[Música] Olá, minha gente tântrica. Estamos aqui em mais um Pílulas by Tantra. especial gravado diretamente aqui de Lisboa.
E hoje vamos trazer um outro tema também bastante especial, que é o papel da massagem tântrica na vida de mulheres, no autoconhecimento das mulheres. E continuo aqui com a minha grande amiga e parceira de missão, Amanda Garcia. Dá um olá lá pro pessoal mais uma vez.
Ol, pessoal. Ótimo estar aqui de novo, né? É sempre bom falar com o Felipe e falar com vocês.
Espero que seja que eu tenha muito que eu tenho conhecimento para para partilhar com vocês. Com certeza, né? Mas antes de começar essa conversa, gente, como sempre, segue-nos nas redes sociais para que vocês recebam mais conteúdos como esse, interaja mais conosco também, fica mais pertinho da gente e inclusive deixa comentários, fala comigo aqui, eu quero conversar com vocês, que esse espaço seja um espaço de comunidade.
Lembrando também que vocês podem auxiliar o nosso canal Prazer TV através do MBway que está aqui na tela e também através do Pix para quem está no Brasil. Mas sem mais delongas, vamos ao nosso tema especial de hoje. Amanda, você como você diria que a massagem tântrica auxília no autoconhecimento de mulheres?
Então, Felipe, eh vamos lá falando do meu processo pessoal, inicialmente a gente sabe que no tantra a gente precisa primeiro passar pelo processo para que a gente possa também conduzir as nossas pacientes, interagentes, clientes, enfim, no processo delas, né? Então, eh, para mim, eh, a massagem ela me trouxe um, um grande benefício, que foi a minha corporificação, foi eu voltar a perceber o meu corpo, eu entender que eu estava adormecida, né, que eu estava condicionada a práticas de estímulo que eram até violentas comigo mesma, né? eh baseadas em tudo menos em mim, em tudo menos aquilo que eu sentia, aquilo que o meu corpo me pedia para qual é a configuração de prazer do meu corpo, o que é que me faz sentir prazer.
Então era, era tudo menos eu, né? Então eu não sabia quão orgástica eu era antes da massagem tântrica. Para mim foi um processo de muita de muito despertar, né?
Eh, também foi um espelho paraa minha própria ansiedade. Eu acredito que isso acontece com muitas mulheres, né? Então, a gente tem aí um um adormecimento que é causado muito causado também pelas referências da pornografia, né?
Muito causado pela eh pelo condicionamento que a mulher sofre de agradar todo mundo menos a ela mesma, de ser um uma figura sexual atraente para os outros, menos para ela mesma. Então, ela não conhece o próprio corpo. Hoje em dia, obviamente, a gente já tem um movimento que vai totalmente contra isso, né?
Eh, a gente tem essa revolução sexual acontecendo, o aumento do uso de vibradores e brinquedos sexuais que eh possibilitam, né, que abrem eh esse espaço para que a mulher possa se explorar num ambiente íntimo, pessoal, sozinha e tudo mais, não depender de um parceiro, eh, para isso, né? Isso incentiva, né? Não que a masturbação não acontecesse antes, a autoexploração não acontecesse antes, sem brinquedos.
Mas é isso. E eu acredito que a massagem tântrica, né, para mulheres, ela revela muito de da nossa mente, revela muito de como a gente está se relacionando, né? Coloca a gente em contato com as nossas emoções, com os nossos medos, né?
E eh de fato dá medo, né? Dá medo sentir tanto prazer quando a gente não tá acostumada, quando a gente eh se depara com esse abismo de eh bem, o meu corpo tá me levando para um lugar que eu nunca cheguei antes, né? Então eh como é que eu vou lidar com isso?
Será que eu mereço? E aí a gente entra nas crenças limitantes que muitas vezes acontecem, os condicionamentos do moralismo cristão, eh, enfim, religiosos no geral, né? os os condicionamentos religiosos que que reprimem, né, eh, a sexualidade, prazer.
Então, aí a gente entra nos medos, a gente entra eh em toda a repressão social que que a mulher passa, né, que não pode se tocar, que não pode sentir prazer, que não pode extravazar, que não pode eh se expressar através do som, né, que não pode se mover de uma forma livre, sem ser objetificada, sem ser sexualizada. Então existem existe um um padrão de enrijecimento no corpo da mulher quando ela vem para fazer a massagem tântrica, que a gente vai dissolvendo com carinho, com acolhimento, com muita conversa também, né? A gente sempre tem que ter essa parte da conversa inicial para que a gente possa entender, mapear antes de começar.
Eh, e talvez seja necessário também fazer intervenções até no no meio da própria massagem, né? Isso é uma coisa muito interessante de falar também, porque a gente acha que é simplesmente chegar na massagem e receber a massagem e ela vai ficar ali parada, quieta, não é bem assim, no papel passivo. Exatamente.
Não, a gente tá cocriando aquela sessão juntas, né? Inclusive, eu quero até agradecer a minha professora Paula Fernanda, tô fazendo o curso de TSH com ela e tá sendo incrível. muito obrigada pelo por todo o conhecimento e comprometimento.
Eh, e e tem essa essa esse ponto muito importante, muito fundamental de trazer eh a mulher para o protagonismo do próprio corpo, do próprio processo. Então, verbalizar é importante. A gente sabe que tem sabe que tem uma conexão, né, do chakra laringe com com a nossa ioni.
Sim, totalmente, né? Então, quando a gente verbaliza, a gente reconhece. É isso, né?
E eu hoje em dia já não atendo mais mulheres, salvo algumas exceções. Direcionei meu trabalho pros homens homoafetivos, mas uma das questões muito centrais quando eu atendia mulheres era justamente a questão do som. Existia muita dificuldade em expressar o som original.
Ou seja, a mulher ela tá sentindo, mas ou ela busca aquele gemido muito parecido com o da pornografia, porque claro, obviamente se vende isso como sensual, como erótico, quando na verdade eh, ao meu ver, o som sensual erótico é o som original. O prazer ele não é programado. A gente não consegue controlar realmente quando a gente está em prazer, quando a gente desconecta, entra naquele estado de flow, o som vem e muitas vezes é um som animal, né?
E muitas vezes é difícil chegar, principalmente com as mulheres, nesse som mais animal, nesse som original dela. Que que você pensa sobre isso? É, eu acho que é um processo de de reconstrução dessa concorda dessa autenticidade.
Então, sim, eh, eu procuro conduzir sempre de uma forma que ela vá se sentindo confortável para se abrir a isso, né? Então, assim, vamos começar com um som que é mais suave, que é mais sutil, que é que que vem ali de dentro, que você consegue sentir vibrando dentro de você. Isso.
Para que ela consiga sentir o corpo dela vibrar e aquilo aquilo seja natural. Não vem só daqui, vem daqui de baixo. Então, OK, vamos respirar junto.
Então, respira bem profundo e o som da expiração vai sair, a tua respiração vai sair com esse som que você vai ouvir. Não é para que eu ouça, é para que você ouça e que faça sentido para você. E esse próprio processo que faz parte também eh também é muito do nosso processo com tantra, né, que é o o aprendizado através do sentir, o aprendizado através da própria experiência.
Então, OK, eu vou ouvindo aquilo dentro de mim. Do mesmo jeito que quando a gente verbaliza, a gente se escuta e a gente consegue analisar aquilo melhor, a gente consegue estruturar melhor, né? Eh, o, esse som também vem mais ou menos por aí.
Então, vou respirar. Ah, inspiração do apaixonado. Que delícia.
Exatamente. E e esse ah ele vai vindo de um lugar de tanta sutileza e ele vai crescendo naturalmente. É como se a gente fosse convidando ela a sair daquele lugar onde ela foi silenciada.
Sim. E é um desafio muito grande porque muitas vezes, inicialmente eu vejo que as pessoas resistem em expressar som, porque a gente vai muito pro racional. E vejo eu que também a terapia tântrica, a massagem tântrica terapêutica para mulheres, auxilia muito nesse processo de tirar a mulher desse racional e colocar no sentido.
Afinal, a mulher é um ser orgástico? Com certeza. Com certeza.
A gente sabe que eh nós somos, né, uma a figura da deusa. A gente tá conectado com a natureza e como é que você vai controlar a natureza, né? você não controla a natureza, assim como você não controla os seus desejos, que também são coisas que vêm super do instinto, super da nossa natureza, a gente direciona, a gente pega essa força e a gente direciona.
Então, eh, a gente precisa entender que esse essa essa força da natureza que existe dentro das mulheres, ela precisa de movimento, ela precisa desse fluxo, ela não pode ser eh enjaulada, ela não pode ser contida e colocada num lugar de inadequação ou de conveniência, né? Correto? Então, eh, acredito que ser mulher, né, e se movimentar com essa energia que a gente desperta na terapia, né, essa energia de poder, de força da mulher selvagem, inclusive, né, mas também da da e da mulher selvagem, que é que é várias que que é várias, né?
Sim, existem muitas facetas da deusa. Exatamente, né? Então ela ela vai reconhecer a menina, ela vai reconhecer a mulher adulta, eh a mulher adulta ativa e vai reconhecer a mulher madura também, né, a sábia, e integrar isso dentro dela, entender que ela pode ser tudo isso, entender que ela pode brincar também com o próprio prazer, né, que ela que aquela menina que foi reprimida na infância, ela pode hoje ter esse lugar de fala de de liberdade, ela pode vivenciar coisas que ela ela foi silenciada e e que ela foi proibida, né, de vivenciar, de explorar o próprio corpo, de ser ela mesma, de falar o que ela pensa, de saber o que ela gosta, o que ela não gosta, de colocar limites também, né?
Então, eh, acho que o papel do tantra na vida da mulher é, no caso, falando da massagem tântrica, né? É um processo que realmente abre de uma forma que não tem como voltar atrás assim. Eu acho que eh é é muito bonito ver esse processo.
É muito bonito, é muito rico, é muito nutritivo. Eu sempre me emociono muito, sabe? Porque eh é bonito ver uma mulher eh recuperando a autonomia, sim, né?
recuperando a independência, eh, que se questionando sobre coisas que deveria ser supernaturais para ela, mas que, na verdade, ela ela ela tá tão preocupada com outras coisas, com sobrevivência, né? Ela tá tão imersa ali no cotidiano, eh, que coloca ela num lugar, né, totalmente reprimido, totalmente engessado, totalmente duro, é onde ela tem que, eh, fazer muitas, muitas e muitas coisas ao mesmo tempo, né? é trabalho, é filho, é a vida pessoal, que muitas vezes ela nem tem tempo por essa vida pessoal, né?
E os relacionamentos que estão cada vez mais frustrantes pr pra mulher hétero falando nesse recorte, né? E e muitas vezes o prazer fica difícil de ser alcançado. Então é muito importante pra gente entender que o nosso corpo é um templo que a gente pode sempre acessar e buscar esse prazer, né?
E com a massagem tântrica é como se a gente abrisse esse portal. Certeza. ritual de autorização.
Exatamente. Exatamente. Diria.
É, né? E isso é é lindo mesmo, né? Os processos terapêuticos com mulheres, eu sinto que curam muito essa ancestralidade, né?
Das mulheres que não ancestrais dessas mulheres que não puderam se expressar, que não puderam sentir. Então, é um processo de cura muito profundo, principalmente nessa sociedade tão misógena que, infelizmente, ainda no sexo, no século XX nós vivemos. Uma outra questão importante de que eu gostaria de perguntar para você, na verdade, porque eu sei que você tem experiência de atendimento tanto aqui em Portugal quanto no Brasil, você sente que as couraças muscular, as couraças emocionais e musculares dessas mulheres aqui em Portugal são diferentes das couraças emocionais dessas mulheres aqui de do Brasil, por exemplo?
Eu sinto, eu sinto que aqui existe um enrijecimento. Isso é a minha experiência, tá? Não quero, não vou aqui generalizar que toda mulher portuguesa tem é desse jeito, né?
Eu conheço mulheres que são muito livres com seu com seus corpos também, mas eh eu sinto que aqui existe um enrijecimento muito grande da fala e da espontaneidade, né? a gente vê que eh são mulheres que têm muito receio de se colocarem, de expressarem seu desejo sexual, expressarem suas reag vontades que ficam muito ali no campo da performance, né, e que tem medo de serem mal interpretadas. Justamente por quê?
Por causa da violência eh social que se sofre, né? Existe esse condicionamento ainda de, é, vou ser muito fácil e depois eu não vou ser levada a sério. E para que eu seja levada a sério, eu preciso e ser rígida, eu preciso, eu não posso entregar tudo, eu tenho que ser muito contida, né?
Então assim, muitas vezes a mulher ela até quer determinadas coisas, ela até quer expressar determinadas coisas, mas ela já tá tão condicionada a estar nesse lugar da mulher que é fácil, da mulher que é objetificada, né, que ela não consegue se mover, ela não consegue fazer aquilo que ela gosta, ela não consegue se comunicar, ela não consegue se relacionar e se conectar eh sexualmente ou emocionalmente, né, nesse nesse campo existe muito ainda esse condicionamento da relação são, por exemplo, ah, eh, o namoro, né, esse, esse tipo de de caixa social, né, de estatus social que é tido. Então, a gente existe essa dinâmica, né, de eh não vou dar aquilo que não não posso. Pronto, a pessoa não tem uma liberdade de vivenciar sua sexualidade com com abertura.
Eu sinto que esse enrijecimento da mulher portuguesa, ele precisa ser bastante olhado com bastante carinho, com bastante cuidado. Sim. Existe muito uma questão da competitividade também entre mulheres, né?
A gente sente muito isso. Eu acho que isso é é alimentado por uma profunda falta de autoconhecimento, uma profunda falta de estar em si, de se reconhecer, de ser genuína consigo e de admitir os seus próprios desejos, de admitir e aquilo que ela gosta, aquilo que ela tá afim, de colocar limite na hora que ela quer. Óbvio que isso é muito importante, colocar limite, né?
Eh, mas a gente precisa também não eh precisa se questionar, né? Eu tô fazendo isso porque eu estou sujeita a uma norma social ou eu estou fazendo isso porque eh eu quero, porque eu gosto? É isso.
Então, quando quando não existe essa essa percepção, a mulher ela vai ser sempre escrava e ela vai deixar de de ser espontânea, ela vai deixar de reconhecer aquilo que ela gosta, aquilo que ela quer. Então, eu acredito que a terapia tântrica ela traz um empoderamento, né, do orgasmo, obviamente, porque obviamente que esse enrijecimento ele é uma barreira no caminho para o prazer, com certeza. E não dizendo que o o orgasmo é o centro do prazer, tá?
Existe, eu eu digo assim, o processo orgástico, uma mulher orgástica é aquela que é que é solta com seu corpo, que é livre com as suas vontades, que sabe o que ela gosta, o que ela não gosta. Então é disso que a gente tá falando, não é só do ápice ali do clímax, né, do É o ápice é só pode até inclusive não acontecer, né, então dentro do que é um processo de massagem tântrica, mas é isso, sabe? A potência que nós temos em relação a a esse processo terapêutico na vida das mulheres é muito interessante, realmente muda vidas e realmente traz uma nova interpretação sobre as emoções e sobre o próprio corpo, porque tudo se conecta.
OK? É isso, né, Amanda? Mais uma vez tivemos aqui um papo delicioso no Pílulas Baitantra.
Eu quero agradecer você pela tua presença. Eu fico muito grata também. Obrigada.
Com certeza. Com certeza. E vamos dar um tchau para aquela tela aí pro pessoal.
Tchau. Tchau pessoal. Obrigado.