nós estamos hoje com o professor Dr Diego Costa Lima da Universidade Estadual de Minas Gerais e esta aula Ela tá dividida em duas partes na primeira parte nós vamos falar um pouco sobre saúde mental sobre a questão da mulher cuidadora sobre a as bases da teóricas da da dessa preocupação do Diego e que deveria ser de todo agente saúde mental com a a a sobrecarga que incide sobre a mulher cuidadora em especialmente de pacientes psiquiátricos Então a primeira parte vai focar um pouco mais esses aspectos e já direcionando para as habilidades sociais como fatores moderadores
desse processo processo todo de sobrecarga dessa dificuldade toda da mulher nesse processo na segunda parte nós vamos eh focalizar especificamente a questão do inventário construído pelo Diego e nosso grupo de pesquisa e que já tá aí disponível para vocês paraa pesquisa e pra prática e nós vamos deixar todos os dados aqui a indicação o contato com Diego tudo isso para vocês bem nós estamos aqui hoje com um convidado muito especial nesse nosso curso Aprimore porque essa aula é sobre um inventário de avaliação de habilidades sociais de familiares cuidadores de pacientes psiquiátricos e o autor desse
instrumento é o professor Dr Diego Costa Lima da Universidade Estadual de Minas Gerais ele produziu Esse instrumento em um doutorado junto ao nosso grupo de pesquisa eu tive a honra de ser a sua supervisora e agora é claro eu tinha que trazê-lo aqui para não só para apresentá-lo para vocês mas também para que ele próprio falasse do instrumento que foi produzido e é que é tão importante na área de saúde mental associada a habilidades sociais o Diego foi durante todo esse processo de doutorado um bolsista Fapesp isso significa no nosso grupo de pesquisa um aspecto
muito importante nós o tempo todo produzindo pesquisas de alta qualidade que são reconhecidas por agências de fomento as bolsas só são concedidas quando a pesquisa é boa então o projeto Era bom o produto foi ótimo e é por isso que a gente tá aqui agora apresentando para vocês eh eu queria que o Diego apresentasse Passa então o slide inicial de apresentação dele onde tem todos os dados da formação dele que eu acho importante pra gente destacar aqui e depois pedir para ele começar a falar um pouquinho sobre o que o motivou a investir na avaliação
de habilidades sociais de familiares cuidadores de pacientes psiquiátricos contextualizar um pouco a experiência prévia e o envolvimento de ele com saúde mental a importância dos cuidadores o papel do psicólogo o papel das habilidades sociais então eu passo a palavra pro Diego para ele fazer uma breve apresentação de tudo isso fica à vontade Diego muito prazer em ter você aqui prazer é meu Zilda Muito obrigado aí por pelo convite est participando aqui com você no curso né Acho muito importante né a gente tá aqui nesse momento poder discutir né excelente que eh essa atividade que se
tem proposto né de de falar dos instrumentos e falar também assim e trazer autores né acho que isso é muito bom então agradeço muito o convite né Espero que nesse dia de hoje que eu consigo contribuir com vocês aí com com as informações sobre o inventário que eu desenvolvi durante o meu doutorado né E que ele seja útil aí né para quem quer desenvolver pesquisas para quem tá na prática cotidiana também da Clínica ou de serviços de saúde mental comunitários ou particulares também acho super importante a gente tá aqui discutindo então aqui né Eh um
pouco da minha trajetória né acadêmica e profissional eh eu sou psicólogo formado pela Universidade Federal de São João de Rei né conclui minha graduação em 2010 e realizei meu mestrado na mesma instituição né entre 2011 e 2013 sobre orientação da professora Marina Bandeira né mas eu acho que é importante grande Marina Bandeira a gente tem saudade Manda um abraço agora aproveito para mandar um abraço paraa Marina bandeira que sempre foi uma grande parceira com com do nosso grupo de pesquisa uma uma uma componente do grupo de pesquisa com muitos projetos conjuntos com muita produção científica
na área exatamente eh eu queria só destacar aqui né que nesse período meu de graduação né foi quando eu iniciei a minha a minha interface dentro da Área das habilidades sociais né durante 4 anos eu fiz uma pesquisa na minha graduação sobre eh observação eh e avaliação de habilidades sociais de estudantes universitários né a gente fez pesquisas observacionais correlacionando com o ihf e outros instrumentos também né E também destacar né que aí em 2007 foi meu primeiro evento né Eu estava no primeiro seminário eh internacional de habilidades sociais né que ocorreu na cidade de São
Carlos né inclusive foi uma das primeiras apresentações que eu fiz né na na minha vida acadêmica e aí foi aí na na Universidade de São Carlos né E foi um pouco ali que eu quando nesse momento eu objetive né Em algum momento da minha vida estar em São Carlos fazendo alguma pós--graduação né Eh então foi isso né eu acabei fiz minha graduação sempre trabalhando na área de habilidades sociais né eu era membro do lapsan que é o laboratório de pesquisa em Saúde Mental da universidade Federal de São João de Rei que que era coordenado pela
professora Marina e logo na sequência eu fiz iniciei o meu mestrado né e no mestrado como era um laboratório da área de saúde mental né lá a gente trabalha muito com pessoas com os transtornos psiquiátricos principalmente esquizofrenia transtorno de depressão e bipolar e a gente naquela época a gente estava tendo muitos direcionamentos de trabalhos né de pesquisa dentro da do contexto de saúde mental E aí eu peguei todo o meu conhecimento da área de habilidades sociais que eu adquiri durante a graduação e elaborei um projeto específico para uma população que são os cuidadores de pessoas
com transtornos mentais graves né então ali já foi o meu início de trabalho com a população de familiares cuidadores né são aquelas pessoas que geralmente dedicam o seu tempo ali para cuidar de uma pessoa que tem algum transtorno mental grave como esquizofrenia ou algum transtorno de depressão maior transtorno de personalidade e outros também né É realmente né Diego a gente pode dizer que a a a questão dos familiares né todo o transtorno todo transtorno psicológico mas o transtorno psiquiátrico em particular eh demanda muito muito dos familiares é uma situação bastante especial né Exatamente é o
o cuidado né apesar de a as organizações mundiais a saúde e outras organizações reconhecerem como os principais provedores de cuidado para essas pessoas né Eles ainda são muito negligenciados né no Cuidado em Saúde Mental né apesar disso Ter iniciado lá na década de 50 no exterior nos Estados Unidos na Europa e no Brasil por volta da década de 70 ainda hoje a gente tem muita dificuldade de trabalhar com os familiares né Eu acho que o que eu vou contar aqui hoje um pouquinho da minha experiência com esses com essa famílias né Eu acho que vai
mostrar aí que é uma área super importante mas uma área também muito difícil né não é uma área simples né mas é uma área que precisa ser trabalhada aí no contexto da Saúde Mental do nosso país né e do outros países também N E aí o o no meu mestrado né o meu objetivo ali foi justamente verificar habilidades sociais desses familiares né então eu trabalhei ali num projeto que que ele chamava Exatamente isso habilidades sociais de familiares cuidadores de pacientes psiquiátricos né só dar um destaque aqui que eu uso o termo paciente né Apesar que
não é um termo que eu uso no meu cotidiano da Clínica né Eu prefiro chamar de cliente algo nesse sentido mas o temo paciente eu uso ele porque ele ele é um temo comum dentro da literatura psiquiátrica né E como a gente trabalha eh numa interface né de de serviço de saúde mental acaba sendo um temo que é mais comum utilizado por isso que eu vou usar o termo paciente psiquiátrico aqui mita vezes mas assim o então eu desenvolvi esse mestrado né na Universidade Federal de São J do rei a gente conseguiu fazer uma coleta
né a gente usou o inventário de habilidades sociais usamos outros instrumentos também de sobrecarga e outras medidas né E aí nisso foi quando eu terminei meu mestrado né eu até tive tinha um planejamento de talvez iniciar o doutorado na sequência mas acabei indo para voltando paraa minha cidade né Eu sou de labros Minas Gerais e E aí eu fiquei lá dando aula né durante dois anos né antes de ir pro doutorado né então eu acho que foi um período muito positivo também né porque eu consegui iniciar minha carreira docente né hoje esse ano por exemplo
faz são 10 anos que eu iniciei minha carreira de como docente E aí a gente isso acaba propiciando para mim propiciou para mim né um um aprendizado de sala de aula um aprendizado de orientação de pesquisa né nessa época que eu trabalhei em lá eu orientei trabalhos sobre habilidades sociais relacionadas ao uso de álcool e drogas habilidades sociais de estudantes universitários e outros temas também nessa área de habilidades sociais né E aí felizmente em 2014 né eu lembro que eu decidi né Fazer o doutorado e não tinha outro lugar que não em São Carlos né
Eh e sempre como era um desejo meu lá de 2007 né como eu falei para para vocês eo mais cedo né é eu eu acho acho super legal essa Lembrança sua porque realmente você foi fez parte da história né da história inicial do dos seminários de habilidades sociais É isso aí Exatamente é não muito bom né infelizmente eu eu de todos seminários Eu só não consegui ir em um né e agora esse ano que vem a gente vai ter outra oportunidade aí de tá em mais um seminário né Mas então assim e aí realmente como
eu objetive lá atrás né em 2007 falei vou para São Carlos tentar meu doutorado né e felizmente eu fiz aí o contato com a professora Zilda né eh e aí para destacar meu interesse né de fazer um doutorado lá no na área de habilidades sociais né e é na área principalmente também numa interface com a psicometria né porque como eu trabalhei com inventário de habilidades sociais na no meu mestrado né Eu já comecei trabalhando muito nessa área de avaliação porém eh eu ainda sentia que faltava um pouco né princialmente quando a gente pensa na no
contexto nas habilidades sociais enquanto contextuais né muitas vezes a gente precisa ter instrumentos que vão avaliar contextos específicos e foi isso que eu propus no meu doutorado né no meu doutorado meu projeto ele teve o objetivo de eh de envolver uma medida de habilidades sociais específica para os fam os cuidadores né E aí o que eu vou contar um pouquinho aqui Felizmente eu fiz o processo em 2014 Fui aprovado né Eh e iniciei em 2015 o meu trabalho na no Nacar né no laboratório coordenado pela professora Zilda e pelo Professor Almir e foi muito gratificante
esse período em São Carlos né Eh morei lá durante todo esse tempo né de 2015 a 2019 aí depois eu vol voltei para Minas né voltei para Minas né ainda nesse meio tempo né eu comecei a trabalhar em Minas né então ia e voltava durante toda a semana né ali PR Cid pra cidade de varginia e trabalhei de 2017 a 2021 lá num em uma universidade né privada e em 2021 né eu fui efetivado né Depois de ter feito um concurso na Universidade do Estado de Minas Gerais e é a a Universidade do Estado de
Minas Gerais hoje ela Universidade que ela está em 20 cidades de Minas né e eu atualmente dou aula no segundo maior Campus né o campus de Divinópolis tem vários cursos e eu sou professor efetivo aqui da área de de avaliação psicológica né E tenho desenvolvido desde que eu entrei aqui trabalhos também na área de habilidades sociais né né Então as habilidades sociais estão aqui dentro da weng também né E até importante destacar aqui que a professora Zilda ela ela esteve na inauguração do da da do meu laboratório né eu criei um laboratório de eh de
psicometria em intervenções cognitivas né o laap cog e a palestra inaugural foi com a professora Zil eh eu quero destacar aqui essa essa vocação do Diego para a psicometria e também toda a contribuição que ele sempre deu ao grupo de pesquisa com os conhecimentos com apoio com a solidariedade com os colegas e continua até hoje um serão aí na pesquisa nessa área é realmente trabalhar com a psicometria ela é uma coisa que eu trabalho muito em conjunto hoje com várias pessoas do nosso grupo né hoje principalmente com a Bárbara né que tá em Diamantina né
na Universidade Federal do Vale Deão em Mucuri né eu tenho trabalhado hoje em dia eu sou coorientador lá também de do programa de pós-graduação então a gente tá aí trabalhando junto na área de habilidades sociais desde então então ess é um breve resumo né da do meu percurso acadêmico e agora eu vou dar um início aqui de falar um pouquinho desse instrumento né Vamos falar desse instrumento né o inventário de habilidades sociais para familiares cuidadores eh e antes eu quero só destacar algumas coisas né vou pontuar aqui e colocar alguns dados que são importantes são
Dados que estão aí eh justamente para justificar né o trabalho com essa população né eu comecei lá isso isso que é importante eu acho que agora a gente entra então na questão de por trabalhar habilidades sociais de cuidadores de de familiares cuidadores eu acho que não seria somente até para pacientes psiquiátricos Mas o foco do Diego foi esse é hoje em dia a gente tem vários trabalhos vários não né mas assim a gente tem alguns trabalhos que estão direcionados a trabalhar com os cuidadores né de pessoas de idosos de crianças com com algum transtorno como
autismo né e eu trabalhei especificamente com pessoas que cuidam de outras com esquizofrenia transtornos eh do humor né como depressão e tudo mais então assim passando aqui em termo dos dados né Eh eu trouxe aqui né esses dados aqui eles são até não são são recentes né de 2018 2017 que fala um pouquinho n da saúde mental no Brasil assim né é da UMF no contexto mundial essa primeira parte e no segunda parte aqui a a carga global de doenças no Brasil então assim eh a Organização Mundial de Saúde ela coloca lá que a prevalência
do do tratamento nos sistemas de saúde do mundo né para cada 100.000 habitantes identificam por exemplo aí que existem 171 pessoas com esquizofrenia 95 Pessoas com transtorno bipolar eh depressão quer dizer e 40 e 40 Pessoas com transtorno bipolar né então a gente vê aí é um número elevado quando a gente pensa num número de 100.000 habitantes né E que demonstra aí justamente um um custo né de tratamento um custo financeiro um custo de profissionais e tudo mais mas falando especificamente no Brasil né em 2017 foi desenvolvida uma pesquisa que avaliou o que a gente
chama de carga global de doenças né o conceito de carga Global ele ele é um conceito da Organização Mundial de Saúde saúde que ele tem dois dois aspectos né ele tem o que a gente chama de eh da mortalidade né o quanto aquele aquele problema de saúde ele interfere na mortalidade da das pessoas e tem também é uma relação dessa mortalidade com os anos vividos com incapacidade né então é quando a gente pensa em um transtorno mental ou um transtorno de saúde qualquer né que acaba incapacitando a vida produtiva daquela pessoa né Então aquela pessoa
que geralmente ela eh fica ou acamada ou ela tem que parar de trabalhar ela tem que parar de produzir coisas nesse sentido né então assim essa carga global de doenças é uma carga que tem todas as doenças Né desde eh problemas do coração problemas relacionadas a câncer problemas hoje em dia como o covid né E quando a gente olha pro Brasil né a gente Verifica que de 100% praticamente 10% são relacionados aos transtornos mentais né então a gente tá falando que o eh 10% de todos os problemas de saúde do Brasil estão relacionados aos transtornos
mentais né é essa esse é um número muito expressivo quando a gente considera a diversidade de problemas de saúde aí o Diego tá falando de problemas de saúde mental e essa questão dos transtornos dos anos vividos com incapacidade é muito séria mesmo quer dizer a é um um um período em que essas pessoas muitas vezes dependem inclusive da dos familiares dos órgãos públicos de saúde é todo uma um investimento eh pessoal e governamental para reduzir as condições eh melhorar as condições de vida e reduzir o sofrimento dessas pessoas exatamente né Eu acho que o primeiro
ponto que a gente visualiza né Eh é quando a gente pensa que a gente tá falando de de transtornos mentais e a gente olha ali paraos problemas no geral e a gente vê esse número como auda pontuou como expressivo né e a o o cuidado que isso necessita né é aquela questão da gente pensar né hoje em dia uma taxa Inicial aí de transtornos de esquizofrenia né tá aí entre 18 e 25 anos né e as pessoas elas vivem né com esquizofrenia por ser um ela é um ela é um transtorno que ela o maior
impacto dela é nos anos vividos com com incapacidade né e a pessoa vai viver ali muitos e muitos e muitos muitos anos né geralmente com incapacidade né então isso é é é muito oneroso pra família né é muito oneroso para para no formato geral pro estado também em todos os aspectos então assim a carga global de doenças né quando a gente pensa na junção aí dos transtornos mentais né mortalidade anos vivido eh e anos vividos com incapacidade os principais são depressão ansiedade uso de álcool ur teia e a esquizofrenia agora quando a gente especifica principalmente
os anos vividos por incapacidade a gente vai estar falando desses transtornos aí de baixo né depressão ansiedade esquizofrenia e bipolar né então a gente pode pensar Pessoas com Transtorno depressivo maior que acabam se afastando de trabalho tendo necessidade de cuidados diários né transtornos de ansiedade como a gorof Bia né que as pessoas também acabam tendo muita dificuldade de desenvolver relações interpessoais fora de casa né o próprio transtorno de ansiedade social como isso é incapacitante para as pessoas e que tem uma relação muito próxima aí em termos de défices em habilidad sociais e outros aspectos e
a esquizofrenia e o transtorno bipolar né então eu acho que aí viu Diego O importante destacar aí é que é esse terceiro grupo é exatamente que mais depende da família e em geral de cuidadores familiares né exatamente né E aí a gente pensa nos cuidadores que são os mais variados né eu vou falar aqui um pouquinho de quem são esses cuidadores também para a gente entender mas só para destacar né só para para destacar assim eu eu trouxe agora quatro gráficos né eu vou passar por eles muito rapidamente mas só s só para terem uma
uma percepção do que do Qual que é o contexto que eu tô falando né como eu trabalho com a saúde mental Eu trabalho com o que a gente chama de desins nacionalização psiquiátrica né que vem com a reforma psiquiátrica no Brasil a partir da década de 70 né Que que é isso né Isso foi um movimento é um movimento ainda na verdade eh que tá atrelada à luta antimanicomial que tem o objetivo de extinguir o tratamento em hospitais psiquiátricos né e propiciar tratamentos comunitários de saúde mental né como incentos de atenção psicossocial e tudo mais
E apesar disso Ter iniciado na década de 70 tem início da década de 80 a gente tem tido Muitas dificuldades com isso né porque eu vou mostrar aqui para vocês alguns gráficos né somente a partir de 2001 né com a aprovação da Lei 10.216 que a gente teve uma maior expansão né então vocês podem ver que nos gráficos aí eles começam em 2002 né então de 2002 até 2022 o número de serviços comunitários ele aumentou né Outra coisa que aumenta né é o o serviço Residencial terapêutico né o serviço Residencial terapêutico é destinado a aquelas
pessoas com transtornos mentais que perderam vínculos familiares e precisam de um lugar para morar para viver né a gente vê aumentando também né aqui de 2013 até 2022 a gente vê que os leitos em hospitais Gerais né eles começam a aumentar também isso significa o quê que estão tirando os leitos de hospitais psiquiátricos né incluindo leito em Hospital Geral que seria o mais adequado aí pensando no termo de serviço né que as pessoas não fiquem internadas por muito tempo né E aí por fim aqui é o a diminuição dos leitos de psiquiatria em hospital especializado
né então assim a gente tem tinha lá em 2007 ainda 30.000 leitos né em hospitais psiquiátricos digamos assim em 2022 esses leitos acabam para vão para 12.000 né então isso mostra justamente uma uma mudança de local né assim as pessoas eram tratadas de hospitais e cada vez mais elas vão sendo tratadas eh dentro de serviços comunitários né basta a gente olhar aqui o primeiro gráfico o serviço comunitário aumenta e os leitos em hospitais psiqui diminuem né esse é o objetivo aí só que isso traz consigo uma grande mudança também né uma quebra de paradigma muito
significativa e que tá relacionada justamente ao processo de de desinstitucionalização porque com o processo a partir do momento que você tira as pessoas da eh dos hospitais e passa a trabalhar com elas em serviços comunitários você coloca em cheque ali e como ponto principal de apoio a família né E a família por muitos anos ela foi negligenciada ainda é bastante Mas se a gente for pensar na história da saúde mental né né até a década de 50 né de por volta de 1930 1940 A família era ela era culpabilizada pelos transtornos mentais né então geralmente
elas eram eh eh afastadas né aquela ideia de Hospital Psiquiátrico a gente vê em filme que hospital tá lá num lugar afastado que a pessoa vai para lá fica lá a vida inteira eh por mais que a gente vejao em filme Isso é uma realidade né logicamente que a gente tem realidades muito tristes no Brasil né Se a gente for avaliar aí o o hospital colônia de Barbacena né que as pessoas eram internadas e muitas pessoas morriam ali né vocês podem ver aí eh documentários como holocausto brasileiro que vai falar disso e tudo mais eh
que foi triste na nossa história né mas a gente vê aí hoje em dia a gente tem uma mudança E aí a gente coloca aí a importância da família né E a família se tornando importante pro cuidado de saúde mental dessas pessoas com esquizofrenia transtorno de depressão trno bipolar transtorno de personalidade esquizotípica esquizoide dos mais variados tipos a gente vê aqui então o qu a família el ela volta à tona né então assim ó a família que antes foi excluída do tratamento com o tratamento comunitário ela vira essencial né só que quem são essas pessoas
né Principalmente as pessoas que provem algum tipo de cuidado para pessoas com esquizofrenia são mulheres né geralmente mãe filha ou irmã né muitas vezes com idade mais avançada e com menor escolaridade né então a gente vê que também um problema cultural né que acaba interferindo nesses aspectos da de quem cuida né E aí é interessante lembrar né Diego a questão da invisibilidade dessas pessoas foi até tema do Enem deste ano né a invisibilidade dessas pessoas que são as cuidadoras cuidad as de pacientes com transtornos cuidadoras de idosos geralmente são as mulheres né Exatamente é eu
vou só citar um exemplo aqui só para vocês poderem perceber como que isso tem um impacto significativo assim né Eh na minha experiência né eu eu não tenho nem ideia de quantas pessoas familiares cuidadores já entrevistei na minha vida né pensando no meu mestrado pensando no meu doutorado né Eh e quase tudo assim tirando o mestrado eu tive um pouco de ajuda mas doutorado eu fiz basicamente Tod as coletas sozinho eh uma questão que eu lembro que chegou em mim uma vez foi a questão de que eh tinha uma família que tava questionando né da
irmã que cuidava dos Pais assim né e qual que era o questionamento né fala assim ah mas a a irmã vou vou chamar aqui de Maria né só para ter o nome né a Maria cuida do nosso pai que tem problema aí de esquizofrenia e tudo mais mas ela tá pegando o dinheiro todo dele né Isso era uma coisa que falava falavam dela né Eh aí a gente no serviço de saúde mental a gente falou como assim pegando dinheiro dele é ela pega dinheiro para ela comprar as coisas para ela ela compra roupa com dinheiro
do Pai ela ela vai fazer coisa E aí uma coisa que dentro disso que a Zilda fala que é importante é assim os outros irmãos eles não percebiam que essa pessoa parou de trabalhar né que essa pessoa a Maria né A Maria não trabalhava A Maria não estudava a Maria só cuidava dos Pais né E aí com que que ela ia viver né com que que ela ia viver né então assim se ela utilizava alguma parte da aposentadoria alguma coisa para comprar uma roupa para comprar uma comida para ela eh ela eles achavam que aquilo
era absurdo né mas é é como se fosse uma remuneração com um serviço que como a jilda falou era invisível à vista dos irmãos né então isso é muito muito difícil de lidar né E aí assim essas são as principais você olhar todos os estudos de saúde mental que trabalham com cuidadores vocês vão ver que geralmente é mulher com idade mais avançada e com baixa escolaridade quando eu falo baixa escolaridade eu tô falando aqui pessoas sem ensino fundamental completo né nas duas pesquisas que eu fiz no mestrado no doutorado a maioria da população que eu
investiguei eram pessoas que não tinham ensino fundamental completo eu tô falando que a pessoa não tinha o 9º ano né É porque também né Diego essa é uma situação que tá muito associada à condição Econômica né E aí são pessoas as pessoas com maior escolaridade de um modo geral Elas têm eh outros outros outros recursos para cuidado enfermeiras cuidadores profissionais etc etc e são essas as que são mais sacrificadas no final das contas exatamente né Eh eu acho que esse aí são são apontamentos né Eu acho que esses são são pontos aí que que varia
né Tem famílias que T condições aí de contratar né pessoas para cuidado mas realmente ente não é eh a maioria se a gente vai pensar no nosso contexto brasileiro né e aí o que que acontece né se a família se torna a principal cuidadora ela precisa de preparação né uma família que não sabe né que que é esquizofrenia como lidar com alguém com esquizofrenia e tudo mais ela Teoricamente ela precisaria de uma preparação e de um apoio Por parte dos profissionais dos serviços comunitários né No Brasil o principal serviço comunitário de saúde Mental é o
Centro de Atenção psicosocial que tem o o tipo um o tipo dois o tipo três tem o caps álcool e drogas tem o CAPS Infantil né mas eu tô falando aqui do 1 do e trê de saúde mental e eles essa família ela deveria de certo modos ter preparação por Parte dessas desses profissionais porém Essa não é a realidade né um grande problema que a gente visualiza aqui eh e eu visualizei isso nas pesquisas né Trabalhando aí nesses 10 10 mais de 10 anos né em centos de atenção psicossocial e tudo mais ausência de acolhimento
individualizado né muito pouca visita domiciliar né atividades de ensino grupos de família eram são raros de acontecer né eu lembro que quando eu tava em São Carlos né Eu quando no meu doutorado eu coletei um pouco de dados em São Carlos e um pouco de dados em Minas Gerais né em São Carlos Eu lembro que o capis ele tinha uma estrutura um pouco mais adequada por Eu lembro que lá semanalmente eles Tinham dois grupos de família que ainda assim iam muito poucas famílias iam por exemplo 10 famílias oito famílias por dia né E sempre eram
as mesmas famílias que que iam semanalmente mas o serviço atendia mais de 300 pessoas né então a gente apesar de ter o grupo já ser um pouco mais adequado ainda tinha esse esse problema só que quando a gente tem essa quebra né Ou seja a família precisa de apoio mas ela não tem esse apoio né O que que a gente vai ter né a gente vai ter somado alguns fatores preditores como ausência eh de suporte social a preocupação que o familiar Tem com o futuro do paciente alterações na vida social gente a partir do momento
que você se torna um cuidador sua vida social ela vai est alterada né Não dá para você planejar assim ah esse fim de semana eu vou para tal lugar né Ah tá eu vou para tal lugar se ele não pode ir ele vai ficar com quem né Então tudo isso tem Impacto né preconceito né o estigma né Ele é muito presente né nas pessoas com transtornos mentais e também com a família uma carga financeira também né porque não é barato né E nem todos T eh um suporte financeiro para isso né E também lidar com
comportamentos problemáticos né e eu quando eu chamo de problemático aqui eh eu tô falando de comportamentos por exemplo da pessoa as pessoas muitas pessoas com esquizofrenia muitas vezes tem o uso muito eh exacerbado de cigarro né E aí fuma dentro de casa a pessoa Às vezes às vezes uma mãe que tem problema respiratório cuidando de um filho com esquizofrenia que fuma muito vai gerar problema para ela né pessoas TM às vezes uma questão quando eu chamo de problemática por exemplo de acordar durante a madrugada e ficar andando né então são comportamentos que são difíceis de
lidar né então interessante tudo isso viu Diego desculpa interromper mas eu acho importante destar cá ISO É bem interessante porque você mapeia aí um conjunto de coisas que acho que paraa maioria da população e eu acho que talvez até para a população de psicólogos não estejam tão tão presentes tão visíveis e quando você mapeia esse conjunto de impactos da doença mental paraa família para aqueles que são cuidadores você tá trazendo um contexto social que é bastante crítico que precisa ser levado em conta no atendimento não só do paciente mas também da família que foi o
olhar que você teve exatamente né quando eu somo isso né ó assim ó necessidade de cuidado ausência de ausência de apoio por parte do do serviço e esses diversos fatores preditores né o que acontece é isso daqui ó a família vai sofrer de transtorn mentais comuns né eu destaco aqui a sobrecarga principalmente né E vocês vão ver alguns dados aqui a sobrecarga familiar é o que tem o maior impacto né sobrecarga objetiva sobrecarga subjetiva né porque é é isso né a como eu coloquei ali é uma mulher com idade mais avançada com menor escolaridade cuidando
né que muitas vezes tem que cuidar da casa tem que cuidar de outros filhos e acaba tendo ainda cuidar de uma pessoa com transtorno mental grave né então isso tudo gera muito Impacto E aí os estudos as pesquisas né eu citei alguns aí vocês estão vendo no slide né mostram o quê que esses familiares eles sofrem de depressão eles sofrem de ansiedade muitos acabam perdendo as oportunidades para crescimento pessoal né Por exemplo você tem 18 20 anos seu pai tem esquizofrenia você não tem nenhum suporte para cuidar dele e você tem que cuidar né então
provavelmente você não vai ter oportunidade de estudar provavelmente não vai ter eh oportunidade de encontrar um trabalho que seja interessante para você o que você queira se desenvolver nele né Além disso isso leva também a isolamento social né as pessoas que cuidam elas são mais isoladas socialmente né E além disso o estigma que tá atrelado aí a própria saúde mental né então eu só dou um realmente é um combo muito muito de muito sofrimento né é esse sofrimento que que requer eh múltiplas formas de atendimento você focou um encaminhamento que é a questão das habilidades
sociais Mas é claro que a gente reconhece que existem muitas muitas eh alternativas ainda a serem viabilizadas para realmente atender as necessidades desses familiares e desses pacientes né exatamente então assim eu destaco a sobrecarga aqui porque a sobrecarga talvez ela seja o ponto principal né porque se a gente consegue diminuir a sobrecarga familiar a gente vai ter impactos aí como a vida falou em termos de tratamento né para outros problemas uma pessoa menos sobrecarregada ela vai ter menos problemas depressivos menos ansiedade né E todos os outros aspectos aí eu trouxe aqui né eu usei esse
modelo né esse aqui é um modelo teórico da sobrecarga né que apesar de teórico ele foi elaborado lá em 1990 né por autoras a Maurinha boy e desde então né esse modelo ele vem sido comprovado empiricamente por diversos estudos no mundo e no Brasil né O que que esse modelo diz ele diz que assim a gente tem um um dois tipos de sobrecarga uma sobrecarga objetiva e uma sobrecarga subjetiva a sobre carga objetiva ela sofre influência direta dos antecedentes né Por exemplo diagnóstico Isso significa que a sobrecarga objetiva Ou seja a a quantidade de tempo
realmente questões mais objetivas relacionadas ao cuidado eles dependem do diagnóstico isso quer dizer que cuidar de uma pessoa com esquizofrenia é diferente cuidar de uma pessoa com depressão que é diferente cuidar de uma pessoa com transtorno de personalidade né isso tudo tá relacionada aos sintomas né Eh do paciente então assim ó quanto mais sintomas quanto quanto mais dificuldade tem maior vai ser a sobrecarga objetiva essa sobrecarga objetiva é isso né A tá relacionada à performance social do paciente quanto melhor for a a performance menor vai ser a sobrecarga né Eh quanto maior for o custo
né Maior vai ser a sobrecarga objetiva também né só que essas variáveis antecedentes e a sobrecarga objetiva elas geram o que a gente chama de sobrecarga subjetiva a sobrecarga subjetiva tá relacionada às em aos sentimentos a forma que a pessoa interpreta o cuidado né então sobrecarga objetiva tá muitas vezes relacionada ao aspecto de o quanto eh eu me preocupo o quanto eh eu gasto do meu tempo mental pensando no cuidado e para isso né a gente fala que entre a sobrecarga objetiva e a subjetiva o que a gente chama de a gente chama de fatores
moderadores né esses fatores moder adores eles são qualidade do relacionamento suporte social que a pessoa tem estratégi de enfrentamento e outros né E aqui talvez seja o ponto chave das habilidades sociais porque quando a gente fala que a qualidade do relacionamento do familiar com o paciente pode moderar a sobrecarga subjetiva Isso significa que o quê se o relacionamento é melhor a sobrecarga subjetiva vai ser melhor né né E foi daí que eu parti dessa ideia do treinamento de habilidades sociais né Eu falei assim olha Eh eu preciso né De algum modo trabalhar as habilidades sociais
dos familiares para que eles tenham menor sobrecarga subjetiva né então assim ó por mais que eu tenha trabalhado com a psicometria né meu objetivo ele tenha sido nessa área Eh o meu foco final sempre foi o tratamento né porque o objetivo assim a gente Às vezes a gente precisa criar um instrumento que a gente não tem método de avaliar aquele tratamento né então ter instrumentos possibilita que a gente justamente eh avalie se um tratamento tá sendo adequado ou não né então Esso aqui é um modelo né vocês podem encontrar aí esse modelo Nesse artigo de
1990 Mas que como eu disse ele vem sido comprovado a partir de diversos estudos ao longo dos anos né E aí né além disso tenho alguns autores né aqui eu trouxe os autores que publicaram Quais são as intervenções educacionais necessárias né E aí eles chamam de treinamento de habilidades Gerais né para familiares cuidadores né E aí quais são elas né então aqui ó ajudar os familiares a estabelecer interações sociais satisfatórias ajudar os familiares a buscar por suporte social manejo do stress e enfrentamento mecanismos para lidar com estigma busca de informação sobre transtorno psiquiátrico e táticas
para melhorar melhorar a qualidade de vida né E isso isso aqui é um estudo que não é de habilidades sociais só que se você olhar cada ponto tá aqui ó todos eles envolvem habilidades sociais esse modelo esse modelo é essa esse quadro que você apresenta é extremamente importante porque na verdade as habilidades sociais são demandas né a elas a todo esse quadro ele mostra um conjunto de demandas né que querem habilidades sociais isso que você destacou é sensacional quer dizer não foi alguém de habilidades sociais que tá dizendo isso foram pessoas que mostraram e a
gente faz como especialistas de habilidades sociais a gente faz a nossa leitura apontando onde é que eh esses essas demandas todas levam para o campo das habilidades sociais então pegar esses modelos e convertê-los em eh necessidades no campo das habilidades sociais foi um trabalho sensacional seu viu Di eu acho muito importante não é exatamente Zilda assim eu acho que quando a gente pega esses itens aí fator a fator né Por exemplo buscar pro suporte social né só busca por suporte social para cuidar de alguém quem sabe pedir ajuda né e pedir ajuda requer habilidade porque
não é não é fácil pedir ajuda para outra pessoa né Por exemplo ol eu vou viajar esse fim de semana eu preciso fazer uma viagem a trabalho e preciso que você cuida da mãe né que a mãe talvez é aquela pessoa que tem esquizofrenia né não é todo mundo que consegue fazer isso facilmente né Por mais que que às vezes as pessoas olham e pensam que seja simples não é simples né manejo do stress por exemplo né quando se vocês pegarem todas as obras aí da Zilda né e do Almir quando eles colocam ali né
que existe todo um caminho né entre as habilidades sociais e ser socialmente competente né que envolvem o repertório e a automonitoria autoconhecimento conhecimento valores de convivência eh manejo do stress enfrentamento requer automonitoria né você precisa saber autom monitorar o seu próprio comportamento para aí sim você conseguir eh ser socialmente competente né então se a gente for pegar isso e começar a esmiuçar cada um deles a gente consegue identificar isso e por que que isso é importante identificar porque quando eu vejo que a pessoa precisa ter um manejo de estress que ela precisa buscar suporte social
isso me indica o quê O que que eu preciso colocar no treinamento né se eu vou treinar habilidades sociais dessa população o que que eu preciso então esmiuçar as habilidades os comportamentos eh e todos os aspectos eles são essenciais não só para para em termos de avaliação mas paraa gente estruturar um treinamento direcionado né esse aí é um ponto E aí assim só para aí para complementar aqui né eu vou colocar um dado aqui para vocês só para vocês poderem ver eh sobre o que que as intervenções elas podem estar relacionadas né as intervenções aí
elas podem estar relacionadas a atitude negativa comunicação autocuidado assertividade estratégia de enfrentamento auto eficácia e vários outros aspectos né Isso é o que a gente fala assim ó quais como as intervenções podem ajudar os cuidadores né E isso aí é são revisões de trabalho estudos de metanálise coisas assim mostrando que as intervenções precisam passar por todos esses pontos né E quando a gente falar Diego aqui eu quero destacar duas coisas primeiro a importância de uma formação aprofundada em habilidades sociais para fazer essas essas relações que você tá fazendo primeira coisa tá eh só quem tem
uma boa uma boa formação consegue fazer essa leitura de outros contextos e trazer também para Ah se beneficiar do campo das habilidades sociais quando você aponta essas intervenções a gente olhando o círculo aí a gente vai passando e vai vendo que é difícil pensar uma delas que dispense habilidades sociais Deixa eu ver se eu consigo achar uma que disp habilidades sociais não consigo todas elas nessa leitura vão requerer alguma forma de habilidades sociais exatamente até se a gente for pensar em questões que parecem ser mais individuais por exemplo atitudes não negativas Mas se a gente
vai pensar assim é atitude negativa mesmo né a pessoa tem a negativ vamos pegar por essa daí Porque quando a gente coloca o a correlação e até o impacto das habilidades sociais sobre a autoconfiança sobre o otimismo isso são pesquisas são dados de pesquisa né Exatamente é então a gente assim o tratamento né de habilidades sociais o a inclusão do treinamento de habilidades sociais em qualquer intervenção dessa aí ela se torna essencial né pro Sucesso terapêutico dela E aí só para mais um quadrinho aqui para vocês poderem visualizar é assim ó aí Aqui são estudos
mostrando que habilidades sociais mais elaboradas o que que elas levam a esses familiares né Maior estratégias para lidar com o paciente maior busca por suporte social menor ansiedade menor depressão menor estess menor sobrecarga com filhos mais habilidosos em comunicação e resolução de problemas e pacientes com melhor funcionamento psicossocial E aí eu tô trazendo dados né A eu gosto de enfatizar esse último aqui que eu falei né pacientes com melhor funcionamento psicossocial por quê né eu vou até citar um outro estudo que não é com habilidades sociais mas pra gente poder visualizar como as habilidades sociais
Elas têm um poder transformador né Eh eu lembro quando exatamente quando eu tava fazendo doutorado né tinha eh um outro doutorado sendo desenvolvido que era o da Ivana né a Ivana ela trabalhou com eh professores e pais de crianças eh escolares né E ela ela aplicou um treinamento de habilidades sociais nos pais e nos professores né E aí quando a gente aplica um treinamento de habilidades sociais numa população a gente fala não a gente espera que aquela população melhore né mas não é só isso né ela ter aplicado um programa de habilidades sociais nos pais
dos professores além das habilidades sociais dos pais dos professores terem aumento o que que aumentou as habilidades sociais da das crianças né então o que eu gosto de destacar aqui é justamente quando eu penso nisso na linha dos cuidadores de Pessoas com transtorno mental então assim ó se eu trabalho as habilidades sociais das pessoas com problemas dos familiares que cuidam de pessoas com problemas de saúde mental eu não vou melhorar só as habilidades deles eu vou melhorar o funcionamento psicossocial daquela pessoa que tem depressão o funcionamento psicossocial daquela pessoa que tem com esquizofrenia então é
importante a gente entender que o familiar cuidador a gente não tá buscando a melhoria só dele quando a gente trabalha com ele a gente tá buscando a melhoria do paciente que sofre de um transtorno mental grave porque se a gente for avaliar Isso mesmo Isso mesmo E aí Diego eu queria só destacar uma coisa a gente o o foco do tratamento dos pacientes eh com transtornos psiquiátricos é o funcionamento psicossocial isso foi desde os primeiros estudos lá dos zigler e Philips né o fato da pessoa poder viver em sociedade ter um funcionamento eh psicossocial bom
era critério de alta inclusive E aí eh quando você coloca essa parte de como resultado da da intervenção junto à famílias você tá situando os familiares como agentes de mudança como agentes de de tratamento como para profissionais habilitados presentes que podem e devem e sempre que possível com apoio da das Agências de Saúde Mental podem assumir esse papel Claro com todas as os apoios necessários inclusive em termos de infraestrutura mas é é um ponto bastante importante aqui é exatamente isso que você cita dos inícios né o o os o talvez uma das primeiras áreas que
foi trabalhada em termo de habilidades sociais foram com paciente psiquiátrico né eu lembro que a Marina ela falava muito isso a marina que foi minha orientadora de Mestrado de graduação e minha coorientadora junto com a Zilda no doutorado a Marina ela fez o mestrado doutorado dela no Canadá né na década de 70 se eu não me engano e com pacientes psiquiátricos né exatamente eu lembro que ela falava muito isso né que ali naquela época já já tinha foco muito grande de trabalhar na época eles chamavam de treino de assertividade né tinha outros nomes assim né
que que eram essenciais justamente para quê Porque o uma um caminho que é muito importante a gente pensar assim né Eh e aqui eu gosto de destacar isso e até destacar com um ponto principal assim eh quando a gente fala de reforma psiquiátrica desinstitucionalização psiquiátrica a gente tá falando o quê de autonomia das pessoas com problemas de saúde mental né e a gente quer isso ISS né que é que a pessoa que tem esquizofrenia que tenha transtorno de depressão que ela tenha um transtorno de personalidade grave que ela consigam viver eh em comunidade tranquilamente porém
né esse caminho não é um caminho muito eh fácil e aí o que a gente vê talvez como um problema dos serviços ainda é a lógica de que essas pessoas elas precisam ter autonomia né só que para ter autonomia elas precisam estar inseridas dentro de casa né eu lembro que quando Eu tava fazendo a primeiraa lá foi uma uma das primeiros contatos que eu tive com o capis de São Carlos né era uma a coordenadora ela uma assistente social Eu lembro que ela falou para mim assim Diego eh a gente fala tanto de reforma psiquiátrica
a gente fala tanto de intervenções só que a gente tem um problema né porque essas pessoas com transtornos mentais graves elas não estão inseridas na família né Elas almoçam no quarto sozinha né Elas não participam das atividades familiares né E aí a gente vê que isso tá muito atrelado a dificuldade do relacionamento interpessoal Por que que ela não almoça na mesa por que que ela não não faz atividades em conjunto porque a família tem dificuldade ainda de se de interagir de forma interpessoal e com qualidade com a pessoa que tem um transtorno mental grave então
assim que reforma é essa que a gente tá buscando né É muito importante que a gente inclua tratamentos né Principalmente tratamentos que tenham eh sejam baseados em evidência tratamentos que mostrem efetividade eficácia de intervenção eh que o treinamento de habilidades sociais Se vocês fizerem aí uma uma análise da literatura vocês vão ver que tem vários tratamentos de habilidades sociais que demonstram eficácia efetividade e a gente precisa disso porque a gente se a gente quer autonomia do paciente a gente precisa buscar tratamentos que sejam efetivamente adequados então né para para finalizar aqui essa toda essa introdução
né Eu acho importante a gente só deixar deixar um destaque aqui é sobre um resumo dessas questões né sobre a saúde mental dos cuidadores então primeiro ponto é as habilidades sociais elas atuam como fator de proteção dessas famílias né porém a gente ainda tem muito poucas intervenções né Principalmente intervenções com delineamentos verdadeiramente experimentais que avaliem eficácia né efetividade aí de tratamento e isso muitas vezes se deve Justamente a gente ter uma ausência de instrumentos para avaliar as habilidades desses cuidadores né então assim ó como que eu vou ter intervenção se eu não tenho uma forma
de avaliar né E aí nisso vem todo o meu passo a passo aí de criar Esse instrumento né então o inventário de habilidades sociais para familiares cuidadores de pacientes psiquiátricos eles Ele nasce aí de toda essa justificativa anterior né dos problemas que a gente tem desde a carga Global da dificuldade de relacionamento do da necessidade de apoio Por parte dos profissionais e tudo mais né e a ausência de um instrumento né então no meu doutorado né o meu objetivo foi justamente elaborar Esse instrumento né e é hoje vou trazer para vocês aqui brevemente o passo
a passo né eu vou só citar aqui de onde Esse instrumento foi elaborado quais as qualidades psicométricas que ele tem e vou apresentar ele para vocês