[Música] Olá pessoal na aula de hoje nós vamos falar sobre o segredo da acumulação primitiva Max foi capaz de mostrar como nós vimos na última aula que quanto mais próximos estivermos de um regime de mercado livre mas nós nos veremos confrontados com duas importantes consequências a menor dessas consequências é que a estrutura dessa centralizada fragmentada e atomística que evitaria que um poder singular dominasse e manipulasse o mercado dá lugar a um poder capitalista cada vez mais Centralizado a concorrência tende sempre a produzir monopólio e quanto mais feroz a concorrência mais rápida é a tendência a
centralização a maior das consequências é a produção de um lado de imensas concentrações de riquezas em particular da parte dos capitalistas centralizadores e de outro de uma crescente miséria exploração e degradação da classe trabalhadora onde quer que a neoliberalização tenha sido desenfreada como no México e na Índia a partir dos anos 90 novos bilionários entraram para a lista da Forbes das pessoas mais ricas do mundo a ideologia da liberdade de troca e da liberdade de contrato nos ludibria a todos fundamenta a superioridade e a hegemonia moral da teoria política burguesa e sustenta a sua legitimidade
e seu suposto humanismo os trabalhadores como observa Marx são livres apenas no duplo sentido de ser capazes de vender sua força de trabalho para Quem quiserem ao mesmo tempo que são obrigados a vender essa força de trabalho viver porque foram libertados e liberados de todo e qualquer controle sobre os meios de produção somos obrigados a enfrentar o uso predatório violento e abusivo do poder que se encontra nas origens históricas do capitalismo quando ele liberou a força de trabalho como uma mercadoria e eliminou o modo de produção anterior os pressupostos que dominaram argumento em todos os
capítulos anteriores do Capital são abandonados com consequências brutais o capitalismo como nós vimos Depende fundamentalmente de uma mercadoria capaz de produzir mais valor do que aquele que ela tem e essa mercadoria é justamente a força de trabalho acumulação primitiva diz respeito às Origens históricas desse trabalho assalariado assim como a acumulação nas mãos do capitalista dos recursos necessários para empregado os capítulos 24 e 25 do Capital tratam da questão central da transformação da força de trabalho em mercadoria ou de modo mais geral da formação da classe trabalhadora a transição do feudalismo para o capitalismo ocorreu em
estágios em que o capital comercial e o capital usuário abriram o caminho para o capital de produção ou capital Industrial o papel que essas forças anteriores de Capital desempenharam na dissolução da ordem feudal está portanto aberto a investigação Isso significa que uma vez que o capitalismo passou pela acumulação primitiva e uma vez que a pré-história acabou e Surgiu uma sociedade capitalista moderna os violentos processos que ele descreve tornaram-se insignificantes e desnecessários ao modo como capitalismo funciona nós vamos ter a expropriação violenta ajudou de uma classe de pessoas do controle sobre os meios de produção primeiro
por meio de ações Ilegais e por fim como a lei de cerceamento na Inglaterra pela ação do estado Adam Smith é claro não queria que o estado fosse entendido como um agente ativo na vítima ação da população e por isso não podia contar uma história da acumulação primitiva em que o Estado desempenhasse um papel crucial se as origens da acumulação do Capital se encontram no aparato e no poder estatal Qual é o sentido de defender políticas de lesefer como um meio fundamental para aumentar o bem-estar Nacional e individual por isso Smith e a maioria dos
economistas políticos clássicos preferiu ignorar o papel do estado na acumulação primitiva a principal preocupação de Marx nos Capítulos 24 e 25 é esmiuçar a história da acumulação primitiva no século 16 em diante e investigar como esses processos foram postos em movimento é claro que ele admite prontamente que a história da expropriação da terra assume tonalidades distintas nos diversos países e percorre as várias fases em sucessão diversa e em diferentes épocas históricas a apropriação da terra foi um meio principal para expropriar o campesinato mas a liberação dos vassalos se deveu muito ao modo como poder do
dinheiro começou a ser exercido na e sobre a ordem feudal a nova nobreza era uma filha de sua época para qual o dinheiro era o poder de todos os poderes o dinheiro dissolve a comunidade tradicional e ao fazer isso ele se torna ele mesmo a comunidade passamos de um mundo em que a comunidade é definida em termos de estruturas de relações sociais interpessoais para um mundo em que prevalece a comunidade do dinheiro o dinheiro usado como poder social conduz a criação de grandes latifúndios criações de ovelhas e coisas do gênero ao mesmo tempo que a
troca de mercadorias prolifera o poder estatal cede gradualmente por duas razões em primeiro lugar porque o estado depende do Poder do dinheiro e se torna assim vulnerável a ele em segundo lugar porque o poder do dinheiro pode ser criado e mobilizado de modo que a legislação estatal tem dificuldade de detê-lo em vez de as ilegalidade do Poder do dinheiro assumirem uma liderança subversiva o estado se Alia a esse poder e começa a apoiar ativamente os processos de proletarização essa tendência se consolida de smarts com a Revolução Gloriosa de 1.688 nesse período O Roubo sistemático da
propriedade comunal se estende com destaque para o amplo cercamento das terras comuns a violenta usurpação dessa propriedade comunal em geral acompanhada da transformação das terras de lavoura em pastagens tem início no final do século XV e prossegue durante o século 16 a questão sobre o que todas essas pessoas expulsas de suas terras fariam é tratada no item 3 do Capítulo 24 do Capital em geral não havia emprego para elas então ao menos aos olhos do Estado esses indivíduos se tornavam vagabundos mendigos ladrões e assaltantes o aparato estatal respondia de um modo que perdura até nossos
dias criminalizando e encarcerando tratando-os como vagabundos e praticando contra eles a mais extrema violência assim a população rural depois de ter sua terra violentamente expropriada sendo dela expulsa e entregue a vagabundagem viu-se obrigada a se submeter por meio de leis grotescas e terroristas e por força de açoites ferros e Brasas e torturas há uma disciplina necessária ao sistema de trabalho assalariado as pessoas foram socializadas a situação de trabalhadoras assalariadas como portadoras de mercadoria força de trabalho mas a burguesia emergente continua necessitar do poder do estado para regular o salários e evitar qualquer tipo de organização
Coletiva dos trabalhadores como por exemplo a imposição de uma legislação antes sindical e o que foi chamado na época de combination LoL leis que proibiam associações e até mesmo assembleias de trabalhadores a legalidade burguesa é usada desse modo muito específico para inibir os potenciais poderes coletivos do trabalho o crescimento do mercado interno na grã-bretanha a partir do século 16 foi segundo Marx um elemento importante no desenvolvimento do capitalismo isso nos conduz ao item 6 desse Capítulo a Gênese do capitalista industrial que assumiu o papel de protagonista que antes era desempenhado pelo capital comercial pelo capital
usuário pela bancocracia capital financeiro e pelo capital fundiário desde o início essa mudança estava estreitamente ligada ao colonialismo ao comércio escravagista e ao que ocorreu na África e nos Estados Unidos no feudalismo havia muitas barreiras para a transformação da qualidade cada vez maior de Capital monetário em capital Industrial o regime feudal no campo e a constituição corporativa na cidades inibiram desenvolvimento industrial baseado no trabalho assalariado mas Essas barreiras caíram com a dissolução dos séquitos feudais e com a expropriação e a parcial expulsão da população rural na grã-bretanha o capitalismo industrial se desenvolveu naquilo que hoje
chamaríamos de áreas não cultivadas nos Estados Unidos a tendência é a mesma encontrar espaços onde não há regulação e organização sindical continua a ser um aspecto significativo da dinâmica geográfica e locacional do capitalismo os processos de expropriação afirma Marx são tão longos quanto brutais e Dolorosos o feudalismo não acabou sem luta a partir desse momento agitam-se no seio da sociedade forças e paixões que se sentem travadas por esse modo de produção o feudalismo tem de ser destruído e é destruído sua destruição a transformação dos meios de produção individuais e dispersos em meios de produção socialmente
concentrados e consequentemente a transformação da propriedade nanica de muitos em propriedade gigantesca de poucos portanto as procriação que despoja grande massa da população de sua própria terra e seus próprios meios de subsistência instrumentos de trabalho essa terrível e dificultosa expropriação das massas populares tudo isso constitui a pré-história do Capital historiadores e historiadores realizaram uma enorme quantidade de pesquisas sobre a transição do feudalismo para o capitalismo provavelmente ele é consenso que a história contada por Marx é parcialmente verdadeira em alguns pontos de fato houve vários momentos e incidentes de extrema violência nessa geografia histórica e a
inegável o papel do sistema colonial inclusive da evolução das políticas agrárias trabalhistas e tributárias aplicadas nas colônias mas também houve exemplos de acumulação primitiva que foram relativamente pacíficos As populações eram menos forçadas a sair da terra do que atraídas pelas possibilidades de emprego e pelas perspectivas de uma vida melhor oferecidas pela urbanização e pela industrialização a história da acumulação primitiva portanto muito mais nuançada e complicada em seus detalhes do que aquela que Marx conta no capital e em sua dinâmica houve aspectos importantes que Marx ignora por exemplo a dimensão de gênero é reconhecida hoje como
altamente significativa porque a acumulação primitiva acarretou muitas vezes uma perda radical de poder das mulheres a redução delas a condição de propriedade móvel e o reforço das relações sociais patriarcais O projeto político de Marx no capital consiste em nos alertar sobre o modo como essas correções silenciosas operam em nós muitas vezes sem nos darmos conta escondidas atrás das máscaras feticistas que nos cercam ele nos mostra como foi afirmado anteriormente que não há nada mais desigual do que o tratamento igual de desiguais que a igualdade nos ilude fazendo-nos acreditar na igualdade entre as pessoas que as
doutrinas burguesas dos direitos de propriedade privada e da taxa de lucro fazem parecer que todos temos Direitos Humanos que As Ilusões da Liberdade pessoal e da Liberdade nascem das liberdades do mercado e do livre comércio A extração de mais valor é afinal de contas uma forma específica de acumulação por desapostamento porque é simplesmente a alienação a apropriação e o desapostamento da capacidade do Trabalhador de produzir valor no processo de trabalho Além do mais para que essa forma de acumulação continue a crescer é preciso encontrar maneiras de mobilizar populações latentes como trabalhadores e liberar mais terras
e mais recursos como meios de produção para o desenvolvimento capitalista na história da acumulação primitiva da escrita por Marx ouve todo tipo de luta contra as expulsões e as ex procriações forçadas e nós finalizamos aqui esta aula Bons estudos a todos e até a próxima [Música]