Módulo 9 Aula 4 Para ter boas medidas de comportamento e dos eventos que nós observamos quando trabalhamos com a ABA, é importante ter boas definições operacionais. As definições operacionais são importantes para a gente saber qual ou quais os exatos comportamentos que vão ser alvos de observação ou de intervenção. Como os procedimentos de intervenção devem ser implementados.
Então nós temos aqui dois pontos importantes sobre definições operacionais que nós vamos explorar um pouco mais nessa aula. Então são as definições operacionais de comportamentos e as definições operacionais de procedimentos de intervenção. Há dois tipos de definições de comportamento: a definição baseada na função e a definição baseada na topografia.
Vamos primeiro com a definição baseada na função. Nessa definição, as respostas que nós vamos observar são membros de uma classe de comportamentos que têm o mesmo efeito no ambiente, embora possam não ter a mesma topografia. Os comportamentos isolados, as ocorrências de comportamentos, podem ter formas um pouco diferentes, às vezes até muito diferentes, mas eles compõem a mesma classe.
Então vamos pegar aqui um exemplo: o comportamento de colocar a mão na boca. Numa determinada sessão, eu quero quantificar, registrar o quanto essa criança coloca a mão na boca. Essa criança pode colocar a mão na boca de muitas formas.
A função é a mesma, mas a forma pode ser diferente. Ela pode colocar um dedo, dois dedos, três dedos, a mão inteira. Ela pode só tocar no lábio, ela pode colocar a mão tocando a língua ou lá pra dentro da boca.
Tem muitas formas diferentes de colocar a mão na boca, mas para uma definição operacional baseada na função importa pouco se essa criança colocou um dedo, dois dedos, a mão inteira, se só tocou os lábios, se tocou a língua. Isso não importa. Então, numa definição operacional baseada na função, colocar a mão na boca poderia ser definido como: qualquer comportamento que resulte em contato dos dedos, mão ou punho com a boca, lábios ou língua.
Veja, existem muitas possibilidades de formas desse comportamento, mas isso não é importante. Qual é a forma? Importa para mim qual é a função desse comportamento.
A gente poderia pensar em um outro exemplo para enriquecer mais essa compreensão: é o comportamento de cumprimentar alguém. Cumprimentar alguém pode ser feito com a mão direita, com a mão esquerda, com as duas mãos, apenas com a cabeça. Culturas diferentes utilizam formas diferentes de cumprimentar.
No entanto, a função é a mesma: cumprimentar alguém, fazer algum tipo de diferença ou demonstrar que reconheceu a presença daquela pessoa, ou de dar as boas-vindas. Mas a forma, topografia do comportamento, é menos importante em alguns contextos e por isso nós usamos uma definição baseada na função. Quando a gente usa uma definição baseada na topografia, a gente tem que identificar as ocorrências de comportamentos que devem ser registradas a partir da sua forma.
E aqui, nesse caso, a forma do comportamento conta. Geralmente, a gente vai utilizar definições baseadas em topografia quando a gente não tem acesso direto, confiável ou fácil ao resultado produzido pelo comportamento. A gente não sabe exatamente qual é a função daquele comportamento, então nós precisamos fazer uma definição que é baseada mais na forma como esse comportamento se parece do que na função que ele tem.
Vamos pensar em alguns exemplos, né? Então, eu poderia escrever como uma definição baseada em topografia para um aplicador ou um técnico comportamental: registre todas as estereotipias da criança. Por enquanto, essa pessoa pode ter dificuldade de registrar apenas com essa definição.
Essa não é uma boa definição operacional baseada em topografia. Por quê? Porque existem muitas possibilidades de estereotipias, por exemplo, as estereotipias motoras, e diferentes inclusive, que podem envolver o corpo inteiro, que podem envolver apenas uma parte do corpo do cliente, por exemplo, apenas as mãos, apenas as pernas, apenas a cabeça, e ainda as estereotipias vocais.
Então, se eu coloco uma definição operacional "registre todas as estereotipias da criança", provavelmente um técnico comportamental vai ter dificuldade. Ele vai saber? Ele sabe todas as topografias possíveis de estereotipias?
É possível que não. Eu teria que especificar quais são as estereotipias que eu preciso que sejam coletadas dados. A estereotipia, o nome estereotipia, é na verdade um rótulo de uma categoria, não é um comportamento.
Então isso torna ainda mais difícil quando a gente usa rótulos para falar de uma definição baseada em topografia. Provavelmente, pessoas diferentes observando o mesmo cliente ao mesmo tempo vão registrar coisas diferentes. E aí nós não temos uma medida confiável, lembrando lá sobre o acordo entre observadores.
Com uma definição apenas "registre todas as estereotipias da criança", nós não teremos o acordo entre os observadores. Agora pense que eu vou então melhorar essa definição operacional, e eu coloco lá: registre todas as vezes que a criança balançar repetidamente as mãos na altura da própria cabeça. Agora eu especifiquei a topografia.
É uma topografia que, se pessoas diferentes lerem a definição, provavelmente elas conseguirão observar o mesmo fenômeno e registrar o mesmo fenômeno. Aqui ainda poderia estar melhor, porque balançar repetidamente as mãos na altura da própria cabeça ainda poderia entrar algumas topografias que não são estereotipias. Por exemplo, essa criança pode balançar a mão ao lado da própria cabeça cumprimentando alguém ou dando tchau.
E aí essa topografia não é uma estereotipia. Essa forma não é uma estereotipia. Ela está na verdade cumprimentando alguém, mas poderia entrar nessa definição.
Então vamos melhorar ainda mais essa definição. A gente poderia dizer: registre todas as vezes que a criança balançar repetidamente as mãos na altura da própria cabeça, exceto quando este movimento for solicitado ou estiver envolvido em interações sociais. Então, na minha definição operacional mais precisa, eu devo especificar a topografia, mas também devo especificar situações que não devem estar incluídas na observação, ou quando vocês entenderem "não, eu não vou registrar".
Então eu poderia pedir a criança que dê tchau para alguém, quem quer responder a pergunta e a criança levantar a mão e balançar. Ela está balançando repetidamente a mão ao lado da cabeça, mas não é uma estereotipia. Ela está ali, na verdade, se candidatando a responder uma pergunta ou a fazer qualquer outra coisa que a criança perguntou.
As definições operacionais são um tópico delicado. Geralmente quem faz essas definições, quem estabelece, escreve essas definições são supervisores, supervisoras, coordenadores e coordenadoras de caso. Mas é muito importante que você, ao ler as definições, tente visualizar, tente compreender.
E, caso a definição ainda não esteja clara para você, é importante tirar dúvidas com quem criou essa definição operacional que você foi designado a utilizar. Então a descrição precisa ser concisa, ela precisa ser exata. Nesse sentido, a descrição precisa e concisa do comportamento-alvo é necessária, é essencial para um bom trabalho.
As pessoas têm que estar observando a mesma coisa. E nessa definição, como eu já falei no exemplo anterior, deve incluir o que está e o que não está incluído na definição comportamental. Então exceções devem aparecer na definição.
Esse comportamento precisa ser observável por outra pessoa e mensurável. Existem comportamentos que não são observáveis por outro. Eu posso aqui fazer contas de matemática mentalmente, outras pessoas não são capazes de observar esse meu comportamento.
Eu posso ensaiar frases para falar em determinados contextos sociais. Esses não são comportamentos — se eu fizer isso privadamente, ninguém pode observar. Toda definição de comportamento precisa ser observável e mensurável.
E a definição deve permitir aos observadores capturar todos os aspectos do comportamento, e não deve incluir outros comportamentos que não estão na definição. Então ela deve incluir alguns comportamentos e necessariamente excluir outros comportamentos. E essa definição operacional também precisa ser específica para cada indivíduo.
A mesma definição operacional geralmente não vai servir para pessoas diferentes. Em alguns casos sim, mas em outros casos não. Então geralmente a gente precisa especificar bastante a definição operacional de um comportamento para um cliente específico.
Então, resumindo aqui o que eu comentei: alguns conceitos importantes na definição operacional do comportamento. A definição precisa ser objetiva, ou seja, ela deve se referir apenas às características observáveis do comportamento, traduzindo termos vagos que às vezes a gente utiliza no cotidiano. Como assim?
"Quando a criança tiver a intenção de ajudar o coleguinha numa atividade em grupo. " Como é que eu observo intenção de ajudar? Esse não é um termo que eu possa facilmente compreender e concordar com outra pessoa de que nós estamos observando que essa criança tem a intenção de ajudar.
Não é um comportamento observável. A definição também precisa ser clara, ou seja, ela tem que ser legível e inequívoca, ou seja, ela não pode ter ambiguidades. De modo que alguém, ao ler essa definição, seja capaz de explicar para outra pessoa em termos comuns.
Então a gente sabe que uma definição é clara quando isso é possível: alguém lê aquela definição e fala com outra pessoa em outros termos. Ela vai parafrasear aquela definição de modo que aquela pessoa consiga também coletar o mesmo dado. E a definição precisa ser completa, estabelecendo os limites do que vai ser incluído e do que não vai ser incluído na definição, e deixando pouca decisão para o observador.
O observador tem que pegar aquela definição e aplicar na observação dele.