[Música] Olá sejam muito bem-vindas sejam bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast antonias que fala sobre o protagonismo feminino eu sou Eveline pcio e eu sou a Clarissa Batistela e nesse Episódio a nossa conversa é sobre exaustão e sobrecarga das mulheres um assunto que se tem falado muito na atualidade e não é por acaso segundo o relatório esgotadas baseado em pisa Feita em 2023 em todo o país pela ONG F Olga 86% das entrevistadas relataram ter uma carga muito grande de responsabilidade e para falar sobre o assunto nós temos hoje duas convidadas uma delas
é a Tula Beck bsol Tula tem 42 anos é professora de química orgânica no Instituto Federal de Santa Catarina aqui em Florianópolis desde 2013 onde também atua em projetos de pesquisa e extensão antes disso ela passou por temporadas em pelo menos três outros estados além da Alemanha enquanto se qualificava hoje ela é pós-doutora duas vezes mãe de três crianças do Guilhermo de 9 anos e das gêmeas Estela e Catarina de seis foi mãe solo quando as gêmeas tinham se meses por um divórcio contou com a rede de apoio familiar feminina e atualmente tem também uma
enteada de 17 anos que mora com ela e o atual marido Além disso ela não abre mão dos treinos O que é muito bom e criou uma página nas redes sociais pra divulgação Científica quanta coisa né Tudo bem Tula tudo bem Bom dia gente é um prazer est aqui com vocês hoje é um prazer poder falar sobre esse assunto né que é tão importante eu acho que é preciso sim falar sobre isso debater isso a gente não pode normalizar né Essa sobrecarga feminina então é muito bacana est aqui para ter essa conversa hoje e poder
compartilhar um pouquinho com vocês né da da minha Experiência a gente que agradece a tua presença aqui e além da Tula está conosco também a matie Martins Pinheiros de 33 anos a Mati é psicóloga diretora geral e idealizadora do Instituto é da nossa cor comprometida atua junto aos movimentos negros e na sociedade civil pela Equidade racial e integra também articulação Nacional de psicólogas negras e pesquisadoras na psicologia se aproximou do teatro e utiliza o psicodrama como uma abordagem no dia a Dia convive com uma síndrome rara neuromuscular e autoimune e que atinge uma a cada
1 milhão de pessoas e que lhe deu a condição de pcd paralelamente ao tratamento de saúde matie também faz palestras atua como consultora e coordenadora de projetos muito bom te receber aqui com a gente obada obrigada também bom é um prazer recebê-las as duas aqui para este bate-papo matize como psicóloga que já atendeu mulheres em condições de Exaustão inclusive e sobrecarga e a Tula como uma conhecedora de causa também né E que é o nosso cas conta pra gente Tula como você dá conta dessa rotina extensa que a gente acabou de falar aqui é eh
eu escuto bastante essa pergunta assim eu acho que na verdade eu não dou conta de tudo eu tava falando isso com a Eveline né ã toda vez que eu tô dando conta de alguma coisa eu fico com a sensação de que eu não estou dando conta de outra Coisa vem sempre um sentimento de culpa junto com isso né então quando eu tô eh cuidando de algo dos meus filhos da escola é uma tarefa é uma fantasia eu não tô corrigindo provas que eu deveria estar corrigindo para entregar no dia seguinte ou quando eu sou convidada
para dar uma palestra aí eu vou dar essa palestra Não tô participando sei lá da janta e do banho dos meus filhos à noite então na verdade eu não dou conta de tudo eu acho que ninguém dá conta de Tudo não tem como né é um é um são multitarefas a gente fica ali parece que tá em cima de uma corda bamba uma hora vai para um lado outra hora vai pro outro e eu acho que a gente também aceitar que a gente não dá conta de tudo é é uma coisa importante important também né
é saudável eu acho porque tem uma cobrança muito grande em cima da gente que a gente precisa ser super que a gente precisa dar ser isso ser aquilo ser Mulher ficar bonita se cuidar e também ser uma boa profissional bem-sucedida uma excelente mãe presente a todo momento e essa cobrança Com certeza é faz mal pra gente então a gente conseguir e ã trabalhando isso de de que não a gente não precisa dar conta de tudo Eu acho que isso é importante e isso de certa forma é um não um segredo Mas é uma forma da
gente ir conseguindo levar também de uma forma um pouco mais leve né buscar esse equilíbrio né mas Nem sempre esse equilíbrio vem assim tão fácil né Eu até ia aproveitar o gancho já perguntando pra Matiz né se além de toda uma rotina que a gente já tem no dia a dia de fazer as coisas quando a gente se culpa ela também traz essa exaustão essa sobrecarga pra gente mental a culpa pesa Ainda mais nessa ação já difícil de fechar Então acho que a gente tem várias questões aí várias emoções que acontecem juntas e acho que
o equilíbrio é uma Utopia importante que Faz a gente buscar constantemente equilibrar essa balança né Só que infelizmente a gente vive numa sociedade que é totalmente desequilibrada então assim eh a gente tem que entender que alguns sentimentos eles estão ligados também a questões históricas e do do do momento que a gente vive né a culpa infelizmente é uma autopunição que a gente faz com a gente mesma então a gente tem uma tendência muito grande a se punir a se Penitenciar quando a gente não faz como deveria ser feito e acho que é importante que a
gente também saiba o lugar que cada emoção nos sinaliza sabe então quando a gente tá se culpando muito a gente tá se punindo novamente por algo que já tá nos machucando E por que que a gente faz isso né De que lugar que vem isso quando que a gente aprendeu que a gente precisa se machucar para aprender que tava errado então acho que a gente precisa ressignificar algumas Coisas e essas emoções eu acho que elas vêm para mostrar pra gente isso né Eh a questão do equilíbrio que eu falei né que a gente que é
como uma Utopia porque é muito difícil equilibrar tudo isso né com tudo acontecendo a todo momento milhões de informações enfim crianças de diferentes idades pessoas com diferentes questões como é que a gente dá conta será que a gentea pra dar conta o que que seria dar conta né Eu acho que a gente precisa realmente Pensar o que que seria isso porque não sei eu acho que nem a gente sabe o que que seria suficiente e será que eh o agora né nesse exato momento onde a gente tá piorou essa sobrecarga porque eu vejo que talvez
num período pós-pandemia eh a gente veio numa vertente de querer dar conta de um monte de coisas talvez preencher lacunas ou fazer mais eu achei que a pandemia iria nos ensinar a a viver mais tranquilamente ou a respirar pelo Contrário parece que a gente quer correr atrás de um tempo que talvez a gente pode imaginar que perdeu a gente viveu um cenário extremamente complexo eu acho que a gente ainda nem se deu conta do quanto ele impactou nossa vida e o nosso cotidiano as nossas relações eu acho que a gente não tá nem sabendo como
é estabelecer as nossas relações com a gente mesmo e com os outros assim eh eu acho que as redes sociais elas trazem também uma uma carga pesada quanto a Isso porque é muita informação chegando a todo momento e eu lembro que na época da pandemia quando eu atendi as pessoas era muito difícil para elas lidarem com aquelas informações todas a todo momento chegando no celular hoje por exemplo a gente tá vivendo um desastre acontecendo no Rio Grande do Sul e a todo momento chegam informações e assim por mais que seja difícil a gente precisa filtrar
e como que coloca esse limite né sabendo que é algo social e que a gente também é Responsável como que eu vou saber o que eu sou responsável e o que não tá oo meu alcance a gente começa a lidar com uma certa impotência e eu acho que isso que pega muito mais e pessoas que geralmente são ativas diante da impotência elas querem agir e elas vão fazer coisas e vão encontrar formas e vão tentar achar para cada problema 10 soluções Eu por exemplo sou uma pessoa dessas me dá um problema penso 10 soluções inclusive
no período da pandemia eu vivi uma situação De esgotamento eh a gente estava tava num momento que tava trabalhando com sete comunidades periféricas ao mesmo tempo é levando alimentos produtos de higiene n coisas porque ficar em casa lavar as mãos não era para todos né Então as comunidades que a gente tava tava trabalhando não deixaram de ir pra Rua trabalhar e aí tavam perdendo emprego estavam vivendo várias coisas e como que a gente pensa essa eh a saúde dessas pessoas também né então assim eu Acho que de tantas demandas que vinham tanto pro consultório quanto
pro é da nossa cor pra gente pensar essa dinâmica eu cheguei num grau de esgotamento gigantesco porque tudo resolvia pela internet e quando que eu desligava então num grau de estresse muito grande e diante dessa impotência tentar encontrar potências possíveis no momento de caos o meu corpo paralisou e eu tive eu desencade uma síndrome rara Por Exemplo foi durante a pandemia piorou na Pandemia eu já tinha alguns indícios dela por situações de stresses anteriores de trabalho que também devido a a demandas muito grandes e na pandemia piorou fortemente a ponto de eu ficar cadeirante por
por quase um ano eu fui perdendo os movimentos perdi até a fala e então foi um processo bem difícil até para achar diagnóstico né o estresse que desencadeou e o estresse é o que me trava Por exemplo mas ao mesmo tempo meu corpo também tá me falando algo né que Ele tá me dizendo assim assim Opa tu precisa parar e se tu não parar eu vou te parar porque toda toda doença ou ou problema ele vem pro nosso equilíbrio também né a gente precisa entender isso o nosso corpo tá constantemente comunicando com a gente não
tô falando que é tudo Nossa responsabilidade porque senão a gente se culpa de novo né e acho que esses ess esse dilema da culpa ele é muito forte né porque a gente tá muito acostumado a se penitenciar mesmo de Achar que a gente que tá fazendo algo de errado para aquilo acon quando na verdade a gente também precisa entender que tem coisas que vão além da gente sim e que a gente precisa contar com as pessoas que a gente precisa ter uma rede para fazer as coisas e para fazer da conta porque a conta não
é só nossa é coletiva é Tula e a gente tava comentando também no bastidor né que você tem um acompanhamento com psicóloga aconteceu um momento assim contigo Também que você teve que parar e dizer não agora eu tenho que olhar para mim respirar como que foi aconteceu isso foi no meu pós-parto do meu primeiro filho né ã eu tive depressão pós-parto eu não nunca tinha tido nada relacionado à depressão nem sabia o que era depressão Não fui eu que identifiquei que eu estava com depressão né foi a minha mãe ela disse Você precisa de ajuda
profissional e eu disse não isso não é Depressão nunca tive isso na minha vida e foi num momento que além de ter a questão do pós-parto que é difícil né para todas as as mulheres enfim tinha uma situação pessoal de que o meu marido na época não morava em Florianópolis então eu ficava bastante tempo sozinha com o bebê acho que isso piorou bastante aquele sentimento de solidão né que a gente tem e busquei tratamento né acabei buscando tratamento psiquiátrico sim diagnosticado como depressão e na Verdade depois eu fiquei sabendo que eu já tinha sim a
depressão mas eu não sabia aflorou no puerpério aflorou no puerpério tinha momentos de de bastante eh eh de bastante depressão na minha TPM né mas eu achava Ok TPM normal depois eu vim saber que aquilo que eu tinha não era normal que sim a gente fica diferente na TPM mas não daquela forma né E aí desde então faço o tratamento já tentei eh não tomar remédio para depressão mas Toda vez que eu tento tirar acaba voltando né então a minha médica falou que provavelmente eu vou ter que tomar pro resto da vida quando eu não
tomo começa a vir ansiedade é batata assim que tá relacionada né a ansiedade com a depressão começa a vir bastante ansiedade o corpo começa a dar sinais né começa gastrite tensão dor muscular e mas acompanhamento com atualmente com com psicóloga e tomando medicação também e no teu caso todo o o teu trabalho e Acadêmico né a tua produção acadêmica até chegar no pós-doutorado veio antes da Maternidade a maternidade veio depois né de alguma forma essa pausa que a gente faz na nossa carreira na nossa produção acadêmica no teu caso você acha que influenciou eh para
esse teu sentimento além né talvez da Solidão esse sentimento de solidão no PR pério que ele é muito grande no teu caso você realmente estava sozinha fisicamente mas muitas mulheres podem ter muitas pessoas Ao redor E o sentimento vir de dentro né eu acabi deir de um então eu eu eu senti muitas vezes isso também mesmo tendo apoio mesmo tendo pessoas ali além da chegada desse novo integrante a gente muda muda a tua rotina isso influenciou essa pausa influenciou em de alguma forma nesse teu sentimento com certeza eu era uma pessoa muito ativa né eu
fazia o meu doutorado ao mesmo tempo eu tava fazendo uma segunda graduação Eu também dei aula como professora Substituta na ufsk e a aí fui para fora fui pra Alemanha fiz um pós-doutorado na volta passei no no concurso aqui e logo em seguida engravidei então eu vinha de uma coisa super agitada uma vida super né com vários compromissos e de repente eu parei e eu tava me dedicando exclusivamente para aquele serzinho ali né meu filho nasceu no inverno a gente não conseguia muitas vezes sair para dar uma volta então era ali dentro do apartamento com
certeza isso isso Contribuiu bastante assim eh é também vem o sentimento de culpa né ah agora vou parar como é que vai ficar a questão profissional como é que eu como é que vai ser quando eu voltar Será que eu vou conseguir voltar no mesmo nível que eu saí no mesmo ritmo no mesmo ritmo agora eu vou est para vou ficar para trás né todo mundo tá seguindo eu vou ficar para trás Então vem um sentimento de culpa em relação ao trabalho e você ficava sozinha com com o teu primeiro filho Também na época fazia
teus afazeres domésticos e cuidava da criança muito tempo sim muito tempo sim o pai deles assim em casa ele era bastante participativo na na parte do executar tarefas Mas uma coisa que pesava muito e sempre pesa eu acho para mulher assim é a é a carga mental do planejamento da da execução da rotina né Ah tá na hora de marcar médico Ah tem que passar na papelaria comprar uma ulina porque a professora tá pedindo o Filho ficou doente a professora ligou para quem foi pro pai ou foi pra mãe essa organização das tarefas né ter
que decidir ter que organizar as tarefas a gente gravou recentemente um episódio que era sobre maternidade e uma das das participantes falou Exatamente isso não é só o executar é eu ter que organizar e mandar executar isso aí pesa muitas vezes mais do que levantar e fazer gerenciar a vida da minha filha por exemplo para mim ela é muito mais Desgastante do que as outras atividades que eu faço e a carga mental invisível né E tem aquela coisa também do virar a chavezinha né porque são tantas facetas dessa mulher Então ela é mãe Ela é
profissional ainda dentro do do trabalho a gente se subdivide em diferentes atividades tem a parte do que tu quer tu quer se cuidar também tu quer cuidar da tua saúde tu quer cuidar da tua estética então tu tem que tá virando essa chavezinha porque a cada momento Tu é Uma um um um personagem entre aspas diferentes com diferentes demandas com diferentes eh necessidades e essa virada de chave para mim é muito desgastante Eu até tenho dados aqui pra gente trazer justamente sobre essa sobrecarga mental invisível mas só para fechar essa tua fala eh Depois de
toda a situação com o teu primeiro filho você ainda teve a chegada das gêmeas estava previsto ou veio o susto de vir duas ao mesmo tempo também as duas coisas né foi uma Gravidez plane mas não foi planejado ter gêmeos então aquele primeiro ultrassom ali né que a gente faz depois da do do teste de farmácia do teste de sangue foi uma surpresa nossa segunda entrevistada também que foi atrás do segundo filho e vieram dois tá nós já tivemos uma outra entrevistada a gente parou por aqui né cuidado a Talita também foi uma das nossas
entrevistadas ela trouxe o mesmo relato eu fui pro segundo filho e vieram Dois é eu sempre foi o meu maior medo assim tá tiver primeiro agora agora eu vou ficar parar aqui porque eu tô em medos de ver dois é eu eu eu já tô assustada viu com com essas nossas entrevistadas em relação a essa essa fertilidade aí mas nós falávamos sobre a sobrecarga mental eu tenho dados aqui que mostram o como isso acaba impactando nas nossas rotinas principalmente nessa Divisão das tarefas a gente sabe que a mulher ela ocupa muito mais tempo do dia
Fazendo essas tarefas né e um dado do IBGE trouxe que em relação ao a tempo né tempo gasto nessas atividades Essa pesquisa é de 2022 mostra que as mulheres gastam em média 21,3 horas semanais nesses afazeres domésticos ou cuidando de pessoas e os homens dividem a metade desse tempo por semana 11,7 horas se a gente olhar nesse recorte de cor e etnia a situação também muda né Cis é ainda pior pras mulheres pretas ou pardas né porque elas dedicam 1,6 horas a mais por semana nessas tarefas do que as brancas na tua opinião Matiz Por
que as tarefas domésticas ainda são tão vinculadas às mulheres e mais ainda as mulheres pretas então a gente eh pode olhar para isso por vários prismas tá eh podemos olhar para uma questão histórica uma questão social política n coisas mas acho que é muito importante que a gente olhe para isso e entenda assim de onde que a gente tá partindo sabe eh A maioria das mulheres negras estão ainda eh trabalhando em trabalhos que tem o servir como principal eh essa esses sintomas de exaustão estão ligados ao servir e Geralmente quem serve muito não recebe sempre
essa balança tá desequilibrada porque eu acho que até é uma questão meio cultural e que a gente não olha com atenção mas vocês podem ver que a a posição de mãe é um pouco ingrata né Vocês servem servem servem e Parece que tá sempre faltando e a e a gratidão do outro lado não é sempre do jeito que a gente gostaria é muito pelo fazer né então acho que tem uma realização no fazer que já sacia essa necessidade do retorno mas não necessariamente tem um retorno então não necessariamente recarrega tudo o que precisa e o
que que acontece a gente vem de uma história onde mulheres negras Nunca deixaram de trabalhar né então assim eh mulheres brancas estavam Lutando para trabalhar enquanto mulheres negras sempre trabalharam Então não é não é da mesma luta que a gente parte então assim quando a gente tá falando disso a gente também precisa considerar os tipos de trabalho que que as pessoas começam a acessar né então a gente começa a pensar serviço de enfermagem serviços sociais quais são os trabalhos que as pessoas negras estão ocupando socialmente né Eh e quando Ocupa um Lugar de liderança também
que lugar é esse porque assim é muito comum a gente achar que liderança é só quem chega lá e manda e não a liderança é a base de toda uma estrutura a liderança é muito mais para servir do que para para ser servido e e existe essa dificuldade das pessoas compreender o papel da liderança porque eles acham que o líder tem que est sempre ali Disponível só que o líder tem que pensar estrategicamente mas ele precisa saber tudo que tá Acontecendo e eu acho que são formas diferentes de operar sabe quando mulheres estão na liderança
elas cuidam das pessoas e às vezes esquece de cuidar delas e aí eu acho que essa balança sempre tá desequilibrando e o que que acontece que eu vejo que algum tempo por exemplo eh discussões como solidão da mulher negra já vem há muito tempo sendo faladas e e acho que é muito importante a gente diferenciar um contexto de eh sentimento a solidão enquanto sentimento E a solidão enquanto uma uma questão sociológica e a pesquisa que falava sobre solidão falava sobre um caráter sociológico só que a gente acaba pegando um conceito sociológico e aplicando na nossa
vida dizendo não eu vivo a solidão não calma uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa tu sentir que tu não tem pares para compartilhar é uma coisa tu sentir a solidão é outra é e o que que acontece muitas vezes eu vejo que existe toda uma questão do empoderamento De a gente querer estar em todos os lugares ocupar todas as funções fazer tudo e qual o lugar que a gente deixa pro homem nesse lugar até que ponto a gente considera que ele vai ter um papel diante disso porque Ok queremos ocupar os
lugares mas de que forma eles vão estar junto com a gente compreendendo o nosso lugar e e a nossa valorização enfim e respeitando também a parte deles que eles precisam fazer parte deles e eu vejo que aí Aí dá uma desequilibrada Muito grande porque quando eles vem mulheres muito muito empoderadas eles não sabem o que fazer e sabe que eu acho que a gente vem numa vertente também de supervalorizar o excesso supervalorizar a nossa e o excesso de funções e aí é uma meia culpa de todas nós mulheres né a gente vai equilibrando os pratinhos
a gente vai administrando tarefas a gente dá conta mas qual é o custo disso é por que a gente se sente nessa obrigação mesmo Né Exato eu acho que isso é uma coisa muito forte assim que eu eu tava pensando exatamente sobre isso assim porque excesso escondem faltas e o que que a gente tá deixando de olhar sabe e acho que mente é difícil parar é difícil a gente parar e olhar pra nossa vida e pensar quem a gente é para além de tudo que a gente faz porque vocês saberiam responder isso eu fico pensando
assim até que ponto a gente sabe dizer quem a gente é sem dizer o que a gente Faz exatamente quem sou eu fora desse contexto atual n exatamente e assim isso eu vivi eu vivenciei no momento que eu paralisei inteira e eu não podia fazer e eu pensei assim tá E agora quem sou eu e eu precisei olhar para isso e pensar opa eu preciso agora aprender a olhar para uma coisa que eu não tava olhando eu não sabia lidar com estar parada com não conseguir fazer as coisas com não conseguir pegar um copo na
minha frente eu precisei aprender a pedir ajuda Precisei aprender a ressignificar quem eu era entender quem eu era para além do que eu podia fazer pelo outro e que eu precisava receber então acho que é muito difícil pra gente sabe tudo bem que a gente consegue fazer várias coisas que os homens fazem Mas qual é o custo disso né exato no caso da mãe a mãe de três que precisa organizar essa tarefa organizar tantos pratinhos tem esse momento do eu preciso parar e reavaliar o que eu tô Fazendo olha com muitos anos de terapia viu
né com muitos anos de terapia Eu acho que eu consigo hoje ter é é uma eu acho que é uma questão assim até de disciplina assim a gente tem que se disciplinar a gente tem que est alerta para isso né porque a gente entra num automático ali no modus operante operand que se a gente não tá alerto a gente vai fazendo vai fazendo vai fazendo e hoje sim eu consigo ter um momento para mim mas eu tenho mas eu tenho que me me de Certa forma não é uma coisa que vem natural eu chamo de
me policiar isso né eu também assim ou ou de legar alguma coisa para outras pessoas pedir ajuda pedir ajuda é fácil para vocês pedir ajuda tô tentando introduzir na na rotina Mas eu vejo que não é fil não é natural né deveria ser né mas é um grande desafio por exemplo eu me sinto incomodando as pessoas e e eu não sei eu acho que isso é muito forte Sabe desde Pequena parece que se eu pedir eu vou estar mesmo que seja uma coisa simples que eu sei que não vai exigir da outra pessoa porque para
mim não exigiria fazer eu faria tranquilamente coração mas se eu tiver que pedir aquilo nossa senhora como é que eu vou pedir para ela para fazer um negócio simples me alcançar esse copo sendo que eu poderia estar fazendo sabe eu acho que passa por muita coisa eu acho da nossa criação também eu não sei eu fico pensando mesmo Sobre isso não tenho uma resposta pronta mas eu fico pensando também que o pedir ajuda ele coloca a gente em vários lugares de vulnerabilidade que nem sempre a gente não quer olhar coloca e e assim eu acho
que a ajuda em si ela também é um lugar perigoso porque a gente tá muito acostumada a ser a pessoa que ajuda né e quando a gente é a pessoa que ajuda o outro tá aqui ó precisando da gente e quando é a gente que tá precisando do outro você sai do controle Né e eu acho que abandonar o controle e reconhecer as nossas vulnerabilidades é é algo que tem que tá na nossa mente a gente precisa fazer isso mas é difícil Pode até ser doloroso para muitas pessoas né ex sabe que para mim virou
uma chavinha num momento que eu tava fazendo um monte de tarefas assim e aí o meu namorado disse assim deixa que eu faço e eu disse eu sei fazer eu não preciso de ajuda ele disse sim eu sei que tu não precisa mas eu quero te Ajudar e eu disse é eu posso aceitar essa ajuda aqui né eu sei fazer mas eu posso aceitar e fica muito mais leve para mim ex Sim essa questão que a Mati falou de eh de vulnerabilidade né Eu acho que pra gente receber Ajuda também muitas vezes a gente precisa
amansar o nosso ego assim então receber ajuda ajuda a amsar o ego Então porque para tu poder receber aquela tua ajuda tu tem que tirar muitas barreiras assim né então muitas vezes tu Vai precisar aceitar certas coisas que se tu não estivesse recebendo aquela ajuda tu não precisaria aceitar mas que faz parte não é nada assim muito muito grave ou não mas tu Faria diferente tu e para receber ajuda não tu precisa aceitar que aquela pessoa faz de uma outra forma né tu precisa aceitar que talvez aquela pessoa vai estar ali presente ao teu lado
talvez no momento em que tu não queria ter uma pessoa ali mas tu precisa Né mas são os caminhos para fugir da sobrecarga né ou a gente divide essas tarefas Essas funções ou a gente acumula essa sobrecarga e vai sentir no corpo vai sentir e de uma forma psicossomática essas coisas agindo né na nos R uma escolha né é uma escolha tu pode fazer a escolha de não aceitar ajuda e ficar extremamente sobrecarregada ou tu pode fazer a escolha de aceitar ajuda mas ceder em alguns pontos que tu vai ter que ceder para aceitar essa
Ajuda também Né mas eu acho que inevitavelmente uma hora de vai precisar pedir ajuda nem que seja profissional e acho que daí chega a gota d'água sabe eu acho que por exemplo é esse o momento que a gente busca terapia quando chegou na gota d'água terapia não é um não é não é algo que a gente divulga precisa fazer propaganda não é algo que todo mundo precisa eu acho que isso é muito bom que a gente fale porque eu acho que tem um momento da pessoa precisar e geralmente é quando Ela precisa que ela ela
reconhece que precisa que ela tá disponível a encarar o processo e é encarar o processo sendo eh guiada outra pessoa que vai tá levando no tempo dela mas ao mesmo tempo vai explorar essa vulnerabilidade com cuidado e a gente nem sempre quer explorar isso nem sempre a gente tá disponível para olhar para isso e também tá tudo bem sabe porque eu acho que não toda hora fica olhando pra nossa vulnerabilidade também não é legal que o Processo terapêutico eu sempre digo assim o processo terapêutico Ele dói exato ele não é para ser gostoso não é
para ser um carinho ele é para ser um mergulho profundo e ele é doloroso né visitar alguns locais é doloroso exato e é como ela disse tem que estar disponível para isso exato porque senão tu vai ficar ali só colocando a pontinha do pé na porta mas sem entrar né exato sem pular do trampolim só ali fica olhando é de certa forma de certa forma A psicoterapia ela também ela é uma redução de danos sabe ela não vai necessariamente chegar lá exatamente onde D de de direto sabe sem tu tá preparada não mas assim tu
sabe tu precisa saber que uma hora tu vai ter que olhar para lá então tu vai aos pouquinhos tu vai dessensibilizando dessensibilizando até o ponto que tu tá no momento de olhar e nesse momento às vezes as pessoas querem sair da terapia mas também é um processo da pessoa né Mas é entender que assim a gente precisa ir devagarinho mas tem que olhar para isso porque tá ali sabe e mesmo que a gente não olhe tudo que tá acontecendo por fora só sintoma então assim ah a exaustão Às vezes pode ser sintoma e e é
muito importante que a gente pense sobre isso por exemplo eu hoje eu tenho um tratamento eh e eu eu chamo de tratamento Mas a gente pode olhar como uma rotina sabe que envolve eh exercício físico envolve orações envolve meditação Envolve n estudos sobre autoconhecimento eh psicoterapia para mim envolve nutricionista e assim e tem vezes que eu simples mente sinto uma exaustão mas pode ser uma exaustão física química e às vezes tem a ver com a minha alimentação e isso já consegui trabalhar com a minha nutricionista às vezes eu tava comendo uma quantidade de carboidrato que
não estava equilibrada com o restante de comidas que eu estava comendo durante o dia às vezes e teve Uma uma época que eu tomei uma dosagem de remédio muito grande pela minha síndrome C autoimune e eu tomava um grau de corticoide gigantesco vocês eram para estar me vendo aqui obesa com n questões de saúde os médicos olham pro meu pro meu exame eles falam meu Deus tu tá melhor que eu por quê Porque tem todo um equilíbrio que precisa acontecer para que aquilo ali funcione de fato para que aquele remédio tenha um efeito e a
gente geralmente quer remediar as coisas Achando que o remédio vai fazer um Milagre né e não é assim infelizmente é um processo e o processo tem tem que vir acompanhado de toda uma rotina né e todo um um cuidado com o ambiente com a forma como a gente vai lidar com as coisas para que realmente sirva porque senão uma terapia não vai fazer diferença uma ajuda mínima naquele momento não vai fazer tanta diferença nesse todo que tá gerando ão e nesse conflito que tá ali embaixo que a gente não tá querendo Olhar Claro é todo
um um sistema né quando a gente tem muitos diagnósticos de Burnout agora por exemplo por isso que tem que dar aquela parada quando tem Burnout se afastar de tudo olha eu acho que tudo que é brusco mexe muito né Eu acho que uma redução de danos é sempre o melhor caminho assim e aos poucos porque as pessoas não sabem parar é se elas não estão se elas estão num excesso de se elas estão correndo muito rápido e param do nada o que que acontece dá uma lesão Né Cai é dá uma lesão pode acontecer um
monte de coisa porque eu tu tava num pico de energia e agora tu parou muita gente acontece isso nas férias por exemplo Tu tá trabalhando um período gigantesco com pesquisa por exemplo vem aí é não eu tô saindo de férias só que a gente tem tanta coisa para dar conta antes de sair de férias ex que às vezes eu demoro de três a c dias para entender que eu tô de férias é isso aham exato e a isso tu tira cinco dias de férias Gente quando tu entendeu tem que voltar quando você entendeu tem que
voltar é isso então assim por que que a gente já não começa a trazer esse equilíbrio pro cotidiano para ir saindo de férias aos poucos sabe e é o nosso desa rindo é Um Desafio pra gente é Um Desafio dosar sabe e já ir deixando algumas pessoas se responsabilizando por aquelas coisas é elas vitel elas podem e tá tudo certo né Exatamente pode sair até melhor do que a gente imaginava é verdade vamos falar Sobre mulheres na pesquisa porque no ano passado nós tivemos até uma uma pesquisadora CNPQ que ela divulgou um um retorno né
que um parecer que ela recebeu do CNPQ e falava que ela não tinha recebido uma bolsa que ela estava buscando por baixa produtividade Tula essa e a divulgação desse parecer ganhou tanta proporção que inclusive o CNPQ teve que se posicionar outras bolsas de pesquisa tiveram que mudar sua forma de ver a mulher na maternidade porque esse Parecer falava que essa mãe tinha tido uma baixa produtividade Porque ela vinha de uma gestação ou de duas gestações seguidas até se eu não me engano como uma das ações o CNPQ decidiu aumentar o prazo para 2 anos para
analisar a produtividade para conceder bolsas para mães e várias outr outros programas de iniciação científica de produção científica também mudaram né a sua forma de ver a mãe dentro do campo de pesquisa como que você vê esse cenário Em algum momento você passou por algo parecido Olha eu posso afirmar que com certeza a maternidade fez a minha produção científica diminuir né a carreira acadêmica a carreira científica ela requer muita dedicação são muitas horas de trabalho fora do trabalho né Então quem trabalha com com com ciência com pesquisa leva muito trabalho para casa é artigo para
ler é tese para corrigir dissertação para Corrigir alunos para orientar e enfim várias outras coisas e eu precisei fazer uma opção entre continuar Nesse Ritmo ou dar mais atenção pros meus filhos que são ainda né pequenos né então eu levaria trabalho para casa eu não estaria dando a atenção que eles precisavam de mim né e eu fiz uma escolha Então eu saí de alguns projetos de pesquisa eu disse gente eu vou sair porque eu tô no momento pessoal da minha vida que eu preciso sair e com certeza Isso afetou eram projetos bons projetos grandes em
linhas de pesquisa eh de ponta e eu saí né então eu fiz essa escolha Com certeza a maternidade afetou nisso daí né E para voltar você daí tem aquela defasagem de tempo porque tudo é medido em números né tudo é medido no teu ltis tudo é medido no teu lats quantos artigos Tu publicou no período tal quantos alunos tu orientou né Eh ainda que eu trabalho no instituto federal eh essa parte da pesquisa o meu Público né os meus alunos são alunos de nível médio Então os nossos projetos são muito voltados paraa formação desses alunos
mas quando a gente fala de Universidade né A situação é dessa desse mundo científico e acadêmico né para as mulheres para as mães é ainda mais mais puxado é ainda mais difícil a o que chama atenção que foi só depois eh de que que esse parecer veio à tona que essa situação foi Explanada por uma mãe pesquisadora que teve coragem de falar Porque muitas passaram por isso caladas é que aí resolveu se mudar provavelmente agora a gente tá vendo uma situação completamente diferente do que no passado sim é muito recente né essas mudanças do CNPQ
e também de algumas agências de fomento estaduais que lançaram editais específicos para mães é de 2024 então assim há quanto tempo a gente tem isso e só agora é que tá sendo feito alguma coisa de Fato né Eh E se a gente Pensa na nas áreas de ciências exatas então que é a minha área né que é que é aquela sigla stem que é Ciência Tecnologia engenharias e matemática Se não me engano eh os a diferença ali entre homens e mulheres é ainda maior é ainda mais difícil paraas mulheres eh desde criança né então é
preciso mostrar para as meninas que sim elas podem seguir nessa área né as escolas precisam ter programas para isso as famílias precisam Mostrar e educar para elas que elas podem seguir nessas áreas que elas devem seguir nessas áreas e só que quando chega lá em cima a gente até tem números de matrículas dependendo da área né matrículas em em cursos de graduação iguais entre homens e mulheres mas depois tu vai ver na carreira de pesquisador as mulheres estão em menor quantidade porque vai ficando cada vez mais difícil né vai ficando cada vez Mais difícil a
diferenciação o preconceito vai ficando cada vez maior e essa sobrecarga acaba né dificultando mesmo que a gente atinja por isso que esses editais voltados para mães são muito interessantes porque você vai est a sua pontuação vai est concorrendo com mulheres que estão na mesma situação que você né exato e não com mulheres que não estão em na mesma situação ou com homens né a gente tem dados que trazem essa diferença também eh da pesquisa de 2022 Do IBGE mas divulgado recentemente da taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho que foi 53,3 por enquanto
a dos homens é de 73,2 por. E aí a gente traz todas essas falas tua agora que realmente né É verdade é um Case Além disso o índice de informalidade das mulheres 39,6 é maior que a dos homens apesar de terem em média mais escolaridade né Geralmente as mulheres têm mais escolaridade que os homens o Rendimento das mulheres segue inferior que a gente falava em 2022 o rendimento delas foi equivalente a 78,9 dos recebidos por eles então eles recebem Mais também né esse desequilíbrio salarial que a gente tem que falar aqui entre homens e mulheres
contribuem para sobrecarga feminina vocês acham que sim há uma ideia de que o homem por ganhar mais eh pode reeleger a mulher os afazeres domésticos também já Aproveitei e fiz duas Perguntas e agora elas estão aqui e agora lutem lutem e é interessante que apesar disso desses dados aí muitas são as famílias e cada vez aumenta mais em que a mulher é a principal provedora da casa né exatamente muitas vezes ganhando menos muitas vezes tendo o trabalho informal ela é que é a provedora exato e essa também acho que tá ligada 100% aí a sobrecarga
né de se sentir a mulher é responsável mesmo Ganhando menos qual era a pergunta é o desequilíbrio salarial ele aumenta sobre a sobrecarga feminina vamos com de cada vez eu acredito que sim eu acho que muitas coisas aumentam né e mas eu acho que assim não é só o que entra né mas é tudo que ela precisa gerenciar com esse dinheiro eu acho que as mulheres elas precisam gerenciar uma compra elas Precisam gerenciar como quanto tempo Aquela aquele produto vai ter validade na geladeira e porque sen não eu não sei se eles abrem a geladeira
para ver Enfim então assim são muitos detalhezinhos que ela precisa gerenciar para que aquilo ali funcione então assim eh a gente ter que pensar em tudo a todo momento é extremamente cansativo e e é desgastante eh o exaustão Mental é muito grande parece que as mulheres só precisam executar mas não a gente tá Fazendo todas as coisas eh a gente tá entendendo esse todo né quando tá na liderança de um lá é como um líder numa empresa ele tem que entender e cuidar do todo para ele acontecer e como que ele vai fazer isso se
ele não entender um pouco de tudo a questão é que assim para além disso a gente precisa gerenciar a gente mesma e daí eu acho que entra no ponto da TPM a gente tem um ciclo menstrual e a gente tem uma mudança hormonal quase que toda Semana tem uma semana que de ficar Mega produtiva com o estrogênio e tem outra que vai cair tudo e aí a gente tá sabendo lidar com o nosso ciclo menstrual diante da produtividade que o mundo exige e será que eles estão conseguindo avaliar essas métricas de produtividade considerando as diferenças
que os nossos ciclos colocam porque a gente consegue produzir imensamente quando a gente tá com tudo alinhado mas tem uma época que a gente vai ter uma Capacidade produtiva que vai ser mais em coisas que são mais pontuais tem outras que vão ser mais comunicativas a gente precisa entender como é que cada momento do nosso ciclo a gente tá disposta a tá contribuindo que a gente pode entregar melhores resultados e isso é muito de autoconhecimento Mas também da compreensão do outro diante do nosso estado e não sei até que ponto os lugares estão considerando isso
e trazendo isso pro ambiente Profissional e mercado de trabalho até que ponto só para contribuir com a tua fala essa coisa do dar conta fulana dá conta então manda esse projeto paraa fulana beltrana dá conta demais esse aqui então bota para beltrana isso aqui ou seja a gente chega no momento que você tá com tantas responsabilidades eh só por você dá conta exato voltando aquele ponto antes parece que você está sendo penalizada por dar conta de tudo exatamente aí entra o nosso ponto Difícil né limites uhum Por que que é tão difícil pra gente colocar
limites porque o limite tem que sair de cada uma de nós dizer não exato Por que que a gente não sabe dizer não eu acho que é porque principalmente a gente não consegue definir prioridades a gente mulher ou a gente pessoa a gente pessoa a gente mulher mas principalmente profissional profissionalmente entendendo que a gente tá num lugar que não era previsto que a Gente esteja como é que a gente coloca limite nesse lugar e diz que a gente não vai fazer e como botar limite em um lugar que talvez você quis por muito tempo chegar
lá Exatamente agora você tá lá e como é que eu coloco o limite agora que eu tô aqui eu queria tanto tá aqui agora eu vou dizer que eu não vou fazer eu vou perder todas as oportunidades é um pouco da do que você falou e conquistou com a pesquisa foi difícil para você quando teve que decidir Abandonar alguns projetos de iniciação científica de pesquisa foi muito difícil eu foi um processo eu fiquei um muito tempo tomando essa decisão até que um dia eu vi que realmente não dava né eu tava domingo à noite com
a minha família tinha mensagem de trabalho que eu tinha que fazer alguma coisa para entregar porque o prazo não sei quê então chegou num limite assim que que não dava mais realmente assim e aí eu tive que tomar essa decisão mas não foi fácil e aí tul Depois que tu Tomou essa decisão Demorou até tu dizer não realmente foi uma decisão acertada não foi imediato imediato Nossa eu devia ter feito isso antes alívio um alívio alívio é um peso que sai das costas ai já aconteceu comigo também por isso que eu te perguntei assim porque
eu me senti tão aliviada depois eu disse gente como eu demorei tanto mas vocês também TM essa dificuldade Matiz já trouxe um pouco do lado da da Psicologia você também tem Essa dificuldade em dizer não é natural para ti Tula ou você também precisa buscar forças para conseguir dizer não pras já tive mais dificuldade em dizer não a terapia me ajudou muito a terapia me ajudou em muitas coisas entre elas eh aprender a dizer não né a gente fica projetando mil coisas que podem acontecer se você disser se não mas a maioria delas não acontece
né e depois vem o alívio e o pensamento de por que eu não fiz isso antes eh mas apesar de Hoje dizer mais não do que eu dizia e ainda assim eu tenho dificuldade sim em dizer não a gente quer abraçar tudo né a gente o impulso é o de fazer é o de abraçar é o de dizer sim vamos lá eu topo e a gente precisa estar sempre se policiando e será que esse é o caminho né se o início da trajetória para melhorar a nossa sobrecarga mental feminina é calcular os ss e os
nãos matize acredito que sim e eu é curioso Porque eu sempre tive muito mais facilidade de dizer não que sim olha só e só que nos ensina só que olha que olha o ponto que é complicado é muito difícil de dizer não porque eu quero dizer sim porque tem coisas que eu amo fazer então por exemplo daí a gente tá trazendo um contexto de uma pessoa que ama o que o que faz enquanto trabalha então você é muito fácil mergulhar nisso e ficar só fazendo isso mas uma hora eu vou ter parar para comer eu
vou precisar parar Para fazer exercícios para me cuidar essa balança precisa equilibrar Então eu preciso construir outras coisas tão boas quanto e é muito difícil a gente dizer não para algo que a gente gosta muito então por exemplo tu tá mergulhada numa pesquisa que tu ama é muito difícil dizer não tu tá mergulhada num trabalho que tu ama fazer que aquilo ali tu fez de tudo para fazer aquilo é difícil colocar limite nisso eu acho que eu acho que é Muito além de dizer não mas colocar limite assim em algo que é bom ainda mais
quando interpreta como uma oportunidade ou quando te vendem como uma oportunidade né exatamente quando você se sente importante quando você se sente bem se sente eh recarregando Nem sempre tá pode ser que a gente acha que sim mas a gente tá descarregando alguma outra coisa porque a gente precisa se recarregar em vários níveis né Eh e é muito importante que a gente entender Isso tem tem cansaço que é mental tem cansaço que é físico a gente precisa entender Aonde que tá o cansaço e o que que a gente precisa recarregar às vezes é vida social
às vezes é lazer então muito tempo eu nem tinha lazer vida social eu ficava só focada em trabalho porque eu amo trabalhar com que eu trabalho eu trabalho com pessoas eu pensava assim ah logo tenho lazer trabalho com que amo não preciso trabal não preciso não estou trabalhando Mentira tô sim e daí que a matiso quando não trabalha então acho que esse é o nosso desafio assim de encontrar os limites para além dos ss e não mas entender que limites são cuidados com a gente e com o outro e equilibrar principalmente assim o que que
eu tô fazendo por mim e o que que eu tô fazendo pelo outro e o que que cada uma dessas coisas me recarrega Porque mesmo que não seja assim ah o retorno sabe pensa que é tudo é um investimento do Teu tempo e tuas escolhas eu tô entregando isso aqui e o que que isso me retorna e pode ser até em sentimentos mas às vezes a gente tá se doando numas coisas que só tá fazendo se sentir mais insegura mais incapaz mais mal porque não é Nossa área então por que que a gente não simplesmente
Contrata alguém para fazer isso ou chama alguém pede ajuda delegar né demand exatamente mas delegar envolve confiar por que que é difícil confiar Sabe confiar que outra pessoa vai fazer e vai ser bom tu contar com essa pessoa porque às vezes é difícil a gente delegar porque a gente ama tanto aquilo a gente tem tanto apreço por aquilo que a gente acha que ninguém vai saber fazer aquilo como a gente é delegar com três filhos mais uma uma carreira acadêmica e de pesquisa também não deve ser fácil né mas uma rede social que agora ela
tá alimentando eu aprendi a delegar né como eu falei ali delegar de certa forma Também é aceitar ajuda né E como eu falei a gente precisa mansar o ego para conseguir aceitar a ajuda Mas voltando um pouquinho pro que a matize falou eh dos Sims e dos nãos e de ver o que que faz bem pra gente né Eu acho que nisso entra um pouco a questão de definir prioridades também né sim a partir do momento que a gente consegue definir o que que é prioridade pra gente o prioridade para mim então é nisso que
eu vou focar mais esses tempos eu vi uma Relação disso com aquela questão das cores que os médicos usam na na emergência né então tem o vermelho tem o amarelo e tem o verde então o que que é vermelho para mim que é a minha prioridade que eu preciso dar atenção e vou vou colocar mais energia naquilo ali o que que é amarelo e o que que é verde né planilha semanal aqui estão meus afazeres aí pinta isso pode ser eu eu trabalho exatamente com isso no trabalho desenvolvimento pessoal e profissional Das pessoas estabelecer urgência
prioridades Nossa é extremamente importante para tudo desde o que tu vai comer até o que tu vai trabalhar sabe todos os detalhes podem ser pensados e assim eu não sei né porque como eu trabalho com autoconhecimento eu faço todo dia mas tem gente que faz por semana e já ajuda muita coisa olha a dica aqui importante exatamente tem vários exercícios maravilhosos tem roda da vida para tu pensar todas as áreas da Vida tem análise s que a gente faz para uma empresa a gente pode fazer pra gente mesmo pensar nossos pontos fortes nossos pontos fracos
exatamente oportunidades obstáculos Por que que não sabe a gente pode se pensar a todo momento e se perceber através dessas ferramentas então tem várias planilhas planilha Gut eu faço a nível pessoal planilha G vocês conhecem planilha Gu é gravidade urgência e tendência a aumentar então Você vai dar uma nota de um a CCO e vai botar cada uma das suas demandas e daí o que que eu olha posso falar da técnica eu eu parto de uma análise S minha pessoal eu tiro as fraquezas e obstáculos coloco numa planilha Guti na planel Gu eu dou uma
nota de um a cinco gravidade urgência e tendência a aumentar e ali eu vejo quais são minhas prioridades da semana que eu preciso trabalhar para me desenvolver Olha é é um negócio mais rebuscado né Eu só anoto Na agenda mesmo mas exato mas se a gente começa a fazer aquela lista parece que é infinita né E daí no fim a gente viê assim poxa mas eu não fiz tudo mas nem precisava porque não era tão urgente assim tu podia delegar tem coisas daquela planilha que dá para delegar tranquilamente sabe que eu eu começo a a
minha listinha de diária ou ou semanal normalmente eu gosto de fazer diário também os compromissos para outro dia e eu faço de cima para baixo dizendo que Os de cima é os que eu tenho que fazer e os de baixo eu posso ir deixando agora uma uma característica que eu tenho é que eu acordo muito cedo né e eu tenho uma hora do meu dia que é o horário que eu fico no cabelo e na maquiagem da C isso ótimo E querendo ou não a minha cabeça ela ela tá mais fluida nesse momento então eu
pego o celular e eu vou mandando mensagem PR as pessoas resolvendo compromissos do dia nesse horário a primeira coisa que eu escrevo Na mensagem é desculpa pelo horário mas é um horário em que eu tô ali para resolver algumas coisas então algumas coisas ali eu consigo resolver e eu percebo muito que ao longo do dia depois do meio-dia é é mais difícil é para mim e sabe que uma vez eu eu assisti uma palestra com a Mar Gabriel Marta Gabriel trabalha com marketing digital neuromarketing né E ela fazia Exatamente Essa divisão ela dizia assim que
o nosso cérebro ele ela o nosso cérebro Tem um Limite de boas decisões por dia então a gente tem que escolher no início da manhã e no início da tarde algumas decisões importantes que a gente vai tomar e deixar para esses horários e o resto delegar porque quando o nosso cérebro chegar num limite de boas decisões do dia as próximas decisões não vão ser tão acertadas assim a nossa tendência de errar Claro era uma teoria para grandes executivos mas eu comecei a adotar isso E pensar que sim eh o que eu não preciso decidir eu
eu tô deixando que os outros decidam ela se aplica tudo né até no direito nos tribunais de juris se se estender por muito tempo e a decisão sair naquele dia é condenação né Não quero pensar vamos condenar a pena vai ser pior eh possa trazer pra nossa rotina sem ter que condenar ninguém nem a gente n a gente se culpa muito por procrastinação muita gente tem falado Sobre isso mas às vezes é resistência e por que que a gente tá Resistindo às vezes é porque a gente não quer fazer mesmo E qual o problema de
não querer fazer pede ajuda Sabe às vezes a procrastinação tá ali te dizendo alguma coisa Às vezes a gente tá também antecipando coisas que não são para agora às vezes a gente tá não tá querendo fazer esse negócio que já tá ali ó na semana faz tempo então acho que a gente precisa olhar para essas listas E e se V também né e não só pensar assim Ten o que fazer não o que que eu sinto que eu vou fazer hoje é isso aqui que é o mais importante prioridades eu me percebo procrastinando quando eu
tô muito sobrecarregada e aí paro de fazer tudo sim Aí eu ah não tô trabalhando direito que ai tenho que editar esse texto agora meu Deus tenho que editar esse texto agora vou olhar outra coisa aqui que eu tenho que fazer aí olha outra coisa aí não vou fazer isso aqui Também tô procrastinando tudo mas é que eu tô num momento de exaustão mesmo que precisa de descanso e por que que a gente não consegue simplesmente parar e descansar às vezes que seja 5 minutos sem ficar se preocupando e se cobrando eu acho que é
muito difícil fazer isso também sabe e eu acho que essa é a pergunta aqui é para pra gente mudar essa estrutura Porque que a gente tá aqui se questionando né como que a gente faz como que a gente faz como a gente já Já está adulta e tá com essa dificuldade Será que a gente tem que mudar um pouquinho na forma de Educar lá na infância na como que a gente vai eh conduzir a as nossas crianças Talvez para que elas cresçam já se sentindo menos culpadas eh existe isso existe essa possibilidade quais os caminhos
das Pedras como clarear esse nosso caminho aqui não temos uma resposta não é que existem várias né Existem várias Respostas Eu acho que o mais importante é partir do nosso autoconhecimento porque assim o que serve para mim pode não servir para outra pessoa como pode também mas uma outra circunstância Eu acho que isso é muito importante que a gente ajuste a nossa realidade sempre porque não tem uma receita de bolo que vai funcionar em qualquer lugar do mundo porque vai ter uma mudança climática vai ter uma mudança na pessoa que tá mexendo a forma como
ela mexe seca a mão tal Tudo isso muda por que que eles falam assim ah vai observando enquanto eu faço e depois tu vai tentando porque tem um pouco do tentar do teu toque sabe eu acho que isso é importante que a gente aprenda e assim é eu acho que tem várias coisas né várias coisas a gente precisa aprender a pedir ajuda aí não tô falando só profissional Mas se for necessário profissional também é evitar se diagnosticar Eu acho que isso é muito importante porque existem síndromes Gigantescas mas síndromes são só para entender sintomas que
estão acontecendo não necessariamente são uma questão de doença e a gente coloca tudo no mesmo lugar de patologização e acha que é um problema individual nenhuma síndrome é um problema individual é uma questão coletiva algumas pessoas precisam de remédio para sair delas outras precisam de todo uma rede de apoio para sair delas e geralmente precisa das duas coisas também né porque a rede de apoio Tudo na nossa vida a gente se desenvolve com pessoas a gente tá querendo dar conta sozinho mas a gente é social e para você Tula que que você traz pra gente
da tua experiência de alguém que já conseguiu delegar de alguém que com muita terapia também já conseguiu se conhecer nesse processo né Eu acho que essa questão do autoconhecimento é muito importante por exemplo para definir as prioridades né Você só vai conseguir definir as Prioridades Se você souber o que que é importante mais importante para você e também tem uma questão de de onde onde eu quero chegar o que que eu quero com isso que eu estou escolhendo né Por exemplo eu penso muito Muitas pessoas me falam ai mas tu ainda consegue ir pra academia
né eu falo gente se vocês soubessem a academia na verdade é é o meu momento ali que eu em que eu saio de tudo né ex e o que que eu Quero com tudo isso assim né Eu eu quero passar pros meus filhos essa essa imagem principalmente paraas minhas filhas de que nós mulheres a gente pode eh e deve principalmente se cuidar então eu tenho amigas que que se deixaram muito de lado por conta da maternid idade né e eu não quero que as minhas filhas tenham esse exemplo dentro de casa eu quero que elas
tenham um exemplo de uma mãe que que se cuida eu quero que elas sejam mulheres que Se Cuidem que se priorizem né Isso Inclui a saúde mental Com certeza importantíssimo né eu digo que academia na verdade ela é a minha saúde mental minha garantia de saúde mental em primeiro lugar vem a saúde mental e e depois para mim é a saúde do corpo né é eu acho que que é basicamente isso assim né É se conhecer é saber colocar limite saber definir prioridades e tentar não se culpar tanto né por não dar conta de tudo
e saber que a gente Não vai dar conta de tudo né E que uma hora a gente tá dando conta de uma coisa outra hora a gente tá dando conta de outra e mas como a Mati falou né Às vezes isso é um pouco tópico mas eu acho que vale a pena a gente tá sempre nesse exercício de pensamento sabe porque a sociedade vem num num movimento contrário né ao de te botar culpa de te dizer que sim tu precisa dar conta de tudo então eu acho que é é é é nesse caminho que a
gente tem que ir de ir da Gente ir se trabalhando contra essa essa força que vem sabe contra a gente e d dessa forma a gente vai encerrando esse episódio do podcast Antonieta falando sobre a sobrecarga mental feminina que a gente possa parar na nossa vida reequilibrar as nossas demandas O que é importante para cada uma de nós focando sempre né na nossa saúde mental no nosso relacionamento com as pessoas e delegar aquilo que não é a gente que precisa fazer foi ótimo conversar com vocês Obrigada Mati Obrigada Tula e Cissa foi um prazer mais
uma vez muito obrigada a todos e até a próxima Até a próxima tchau tchau tchau tchau tchau