Narrativas compartilhadas tem o prazer de ouvir agora o professor e educador Aldo Vannucchi II, profissional do Nook, assessor especial da reitoria da Unisul e nosso eterno mestre professor. Tendo entrado nesta universidade quando se chamava Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba em 1957, a faculdade tinha sido criada em 1954. Portanto, essa instituição tem 65 anos.
O professor está aqui conosco há 62 anos; é muita história bonita para contar. Mas, antes, vamos dar uma passada rápida no seu currículo, e que o profissional se sinta à vontade para corrigir aquilo que eu vou apresentar aqui. O professor tem graduação em Filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma, Itália, graduação em Pedagogia, mestrado em Teologia e Filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma.
Começou a dar aulas aqui na faculdade em 1957. Em 1963, quando a Faculdade de Filosofia corria o risco de fechar, ele sugeriu e participou da criação da Fundação Dom Aguirre, que passou a ser a mantenedora da faculdade, e também, depois, do Colégio Dom Aguirre. Essa ideia dele foi professor e diretor espiritual do Seminário Diocesano de Sorocaba, consultor do Conselho Mundial de Igrejas na Suíça, foi professor de Língua e Literatura Latina no curso de Letras Neolatinas, professor de Filosofia, Iniciação Tecnológica, Cultura Brasileira, dentre outras disciplinas da Faculdade de Filosofia.
Foi também diretor do Instituto de Educação, Ciências e Letras, Colégio Objetivo, diretor do jornal Diário de Sorocaba, colaborador voluntário na Rádio Cacique de Sorocaba durante muitos anos, diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba, membro do Conselho Nacional de Educação como conselheiro, presidente da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias, reitor da Uniso durante dez anos, e assessor especial da reitoria. Não foi dele a ideia de transformar a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em universidade, mas ele foi o principal responsável pela organização e execução do projeto. Nisso, portanto, desta foto, desta universidade, que já está colaborando e comemorando 25 anos, publicou mais de 200 artigos em revistas e jornais, durante muito tempo como colaborador também do jornal Cruzeiro do Sul, Sorocaba.
Escreveu aproximadamente 20 livros, desenvolveu mais de 80 pareceres para o Conselho Nacional de Educação, e sempre foi chamado para inúmeras palestras com temáticas variadas, principalmente com o olhar da educação. Ele foi amigo de Paulo Freire, que trouxe aprendizagens para a nossa faculdade. Então, tem muita coisa boa para contar.
O tempo vai ser pequeno para ouvir o professor Aldo, mas um relato sintético já nos permitirá perceber a beleza desta história de vida. O professor Aldo, é um prazer enorme recebê-lo aqui na nossa presença. Estou trabalhando aqui há 33 anos, e se somar o tempo de aluno de Letras, Pedagogia e Especialização, a proteção é, também, aproximadamente 38 anos.
Durante todo esse tempo, a sua figura tem sido um grande exemplo para mim, e foi um prazer enorme ter trabalhado durante muitos anos como coordenador de curso, diretor e projetor de graduação ao seu lado. Sob o seu convite, é uma honra enorme tê-lo como um mentor e amigo verdadeiro, ensinando-me principalmente pelo seu exemplo de simplicidade e serenidade. Portanto, é com gratidão que queremos ouvi-lo contando aqui um pouco da sua história, desde sua infância.
Como foi sua infância? A família irá se aproximar, e daí por diante, compartilhe experiências significativas, aprendizado escolar, estudos, profissão, facilidades, dificuldades e aspectos mais significativos que fizeram com que chegasse aqui hoje. Eu vou procurar fazer muitas perguntas porque a sua história e a beleza de sua vida são suas, então sinta-se muito à vontade para dizer tudo aquilo que for significativo.
Muito obrigado desde já pela sua presença. Muito obrigado, Roberto, obrigado pelas suas palavras. Muito obrigado pelo convite para essa conversa, uma conversa que é interessante para a história da instituição, mas é interessante também porque para minha própria pessoa.
Nessa tão longa vida, eu tenho também a satisfação de olhar aos sementes lançadas durante todo esse enorme trajeto. Não é fácil, para quem está chegando aos 91 anos de idade, rememorar, recompor, reconstruir tanta coisa vivida, entusiasticamente, muitas outras, dolorosamente sofridas, mas todas vitoriosamente. E eu estou à disposição para suas perguntas.
Eu gostaria que ele interferisse o mínimo possível. Você sabe que acontece desde o seu nascimento. Onde a família.
. . viesse contando a sua história para nós.
Eu prefiro não fazer perguntas em demasia, tá bom? E o macuco intenso, mas se o fluido solto, o que for mais significativo contando nessa questão do desenvolvimento cronológico seria interessante. Então, conte onde nasceu.
A entrada na escola, João da Boa Vista. . .
Meu pai tinha lá uma loja; parece que era a principal loja de tecidos da cidade, bem no centro. Mas a gente teve que sair de São João rapidamente, por causa de uma realidade anormal externa, que foi a quebra da bolsa de Nova York em 1929, que repercutiu no Brasil com a queda do preço do café. A região rural de São João da Boa Vista tinha muitos grandes cafeicultores, que eram fregueses principais da loja do pai, e que, com a quebra do café, chegaram a queimar café porque tinham perdido valor no mercado internacional.
Com a quebra do café, os grandes clientes do papai não pagavam, aí foi resolvido sair de São João da Boa Vista. Também porque mamãe tinha algum problema pulmonar, e o médico receitou que viessem para uma cidade mais quente. Nós tínhamos um irmão do papai morando por aqui.
Viemos para Sorocaba em 1932; eu tinha quatro anos de idade. E de 1932 a 2019, faça como eu estou, sou sorocabano, e sou de uma família de 11 irmãos. 11 irmãos!
E, olhando a parte da educação, eu gostei sempre no centro de Sorocaba, o padre Luís, ali pertinho da Rodape Alha. É interessante lembrar que eu morei, por exemplo, onde hoje é a livraria pedagógica, Morreira. Também morei.
. . Também na rua, onde hoje é a 11, tudo isso parece que tem algum sinal.
Tem troféu e, naquela época, o que era a educação formal no Brasil já incluía infância, primário, secundário, colegial, depois faculdade e, enfim, universidade. Jardim de infância eu não tive, ou se quiser falar em jardim de infância, foi com os outros irmãos em casa, na frente da casa, brincando na rua, e no quintal de casa, em brincadeiras inocentes. Na época, eu armava uma peneira apoiada em um pauzinho para ver se punha alguma coisinha ali embaixo da peneira e algum passarinho, algum pardal, via.
Eu puxava da janela e aí o coitadinho ficava preso. Outra coisa interessante é que eu tenho uma paranóia, uma fobia com relação a gato. Desde pequeno, eu me lembro que uma vez, na rua Padre Luiz, um pouco mais para baixo, eu vi uma cena de briga entre gato e cachorro; não lembro bem, mas não havia asfalto.
Peguei uma pedrinha mais ou menos do tamanho de um véu e joguei pra mexer com os bichinhos. Ela repercutiu no chão e atingiu a vitrine de uma loja. O dono da loja me trouxe de volta para casa.
Essa infância também foi marcada pelo fato de eu ter morado ali, bem atrás da catedral. Fui coroinha na catedral e ali, por sete, oito, nove anos, fui coroinha. É interessante também que, com uma família tão numerosa, quando precisavam de ajuda e eu não era o caçula, eu estava mais ou menos no meio.
Com dez anos, comecei a trabalhar no período da tarde na farmácia italiana, que ficava em uma loja entre a Penha e a Padre Luiz, em frente ao estacionamento atual. Trabalhei ali para lavar vidros e entregar remédios. Outra coisa profética: uma noite, tinha que mandar entregar remédios.
Sabe onde? Na Chácara Trujillo, que hoje começa ali com aquele portal escrito "Fundação Dom Aguirre". Naquele tempo, era uma porteira mambembe com um sininho.
Eu cheguei e toquei o sininho. O primeiro que me atendeu foi um cachorro que me mordeu, mas eu não tenho fobia com cachorro. Depois veio alguém e entreguei o remédio.
Ao mesmo tempo, com dez anos de idade, eu estava no Pavilhão do Grupo Escolar Antônio Padilha, uma grande escola, e me lembro dos professores, do diretor Aristides de Campos. Só que eu não terminei o primário com Roberto, no meio do 4º ano. Minha irmã mais velha, que era professora formada, falou que eu poderia fazer o preparatório com ela.
Naquele tempo, havia preparatório no ginásio. Assim, no segundo semestre, eu fiz o preparatório em casa e não tenho diploma de primário. Aí nós chegamos ao final de 1944.
O Seminário Nossa Senhora Carlos Borromeu, na Avenida Eugenio Valadão, foi inaugurado no dia 4 de novembro de 1939, e também vamos fazer 80 anos. Um dia, a irmã, minha, perguntou: "Você, coroinha, que gosta tanto, vai à missa, comunga, sem nunca entrar no seminário? " Eu estava com a toalha, ia tomar banho, e falei: "Ah, depois do banho".
E de fato, depois eu respondi meu pai. O seminário começou a funcionar em 1º de fevereiro de 1940. No dia 13 de fevereiro, depois do enxoval, me lembro que fui comprar três coisinhas: porque tinha 11 no roteiro, digamos assim, de coisinhas que precisava.
As maiores, minha mãe que providenciou, mas ela falou: "Só quem é você? ". Fui comprar uma casa, um pepino, uma tesoura, um sabonete Eucalol e uma pasta de dente com escova de dentes.
E aí comecei a vida no seminário Laranjeiro Salerno. Naquele tempo, o seminário era apenas aquilo que a parte de baixo da Uniso usa hoje como câmpus. O reitor era o padre Luiz Castanho de Almeida, o nosso historiador, Aluísio de Almeida, muito doente, mas superava as debilidades e limitações físicas.
Havia um padre, também, que economizava e era, ao mesmo tempo, professor de música, o padre José da Nova. E havia a alma da casa, que era o padre novo, André Pieroni, um padrão acima da sua época. Até escrevi há pouco tempo a biografia dele, um padre diferente.
Isso aí eu precisaria de mais duas horas para falar só sobre mais um padre, se era ele que estava conosco no dia a dia, que controlava, que animava, que nos levava passear. Me lembro de um passeio interessante: ele nos levou ao banco em um bom carro. Hoje, é um bairro espetacular, super movimentado, e que tem árvores, mangueiras.
Eu me lembro de uma coisa interessante, Roberto. Foi a primeira vez que eu vi no chão jogado um colega mais velho um pouquinho. Ele mostrou uma “camisa de Vênus”.
Hoje, ninguém sabe o que é uma "camisa de Vênus" sem camisinha; a coisa era mais poética. Outro passeio que ele nos fez foi a perna até hoje, no Jardim Ipiranga, para lá da Américo Figueiredo Neto. Ficava longe da Geni, além da tela da perna.
Sim, a gente fazia esses passeios. Às vezes saíamos para fora. Uma vez fomos a Piedade; para além de Piedade, havia um morro, uma rocha.
Um ataque que seguro aparece um elefante deve estar lá até hoje. Outra vez fomos a São Roque, e São Roque foi interessante. No momento em que todos visitamos as mesmas coisas, de repente, depois do almoço, o padre falou: "Agora, cada grupinho visita o que quiser".
O nosso grupinho resolveu visitar cemitérios de São Roque. Olha, crianças de 11 e 12 anos querendo ver o cemitério. Mas longe, e onde é que a gente começou a andar com essa pergunta na cabeça?
De repente, a gente viu quatro homens levando um caixão. E vamos atrás de outro passeio. Foi a Bom Jesus de Pirapora, interessante também.
Lá me lembro, também, depois de visitar o santuário, na hora do almoço, um colega aprontou e levou um pito solene. Qual foi o que ele aprontou? Na hora que ele falou: "Vamos sapato do mundo.
" Ele puxou a cadeira de um coleguinha e ela caiu no chão. Isto para dizer que o seminário foi uma formação muito interessante. Era o internato, muita coisa discutível, mas muita coisa interessante, e eu aproveitei.
Posso até dizer, eu acho que eu nunca contei isso: quando acabou o primeiro ano, no fim do ano, o Padre Castán, reitor, reuniu José Wilson, Santos, Anésio, Tom e eu e disse: "Vocês vão passar para o terceiro. " Não fizemos o centro, segundo primeiro para o terceiro, e aí 3º, 4º, 5º, 6º era um ginásio de seis anos. E realmente aproveitei muito, porque eu tive, do dólar, os professores, alguns sofríveis, professores novinhos.
Me lembro de um que ensinava matemática, e eu tenho dificuldade até hoje. Com uma semana a matemática, a cadeira, limitada a matemática lá, era a aritmética; depois, álgebra; depois, geometria; depois, trigonometria. Eu me lembro de trigonometria.
Ele foi até a página 50 do pobre, pois nós não sabíamos mais quem éramos. Eu me lembro de cosseno. Se no concelho de Águeda, gica isso.
Mas tive dois grandes professores de português: o Padre Armando e Rasi. Ele era apostou no Estadão, também lá no seminário, um excelente professor. Ele usava lápis grande, uma ponta azul, outra ponta vermelha, e corrigia.
Nós éramos poucos alunos em classe, ele chamava cada um à mesa dele e corria na frente, azul bebê, azul interessante, e dava dicas que eu uso até hoje, impressionante. Pra que tanto? Então, ele fica, fica alguns.
Então, capitão, então ficava gozando. E existia muito contra cacófato. Eu me lembro que ele falava, por exemplo: "Meus amores, por ti, são realizadores portugueses.
" E outro grande professor de latim e grego, Dom Aloísio, que o Gus, alemão, trabalhava no Mosteiro de São Bento, mas há muito tempo já trabalhando no Brasil. Um homem interessantíssimo, de boa idade, mas que começava as aulas, muitas vezes, insistindo com a gente no rigor físico da ginástica. E ele próprio fazia flexões e punha a ponta dos dedos na ponta dos pés e nos apaixonava pelo latim, por Virgílio, por Horácio.
Sobretudo, até hoje eu tenho ele, não só maravilha, as Bucólicas de Virgílio, a Eneida, vários grandes trechos, e o grego também. A gente não sei, não chegou à dicéia, mas pelo menos à gramática, os fundamentos da língua e da literatura grega. Isto foi o nosso com o ginasial, no que é ótimo.
E aí, em seguida, entra Nenê. A seguir, nós temos, depositam o seminário maior Sorocaba, no seminário menor, similar ou maior à diocese de Sorocaba. A escolha: o seminário central em São Paulo, do Ipiranga.
É bom! Então, depois do museu, uma pequena pausa, e aí vamos ouvi-lo falando sobre o seminário maior, né? Botão, um momento só e daqui a pouquinho continuamos no segundo bloco.