Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, Quaresma é tempo de perdão, e o Evangelho de hoje [se] inicia com uma pergunta de São Pedro [sobre] o quanto nós temos de perdoar.
Pois bem, Jesus responde que o perdão é ilimitado. Por quê? Aí Ele conta uma parábola e conta uma parábola para recordar o perdão ilimitado que nós recebemos de Deus.
A parábola contada por Jesus fala de um servo que contraiu uma dívida impagável. É uma quantia absurda. A gente fica até imaginando como esse sujeito conseguiu contrair uma dívida tão grande.
Ou seja: seria humanamente impossível esse servo pagar essa dívida. O patrão dá ordem para que ele seja levado à prisão. Ele clama por misericórdia e recebe a misericórdia; mas, ato contínuo, esquecido da misericórdia que recebeu, ele começa a cobrar ninharias dos outros.
Aqui está o quadro psicológico e espiritual da pessoa que não quer perdoar. Se você tem dificuldade de perdoar aos outros, é porque você está esquecido da imensa misericórdia que recebeu. De forma geral, as pessoas que têm dificuldade de perdoar são racionais, ficam fazendo cálculos: “Dois mais dois é igual a quatro.
Se você me deve quatro, não venha agora me dizer que vai pagar somente três! Eu sou verdadeiro, eu gosto da verdade. Isso que está aqui está errado: você está me devendo!
” Com esse tipo de raciocínio, com esse tipo de pensamento, a pessoa fica prisioneira daquela dívida: “Você me deve, e eu, obcecado, não consigo sair desse círculo vicioso”. Jesus quebra esse círculo vicioso arrancando as vendas dos olhos e dizendo: “Você foi perdoado infinitamente. A dívida que você tinha para com Deus era impagável, e você foi objeto da mais extraordinária, infinita e grandiosa misericórdia de Deus”.
Se você recebeu tanto perdão, saia desse círculo vicioso do cálculo das ninharias porque isso que você sofreu, essa injustiça que você sofreu da pessoa que o ofendeu é verdadeira, mas é um nada diante das ofensas que você cometeu contra Deus, das quais você foi plena e absolutamente perdoado. O Evangelho de hoje nos ensina então a viver o Pai-nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, ou seja, não recebe verdadeiramente o perdão de todo coração, com toda a alma, aquele que se esquece desse perdão. Se você foi perdoado, o seu coração deve se recordar desse perdão, e o seu coração deve ser tomado de gratidão e, por gratidão, ao ver as ofensas, ao ver as injustiças que são feitas contra você, poder dizer: “Puxa, que oportunidade extraordinária de amar Jesus!
Ele me perdoou tanto, que agora eu posso perdoar por amor a Ele”, não por amor ao ofensor, não necessariamente por aquela pessoa, [mas] por amor ao Cristo. Chegar e dizer: “Jesus, esse sujeito não merece o meu perdão, mas você merece, Jesus e, por amor a você, por amor a você, Jesus, eu vou perdoar”. Vamos lá, vamos fazer aquilo que Deus espera de nós.
Deus espera de nós um coração agradecido, um coração que se recorde. Aqui, o problema do mau servo, o servo mesquinho e mal agradecido, é um problema de memória: nós nos esquecemos do amor e do perdão recebidos de Deus; mas, se nos recordarmos, brotará a gratidão e será fácil perdoar porque fomos perdoados. Deus abençoe você.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.