Então, eu trouxe aqui pra gente algo que vai acrescentar na nossa web, na nossa web conferência três, que é um pequeno vídeo que a gente vai assistir para que a gente possa dialogar a partir desses autores, né, que estão aqui para conversar com a gente e que a gente tem a honra de poder, né, eh, a felicidade, a festividade, como diria Antônio Bispo Santos, de poder estudar dentro da universidade intelectualidades Indígenas, eh, eh que operam, né, que que respondem à lógica ancestral das oralidades indígenas, do sistema de pensamento oral indígena, mas que também são doutores
da academia, intelectuais da academia, né, da produção de saber, de conhecimento científico acadêmico. Regiane, você quer falar alguma coisa? A sua mão tá levantada, fica à vontade. Bom, eh, qualquer coisa é só falar, tá? Gente, eu vou começar apresentando aqui pra gente, Né, a os nossos textos principais, né? A gente tem um texto do professor Gersen Banila, língua, educação e interculturalidade na perspectiva indígena, Banila, né? É localizado na cosmopercepção Bila. E também a gente tem um texto do Aíton Crenc que são caminhos para a cultura do bem viver. quando a gente eh vou apresentar um
pouquinho para vocês os nossos autores, porque isso é importante para que a gente possa Conhecê-los na, né, nas duas esferas do conhecimento, nas duas academias, né, que que esses autores, essas intelectualidades, pertencem. Então, a gente tem o professor Gersen Banila, que é filósofo, né, de graduação em filosofia, mestre e doutor em antropologia social. Ele é um intelectual, os dois são, né, de referência internacional sobre educação indígena. No caso do Gersen Banila, ele trabalha Gersen Luciano Banila, ele Trabalha eh dentro do campo da educação indígena e da educação escolar indígena. Vejam que não são sinônimos, tá?
Educação indígena é a educação fundamentada nos valores indígenas no localizados, tá, nas suas etnias, Naué, Baré. Eh, nesse caso aqui, Baniua, né, Cachinawá, Camayurá e a Nomame e aapiti, enfim, as mais de 300 eh e 90 eh as mais de 300 eh povos indígenas que a gente tem no Brasil. Então, ele trabalha com educação, Educação indígena, que é educação tradicional localizada, né? educação que responde a valores ancestrais, a cosmopercepção e que orienta os valores da educação escolar indígena, que é modalidade educacional da nossa educação institucionalizada. O professor Gersen Banila, ele é professor adjunto da Universidade
Federal do Amazonas. Eh, ele foi, perdão, até 2021 e hoje em dia ele é Professor adjunto, né, professor concursado efetivo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília aqui em Brasília. Minha gente, eu não perguntei. Alguém quer falar alguma coisa da disciplina? Tá tudo bem com vocês? Tá tudo bem com a disciplina? Com vocês eu sei que já tá tudo bem, mas se alguém tem alguma dúvida, alguma questão sobre a disciplina, sistematização também vocês fiquem à vontade para falar, tá bem? Sim. Não, não. Oi, Viviane, pode falar. Eh, já que a senhora falou sobre
a sistematização, será que no finalzinho da aula a senhora poderia dar só uma pincelada direitinho sobre o o que que a senhora eh quer que a gente faça assim, uma clareza melhor? Mas pode ser no finalzinho da aula. faça. Agora, antes de passar pro vídeo, a gente faz essa esse parênteses para ficar logo aqui no comecinho, eh, porque é importante, não tem problema nenhum, não. Só terminar a Apresentação dos autores, porque aí tem o propósito de trazer o vídeo, tá? E aí eu passo paraa sistematização, a gente assiste o vídeo e volta aqui pros slides
para trazer a teoria. Quem são os Ba, né? Jessen Banilwa. eh, baniu a informa o pertencimento étnico, o percimento cultural, pertencimento também da humanidade. Que humanidade, a que humanidade responde o Gersembania, né? Então, eh, a localização é na fronteira do Brasil com a Colômbia e Venezuela, né? Os territórios, né? Não são aldeias. Eu peguei isso aqui do do próprio texto, mas a gente fala em territórios indígenas, tá? são localizados à margem do rio Isana e os seus afluentes, né? Além de tudo, também existe território Banila, no alto eh no Alto Rio Negro, na fronteira com
a Guiana e na localidade urbana de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos, que é no norte eh do Amazonas, tá? Do Rio Amazonas e do Rio Negro. Bom, A gente tem eh como segundo autor aqui do nosso texto, nosso segundo material, o Aíton Crenc, né? O Ailton Crenc do material cinco que eu tô falando, tá gente? O Ailton Kenac também é graduado em filosofia. Olton Krenar é um ambientalista, poeta, intelectual, com livros publicados em 17 países. Ele é doutor em filosofia pela UFMG e ele é Dr. Onares Causa pela Universidade de Juiz de
Fora e Dr. Honoris Causa pela Universidade de Brasília. E ele compõe a nossa Academia Brasileira de Letras. O Atonc é um imortal da nossa Academia Brasileira de Letras. Eh, tem alguma pessoa me pedindo aqui para entrar. Bom, e ele é autor do nosso do nosso texto, eh, né, que vai falar sobre a ideia do bem viver, que é o que a gente vai levar aqui paraa nossa disciplina. O território Crenque fica no médio Rio Doce, em Minas Gerais, né, lá no Vale do Rio Doce, onde a Vale eh, matou, né, extinguiu a vida do rio
Doce e há alguns anos atrás no no rompimento da barragem, né, e é um lugar que historicamente é afetado pela mineração, pelas violentas invasões e expulsões dos territórios ancestrais Crenac e outros territórios, né? Eh, além disso, o os Crenac, né, o povo Crenc foi também eh violentamente assolado pela pelas violências da ditadura militar, da ditadura civil Militar. E o povo Crenc eh, há há 3s anos atrás recebeu o perdão, né, o pedido de perdão oficial do Estado brasileiro pela tentativa de genocídio do povo Crenc durante a ditadura militar. É daí que vem a humanidade do
Aíton Crenc. Que que eu tô querendo dizer com humanidade? Acho que eu já mencionei isso aqui em alguma vez e se eu não mencionei, minha gente, me desculpem. Eu tô com algumas disciplinas e algumas turmas, então às vezes eu Posso achar que eu falei aqui, mas talvez eu tenha falado em outra disciplina a partir de uma pergunta, né? Foi, se não foi aqui, o que aconteceu foi isso, foi a me perguntaram o que que eu tava querendo dizer com humanidades. Certa vez o Aíton Crenque tava conversando com Daniel Mundurucu, que também é, né, um filósofo,
escritor com mais de 30 livros publicados, doutor em filosofia, que a gente vai conhecer hoje aqui também no nosso vídeo. Eh, e ele Tava conversando, eh, dizendo da questão do nome, né, do quando ele fala, quando ele se intitula e se informa a Ilton Krenque, o que que ele tá querendo, opa, aqui já é o texto. O que que ele tá querendo dizer pra gente quando ele fala que ele é Aíton Crenc? O Aton Krenac tá querendo informar pra gente o pertencimento ontológico, o pertencimento eh humano, né? Quando a gente pensa racial, étnico, a gente,
na verdade tá Falando de referenciais que vão conformar, que vão informar a humanidade. Vou dar um exemplo para vocês antes da gente voltar aqui para Ilton Kenac. Vocês já viram, já ouviram falar, né? A gente tem histórias de desenho animado, tipo Mogly, né? o menino lobo. Eh, a gente a gente viu já e e de vez em quando na nossa história a gente ouve falar de crianças perdidas que sobrevivem na natureza, no meio da Floresta, enfim, vamos pensar num caso hipotético, né, de uma criança, um bebê, né, um recém-nascido. Tô falando hipotético porque não é
possível que um recém-nascido sobreviva sem a ajuda humana. Mas suponhamos que um bebê tenha sobrevivido criado por uma alcateia de lobos no meio da floresta sem nunca ter tido nenhum contato com nenhum ser humano ou nenhum elemento cultural humano. Esse bebê, ele de alguma maneira sobrevive entre lobos. Eh, e vamos dizer Que esse bebê, que essa criança foi encontrada com 9 anos de idade. Que que vocês imaginam dessa criança? Ela vai andar, né, nos quatro membros, ela vai comer carne crua, né? Ela vai, ela vai ter aprendido a caçar, ela vai eh ter comportamento de
lobo, né? E até aí, OK? Mas quando a gente tira essa criança desse contexto da floresta e coloca ela lá no meio da praça da cidade, a gente vai olhar para essa criança e Vai reconhecer a humanidade dela? Sim e não. Por quê? Sim, porque é um ser humano da espécie humana, da raça humana, né? Biologicamente ele pertence à raça humana. E ele, apesar de não de não ter sido civilizado em alguma cultura humana, ele é um sujeito de direitos, porque a gente tem Declaração Universal de Direitos Humanos. Então, ele é um ser humano no
sentido dos direitos. Mas aqui a humanidade ele responde: "Qual a noção de certo e errado, de ética e moral, do que pode, o que não pode, do limite relacional humano que esse que essa criança responde a nenhum. Qual a referência cultural de humanidade que essa criança tem? Nenhuma. O que é ser humano? Ser humano, porque a gente tem a dimensão biológica da nossa humanidade, mas a gente tem aquilo que nos eh eh que Nos constitui na humanização, né? aquilo que nos vai nos tornar humanos no sentido da dimensão da nossa humanidade, que vai além da
raça humana, da deliminação da raça humana biológica. Essa dimensão ela se dá, a gente viu lá no início da disciplina, nos processos de socialização, né, na relação com a cultura, mas ela compõe a nossa humanidade no sentido dos nossos valores, naquilo que é certo e errado. Cada um de nós aqui Partilha da mesma humanidade no sentido macro, uma vez que a gente tá na nossa mesma sociedade capitalista ocidental, né, majoritariamente fundada nos valores cristãos, responde, né, a a narrativa de origem da humanidade que vem da institucionalidade religiosa, das institucionalidades religiosas do cristianismo. A gente, isso
vai informar pra gente valores de sociedade. Ainda que legalmente a gente diga que a nossa Sociedade é laica, a gente tem a nossa narrativa de origem humana, ela vem do cristianismo, ela vem da história de Cristo majoritariamente, né, de maneira hegemônica. Eh, então a gente tá falando de uma ontologia. Quando a gente pensa em mito, quando a gente pensa nisso que foi esvaziado assim de valor, de valor simbólico, de conhecimento, de reconhecimento científico, que a gente Fala de folclore, de mitos, de lendas, de histórias, na verdade a gente tá falando de narrativas de origem que
vão informar humanidades. E é exatamente isso que o Ailton Krenac eh quer dizer quando ele fala que se dizer Aítlon Krenc tá informando a humanidade à qual ele pertence e pela qual ele responde. Então significa dizer que ele é um crenc, um humano crenc, um humano que descende do rio doce, um humano que vem da ancestralidade histórica, tá gente? Eu não tô falando de mito e folclore histórica que tá ligada ao território do Rio Doce, a história daquele território, as implicações que aquele território, tanto enquanto meio ambiente, enquanto território político, enquanto território cultural e que
vai informar para ele um comportamento no mundo, uma noção de mundo, uma noção de família, uma noção de certo e errado. E da mesma forma o Daniel Mundurucu, e a gente vai ouvir ele contar, e é muito bonita essa História que que narra a origem da humanidade mundurucu. Quando Daniel fala: "Eu sou Daniel Mundurucu", ele tá dizendo que ele responde a essa outra humanidade, Mundurucu. Quando eu digo que eu sou Daniela Barros, que que eu tô dizendo? Nada. não significa nada para vocês. A não ser que o meu sobrenome seja um sobrenome que tem um
lugar de poder histórico, que aí a gente, o máximo que a gente chega Em formar lugares de poder, né? Mas, mas a gente não tem esse pertencimento humano. A gente pertence a culturas maiores no sentido da nossa sociedade ocidental capitalista, que vai informar pra gente valores, né, eh eh éticos comuns. E a gente tem os nossos micro contextos que são familiares, que são religiosos da nossa dimensão da das espiritualidades, que vão formar os nossos valores morais, que vão constituir a nossa pluralidade, né? Mas Nessa camada mais micro, de maneira geral, a gente pertence à mesma
humanidade, né? Porque convivemos na no mesmo território social, né? Na mesma sociedade que responde à mesma lógica. E, infelizmente, daí nesse sentido, a nossa humanidade ela é capitalista, né? Ela é ela ela é capitalista, eh, de maneira geral. É daí que vem a lógica que a gente opera. Bom, eu vou trazer o vídeo pra gente, mas antes eu vou passar lá na Sistematização, eh, porque qual que é o propósito do vídeo, gente, enquanto eu vou pegando aqui a nossa sistematização, o nosso território brasileiro, ele é formado por centenas de povos originários, né? Ele é formado
por centenas, portanto, de compreensões de mundo, de perspectivas de mundo, de perspectivas de realidade, né, perspectivas de humanidades. E a gente não tem conhecimento. Quando a Gente tem a oportunidade de acessar um pensamento indígena, a gente acaba homogeneizando os povos originários e homogeneizando, homogeneizando essa pluriversalidade de humanidades. É claro que elas vão ter eh elementos, né, fundamentos em comum, mas elas não são a mesma, elas não respondem à mesma história, elas não respondem aos mesmos elementos civilizatórios. E é importante pra gente quando a gente pensa em povos originários, pensar Cosmopercepções, pensar em outras perspectivas de
mundo, de sociedade, de noção de família, da nossa própria humanidade, do certo e errado, a gente lembrar, né, que essa pluriversalidade de povos indígenas, de povos originários, ela existe e ela precisa ser respeitada na sua pluriversalidade. um um o sentido, né, de humanidade oapchana, não é o mesmo sentido de humanidade eh runicun, né? Então, a gente a gente Precisa conhecer chavantes. E aí o que eu pensei, né, com esse vídeo foi uma forma de, ainda que de maneira muito rápida, são 13 minutos de vídeo só, tá gente? Mas ainda que de maneira muito rápida, que
a gente possa minimamente entender, acessar a pluriversalidade de perspectivas dos povos originários. Então eu vou passar esse vídeo pra gente ter experiência mesmo comum, material comum de conhecimento, para que a gente possa voltar pros textos e aí sim olhar Os textos com essas referências, tá? Foi isso que eu pensei pra gente hoje, para os textos não ficarem também como algo muito utópico ou muito distante. É importante que a gente ouça vozes, veja pessoas, reconheça as diferenças e as aproximações entre elas para que a gente eh humanize também o nosso conhecimento acerca dos povos originários. Então,
bora lá paraa sistematização em 4 minutos. Vamos lá. Vou abrir aqui a aba para eu enxergar um pouquinho melhor Qual que é o objetivo da nossa sistematização. Praticar o raciocínio argumentativo e a escrita textual, escrever um texto a partir dos conceitos centrais abordados na disciplina sociedade, culturas, sustentabilidade e direitos humanos. O que que a gente precisa fazer? São duas, três instruções que a gente tem aqui. Elaborar um ensaio, que é um texto escrito em primeira pessoa sobre uma das opções abaixos. Aí a gente, vocês têm Que escolher entre a opção A1 ou A2, tá gente?
A primeira, como você compreende a relação entre sociedade, cultura, sustentabilidade e direitos humanos? Que é qual é a coerência entre esses eixos que organizam a nossa disciplina? Só um minutinho, gente. Minha garganta secou. Ou se você não quiser fazer algo assim tão geralzão, você pode escolher um dos temas abordados em uma das nossas unidades e dialogar, relacionar esse Tema com um texto de uma outra unidade. Então você pode pegar o material três e dialogar ele com o material sete, por exemplo, da nossa unidade e fazer um diálogo entre essados ou as duas propostas teóricas ou
colocar eles em contradição, né, em em eh argumentar um contra o outro, enfim, da forma como você quiser. Ensaio é um texto escrito em primeira pessoa com escrita livre e fluida que traduz uma reflexão crítica. Que que Isso quer dizer? Quer dizer, minha gente, que eu não estou interessada no engessamento acadêmico. Eu não quero que vocês pensem numa escrita de artigo. Eu não quero que vocês pensem numa escrita que tenha uma rigorosidade, linearidade, uma frieza acadêmica. Eu quero que vocês se coloquem, né, a opinião de vocês, a forma como determinado texto, determinado assunto tocou vocês,
que que relações vocês estabeleceram, usando, claro, as referências da Disciplina, porque a gente tá na academia, mas eu quero saber o pensamento de vocês. Por isso, um ensaio, é um texto livre escrito em primeira pessoa para vocês dizerem: "Eu senti assim, eu compreendi dessa forma, eu entendi desse jeito. Para mim, a relação entre esse texto e esse texto é essa. Não tem resposta certa. Eu não vou corrigir o trabalho de vocês procurando certo e errado. Eu vou e esse essa entrega desse texto é um exercício de Síntese de vocês, porque de maneira geral é o
que vocês vão levar para de memória da disciplina aquilo que vocês mesmos. E vocês vão poder me dar a oportunidade de entender como a disciplina fez ou não sentido para vocês. Alguma dúvida? Tá certinho? É isso. É um exercício de liberdade. E aí as regras que são importantes para mim são essas. Eu não quero que vocês Escrevam uma página. Eu quero que vocês pensem e escrevam. Então são três a quatro páginas de escrita, incluindo a referência bibliográfica, porque elas são dois textos, né, de maneira geral. Alguém levantou a mão para poder eh alguém tem alguma
dúvida? Pode falar, gente. >> Pode falar, Maria de Jesus. >> Eh, eu vou ser bem sincera. Essa matéria para mim é bem confusa, não faz muito sentido. Então eu tô com bastante Dificuldade para fazer esses textos. Porque >> por que que ela não tá fazendo sentido? >> É porque para mim, não sei, é porque é um assunto um pouco confuso para mim. E aí, >> mas o que que você tá sentindo confusão? É basicamente tudo, porque parece muito uma mistureba de autores filosóficos. Aí em relação à filosofia mesmo, eu não vejo muito sentido em filosofia,
então por isso que eu tô com um pouco de Dificuldade. >> Mas eu posso colocar isso mesmo tendo essa dificuldade, colocar minha sincera opinião ou eu tenho que >> Não, não é não é a sua opinião. A gente tá dentro da academia, né? Você pode dialogar, por exemplo, a gente viu o conceito de epistemicídio e hoje a gente vai ver o conceito de antropoceno. Você pode colocar esses dois conceitos em diálogo. Ou você pode então ir pela opção A, que é utilizando Dois textos de referência da disciplina, como é que você compreende a relação entre
sociedade, culturas, sustentabilidade e direitos humanos? Não é uma opinião de gostei e não gostei, né? é um texto reflexivo acadêmico. Então você vai me dizer se você eh entendeu que filosofia, né, que o pensamento filosófico não tem contribuição, por exemplo, paraa sua formação, você pode pegar e dizer por que que o o conceito de epistemicídio Não faz sentido? Por que que o conceito de sustentabilidade não faz sentido ou de cibercultura que a gente vai ver lá na última unidade, né? Por que que pensar em direitos humanos não agrega eh nada na sua formação ou >>
Ah, não, era isso. Era, eu queria só saber se eu posso realmente colocar nesses termos aí que você falou, se faz sentido essas coisas. Não, porque eu não tô perguntando para você se fez sentido. Sim, eu acho que Você pode se colocar sim, desde que também, né, a gente mantenha o limite do respeito e da da do da rigorosidade acadêmica. Isso sim, eu tô cobrando de vocês. Isso é para sistematização, Ivaneid, essa disciplina ela é ela é pensada paraa questão eh paraa questão da formação humana, do lado da formação humana que sustenta a nossa formação
profissional, tá? Esse é o objetivo da disciplina, né? eh diminuir, por Exemplo, eh perspectivas eh unilaterais de aprendizado, de posicionamento profissional, de relação humana, que é pautada muitas vezes por relações e eixos de poder, como racismo, né, como as divisões de gênero, aquilo que resulta na nossa sociedade em negação de direitos humanos que são garantidos em lei, mas que a maior parte das das pessoas não acessa na sua totalidade. Então, é nesse sentido quando para que que a gente tá aqui hoje pensando Pluriversalidade de povos originários. Porque entender povos indígenas como uma coisa hegemônica é
racismo. A gente se forma, né? a nossa sociedade nos tira a possibilidade de não nos formarmos, humanamente falando, né, dentro de uma dimensão, de um olhar, de uma percepção racista, justamente porque a gente não tem acesso. Então, essa disciplina ela vem eh atendendo uma orientação, uma diretriz curricular do Ministério da Educação. A gente tá aqui cumprindo lei, Né? A nossa disciplina, ela tá dentro de uma da interdisciplinaridade obrigatória da formação do curso de todo mundo e ela vem justamente para cumprir essa formação humana. Oi, Ana Paula. Ana Paula, você queria falar? >> Oi, professora. Quero
sim. Eh, só para eu entender bem, então essa explicação que você tava dando a respeito do exercício, você tava explicando o exercício que a gente vai vir a a fazer, que tá a gente tá aprendendo aqui as Aulas para cumprir com ele, que é a sistematização. Então, não é não é algo que a gente tem que enviar separado, é a própria sistematização, né? >> É a sistematização. Isso é um texto reflexivo que eu quero para que eu possa entender. Era isso que eu tava dizendo, Maria de Jesus. eh, para que eu possa entender a forma
como a disciplina tocou em vocês. Eu não é uma pergunta de se você concorda ou não com a disciplina, se vocês acharam que a disciplina fez ou Não sentido. é a forma como eu vou olhar, a minha intencionalidade pedagógica é a forma como eu vou perceber a leitura de a fazer a leitura de vocês, tentando entender se a disciplina fez ou não sentido, mas não é para você responder isso como se fosse uma pergunta, é para vocêar um um ensaio, um texto que seja um ensaio reflexivo, obedecendo aquelas aquelas orientações. Você você tá com alguma
dúvida ainda, Maria de Jesus? Não, não entendi. Era mais ou menos isso que eu queria saber, porque eu não consigo botar bem palavras quando eu vou falar. >> Não, mas tá certo, sem problema nenhum. Welha, >> oi, professora. >> Oi. >> Só para esclarecer esse texto aí que a senhora falou para elaborar. É a primeira parte lá de quatro linhas. É isso? >> Quatro páginas. na quatro páginas, desculpa, perdão, quatro páginas. >> Exato. >> Aí elaborar dessa forma. >> Isso uma escrita livre. Você não precisa se perguntar se assim tem que ter introdução, desenvolvimento, conclusão.
É uma escrita livre. Você pode ir escrevendo sem se preocupar com a linguagem acadêmica nesse sentido da estrutura rígida, porque ensaio é um texto acadêmico, é uma modalidade de Texto acadêmico, tá gente? É perfeito. Muito obrigado pelo esclarecimento. >> Nada, qualquer dúvida vocês podem me mandar mensagem também, a gente vai respondendo, tá? Gente, eu sei que a disciplina ela toca em lugares que tá tão fora da da nossa relação de conforto, do terreno conhecido, da maior parte de de nós aqui da turma, mas eh eh é um exercício de de estudo mesmo, né? Conhecer, estudar
é isso, é esse Deslocamento eh para que a gente possa conhecer outras perspectivas. A gente não precisa voltar nelas, se transformar nelas. Não é um trabalho de convencimento, é um trabalho de estudo. Estudar é conhecer, tá? A Tânia colocou aqui, a disciplina traz uma visão mais ampla e consciente sobre os desafios sociais, culturais e afins. Exato, né? Eh, é pra gente poder pensar e na nossa formação humana, que é a base da nossa formação profissional, né? Como eu Falei, todo mundo aqui na na defesa do TCC vai fazer um juramento, né? Esse juramento, ele é
um juramento ético que vai nos eh eh comprometer com o a função social das nossas formações, né? E é mais ou menos sobre isso que a gente tá tá olhando aqui, pensando nessa relação sociedade, cultura, sustentabilidade e direitos humanos. Então a gente vai entrar um pouquinho agora, minha gente, né, nessa dimensão. Eu quero que vocês percebam, o vídeo é bem gostoso de Assistir, tá gente? que são várias intelectualidades indígenas que vão partilhar com a gente perspectivas de narrativas de origem, né, perspectivas de humanidades, de sentidos de humanidades e de sociedades. E a única intenção desse
vídeo é que a gente perceba a diversidade, a pluriversalidade das compreensões de mundo, das perspectivas de mundo que eh que compõem, né, aquilo que a gente chama de Povos indígenas, povos originários. É só isso, tá gente? É para que a gente possa ter um conhecimento de maneira mais rápida dentro daquilo que a disciplina permite, dessa dessa pluriversalidade, tá? Eu vou colocar o play aqui e aí assim que o vídeo acabar a gente a gente Opa, o que que eu fiz que eu não dei play? A gente volta para entrar na Ah, eu tire Ah, tá
aqui. A gente volta para entrar No no nos textos. Percebam que são vários povos indígenas, tá gente? >> O povo mundurucu tem uma um um gradiente de mitos, de narrativas tradicionais, que que é muito grande, como todo o povo, né? As narrativas ancestrais elas elas servem exatamente para nos dar norte, né? para dizer quem a gente é nesse nesse complexo mundo que a gente vive, da onde a gente veio, o que que a gente faz nesse mundo, enfim, eh é para Isso que serve as histórias, é para isso que servem as narrativas em qualquer cultura,
isso não tem nada a ver com o povo mundurucu apenas, mas todos os povos do mundo inteiro criaram narrativas para poder estabelecer um sentido pra existência, né? as pessoas não indígenas, principalmente, eu percebo assim, os pesquisadores, eh, eles têm uma uma preocupação, né, pela literalidade do mito, que porque eles entendem assim só como uma parte eh, Fantasiosa, só como uma parte ou folclórica, só como uma parte mística, né? Mas na filosofia a gente sabe que os mitos são bases, né, para vários eh vários elementos morais, cívicos, né, eh de cidadania. Então, paraa gente indígena, né,
é a base eh moral do nosso do nosso ser, né? E os mitos eles informam isso e a gente transforma eles eh os mitos em em maneira de viver. O principal mito do meu povo é o mito que falam sobre a dualidade da alma guarani, Que para mim eu entendo que é uma metáfora. Você tem duas nuances dentro de você. Uma é animal, outra é humana. A vida ela é um jogo de você ficar o tempo todo e tentando equilibrar, né? E tem que conseguir equilibrar essa parte de você não se perder pra parte animal,
né? A parte animal, ela é simbolizada pela onça que come carne, é carne crua. Então, na prática, existem, eh, restrições alimentares, né, que, por exemplo, de que a gente não pode comer Carne crua, mas metaforicamente você não pode estar perto de consumir o sangue da pessoa, tipo um vampiro, digamos assim, né? Então, quando você vê a tristeza de uma pessoa ou a assim a miséria de um de uma situação, é proibido para gente espiritualmente, né? E eu digo espiritualmente, assim, filosoficamente, moralmente, de que a gente eh eh se aproveite disso, de que a gente, né,
consuma aquilo com como uma uma uma sensação assim de de não de não Compaixão por aquela situação. >> A nossa religiosidade é tá tá tá tá ligado também à natureza como os demais povos, né? Nós temos as máscaras sagradas, que são 22 máscaras que tem, cada um tem o nome dos pássaros e, né? Então ele ele tem os donos, né? É aquilo que é mais sagrado para nós. Além dessas máscaras, né? Tem outra que é que a gente chama de capa. É o espírito também dos peixes, né? a gente tem muito Essa ligação com os
peixes, com o rio. E e esse ritual ele é mais assim o espírito brincalhão, né? As mulheres podem brincar, pode dançar com os homens. Aí tem os cantos das mulheres, né? Quando as mulheres se rebelam também quando querem falar mal dos homens, né? Criticar os homens, né? a gente vai no pátio, canta e e ninguém pode contestar porque é é o ritual que está falando, não é a pessoa, né? Aí a gente pode criticar, a gente pode até denunciar Algumas coisas que não tá legal na aldeia, né, através dos nossos cantos, né? >> E um
do dos dos mitos que que é que existe em todos os povos é o mito da criação, né? Então, e justamente esse mito da criação, né, no povo guarani, ele se distingue muito de de dialeto para dialeto. Então, por exemplo, eh no meu no meu povo, né, Guarani Caiol tem um mito da criação, umá tem outro, né, e Niandeva tem outro. Então, e esse é um é Um mito, acho que a palavra não seria nem mito, né? Essa origem nossa, né? Ela é muito forte, ela é muito presente, né? Porque pra gente tem no guaranicaiuá
que, por exemplo, eh, o nosso Nianderuçu, né, que é o princípio, antes dele, né, tem outra outra outra força que ela não se distingue por gênero. Então, não é mulher e não é homem. povo Monuru acredita ter saído de um de um buraco, né, no fundo da terra. A gente vivia no Centro da terra e um dia e a gente encontrou um furo no céu e nós saímos, né, fomos saindo eh lentamente até que um dia um um tremor de terra aconteceu e esse buraco se fechou. E nesse movimento de sair, eh, e alguns outros
ficaram lá embaixo presos porque não conseguiram mais encontrar o tal buraco. E os que os que conseguiram sair, eles ficaram presos no mundo de fora. Esses que estão no mundo de fora, que somos nós, estamos buscando um jeito de encontrar o caminho De volta, não é? Então a gente e uma das coisas que se antes lá nesse nesse buraco ancestral, né, nesse lugar ancestral, a gente não morria, quando a gente saiu pro mundo de fora, a gente se viu limitado, viu o corpo da gente ficar enfraquecido e chegar à morte. E a gente foi entendendo
que morrer era uma forma da gente retornar para esse lugar ancestral. Um dos pontos mais importantes, né, da minha formação Foi ouvir a voz do meu avô, da minha avó, eh, naquele tempo que não tinha luz elétrica nas nossas aldeias e quando não tinha água encanada, por exemplo, e quando tudo era natural, né, e era possível você aprender, inclusive até mesmo a interpretar ah o tipo de luz o Caminho das Estrelas, que aliás de onde vem a nossa tradição, a dança da Ema, né, que nós chamamos de Kipaé, e ouvir também a as histórias dos
nossos antepassados, filosofia de vida, como eh você ser corajoso, como você enfrentar as dificuldades, como você se afirmar como um índio terena. Eu acho que o papel, né, desde desde quando a criança nasce, né, é uma questão assim muito forte que a gente tem, né, que é muito diferente da sociedade branca, é que todos, né, independente de ser criança, de ser eh idoso, todos têm um papel muito Importante, né? A criança ela é muito fundamental, né, dentro desse ciclo, né, ela tem uma uma sabedoria que é dela e que ao mesmo tempo ele é fundamental
nesse ciclo, porque a nossa educação ela é um ela é diferente, né? Ela é ela é o princípio, eu diria, da nossa educação, ela é toda oral. A gente aprende vendo, né, os nossos pais, os nossos asos nossos avós, né, do dia a dia. E não é uma coisa que é transmitida assim dentro de quatro paredes, né? >> Existe um um papel particular dos avós e das crianças no meu povo, porque a gente tem a a gente tem também muito forte a o que a gente chama de ancestralidade, né? A ancestralidade ela é informada, né,
pela memória. Então é a memória de como que era, de como que foi, de como que enfrentou cada problema. E essa memória quem traz pra gente são os mais velhos, são os avós, né? E a gente na nessa idade adulta a gente tem essa missão de passar para, né, pras crianças, né, mas Não de uma maneira assim eh tão dura, sabe? mas de uma maneira talvez mais lúdica, que é a linguagem da criança, né? Eh, essa essa essa transição de uma geração que tem uma sabedoria muito forte e de uma geração que vem e que
não consegue se realizar no mundo sem a sabedoria dos mais velhos. >> O papel da criança é ser criança, do velho é de ser velho. Gente que tá começando a experiência na vida e gente que tá no final dessa Experiência. que tem toda uma bagagem de ter passado pelos ritos, né, de canto, de sonhos, de pegar fruta, de caçar, de pescar. Então, na nossa sociedade, a gente não pergunta o que que você vai ser quando você crescer, porque ele tá no momento de aprender a fazer aquele barquinho, que material que ele vai usar eh brincar
com o barquinho quando é tempo de brincar com o barquinho. Então você faz rituais com as crianças, você não bate Na criança. Os pais não batem na criança porque eles falam que isso é muito ruim por dois motivos. Um pela hierarquia, ou você é mãe ou você é o pai, então você não pode respeitar. E outro pelo tamanho, ela é pequena, o pai e a mãe são grandes, como que eles vãoentar de igual para igual? Então, quando a criança tá muito sem limite, tem uma festa lá que é o Oió, que as crianças, principalmente os
meninos, Brigam entre si, tem o mesmo massa corporal e tal e lutam e se a gente tá em dores. Aí ele tem exato limite do do que ele tem que se portar no mundo. Nós precisamos que a criança seja plenamente criança, porque ela é a base do que virá depois, do jovem e precisa ser plenamente jovem, do adulto, que seja completamente adulto, né, e dos avós que surgirão, né, eh, posteriormente. Então, eh, cada etapa, a isso nós chamamos de Ritos de passagem, né? cada etapa de vida a gente vive plenamente ou a gente oferece condições
para que quem está vivendo aquela fase viva plenamente. Então, nesse sentido, a criança ela eh ela pode trafegar por todos os caminhos da comunidade, porque eh a ela é dada essa a esse esse esse poder, digamos, né, de ser criança plenamente. Portanto, a gente não briga, a gente não bate, a gente não xinga, a gente não maltrata, a gente cuida. Aí quando a gente cuida, Não precisa fazer nada disso. A gente tá atento, a gente observa, né? E é muito comum que, é claro, as crianças mundo não são santas, né? Não são anjinhos, elas são
crianças. >> Uhum. >> E cabe aos adultos dar orientação também para que essa infância dela seja bem vivida. Então, costumamos dizer inclusive lá que aos pais cabe a educação do corpo da criança. Os pais têm que educar o corpo eh delas, quer Dizer, educar eh na brincadeira, no jogo, na conversa. Eh, tem que acompanhar a criança na na nas tarefas diárias, né? Tem que ensinar as crianças a a nadar, a subir na árvore, não é? a pescar, mesmo que seja brincadeiras, jogos, né? Isso é educar o corpo delas, porque uma hora qualquer isso vai ser
necessário. E os avós educam o espírito da criança. Então, esse é o papel importante dos pais que educa o corpo e dos avós que educa a alma da criança. Educa a alma, novamente eu digo, é puxar o sentido, né? saber da onde a gente veio, que que a gente faz nesse mundo. A única maneira da gente ser feliz é vivendo plenamente o presente, né? E nós somos educados para vivermos o presente. >> O papel dos dos meus tuchaas, que são os mais velhos, né? É o papel justamente da respeitabilidade e do repassar o que é
o ser indígena, o que é o viver Indígena. Porque ser não é só falar, é viver, certo? E o principal papel das crianças é conviver com esses velhos, certo? É a gente trabalhar essas crianças, certo? sabendo que fazem parte desta semente verdadeira e dessa particularidade que é respeitar as quatro forças do universo, mas também preparar eles para que eles possam conviver e servir também a quem precisa e a quem carece, que são aqueles que não fazem fazem parte do seu convívio. Viver Indígena é nascer e se criar dentro de um povo indígena, como eu nasci
e me criei, certo? E saber respeitar os meus mais velhos, os meus jovens, as minhas crianças. E além disso, eh, nós sabermos que nós pertencemos a essas quatro forças da mãe natureza e que essas quatro forças da mãe natureza, ela rege não só o espaço da qual eu estou, mas ela rege o espaço universal como todo. A partir do momento que a gente eh repassa isso e respeita isso, a gente Consegue respeitar todas as culturas. Alguém quer fazer algum comentário, alguma coisa que chamou atenção? >> Oi, professora. Oi. >> Eu gostaria gostaria de falar que
para mim foi muito importante a maneira como eles falam, como eles vivem, porque se nós eh que não somos descendentes de índio ou talvez não somos índios, né, tivesse esse respeito com as pessoas, com as crianças, com os idosos, da forma Com que eles falam, com que eles vivem, talvez nossa sociedade seria bem mais organizada. bem mais coerente com aquilo que a gente pensa, com aquilo que a gente busca. Então, para mim, foi muito importante a forma com que eles abordaram esses tema assim do viver, né? Principalmente assim como Daniel fala que a forma de
ser feliz é viver o presente. Isso para mim marcou muito, foi muito importante. É isso. >> Eu te agradeço, El porque você tocou na No nos pontos eh centrais assim do sentido de humanidade que eu vejo nesse vídeo de humanidades, né? Eh, cada cada pertencimento, né? Assim, a gente tem Daniel Mundurucu, Fabiane Ava Guarani, Darlene Cura Bacairi, Grace Guarani Caioá, Marcos Terena, Severiá Carajá, Graciliana Cariri. A gente tem uma diversidade, ainda que pequena, né, no sentido da representatividade de perspectivas, né, de de do que é ser humano indígena pertencente, né, a uma Etnia, a a
uma humanidade identificada. Mas para todas elas a gente vai ver a centralidade do início e do fim, né, do ciclo da vida, que é a infância e a ancianidade. e que de fato na nossa perspectiva, na nossa cosmovisão, na nossa compreensão de mundo ocidental, né, não tem lugares tão relevantes na organização social como paraa maior parte dos povos indígenas e e não só dos povos originários. Se a gente for fazer essa Mesma eh estudo pensando em povos africanos, por exemplo, pensando nos povos, né, nas várias culturas eh e nas várias etnias, por exemplo, que compõem
o o país Índia, eh, a China, né, a gente vai ver que que em quase todas as as culturas eh em quase todos os povos, melhor dizendo, não ocidentalizados de fato, né, que não respondem integralmente à lógica do a nossa lógica. Eh, a infância e a ancianidade tem lugares centrais para o sustento da Do equilíbrio, da harmonia e daquilo que pode trazer vida em abundância para aquele povo. Então, eh, por exemplo, a gente tem, eh, ai, me fugiu agora. Deixa eu dar uma colada aqui que eu eu tenho um livro. Cadê o livrinho amarelo? Tem
tem eh não são os chavante, né? Eh, a gente vai ver que, por exemplo, dentro dos povos chavante, nas sociedades chavante, as crianças elas ocupam um lugar de Consulta exatamente igual ao lugar dos mais velhos. as crianças são ouvidas pelo pelo pela pelo eh coletivo do território nas tomadas de decisão importante, porque as crianças, como como eh acho que foi a a Fabiane Vacquarani que falou, né, a criança tem uma sabedoria própria que é reconhecida. Eu que sou pedagoga de formação, por exemplo, o que eu aprendo dentro do curso de pedagogia é que infância para
nossa sociedade, que É a sociedade ocidental, mas que se coloca de maneira hegemônica, né, invisibilizando, fazendo o epistemicídio, né, que a gente não consiga ver ou reconhecer essas outras humanidades. A, eu aprendi que infância é um conceito novo, que a infância só passou a ter lugar na sociedade há 150, 200 anos atrás, quando a consolidação da industrialização da aconteceu depois da revolução industrial, quando a gente Entra na época histórica da modernidade, é que começam a ter indícios da infância como um lugar social dentro da nossa sociedade. Isso é verdade. Isso não é mentira. Qual que
é a problemática disso? É que essa não é a única verdade. Isso é verdade para essa história hegemônica que se constitui a partir da colonização europeia. Porque a infância é um conceito novo para os povos do continente europeu, para os outros Povos, né, que os povos originários, os povos tribais, que a gente fala inclusive de maneira pejorativa, a infância sempre existiu e sempre foi um lugar central na organização social, na forma como vão organizar os lugares, as economias, a fluidez mesmo do cotidiano, né? Então, então a minha ideia de trazer esse vídeo era só essa
mesmo, assim, da gente perceber que existem outras formas de viver que são tão legítimas quanto as nossas, né? É, era apenas isso. E aí a Gente entra, então, muito obrigado pelos seus comentários. né? A gente entra aqui, vou entrar agora nos textos porque eu acho que aí assim a gente vai, a partir disso, a gente vai entender o que que significa dizer, vamos olhar a perspectiva bani paraa educação. Agora dá para entender o que que isso quer dizer, né? Que ela é bania, ela não é chavante, ela não é a vá guarani, ela é bania,
né? Então, eh, e o que que o professor Gersen Banila vai trazer pra Gente para pensar esses elementos que vão informar humanidade, né? Ele vai trazer um texto que se chama Língua, educação e interculturalidade na perspectiva indígena banil. E aí desse texto paraa nossa disciplina, né, para contrapor aquilo que a gente viu na nossa aula passada, que foi epistemicídio, pacto narcísico da branquitude, né, eh, pensar decolonialidade e um pouco de interseccionalidade. A proposta da interculturalidade, esse é o conceito dessa conceito destaque dessa nossa web conferência três, né? É que o Gersen Banil vai trazer pra
gente como uma proposta de caminho. Como que a gente faz então se eh essa essa nossa forma de viver a partir dessa linha retegemônica que comete epistemicídios com outros povos, né? Então, qual que qual que é a outra forma da gente viver que não seja essa epistemicida racista, né? Tudo isso que a gente já viu. E aí Ele vai trazer o caminho da interculturalidade. É isso que a gente vai ver hoje. Então, eh, o Gersen Banila, ele começa o texto trazendo pra gente o lugar da língua e da linguagem na formação humana. Por quê? Porque
também o sentido de educação é diferente do nosso aqui. Educação paraa gente é tudo aquilo que acontece dentro do ambiente institucional, né? Desde a pré-escola até o o pós-doutorado, né? ele acontece, a educação, o lugar da Educação na nossa sociedade, ela é institucionalizada, ou seja, ela tem normas, tem regras que são dadas de maneira vertical, né, dentro de uma institucionalidade e que a gente cumpre ao longo da nossa vida na nossa trajetória educativa, né? a, o ensino superior, a universidade, ela é uma escola, ela também tem diretrizes curriculares, ela tem as normativas, né? A nossa
disciplina tem uma normativa, tem uma série de normativas, né? Mas eu Tô falando assim, ela tem desde as normativas eh do que vão compor eh o caráter transdisciplinar para todos os cursos de vocês, que é um item obrigatório. O Ministério da Educação nos obriga a passar por esse caminho, mas também a nossa própria disciplina, ela tem uma ementa que responde a essa normatização, né? a ementa da disciplina, ela eh nos informa aquilo que é importante. E aí o sentido de educação aqui, Eh, vai dizer pra gente que a educação para outros contextos que não esse
nosso, eh, é o próprio processo de humanização, de constituição humana na cultura, de desenvolvimento, e que tanto nessa nesses outras formas de educar, de se constituir pessoa, quanto no nosso processo de educação, a língua e a linguagem ocupam lugares centrais, porque para qualquer ser humano que seja. A linguagem é o meio pelo qual os seres humanos se humanizam Entre si. A língua é o meio pelo qual se enraízam culturalmente e constituem humanidade. O que que isso quer dizer? Tem uma pesquisa muito legal, inclusive, eh, me fugiu o nome da pesquisadora agora, gente, perdão, mas é
uma pesquisadora inglesa. Depois se alguém quiser me lembre que eu coloco lá eh o trabalho pra gente. A nossa disciplina, inclusive, gente, tem uma quantidade enorme de material complementar que eu disponibilizo para vocês, tá? Para quem Gostar do conteúdo, quiser olhar outras coisas, vocês têm, tá, na mão de vocês já uma quantidade boa de material complementar. A, esse estudo, ele estuda o primeiro choro dos bebês no nascimento. O primeirinho, sabe aquele do tapinha que faz? Ah, então tem uma pesquisadora que ela foi mapeando dezenas de choros de culturas diferentes. E olha só, o timbre, né,
do som do primeiro choro do bebê quando ele nasce corresponde Ao timbre característico de cada língua no local do contexto de que cada bebê nasceu. Isso não é incrível? O que que isso quer dizer pra gente? quer dizer pra gente que desde antes do nascimento, a humanidade que se relaciona por meio da relação cultural, ela está sendo composta eh eh dentro da nossa formação biológica também. Se a gente for pensar, por exemplo, né, num processo de gestação, a Gente vai ver que a forma de gestação de uma mulher japonesa eh de Okinaua, não é a
mesma forma de gestação de uma mulher africana do Benim, por exemplo. São conceitos, né, são humanidades diferentes. uma humanidade, ela pode ser mais rigorosa no sentido eh mais limitada, né, ou mais organizada paraa rigidez da expressão corporal, por Exemplo. A outra pode ser organizada a partir de uma expansão da liberdade, né, do da consciência corporal, dos movimentos. o que a a gestação, né, o que a mãe, a gestante, eh, japonesa de Okinaua vai comer, aquilo que vai chegar para nutrir o bebê formação, também não são os mesmos elementos que a mãe, né, que uma outra
mãe em um outro lugar. E e a nossa alimentação, ela é cultural também, ela fornece pra gente os elementos, os nutrientes que a Gente precisa para compor a nossa humanidade neste território, neste modo de vida, nesta situação climática, nesta localização geográfica, né? Então, em alguns lugares a gente bebe mais água que em outros lugares. Isso tudo compõe a nossa humanidade. É isso que ele tá dizendo. E aquilo que vai ser referência pra gente sonora, de valor civilizatório, só pode ocorrer se a gente tiver linguagem. É por isso que o exemplo lá da criança lobo, eh,
não, a Gente não consegue pensar a que humanidade ela responde, porque ele não tem pertencimento cultural, porque ele não tá organizado, constituído numa linguagem identificada, numa cultura identificada. Então, a gente não consegue reconhecer a humanidade nesse sentido, né, da humanização que aquela criança, que valores aquela criança vai responder. E aí, se a língua, né, e a linguagem é o meio pelo qual a gente se torna humano Na dimensão da humanidade, eh, a palavra, então, na perspectiva banila, ela carrega energia. Então, ou seja, isso vai informar um valor de comportamento ético também. Se a palavra tem
uma dimensão sagrada, eu não posso sair banalizando, falando qualquer coisa que me vem à cabeça, dizendo coisas antes de pensar, utilizando palavras inadequadas nos ambientes inadequados ou ou trazendo palavras, acionando palavras que vão trazer, por exemplo, sentido Diferente daquilo que eu quero dizer ou trazer pra gente sentidos negativos nas intenções que eu tô colocando, né? maldizer alguém, usar mentira. Isso tudo vai ferir uma dimensão que pra ética banila, pra filosofia banila, eh eh fere o fundamento ético civilizatório, né? E na perspectiva banila, a linguagem, né, que é aquilo que vem permeado por símbolos, por significados,
por sentidos, eh, é justamente pela Dimensão sagrada, é aquilo que vai permitir com que as pessoas banilas se comuniquem no sentido de se integrar ao todo do universo. E é justamente por isso que na colonização, um dos primeiros instrumentos de poder da colonização é a colonização pela língua. justamente porque quando retira da gente a nossa o acesso à nossa língua materna, retira da gente a forma como a gente pensa, a forma como a gente se reconhece e a forma como a gente reconhece no Mundo. E quando se institui de maneira obrigatória uma outra língua, por
exemplo, o que foi que foi o processo de colonização dos povos originários, que é um processo epistemicida, né, que você eh tira, proíbe o uso da língua materna e institui a língua do colonizador, que é a nossa língua português brasileira hoje em dia. É, você tá obrigando aquela pessoa a romper com aquilo que orienta ela de maneira interna, né, na sua na sua no na sua subjetividade E para que ela comece a operar sobre outra lógica, sobre outra forma, outros valores civilizatórios. E isso, gente, né, antes de eu ler aqui esse trechinho, tá aqui porque
eu quero fazer a leitura dele. Antes de eu ler esse trechinho, né, isso eh vai traz pra gente problemas muito sérios, né, quando o Gersen Banilwa vai falar, ele vai chegar nisso ainda, né, da relação da educação indígena com a educação escolar indígena. Isso fere a Composição da humanidade, né, dos povos indígenas. Eu vou deixar isso para comentar depois, porque eu acho que tem um trechinho aqui que eu deixei no slide pra gente. Então, o Gessen Banil, ele vai dizer o seguinte: No campo da função político-pedagógica das línguas indígenas, todas elas na sua diversidade, eh
importa considerar os diferentes papéis de grupos sociais e de gênero. As mulheres, na perspectiva banila, tá Gente? são as guardiãs principais das línguas e culturas, principalmente na educação dos filhos, centrada basicamente no ensino das línguas, culturas, crenças e tradições. Nas aldeias e fora delas, é muito comum que as meninas sejam mais monolíngues na língua indígena do que os homens, ou seja, falem apenas a língua materna. É nesse sentido que as mulheres mães dão sentido transcendental à noção de mãe terra em referência ao território. Pois Assim como as mulheres mães são essenciais e vitais paraa continuidade
da vida, da etnia, da língua, da cultura e da identidade, o território, a terra é vital para a continuidade da vida humana e do cosmos. O que que ele tá dizendo aqui pra gente? Ele tá dizendo que na perspectiva do território banila, da cultura banila, da cosmopercepção banila, eh as mulheres elas são menos encorajadas a Aprender o português. Elas se mantém falantes unicamente da língua baniua. E os homens é que vão se tornar bilíngues, vão falar bua e vão falar português. E por que isso? Justamente pelo que eu acabei de falar aqui agora. Porque se
as mulheres é que geram a vida, é que gestam a vida, né? E é que eh são responsáveis pela criação da vida no sentido, né, de de trazer ao mundo e depois de educar de maneira mais direta. Eh, Elas não podem ser contaminadas por outra lógica, por outros valores, por outra compreensão de mundo que não o bani para que elas estejam íntegras no sentido da humanidade bani-a para que elas possam trazer ao mundo crianças bania. É isso que eles estão dizendo, que que o Jessen Banila tá dizendo aqui pra gente. E aí, antes de eu
entrar na interculturalidade, eu vou trazer a a problemática disso, né? Quando a gente tem a quando a escola chega no Brasil, Quando que a educação institucional chega no Brasil, qual é a nossa primeira lembrança de escola? Como é que se institui escola no Brasil? Alguém lembra? Isso todo mundo teve na escola. É aula de história. Vou dar uma dica, hein. 1537. >> Foram com jesuítas. >> Perfeito. Companhia de Jesus. Exatamente. A escola chega no Brasil 37 anos. E gente, 37 anos depois, lá em 1500, é tipo o a invasão colonial foi na Segunda, na terça-feira
chegaram os jesuítas, tá? Porque o tempo que levava as viagens de navio. Eh, então foi logo em seguida, quase junto, de maneira coincidente, que os jesuítas instituem a escola neste formato que a gente tem até hoje, tá gente? sala de aula com cadeiras em fila, o quadro na frente, eh a a composição de uma sala de aula eh é exatamente a mesma ainda hoje, 500 anos depois, mais de 500 anos depois, eh os jesuítas traz a a Portugal, né, envia a companhia de Jesus para o Brasil para colonizar, para dominar, para docilizar. Isso tá nos
documentos oficiais, tá gente? eh os povos indígenas, né? Eh, por meio de quê? Do ensino da língua, do ensino da cosmopercepção e do ensino da religião, que é a base da cosmovisão ocidental. Por que que eu tô falando cosmopercepção quando eu falo em povos originários e tô falando cosmovisão quando eu falo da gente ocidental? Tem uma socióloga eh nigeriana do povo Ibo que chama Oieronque Oyeum e ela vai trazer eh essa nesse livro aqui, tá até aqui do meu lado, nesse livro aqui, A invenção das mulheres, eh, construído o sentido africano para os discursos ocidentais
de gênero. ela vai trazer pra gente essa essa ideia, né, de que de fato a gente, a nossa percepção de mundo, a nossa forma de pensar de e dentro aqui do nosso ocidente, né, do sistema mundo Capitalista, ela é toda fundamentada na visão. E por isso a gente fala em cosmovisão, em percepção, em compreensão de mundo, visão de mundo. Por quê? Pensa no nosso racismo. Como que o nosso racismo ele se dá? a gente viu lá na web aula passada, ele é fenotípico, né? Ele vai se dar a partir da aparência, você reconhece a partir
dos olhos. A nossa percepção de classe, ela também se dá a partir dos olhos, daquilo que a gente vê. A nossa compreensão de mundo, ela é Materialista, né? Ela tá ligada àilo que os nossos olhos alcançam. A nossa relação de felicidade, ela tá diretamente ligada à nossa relação de consumo, de status social. Por quê? Porque é aquilo que alcança o nosso campo da visão majoritariamente, né? As redes sociais, a vida que a gente cria, né? É, é para quê? Para que seja visto. A nossa ideia de beleza, ela vem da onde? Você espera conhecer a
pessoa para saber se ela é bonita ou não, ou Você acha ela bonita quando você olha para ela? Ela também tá associada ao campo da visão. Então a oke oerumi, ela vai, oonque oumi, perdão, ela vai dizer pra gente que no mundo ocidental capitalista existe uma cosmovisão, que é uma visão de mundo. para todo o resto dos povos, né, ela e eles não têm cosmovisão, eles têm cosmopercepção, ou seja, existem outros sentidos que precisam ser acionados para que a compreensão de mundo possa ser eh eh Alcançada para que a percepção de mundo possa ser compreendida.
Então, existe o sentido, existe os sentimentos, existe o campo do invisível que é considerado, né, eh, como parte, por exemplo, né, a o a dimensão sagrada das palavras, que vai acionar energias, que vai acionar espiritualidades, que vai acionar valores morais, como por exemplo, eh, a Fabiane Avaguarani, que fala pra gente, né, que na perspectiva Avaguarani Eh, não é possível. Você você é proibido de tirar proveito de alguém que esteja numa situação de vulnerabilidade. Isso é é um valor intransponível, ético, intransponível, né? Então, existem outros sentidos que vão compor a relação, a formação social, a humanidade
Avar guarani. E por isso cosmopercepção, tá? Quando a educação chega, voltando lá nos jesuítas, ela chega como um instrumento colonizador pela língua, né? Colonialidade do ser, do saber e do poder. A gente viu isso também na nossa web passada. Quando ela chega, ela chega para compor essa dimensão da reorganização, da colonização, melhor dizendo, da humanidade dos povos indígenas aqui do território hoje brasileiro. Depois, né, com passados séculos, a nossa educação e ainda hoje é assim, ela é um lugar em disputa justamente porque a educação é o que forma a nossa Humanidade, seja ela institucional ou
não. E aí, a quando os povos indígenas, né, conquistam o direito da educação escolar indígena para que elas possam ser realizadas por escolas indígenas dentro dos territórios indígenas, por professores indígenas, essa escola eles estão reivindicando o direito de acesso à educação de qualidade de maneira equânime a qualquer um de nós aqui, porque também são cidadãos brasileiros. A gente não pode esquecer disso nunca, Embora povos autóctones são cidadãos brasileiros na dimensão dos direitos também. Eh, mas essa educação escolar indígena, ela não corresponde à perspectiva. Tudo bem? Obrigada, Ana Luía. Eh, ela corresponde, ela não corresponde à
compreensão de humanidade dos ciclos da vida que o Daniel Mundurucu, por exemplo, fala, né, que a criança precisa ser plenamente criança para que ela Possa ser plenamente jovem, para que ela possa ser plenamente adulto, para que ela possa ser plenamente velho, né? Tô falando nas palavras dele. Quando a escola chega, a escola torna obrigatório que a criança vá muito cedo à escola institucional, muito cedo paraa perspectiva mundurucu, por exemplo. No território mundurucu lá do Pará, tá um conflito enorme, porque finalmente a escola indígena foi instalada dentro do território, mas as crianças têm que ir Pra
escola muito antes do que a formação da humanidade mundurucu se dá. A formação da humanidade mundurucu, a criança passa a ser um ser humano mundurucu de maneira integral a partir dos 7 anos de idade. Mas na legislação brasileira a criança tem que estar na escola muito antes disso. Então, a criança tem acesso ao atravessamento linguístico, curricular, de organização de mundo que vem da institucionalidade da escola antes dela tá completamente Formada mundurucu. E isso começou a reverberar em juventudes não tão mandurucu assim, porque tem um atravessamento de outra de informações de outra humanidade que vem por
meio da escola. Então agora os mundurucu estão na justiça dizendo: "Nós queremos o direito à escola, a educação escolar indígena, mas que respeite a nossa forma, a nossa educação indígena". Então, que a criança só possa ir paraa escola depois que ela tiver Integralmente formada mundurucu para não atrapalhar o desenvolvimento humano da criança. Isso eh é um diálogo intercultural que é o que a o Gersen Banil propõe pra gente, né? ele vai dizer que na no processo de escolarização, né, dos estudantes Bil, ele vai dizer que a nossa ciência, que a ciência ocidental, induzantes indígenas de
maneira geral ao exercício do isolamento do ser humano do mundo e da natureza, ainda como ainda que como Estratégia metodológica. E isso provoca fundos, profundos dilemas existenciais, cosmológicos, epistêmicos, né, científicos aos indígenas que acreditam e sentem eh se sentem como membro inseparável da natureza cósmica. O que que ele tá dizendo com isso? A pergunta que a gente faz, que a gente eh conversou, acho que na nossa primeira web aula, né, que que fala dos ritos. Eh, para que que serve a formação de vocês? Para que que serve a nossa Formação profissional? Que ela serve para
nos trazer benefícios, né? melhores condições de vida, expansão do nosso conhecimento, melhores condições de vida paraas nossas gerações passadas, pros nossos pais, paraa nossa família ou paraa família que a gente venha a formar, pros nossos descendentes. Mas de maneira geral, a educação institucional é um caminho que a gente busca depois que ela que a gente ultrapassa a fase obrigatória para viver melhor, né? Mas ela é, a gente não pensa na dimensão do coletivo expandido. Por exemplo, eu não penso eh não faz parte da nossa formação institucional pensar como eu que tô me tornando filósofa, vou
colocar algo que não tem aqui no nosso curso, né? De que maneira a minha formação profissional em filosofia pode contribuir paraa melhoria da minha comunidade, da minha sociedade? A gente não tem o costume de pensar sobre isso. E é isso que o Gersen Banil tá dizendo, Que quando os estudantes indígenas acessam a educação que lhes é de direito, essa educação acaba rompendo com os valores civilizatório, educativos que tornam aqueles estudantes baniuas, chavantes, camurás, enfim. Então, eh, ao mesmo tempo, as pessoas indígenas não podem deixar de ter acesso à ciência, a educação, ao modo de pensar
e de construir conhecimento ocidental, porque é justamente essa lógica hegemônica que destrói e domina os Territórios indígenas há séculos, desde o início da colonização. Então, conhecer a forma de pensar ocidental é também uma maneira que os indígenas encontraram de se reorganizar nas suas defesas, né? Então, a gente, tanto que a gente vê eh hoje em dia, né, felizmente, a gente vê juízes indígenas, advogados, professores, médicos, enfim, ocupando lugares na nossa sociedade que podem trazer caminhos de diálogo para que também eh possa se organizar modos de Defesa para que a os povos originários não se extinguam
nesse processo tão avaçalador, que é o contato eh colonial, né, com da colonização. E a interculturalidade é esse caminho, né, que vem dos povos indígenas, que que permite pra gente, opa, não era isso, que que permite pra gente um caminho onde exista uma coexistência educativa. eu aprenda com você e você aprenda comigo de maneira que eu não deixe de ser eu mesma e nem Você deixe de ser você, mas que a gente entenda que o nosso modo de vida, apesar de diferente, não pode extinguir o do outro. A interculturalidade é isso, né? Ela vem questionar
a existência de um único centro, único e dominador de compreensão de mundo, né? Só existe essa forma de pensar a origem da humanidade. Só existe esse corpo de princípios éticos e morais que podem ser seguidos. Todo o resto tá errado. Deve ser banido ou deve ser dominado. Eh, deve ser Convertido, né? que é o que a intolerância religiosa faz hoje em dia na nossa sociedade. E a interculturalidade propõe o reconhecimento, né, dessa existência de pluriversos, de múltiplas compreensões de universo, eh como um encontro entre ciências e entre culturas que pode ser benéfico pros dois lados,
sem que nenhum deles se perca, que é em vez da gente considerar um conhecimento válido, uma humanidade válida e outras não, que foi O que a gente viu com Aníbal Kirano por exemplo, né, a interculturalidade propõe essa paridade epistemológica humana, esse essa horizontalidade no reconhecimento, né, da da das legitimidades humanas, intelectuais e que são possíveis, como por exemplo aqui é uma pitadinha dessa tentativa, né, no meio dos vários cursos que compõem aqui a nossa turma, a gente parar um pouquinho para pensar, entender, conhecer outros modos de vida. Isso não Significa que a gente vai ter
que abandonar a essência do nosso modo de vida, mas que talvez a gente possa repensar aonde o nosso modo de vida toca de maneira nociva esses outros modos de existir, né? Isso é de fato algo importante. E aí eu entro o Aíton Crenc aqui com a gente para falar da perspectiva, não só Crenc, mas de um conjunto de perspectivas indígenas que também não são só brasileiras. A gente vai ver aqui povos andinos, né? Esse Conceito de bem viver, ele vem da dos povos queua e dos povos aimará, lá da cordilheira dos Andes, eh, que chama
sumak causai, a gente vai ver depois, né, na língua ketchua. eh, mas que significa bem viver, que se aproxima muito, minha gente, do sentido que a gente vê de sustentabilidade aqui na nossa disciplina, eh, que é organizar a nossa vida de maneira que a gente possa, na relação com a natureza, tirar tudo aquilo que nos Permite, que nos é necessário para viver bem, sem que a gente tire essa possibilidade de viver bem, de relação de equilíbrio com a natureza, com a terra, né, das gerações. futuras, que é justamente o contrário do que a gente tá
fazendo agora, né? A gente tá cavando o fim do mundo paraas gerações futuras. A gente já tá vivendo esse início na nas crises, na na crise climática. Então esse conceito, né, como eu falei para vocês, ele é originário do quea, Dos povos que falam a língua que dos povos aimará, que são povos originários lá da cordilheira dos andes. E eh esse termo em ketchua, que chama sumak calsai, eh ele é uma expressão que vai nomear, que vai significar um modo de ser estar na Terra, no mundo, no planeta. Eh, e é um modo que tem
a ver com a cosmopercepção, aqui já coloquei errado, eh, a cosmopercepção constituída pela vida dessas pessoas que que existem de outras Formas, de outros modos de viver no mundo, mas que tem plena consciência que compartilham esse mundo com outras pessoas e outros povos. A gente compartilha o ar, a gente compartilha o uso da água, a gente compartilha a as riquezas e a as necessidades da natureza. A gente compartilha os oceanos, a gente compartilha os territórios. Não existe um planeta Terra para cada um, né? Existe um único planeta Terra onde todas e todos nós Existimos ao
mesmo tempo. Então, bem viver é uma proposta, né, que é uma proposta real, é uma proposta de coexistência pacífica equilibrada entre os povos e entre a natureza. E falando assim, pode até parecer uma utopia, tá gente? Mas a gente vive esses princípios do bem viver em muitos territórios e em muitos países, né? A gente eh a gente vai ver ideias de bem viver logo no próximo slide, se eu não me engano, a gente vai ver ideias de bem Viver que vão atravessar a a constituição, por exemplo, né, de países como a Bolívia, que reconhecem a
natureza como sujeito de direitos, né? E aqui dentro do território brasileiro, a gente tem nos territórios quilombolas, a gente tem, né, em povos e comunidades e territórios tradicionais de maneira geral também essa compreensão que contemplam os princípios do bem viver. O bem viver pode ser a difícil experiência De manter um equilíbrio entre o que nós podemos obter da vida, da natureza, e o que nós podemos devolver paraa natureza. é um equilíbrio, um balanço muito sensível e não é uma coisa que a gente acessa por uma decisão pessoal. Ou seja, bem viver é um movimento coletivo,
um modo de viver coletivo de de um povo, de uma sociedade, né, que tem que tomar essa decisão de bemviver. O bemviver não é uma utopia, como eu falei, né? é um princípio civilizatório, Uma proposta de mundo e que tá, por exemplo, na Constituição do Equador, na Constituição da Bolívia, que, como eu acabei de falar, reconhece os direitos da natureza, a natureza como sujeitos de direitos, né? O Aílton Kren vai dizer pra gente o seguinte aqui, pra gente ir fechando, né? Nós não somos alguém que age de fora, nós somos corpos que estão dentro da
biosfera da Terra, não tem fora da Terra, né? Quando a gente joga, vai, onde você vai jogar o lixo? Vou Jogar o lixo fora. Fora da onde? Fora da sua casa. Porque fora da Terra não dá. Você continua colocando o seu lixo no planeta, né? Eh, é maravilhoso porque ao mesmo tempo em que somos dentro desse organismo, nós podemos pensar junto com ele, que é o planeta, tá? ouvir ele, aprender com ele, é uma troca de verdade. Não é você incidir sobre o corpo da terra, ou seja, a terra não, a natureza não tá a
serviço do bem-estar humano. O ser humano é que compõe o todo Da natureza, né? Bemviver é uma proposta de relação, de equilíbrio profundo entre todas as formas existentes de vidas, as humanas e as não humanas. Eh, pode parecer meio meio maluco, né? Gente, eu vou trazer aqui, gente, em 10 minutinhos só o nosso segundo texto, porque ele vem trazer o o continuidade lá da decolonialidade, mas que pega esse diálogo aqui um pouquinho, que é o texto colonialismo plantation e antropoceno, que vai falar desse outro Lado que a gente já sabe e por isso a gente
não necessita uma leitura rápida desse texto. Ele ele é muito fluido, ela já é suficiente para vocês fazerem uma boa prova. O que que esse texto vai dizer pra gente? que a nossa forma de vida, que é ainda colonial, que trabalha na loja, na lógica da plantation, que era o modo de de organização agrária escravocrata lá dos Estados Unidos, mas que pra gente aqui agora, né, nesse momento, se transfere para o agro, né, As monoculturas, a soja, eh, a carne, né, o boi, eh, o milho, o arroz, enfim, que ocupam, tiram toda a diversidade, a
biodiversidade de um território. e ocupam esse território com uma única forma de cultivo. E isso traz uma devastação da perspectiva da natureza pro território, porque justamente mata a pluriversalidade, né, a diversidade da vida nos territórios e a forma como isso se organiza no antropoceno. O que que é o antropoceno? antropoceno é a forma de Compreensão dessa era geológica nossa aqui, né, da no nos tempos do da história do planeta, a gente já viveu outras eras geológicas. A gente tá vivendo agora no tempo, na era do antropoceno, que é o quê? A maior eh, a ação
humana é aquilo que mais marca a organização, a vida do planeta, as transformações do planeta. por exemplo, a o aquecimento global, a crise clim, as crises climáticas, né, as intoxicações, né, os envenenamentos. Todo mundo aqui Já tem plástico na cabeça, viu, gente? A gente tá composto por micropartículas de plástico. Eh, 99% da população mundial tem algum alguma quantidade relevante, identificável de microplástico no seu corpo hoje em dia, né? e que vem entre outras coisas, né, das garrafas, do dos dos do uso de plásticos, das nossas duplears, enfim. Eh, a gente também tem intoxicações, né, eh,
inclusive de populações inteiras, os Mundurucu, né, do Daniel Mundurucu, por exemplo, são completamente devastados pela contaminação de mercúrio, que vem da da mineração ilegal nos territórios indígenas. a gente viu no em 2022, se eu não me engano, né, a gente viu a situação de emergência, né, de no na violação de direitos humanos dos povos e anomame, por exemplo, que estavam adoecidos e e devastados e em situação de fome, muitos territórios, muitos povos ianomame dentro do território Anomame isolados por garimpeiros ilegais, enfim. Então, o antropoceno é essa era geológica atual nossa, né? E que eh a
dona Harway, que que compõe esse texto nosso, eh fala que na verdade a gente além dessa dimensão da ação humana, o que caracteriza o antropoceno é o planteoceno. Gente, isso não é importante paraa prova, tá gente? É só pra gente conhecer. eh que é marcado para além do controle da Terra, do controle dos territórios, do controle da natureza, também o controle sobre os nossos corpos, né? tanto a partir dos padrões de beleza, a gente já teve, por exemplo, e tá voltando, né, uma onda onde a beleza feminina ela é algo relacionado a uma magreza excessiva.
Eh, a gente tem as discussões acerca e hoje foi um dia extremamente importante, eh, e na minha opinião muito triste pra história brasileira e pras infâncias das Meninas brasileiras, eh, em relação, por exemplo, a a às questões, né, da legalização do aborto na nas situações de violência, né, eh, das violações, né, das infâncias, enfim. Então, a dona a dona Harway, ela vai trazer pra gente essa ideia de que a gente enquanto sociedade, enquanto humanidade, né, no planeta de maneira geral, a gente continua se comportando de maneira colonizadora e por isso ela fala em planteationoceno, né?
Eh, aqui para Repetir, para reforçar esse conceito do antropoceno, que é eh emerge como um acontecimento que remete à depredação, à produção da morte na Terra, que é o que a gente faz. A gente extingue rios, extingue vidas, extingue territórios, extingue culturas, a gente extingue tudo, né? Eh, extingue nossa saúde, eh, e da diversidade de entes que nela convivem e coexistem. Porque a natureza, gente, ela tem a sabedoria da própria natureza. A natureza sempre existiu. A Natureza, ela não trabalha contra si mesmo. A única vida na natureza que produz contra si mesmo é a vida
humana. Nenhuma outra forma de vida no planeta trabalha contra si mesmo. Muito pelo contrário, vive em harmonia, em relação com as outras formas de vida, de modo que aquela relação produz continuidade de condições de vida. A única espécie que produz com eh eh condições de morte, de extinção, somos nós, os seres humanos, né? e por isso é antropoceno. Isso relacionando para fechar agora, né, com os conceitos de colonialidade e modernidade que a gente viu antes. Então o texto vai dizer que a gente replica esses esse eh as os eixos, né, de dominação do colonialismo transformando
incolonialidades. mesma forma, né, como eh o texto vai informar no controle dos corpos, ele pega o exemplo das mulheres, mas não só, a gente controla todos os corpos na nossa sociedade, tá gente? E é isso, né? Além, além do que a gente fala na relação, quando a gente pensa em sustentabilidade, quando a gente pensa em modos de vida, em respeitar pluriversalidade, a gente está falando de todas as opressões que se interseccionam, né? Quando a gente pensa em raça, gênero e classe, a gente a gente pode expandir isso também para pensar na relação entre povos, na
relação entre culturas, né? O que a gente faz, por exemplo, né? E o Que a gente fez historicamente com as mulheres indígenas no Brasil, com as infâncias indígenas no Brasil, que é aqui o tema da nossa web conferência de hoje, né? Então, eh, e tudo que é mono, né? tudo que vem de maneira totalitarista. Uma única forma de ver o mundo, uma única forma de produzir, uma única forma de educar, uma única forma de ser mulher, uma única forma de ser família, uma única forma, tudo isso promove a pagamento de outras eh formas De existência
que são tão legítimas quanto eh as outras, né? Então essa relação ela se dá quando a gente só tem uma via para olhar o mundo, a gente se torna totalitarista no sentido de que a gente deixa de reconhecer que esse mesmo direito de existir, ele não é exclusivo do nosso modo de viver. Era mais ou menos isso que eu tinha pensado pra gente hoje, né? Espero que vocês tenham gostado, se fez ou não sentido. Se alguém quiser falar alguma coisa, eh, tô Sumindo aqui da tela. Mas os textos são por aí. Eu sugiro que vocês
deem uma olhada nos textos, gente, eh, para ir acompanhando o conteúdo mesmo como forma de estudo. Eh, e para que vocês possam se preparar bem paraa prova, a gente tem lá ao final um encontro que é uma Obrigada, gente, pelas palminhas. Eh, que é uma eh uma revisão que eu faço aqui daquilo que tem mais probabilidade de cair na prova, tá? Mas ainda assim é importante que vocês Leiam o texto, viu minha gente? >> Professora, só queria tirar uma dúvida. >> Pode falar. >> Eh, na avaliação, terá terá duas questões subjetivas ou não? A senhora
sabe informar? >> Você tá falando na na avaliação >> presencial. >> Avaliação presencial são 10 questões objetivas. Então tem terá duas questões subjetivas. A senhora sabe informar, Willam? Eh, a gente de fato teve mudanças na proposta da elaboração. Eu vou fazer o seguinte, eu agora nesse momento eu tô com receio de estar confundindo com outra disciplina, porque como eu dou aula para vários cursos, tem vários modelos de avaliação presencial. Eu vou confirmar direitinho e coloco lá no mural pra gente eh o o formato da avaliação presencial no mural de avisos da nossa disciplina. Eu faço
isso até amanhã, tá bem? Professora, agradeço. Obrigada. >> Tá joia. Obrigada a vocês, minha gente. Eu vou parando a gravação por aqui. Muito obrigada mais uma vez. A gente se encontra na nossa web conferência 4, hein, gente, para fechar a disciplina. Yeah.