[Aplausos] [Música] carioca jornalista roteirista professora Universitária a nossa convidada de hoje a escritora Regina Zapa trabalhou na TV Manchete no Jornal última hora no jornal do Brasil por mais de 20 anos como Editora n sessões várias exceções dos jornais política Internacional e tal então dentro dos seus trabalhos a gente destaca a cobertura que a Regina fez Sobre a abertura Econômica da China e o golpe militar eh que sfu gorbachov na então União Soviética tendo vivido a adolescência na década de 60 a Regina possui uma um grande interesse pelas histórias que o mundo experimentou nesse período
em especial o Brasil que depois de um golpe de estado contra o presidente João cular mergulhava numa dramática ditadura militar que durou mais de duas décadas graças a esse interesse pela época Regina publicou 1968 eles só queriam mudar o mundo Regina também possui envolvimento com grandes nomes da música brasileira principalmente os tropicalistas em especial Chico Buarque Gilberto G Caetano n sobre Chico e eh tem um trabalho reconhecido muitas obras publicadas né outro tropicalista biografado por Regina é o imortal hoje Imortal Gilberto Gil né com o livro Gilberto bem perto uma verdadeira coautoria pois de fato
foi escrita né Quatro mãos feita bem pertinho do do biografado ilustre a a sua experiência com escrita biográfica já vinha de longe né Regina já tinha escrita biografia do grande Hugo Carvana né o dramaturgo Sérgio Brito e o arquiteto Paulo Casé falecido em 2018 ão muitos desses livros em parceria com outros colegas publicou também o livro de contos a o romance do cilar e Amaro da Maré a vida de um líder comunitário que lutou para levar cidadania a jovens excluídos E por meio do esporte da educação Regina Muito obrigado pela presença e por favor e
suprima as lacunas mais graves que eu deixei da tua biografia a proposta já conta pra gente um pouquinho da tua experiência de professora Universitária Boa tarde Joan Eu que agradeço é é uma alegria uma honra estar aqui conversando com você n esse espaço eh e vou te dizer o seguinte eu fui professora Universitária durante uns 4 anos eh junto com a minha Eh com o meu trabalho no jornalismo eu ensinava jornalismo né E essa foi uma experiência muito interessante com os alunos Porque já era uma época que a internet já tava sendo o principal lugar
de informação deles e a maioria não Lia os jornais e se informava pela internet então eu me lembro que eh tinha que dizer para eles que não adiantava só buscar informações na internet tinha que ter discernimento para saber diferenciar o que tava correto que não tava o que Era mais absurdo que era realmente a pesquisa necessária então foi muito interessante essa foi a minha experiência foi curta eh mas foi foi boa essa foi a minha experiência acadêmica aonde que você deu aula regid eu dei aula na Gama Filho aqui no Rio de Janeiro eh na
na no curso de jornalismo essa transição pegou pegou todo mundo né É muito difícil PR as pessoas por exemplo da minha geração eh alguns tiveram muita Dificuldade de fazer essa transição o problema das fontes né o fake e o fato aonde você checa então fica uma coisa eh eh mudou muito né o sistema de referências que a gente a gente tinha de pesquisar em obras em livros entrevistas e de repente tá tudo ali na internet né is impactou acho que todas as humanidades né em geral é eu acho que inclusive mudou a questão do pensamento
crítico era uma coisa que eu falava muito com os alunos que eles não podiam Ler tudo que encontrassem na internet ou em qualquer lugar sem eh ter um pezinho atrás Sem questionar sem achar que aquilo podia tá correto ou não Então essa eu achava essa uma das questões mais graves assim que eu encontrava entre os alunos a questão do pensamento crítico da capacidade de de reconhecer uma fala falsa uma notícia falsa uma informação não verdadeira e que para isso precisavam da de acumular conhecimento formação informação para Poder então Eh viajar né de uma forma aberta
pela internet olha eu vou dizer para você que esse problema só se agravou mas vamos puxar a nossa conversa senão a gente vai ficar falando do sistema Universitário aqui né a tarde toda eh Regina as suas biografias trazem as marcas da sensibilidade da descrição né não é do seu perfil escrever livros de fofocas histórias sensacionalistas apelativas a Regina trabalha com uma narrativa que busca desvendar a vida cotidiana da figura biografada pesquisando coletando eh depoimentos junta a pessoas próximas fontes das mais diversas procedências e isso proporciona aos seus leitores como que um contato mais íntimo e
com os protagonistas dos seus livros né tem uma semiólogo tem um livro chamado 12 conceitos de análise de discurso eh aonde ela discute a questão da a noção de autoralidade né para est estabelecer Eh o seu o seu conceito de autor né dos Jornalistas que escrevem biografias então aut autoralidade de jornalistas biógrafos eh tá referendada pela posição do autor mais como biógrafo do que como jornalista então numa entrevista que você concedeu para uma eh pesquisadora né A Karine Vieira você expressa uma certa indefinição sobre para usar uma expressão da moda o seu lugar de fala
né você diz eu não sei muito bem como eu me coloco assim sou escritora não Totalmente isso sou jornalista não sou mais tão jornalista já não trabalho para jornal trabalhei a vida inteira em jornal ou em revista e tal eu acho que é uma mistura de jornalista Regina a tua fala eh eh ecoa um problema muito recorrente entre os nossos autores Fala um pouquinho pra gente sobre esse atravessamento né de Campos na biografia interseção com o jornalismo a história a literatura que isso tá tudo é tão presente na tua Obra É engraçado porque Eu acho
que no fim das contas como você disse é tudo uma coisa só você vai vivenciando né vai levando a sua vida com todas as suas experiências de trabalho eh e não só de trabalho né tem as experiências da Vida em si e as observações que você vai fazendo isso tudo vai vai te vai te enchendo de informação de maneira de ver as coisas eh até uma coisa que que me falam muito assim eu gosto até de eh se eu tô sentada num restaurante no bar de Repente eu me pego ouvindo a conversa eh da mesa
ao lado né e as pessoas não mas isso ah porque é fofoca não não é é o interesse na vida eu acho que esse interesse na vida Ele tá refletido em tudo que eu faço eh o jornalismo me trouxe eh esse lado da observação da observação e da capacidade de descrever aquilo que você observa Me Lembro uma vez eu eu eu fiz uma bolsa Eu ganhei uma bolsa eh para estudar passar um ano na Universidade de Harvard frequentei vários cursos e tal como ouvinte e tive uma professora a parte que era uma professora de ficção
ela dava aula de como escrever ficção e uma das primeiras coisas que ela falou que eu achei super interessante os um dos primeiros exercícios que ela passou pra gente era o seguinte todos os dias você pegue um fato da sua vida corriqueiro que seja qualquer coisa e descreva em cinco linhas antes de dormir passou o dia aí Você pegou um ônibus aí teve o um uma conversa do motorista com passageiro ou você tava caminhando pela rua ou você tava no seu ambiente de trabalho eh e aquilo te chamou atenção então você descreva aquilo com poucas
palavras eh mesmo sendo uma coisa muito sem importância Então isso é uma é uma maneira de já ir te dando uma prática né uma uma técnica digamos né não é bem uma técnica até já me entrevistaram uma vez perguntando qual é a técnica da Entrevista e eu sempre fui muito intuitiva Mas acabou que tudo isso que você tá dizendo assim o meu trabalho jornalístico depois o meu trabalho de escrever livros de todo tipo né ficção não ficção histórico Isso foi me dando um um conteúdo assim de digamos de experiência e de técnica eh sem ser
eh eh uma técnica aprendida num livro ou qualquer coisa assim então essa essa questão que você bem colocou entre você é um você tá escrevendo um livro Como Jornalista ou você tá escrevendo matérias de jornal como escritora eh eu acho que é uma coisa só claro que o jornalismo é diferente você sabe na hora que você tá se envolvendo com um livro histórico ou mesmo com livro de ficção eu você sabe que a sua linguagem vai ser diferente a sua maneira de pousar né e pausar sobre as questões também é diferente que jornalismo é tudo
muito objetivo muito rápido muito prático mas isso também te dá uma uma boa Experiência na hora de escrever livros porque eh você meio que aprende a espanar o que não é necessário né o acho que era o drumon que dizia que arte de escrever era arte de cortar né de resumir de enxugar o texto Então o jornalismo te dá muito isso e eh o livro te dá aquela sensação eh do mar aberto né ass aquela você começa um livro eh você não tem hora para acabar você não acaba no dia Seguinte ou na mesma hora
como você faz com uma notícia do jornal ou com um artigo pro jornal que você começa aquilo tem que acabar rapidamente teu pensamento tem que ficar rápido eh e ao mesmo tempo se aprofundar na questão e o livro ao contrário o livro te dá o tempo eh e também a angústia né a angústia de saber que você vai ter que encarar aquelas páginas em branco todas eh de uma forma eh continuada de uma forma mais longa Então eu acho que eh essa experiência do jornalismo foi muito importante que ela veio antes Claro eh de eu
começar a escrever livros eh e eu acho que eu eh poderia ter as duas coisas né Eh Espero que que sim né com certeza eh entrando um pouco mais verticalmente na tua obra né Eh eu eu não vou seguir a cronologia dela né Você tem um um um conjunto significativo de trabalhos s com o Chico Buarque né você Editou o Cancioneiro né o songbook dele em três volumes e tal então e eh no no Chico Buarque cidade submersa né 2006 você faz uma jogada muito interessante ao relacionar os sucessos musicais do Chico com a cidade
do Rio de Janeiro né com a história com a paisagem Urbana então o livro traz as canções mais significativas eh da obra do Chico comentadas né pelo próprio artista entrevistas exclusivas eh e interpretadas fotograficamente em Cenários em ambientes né e com personagens cariocas então a composição do teu texto eh sobre as férias praianas né do Adolescente paulista Chico carioca Paulista né quee saiu nasceu no no Rio foi para São Paulo muito pequeno passava férias lá né Eh então a asas lembranças que você pegou disso junto com as 30 letras de músicas e o belíssimo ensaio
fotográfico da Bruna Veiga Isso é uma é uma grande sacada né então ali e eh tem história quer dizer eh não só do Chico Mas da própria música popular né e da cidade do Rio de Janeiro Então fala um pouco pra gente como é que foi eh primeiro dear o songbook né Desse gênio da da da cultura eh popular brasileira né E principalmente como é que surgiu a ideia do cidade submersa né e qual que foi a participação do Chico nisso tudo né se ele teve alguma o o primeiro livro que eu escrevi foi um
primeiro perfil e sobre o Chico pra coleção eh perfis do Rio né E que já tinha sido feita o Perfil de várias pessoas do Rio de Janeiro Oscar nemia muitos outros e E aí me me pediram Olha o que que você quem você quer Eh perfilar Ou biografar eu não considero esse primeiro livro Uma biografia considero mais um perfil né Eh foi a primeira vez que o Chico falou sobre ele assim com tanta eh com tanto detalhe com tanta profundidade Então esse se chama Chico buar para todos e eu eh comecei a fazer primeiro perguntei
Para ele se ele topava todo mundo na Editora achou que era uma ousadia que o Chico não ia falar que né ele não gosta de falar e que enfim eu não ia conseguir Mas eu dei um telefonema para ele ele me retornou e para minim a surpresa ele topou e perguntou o que que ele tinha que fazer eu falei não eu eu eu preciso te entrevistar ter várias conversas com você de repente te acompanhar eh e acabou sendo assim eu eu acompanhei ele nas caminhadas que ele gosta né Naquele momento gostava muito de fazer andava
muito todo dia aqui pela praia no rio eh acompanhei ele nos bastidores do shows eh acompanhei ele no jogo de futebol do Politeama ou o time dele no campo dele então Eh aí entra Aquela aquele lado da observação né que a gente estava falando então eu ficava quieta nesses momentos só olhando observando e ele fazendo as coisas que ele tinha que fazer e eu sem atrapalhar ali só eh vendo como é que ele se preparava para Entrar no palco eh percebendo alegria dele no campo de futebol eh essa mania dele de caminhar muito rapidamente e
andar rápido para as pessoas não reconhecessem ele por isso que tem um capítulo que chama o artista de costas porque a pessoa olha quando olha para trás dis não é o Chico boar mas aí ele já passou aí já tá vendo ele de costas Então esse foi o primeiro livro que eu dividir mais ou menos tematicamente primeiro a infância a casa Dos pais em São Paulo depois a casa da avó no Rio depois quando ele se eh Se Mudou pro Rio já Eh rapaz né casamento eh e fui entrevistando gente da família amigos parceiros e
e intercalando isso tudo com versos eh das músicas dele Então esse foi o primeiro o segundo foi esse eh não me lembro se o segundo foi o cidade submersa ou o canço o Cancioneiro na verdade eh foi uma seleção de das 300 músicas que ele tinha na época de umas 120 músicas eh com para botar nos do em dois volumes o Como é que chama eh tá me escapando a palavra agora eu fiz o primeiro volume eu escrevi outra biografia dessa vez uma biografia linear para esse para esse livro do do Cancioneiro quer dizer o
nascimento eh educação família é eh esse foi diferente do primeiro livro e as partituras essa palavra que tava me escapando eu ia falar as cifras né as Cifras as cifras as partituras das músicas então isso eh foram dois volumes partitura e o primeiro volume uma biografia aí me convidaram para fazer esse livro do cidade submersa eh não foi foi uma ideia minha foi uma ideia da editora e do Bruno eh Veiga O fotógrafo que é um fotógrafo muito conhecido aqui no Rio muito bom e a gente eh combinou que eu escolheria 30 músicas e e
onde o o Chico se relaciona com a Cidade ou ele fala da cidade ou tem alguma coisa a ver com a cidade e em cada para cada música dessa o Bruno Faria uma foto que na na visão dele na interpretação dele eh seria um reflexo dessa canção então a gente fez isso E para isso eu fiz mais uma entrevista com Chico só que dessa vez focando eh na relação dele com o Rio de Janeiro né com a cidade que ele escolheu para viver eh onde ele nasceu também mas Passou o tempo em São Paulo e
ele e ele conta eh eh como é que é quando ele sai do Rio como é que é a volta a chegada a a primeira conversa com o taxista quando ele pega o táxi no aeroporto e como que ele se sente se ele se sente carioca ou não Ou ele se sente muito carioca quando ele tá em São Paulo mas aqui no Rio já se sente um pouco deslocado Mas enfim Toda a relação eh que ele tem eh com a cidade ele fala uma coisa também interessante que é eh os Códigos né Cada cidade tem
o o seu código né os seus códigos então no rio se você tá caminhando no na calçada você pode estar na praia uma mulher ou um homem com roupa de banho com biquíni com sunga mas se você sobe na calçada o carioca já coloca a mulher coloca um pano ou o rapaz bota uma camisa Eh você tá do lado da Areia mas são códigos né que você você não sai pela rua normalmente se você vê uma pessoa uma mulher andando de biquíni no meio da rua Eh que não é na praia mas assim saindo da
praia caminhando pelas ruas de dentro sem uma camisa uma você sabe que ela não é carioca então tem eh e ele foi contando essas coisas dos Scot foi até me me surpreendeu para coisas que eu sabia mas não tinham me chamado atenção Então esse foi o terceiro livro e o quarto livro que é um livro que eu considero muito completo e vou te contar um pouquinho da história que é o seguinte quando eu terminei o primeiro Livro A Miúcha eh Saudosa Miúcha irmã do Chico eh me telefonou e disse assim olha Eh morreu a minha
madrinha nossa tia Cecília e eu vou à casa dela porque eu sei que ela guardava muito muito muita informação muito recorde de jornal e de revista você quer ir até lá Fi quero Então ela realmente na casa da tia ela tinha é um arquivo imenso eh um armário só com coisas do Chico bo outro outras gavetas e armários com só coisas da Miúcha outras da Bebel Gilberto eh e ela guardava tudo que saía no jornal a ponto de guardar até anúncio de de espetáculos do Chico Roda Viva Anúncio mesmo que não tinha nenhuma informação mas
ela guardava tudo então mas eu já tinha acabado o primeiro livro tava acabando não tinha mais como usar aquilo então eu guardei esse material quando chegou eh nesse quarto livro guardou consigo guardei comigo depois depois eu passei ele pro Instituto T Jobim e eles fizeram Uma eles têm lá no instituto Tom Jobim eles têm toda o o portal do Tom Jobim e tem o portal do Chico a maioria das coisas que estão lá vieram desse material deixado pela pela Miúcha então eu fiquei com aquele material tinha tanta coisa tanta informação aí tinha assim por exemplo
uma uma entrevista no na antiga Fatos e Fotos entre o Geraldo Vandré o Chico Bararque e o Roberto Carlos muito interessante e e a cabeça deles naquele momento eh o Vander e o Chico pediram ao Roberto Castro para fazer música brasileira e Roberto dizer mas eu faço música brasileira eh Então tinha coisas assim muito curiosas desse tipo e muita informação e acabei conversando com o editor eh na época da nova fronteira e ele disse não vamos fazer um outro livro sobre isso aí fizemos esse livro chamado Chico buara para seguir minha jornada que é quase
que um almanaque também um meio estilo a manque de qualquer maneira Eu fiz mais uma biografia diferente das duas outras que eu já tinha feito eh e a cada momento que toccava numa pessoa eh eh ou numa acontecimento por exemplo se era uma história contando que aí o Chico encontrou a Nara Leão então eu fazia um box né que em jornalismo a gente chama de box sobre eh a relação do Chico com a Nara que a Nara foi a primeira que gravou eh as músicas dele a primeira música dele gravada foi pela Nara né com
outra pessoa então Eh abria Como se fosse um um link dentro do do comp você abre e aí você eh tem uma informação um pouco mais detalhada sobre aquele assunto eh e assim foi eh esse livro usando todas essas informações eh que eu tinha agora nas mãos e que não tinha conseguido usar no no primeiro livro Então eu acho que ficou um livro muito cheio de informação eh bem interessante com eh entrevistas com artigos de pessoas sobre o Chico eh tem uma entrevista do Sérgio Buarque falando Sobre o filho dele eh e dizendo que ele
tinha cabeça de arquiteto e Alma de poeta uma coisa assim enfim coisas interessantes e curiosas muito reveladoras da da personalidade do Chico porque eu acho que a biografia eh além dos fatos que você vai relatar o importante ser é uma biografia de uma pessoa eh de um artista de um escritor o importante é você conseguir traduzir a alma daquela pess pess e você vai Fazendo isso com a sua pesquisa mas também com a observação com a fala dos outros com a própria fala daquela pessoa e você vai destrinchando eh a personalidade a alma e o
ideal seria que você chegue mesmo Acho que ninguém consegue chegar no fundo mesmo da alma de ninguém nem nós próprios né mas o mais perto que você consiga chegar para revelar para trazer desvendar D para para todos né os leitores quem realmente no fundo é aquela pessoa então foi isso Foram quatro livros cada um num estilo cada um usando informação eh diferente mas todos com muita pesquisa e e sempre eh ouvindo a a palavra do Chico né ouvindo a voz dele né mas aí eh só abr um parêntese aqui eh essa essa questão da entrevista
com o biografado Liv vivo né porque eu fiz o Carvana fiz entrevista com ele O Casé também o Gilberto Gil também eh é que você tem que ter muita empatia em Primeiro lugar para fazer uma entrevista e você começa mostrando eh pra pessoa que você tem uma seriedade em relação àquilo que você tá fazendo que você tem conhecimento sobre ela isso aí a gente adquire muito no jornalismo você sai para fazer uma entrevista seja com o político seja com o artista você tem que pesquisar e se informar sobre aquela pessoa para fazer as tuas perguntas
e mas com o o a biografia vai além disso você tem que ter um jeito para Entrevistar você tem que eh não sei ter eh eh uma uma abertura né uma ser quase que solidar uma segurança um conhecimento um domínio e não se deixar intimidar mas não deixar a pessoa se intimidar também porque a minha experiência juland eh me mostrou que todas essas pessoas com com quem eu eu fiz biografias você senta vai conversando e chega um momento que aquilo vira quase que uma sessão de análise de terapia que a pessoa vai se Abrindo vai
vai vai confiando em você e confiando isso que você falou lá no começo que eu não sou uma pessoa D da fofocas realmente não me interessa eh esse tipo de informação mas sim cavar lá no fundo né quem é aquela pessoa então você então virava assim uma coisa assim muito muita intimidade no sentido de intimidade eh para que a pessoa conseguisse ultrapassar Talvez algumas Barreiras Me Lembro uma vez entrevistando Silviano Santiago não foi para uma biografia foi para uma matéria eh a gente foi conversando foi indo no final eu disse Puxa vida eu contei coisas
para você que eu nunca contei para ninguém nem pro analista né é você eh é como uma conversa entre amigos né quando você entra na conversa e vê que o amigo tá precisando fala você tem que saber ouvir né e ficar e não ficar toda hora Deixa a pessoa ir para pro caminho que ela quiser se ela tá se desviando muito e se for para jornalismo você tem que trazer de volta mas na biografia você deixa porque Quanto mais ela eh eh eh voar e for para lugares que você nem imaginava melhor pro pro escritor
né melhor pro autor você vai conhecendo melhor aquela pessoa mas já falei muito perfeito perfeito eu eu ia puxar justamente o o o livro que é é a partir do acervo da Tia Cecília né Tia Cecília Fiquei encantado e eh e isso toca numa coisa muito interessante da da historiografia que é lidar com acervos privados né uma mina de ouro caiu no teu colo né então Eh como trabalhar aquilo e tal a questão do acesso né da acessibilidade e tal eh esse livro em particular só pra gente fechar sobre ele ele era um livro para
ser uma narrativa única Originalmente né pelas matérias que eu li era para ser um texto fluido mas o projeto gráfico do livro acabou Tomando eh vida própria né e e por causa da própria imensidão da colisão o número de imagens né a pesquisa Eh que que proporcionou muita coisa e o e o formato acabou eh do livro acabou se assemelhando mais a uma enciclopédia né ou em alguma medida também é um abanque que você já mencionou né Então fala um pouco para nós regida sobre o acesso o manuseio os prós e os contras desse trabalho
com acervos particulares E também como foi a A negociação da organização do livro Como é que você chegou nesse formato que você usa eh eh eh recorrentemente né Depois a gente vai falar de 1960 68 ele também tem o formato almanac né a coisa dos Box das pílulas da da da escrita não linear né das informações que vão se atravessando imagens é um recurso que você usa muito né e eu usei também eu adoro esse recurso por isso que eu tô falando é na verdade eu usei duas vezes nesse livro do Chico e no 68
que a gente Pode falar daqui a pouco eh nesse caso do Acervo eh particular eh era um acervo que me foi dado então ele ele tava comigo eu podia manusear ele da forma que e era tudo no no papel não era na na na internet então você vai lendo Vai pesquisando vai marcando vai escrevendo trexos eh algumas entrevistas que eu publiquei na íntegra eu fui digitando eu fiz tudo eu mesma né e e buscando ali o que eu achava do maior interesse agora Tem nesse livro do Chico para seguir minha jornada ele tem um texto
eh linear que é outra biografia do do Chico eu já confundo um pouco qual que eu qual que eu comecei com o qu mas eu sei que no no songbook Eu comecei mais falando até das músicas que existiam quando o Chico nasceu porque era era um um um livro mais musical por causa das partituras e nesse eu faço também um um uma outra biografia e ela vem inteira com o mesmo fundo eh você falou nessa Parte gráfica foi muito importante eh essa parte gráfica e aí eu trouxe um pouco da minha experiência de editora de
jornal também eh que eu acho que uma vez que você é editor você tem a cabeça do editor você edita filme você edita livro você edita porque eh é a questão de você buscar eh O que é importante entrar primeiro o que é o que vem depois o que tem que ter uma continuidade Então esse a biografia ela tem uma continuidade ela tem um fundo se eu não me engano um Fundo cinza e que ela vai passando de página a página mais assim no pé no não me lembro no pé do livro Ela vai se
você quiser ler apenas a biografia ela tem uma um fio condutor ali mas ao mesmo tempo nas páginas aí você tem as outras histórias que pode ser um perfil eh de alguém que interagiu com Chico ou que relação era aquela ou pode ser uma entrevista daquelas eh de revista ou de jornal ou pode ser um artigo do Chico quando ele escrevia no Pasquim então Eh Entram várias coisas que te dá uma dimensão daquela pessoa mas ao mesmo tempo eh para não ficar confuso tem a a biografia linear corrida eh eh que vai aparecer em todas
as páginas então você pode até ler ela separadamente foi assim e a organização eh do aco a busca do aco é uma coisa prazerosa sabe a gente pegar aquelas eu gosto de pegar na mão né agora a gente faz tudo pela internet é mais fácil mas assim você abrir a Revista procurar as coisas descobrir frases descobrir eh a a acontecimentos eh daqueles tempos é é muito prazeroso é assim cada hora você fica feliz que você descobriu uma coisa Ah tem uma coisa nova aqui ah tem uma coisa que eu desconfiava mas não tinha certeza eh
E além disso eu também sempre procuro fazer aí desde o primeiro livro do Chico E aí também a gente vai ver isso em outros livros eh um contexto social e político né que época era aquela Por que que ele eh planejava fazer coquetel molotof onde é que ele tava tava na faculdade mas por que né qual era o contexto tinha né uma ditadura militar no no no país eh Então esse contexto político você vai dando até abertura eh no país e no mundo né também porque isso influencia a pessoa que você tá biografando se tem
um uma guerra em algum lugar e que tá preocupando o mundo inteiro também vai afetar aquela pessoa Que você biograf se tem um acontecimento extraordinário eh eh um homem pisando na Lua certamente aquilo também vai eh ter influenciado teu biografado deixa eu puxar um fiozinho enquanto estava falando sobre as fontes né E esses acervos que caíram você usa muito a entrevista né Você usou eh sistematicamente entrevista eh e a gente tem uma área consolidada na história que é história oral né Tem métodos da Fundação Getúlio Vargas tem acervos Maravilhosos de fontes orais etc e tal
e e você eh eh dialoga de alguma maneira com essa historiografia ou as técnicas do jornalismo te foram suficientes como é que você conduz e depois a parte prática né como é que você transcreve ou não Ou você trabalha com equipe e e como é que é essa parte da das entrevistas primeira coisa é a pesquisa né antes de você partir para uma entrevista num livro eh você tem que fazer uma boa parte da pesquisa até para descobrir Coisas que você vai querer perguntar ou para descobrir ou para ver coisas que você quer saber se
são verdadeiras se não são se incomodaram aquela pessoa ou não se fizeram aquela pessoa avançar ou se foi um trauma Enfim tudo que você eh ler sobre ela e pesquisa sobre ela são coisas que não vão servir apenas para você narrar no livro elas vão servir também para estruturar a sua entrevista eh a entrevista na verdade eu fui aprendendo a fazer no jornalismo né Eh me lembro de uma entrevista que eu fiz com Darc Ribeiro que eu fiquei muito satisa pori uma entrevista maravilhosa e que eu queria publicar em Quatro páginas no jornal mas o
editor chefe achava que era muito que tinha que cortar para duas páginas e eu nunca esqueci aquilo f não se fosse um livro Eu poderia até né poderia até se transformar se transformar num pequeno livro mas eh enfim foi uma coisa que eu tive que cortar com dor no coração porque era Muito boa então o o jornalismo também foi me dando essa essa noção do de enxugar de também não ultrapassar muito os limites daquilo que você quer que depois você vai ter que cortar e aí é outro assunto eh não sei é uma coisa também
Jurandi meio intuitiva eh uma coisa de de humanidade de você ter a empatia com aquele outro ser humano que ele pode ser um artista ele pode ser uma pessoa comum Eh mas que você tem que fazer Em algum momento eh essa esse link né você tá falando das entrevistas mesmo você preparando sabendo aí eu fazia sempre um uma lista de perguntas e podia seguir ou não aquele roteiro eh dependendo do que aquela pessoa vai me oferecendo né mas esse esse ligação humana com quem você tá fazendo uma entrevista mais aprofundada não tô falando uma entrevista
com um Político para pro dia seguinte no jornal mas para aquela pessoa que você quer Eh fazer com que a alma dela transborde ali naquela você precisa estabelecer essa essa ligação né e e eu isso aí eu não sei como eu não sei como eh como ensinar né e não sei como que eu aprendi eu acho que é a vivência a maneira de você ver o mundo a maneira de você ser uma pessoa mais humana que observa as pessoas na rua que escuta as conversas que sabe o que que pode uma Pessoa trazer de dentro
dela e que não tá na tona né eh não sei eu acho que eu talvez assim sensibilidade eh seriedade eh estabelecer uma confiança mostrar que você não tá ali para derrubar o outro mas que você realmente quer saber quem ele é eh então eu acho eu acho que é isso o jornalismo me deu essa base mas eu acho que a vida inteira eh me deu e eu eu morei muito fora do Brasil em países diferentes meu pai era Diplomata então a gente E isso também eu acho que me deu uma bagagem interessante de de olhar
para outra cultura Outros Mundos perceber que as pessoas são iguais mas que elas têm bagagens diferentes carregam culturas diferentes e é preciso respeitar entender eh o universo de cada um seja ele seu conterrâneo seja ele uma pessoa de outro lugar mas isso foi me dando eu acho que também um pouco dessa dimensão Eh humana das das das pessoas que elas são diferentes eram diferentes cada vez que eu entrava numa escola nova era muito difícil eh eh tinha Barreiras Mas você vai desbravando e aquilo que foi sofrido no momento porque você é criança ou adolescente aquilo
se transforma numa bagagem muito rica e aí você eh usa essas ferramentas todas que você tem que não só não são apenas as coisas que você aprendeu com o trabalho né No Meu caso com jornalismo mas aquilo que você acumulou uma vida inteira de observação de tentativa de descrição de descrição daquilo que você viu Eh e eu acho que é isso é uma soma de coisas perfeito eh eu queria eh continuar nessa linha e problematizar eh um pouquinho a questão porque a gente tá falando de entrevistas né então não é sempre consegue produzir uma obra
uma coisa é você fazer uma uma uma biografia do Dom Pedro I do Caxias ou da né do Getúlio Vargas outra coisa do Chico boar o do sted o do Lula né Qual que é a diferença uns estão mortos outros estão vivos e isso isso joga um papel né na na produção do OB biografia e eu queria trazer isso mesmo para para você e eh falar da tua experiência né então a a crítica tem tem nos debates e tal tem uma resenha publicada na Folha de São Paulo né ao Chico para todos de 99 aonde
o autor Fernando de Barro Silva USA eh eh a metáfora de que você tenha Sucumbido ao feitiço né você Ah ela é fã do cara caiu na armadilha e tal e aí você escreveu do ponto de vista de uma pessoa com com excesso de empatia né uma fã e tal eh a tua belíssima biografia né Gilberto B de perto também recebeu críticas nesse sentido né pelo caráter supostamente e ofici ial né Tem lá o Mauro Ferreira né que é crítico musical ele fala Desse Olhar oficial da obra né e um outro cara luí Fernando Viana
na Folha de São Paulo também pegou pesado Dizendo que a obra é é contada com parcialidade e tal né que não tem polêmica no livro e tal então Eh eh a a questão que eu que eu queria colocar para você é o seguinte eh eh eh Como que essa questão da da imparcialidade se coloca com você faz uma obra Praticamente em coautoria E como que você reage né como você responde a essas críticas porque são questões pertinentes né a gente pode concordar ou não com elas por exemplo a a a a biografia do Lula né
que o Fernando Moraes eh escreveu também teve críticas nesse sentido de que ele era companheiro que não sei o que não sei o quê e e mas são são são pessoas que que merecem biografias né que tão aí que compõe na nossa vida então Eh que que qual que é o a a sua a sua percepção desse problema e como que você reage a eles eu vi essas críticas eh acho que eu tentei o máximo possível um Distanciamento mas eu acho também que o jornalista ele tem essa obsessão pela polêmica pela por você trazer um
fato espinhoso ali que vá você vai destrinchar aquilo como uma pessoa quando você faz isso como uma pessoa viva é difícil você eh e se você tá conversando com ela ela tá te dando esse espaço para revelar eh quem ela é eh eu acho difícil você trazer uma coisa eh eh eu não sei exatamente o que que seria uma polêmica por exemplo eh no Caso do do Chico eh polêmica dizer que ele Talvez eh a opinião política dele tem atrapalhado a música ou que não é eh O que a imprensa eh sempre enfim eh criticou
a postura política dele eu não vejo muito bem eu realmente sempre gostei do Chico sempre gostei das músicas Ach inclusive uma pessoa eh coerente eh solidária humana eh não vi muito como como trazer uma crítica eu poderia até Trazer uma crítica às canções mas não era um livro eh jornalístico sobre as canções não era uma crítica eh musical né Eu não tava fazendo uma crítica musical e dizer olha essa música eh não tem um verso bom aquela não tem um andamento bom eh não era esse o caso eh eu eu eu tenho consciência disso e
para te dizer a verdade não achei eh de tudo que eu li do Chico quer dizer Claro tem umas histórias quando ele era Adolescente Roubou um carro aí foi parar a delegacia ele mesmo conta né no no irmão é o irmão alemão né ele Conta essa história na no naquele livro contei Delei livro mas ele conta quer dizer isso aí seria uma polêmica não é um garoto roubando o carro poderia ser qualquer um eh eu não sei eu gostaria até que eles dissessem assim olha tem esse caso aqui que não foi contado que é polêmico
eh mas eu realmente não não descobri e Era e não a intenção do primeiro livro que eu acho que que recebeu talvez mais críticas em relação a isso não sei eh era fazer um perfil era que as pessoas conhecessem Quem era aquela pessoa se eu tivesse faz um perfil sobre o bolsonaro certamente eu ia trazer a alma dele é outra alma diferente eh o que ele pensa se é que ele tem alma né se é que ele tem alma e então é claro mas mas eh quando você quer trazer o conteúdo o âmago daquela pessoa
que você mergulha e Vê e eu tinha muito medo viu para dizer aqui para você como era muito admiradora do Chico eu pensava assim tenho medo quando eu chegar muito perto e começar a fazer entrevista eu achar que ele não é nada disso que eu tava pensando que ele não é uma pessoa legal ele mas eh olha foi só confirmando o que eu pensava e não é porque ele só me disse o que ele queria eh a gente conversou sobre muitas coisas e eu pesquisei muito eh Então eu não sei eu acho que tem uma
Certa uma certa não sei se é uma inveja ou uma raiva do Chico algum tem na imprensa brasileira sempre teve o Chico disz que teve uma época ele ele Lia jornal de capacete né levava muito bordoada eh E no caso do Gilberto Gil foi um livro escrito junto com ele claro que fui eu que escrevi eh eu digo que assim é um livro escrito a duas mãos e uma cabeça né E uma e uma boca que eu a gente sentou muitas muitas horas ele foi me contando a vida dele foi me contando As histó dele
então Eh foi isso que eu fui transcrevendo a princípio era para ser uma fotobiografia eh mas quer dizer mas quando me chamaram para fazer era para fazer uma coisa parecida com esse livro do Chico eh então eh o o o Gil também eh o que que teria de de conflituoso de negativo na vida os Sofrimentos dele assim como os Sofrimentos do Chico ou as brigas eu tem um livro o primeiro livro Do Chico eu conto a briga dele com milor que ele cuspiu no milor no restaurante eu não escondi isso ah não vou dizer que
o Chico cuspiu porque ele é legal ele não cospe ninguém eh Sabe tem fatos ali que ele eh reconhece que ele contou que eu li em outros lugares ou que pessoas contaram enfim eh e o Gil me contou a história dele mas eu também Pesquisei sobre ele entrevistei pessoas sobre ele eh e eu tava mais interessada te confesso em em Contar a vida dele eh desde pequena cidade na Bahia onde ele foi criado e ensinado pela avó eh e que que Lia a história junto com ele e aquele ambiente onde porque isso revela tanto sobre
o o o compositor que ele é a pessoa que ele é a a mesma coisa o Chico a infância a juventude os amigos com quem eles quem eles com eh eh eh escolheram para para se relacionar eu acho que era isso que interessava pelo menos do meu ponto de vista Eh para quem fosse ler o livro do Gil eh De onde surgiu o Gilberto Gil De onde surgiu essa sensibilidade como é que ele sabe disso ou daqui quem é que ajudou ele a crescer aonde que ele o que Sofrimentos que ele teve durante o crescimento
todos dois então era isso que me interessava eh buscar coisas negativas eh eu até confesso que eu não me deparei com nenhuma coisa muito Negativa do Chico nem do nem do Gil eh a não ser coisas banais que todos nós temos na vida uma briga com lã um desentendimento com o outro Mas nenhum ma caratismo né então como é que eu vou inventar para trazer a polêmica porque o jornalista acha que tu não se você me permite eh eh eh Regina você deu a sorte de pegar para biografar duas pessoas de luz né duas pessoas
fantásticas né E outra não é uma uma biografia acadêmica né É É uma Biografia para ser lida por todos né Para dar conhecer esses Person a todas as pessoas Então eu acho que também tem que ver muito o público alvo a finalidade da obra né E então acho que essas críticas mas V falar um pouquinho sobre e eh os formatos né Eu queria falar um pouquinho agora sobre 1968 já encaminhando pro nosso final né Eh eles só queriam mudar o mundo você escreveu em parceria né com o Ernesto Soto jornalista também não tanto sobre o
Conteúdo né fantásticas informações e tal mas sobre a forma vocês abraçaram com muito sucesso a meu ver a forma do almanac assumidamente né falou a gente vai fazer um almanac eh para contar a história de um ano né então por isso O livro é dividido em 12 capítulos correspondente aos 12 meses e utilizando os recursos formais do almanac né a sequência cronológica né que serve de moldura ali dentro da qual os temas vão se entretendo e as histórias vão sendo Contadas de um modo não linear como a gente com esses usos de boxes pílulas imagens
análise de terceiros letras de música relatos de pessoas que viveram nesse ano e tal a Ana Maria baiana fez um um almanac de de 68 também né Então você já tinha usado né Eh não tão explicitamente esse formato om manque nos livros anteriores o próprio Gilberto Gil bem de perto tem um pouco dessa pegada né Então conta pra gente dessa experiência e e de como que você usou e Como e eh o que que ela trouxe o que que ela agregou o produto final eh esse formal almanak que eu tenho tanto carinho por ele é
esse esse livro nasceu a ideia dele eh nasceu eh eu era editora do Caderno B O Ernesto Soto meu amigo eh era subeditor e nós eh quando acho que nos 30 anos sei lá quantos anos do do MA o de 68 nós fizemos um caderno especial no Caderno B eh que ficou muito bom modesta parte com muita informação e todo mundo contribuiu Eh a gente fez e eh eh o crítico de música falou sobre a música O de cinema falou sobre os filmes enfim um caderno que fez um certo sucesso e eu levava esse caderno
nas minhas aulas na universidade para mostrar pros alunos e que se interessavam muito eles achavam o máximo porque não sabiam que aquilo tinha acontecido que eram estudantes como eles né a gente fala do ma de 68 na França e aí um dia conversando com a Ernesto a gente falou assim vamos fazer Vamos fazer um livro onde a gente possa falar desses acontecimentos que foram muitos Realmente foi um ano recheado Claro que não é um ano né claro coisas começaram antes continuaram depois mas especificamente em termos de fatos eh foi um ano muito rico e muito
intenso Então vamos fazer vamos fazer um livro sobre isso ah como é que a gente vai fazer vamos começar a fazer por mês então Eh Janeiro de 1968 que que aconteceu no Brasil e no mundo não foi uma coisa só no Brasil né então a gente trouxe acontecimentos de vários lugares E à medida que a gente ia eh pesquisando a gente ia descobrindo coisas novas não apenas aquilo que a gente já saber ah mas olha também aconteceu é impressionante como foi eh um ano eh muito muito muito intenso e a gente procurou ir além dos
fatos então o que que você faz para ir além dos fatos a Gente começa se eu não me engano o ano de Janeiro com a a ofensiva do Tete no Vietnã se eu não me engano foi janeiro ou fevereiro que começou com a ofensiva do era plena Guerra do Vietnã eh o mundo eh se revoltando principalmente os jovens contra a Guerra do Vietnã muitos americanos também que não queriam ir paraa guerra que eram contra guerra então a gente começa falando dessa ofensiva eh que foi uma ofensiva que os Os eh os viet kongs conseguiram uma
avançar né e e progredir na guerra né Eh a gente usou muito também um livro do Antônio Calado Ele foi ao Vietnã fez uma reportagem belíssima sobre o Vietnã que a gente usa as informações poéticas dele sobre como aquele pequeno país resistia a grande potência né isso Uma das Histórias então o que que a gente pensou que deveria ter nesse livro Ah como é que era a moda porque a moda a moda rip A moda da calça larga das túnicas indianas isso também revelava muito sobre a juventude daquela época né de usar roupas mais informais
mais confortáveis né era uma época em que se queria quebrar com toda a formalidade com toda o todo conservadorismo eh e isso a gente via em vários lugares do mundo de várias maneiras então foi por isso que a gente pensou em fazer MS a mês porque era muita coisa então para descrever um fato Atrás todos teria que ser assim aí aí cruza cruza com com a a música né com a contracultura e as drogas e tudo vai vai se alimentando ali né Aí a gente fala na escola de Frank fala do eh marcuse a dorno
Walter Benjamin eh alheimer porque ess essas cabeças desses filósofos influenciaram muito esse esse tempo de busca da liberdade Busca da Felicidade de rejeição a opressão eh nos Estados Unidos você via o Movimento dos direitos civis Então aí tem eh eh aí o perfil do Martin Luther King a gente fala do Vietnã tem o perfil do rosmin quem era o rosmin então é um livro que tem muita informação ao mesmo tempo ele é didático para quem não viveu Essa época eu acho que a pessoa acaba de ler o livro com toda a compreensão do que foi
esse tempo e e isso ajuda a explicar os tempos de hoje porque no próprio livro A gente mostra como as coisas depois foram retrocedendo E como Que se achava naquele momento que se você com conquistasse um espaço uma liberdade um avanço um progresso eh nas relações humanas nos direitos humanos jeitos civis eh aquilo tava conquistado e a gente depois a gente fez uma nova edição a gente fez uma primeira edição nos 40 anos de 68 depois uma nova edição nos 50 anos já vendo o retrocesso né já vendo esse mundo eh esse avanço da Extrema
direita começando acontecer o Donald trump já tinha ganho a eleição Nos Estados Unidos eh então também como Alerta olha aquelas conão da direita né atenção da direita exatamente eh e a gente também a gente fez um novo prefácio dizendo isso olha esse livro também é um alerta esse tempo existiu Se bem que esse tempo de 68 no Brasil era ditadura militar mas ao mesmo tempo eh até 68 e o C foi no final do ano né até esse até chegar ao final do ano sempre eh o o Brasil viveu um clima cultural muito rico muito
intenso de Muitas trocas cinema novo com teatro Z Arena teatro oficina eh artes plásticas engajadas a música então nem se fala de os festivais de canção músicas eh que chamava na época música de protesto e E aí isso Acabou no final de 68 com A5 que aí foi uma repressão geral e muito forte mas essa ideia de entrar essas essas inserções né sobre aí tem uma letra de música eh do John Stones né Eh falando sobre revolução aí tem uma um artigo do Frei Beto falando sobre Teologia da libertação então Além disso tem também artigos
de outras pessoas entrevistas tudo isso vai entremeando também uma até uma astróloga né fez um mapa astral asal fez um mapa astral a Mônica horta isso foi logo no primeiro no primeiro capítulo Mas cada capítulo ele tem o seu texto eh linear né aí aconteceu isso a depois logo isso aconteceu o clima era esse o contexto era esse esse capítulo ele ele começa e fecha numa narrativa Eh linear aí ao L ao longo dele ao Largo ao lado você tem essas inserções com essas outras informações a intenção Nossa era que a pessoa acabasse de ler
tendo toda a a ideia do que que foi aquele ano do que que quase que respirar aquele ar quase que viver aquele momento sabendo que roupa as pessoas usavam que que elas pensavam Quem eram esses filósofos que influenciaram tanto aquela geração enfim a ideia de trazer era muita informação Então é por isso que a gente teve que ir dividindo e trazendo as coisas principais e tem uma pegada analítica também né eu achei muito fantástica aquela eh eh aquela análise mesmo que vocês fazem e de Por que que aquela geração porque o jovem não é incialmente
revolucionário aquela geração era tanto é que a gente vê hoje e como tem jovem reacionário no mundo mas aquela geração aí você fala do GAP de gerações que tem a ver com o Boom Universitário na França De muitos estudantes que saíram de suas casas foram estudar com a reconstrução né do pós-guerra e tal e de repente já não tinha mais espaço para todo mundo tem que fechar e a questão dos costumes e aí a a as as Como é que chama os gatilhos né o negócio dos dormitórios em nant que não podia homem com mulher
e aí explode né mas aí tinha uma uma uma uma coisa interessantíssima dizer vocês colocam isso os a a a cultura dos pais já não cabia na vida dos filhos né Então Uma coisa do do rompimento de gerações é muito sofisticada análise Com todas essas informações que vão entrando assim muito legal acho que foi eh Regina mas eu sei que você tem um compromisso né se você quiser cumprimentar desculpa não eu eu só queria acrescentar isso que você falou que era era um abismo geracional muito grande naquele momento que depois Hoje em dia a gente
não vê esse Abismo né mas naquele momento foi e na verdade Ah se você for analisar todas as lutas e Todas as eh eh os protestos daquele momento era tudo contra a opressão se fosse a opressão dentro da Universidade na França eh Eles Eles não queriam eles queriam uma relação mais de igual com os professores fosse a opressão do racismo nos Estados Unidos fosse a opressão eh da autoritarismo soviético na Checoslováquia enfim era uma revolta Mundial contra a opressão de uma forma geral vamos Encaminhando então Regina o papo tá muito legal eh eu vou te
deixar mais à vontade agora só puxando a algumas eh questões você fala mas para quem queira né nossos estudantes ou o público em geral que tem interesse em escrever ou tem e né leitor já potencial mas eh que tem interesse nisso eh Fala um pouquinho mais seu processo criativo né quer dizer você era jornalista de redação e a partir de um determinado momento você Você cresceu e virou outra coisa como né Você virou essa essa eh eh escritora né na na verdade né Então fala um pouquinho da sua rotina de trabalho né se você tem
disciplinada ou não como que funciona né a a a tua rotina de pesquisa de escrita né A questão da da da da dinâmica de construção do texto se a gente tá preconcebido a gente viu que alguns livros era por ser uma forma acabaram eh eh o projeto editorial vir acabando vir virando outra coisa né E a sua sua Relação com o mercado com o mercado editorial com a historiografia esse pacote de de de questões e já te agradeço de antemão e e deixo a a Palavra Final para você tá bom super Obrigado Regina tá bem
Jurandi eh Jurandi eu não sei olha desde muito pequena eu eu sempre gostei de escrever eh eu escrevi quando ela quando eu era quando tava assim no no no colégio primário né primário que chamava na éa eh eu eu era sempre chava 10 em redação Gostava a professora Lia meus texos na aula eu ficava muito feliz depois na adolescência eu escrevia não era um diário não mas eu escrevia muito dos Sentimentos melancólicos da adolescência eu acho tá engraçado quando eu leio alguma coisa hoje que eu escrevi naquela é então eu tinha essa vontade essa necessidade
e gostava de escrever E aí por conta disso eu e acabei indo pro jornalismo tinha outros interesses em fazer teatro em em em outras coisas Também mas acabei indo pro jornalismo eh onde eu também ia escrever e essa essa história de fazer livro veio quase que por acaso eu não eu não fui atrás disso né E me chamaram para escrever esse primeiro perfil do Chico foi o primeiro livro aí veio o outro veio o outro veio o outro e e assim foi indo então não foi assim um planejamento Agora eu vou começar a escrever livro
foi acontecendo e eu fui gostando até ao ponto de chegar um momento eu parar com o jornalismo Diário né E que eu faço jornalismo até hoje né entrevistas e tal no na TV 247 mas eh Aí parei e fiquei me dedicando mais aos livros o processo cada eh você vai aprendendo né primeiro é muito difícil você tá muito livre porque não tem ninguém te cobrando aquilo pro dia seguinte como é no jornal então isso já gera uma certa angústia é sempre uma espada na sua cabeça o tempo inteiro se você tá numa festa num cinema
num almoço Com amigo você tá sempre pensando que você tem que voltar para casa porque você tem um livro você tá escrevendo eh é como se fosse uma tese acadêmica também que deixa as pessoas bem bem nervosas né então isso é uma coisa ess essa essa essa necessidade de você saber o tempo todo não é necessidade mas é você sabe o tempo todo que você tá devendo você tá você tem que sentar e escrever na na na área da ficção é um pouco mais Livre mas é também difícil porque só falando rapidamente da ficção eh
você senta no computador e a ideia não vem ideia não vem aí você anda caminha não sei o que pela casa fica pensando aí quando é assim 5 horas da tarde você tá preparado aí você senta para escrever mas às 8 você já tem que preparar o jantar já tem outra coisa acontecendo Então é mais eh Talvez seja um pouquinho mais complicado mas com a a escrita histórica né assim de histórias De biografia e e de assuntos e fatos você tem que ter realmente uma uma certa disciplina Então você marca Olha vou trabalhar eu sempre
escrevi todos esses livros criando meus filhos né eu tenho três filhos Então tinha casa para cuidar tinha e e eu tinha o jornal o primeiro livro que é o livro do Chico eu ia pro jornal umas 11 da manhã mas eu acordava à 7 escrevia dava uma caminhadinha escrevia ia pro jornal fechava voltava chegava em casa umas 8 9 e trabalhava Até meia-noite uma hora isso durante uns se meses eh então cada caso era um caso pois eh eh os os filhos cresceram um pouco já ficava mais mais livre mas sempre com o trabalho eu
nunca pude me dedicar só ao livro quase quase nunca né Eu sempre tinha o trabalho para fazer e e e o desgaste Então tem que ter muita vontade Então o que eu recomendo que eu acho que é o principal na hora de escrever é essa vontade e e uma paixão para que você Faça aquilo bom né a seriedade eu acho super importante de você não não se enganar de que você tá fazendo uma coisa de qualquer jeito fazer aquilo com eh Pode não ter o melhor resultado do mundo tem muitos críticos como você falou e
eles têm todo o direito de fazer a crítica deles e achar que outro livro poderia ser melhor mas aquele é o que você fez então Eh de qualquer para você fazer aquele livro que eu acho importante é Eh perseverança desejo de fazer vontade de fazer paixão em fazer aquilo paixão pelo eh muitas vezes a gente não tem paixão pelo objeto que a gente por aquilo que a gente tá escrevendo aí te encomenda um livro sobre um instituto não sei o que você não tem paixão sobre aquilo mas você tem que desenvolver um interesse tem que
buscar coisas que vão tornar aquilo mais interessante e não fazer aquilo Como se você tivesse apenas cumprindo um um Ritual e acabou acabou sempre eh eh eu fui movida muito pela pelo perfeccionismo né então vamos fazer vamos fazer direito vamos fazer bem sendo que os livros que eu escolhi fazer é claro que esses tinha ainda o elemento da Paixão eh e e enfim do desse olhar para dentro né fui buscar porque todo qualquer livro que você faça mesmo que seja uma biografia você põe muito do que é seu dentro desse livro então se você tem
ali Aquela vontade aquela paixão eh coisa ruim não vai sair pode não sair perfeito mas você vai caminhar para tentar fazer uma coisa eh o mais perfeito possível então eu acho a pesquisa a seriedade na pesquisa eh perseverança na pesquisa Às vezes você cansa às vezes é chato você tá cansado mas aí você para vem no dia seguinte com outro ânimo outra energia e continua não é não é fácil escrever livros a gente eu sempre pensava assim Ah mas no jornal você escreve um artigo escreve uma matéria e pronto acabou no dia seguinte tá pronto
você sai ali você tá livre né no livro não no livro é uma jornada né É uma viagem que você tem que tá disposto a empreender eh porque não é fácil como dizem alguns autores eh bom não é não é o escrever bom é ter escrito é você poder olhar para aquilo e falar Puxa que bom que eu consegui escrever aquilo Muito obrigado Regina só para terminar o último golinho O que vem por aí o os projetos em andamento o que tá para sair ou as ideias que estão eh pulsando na na na sua cabeça
é eu tô eu tô num momento que eu tô trabalhando muito eu faço quatro programas por semana na TV 247 isso tem sempre um convidado tem sempre um entrevistado tem que pesquisar tem que enfim fazer a produção tudo sozinha então isso me toma muito tempo mas eu já tô assim me coçando para para escrever Ainda não sei o que mas eu tô preparando Isso lentamente um livro eh com entrevistas que eu fiz no passado e que eu não queria que elas se perdessem né então tem entrevista com a Fernanda monegro tem entrevista com ssk tem
entrevista com Darc tem entrevista tem uma com Mia coto que eu fiz e que eu nunca publiquei então eu tô querendo fazer um livro com Essas entrevistas mas não é assim só pegar entrevista e publicar eu faço uma abertura contextualizando eh Em que momento que Aquilo foi falado porqu e tal que época que era quem é aquela pessoa e isso dá um certo trabalho então eu tô fazendo isso mais imediato assim mas ainda não sei quando que eu vou conseguir acabar e tenho muita vontade de voltar um pouco paraa ficção pensando em histórias mas ao
mesmo tempo também esse meu lado jornalístico me puxa bom vamos fazer uma coisa eh histórica jornalística mas quem sabe de repente eu junto as duas coisas e é Isso sempre essa essa vontade que vai se mexendo por dentro ela não acaba Fantástico super Obrigado Regina [Música] [Música] [Música]