[Música] Olá pessoal tudo bem Hoje eu queria conversar com vocês um pouquinho sobre as funções sociais históricas e contemporâneas da escrita Eu sugiro que vocês assistam esse vídeo que eu vou deixar no link aí embaixo eh que conta um pouquinho pra gente de uma forma eh reconstruída como é que teria sido o surgimento da escrita na humanidade eh o principal argumento do vídeo é que a escrita teria surgido para que nós nos comunicá mais facilmente Então se depois que vocês assistirem vocês vão perceber que um hominídio né precisa deixar um recado para outro né precisa
dizer para que lugar ele foi né e para que os dois possam se encontrar depois então existe aí uma uma escrita que serve para fins essencialmente comunicativos né então o homem percebe o o tempo e o espaço e ele tenta dominar essas duas dimensões por meio da escrita e e eh usar essas dimensões a seu favor quando ele comunica com o outro eh então a gente pode situar o surgimento da escrita Nesse contexto né Eh então a escrita surge como um meio de comunicação um conjunto de marcas que são símbolos né No No No início
da da da escrita a gente vai ver que a escrita é chamada de log gráfica porque são justamente símbolos desenhos que eh por convenção ou seja um grupo de pessoas domina aquele conjunto de símbolos e por todos dominarem eles conseguem eh se comunicar né então esses símbolos que são compartilhados por uma dada sociedade um grupo de pessoas né eles eles correspondem a alguma estrutura de linguagem Então não é que o surgimento da escrita tá relacionado diretamente a a visualização ou a simbolização Direta do pensamento Mas a escrita estaria relacionada aos símbolos que já existiriam na
linguagem oral né Então esse é é essa é uma das hipóteses mais aceitas para o surgimento da escrita então a escrita Desse modo é vista como a representação da linguagem né então não uma representação Direta do pensamento a e essa história da escrita é uma questão da descoberta e da representação desses níveis estruturais todos da linguagem falada na tentativa de construir um sistema de escrita eficiente né Ou seja que todo mundo entenda mas que ele também não seja tão oneroso assim que seja possível transmitir a a a cultura da escrita de uma geração a outra
em uma determinada sociedade né que ele seja geral ou seja que a a a sociedade como um todo aquele grupo social que que domina aquela certa cultura escrita conheça aqueles símbolos né e econômico que ele não seja tão vasto assim para que ele possa ser de fato aprendido e transmitido de geração em geração e essa escrita vai atender logo no no início do seu surgimento a funções eh sociais extremamente importantes os primeiros registros que a gente tem de de símbolos que representavam eh esse esse conjunto né que comunicavam alguma coisa são eh como se fosem
uma espécie de contrato de compra e vendas de animais Então são representações de pequenos animais normalmente gado né que foram transmitidos de uma pessoa para outra mas que essa transmissão essa essa essa transação comercial precisava estar registrada de alguma maneira né Para que depois por exemplo eh a pessoa não dissesse que ela não aconteceu então por isso era importante criar um símbolo para registrar essa essa essa transação e esse símbolo normalmente era o símbolo de um animal Então esse são os primeiros registros de escrita que a gente que a gente tem notícia que registravam essas
transações comerciais as funções da escrita Então como a gente vê nesse exemplo estão relacionadas muito à de registro né Mas também se a gente for pensar na escrita que vai se desenvolvendo a partir dessa primeira escrita mais simbólica né E e aí a gente pensa na criação do dos alfabetos por exemplo é uma escrita que vai ajudar na preservação de um de uma dada cultura ou de um grupo social né da cultura praticada por aquele grupo social e com isso vai sendo possível uma uma forma diferente de acumulação de conhecimento por se em algumas culturas
eh de tradição oral a acumulação de conhecimento Era passada de geração em geração né via oralidade apenas com o surgimento da escrita passa a ser possível essa transmissão por meio de eh registros né que são razoavelmente perenes se a gente for pensar nos materiais usados paraa escrita no início a gente tinha bastante uso de suportes que a gente chama de suportes duros como eh a pedra argila né que apesar de registrarem no tempo né bastante conhecimento tanto é que a gente estuda por exemplo o o sistema da do Egito antigo a gente estuda pelos suportes
duros que resistiram eh milênios agora se a gente for na na mobilidade no espaço essas essas não eram as melhores formas de haver mobilidade então por exemplo os suportes brandos eles são transportados muito mais facilmente Então se a gente pensar no papiro o papiro era feito de de uma planta né de base vegetal então ele poderia ser enrolado e ele poderia ser transportado para vários lugares né Isso facilita o qu a transmissão da escrita no espaço né então e muitos papiros sobreviveram até hoje né Depois do papiro a gente tem um um outro material que
perdurou durante muitos séculos que é o pergaminho e a A Conservação do pergaminho também é bastante grande ele durou muito tempo e se a gente for nas bibliotecas hoje até mesmo aqui no Brasil a gente vai encontrar vários livros feitos de pergaminho que é um outro exemplo de suporte de escrita que dura bastante tempo e e que permite essa mobilidade no espaço né e a escrita tem também uma função mnemônica mnemônica tem a ver com a nossa memória né então pra gente hoje em dia é quase automático e natural pensarmos em escrever uma lista de
compras para o supermercado por quê Porque essa tarefa de escrever pra gente já se naturalizou Mas a gente sempre tem que pensar a escrita como uma tecnologia né Ou seja a gente precisa ser ensinado a escrever ensinado no sentido a gente precisa observar alguém escrevendo e a gente precisa ter uma uma educação razoavelmente formalizada para entender como usar essa tecnologia desde como usar um suporte que no nosso caso é o papel e um instrumento de escrita até como aquele conjunto eh de símbolos que compõe eh a língua escrita certo então como pra gente hoje já
é quase a a escrita já uma das formas de escrita já tá quase banalizada a gente esquece dessa função mnemônica da escrita e com essas funções da escrita então que eu comentei com vocês então a função de preservação de acumulação do conhecimento de registro e essa função mnemônica a gente cria um arquivo da humanidade quando a gente pensa em arquivo normalmente esse arquivo tem a ver com objetos escritos né ou com objetos que representem alguma coisa na cultura de uma sociedade então é pela escrita que a gente é capaz de criar um arquivo a invenção
da escrita como eu falei para vocês ela começa com essa escrita logográfica que é a dos sumérios né que essa escrita em que eh desenhos ou símbolos representam alguma entidade no no mundo real né E ela vai passando por várias fases de de de transição até chegar numa escrita alfabética em que cada grafema que a gente fala ou cada letra né representa um um fonema que é uma unidade mínima né sonora da língua que que esse esse alfabeto é eh foi desenvolvido pelos gregos né Foi um alfabeto Fenício adaptado pelos gregos que é a base
do nosso alfabeto Latino com algumas transformações né mas aí há mudanças também no alfabeto eh e eu queria falar com vocês então que com essa invenção da da escrita há um poder atribuído né à escrita então a gente confere um peso maior aquilo que é escrito em relação àquilo que é falado E aí eu queria ler para vocês uma uma citação que é de um livro Escrito na década de 30 chamado out of Africa em que a pesquisadora diz aprendi que o efeito de uma notícia era muitas vezes ampliado quando transmitido por escrito as mensagens
que teriam sido recebidas com dúvida depr se tivessem sido dadas de boca em boca agora eram tidas como verdade do evangelho ou seja o que ela diz aqui que numa certa eh comunidade africana marcada pela oralidade ou seja pela ausência da escrita quando ela apresentou um um uma uma notícia no no jornal escrita né essa notícia ela teve um um um peso muito maior né o efeito dessa notícia se ampliou muito mais do que se essa mesma notícia tivesse sido transmitida de boca em boca pelas pessoas daquela comunidade né Isso mostra que a escrita tem
um poder bastante grande e nós estamos numa sociedade da escrita né então é é um dever da escola ensinar a escrever todos os os alunos devem sair da escola escrevendo né escrevendo bastante escrevendo vários tipos de texto vocês sabem que eh para chegar por exemplo na universidade é preciso ter escrito bastante né durante toda a sua vida escolar e que a universidade é um lugar da escrita né um lugar em que eh se lê muito e que deve se produzir textos escritos Mas será que a gente tá produzindo escrita de fato na universidade eh eu
vou comentar agora com vocês um texto muito eh importante chamado tinta sobre papel técnicas de escrita e de representações de Ilusões que foi publicado em 2010 ele é de autoria do professor Valdir barzotto e de alguns alunos dele depois eu vou deixar a referência completa aqui embaixo para vocês eu vou ler o resumo para pra gente entender um pouquinho sobre o que que o texto vai falar então este texto objetiva discutir questões a respeito do ensino da disciplina de língua portuguesa a partir de algumas posições defendidas por Gerald que foi um professor da Unicamp paulatinamente
descoladas do contexto e dos compromissos que as motivaram pesquisadores em diferentes momentos de sua formação orientados pelo professor Valdir barzotto conduzem com ele a discussão abordando os seguintes pontos a produção de conhecimento na universidade e a relação com os saberes já produz os na qual se afirma a necessidade da curiosidade criativa por parte do pesquisador que favorece a ultrapassagem do legado de conhecimentos já produzidos e socializados a perspectiva defendida por geralde que colocava o texto como centro das aula de língua portuguesa foi paulatinamente golpeada já que os compromissos que alavancam foram redimensionados permanecendo mais o
registro linguístico do que a formação de sujeitos capazes de questionar as bases da sociedade que explora seu trabalho a incorporação do termo produção de textos no lugar de redação nos discursos dos professores pode ser sinal de uma transmutação de propostas de trabalho a reflexão acerca de aspectos da escrita na universidade permite que se entrevejo formas limitadas de domínio de escrita que são ensinadas exercitadas e validadas na universidade a percepção da vinculação da modalidade de língua convencionada como culta os controles sociais e assujeitamento permite que esta variedade seja representante das relações de poder Mas também de
subversão Então esse é o resumo do texto e eu queria comentar alguns pontos dele dele que são fundamentais O primeiro é que a gente pode fazer uma imagem automática de que ingressando na universidade né o aluno automaticamente eh vai escrever textos em que se revela uma produção de conhecimento né então o aluno está efetivamente produzindo o conhecimento e está registrando por escrito esse conhecimento só que o texto aponta Justamente que mais eh menos do que produzir conhecimento os alunos são levados muitas vezes a repetirem aquilo que um autor Já escreveu né tanto é que a
gente é ensinado a como fazer eh citação Como fazer uma citação Direta em que eu reproduz uso exatamente as palavras do autor Como fazer uma citação indireta que eu parafraseio o que o autor disse Mas a gente eh tem que lembrar que nem pro trabalho do autor nem pro acúmulo de conhecimento feito pela humanidade como diz o texto né isso não traz grande contribuição né então é importante conhecer e ler autores que já escreveram sobre certos temas principalmente os temas aqui aqueles eh Associados à nossa área de estudos sim é importantíssimo isso mas não é
uma vantagem aceitar de partida que isso seja suficiente e que isso seja o máximo que se pode esperar dos alunos que hoje frequentam o ensino superior então não basta saber repetir aquilo que já foi dito né Eh o que o que nos importa é uma escrita que realmente registre uma produção de conhecimento da pessoa que é o autor do texto né então é o que o esse texto que eu tô comentando com vocês chama de mecanismos de congelamento da curiosidade criativa então a gente não pode ou a gente deve lutar sempre contra esses mecanismos que
congelam a nossa capacidade de ser curiosos né E a nossa capacidade de sermos criativos né então alguém que produz conhecimento que é o que se faz na universidade se produz conhecimento precisa em sinal de respeito às gerações que nos precederam Ir Além do legado que recebeu então por isso não basta repetir né se apenas a gente recolhe o que nos foi deixado sem trabalhar em sua transformação para além de um impedimento da continuidade da obra de um autor específico Estamos nos negando o direito ao movimento a construção de algo novo trata--se aqui então de defender
a curiosidade criativa e a inquietude né então uma coisa que eu sempre comento com os meus alunos você quer fazer um projeto de pesquisa mas o que te move o que te incomoda o que faz com que você eh queira pesquisar né Não pode ser uma pergunta banal não pode ser uma pergunta eh sem grande que que não suscite grande curiosidade grande inquietude a gente tem que escrever sobre o que de fato nós queremos pensar o que o que está nos incomodando o que nos deixa inquietos o que faz com que eh nós queremos confrontar
algo né então é importante que a gente Pense nisso na curiosidade criativa e na inquietude então imitar não pode ser o objetivo final Essa é uma das grandes defesas desse texto né a imitação é uma das das maneiras de se ensinar a escrever por exemplo na escola mas ela não pode ser o objetivo final né então durante muito tempo foi Central na escola o ensino da gramática a partir de exemplos extraídos da literatura considerada de qualidade então era a Bela Arte da de escrever na Língua Portuguesa e esses exemplos eram tirados de livros e esses
exemplos deveriam ser seguidos depois houve uma mudança e no lugar desses textos consagrados da literatura entraram a entrou a imitação de textos variados né que eram considerados exemplares das esferas em que circulam por exemplo os tais artigos de opinião né então vamos todos ler artigos de opinião para imitar esse tipo de texto a imitação em si pode ser um recurso né para no para ensinar os alunos a aprenderem a escrever mas ele não pode ser um fim em si né então o aluno para escrever um artigo de opinião ele tem que querer dar a opinião
dele sobre alguma coisa né o um outro texto que eu vou pedir para vocês lerem fala um pouco sobre isso sobre essa necessidade da gente escrever coisas que sejam que calem fundo na gente né então Eh houve uma mudança no ensino da escrita na escola tanto é que passou-se a chamar a a o que era antes aula de redação para aula de produção de texto porque a redação tinha aquela conotação negativ né de um texto que se produz para a escola então quem vai ler a redação é o professor enquanto a produção de texto é
o texto que se produz na escola né ele já tem outra outra perspectiva e ele deve estar a produção de texto deveria estar sempre centrada numa proximidade bastante grande com o mundo real com o mundo lá fora né então a gente sempre deveria incitar os alunos a escreverem sobre coisas que de fato eles querem dizer né que eles sobre as quais eles querem falar né Existem muitos autores que falam de uma crise da escrita né E essa crise da escrita tem causas diversas e difusas Mas a questão é que a gente criou segundo o texto
defende uma certa Cultura né da crise da escrita então a gente passou a aceitar uma escrita bastante precária na universidade que é uma escrita apenas eh reprodutora do que os autores consagrados Já disseram né em então nós chamamos eu o o texto diz né chamamos de inserção na cultura escrita que é o que um dos o que a universidade deveria fazer né mais do que o uso de habilidades para escrever a partir de modelos ou para consumir os textos já existentes mas a possibilidade de experienciar a da interação com o outro por meio da escrita
então a inserção na cultura escrita que é o papel central da escola né e também da Universidade né porque a a universidade também é uma é uma Instância de Formação né então inserir na cultura escrita significa muito mais do que o uso de certas habilidades né para escrever seguindo o modelo né ou certas habilidades para consumir textos já existentes mas verdadeiramente eh experienciar essa interação com o outro por meio da escrita essa relação dialógica com o outro né a língua na escola ela pode ser trabalhada de duas formas como Esse instrumento de comunicação e troca
ou como objeto de descrição então descrição linguística né que é o que os alunos por exemplo do curso de letras vão estudar mais aprofundadamente né mas na escola se essa descrição linguística é colocada em primeiro lugar o estudante fica preso segundo diz o texto a um contexto de alienação de falso saber sendo assim o aluno adquire verdadeiro asco pelo trabalho de E isso se mostra em seus textos já que escreve de forma precária utilizando conceitos aos quais muitas vezes não atribui sentido isso já aconteceu com você você já escreveu um texto na escola que não
dizia absolutamente nada sobre você que era um texto como se fosse um texto automático ou seja um texto alienado né isso acontece bastante Geral de 2004 que é o autor bastante citado nesse texto porque ele tá no conjunto de outros artigos que homenageiam Esse professor ele ele acredita que o aluno precisa escrever ativamente não mais sendo anulado como aluno e sujeito pela Escola somente a partir desse movimento a palavra será devolvida ao estudante e este por seu turno escreverá textos baseados em reflexões e não somente preenchidos com fragmentos esvaziados de sentido os quais são provenientes
muitas vezes da má formação docente e dos livros didáticos você vocês vão reparar que tem uma parte do artigo que é dedicada a discutir as razões dessa má formação docente né bom a a escrita como poder como a gente já viu né E a gente tem tem que lembrar como diz Gerald 2005 que o poder não sobrevive ao riso a desordem a variação ele se exerce pela ordem em termos de língua pelo empoderamento de um dos modos de dizer aquele da Elite de plantão que é chamado de língua padrão né mas que é língua padrão
porque simplesmente é a língua da Elite como o único correto a fim de produzir os silenciamentos não só de outros modos de dizer mas também de dizeres outros então é importante a gente lembrar isso que o poder se exerce pela ordem quando a gente tem uma única ordem dentro da escola que é a ordem da Norma culta da língua padrão da gramática normativa Esse é essa repetição da língua da Elite né como a única língua correta ela na verdade produz silenciamentos né porque a gente não tá mais no nosso lugar de fala mas a gente
tá reproduzindo um um modo de dizer que não é nosso se a gente for pensar nas camadas populares né bom eh Então o que acontece a gente não vai resolver essa situação fazendo somente com que quem não tem acesso à Norma culta domine seria como imaginar ser possível nessa sociedade de consumo em que a gente vive que todos tivessem acesso igualitariamente aos mesmos Bens Materiais a preponderância não é das ideias sobre a matéria a relação ainda é de confronto e deve ser assim tensionar um dos lados e tensionar o outro também criar a desordem obriga
a mão forte da ordem como apontou Gerald na descrição do movimento de aproximação de distanciamento entretanto esperar da língua a força transformadora é só esperar o que significa que não basta a gente partir somente da língua a gente tem que dar conta do que está acontecendo além dela a língua é apenas uma ferramenta Então a gente tem que saber como manejá-la é isso pessoal eu vou deixar aqui no embaixo as referências do texto para vocês lerem e as referências do do vídeo também tá bom muito obrigado [Música]