manhã novamente, resmunga André, rolando na cama e apertando o travesseiro sobre o ouvido. O aroma da cafeteira automática começa a encher a casa, vindo da cozinha. Seis horas de sono podem não ter sido suficientes, mas sucesso no final do século 20 tem um preço a pagar. Uma estrela emergente como André não pode perder tempo. Enquanto se prepara, André percebe que o seu celular tem 18 mensagens não lidas; algumas estão em seu trabalho, e ele teve
um dia de muita pressão e estresse. Na noite passada, ele fez um balanço da sua conta bancária após o noticiário das 11 horas e viu que o orçamento deste mês está no limite. Ele não gosta de viver debaixo dessa pressão financeira e sabe que não pode estourar seu cartão de crédito ou seu cheque especial, mas está sempre correndo atrás do prejuízo. Sua esposa, Ana, teve um bem-vindo dia de folga, então, enquanto ela dorme, André sacode as crianças para levá-las à escola. Após tirá-las da cama, ele as prepara e leva as duas menores para a creche,
ficando apenas Julie, de 12 anos, com ele no carro. Ela se parece preocupada ultimamente, como se tivesse uma grande questão na cabeça de pré-adolescente. Quando o carro ultrapassa novamente o limite de velocidade, Julie pergunta, do nada: "Papai, você ainda ama a mamãe?" A questão veio à tona na mente pensativa de André. Não sabia que Julia estava lutando para ter coragem de perguntar isso por vários meses. A vida familiar deles estava mudando, e Julie parecia estar diagnosticando as mudanças. André se lembrou de que ele amava muito sua mamãe. Ana não tinha planejado voltar ao trabalho quando
começou seu curso de faculdade. Desmotivada com seu tradicional estilo de vida de dona de casa, ela estava apenas buscando um sentido maior na sua vida. Sua vizinha parecia ter uma glamourosa vida no mundo dos negócios, e as revistas não dão muito valor às mães que trabalham em casa ou exercem função. Ela não conseguia parar de questionar seus valores tradicionais, então, todas as noites da semana, por quatro anos, ela cursou uma faculdade local. André, um aguerrido representante autônomo de vendas, avançava rapidamente em sua companhia. Quinze anos de busca pelos sonhos o tinham recompensado com o título
de gerente do setor. O salário cobriu o essencial, mas ambos queriam mais da boa vida. “Estou pensando em voltar pro trabalho”, disse Ana. André não protestou. Ana tinha ganho um bom dinheiro extra como caixa de banco no começo do seu casamento e ajudou a mobiliar seu apartamento. Por muito tempo, Ana tinha parado de trabalhar quando Julie nasceu, e desde então eles viviam apertados para pagar as contas no final do mês. Apesar de sua própria mãe não trabalhar, André sabia que as coisas eram diferentes agora para as mulheres. Ele tinha confusas emoções sobre mandar suas crianças
para a creche, mas, já que dinheiro era sempre um problema, ele ficou silencioso quando Ana anunciou que ia ser entrevistada para um trabalho. André claramente entendeu a troca: mais dinheiro, menos família; mais família, menos dinheiro. Mas eles realmente queriam a boa vida? Seus vizinhos haviam comprado um barco de 24 pés. André estava surpreso de saber que ele também podia ter um, somente R$ 3.300 por mês de prestação. Dando duro, eles conseguiram, em cinco meses, economizar R$ 15.000. Somadas, suas economias eram bastante para dar entrada. André adorava carros; seu pai sempre gostou de carros tipo esportivo,
mas o gosto tinha evoluído com o tempo. Se um carro brilhante parava perto dele no sinal, seu coração sempre batia mais forte. Ele podia se ver em um desses elegantes motores importados. Acidentalmente, descobriu que, por mais R$ 2.530 por mês, ele podia ter o carro de suas fantasias. Comprar um carro como esse nunca lhe tinha ocorrido anteriormente. Ana desesperadamente queria férias, uma viagem para a Europa naquele ano. Sua parceira de tênis tinha ido na última primavera, e isso a deixou ainda mais atraída. Mas eles não podiam fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Então, André
lhe disse: “Se você me ajudar na compra desse carro, eu vou providenciar sua viagem, eu prometo.” Sua contagiante expressão a convenceu. Ela lembrou-se de como aquele sorriso de garota a tinha atraído no primeiro encontro que tiveram. Ele tinha sido bom para ela. Ela pensou: “Ok, vai em frente.” Ana sonhava em viver numa casa de um condomínio fechado com piscina, mas com as prestações de um carro e de um barco, isso seria um sonho. Por anos, André começou a se escravizar numa jornada de 12 a 14 horas diárias, sempre pensando em como ganhar mais dinheiro para
adquirir a casa dos sonhos da Ana. Quando Ana foi para o trabalho, eles somaram os números e ficaram surpresos por perceber que poderiam fazer mais uma prestação, ainda que pesada, e se mudar. Mas as dificuldades de sustentar todo luxo os desencorajaram. Tinham contas para pagar, crianças para buscar na creche, encontros para atender, cotas para alcançar, mas não muito tempo para aproveitar suas horas. André não conseguia lembrar quando foi a última vez que saíram num final de semana para passear. No bar que ele tinha acabado de comprar, as palavras de Simon and Garfunkel soavam nos pensamentos
de André: “O caminho à minha frente é como um rato num labirinto; as sequências nunca alteram até o rato morrer.” Ele estava numa armadilha e a pressão aumentava. Ele não podia mais suportar. Ela acreditava que André não a amava mais. Ele tinha que ser forte e saber como fazer as coisas continuarem funcionando, mas André estava tão confuso quanto sua esposa. Um dia, surpreendentemente, a companhia de mudança parou na porta da casa deles. André não conseguia acreditar no que estava acontecendo; Ana estava se separando dele, saindo de casa. Ela disse que precisava de tempo para ajeitar
e espaço para ajeitar as coisas. Julie, a sua filha, tinha levantado poucos meses antes e ainda queimava na sua mente: "Rapaz, você ainda gosta da mamãe?" Sim, sim, ele gostava dela, mas estava muito tarde. Como é que as coisas perderam o controle? Essa história aqui é uma história que reflete muito bem o nosso tema: "Cultivar e guardar." Nós vivemos num momento em que somos pressionados constantemente, mediaticamente e socialmente, e essas pressões vão consumindo o coração da gente. E eu queria, hoje, pegar um personagem da Bíblia, tá lá no Antigo Testamento, e vocês conhecem bem a
história dele: a história de Ló. A história de Ló reflete muito bem como um pensamento secularizado pode engolir a gente. Está registrado lá em Gênesis, capítulo 19. A Bíblia diz que, ao anoitecer, vieram os dois anjos a Sodoma, a cuja entrada Ló estava sentado. Quando este os viu, levantou-se, indo ao seu encontro, pois pôs-se em terra e disse-lhes: "Eis agora, meus senhores, vinde para a casa do vosso servo, pernoite nela, lavai os pés, levantar-vos-ei de madrugada e seguirei o seu caminho." Responderam eles: "Não passaremos a noite na praça." Porém, ele insistiu muito, e entraram na
casa dele. Deu-lhes um banquete, fez assar os pães ázimos, e eles comeram. Mas antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, todo o povo de todos os lados, e chamaram por Ló e lhe disseram: "Onde estão os homens que a noite entraram em tua casa? Tráz-os fora a nós, para que abusemos deles." Saiu-lhes, então, Ló à porta, fechou-a atrás de si e lhes disse: "Rogo-vos, meus irmãos, que não façais mal. Tenho duas filhas virgens; eu vos as trarei; tratai-as como vos parecer. Porém,
nada façais a esses homens, porquanto se acham sob a proteção do meu teto." Eles, porém, disseram: "Retira-te daí!" E acrescentaram: "Só ele, estrangeiro, vem morar entre nós e pretende ser juiz. Em tudo a ti pois faremos pior do que a eles." E arremessaram-se contra o homem, contra Ló, e se chegaram para arrombar a porta. Porém, os homens, estendendo a mão, fizeram Ló entrar e fecharam a porta. E feriram de cegueira aos que estavam fora, desde o menor até o maior, de modo que se cansaram à procura da porta. Então, disseram os homens a Ló: "Tens
aqui alguém mais? Teus genros, teus filhos, tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair desse lugar, pois vamos destruir esse lugar, porque o seu clamor tem aumentado, chegando até a presença do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo." Então, saiu Ló a falar com seus genros, aos que estavam para casar com suas filhas, e lhes disse: "Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade." Achavam, porém, que ele gracejava com eles. Ao amanhecer, apertaram os anjos com Ló, dizendo: "Levanta-te, toma tua mulher, toma tuas duas filhas que aqui se encontram,
para que não pereças no castigo da cidade." Como, porém, se demorasse, pegaram os homens pela mão, a ele, a sua mulher, suas duas filhas, sendo-lhes o Senhor misericordioso, e o tiraram e o puseram fora da cidade. Havendo-os levado fora, disse um deles: "Livra-te, salva tua vida, não olhes para trás nem pares em toda Campina; foge para o monte, para que não pereças." Respondeu-lhes Ló: "Assim não, Senhor meu! Eis que o teu servo achou merced diante de ti; engrandece a tua misericórdia que me mostraste, salvando minha vida. Não posso escapar no monte, pois receio que o
mal me apanhe e eu morra. Eis aí uma cidade perto, para a qual eu posso fugir, e ela é pequena; permite que eu fuja para lá, por ventura não é pequena, e nela viverá a minha alma." Disse-lhe: "Quanto a isso estou de acordo, para não subverter a cidade que acabas de falar. Apressa-te, refugia-te nela, pois nada posso fazer enquanto não tiveres chegado lá." Por isso se chamou Zoar. O nome da cidade é interessante; esse texto fala-nos de secularismo, ele fala de cidade, fala de família, e eu fico impressionado com esse texto. E aí eu lembro
de uma afirmação de Lutero. Martinho Lutero, grande reformador, ele falava que não conseguia ler esse texto sem que tivesse uma sensação de asco, de tristeza, de náusea, porque a situação de Sodoma e Gomorra era extremamente complexa. Era uma cidade que era próspera, mas uma cidade que, ao mesmo tempo, a Bíblia diz em Gênesis 13:13 que os habitantes daquela cidade eram maus e grandes pecadores diante de Deus. Era uma cidade que perdeu a referência do sagrado, uma cidade que perdeu referência ética. E eu vou tentar mostrar como essas coisas foram entrando sorrateiramente. O que que levou,
então, Ló a morar nessa cidade? Se você ler com atenção o texto, você vai perceber que, no diálogo que ele tem com Abraão, o seu tio, o texto nos afirma que, quando Ló teve que se separar de Abraão porque as suas companhias, suas fazendas, estavam crescendo demais, a Bíblia diz que ele olhou as campinas de Moabe e ficou impressionado com a beleza daquele lugar. E ele diz para lá, né? E ele conversou com Abraão: "Abraão, não dá para a gente ficar junto mais; o negócio cresceu, a empresa cresceu, muito gado, e nós precisamos de espaço.
Nossos funcionários começam a brigar por espaço. Então, vamos para lá." E a Bíblia diz que L decidiu para onde ele iria; na verdade, não era uma prerrogativa dele, a prerrogativa tinha que ser de Abraão, por causa da tradição oriental. O ancião é que tinha de fazer a escolha, não o... O genro, o sobrinho... mas ele fez a opção. Ele ficou fascinado com a possibilidade de ganho, a possibilidade de ganhar dinheiro, de ter sucesso, de ter prosperidade, e essa é uma armadilha muito grande. Como no texto que nós lemos, é que a gente vai se envolvendo
nessa questão de ganhar dinheiro, de ser bem-sucedido, de ter prosperidade, e a gente toma as decisões mediaticamente; toma decisão pelo que a gente vê, mas a gente não considera o que está por detrás de tudo aquilo que a gente decide. Então, a primeira lição que a gente pode tirar desse texto aqui é a seguinte: não, não tome decisão pelos seus olhos, por aquilo que você vê. Ah, nem tudo que reluz é ouro! Ele toma decisão pelo que ele vê; ele sabia da realidade de Sodoma e Gomorra, mas ele não queria saber, porque a chance de
um emprego novo, a chance de ganhar dinheiro, de um empreendimento novo, era a coisa mais fascinante para ele. "Eu vou dobrar meu capital, eu vou ter mais recursos!" E ele, então, vai e leva a sua família para um lugar altamente perigoso. Ele não considera Deus no processo da decisão dele e não considera a família no processo de decisão. Ele toma decisão pelo que ele vê apenas. Então, se você vai tomar uma decisão, sempre pense o seguinte: como é que Deus vê esse negócio aqui? E segundo, como é que minha família... qual será o impacto dessa
decisão na vida da minha família? Se você não levar em conta isso, aí você não cultiva nem guarda a sua casa. Você precisa observar claramente por que está decidindo e quais são os motivos que estão... se é o motivo meramente financeiro, tome cuidado com isso. O texto diz que ele, então, foi para a cidade. Chega ali na cidade, o texto que nós lemos aqui é a narrativa de que chegam os dois anjos e aqueles homens se reúnem em torno da casa de Ló, pedindo uma coisa absurda. O que que eles pedem? Eles pedem para que
Ló dê os visitantes que estão na casa dele, os hóspedes dele, para que eles abusem deles. Existe o chefe da Capelania da Harvard University, Peter Gomes; eu tive alguns contatos com Peter Gomes, cara extremamente educado, fino, pastor homossexual assumido, que escreveu um livro chamado "The Good Book", que foi um best seller, New York best seller, em que ele defendia que esse texto aqui, o problema de Sodoma, não era o problema meramente de sexo, né? Ele diz que o problema... e aí ele vai em Ezequiel, diz 16, e ele pega lá que eles foram uma cidade
que desprezou os pobres e que não considerava mais a justiça, e que o problema era questão de justiça social. Mas o texto aqui é muito enfático quando eles falam assim: "traga esses homens fora para que abusemos deles". Ah, o termo que eles usam aqui em hebraico, "iad", literalmente significa um coito; eles queriam ter uma conjunção de intimidade com aqueles homens. E Ló, agora dentro da tradição oriental, protege os meus hóspedes, e ele faz uma proposta louca, e essa proposta louca é o seguinte: "Eu vou dar as duas minhas filhas virgens para vocês; vocês façam dela
o que vocês quiserem, mas não toquem nos meus hóspedes!". E aí você fica inquieto, você dá uma mexida assim, fala: "Doido, maluco!". Ah, talvez... E aí, alguns comentaristas saem na defesa de Ló, dizendo que talvez Ló tenha feito essa leitura porque ele sabia que aqueles caras, a tara deles não era uma tara por mulheres; eles não fariam isso com alguém que era da cidade. E aquilo foi uma forma apenas de disfarce, para tipo assim: "não mexe, né?", porque a tara deles era de um relacionamento homossexual mesmo; era isso que eles queriam, eles queriam uma orgia,
um bacanal com aqueles homens, era isso que eles queriam, né? Mas, de qualquer forma, assusta a gente quando a gente lê o texto, porque a gente não sabe se a intenção de Ló de fato era a intenção de "deixa a minha filha, vamos para lá, e você dá as minhas filhas, mas eu protejo esses homens aqui". Mas assusta a gente quando a gente lê o texto. Bem, o que acontece é que esses homens, que estão dentro da casa de Ló, são seres espirituais, e eles então tocam e aquelas pessoas ficam meio perdidas e tal, e
ele diz: "Vamos embora, tá na hora de ir embora". E aqui a gente começa a ver o enredo, a explicação seríssima do que acontece quando você expõe seus filhos ou suas filhas em situações nas quais a sua família não dá conta de administrar. O que aconteceu? Aquelas meninas estavam já namorando rapazes da cidade; óbvio, elas tinham que namorar quem? Os rapazes da cidade. E elas se encontraram ali, alguns, os dois namorados delas, e estavam se preparando para casar. Aí, de repente, o Anjo diz: "Vocês têm mais alguém na cidade, genro?", né? Os anjos sabem de
tudo. Ele disse: "Temos". "Vamos lá conversar". E a Bíblia diz que Ló vai conversar com aqueles meninos e diz: "Olha, rapaz, a situação tá feia, nós temos que sair agora porque Deus me falou, Deus me falou que ele vai destruir a cidade". A Bíblia diz uma coisa muito interessante e para mim é o melhor exemplo de secularismo que a gente pode encontrar na Bíblia Sagrada. É este aqui: o texto diz que quando ele falou disso, capítulo 19, versículo 14, no final diz: "acharam, porém, que ele gracejava com eles". Eles começaram a rir: "Você tá ficando
doido mesmo, hein, bicho? Deus vai destruir a cidade!". Sogrão: desde quando Deus interfere na história humana? Que papo é esse? Você tá ficando maluco! Desde quando Deus se preocupa conosco com a história romana? Os deuses estão lá. Aliás, o conceito do panteão greco-romano era de que os deuses ficavam bebendo cerveja, né? E aí, fazia farra e, de repente, um lá ficava mal-humorado e mandava uma tragédia só para brincar com os homens. Essa é a visão greco-romana. Óbvio que nós estamos falando de uma civilização bem mais antiga do que a greco-romana, mas o fato é que
esses rapazes não conseguem entender que o Deus que habita a eternidade possa se manifestar na história. E, meus queridos irmãos, deixa eu dizer bem honestamente para vocês: esse é o maior desafio do seu coração e do meu. Nós às vezes brincamos com a questão da eternidade, mas a gente de fato não acredita muito nesse negócio de um Deus que age na história da gente. Não! A gente acredita em Deus. E aí, quando eu pergunto: você crê em oração? No poder da oração? Aí as pessoas levantam a mão, todo mundo, né? Levanta a mão na igreja.
Mas quantos de nós realmente oramos? Oramos para valer. Estou falando de oraçãozinha, né? Daquela oração que você faz com o seu menino de 3 anos de idade: "não, papai do céu, abençoa essa comidinha aqui." Para ser que faz, né? Você abre a Bíblia para ouvir a voz de Deus? Você se ajoelha para ouvir a voz de Deus? A Bíblia diz que a ira de Deus se manifesta do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça. Mas impiedade, na Bíblia, é um termo bem pesado para nós, né? Impiedade nada mais
significa do que a ausência de piedade, que já é algo muito grave. E eu gosto de dar um exemplo para a gente poder entender o que é uma pessoa não piedosa. E talvez isso se encaixe no padrão de você, que é uma pessoa crente e não é piedosa. O não piedoso nunca fará isso aqui. Ele não ora, ele nunca vai se ajoelhar porque ele não precisa de Deus. A minha grande crise na minha espiritualidade—olha que eu já caminho com Jesus desde os 16 anos de idade—tem sido sempre a crise da superficialidade das minhas orações. Como
a gente ora pouco, né? E como a gente é autocentrado nas nossas orações! As suas orações, na verdade, são um desejo de que Deus faça para você as coisas. É um Deus a meu serviço. Eu não oro para entender a vontade de Deus. Deveria, mas não oro. Eu não oro por intimidade com Deus. Deveria, mas não oro. Eu lembro de um amigo meu, que é crente. Ele, um dia, lendo aquele texto de Daniel, estávamos comentando sobre aquele texto. Diz Daniel: "Se orar nos próximos 30 dias, vai morrer." Ele disse: "Eu passo 2 meses, 3 meses
sem orar." Rapaz, né? Daniel, 30 dias para mim não faria diferença nenhuma. Mas o que ele estava falando era alguma coisa muito séria, porque é isso mesmo. O secularismo leva você a olhar a sua história como um Deus que não intervém nela. É isso que acontece com os moços aqui. Eles não acreditam nisso, esse papo de Deus, de um Deus que tá numa outra esfera, agir nessa esfera. Um Deus eterno se historicizar, humanizar-se. Esse papo aí a gente crê, né? É mais ou menos como aquele homem que tem um filho no processo de um espírito
imundo e traz para Jesus depois de uma experiência negativa com os discípulos, que não conseguiram fazer nada. E aí Jesus pergunta. Ele diz: "Senhor, se o senhor pode fazer alguma coisa, faça." E aí a palavra, resposta dele, é muito interessante. Ele fala: "Se podes, tudo é possível ao que crê." Aí a resposta dele é muito interessante, porque ele diz assim: "Eu creio, Senhor! Alguém pode completar aí? Ajuda minha falta de fé." É uma dialética na fé. "Eu creio, Senhor, ajuda-me na minha falta de fé." Aí Jesus deve ter olhado para ele: "Você crê ou não
crê?" Você nunca se deparou com seu sentimento, no seu coração, de crer, dizendo: "Será que eu creio mesmo?" Esses meninos aqui ouvem a palavra do sogro deles e dizem: "Esse cara que papo doido! Esse sogrão aí tá achando que Deus vai intervir!" É por isso que você não ora. Então, a crise na minha falta de intimidade com Deus não é uma crise de culpa, no sentido em que "ai, eu preciso orar." Ela é bem mais séria do que isso. Na minha concepção, a minha questão é: por que eu não quero orar? Por que eu não
sinto necessidade disso? Porque, no fundo, a ausência desse desejo de intimidade tem a ver com uma percepção muito clara no meu coração de que Deus não intervém. Deus não intervém. Será que Deus intervém mesmo? Será que Deus ouve as orações mesmo? Será que Deus age na história? Será que—será que—os filhos, os genros de Ló entram numa crise de secularismo? Aí você fala: "Ainda bem que as meninas se salvaram!" Hum, sei não. Nem a menina, nem a esposa. Olha aí no versículo 14: então saiu Ló e falou aos seus genros... pá! Pá! Né? A amanhecer. Apertaram
os anjos: "Rapaz, pis, moradora! Cara, vai descer fogo do céu aqui! Negó, vai ser destruído, vai ter uma ecatombe aqui, vai ter um terremoto, vai ter um vulcão, sei lá o que aconteceu em Sodoma e Gomorra, né? Mas ele disse: "Nós precisamos ir! Vamos embora! Vamos embora! Bora, bora, bora!" Né? E a Bíblia diz que o seguinte: "Levanta-te, toma tua mulher e suas duas filhas." Que aqui se encontram para que não pereça no castigo da cidade. Se vocês ficarem, vocês vão sofrer a consequência, como, porém, se demorasse. E aí eu fico perguntando: será que L
estava gritando de fato nesse negócio? Né, como, porém, se demorasse pegaram, não pegaram a mão de Ló? Os homens pegaram pela mão a ele, sua mulher e suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e os tiraram e os puseram para fora da cidade. Bora, cara, não é exatamente uma coisa voluntária, do tipo "L, cara, vamos sair!" Negócio Ló cria, mas ele não tinha fé. É por aí que passa o meu coração, e o seu tá: "Senhor, eu creio; Senhor, ajuda-me na minha falta de fé." A Bíblia diz que saíram, mas saíram e não saíram. Por
quê? Porque a Bíblia diz que a mulher de Ló não dá conta, cara, ela não dá. O secularismo, essa coisa da boa vida, do estilo de vida que tinham… eles eram ricos. Você começa a imaginar que eles tinham propriedades, as joias dela, né? Os enfeites dela, os vestidos dela… deixar tudo para trás. Eu fico olhando, às vezes, guerra assim como a da Ucrânia, essa canção da Palestina. O que é um negócio desse? O que é viver num contexto desse, que você tem que sair sem levar nada? Existe uma cidade ali perto do Chipre, na Grécia,
com conflitos bélicos de guerra, uma cidade que eu nunca tinha ouvido falar desse negócio, cara. Um tempo atrás, assisti a um seriado na televisão chamado "Turismo Macabro". Esse cara vai visitar essa cidade, mas não pode entrar. Lá, 40.000 habitantes saíram da cidade, apartamentos arrumadinhos na frente da praia, praia linda. Do lado de cá, assim, a 1 km, você já pode usar as praias, que são lindas, continua bonita. Do lado de casa, você não pode usar nada, porque é uma área bélica. Quem entrar lá, leva tiro. Ele até tentou entrar pelo mar, fingindo de besta, né?
Mas os caras obrigaram eles a sair. Eles tiveram que sair de uma hora para outra. E aí eles vão entrevistar, deixando tudo para trás. Eles achavam que a coisa era assim: que eles iam sair, mas que iam voltar. O apartamento deles era deles, estava montadinho, né? Deixaram tudo. Ninguém nunca mais entrou nesses apartamentos em 40 anos. O que é você deixar sua história para trás? A mulher de Ló tá nesse problema aqui, cara. Ela vai, mas não vai. O coração fica. Você tem que renunciar, e ela não dá conta, ela não consegue. Ela olhou para
trás, seja o que significa esse negócio de virar uma estátua de sal aqui nesse texto, né? O fato de que Aquila paralisou, ela teve um infarto, ela morreu, ela virou pó, virou sal, né? Esse negócio acabou. A mulher dele já era. As duas filhas também vão, mas o que acontece com as duas filhas? As filhas chegam ali, em um país diferente, uma cultura diferente, um povo diferente, não conheciam ninguém, se meio que compuseram sociais, perderam tudo, não tem mais roupa bonita, não tem mais nada, não puderam levar nada. E aquelas meninas, um dia, batem na
cabeça delas uma ideia doida: "Se meu pai não tem filhos, vamos transar com papai." Eu vou uma noite, e você vai outra, e a gente gera filhos ao papai. Como é que um conceito desse pode vir para a cabeça de duas moças virgens? Como é que um conceito desse pode parar na cabeça de alguém? Eu vou te explicar como é. O secularismo vai minando os valores da gente. Cultura não é algo que entra na sua cabeça. Não, cultura não é uma coisa epistemológica, filosófica, conceitual. Não, cultura vem de uma cosmovisão. É a coisa que tá
lá dentro, e a cultura se transforma no comportamento que você tem a partir de uma série de leituras que você começa a fazer. Nós somos constantemente bombardeados, como no caso que nós lemos aqui no início, por uma cultura avassaladora que vem em cima de nós, assim como uma enxurrada. E o problema é o seguinte: como ela não entra pela cabeça, você não se defende com a lógica. Você, literalmente, vai sendo envolvido com ela. Cultura não entra pela sua mente, não, não é questão filosófica. Cultura é uma questão que entra pelos seus poros, e você é
absorvido por essa cultura. Essa cultura engole você. O Guines, um discípulo do Francis Schaeffer, o nome dele é Guines, né? Diz o seguinte: ele faz uma comparação de um texto belíssimo. Cuidado com a jibóia. Aí ele fala de cultura e da jibóia. Como é que uma serpente lenta vai conseguir pegar um passarinho, cara? Como ela vive disso? Como é que ela pega o rato com bichinho ágil, né? Ela vai devagarzinho, seduzindo, e quando a vítima se percebe, ela tá toda enrolada. Já era, morreu, né? Morreu! É isso que a cultura faz com a gente. A
cultura engole a gente. Já era! Você tá dentro desse negócio aí, e é um desafio tremendo lutar contra a cultura. E cultura não vai apenas na questão teológica. Ela entra em muitos outros aspectos, por exemplo, cultura de alimentação. Você gosta de um determinado tipo de comida e outro não gosta, né? Você aprende a comer determinadas coisas. Lá em casa, eu tenho um exemplo que eu uso para mostrar isso. Eu amo giló. Literalmente, eu amo. Eu como giló cru, temperadinho. Como eu preparo meu giló, né? Faço omelete de giló para mim. Giló leva tudo para mim.
Giló é gostoso, né? Eu vou na comida, aquilo eu pego, giló, né? Vocês estão pegando churrasco; eu tô pegando giló. A minha mulher detesta giló, e meus filhos todos não gostam de... Giló, mas eu cresci comendo giló. Agora, o que é interessante? Por que eles não gostam de giló? Porque giló é amargo. A minha esposa gosta de jurubeba e eu não gosto de jurubeba, e é amargo. Ela gosta de gariroba ou guerreba, e é amargo, e eu não gosto, né? Aí eu tentei entender um pouquinho porque esse lance, né? A minha única explicação é que
eu aprendi a comer isso desde pequeno e meu hábito alimentar... Olha como é que entrou esse trem até na alimentação! Vai assim, né? Se você perguntar a um coreano qual é a melhor comida do mundo, ele vai dizer que a brasileira é a melhor comida do mundo. Nunca ele vai dizer que a melhor comida do mundo é a coreana. Porque se fosse a melhor comida, a brasileira, só lá, só fariam comida brasileira; eu não faria comida ABC coreana. Você aprende estilos musicais. Eu já falei para vocês, não custa nada falar de novo: um membro da
minha igreja, se for encontrado ouvindo música sertaneja universitária, vai ser excluído da igreja e não vai ter salvação. Amém, não tem jeito. Cara, não vai! Por que todo mundo só ouve música sertaneja universitária em Goiás? E aí você vai preparar... Às vezes eu fico olhando, eu tenho muita vontade. Tem o Bruno, de Santarém, né? O Bruno lá no Nascimento, ele é de Santarém, rapaz. Eu acho lindo Alter do Chão, aquelas fotografias. Vontade de ir para lá! Quando eu penso que eu vou chegar lá, vou ouvir carimbó e música sertaneja universitária o dia inteiro, eu não
vou dar conta! Bicho, vai me matar minhas férias! Não, não quero não. Minha mulher não deixa, né? Então, é impossível. Mas é cultural. O som começa a fazer sentido para você e você gosta disso. Você gosta disso, aí isso passa. Então, isso vai também para a sua cultura. E como é que nós vamos cultivar e guardar um coração com um olhar cristão, sendo discípulos de Cristo, no meio de uma geração que perdeu as suas referências do sagrado, do eterno, né? A referência de valores. E esse texto aqui fala exatamente disso. Esses meninos aqui, eles morrem,
eles preferem morrer do que serem salvos por Deus, porque a cultura é demais para eles. Aquelas meninas entram numa crise. E aí, gente, eu fico me perguntando. E aí? Vou... A Bíblia diz que Jó era justo. Lá em Segundo de Pedro diz isso, mas deixa eu pensar; Ló, desculpa, Ló era justo. Mas eu fico me perguntando o seguinte: vocês aqui, aqueles que já participaram de um conjunto como os marginais, né? Sabem muito bem do que eu vou falar aqui. Todos nós sabemos que a bebida destrava os seus valores, né? Ela se torna mais vulnerável, mas
você nunca perde o sentido numa bebida. Quando você bebe, você sabe o que está acontecendo. Né? Você bebe, está sob efeito de álcool, e você se atreve um pouco mais, mas você não perde a noção das coisas que estão acontecendo. Será que Ló podia ter sexo com as filhas porque estava bêbado? Isso é um questionamento que me vem ao coração quando eu leio esse texto aqui. Me parece que não. Me parece que na cabeça de Ló os valores... E aí você pode até pensar na questão das filhas virgens. Os valores foram também comendo a alma
de Ló. Foi comendo a alma de Ló a ponto dele pegar as filhas e oferecê-las, e agora ter sexo com as suas próprias filhas. E nascem dois filhos aqui, dois filhos: Amon e Moabe. Vocês vão ouvir falar desses moabitas e amonitas o tempo inteiro na Bíblia. Agora, o que é interessante é o seguinte: Ló é um cara que nasce sobre uma égide cristã, porque ele vive com o pai da fé do judaísmo e do cristianismo. E, talvez, até do islamismo tenha uma vertente islâmica aí também, né? Abraão é pai de todos. Agora, o que acontece
é o seguinte: ele viu a fé de Abraão, uma fé pura, bonita, de um homem que não era perfeito, mas era um homem crente. Não só isso, Ló viu coisas ainda mais impressionantes. Ele viu a tia dele dando à luz aos 90 anos de idade, sabendo que tudo estava acontecendo por uma intervenção absurda de Deus na história. Ele viu isso. Ele experimentou milagres, ele ouviu Abraão várias vezes falando para ele sobre sobre Deus, o Deus único, o Deus que o chamou. É um Deus diferenciado! Esse Deus, ele sabia de tudo isso, mas parece que a
convivência com a cultura de Sodoma vai esvaziando do coração dele o temor. E esses netos dele que vão nascer, que são os netos-filha, né? Na verdade, é bem complicado. Esses meninos vão criar... Vai ter uma geração agora de amonitas e moabitas. Rute faz parte dos moabitas, rapaz! O povo judeu odiava os moabitas e amonitas. Ele é um cara que nasce dentro da fé. Ló vê toda a fé brotando desde o primórdio, mas é um cara que os filhos dele se perdem na história. E os moabitas e amonitas não podiam entrar no templo de Jerusalém. Eles
foram excluídos da bênção de Deus. E Deus disse lá na frente que ele haveria de acabar com essa nação, e ela acabou. Não é sério esse negócio? Olha o impacto que a cultura vai gerar no coração da família de Ló! Então, quando a gente percebe a dimensão da cultura, a gente precisa pensar o seguinte: qual é o efeito dessa cultura também nas minhas gerações, nos meus filhos, nos meus netos? Eu estou numa fase em que... Eu sempre tive essa compreensão de que Deus não quer abençoar só a gente; Ele quer abençoar meus filhos. Quer abençoar
meus netos e os filhos que ainda hão de nascer, como diz o Salmo 78? Como é que eu faço com a graça de Deus? Como é que eu vou me livrar de uma cultura tão acachapante, tão dominadora, tão forte como essa cultura midiática que nós temos hoje? Não é que não vamos sobreviver a isso tudo, mas aí, meus queridos irmãos, você vai para a história. Sempre a cultura foi muito pesada para a gente cultivar e guardar. A gente precisa entender o poder da gibóia que enlaça a gente, domina a gente e, daí a pouco, você
pensa com valores e princípios completamente contrários àquilo que Deus tem para você. E aqui está Ló, se envolvendo com suas filhas. Essas meninas se tornam, assim, coisa pior do que o judeu era. Um filho que se casasse com a moabita ou amonita, por quê? Quando Balaão, o feiticeiro, é chamado por Balaque para amaldiçoar o povo de Deus, quando o povo de Deus está saindo e dominando todas as terras, Balaque, que era um rei, chamou Balaão, que era um macumbeiro, tipo assim, o cara aqui de Abadiânia, né, João do diabo. E aí, cara, ele chama esse
cara e disse: "Olha, cara, amaldiçoa esse povo." Balaão achou interessante aquele trem e disse: "Eu vou fazer." Só que toda vez que ele ia maldiçoar, ele só proferia palavras de bênção. Aí, Balaque chamou e disse: "Cara, estou te pagando para amaldiçoar, só abençoa." E disse: "Eu não posso amaldiçoar o que Deus não amaldiçoa. É contra Jacó, não vale encantamento." Esse povo aí, o povo de Deus, tem jeito, não é? Aí Balaão tem uma sacada fantástica. Números 23 a 25 vai registrar isso. No número 25, a Bíblia diz que as filhas de Moabe começaram a vir
para Israel. As meninas bonitas, atraentes, vida fácil, e elas começaram a se envolver com os rapazes judeus. E eles começaram a pegar uma doença que, para mim, é doença venérea. Não havia no lugar antibiótico no deserto, matava mesmo; morreram 24.000 moços se envolvendo com isso. Então o ponto é o seguinte: o diabo não pode matar a igreja. Não, o diabo não pode destruir você, não. Agora, você pode se destruir se você engole a pílula que a cultura te dá; ela vai te matar. Se você permite que a cultura determine a sua ética, você está enrolado,
porque você está destruindo os fundamentos. Salmo 11:3 fala: "Destruindo os fundamentos, o que poderá fazer o justo?" Você destrói os fundamentos teológicos, filosóficos e éticos. Aí você se arrebenta. O que nós temos aqui na experiência de Ló é exatamente isso. E esse é o grande desafio para a gente: como guardar e cuidar do meu coração, em primeiro lugar, da minha mulher, dos meus filhos e dos meus netos? Como é que nós vamos fazer isso acontecer numa cultura que está sempre pressionando, pressionando, pressionando? As filhas de Ló esse, aquele valor ético de não ter sexo com
o pai, isso aqui era muito relativo em relação aos alvos que ela queria conquistar. Então, eu entendo que muitas vezes esse é o grande desafio que nós temos hoje: vamos lidar com a cultura. E você não está consciente dessa cultura? Você percebe aqui, lá é um negócio assim meio distoante, mas ela está vindo; ela sempre esteve. Seus pais, meus pais, meus avós foram vítimas da cultura do tempo deles. Muda só a forma, a estratégia, né? Mas nós estamos aí tendo que lidar com a cultura e proteger, guardar, cuidar das nossas gerações e de nós mesmos
numa cultura tão relativista e secularizada como a nossa, que a cultura secularizada perde a compreensão de que Deus intervém na história. Esse é o grande desafio do meu coração, esse é o grande desafio do seu coração. Nós precisamos estar atentos e dizer: "Hum, esse negócio aqui está indo longe demais." E a gente vai sendo absorvido por valores, e, daí a pouco, nossa mulher vai embora, carro, caminhão de mudança para na porta da casa, e aí os filhos vão se perder nessa história toda. Aí, a gente não sabe onde é que vão chegar esses netos nossos.
O que está acontecendo é o seguinte: se os seus filhos perdem a referência do sagrado, seus netos estão completamente perdidos. Eu li uma estatística essa semana passada de um livro chamado "O Evangelho Disruptivo". Ele falava que está havendo um avivamento muito bonito no Tibete — Tibete, cara budista, um negócio assim bem pesado —, mas está entrando naquele país de uma forma maravilhosa, tremenda. Louvado seja o nome do Senhor! Como é que você imaginava que a Coreia do Sul, por exemplo, um país de origem, também budista, pudesse, de repente, mudar o canal e se tornar um
país cristão? Pouco tempo após isso, o Tibete sendo agora transformado. Como é que você imagina que a cultura agora vai ter que...? Aí os antropólogos entram e dizem: "Cara, está mexendo com a cultura; o pessoal está começando a pensar de outra forma." É óbvio, porque se o evangelho entra, o evangelho começa a mexer com uma estrutura de pensamento. Então, só tem um jeito de a gente sair: o evangelho precisa entrar. Para a cultura sair, o evangelho precisa entrar. Quanto mais a cultura do evangelho tiver no meu coração, mais a cultura e essa visão, essa cosmovisão
bíblica e cristã, vão adentrar em mim e vão saindo aquilo em que eu não creio, não concordo. Assim aconteceu comigo quando eu tinha 16 anos de idade. Então, aos 16 anos, meus amiguinhos todos ali na escola, e cada um deles vivendo no estilo de uma ética muito relativista, e eu sendo pressionado o tempo todo também para isso, né? E agora Jesus entra no meu vida. Coração, eu sou o estranho. Sou estranha, né? Eles estranham que você não concorra ao mesmo excesso de devassidão, né? Isso que diz o apóstolo Pedro já naquela época. Estranham, mas eles
estranham que vocês não concorram ao meu excesso de devassidão. E aí, de repente, eu tinha que me assumir como cristão. Crise, que é lutar contra uma cultura que todo mundo está pensando do mesmo jeito. Acontece com a sua filha quando vai para a escola hoje, de Anápolis, e com 13, 14 anos, todas as amigas já tiveram sexo. Estão pressionando a sua filha, e você sabe disso, mas você não quer saber, né? Ou quer ignorar, ela está sendo pressionada para ter sexo porque ela é a estranha que não está tendo sexo. Estou falando de beijo na
boca, mas não vi gente com 13, 14 anos falando de sexo mesmo, tá? Como seus meninos, que com 9, 10 anos, recebem nudes, foto de meninas com 9, 10 anos, mandando fotografia pelada para os seus filhos. Você sabe disso ou quer ignorar? Como é que a gente faz com esse negócio? Uma coisa que você nem sabe como trabalhar. O que você faz com seus filhos de 15 anos de idade que têm acesso ao deep web? Deep o quê? Deep web? Você trabalha, na verdade, na surface web. É o que está na superfície. Aqui é essa
web que você tem, aí, na internet, acesso para ver notícias do mundo inteiro. Vi algumas coisas meio estranhas aparecendo, aí, não sei o que. Meio uns reels de TikTok, aí, meio estranhos e tal. Você está só aqui na superfície, e você já está assustado. Aí, eu vou na casa de um casal da igreja. Menino, 15 anos de idade. Não sei por que esse assunto entrou, deep web. A deep web é o que está por detrás da web. Então, você está no surface, aí tem uma coisa por detrás, onde os marginais, os narcotraficantes, tráfico de influência
de dinheiro, drogas, gangs, se articulam tudo por trás, pornografia infantil, né? Pedofilia. E aí, eu estou lá na casa, conversando, o assunto bateu. Menino de 15 anos, do nosso lado, menino interessante, menino crente. E a gente batendo papo, eu olhei para ele, perguntei para os pais: "Vocês já ouviram falar de deep web?" E disseram: "Não." Se eu perguntar aqui, 50% não sei se fornece a falar de deep web, né? Aí eu perguntei para o menino de 15 anos: "Você já ouviu falar disso?" Ele disse: "Já." "Seus colegas acessam isso?" "Sim." "Você tem condição de acessar
o deep web?" Ele disse: "Sim, eu só preciso de um código." Mas eu... (Música). "Eu tenho. Seus filhos vão ao deep web. Meu filho, você está aqui no surface. Eles vão lá no fundo." Você está aqui na superfície. É muito mais sério do que a gente imagina, né? Só tem uma forma de a gente poder superar isso. O evangelho tem que começar a formar em nós uma nova forma de ver, de enxergar. E o evangelho tem esse poder. O evangelho é o poder de Deus para nos transformar, mas tem que ser uma transformação de dentro
para fora. Não é algo superficial. Tem que ser dito. Não é uma superfície. O evangelho precisa entrar em nós. Então, quanto mais de Jesus, da palavra de Deus, da devoção você tiver, mais você vai ficar assustado com seu próprio coração, e mais medo de tudo, e mais dependência de Deus, mais reverência, mais intimidade com Deus, porque você começa a entender o seguinte: "Cara, isso aqui não é para mim. Eu não dou conta disso aqui." Porque o evangelho, meus queridos, nunca foi sobre você. O evangelho é sobre o que Jesus Cristo fez por você. É isso
que o evangelho nos ensina. Não que por nós mesmos sejamos capazes de fazer alguma coisa, como se procedesse de nós. Pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus. É o temor de Deus, a reverência, meditar na palavra e estar pensando nas coisas de Deus que vai te livrar das armadilhas da cultura que você nem percebe que está tão enfonçada em você, muito mais do que você imagina que seja. Ela está aí, não está entrando na sua cabeça, não é? Muito mais séria. Ela está entrando pelos seus poros, pela sua pele, está adentrando. Você está indo
para os seus intestinos, né? Indo lá para dentro, suas vísceras, vai passando pelas suas veias. O negócio é bem complicado, mas Jesus veio exatamente para fazer isso, para mudar o nosso coração, nos dar uma nova forma de pensar. E a gente precisa continuar refletindo sobre a palavra de Deus, orando, dizendo: "Deus, livra-me do mal, livra-me do mal." E é curioso, quando você vai olhar a oração dominical, que diz "livra-nos do mal". Uma outra tradução diz "livra-nos do maligno". É a mesma coisa, mas é diferente, né? O mal é uma personificação, né? O maligno é a
forma como o mal age. Então, nós estamos falando de alguma coisa que a gente precisa estar orando. O texto diz lá: "Vigiai e orai para que." Alguém quer traduzir diferente? "Não cair em tentação." Alguém quer falar outra coisa? "Vigiai e orai para que não entreis." É interessante esse negócio. Sabe por quê? Porque tentação é o encontro do pior que há em você com o pior de todos os seres. É o encontro do pior que há em você com o pior de todos os seres. E, às vezes, eu vi uma ilustração sobre tentação. Por isso Jesus
está dizendo: "Orai para que não entreis." Não entra nessa roda, não, porque você começa a entrar. E há uma ilustração muito interessante. Você diz assim: "Imagine que você tem lá no fundo do quintal da sua casa um tanque quietinho. A água está quietinha. O mosquito do dengue adora esse lugar, aí, né? Vai... Lá, aí você diz: “Eu tenho que acabar com a dengue, com o mosquito da dengue.” Você vai lá embaixo, você tira ela, tá? Rachinha lá embaixo, quando você tira, a água começa a cair. Você vai perceber que as folhas, os cisquinhos que estão
na superfície, eles vão fazer um leve movimento, cremosinho, né? Bem leve, bem sutil. Mas a água tá descendo. Daí, um pouco, você vai perceber que essa água vai começar a mexer mais; ela vai começar a formar um círculo para ir pro funil. Quando você entra no círculo que vai nesse funil, aí você tá lascado, aí você tá enrolado, porque esse negócio vai aumentando a velocidade até te engolir. Eu queria que acontecesse isso com Ló. Ló foi engolido, um homem justo, e foi engolido. E a consequência para a família dele não foi boa. Ele não cultivou
e ele não guardou, e isso foi desastroso para a vida das suas filhas e para as suas gerações. Que isso não aconteça conosco. Vamos orar. Senhor, nós queremos pedir graça do Senhor. Precisamos do Senhor, da Tua capacidade, nos vermos como o Senhor vê. Deus, nós muitas vezes estamos vivendo de formas tão equivocadas. Ó Pai, julgando e avaliando as coisas pelo que os nossos olhos veem, pelos lucros que a gente pode ter, pela aprovação social. Nós estamos precisando desesperadamente de alguma coisa, Pai, que nos transforme de dentro para fora. Nós precisamos cultivar e guardar o nosso
coração, para cultivar e guardar nossa esposa, para guardar nossos filhos, abençoar nossos netos e os que ainda hão de nascer. Ó Deus, a gente gostaria tanto de ver uma geração bendita, uma posteridade que ama o Senhor. E também gostaria de ver o nosso coração sendo mais crente, crendo mais, entendendo, ó Deus, a bênção e o poder do Senhor hoje na nossa história, no ordinário, no dia a dia, nos negócios que a gente faz, no trabalho que a gente tem, na forma de ganhar dinheiro, na forma como lidamos com a nossa sexualidade, nossos pensamentos. Nossa, ajuda-nos,
ó Deus, a viver para a glória do Senhor. Em nome de Jesus. [Música] [Aplausos] [Música] Amém.