O presidente americano Donald Trump deu um ultimato de 48 horas para que o Irã chegue a um acordo sobre a liberação da navegação pelo estreito de Ormous e disse ainda que caso contrário, abre aspas vai desencadear o inferno sobre o país. Fecha aspas. Trump usou a rede social dele, a Truth Social, nesse sábado, para cobrar a liberação do corredor marítimo.
Na postagem, o presidente americano voltou a falar do prazo de 10 dias dado ao país do Oriente Médio. O texto diz o seguinte: abre aspas. Lembram quando dei ao Irã 10 dias para fazer um acordo ou abrir o estreito de Ormus?
O tempo está se esgotando, 48 horas antes que todo o inferno caia sobre eles. Fecha aspas. Otreito de Ormus é a rota marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo.
Dias depois de ameaçar retirar os Estados Unidos da OTAN, a organização do Tratado do Atlântico Norte, Donald Trump também usou as redes sociais para criticar os países do grupo, que chamou de abre aspas parceiro severamente enfraquecido e pouco confiável, fecha aspas. E ainda atacou o jornal da New York Times por um erro na sigla da UTAN. Nas palavras do presidente americano, abre aspas novamente o fracassado New York Times, cuja falta de credibilidade e seus constantes ataques de fake news ao seu presidente favorito, no caso ele, fizeram sua circulação despencar completamente.
Referiu-se ao nosso parceiro, entre aspas, como organização do Tratado da América do Norte. Fecha aspas. Ao falar sobre a economia, Trump comemorou a criação de 178.
000 1000 empregos em março. Ele destacou a queda de 55% no déficit comercial do país em fevereiro, pouco mais de 57 bilhões de dólares. Segundo Trump, essa marca foi alcançada graças à política tarifária implementada pelo atual governo.
E para falar sobre isso, eu chamo aqui ao News para conversar comigo o Fábio Andrade, que é cientista político da ISPM. Fábio, seja muito bem-vindo ao All News nesse sábado. É um prazer ter você aqui com a gente.
Boa tarde, Solar. Boa tarde, audiência. Eh, cada vez mais complexo o cenário que envolve a relação Trump e Estados Unidos.
Vamos tentar eh nessa tarde de sábado, véspera de Páscoa, sábado de aleluia, tentar analisar esse e outros problemas que afligem, né, a economia global e a política global. Me parece que o Trump, ô Fábio, tá desesperado para tentar acabar com a guerra agora, já que o Irã percebeu que essa guerra já tá provocando uma pressão sobre o presidente americano, já que ele tem aí uma eleição de meio de mandato esse ano. E aí, com essa pressão econômica, porque tá provocando um problema econômico mundial, ele agora quer acabar com a guerra.
o Irã percebeu e falou: "Olha, não vamos acabar com essa guerra agora, não. Vamos deixar ele ser ser pressionado, vamos de repente ajudar a derrubar o presidente americano". É, é uma estratégia, né?
Sim. É a estratégia de sobrevivência do Irã. Vamos lembrar.
Eh, isso e eh a própria questão da invasão do Irã ou de iniciar uma campanha militar no Irã eh div dividiu o Pentágono, né? não era uma questão consensual. Eh, analistas mais experientes eh do Pentágono eram contra essa operação porque conheciam a cultura iraniana que remete a uma cultura milenar, que remete à Pérsia, que remete à resistência, né?
Eh, e o a geografia nesse caso é importante. O local em que o Irã está, entre o Oriente e o a Europa, eh, o torna o local de interesse de diferentes potências globais em diferentes momentos do tempo. Então, eh, quem esteve no poder deaniano e a própria população iraniana, e essa e essa segunda parte é bem importante, eh, tem uma cultura de resistência, né?
Eh, me parece, e acho que a gente já tem algum tempo para poder consolidar isso, que os Estados Unidos acreditavam que fazer uma campanha no Irã seria tão simples quanto a campanha na Venezuela, né? eh não pensaram direito quais são eh eh quais eram essa cultura de resistência que caracteriza eh a sociedade, o poder eh iraniano. Eh eh eh desconsideraram a a questão da da guerra por sobrevivência, né?
Quem está no poder iraniano sabia que abrir mão não é uma simples abrir mão e vamos ver o que acontece no dia seguinte. O dia seguinte para quem está no Irã, era um dia seguinte de, na melhor das hipóteses, prisão eh e responsabilização muito dura. Então, eh é uma uma guerra também por sobrevivência das autoridades iranianas.
E aí, a despeito do desbalanço no poder militar, eh, o Irã parece que soube utilizar muito bem eh a estratégia de ter o domínio, mais uma vez a geografia importante do estreito de colocou uma pressão econômica sobre os Estados Unidos, mas não só, sobretudo sobre a Europa e sobre o preço internacional do petróleo, que trouxe a guerra para outros termos. Eh, ao longo do tempo e ao longo da semana a gente foi observando a capacidade do Irã, apesar de ter uma uma desestruturação e um dano muito grande dado o poderio bélico, seja dos Estados Unidos, seja de Israel, uma capacidade de danificar equipamentos e uma capacidade de ir ir bem na guerra que chama a atenção de diferentes analistas. Então, nesse momento do tempo, o Trump, mais do que desesperado, eh, Estolero, eu acredito que a gente pode, sendo bem popular aqui, eh, lembrar basicamente do desenho do Tom Jerry em um episódio específico que o Jerry tá muito acuado e o Tom, que é o gato mais forte, lê um livro que fala: "Não mexam com quem está muito acuado, porque quem está muito acuado pode mostrar uma força que não tinha mostrado anteriormente e tomou o gato vai para cima do J, isso dá muito mal, porque justamente ente o o rato mostra muita força, né?
Eh, e eu peço desculpas pela pela análise simples, né? Mas eu acredito que é isso. Eh, basicamente nesse momento em que o Irã se acabou se sentindo muito acuado, ele conseguiu mostrar uma força de sobrevivência que mesmo pros analistas que eram mais conservadores é surpreendente.
E hoje o Trump passa de certa forma um pouco de um, vamos usar um termo popular, um carão internacional por ter dado 10 dias, esses 10 dias não terem acontecidos agora dá 48 horas e é provável que nada aconteça nessas 48 horas. Então, eh, a situação do Trump nesse momento do tempo é como é que eu consigo liberar o estreito de Ormus sem eh sinalizar que, apesar do meu poder militar eu não fui capaz de domar os interesses iranianos. Esse é o grande desafio e a conta que não está fechando e que o Donald Trump tá apelando para cantar vitórias e eh efetivamente dizer eh que conseguiu grandes avanços para tentar encobrir eh o seu fracasso sem ser sem eh maiores delongas.
Ô Fábio, eh já ficou claro, acho que mais do que claro, que o Irã não é a Venezuela, não é o Afeganistão, não é o Iraque, né? a países que os Estados Unidos já atacaram, não só pelo poder bélico do Irã, mas também porque todo mundo sabia que o Irã tinha essa carta na manga diante da geopolítica mundial, que é o controle do estreito de Ormuz. E a partir do momento que ele é atacado e fecha o estreito de Ormus, ele provoca um problema econômico no mundo inteiro, inclusive nos Estados Unidos.
E aí os Estados Unidos não estão vivendo só com esse problema econômico também, eles estão vivendo agora também com as mortes dos militares que o Trump disse que não mandaria para o Irã durante essa guerra. 13 soldados até agora já morreram, dois caças foram abatidos, um dos pilotos foi resgatado, ele se rejetou, foi resgatado e o outro continua sendo procurado. E aí essa pressão, a partir do momento que você afeta cidadãos americanos nessa guerra, aumenta sobre o o Donald Trump, né?
Ele tava contando que os países da OTAN ajudariam os Estados Unidos a desbloquear o estreito de Ormus. E a OTAN falou assim: "Não, calma aí, não é bem assim. A gente não escolheu essa guerra, a gente é contra.
A Espanha deixou isso bem claro, né? A gente é contra ataques a civis e tudo mais. Então a gente não vai se envolver nisso não.
E aí o Trump ficou sozinho e agora ele tem uma missão aí de não prejudicar ainda mais a imagem dele, né? Sim. É, é bem isso.
Eh, vamos só e organizar um pouco mais. Eh, eh, como basicamente o Trump ele acabou fechando com uma Eu acredito que é isso, tá? eh com uma minoria eh eh dentro do Pentágono que acreditava que uma campanha no Irã poderia ser eh eh ter sucesso.
Eh, e é uma minoria dentro do Pentágono. Tanto é que uma das pessoas que saiu do Pentágono eh ainda no primeiro governo dele e agora é representante eh na ONU, era o principal vocalizador de uma campanha contra eh o INA. Mas além, eu diria o seguinte, avançando um pouco no que eu disse na na na primeira parte da resposta, eh teve uma uma certa um certo menosprepreso pela capacidade, a cultura da resistência do Irã, mas teve um outro menospeso, menospreso que o tempo tá tá passando e tá mostrando pra gente que é bem importante, que é a própria capacidade do Irã de resistência e e e mobilizar aparato bélico, mas também eh a desp respeito de no plano internacional sinalizar que nada está fazendo o apoio eh militar, eh o apoio eh econômico dado por China e Rússia, que são dois aliados bastante importantes do Irã.
Lembrar que o Irã recentemente entrou no Bricks. Eh, lembrar que o Irã eh era um dos principais fornecedores de petróleo paraa China, né? Eh, e tudo indica que basicamente, eh, a despeito de China e Rússia não terem no campo diplomático terem comprado uma defesa intransigente da soberania iraniana, tudo nos leva a crer que no âmbito geopolítico e no âmbito da segurança, eh, o suporte dado eh por Rússia eh e China é muito significativo, o que faz com que eh a diferença eh bélica que existe entre eh Estados Unidos e Irã, sobretudo quando esse jogo é jogado no território iraniano eh eh mude significativamente, né?
Fora a estratégia do próprio eh Irã, nesse caso, de exercer um controle muito rígido sobre o estreito de Ormus, que afeta o petróleo. E aí é importante a gente, como eh eh nossa audiência deve saber, mas acho que vale para quem não tá tão por dentro saber o seguinte: o petróleo é uma commodity. Quando a gente fala de uma commodity, a gente fala de um produto que, independente de eh peculiaridades locais, o preço é global.
Então eu vou comprar petróleo que não passa pelo estreito de Ormurso. Não importa o que acontece no estreito de Ormus vai afetar o preço. Então independente dos Estados Unidos de pouco dependerem do petróleo que passa pelo estreito de Orbus, as negociações internacionais seguem eh os impactos altamente impactados pela restrição de oferta daqueles 20% do petróleo mundial que passam pelo Orgus.
Então é um efeito potencializado, né? Eh, e nesse momento os Estados Unidos tentam de alguma forma diminuir o impacto eh sobre eh sobre a sua economia, sobre eh até mesmo eh a economia global, tentam eh não reconhecer uma derrota, não reconhecer precipitações, mas é aquela velha história, parece o o o equilibrista que tem muitas muitos pratos a girar e alguns pratos e é inevitável pensar que a partir de algum algum momento do tempo, alguns pratos vão cair. Eh, o problema do Donald Trump é que seja por questões políticas, porque tem uma eleição agora no meio do ano, seja pelos impactos globais, para ele é difícil dizer quais pratos vão cair.
Então ele tá numa situação muito, muito, muito delicada e dá 48 horas a mais de prazo, eh, ele corre o risco significativo de se não tomar uma medida muito dura após aos esses 48, essas 48 horas, ter que colher um descrédito que inviabilizem quase que de forma irremediável a sua palavra em nível internacional. Ла.