Boa noite, gente. Bem-vindas, bem-vindos à nossa web conferência dois eh de Sociedade, cultura, sustentabilidade e direitos humanos. Eu sou a professora Daniela Barros e a gente tá começando agora, a gente tava conversando aqui rapidamente antes da aula sobre atividades que ocorrem eh em possíveis choques de horários com outras atividades síncronas, né? O que eu tava dizendo aqui é que o que eu posso Garantir para vocês nesse momento é que eu tô buscando uma solução, né? A gente tá revendo, não é só nessa disciplina que tá acontecendo isso, eh, aliás, nessa e nas que chocam com
ela, né? porque da mesma forma todas as disciplinas foram organizadas eh numa mesma planilha, enfim, eh alguma coisa aconteceu no meio do caminho. Eh e eu vou falar com a coordenação, vou pedir auxílio, né, paraa coordenação, para ver como a gente pode resolver, mas ninguém Vai ser prejudicado ou prejudicado. Ivan, eh Ivânia, você tá você tá eh corretamente logada hoje aqui, tá? Deixa eu conferir aqui, mas não apareceu nada para mim de convidado. Tá tudo certinho agora. Eh, e a única coisa que eu vou pedir para vocês é quem tiver atividade síncrona, por exemplo, Luís
Guilherme, né? Vamos supor, Luís Guilherme, que você não assistiu essa aula hoje porque você Tinha uma atividade síncrona disciplina, né, numa outra disciplina do curso de contabilidade. Então vou pedir a você que assista a a gravação da web conferência 2 até o final da mesma semana que ela ocorre até o domingo, né? e me mande uma mensagem avisando que havia um choque de horário, identifica o choque disciplina tal do curso tal e fala que assistiu a a web a gravação da web conferência, porque aí eu consigo lançar sua presença e justificar isso. Caso eh tenha
algum problema, alguma resistência do sisteminha aceitar, eu consigo pedir essa atualização. Tá bem? >> Tá ótimo, professora. Obrigado, viu? >> Tá joia. Bom, gente, então bora começar porque como sempre, né, e vocês vão ver que as nossas quatro web conferências são dessa forma. O nosso conteúdo não é pequeno, não é simples, mas é bacana. Eh, a gente terminou a web conferência um vendo as concepções dos clássicos da sociologia ocidental. Tranquilo, Thago. Bem-vindo. Eh, localizando, né, o conceito de trabalho a partir dos de três clássicos da sociologia eh europeia, né? A gente viu Durkaime, a gente
viu Weber e a gente terminou com Marx. Nessa nossa web conferência dois, a gente eh vai continuar olhando um pouquinho para quem leu o texto, eu pedi para vocês que vocês lessem o texto do professor Anibalquiro, porque ele é muito importante pra gente para entender todo Esse raciocínio aqui na nossa web conferência. vou passar por essa ideia eh mais geral, de forma mais geral, acerca do trabalho, porque é interessante para gente aqui que a gente entre em contato, para quem ainda não conhece, com a perspectiva teórica que o Anibal Kirano funda junto com outros eh
eh intelectuais, ah, que é a decolonialidade, que é a perspectiva teórica da decolonialidade, né? Depois disso, a gente vai entrar no Segundo texto da nossa unidade dois, que vai trazer pra gente um conceito que é uma ferramenta analítica muito importante, especialmente pra gente eh fazer emergir da percepção da sociedade, né, da análise da sociedade, dos problemas sociais, eh dados, né, que que de maneira geral, quando a gente olha a partir de referenciais mais hegemônicos, mais universais, eh, não aparecem, são invisibilizados, que é a ferramenta Analítica da interseccionalidade. A interseccionalidade é uma chave importante que vai
atravessar qualquer curso, qualquer formação, né, do percurso de vocês que faça parte aqui da nossa turma. A interseccionalidade, ela é uma ferramenta analítica, né? Ela tem uma metodologia de análise que ela eh elas ela permite que a gente possa utilizá-la em qualquer âmbito, né, qualquer campo do conhecimento, qualquer âmbito da nossa vida. Então ela é Importante para todo mundo. E a gente tem um texto adicional que eu que tá lá nas nosso no material complementar que eu trouxe aqui pra nossa web conferência. Só porque antes da gente chegar na interseccionalidade, a gente vai passar por
dois conceitos bastante importantes, que é o do epistemicídio e que é o do pacto narcísico da branquitude. Eh, e a própria branquitude em si. Eu imagino, não sei se vocês já passaram por isso, né? Tem alguns outros Professores que trazem esse conceito, mas ele é importante tanto para quem já viu quanto para quem ainda nunca viu, porque é a base daquilo que leva eh o diálogo paraa perspectiva dos direitos humanos a partir da racialização. E os processos de racialização eh são hoje o nosso eixo organizador do pensamento da disciplina. É o que une textos. a
gente começa pensando a partir do trabalho, mas a gente vai ver que, na verdade, eh, os processos de Racialização, né, a nível global mesmo, mas especialmente para pensar a nossa sociedade, eh são aquilo que de fato sustenta como uma condição existencial, né, uma condição necessária para a existência daquilo que a gente conhece como sistema mundo capitalista. O capitalismo não existe sem racismo. É impossível que o sistema capitalista se sustente sem o racismo. E isso não é uma opinião, isso é um dado. É impossível que o capitalismo Exista sem o racismo, sem processos de racialização, sem
exploração que seja organizada por uma lógica de hierarquização racial. Então, eh, e o Anibal Kirhan, ele vai demonstrar isso pra gente, né? O texto que ele traz pra gente, deixa eu pegar ele aqui, o texto que a gente começa, né, com ele, que é colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Boa noite, Willam. Eh, ele ele traz pra gente eh uma uma construção teórica que vai trazer pra gente como que o capitalismo se consolida como um sistema mundo a partir do caminho que o trabalho, que as relações de trabalho eh vão ocupando na sociedade ocidental,
na no próprio capitalismo, na consolidação do capitalismo, como eu falei, enquanto um sistema mundo e a forma como essas relações es do trabalho, né, em relação ao trabalho, elas começam racializadas, Depois elas passam a ser genderizadas, né, elas passam a ter uma hierarquização de gênero, especialmente, né, na transformação do trabalho exploratório racializado para o trabalho remunerado e e a forma como isso vai organizando a lógica da nossa sociedade e pior, né, vai naturalizando a forma como a a gente estabelece, conhece e organiza, percebe o mundo, a nossa sociedade. Então, eu vou ler esse pedacinho aqui
porque é pra gente começar. A gente vai falar em Processos de globalização, eurocentrização. E lembrem que na web conferência um, quando a gente passa pelos clássicos da sociologia, né, a gente a gente olha pro material visual e lá tá escrito clássicos da sociologia. Para quem assistiu ao web conferência um, vai lembrar disso. Eu falo: "Mas que sociologia? Só existe uma sociologia. Sociologia é um campo universal? Não, ele é um campo Universalizado, né? Porque ele é uma construção de saber que vem de uma hegemonia intelectual, de uma hegemonia de poder e de uma hegemonia racial e
de gênero. São homens brancos, europeus que fundam o campo da sociologia ocidental e que estabelecem pra gente esse campo como essa forma de pensar do pensamento sociológico como única forma verdadeira, validada, legítima, né? E a gente segue com os homens brancos, tá gente? Mas a gente vai eh por enquanto aqui, mas a Gente agora vai pensar a partir da América Latina um pouquinho para contrapor justamente essa falsa percepção de única forma de pensamento ou única trajetória da construção da intelectualidade dentro das ciências sociais. Isso é assim em quase todos os campos do conhecimento, nas engenharias,
enfim, né, na no pensamento da administração, né, na economia, eh nas nas ciências da saúde. Eh, acho que na gastronomia a gente tem um uma construção de um caminho um pouco mais pluriverso, né, Ana Paula? Mas, eh, ainda a gente tem muitas referências, né, de de de base da gastronomia também. vinculadas à gastronomia europeia, não é isso? Eh, bom, então vou ler aqui um pouquinho pra gente começar. Eu vou fazer essas leituras, né, como na primeira web conferência, de alguns dos materiais, tá? Não de todos, mas pra gente se Especialmente no texto do Aníbal Kirano
eh, eu vou eu vou ler quase tudo, tá? Eu queria dar um aviso para vocês aqui, para quem vai assistir a gravação. Tá aparecendo aqui para mim eh um pedido de autorização para entrar na sala. Quando isso acontece, né, é como da outra vez, quando eu autorizo, a pessoa entra como participante externo, como convidado externo. Mas a orientação que a gente recebeu da coordenação é para não aceitar os participantes que não estão Com e-mail vinculado @sempresceu eu geralmente aceitava para poder avisar que tava errado e precisava trocar, mas a partir de agora eu não vou
aceitar. Então, tô falando isso para quem tá assistindo a gravação. Se você teve que solicitar autorização para entrar, é porque o seu Meet não estava logado no @sempreceu tá bem? E aí eu não posso mais autorizar a entrada de vocês. Então, se por acaso solicitarem a entrada e não conseguirem entrar na Sala, verifiquem o login do Meet, tá? Se ele tá no @sempreceu tá bem? Oi, Kelson, bem-vindo. Bom, então vamos lá. A globalização em curso é, em primeiro lugar, culminação de um processo que começou com a constituição da América da América e do capitalismo colonial
moderno e eurocentrado como um novo padrão de poder mundial. Um dos eixos fundamentais desse padrão de poder é a classificação social da população mundial de acordo com a ideia de raça, Uma construção mental que expressa a experiência básica da dominação colonial e que desde então permeia as dimensões mais importantes do poder mundial, incluindo a sua racionalidade específica, o eurocentrismo. Esse eixo tem, portanto, origem e caráter colonial, mas provou ser mais duradouro e estável que o próprio colonialismo, em cuja matriz foi estabelecido. Implica consequentemente num elemento de colonialidade, no padrão De poder hoje hegemônico. Então, já
de primeira, o Anibal Kirhano traz pra gente um um conceito importante que é o conceito da colonialidade. O que que significa colonialidade? Esse conceito, ele vai informar pra gente que, apesar do período histórico da colonização terse findado, o projeto que a colonização movimentava, né, o projeto de de colonização que o colonialismo movimentava, ele continua em vigor ainda hoje. E esse eh movimento de atualização Das forças de colonização é que a decolonialidade vai chamar de colonialidade. E o que que significa dizer isso pra proposta da decolonialidade, né? E depois a gente vai ver, se vocês forem
ler o texto, né, vocês vão vocês vão ver que é um grupo de estudos de professores, né, Anibal Kirrano, Walter Minolo, eh, ai, me fugiu o nome do terceiro, >> Maldonado Torres, eh, vão, que são Professores, né, de universidades de diversos países de origem da América Latina e que se encontram nesse momento, na sua maioria, eh, nos Estados Unidos, nas principais universidades norte-americas. bacana, mas que vão eh perceber que, na verdade, quando esse processo de eurocentrização, que é o processo de globalização a partir da Europa como centro de referência de humanidade, de poder, de desenvolamento,
né, eh de próprio modelo de sociedade, Ele não corresponde, na realidade a essa denominação do tempo histórico. Como é possível que ao tempo em que a Europa se instituía como na era da modernidade, no tempo histórico da modernidade, com a industrialização, né, a revolução industrial, com toda a modificação social que a industrialização eh promove, né, nos processos de reorganização social e econômico. é como que que se estabelece a mesma nomenclatura de modernidade que traz Todo esse sentido de prosperidade e desenvolvimento e de transformação social para melhor, teoricamente, eh, as colônias nas Américas, que naquele mesmo
instante, né, de que maneira coincidente, não por acaso, eh, estavam começando processos opostos de dominação, de colonização, de exploração, de genocídio dos seus povos originários, de saqueamento, roubo das suas riquezas, de invasão territorial. Então, eh, a a o a compreensão, né, desse grupo de professores que funda a decolonialidade, não só como uma proposta teórica, mas como um posicionamento político epistemológico dentro da academia, é de dizer que, na verdade, o que se chama de modernidade tem dois lados, é um binômio. ela é uma modernidade colonialidade e que a colonialidade é o lado obscuro da modernidade e
que enquanto então Europa começava um Processo de modernidade, a gente começava e permanece em colonização. É, é isso que informa quando vocês virem, por exemplo, lá no texto modernidade/racolonialidade, é o sentido de dizer modernidade, mas informando pra gente que a modernidade tem um lado que a sustenta e que esse lado ele é oculto. O que sustenta a modernidade europeia? a exploração, a exploração do continente africano, a exploração do continente, Né, americano, a exploração dos povos, né, a exploração das riquezas de outras terras. Porque o que que a Europa tem de fato? Se tirar o continente
africano hoje da Europa, o que que sobra paraa Europa, né? Eh, e eu tô falando isso pensando na proposta do de um novo desenvolvimento, né, que é a ideia do capitalismo verde, que hoje se instaura dos carros elétricos, né? Vocês já ouviram falar nas terras raras, que agora aparece bastante pra gente, eh, o Que que são as terras raras? São territórios, né? são são qualidades de de territórios que têm minérios que sustentam a a produção das baterias eh dos nossos celulares, das baterias dos carros elétricos, né? Por exemplo, o cobalto, né? que é um mineral,
um minério raro. Eh, e se vocês, eu não vou ficar falando muito sobre isso porque o nosso tempo, apesar da gente ter 1 hora e meia, o nosso tempo vai ser curto para hoje. A Gente tem muitos conceitos para trabalhar, mas se vocês quiserem dar uma olhadinha, né, no buscador aí de vocês, procurem Cobalto, República Democrática do Congo, eh que vocês vão vão eh perceber que essa proposta do capitalismo verde, do desenvolvimento sustentável, né, dos carros elétricos, eh, como uma proposta sustentável, ela é sustentável apenas paraa parte dominante do planeta. as custas, né, de um
novo processo, daquilo que a gente já viveu Com o ouro, daquilo que a gente já viveu de fato no tempo da colonização como um tempo histórico, como um processo histórico oficial, eh, e que a gente tá revivendo agora novamente, né, que causa guerra civil, que causa pobreza extrema, que causa mortes, eh, condições subhumanas de trabalho e uma série de violações de direitos humanos de todas as ordens. Então, eh, o que o Anibal Kirano tá trazendo pra gente aqui nesse texto é Justamente esse processo como um processo contínuo que não acabou, aquele processo eh que que
começa com a Constituição Histórica da América, né, da a gente vai pensar especialmente a América Latina, porque a América do Norte eh os Estados Unidos, né, na América do Norte se torna um lugar, um segundo polo de poder e hoje um polo hegemônico de poder junto com a Europa. eh, onde todas as formas de controle e Exploração do trabalho, né, que vão ser relacionadas com a produção, com a apropriação e com a distribuição de produtos, vão ser articuladas em torno de uma relação colonial da Europa, né, dos países europeus, com base na escravidão. Esse processo
vai tornar a Europa, por meio do uso da força, do uso da violência, do uso do poder, a referência mundial, como eu falei, de humanidade, a referência de modelo de sociedade, a referência de civilização, Ainda que por meio do uso da violência, né? Todas as contradições do processo de colonização estão envolvidos aí. Eh, e, eh, vai prop vai vai reverberar junto com esse processo de eurocentrização, um processo de racialização que também vai racializar a noção de humanidade. a gente tem o quando a gente pensa qual é o padrão estabelecido de beleza, qual é o padrão
estabelecido pros corpos femininos, por exemplo, qual é o padrão De onde vem, né, o bendita a ideia, para não falar um palavrão, né, por exemplo, de modelo único, de tamanho único de roupas para todos os corpos das mulheres, né? O que explica a gente normalizar a ideia de um tamanho único, né? tamanho único de roupa que cabe para mim e cabe para todas as mulheres que tão aqui nessa sala de aula hoje. Só um minutinho, gente. Vou fechar a câmera para uma pessoa passar aqui. Continuando aqui, gente, eh esse esse conceito de eurocentrização, acho que
já deu para ele ficar eh que a perspectiva dele já foi eh um pouquinho entendida, né? A pretensão eurocêntrica de ser a exclusiva produtora e protagonista da modernidade e de que toda a modernização das populações não europeia é, portanto, uma europeização, é uma pretensão etnocentrista, além de tudo provinciana. Formam-se em comum três elementos centrais que afetam A vida cotidiana da totalidade da população mundial. A colonialidade do poder, o capitalismo e o eurocentrismo. O que que são esses conceitos, né, que são importantes pra gente? que o eurocentrismo a gente já viu, o capitalismo, ele é justamente
eh o sistema mundo que é econômico, que é um sistema de pensamento que vai est relacionado com a produção e o consumo. Tudo na nossa vida tá relacionada com a produção e o consumo. Neste momento, né, Décadas, séculos depois da consolidação do capitalismo, a nossa noção de felicidade tá relacionada a uma relação de produção e consumo, né? produção que seja da imagem, relação de consumo, eh a nossa ideia de relacionamento, a nossa ideia de família, a nossa ideia eh de sucesso no trabalho, a tudo, qualquer ordem da nossa vida, ela vai tá relacionada com uma
dimensão de produção e consumo. o nosso padrão, né, a o padrão estabelecido hegemônico como Normalidade e anormalidade pros nossos corpos vem dessa noção de de relação com a nossa capacidade de produção e consumo. Não é à toa que o contrário da ideia de deficiência é eficiência. Então, a decolonialidade ela vem, né, com com essa proposta da gente pensar de uma outra referência, da gente fazer um um giro epistemológico, né, para falar nos termos da decolonialidade, mas eh que em outras palavras é um convite a Uma mudança de paradigma para que a gente possa perceber então
a construção histórica dos processos de formação social, histórico-cultural aqui para nós da América Latina a partir da nossa ótica da América Latina, onde em vez do descobrimento do Brasil, a gente tem, na verdade um encontro de invasão colonial. E isso muda a nossa relação porque desloca o lugar da Europa, desloca o lugar da forma como a gente valoriza, por exemplo, produtos, né, consumo Novamente, referência de qualidade, referência de civilidade, referência de sociedade e que invisibiliza outras matrizes que de fato formam a nossa civilidade. Os nossos valores educativos civilizatórios não vem do continente europeu, eles vêm
por meio da colonização, mas eles vêm de fato dos povos africanos e dos povos originários, dos povos indígenas. Então, a decolonialidade ela vem eh com algumas alguns conceitos chaves pra Gente poder pensar essa relação que se funda na relação com o trabalho, mas de um trabalho exploratório, racializado, né, hierarquizado a partir das perspectivas de gênero, de classe também. a gente vai terminar a aula falando sobre isso e que reorganiza a sociedade, eh, mas que mascara esse processo com uma cara de modernidade. O que que é a colonialidade do poder? A colonialidade do poder é um
modelo hegemônico global de poder estabelecido Desde a conquista colonial, que articula raça e trabalho, espaço e povo, de acordo com as necessidades do capital, em benefício dos europeus brancos. O que que essa frase quer dizer aqui pra gente? que esse modelo global de sociedade vai fazer, por exemplo, nessa relação de raça e trabalho, espaço e povo, vai trazer pra gente, né, a partir da da perspectiva eurocêntrica, uma percepção errada da nossa própria história. Por exemplo, o fato da gente Não perceber que a maior parte no Brasil de das populações periféricas ou que vivem em em
zonas não centrais, nos bairros não nobres, no nos espaços, né, econômicos mais caros da organização das cidades, nos condomínios, a maior parte dessa população é negra, enquanto que a maior parte da população que ocupa esses lugares né, de melhores condições de vida, de mais acesso à educação, de mais acesso à saúde, de maior renda per Capta, são pessoas brancas. a gente naturaliza essa divisão que é racial como uma divisão de classes. Enquanto que se a gente for olhar de fato, né, a história, o processo social, histórico de formação da nossa sociedade, a gente vai ver
que, na verdade, essa eh marginalização social, ela ocorre em razão de um processo de hierarquização racial, em primeiro lugar, em primeira ordem. E não só. Só um minutinho, gente. >> É só passar, eh, porque senão vou ficar Interrompendo toda hora. Eh, ela se articula a partir de um processo de racialização. Desculpem, tá, gente? Hoje eu tô em condições eh não ideais, mas tá tá dando para ver e ouvir bem, né? >> Sim, professora. Obrigada, Rafael e Antônio, eh, e todo mundo. [risadas] E, e que, na verdade, eh, mascara isso como uma consequência naturalizada da modernidade,
da de uma meritocracia que vai definir quem consegue, quem é capaz De alcançar um uma evolução material, uma evolução de classe. Eu tô falando a palavra evolução aqui de propósito, eh, a partir da meritocracia do trabalho, como se a razão da pobreza, a razão do não acesso a direitos sociais, direitos civis, né, direitos básicos, eh, fosse falta de empenho, de comprometimento ou falta de mérito, quando na verdade isso é uma estrutura racializada que organiza a nossa sociedade, organiza nossas relações de poder. Outra Eh outro conceito importante aqui pra gente, para que a gente possa entender
a decolonialidade são duas dimensões da colonialidade do poder que se desdobram na colonialidade do ser e na colonialidade do saber. E aí a gente já vai retomar a web conferência um, a colonialidade do ser que vem a partir do Maldonado Torres, né, ela vai trazer pra gente a dimensão ontológica, essa virada de chave para olhar pra dimensão ontológica, né? A a Colonialidade do ser, ela vai informar paraa gente a forma como o eurocentrismo se apodera da constituição da pessoa. Outros autores falavam isso de outras formas. A gente vai ver hoje ainda que, por exemplo, Franz
Fanon trazia pra gente que o processo de colonização, o Franz Fanon, psiquiatra martinicano, né, que que se torna um um uma referência mundial na construção do pensamento negro, eh, e do pensamento Que se opõe, né, aos processos de colonização. O Franz Fanon, ele vai trazer pra gente num livro chamado Pele Negra, as Máscaras Brancas, né, a forma como que o processo de inserção da pessoa negra, ele tá falando do homem negro, na verdade, na sociedade, eh, tanto na Martinica quanto na própria França, que é a a metrópole, né, da da Martinica enquanto colônia, eh, se
dá por um processo de branqueamento do ser, que é A referência de intelectualidade, a referência de educação, a referência de expressões corporais, do modo de se comportar, a referência do gosto musical, tudo é uma referência europeia. é quase que que um abandono, um apagamento das nossas raízes. E aí vou falar de todas e todos nós aqui latino-americanos nesta sala de aula para que a gente possa trocar tudo isso, nos nos fazer eh passar por um processo De esvaziamento, de morte mesmo do nosso ser, para que a gente possa se eh recolonizar desde a nossa subjetividade
até a forma como a gente se vê quando a gente olha no espelho, né? a forma como a gente deseja e se reconhece e se expressa no mundo. Essa é a colonialidade do ser. E a colonialidade do saber, que é um caminho para que [limpando a garganta] a colonialidade do ser se efetive, é o que a gente viu na Nossa web conferência. Um, a colonialidade do saber é essa forma de naturalizar um polo de poder intelectual, que é o continente europeu, que são as intelectualidades, o conhecimento produzido na Europa, né? como o conhecimento universal, como
a única eh forma de produção de conhecimento válida, científica, verdadeira, eh legítima. Então, quando eu trago para vocês, a gente podia fluir na Disciplina, não é? Aqui a gente vai trabalhar os clássicos da sociologia e falo três homens brancos europeus, ninguém ia achar nada, ninguém ia achar estranho, principalmente por quê? Porque independente do curso que vocês fazem, se vocês forem olhar os autores e autoras que vocês têm como referência em qualquer campo do conhecimento aqui dessa disciplina, eu desafio vocês. Vocês vão encontrar majoritariamente autores, homens brancos, europeus ou Norte-americanos. Isso já tá naturalizado pra gente,
como a gente aprende a partir do pensamento produzido em outro lugar. Porque quando vem um pensamento produzido aqui, que é próximo sul-americano, brasileiro, eh, e que não vem desse lugar de destaque, de referência, a gente custa acreditar na legitimidade daquele pensamento, a gente custa acreditar na legitimidade de outras intelectualidades. Essa é a colonialidade do ser, do saber, perdão. Eh, e que e esses três pontos, pior que é verdade de verdade, né, José Pedro? [risadas] Eh, e esses três pontos eles vêm eh eh eles vão reverberar na nossa vida, né? Eu tô olhando para Ana Paula
aqui e aí tô pensando na gastronomia. Ana Paula, por exemplo, eh, majoritariamente, né, no cotidiano das famílias brasileiras, quem detém o saber da nutrição, da produção do alimento, quem domina o lugar da cozinha? As mulheres. Correto? Correto. Quando a gente transforma, e é um lugar desprezado pelos homens na nossa relação, né? nem quase nenhum homem na mentalidade, tá gente? Não levem pro lado pessoal. Vamos pensar na nossa estrutura social, nas reproduções sistêmicas. Quase nenhum homem eh acha que deve ocupar o lugar da cozinha como um lugar seu. Mas quando isso se torna um espaço de
poder, como por exemplo na alta gastronomia, os chefes, né? Quem são eh as pessoas que Ocupam majoritariamente de maneira quase que esmagadora, né, Ana Paula, esses lugares de chefes, homens brancos e que vão ter como referência a trajetória, a história de da onde? Da cozinha francesa, da cozinha italiana, né? Não sei mais. Eu não, eu tô tô saindo da minha área, vou parar na cozinha italiana. Mas deu para entender, né? Quando a gente vai pensar eh em algo que inclusive no Brasil é eh Historicamente é uma produção muito forte, né, as engenharias, mas quando a
gente pensa no nome dos grandes engenheiros, a gente vai pensar em engenheiros estrangeiros do norte global e assim por diante. A gente poderia fazer isso na lista de todos os cursos que estão aqui compondo a nossa turma. Então, a colonialidade do ser, do saber e do poder, elas elas são a lógica que sustenta o processo de eurocentrização. São as classificações que vão desdobrar a dimensão daquilo que o Aníbal Kirhano faz como trajetória e que eu não toquei aqui com profundidade de propósito para que vocês leiam o texto para ver como que o trabalho e as
relações de trabalho vão se formando a partir dessas relações de poder, de saber e do ser organizadas a partir de processos de racialização e de hierarquização pelo gênero. Isso é extremamente importante. A gente termina essa parte, essa primeira parte Lembrando que não há capitalismo sem racismo. É por isso que o racismo é algo tão difícil de ser combatido. Por isso que o racismo é importante que a gente reconheça o racismo como algo histórico, sistêmico, institucional, subjetivo e para quem gosta da palavra estrutural. Eh, a gente não consegue manter o nosso modelo de sociedade sem o
racismo, sem o racismo como uma base que vai organizar a lógica do nosso pensamento, dos nossos campos mais sutis, desde inclusive a Gastronomia, né? Eh, eu tenho uma frase aqui que, opa, tem uma frase aqui que eu sempre que eu sempre falo, né, que às vezes a gente acha que é uma questão cultural, que é uma questão de gosto, né? Por exemplo, tem alguém de São Paulo aqui? >> Eu eu quer dizer, eu sou paulista, mas moro em Brasília já há alguns aninhos. Ah, então talvez não vai funcionar aqui minha tentativa de exemplo. Mas você
gosta de coentro, Viviane? >> Não, prefiro salsa. >> Por quê? Porque coentro é muito forte, certo? >> Isso. Pro paladar Paulista Coentro é forte e a salsa é mais suave. >> Isso não é. Eu eu falo eu falo isso, tá gente? Porque toda a minha família é paulista, tá? É por esse, por isso que eu tenho esse exemplo. E eu fui a pessoa da família que não nasceu em São Paulo. Então a gente tem esse choque que com o tempo eu fui entendendo. Isso não é uma Característica cultural, porque quase ninguém em São Paulo gosta
de coentro. Isso é um racismo gastronômico. Eh, ele ele é um é um que vem que é colocado, e eu não tô falando de você, tá, Viviane? Porque isso é um é um fato concreto, assim, isso é colocado na percepção do nosso paladar. Eh, por quê? Porque o coentro remete a que localização gastronômica? Nordeste, norte, nordeste, né? Mas majoritariamente nordeste, pela Popularização da gastronomia nordestina no nosso no nosso país e fora dele também. Então, eh, e quem construiu São Paulo? Quando a gente vai colocando esses elementos para explicar um comportamento social, a gente vai ver
que, infelizmente, né, como o José trouxe aqui, pior que é verdade, José Pedro, eh, a gente vai ver que o racismo ele tá presente em todos e todos nós, em quase todas as nossas dimensão de relação, né? Eh, muitas coisas foram apagadas do nosso acesso de conhecimento para que a gente pudesse se entender enquanto sociedade em razão dos processos de racialização. Vou dar um outro exemplo. Quando a gente pensa assim, cultura mineira, a gente vai paraa comida de novo, né? Mas assim, eh, para mineiro, para goiano, né? Qual é o lugar mais importante da casa?
A cozinha, não é? A mesa tá sempre posta. Lembrança que a Gente tem de casa de vó, principalmente, né? A mesa tá sempre posta. Tem uma garrafinha de café em cima da mesa em tempo integral, né? Essa essa localização, essa organização arquitetônica, daí eu tô falando de arquitetura mesmo, assim, arquitetônica, falei errado, né? De arquitetura da da organização do espaço da casa. a cozinha ser o espaço mais importante. Não surgiu do nada um costume cultural do interior que não tem raiz, né? De onde vem isso? Tem raiz, sim, tem raiz dos povos do Centro-Oeste africano.
A colonização, né, eh, fez com que o maior número de pessoas escravizadas, sequestradas do continente africano, que viessem pro Brasil, né, vieram do Centro-Oeste africano, que a gente chama de povos banto. Eh, e na na organização, na arquitetura da construção das casas do Centro-Oeste africano, a porta da frente dá pro maior cômodo da casa, que é a cozinha, porque o lugar de poder é o Lugar da cozinha e eram sociedades matrilineares, né? Porque não não porque a mulher era responsável pela cozinha, pelo ato de fazer a comida, mas porque a mulher era responsável pela produção
do alimento. A mulher enquanto eh espécie humana capaz de gerar a vida, era a única, o único ser humano com o poder de conversar com a terra, que também é mãe, que também gera vida. Então, era a energia da mulher que tinha autorização do da dimensão sagrada do universo de Produzir o alimento, de manuseiar o alimento, de entender o alimento. E isso não é só eh uma especificidade cultural do Centro-Oeste africano, dos povos bantos, não. no no na no território do Rio Negro, né, do Alto Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, os povos
indígenas, né, que lá habitam, e aí eu tô falando assim porque são são eh de fato quase uma dezena de povos também reconhecem esse lugar da mulher na relação, por exemplo, com eh a Determinados alimentos que são estrutura, né, eh eh social, que a mandioca, né? O milho para alguns povos indígenas eh no na América Latina como um todo. Deixa eu dar uma olhadinha aqui no chat bem rapidinho, porque eu me perdi aqui no pensamento e tô voltando aqui. Vou dar uma lidinha no no nosso nossos comentários aqui. A Juliana colocou sobre a gastronomia, que
quando se transforma em profissão vira lugar de Homem liderando. A Jaqueline trouxe a versão alcoênrio tem base genética, não sendo apenas preferência. Na isso tem algumas pessoas que sentem gosto de sabão, né? Mas é isso é uma porcentagem muito pequena da população, Jaqueline que não caracteriza uma localização geográfica no sentido do regionalismo, não produz um comportamento social regional. são algumas pessoas de fato, mas que eh que essa composição genética ela não pode Ser ligada a a algo que representa ou constitui comportamento eh cultural, regional, né? não tem essa dimensão. De fato, isso existe mesmo. Eh,
o coentro tem uma especificidade relacionada à nossa composição biológica, mas para algumas pouquíssimas pessoas, majoritariamente as pessoas que não gostam de coentro na região Sudeste não é em razão do DNA, não é uma constituição do paladar mesmo, né? Assim como o capitalismo fez com a gente uma Constituição de nós adultos de um paladar infantil, né? a a partir de de elementos que a gente coloca cotidianamente no nosso eh infantilizado, melhor dizendo, no nosso no nosso cotidiano, refrigerante, eh achocolatado, eh a associação que a gente faz, né, do do do prazer do carboidrato, da gordura, mas
também do prazer do paladar, do conjunto de sanduíche com batata frita, né, isso tudo, especificamente de alguns Uns fast foods, né? Você pode comer em outro lugar que não mata a sua vontade de comer. E isso vai moldando o nosso paladar a partir também de campos subjetivos, da nossa afetividade, dos nossos campos emocionais, do nosso psicológico e do nosso da nossa composição biológica. A Juliana colocou aqui: "Estou no Rio fazendo um estande eh da FBB do Prêmio Sim, igualdade Racial. O movimento tem um estudo que fala que vai demorar 167 anos para Pessoas negras e
indígenas ocuparem espaços nos setores públicos e privados de forma equitativa. Esse evento premia as empresas que já têm programas de aceleração e igualdade racial. Obrigada, Juliana, pela contribuição e de fato, né, eh isso com todas as políticas, né, que são constantemente eh eh combatidas no Brasil, como as ações afirmativas, as políticas de cotas, né? Então, eh, de fato, a colonização, ela não é um projeto inacabado, ela é um Projeto, aliás, ela é um projeto inacabado, mas que continua sendo implementado na nossa sociedade. O Antônio Francisco fala o seguinte: "É, professora, analisando bem o cenário da
sociedade, é bem isso mesmo. Aí tem uma risadinha aqui, né? Eh, quando o poder e o euro são a base das relações humanas, o cenário é outro, onde as classes dominantes são privilegiadas em detrimento de outras. Exatamente, Antônio. Obrigada, gente. E é por isso Que eu trago aqui para vocês esse relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que é de 2023, mas que se confirmou em 2024 e em 2025, eh, especialmente a partir, né, dessa dessa culminância dos conflitos, né, onde a gente na no lugar que a gente chama de Oriente Médio, mas que
na verdade é Ásia Ocidental, eh onde a ONU vai apontar pra gente o racismo. sistêmico como o maior problema provocado pelo colonialismo, promovendo Exclusões, violência, fome, morte, todo tipo de violação de direitos humanos. E aí vai apontar aquilo que a gente viu aqui também nos comentários, né, que a falta de participação significativa de pessoas afrodescendentes na vida pública impede o avanço da igualdade da justiça racial, segundo a ONU e que a Juliana trouxe aqui pra gente, né, que tá sendo discutido agora. Por que que eu trago isso? para que a gente não confunda, né, eh,
posicionamento pessoal com produção De conhecimento acadêmico, que é o que estamos fazendo aqui. A gente tá conhecendo uma teoria que tem bases não só teóricas no sentido da produção intelectual, mas que tá diretamente colada e parte emerge da nossa realidade social, da nossa realidade histórica. Então, esse aqui é um dado oficial de uma organização que não tem tanto respeito assim hoje em dia, mas que ainda assim ocupa um lugar hegemônico na nas relações de poder, eh, e que vai Trazer pra gente o racismo como, eh, a herança dos processos de colonização, né, daquilo que é
mais difícil da gente combater e que é o maior impedimento, né, pro avanço, pro alcance dos direitos do dos direitos humanos a nível global. E aí eu trago pra gente dois conceitos importantes a partir de duas intelectuais negras bastante importantes pra gente na vida, tá gente? Não só na nossa formação profissional, mas na nossa formação humana também. Uma delas É a Sueli Carneiro, né, que é filósofa, doutora em educação e que a partir da sua tese de doutorado, ela publicou há alguns anos atrás, acho que o livro é de 2020, 21, né, o livro chama
Dispositivo de Racialidade, mas que se desdobra do seu doutorado em educação que ocorre décadas antes, eh, chamado A Constituição do Ser. A constituição do outro como não ser como Ai, Deixa eu pegar aqui, gente, que me deu um branco doido aqui. Só um minutinho. A construção do outro como não ser, como fundamento do ser. Me deu travar língua. a construção do outro como não ser, como fundamento do ser. Que que isso tá dizendo pra gente? A construção do outro como não ser, como fundamento do ser. A Celi Carneiro faz uma tese toda trazendo a participação
da educação no processo de racialização da nossa sociedade brasileira. Ela usa eh ela dialoga com Com os conceitos do Foucault, né, como dispositivos. Eh, e aí ela coloca o o o dispositivo de racialidade como um constitutivo dos processos de de racismo, da consolidação do racismo como um processo sistêmico no Brasil, inclusive pela educação, com a participação da educação. Mas ela tá trazendo também conceitos do Fran Fanon, né, esse psiquiatra martinicano, que é uma referência Intelectual que todo mundo deveria ler, inclusive, e que o Franço Fanão ele vai dizer o seguinte: como que o racismo opera
dentro da nossa da nossa sociedade, né, da colonialidade, melhor dizendo, para trazer os termos aí da da teoria da decolonialidade que a gente tá vendo hoje para que como que se estabelece um padrão hegemônico né, de ser humano, de humanidade, de Poder, de ser, de saber. O padrão, o padrão ele não chega, né? A hegemonia não se constrói num processo de dominação brusca. Os europeus não chegaram e disseram: "Parem tudo, nós somos os únicos humanos válidos". Não foi isso que aconteceu. O que que acontece? Como é o processo? O processo é o de desumanização do
outro para que eu me afirme como humano hegemônico. E é exatamente isso que o processo de colonização faz. Você invade, Detona e então vira a referência. Percebem como isso faz sentido? É isso que a tese da Celi Carneiro traz já no seu título, né? a construção do outro como não ser, como fundamento do ser. O ser humano, padrão hegemônico, branco europeu, se funda na construção do outro como um não ser. O Franz Fanon vai dizer que a sociedade colonial ela se divide nessas duas zonas, a zona do não ser e a zona do ser. A
gente vive isso ainda Hoje de maneira muito nítida. Eu vou trazer isso paraa nossa atualidade. Vocês frequentam o campus do CEUB? [roncando] Eu falei isso na aula passada, né? Vocês frequentam o campus com frequência? Esse sim é porque eu falei na aula passada ou vocês frequentam o campo do CUB? O campus do CEUB. >> Eu sim, mas não com frequência, só paraas provas presenciais. Certo. Como é o nome da pessoa que fica Na portaria? Das pessoas que ficam na portaria quando vocês entram? >> Não sei. >> Descrevam para mim eh o uniforme das pessoas que
fazem a limpeza dos banheiros. Recepcionista é o cargo. Yasmin, tô perguntando o nome da pessoa, do ser. Azul é a cor. [risadas] Majoritariamente são homens ou mulheres que limpam os banheiros que a gente utiliza no Ceúb? >> Mulheres. >> Quem são? O banheiro masculino são os homens e o banheiro feminino são as mulheres. Que lícula. >> Quem são as pessoas que organizam os livros na biblioteca? Quem são as pessoas que vocês passam o cartão para comprar café, pão de queijo, sushi? A gente não sabe o nome de ninguém, né? A gente não sabe nada da
vida de nenhuma dessas pessoas. Por quê? Elas são invisibilizadas Na nossa relação. Exatamente, Ana Paula. Elas são completamente invisíveis. Invisíveis. Vou falar difícil aqui agora, tá gente? Um pouquinho duro, mas a gente pra gente entender a importância da teoria, elas são tão invisíveis que tanto faz quem é a pessoa que tá lá. Que que é importante? Que alguém esteja, porque se faltar papel higiênico no banheiro, a gente reclama. alguém tanto faz quem é a pessoa. Isso Não é só invisibilidade, isso é desumanização, porque a gente vai saber minimamente aquelas informações que são do nosso interesse,
ou seja, que na nossa relação com a instituição vão ocupar lugar de poder. O nome do coordenador, onde fica a secretaria, né? o nome da professora ou do professor, de repente só quando eu preciso falar com ele, quando eu tenho, eu recebo vários e-mails de alguém, das pessoas me chamando de professor porque Nunca me viram, [risadas] né? Mas precisaram falar comigo de vez em quando. Então, por favor, tá, gente? Se precisarem falar comigo, lembrem que eu sou Daniela. Eh, isso é um processo de desumanização. E esse processo de desumanização, eh, ele ele não só desumaniza
a pessoa ali no, no seu trabalho, na sua profissão, na dimensão da sua profissionalidade, ele desumaniza de maneira que a gente acaba generalizando, A gente vai olhar, majoritariamente vão ser pessoas negras, majoritariamente a Juliana trouxe, vão ser mulheres, mas não majoritariamente no sentido total da nossa percepção. Porque se a gente for fora nossa relação com esse ambiente institucional de trabalho, de estudo nosso, para mim de trabalho, para vocês de estudo, mas se a gente for olhar na nossa sociedade, quando isso resulta, quando essa invisibilidade, quando essa Desumanização resulta em mortes, aí a gente passa para
um outro grupo que vão ser majoritariamente homens, jovens, meninos, negros, né? a gente naturaliza de tal forma que essa relação nossa com as mortes na nossa sociedade, com as vidas interrompidas de maneira violenta, eh, com a nossa sociedade, a gente naturaliza da mesma forma que a gente naturaliza essa invisibilidade mais direta do nosso cotidiano. De tanto faz, quem morreu foi mais um menino negro na Periferia de não sei aonde. É normal, né? esses dias, inclusive no jornal, eh, num jornal da maior emissora, né, de de jornalismo aqui do Brasil, o jornalista que faz que faz
a condução do jornal, o apresentador do jornal, ele falou o seguinte, eh, tava, ele tava descrevendo um assalto, né, que que resultou numa morte e ele falou, a pessoa tava também desavisada ali pela rua numa região que já é naturalmente violenta. E quando ele falou isso, o que é uma região Naturalmente violenta? Isso é racismo que ele cometeu, né? Nenhuma região é naturalmente violenta. A violência é um é um uma construção, né, histórica, social, né, que e que vai ter múltiplas razões e que nenhuma delas vai ser a determinação biológica, racial, cultural. Ninguém nasce violento
por nenhuma razão. A violência é uma construção que vem como uma consequência da relação com a sociedade e da relação com a violação de direitos da sociedade De maneira geral. Exatamente. Se torna. Então a Celi Carneiro, ela traz esse conceito do epistemicídio para mostrar pra gente o lugar da educação. E quando eu falo educação, não tô falando assim pedagogia, curso de educação. Tô falando do sistema da educação institucional que inclui a gente aqui também. ela traz esse conceito de epistemicídio, não só para falar desse lugar, eh, da construção, mas também da consequência e Da forma
como o racismo se atualiza. Ou seja, ela vai trazer pra gente a nossa implicação nesse processo de manutenção da nossa sociedade racializada. Esse é um conceito que eu faço questão de ler, né? Ele tá na, ele tá no livro, mas ele tá na tese, como eu falei, é uma tese que foi publicada numa universidade pública, ela tá disponível na internet, né? A constituição do ser, eh, a, a constituição do outro como não ser, como fundamento do ser. Ela vai Dizer o seguinte: "O epistemicídio é, para além da anulação e desqualificação do conhecimento dos povos subjugados,
um processo persistente de produção da indigência cultural, pela negação ao acesso à educação sobretudo de qualidade, pela produção da inferiorização intelectual, pelos diferentes mecanismos de deslegitimação do negro como portador e produtor de conhecimento. e de rebaixamento da capacidade Cognitiva pela carência material e ou pelo comprometimento da autoestima pelos processos de discriminação correntes no processo educativo. Opa, eh, apertei aqui sem querer. O que que ela tá dizendo aqui pra gente? Ela vem de um conceito que foi eh utilizado pelo Boaventura de Souza Santos, que é um sociólogo português, que falava do epistemicídio como eh esse essa
marca do processo de colonização de apagamento de civilizações inteiras. A gente tem Muitos museus, né, muitas exposições em museus de povos originários majoritariamente que já não existem mais, que foram dizimados pelo processo [limpando a garganta] de colonização, onde a colonização tira expoentes, referências culturais, preserva isso e extermina a população. Mas a carneiro, ela fala que o epistemicídio é mais que isso. quando ela fala da anulação, da desqualificação do conhecimento, né, e da produção de Uma indigência cultural, ela tá falando do desse processo de de desumanização que causa esse invisibilizamento, essa invisibilização tamanha que a gente
retira da importância da existência a própria vida da pessoa, né? Tanto faz quem é que tá ali limpando o banheiro desde que alguém esteja, né? essa invisibilização, né, e esse essa relação que vai ser racializada, que vai ter recortes de gênero, eh ela ela tá informando pra gente uma Desqualificação humana total. Por se aquela pessoa que tá lá usando um uniforme num emprego que a gente considera subalternizado, realizando um trabalho que a gente desqualifica também enquanto profissão, se aquela pessoa vem aqui dar aula para vocês, vocês não vão querer ouvir a aula dela. Ninguém vai
querer ouvir a aula dela, porque ela não tem legitimidade intelectual. É assim que o racismo faz com a gente. O Racismo ele ele ele eh a colonialidade do ser e do saber, ela tem essa dimensão de constituir a nossa subjetividade de maneira tal que a gente necessita de referenciais de padrão eh de poder para reconhecer a intelectualidade. E aí eh entendam como sinônimo nesse momento de de humanidade. vai passar uma pessoinha aqui. Agora, eh, a partir de um referencial hegemônico, por Exemplo, quem pode ser intelectual no Brasil? Quem tem diploma. Sem diploma, sem um papel,
um atestado que comprove, você não pode ser um intelectual no Brasil. E se por acaso você conseguir quebrar esse círculo, né, e alcançar um lugar de referência, como raramente alguns escritores conseguem, eh, você é uma exceção, você é uma raridade, você, alguém conhece o professor Saulo, foi ele que apareceu ali. É, é uma, é uma, é como se aquela pessoa tivesse algo de especial, é um especf, né, no sentido de uma exceção. Um outro ponto importante que a gente tem aqui do Aseli Carneiro é uma palavrinha que ela usa aqui para além da anulação, né,
um processo persistente de produção da indigência cultural. Essa palavra persistente, ela não tá aqui por acaso. Ela tá informando pra gente que se as técnicas, se se a Tecnologia do racismo se atualiza de tempos em tempos para se manter hegemônica, organizando as nossas relações sociais, ela não é unicamente uma herança do processo colonial. A gente muitas vezes quer dizer isso, né? A culpa do racismo estrutural. O que que a gente tá dizendo? Ah, porque a gente teve a escravidão, aí agora o racismo tá aí, eu não posso fazer nada a respeito, não é isso. E
é por isso que eu não gosto muito desse conceito da do Estrutural. Eu prefiro sistêmico porque informa pra gente que é algo que está em movimento. Se ele é persistente, né, e ele persiste na atualidade, como que o racismo persiste na atualidade? por meio da gente, das pessoas viventes no presente. Então, o racismo, ele tem sim uma dimensão importantíssima histórica, mas ele se atualiza na nossa no nossa vez, né? ele ele continua se atualizando Na nossa no nosso momento existencial, por meio da nossa vida, da forma como a gente se organiza, da forma como a
gente e e age, se comporta, né? Então, a Feli Carneiro, eu acho importante esse conceito pra gente, porque ela tá dizendo pra gente que não existe fora da relação racial, não existe neutralidade. Na perspectiva do racismo, ou você fortalece o racismo ou você combate o racismo. Não existe outro lugar para você estar. Porque se você não está Diretamente combatendo o racismo, você está num lugar onde o racismo privilegia a sua vida. E aí é por isso que a gente tem a Cida Bento aqui com o Pacto da Branquitude, que também é uma tese de doutorado,
essa um pouquinho mais antiga que a tese de doutorado da Sueli Carneiro, que acho que é Sid Bento, a tese dela é de 2005, se eu não me engano. Eh, e ela funda esse conceito do pacto narcísico da branquitude, né? E que que Vem dessa ideia da branquitude como um sistema de pensamento. A gente pode colocar o seguinte, né? A eurocentrização é o movimento de dominação que se transforma num modelo econômico que é o capitalismo e que cujo sistema de pensamento a lógica é uma lógica da branquitude. E aí tá aqui, né, em com asterístico,
né, branquitude sinônimo de pessoas brancas. A gente não pode levar isso para nenhum campo individual. Branquitude é uma forma de organização, uma lógica sob a qual a nossa sociedade opera desde a estrutura material até a mentalidade social e atravessa a subjetividade de todas as pessoas. Como eu falei, não existe fora quando a perspectiva é o racismo. E o que que significa dizer isso? Significa dizer quando a gente fala do privilégio branco, a primeira coisa que a gente faz porque é muito difícil a gente pessoas brancas, Né, ou socialmente reconhecidas como brancas. E por que que
eu tô falando socialmente reconhecidas como branco? Porque não necessariamente tem a ver diretamente com a nossa cor da pele ou com a nosso pertencimento étnico cultural, né? Você pode ter eh na na no Brasil, que isso é uma confusão danada, né? Mas você pode ter outras descendências, como por exemplo, eu tenho, né? Minha família é árabe, minha família é Síria, indígena, né, e moura. Eh, mas na aqui no nosso no nosso país, na nossa sociedade, eu sou uma pessoa branca. O que que significa dizer nesse sentido? Porque eu sou uma pessoa socialmente lida como pessoa
branca. Significa dizer que eu querendo ou eu não querendo, eu participo do privilégio da branquitude. O que que quer dizer o privilégio da branquitude? Quer dizer que a minha vida é mais fácil, eu não tenho problema. Pessoas brancas não têm Problemas. Não quer dizer isso. Quer dizer que dentre todos os problemas existentes que uma pessoa branca possa ter na vida, nenhum deles, nenhuma vez na vida, vai est associada à cor da pele, vai tá associada à definição, ao seu fenótipo. Você vai ter outros problemas na sua vida que todas as outras pessoas podem ter, mas
nunca nenhum deles vai estar relacionado à sua cor da pele. Isso é o privilégio da branquitude, é Dizer que diante de todas as coisas, os obstáculos, as contradições, as dificuldades, né, as questões da nossa vida real, material, cotidiana, além de tudo isso que é comum a todas as pessoas na sociedade brasileira, existe uma eh existe uma linha que separa, né, na intensidade desses problemas quando eles são relacionados, quando a gente insere na a na compreensão, na observação da Sociedade, o viés racial. Isso é muito forte. Isso é muito forte. Por quê? Porque todo mundo tem
problemas. A vida não é fácil para ninguém. Todo mundo tem que pagar suas contas. Umas pessoas mais, outras menos. Existe a divisão de classe, existe as diferenças culturais, existe tudo isso, a diferença de gênero, tudo isso, todas as pessoas participam disso, mas existe uma forma de discriminação, uma forma de obstáculo social a ser superado, uma Forma de negação e violação de direitos que inclusive permeia o próprio direito à vida, que tá exclusivamente relacionado ao nosso racismo. Tô falando do nosso racismo brasileiro, que é majoritariamente fenotípico, né? É diferente de outras lógicas, de outros racismos em
outros lugares. Não pode ser comparado, tá gente? A gente não fica comparando violência para saber quem é mais ou quem é menos. O a questão é não ser, né? Eh e que e que essa esse tipo de violência ele vai eh ele não vai, melhor dizendo, ele não vai afetar um grupo específico de pessoas na nossa sociedade, que são as pessoas socialmente reconhecidas como brancas. E aí essa aciida benta, ela desenvolve a partir desse conceito da branquitude enquanto uma lógica, ela desenvolve esse ela estuda o racismo institucional, tá gente? Ela vai olhar o racismo na
dimensão da constituição das Instituições no Brasil, do Estado, da não só das empresas, mas da lógica do Estado, da lógica da das normativas legais, da forma como o próprio sujeito de direitos universal acaba atingindo mais de maneira mais favorável o alcance e o acesso aos direitos humanos, por exemplo, do homem branco. A gente vai terminar a nossa aula sobre isso, tá? Eh, eu não vou passar muito mais não. Então, a Sid Benta, ela traz pra gente o Seguinte: a branquitude se expressa em uma repetição ao longo da história de lugares de privilégio assegurados para pessoas
brancas, mantidos e transmitidos para as novas gerações. Uma estrutura de poder que sistematicamente favorece e é ocupado por pessoas brancas. Traduzindo isso em outras palavras, ela vai dizer o seguinte, que se ninguém contestar nada, se todo mundo começar a de maneira eh robótica, quase ao obedecer todas as Regras institucionais que a gente tem, a gente vai manter as desigualdades raciais, porque o sistema é um sistema que privilegia a manutenção do poder de quem sempre esteve no poder. E essa divisão de quem esteve está no poder e quem nunca esteve não está e provavelmente não estará
no poder, é uma divisão racial majoritariamente. Então, é isso, o pacto narcísico da Branquitude. É isso, é uma lógica de pensamento que organiza as normativas, as instituições, o poder que organiza a nossa sociedade e que dessa forma que ela tá organizada, ela permanece eh eh privilegiando as pessoas que historicamente, majoritariamente, estiveram, estão e estarão no poder. Então, deu para entender mais ou menos? Sim. Não, mais ou menos. E aí eu trago bem rapidinho, né, esse texto que tá lá na nossa no nosso Material complementar da disciplina, mas que eu gostaria que tivesse lá em cima.
Inclusive, minha gente, eu vou fazer uma alteração no nosso material set, tá? A o pessoal da equipe técnica que Obrigado, Wélia. Eh, o pessoal da equipe técnica que montou a nossa sala de aula trocou, colocou no material complementar o texto que eu gostaria que fosse o texto da leitura obrigatória e colocou o material complementar como leitura obrigatória. Eu vou só inverter, tá? Eu faço isso Hoje assim que a gente acabar aqui. É um artigo bem pequenininho que tá lá no material sete, minha gente, mas assim que é um material que eu gostaria muito que vocês
lessem, porque ele ele traz assim de maneira muito palpável tudo que a gente vai ver na nossa disciplina de conceito, de teoria, tá tudo lá, inclusive dessa aula de hoje, assim, tá tá tudo lá em dados, em números. Eh, não é um texto fácil de ser lido, mas é um texto extremamente importante. Então, Eh, eu vou fazer isso hoje para que vocês possam fazer a leitura quando chegarem lá no, no nosso material set. Bom, e aí tô falando em racialização, tô falando em organização social, tô falando em direitos. E aí a Tula Pires, que é
essa jurista, né, Tula Rafaela de Oliveira Pires, professora lá da PUC do Rio de Janeiro, uma pessoa de muita referência na construção de um campo do direito aqui no Brasil, que é o direito antidiscriminatório. E ela traz um texto que também é um artigo bem pequenininho, mas que chama o seguinte: Racializando o debate sobre direitos humanos, limites e possibilidades da criminalização do Brasil. E por que que esse texto tá lá? Esse aqui é um livro, né, da da Tula Pires que eu eu coloquei algum material de referência aqui para quem quiser se interessar mais por
essa por esse campo de leitura, né, poder voltar aqui no nosso material visual e e dar uma olhada Nesses, vai ter umas capas de livros aí para vocês. E aí eu pergunto, né, racializar o debate dos direitos humanos é mesmo necessário? Nesse, depois de tudo que a gente viu aqui, acho que eu espero muito que vocês respondam sim. Mas eh a Tula Pires vai demonstrar isso também a partir desse artigo que é um artigo do campo do direito e que traz pra gente, ela vai demonstrar como que o que tá aqui mesmo, as clicidades do
discurso Dos direitos humanos na reprodução da violência vai trazer pra gente essa problemática do que que é universalidade e o que que é a suposta pretensa neutralidade. Ela faz uma crítica, né, sobre a a partir da ótica da população negra, da forma como os direitos humanos, isso que eu tinha acabado de falar, vão privilegiar a ideia do humano eurocêntrico, né, e que isso acaba subalternizando, invisibilizando povos Que já historicamente são invisibilizados. Então, é muito mais difícil, por exemplo, eh, quando uma pessoa que tá numa classe social mais abastada e essa pessoa tem uma maior chance
pela nossa histórica, social, cultural, né, eh, histórica do da nossa sociedade, ela tem uma maior chance de ser uma pessoa branca, ela tem um caminho mais curto para resolver um Determinado problema. por exemplo, ela ela tem um um aquilo que a Juliana trouxe pra gente mesmo, se a gente for olhar em anos, em perspectivas de superação, né, as pessoas brancas que têm alguma dimensão dos direitos humanos não atendidos, né, o direito à educação, saúde, moradia, eh, não não chegou ao nível superior. porcentagem de pessoas que não chegou ao nível superior, por exemplo, dentro das pessoas
brancas, eh, a chance dessas pessoas alcançarem o Ensino superior, ela é uma expectativa muito curtinha em relação às pessoas eh de outro pertencimento racial não branco. E aí o direito à educação é um direito universal, ou seja, é um direito de todo ser humano, mas ele não vai ocorrer pra gente de maneira igualitária. O caminho de alcance do exercício dos direitos humanos, ele é um caminho diferente e que essa diferenciação ela se dá numa perspectiva racializada, né? Então são Várias dimensões do racismo que eu tô trazendo pra gente pra gente eh poder entender a importância
de se pensar sobre isso, porque é difícil a gente poder de fato parar e refletir sobre o racismo. As pessoas têm uma recusa, a nossa sociedade eh tem uma recusa como se isso fosse algo da dimensão individual, algo que pode ser resolvido a partir de uma mudança de uma pessoa consigo mesma e que se autointitula não racista. Mas eu não sou racista, então Não preciso pensar sobre isso. Mas aí, eh, tudo que a gente consome, né, a gente tem uma página na internet que chama Slave Voyages. Eh, vamos ver se eu acerto escrever aqui em
inglês. Eu acho que é isso. >> Professora, >> oi. >> Desculpa rapidinho, eu tô tendo muito problema com a conexão aqui. Vou Desconectar. Eu realmente não tô conseguindo. Toda hora tá conectando e desconectando. Tá até atrapalhando a aula. >> Não tá atrapalhando a aula não. Mas mas tudo bem se você não tá conseguindo, não tem problema. Aqui para mim não tá atrapalhando nada não. Fica tranquilo. >> Ah, tá. E amanhã eu assisto a aula, tá certo? >> Tá certo? Muito obrigada. >> Boa noite, pessoal. Boa noite. Eh, e lá, né, você vai você vai preencher
um questionário. Eh, o, esse foi um historiador, um professor universitário chamado Manolo Florentino, brasileiro aqui nosso, eh, que montou essa plataforma, depois ela ela tomou outras parcerias, enfim, é uma plataforma super legal, importante pra gente, que tem milhares de informação e um de informações e uma delas eh você consegue preenchendo, né, alguns requisitos do seu modo de vida, o que Que você consome, quanto você ganha, né, quantos eh eletrod domésticos tem na sua casa, você vai você vai fazendo, dando informações do seu perfil e aí depois ele faz a conta de quantas pessoas o seu
modo de vida sustenta em situação análoga à escravidão no mundo. E isso é muito chocante, né? Eh, então, então, eh, eh, a forma como a nossa sociedade se organiza de fato tá fundado numa relação eh de eh de separação e hierarquização racial que invisibiliza Pessoas e que e que nos impede de ter acesso a essas informações que nos permitam desinvisibilizar, né? Essa é a grande estratégia do racismo. Essa é a grande artimanha do racismo. É, não só mesmo que você saiba, por vezes a gente não tem, eu sei que não é assim, mas até que
eu chegue em como é, é um caminho que não tá acessível pra gente de maneira proposital. E aí é por isso que eu trago o último texto pra gente. Eu vou vou Conseguir fazer dentro do nosso horário aqui, eh, que é a inclusão da interseccionalidade no âmbito dos direitos humanos. Eu trouxe esse texto porque os dois textos a do Atulapir e esse eles se complementam e e complementam o texto do Anibal Kanano, né? Trazem a outra metade da crítica que ele traz, mas de uma maneira mais propositiva, porque esse conceito da interseccionalidade, ele é a
chave pra Gente. Eu imagino que muitas pessoas estão aqui, tá? Mas como é que faz? Como é que faz? Então, né? A interseccionalidade, essa proposta, ela é algo de fato muito necessária e que já tem reverberado em mudanças, inclusive na organização, no combate ao pacto da branquitude na dimensão institucional no Brasil, naquilo que reverbera em políticas públicas, né? Quem que é a Kiberle Cristal? A Kimberle Cristal é Uma jurista negra norte-americana, eh, professora universitária e que desenvolveu uma teoria, Patrícia Hill Collins, que também é uma intelectual negra norte-americana, tem vários livros. A partir dessa ideia,
né, ela ela transforma a interseccionalidade numa teoria. Mas a Kimberle Cristal, ela vem com esse conceito de interseccionalidade. E aqui eu trouxe para quem gostar dessa discussão algumas referências, né? Como Eu falei, a Patrícia Rio Collins aqui, esses dois primeiros livros, a gente tem um outro jurista negro que é um intelectual acadêmico também, que é o Adilson Moreira, eh, e que traz esse livro que é fantástico, que é o Tratado do Direito antidiscriminatório. E para quem quiser uma leitura um pouquinho mais leve, mas ainda dentro do assunto, muito bem fundamentada, esse manual de educação jurídica
antiracista é um livro fantástico, gente, é uma Leitura muito acessível e que eu acho que todo mundo deveria ler em algum momento na vida. A Patrícia Ril, a Kimberle Cristal, ela vai trazer pra gente o seguinte, deixa eu pular aqui para cá, isso que a interseccionalidade ela é uma ferramenta analítica. Lembrem disso que isso vai inclusive cair na prova dessa forma. é um instrumento analítico, uma ferramenta analítica, uma metodologia de análise, uma ferramenta de metodologia de análise que nos ajuda A compreender aquilo que as intersecções no sentido do encontro, da dialética, da fusão, né, de
duas ou mais eixos de subordinação, como ela chama, mas de violações de de categorias de violação de direitos. de categorias de marcadores sociais da diferença. E o que que acontece, né, quando a gente utiliza a interseccionalidade? Eu vou começar por um exemplo prático pra gente poder voltar pra teoria. Vou dar um dado Para vocês. Eh, a expectativa de vida de esse dado vem do Instituto Alana, tá bem? A expectativa de vida de meninos negros, crianças, meninos negros com síndrome de Down no Brasil é 50% menor do que a de meninos brancos com síndrome de Down
no Brasil. 50% menor a expectativa de vida de crianças meninos negros com síndrome de Down no Brasil é 50% menor que a expectativa de vida de meninos brancos Com síndrome de Down. E não, a síndrome de Down não tem relação biológica com pertencimento racial nenhum. O que que nos leva essa diferença de reduzir a metade a expectativa de vida de uma criança menino negro em relação a um menino branco com síndrome de Down? e que a gente jamais saberia se a gente não tivesse essa ferramenta analítica da interseccionalidade. A interseccionalidade, ela vai fazer com que
a gente sabe que meninos negros sofrem mais violência do racismo que meninos brancos. A gente sabe que majoritariamente na divisão de classes meninos brancos estão em melhor situação social econômica do que meninos negros de maneira geral em números demográficos, tá gente? A gente sabe que na relação com a violência meninos negros sofrem mais violência do que meninos brancos. E a Gente sabe que no acesso aos direitos básicos, meninos brancos tem mais acesso aos direitos básicos que meninos negros. Então, de maneira geral, a junção de todas essas variáveis resulta no dobro da expectativa de vida dos
meninos brancos com síndrome de Down. maior histórico de informação de escolaridade, de nível de escolaridade das famílias, dos meninos brancos, maior tempo de convívio familiar das Famílias dos meninos brancos, maior recepção do olhar médico, do cuidado na busca pelo atendimento à saúde, maior condição de acesso à própria saúde. Eh, uma série percebem maior segurança alimentar e nutricional, maior possibilidades de socialização, maiores possibilidades de desenvolvimento no sentido do acesso àilo que garante desenvolvimento, manutenção da saúde, investigação. Né? A a síndrome de Down, ela ela é uma deficiência, mas que ela gera, né, ela tem uma grande
possibilidade de gerar outras comorbidades, né? Então, eh, esse acompanhamento ele é sempre necessário. E do lado de cá, né, onde eu coloquei meninos negros com síndrome de Down, isso quando acontece, acontece de maneira muito mais precária, muito mais lenta, tardiamente, né? Às vezes o diagnóstico vem de maneira muito tardia. Eh, a escola que é um lugar onde as Crianças, né, a primeira experiência grande social das crianças é a escola. A recepção, o olhar atento, cuidadoso da estrutura escolar de nós, seres humanos enquanto estrutura escolar é diferente para crianças brancas e crianças negras. O cuidado, tudo
isso junto resulta nesse dado da expectativa de vida. Maior acesso às terapias educacionais, maior acesso ao fonaldiólogo, maior acesso ao nutricionista, a tudo, todas as dimensões que vão que vão permitir Uma vida, né? Uma vida de fato, a constituição da estabilidade de uma vida. Então, a interseccionalidade ela surge, minha gente, num movimento de mulheres negras norte-americanas que fundam o feminismo negro, que aí, claro, é para contrapor o feminismo, que até então se dizia universal, feminismo, mas que na verdade era movido por mulheres brancas e que não fazia, né, não não alcançava a representatividade das mulheres
negras. Um exemplo claro e Rápido disso que já deu 10 horas, mas vou pegar 3 minutinhos, tá gente? Eh, é, por exemplo, a luta histórica das mulheres pelo direito ao trabalho fora de casa. Mas quando as mulheres brancas conseguem o direito ao trabalho fora de casa, quem tava trabalhando na casa delas, inclusive para que elas pudessem exercer trabalhos fora de casa? Mulheres negras. As mulheres negras, na verdade, estavam lutando pelo direito de cuidar e Amamentar os seus próprios filhos dentro das suas próprias casas e não criar os filhos das mulheres brancas enquanto os seus próprios
filhos não tinham direito a esse cuidado. Então, o feminismo branco, o feminismo negro, ele se ele se organiza a partir dessa percepção de que o feminismo não era um feminismo universal, mas um feminismo branco ilegítimo na luta das mulheres brancas, mas não na pretensão de se fazer representar de todas as Mulheres. Então, todas as vertentes começam a surgir a partir desse reconhecimento. E a Quimerl Cristal, ela traz a interseccionalidade justamente como uma metodologia, um instrumento analítico que tem aí vou ler aqui agora, né, potencial significativo na busca por sanar lacunas que comumente tornam ineficazes mecanismos
de promoção de direitos humanos para uma parcela significativa, né, da população, dos Seus destinatários. Isso significa dizer que a gente só saberia, por exemplo, que na relação com a saúde, né, a violência obstetrícia, a violência obstetrícia ela ocorre mais em mulheres negras no Brasil. Por historicamente a gente tem essa ideia em razão da escravização de que mulheres negras são mais fortes que mulheres brancas e pasmem para quem não sabe ainda. Mas no sistema público de saúde do Brasil isso é um dado, tá gente? O Instituto Gel 10 tem uma pesquisa gigantesca sobre isso. Existem teses
de doutorado também sobre isso. Eh, o sistema público de saúde no Brasil aplica anestesia na hora do parto em mulheres negras do que em mulheres brancas. Porque é da nossa mentalidade social racista, racializada que mulheres negras suportam melhor a dor. A forma de acolhimento na hora do parto, eh, toda essa relação, né, do atendimento, da urgência do atendimento Quando ele precisa ser, ele é muito diferente entre mulheres brancas em trabalho de parto e mulheres negras dentro do nosso sistema de saúde. E para que a gente soubesse disso, só uma ferramenta como a interseccionalidade, eh, poderia
promover pra gente a percepção. Quando a gente tem o desdobramento das cotas, né, como primeiro ela vem como cotas raciais, depois ela tem as suas especificidades, né, pessoas negras, quilombolas, Indígenas, tudo isso, né, são dados que quando eles geram as especificidades que vão alimentar a produção de políticas públicas mais específicas para que todos tenham o mesmo direito, o alcance ao mesmo direito ao ensino superior, eh isso é fruto de uma análise interseccional. Esse é o papel da interseccionalidade. Como que a produção colonial, né, as forças coloniais destróem, tentam destruir o potencial da Interseccionalidade, transformando isso
numa num discurso identitário. Então, eu vou dizer: "Eu sou mulher branca, eh sei lá, eh eu tô acima do peso, né? Então vou colocar, sou mulher branca, gorda, é de classe média". como se essa junção de características fosse de fato uma uma narrativa interseccional a meu respeito, quando na verdade não, isso é muito importante pra gente, não confundir intersecção de marcadores sociais da diferença da Violência, de eixos de subordinação com sobreposição de características identitárias. sobreposição de características identitárias é algo que você utiliza para se colocar, se contextualizar, entender seu lugar de fala, mas a interseccionalidade,
ela é uma ferramenta analítica que vai permitir fazer emergir dados sobre a a as necessidades da nossa realidade social, que quando a gente utiliza as perspectivas hegemônicas, que são Universalizantes ou se dizem neutras, esses dados não Só não aparecem, mas não aparecem porque estão invisibilizados. Foi muito bateu bem mal ou não bateu? Querem falar alguma coisa, gente? Vocês estão com umas carinhas que eu não sei se é bom ou ruim. Foi muito bom. Excelente a aula. >> Obrigada. Vocês estão com alguma dúvida? Querem trazer alguma colocação, uma Reflexão, uma partilha? Obrigada, Rafael. >> Obrigada. Fiquei
impressionada com as informações. Muito >> não são fáceis da gente digerir, especialmente para nós mulheres, né, que toca em lugares muito sensíveis da da nossa existência cotidiana mesmo. E e eu acho que esse é um efeito, embora difícil, [risadas] esse é um efeito, eh, necessário, né, Para que a gente possa entender que de fato a gente tá implicada nos nossos nos processos sociais, nesses que a gente discorda, né, assim, que essa neutralidade ela inclusive não funciona pra gente na nossa relação social. Pode falar, Juliana. Tem uma uma teoria que fala que é pra gente usar
fazer exercício do pescoço, que é olhar pros lados quando você tiver nos lugares >> para você ver o tipo de pessoa que frequenta cada lugar. Eh, eu tive dois filhos em hospital público e eu era a única mulher branca do quarto. Quarto tinha oito mulheres. Eu era a única mulher branca do quarto. Eh, porém te frequento outros lugares, até por causa do meu trabalho. E você olhar pro lado e você às vezes vê que tem restaurante no Rio Grande do Sul, por exemplo, Gramado, que é um lugar mais caro, e você vê que no restaurante
Inteiro tem uma pessoa preta dentro do restaurante, faz muita diferença. Esse exercício é muito bom pra gente poder ver onde que as pessoas estão frequentando, quem são as pessoas que frequentam cada tipo de ambiente. Eh, essa essa é uma proposta que te convida a a a sentir o estranhamento, né? A não naturalizar essa essa eh essa ocupação racializada dos espaços de poder. Porque quando eu falo poder, não É só lugares de comando, não, tá gente? Lazer também são espaços de poder, cinema, férias, férias remuneradas, né? Eh, ter tempo com a família, almoço com a família,
tempo de estar com as crianças, tempo de não fazer nada. Essa essa tudo isso são espaços de poder. Eh, Rafael queria falar alguma coisa. Alguém levantou a mão ou foi só impressão minha aqui? Bom, minha gente, são 10:07. Eu vou parar a gravação aqui pra gente. A aula Que vem não saiu ainda, deixa eu dar essa boa notícia. A aula que vem é uma aula bonita, tá? a gente não vai só pesar, a gente vai trazer eh uma um mergulho, né, nas cosmopercepções indígenas para pensar sentido K.