[Música] Olá, colegas. Sejam muito bem-vindos a esta formação, ou melhor, a este espaço de troca, escuta construção coletiva. É um prazer imenso estar aqui com vocês neste momento tão especial.
E logo adianto, esta formação não traz receitas prontas. Aliás, não temos, não é verdade? Ela parte do que vocês já fazem com competência para ampliar repertórios, provocar reflexões, OK?
Porque a prática pedagógica está sempre em movimento e tudo que é vivo pode e deve ser transformado. Aliás, já dizia Paulo Freire, né? Ensinar exige risco e aceitação do novo.
E é com essa disposição que eu te convido para que a gente possa nos encontrar aqui ao longo, né, de alguns dias nesse espaço tão riquíssimo. Eu sou a professora Vanessa. A minha jornada começou lá na pedagogia, seguiu por diferentes áreas, como gestão da qualidade, eh ensino à distância, tecnologias educacionais.
Eu atuei como professora, coordenadora, formadora de professores, gestora de projetos, tanto em redes públicas, eh, como em privadas. E hoje eu faço parte do time da equipe da FAEM, colaborando com os programas de formação continuada para professores. E sabe qual o mais importante de tudo isso?
Eu sigo sendo professora, aprendendo a cada encontro, a cada desafio, a cada aula. E antes de começarmos, de fato, eu quero propor uma estratégia que pode parecer simples, mas é extremamente potente. Aliás, eu tenho certeza aí que você do outro lado já deve ter usado, mas pode ser que não com essa nomenclatura, porque eu estou me referindo ao bilhete de entrada.
O bilhete de entrada, basicamente, gente, é uma pergunta rápida feita no início da aula. Ela pode acessar conhecimentos prévios, despertar a curiosidade ou mesmo gerar engajamento logo de cara, né? Ela é uma provocação.
Ela pode ser usada em qualquer área. Vai língua portuguesa. Pode ser, por exemplo, qual foi o texto mais marcante que você leu na vida?
Em matemática você já teve que usar eh porcentagem sem perceber? Enfim, o bilhete ele pode ser escrito em papel, no caderno, na lousa, no moral, no Google Forms, no Padlet ou até oralmente. O importante é que ele convide a escuta, a participação.
E hoje a pergunta que eu proponho para o nosso bilhete de entrada é a seguinte: se eu pudesse transformar uma prática que repito no automático, qual seria? Hum, essa pergunta não precisa ser respondida agora, tudo bem? Você pode ir pensando enquanto a gente vai refletindo juntos aqui durante o nosso encontro, perfeito?
Porque para dar o nosso próximo passo, vamos falar sobre uma das tarefas mais presentes e mais desafiadoras na rotina docente. E eu estou me referindo ao planejamento, gente, por planejar é uma parte fundamental da docência e nós sabemos disso. Mas planejar não é só preencher uma planilha.
Planejar é escolher o que ensinar, como ensinar, para quem, com que propósito. Libânio já afirmava que planejar não é engessar a prática, mas orientá-la com consciência, né? Pensa num exemplo real.
H, digamos que uma professora de língua portuguesa estava enfrentando resistência na produção de textos. Em vez de insistir na sequência tradicional, ela propôs que os alunos escrevessem cartas para si mesmos no futuro. O engajamento foi imediato.
Depois ela retomou os conteúdos formais, mas já com os alunos motivados. Isso é planejamento com escuta. É a partir da realidade, mas com intenção pedagógica.
É saber que o plano é um leme, não uma âncora. E, aliás, pessoal, falando de planejamento, logo pensamos, planejar para quê? Para ensinar, tá?
Mas o que é ensinar afinal? E Paulo Freire já nos lembrava: "Não há ensino sem aprendizagem. Ensinar é criar possibilidades para a produção do saber.
Ensinar, então, é mais do que explicar conteúdo, é construir pontes, é estabelecer vínculos entre o conhecimento e a vida, né? Uma professora de ciências, por exemplo, do sétimo ano, percebeu que seus alunos eh se desconectavam diante de aulas expositivas, mas ao conversar informalmente eles mostravam curiosidade por temas como saúde mental, alimentação, eh corpo humano. E ela reorganizou o planejamento.
Ela começou a partir das perguntas dos próprios alunos, é, conectando os conteúdos aquilo que fazia sentido para eles. E os resultados apareceram, mais participação, mais perguntas, mais envolvimento. Por quê?
Ensinar com vínculo é isso, é não perder o conteúdo, mas fazer dele um caminho de aproximação com o aluno. OK? Bom, pessoal, e se ensinar é escutar e acompanhar?
Opa, avaliar também precisa fazer parte dessa escuta, não é verdade? Cipriano? Ele nos provoca ao dizer que avaliar é um ato amoroso, se feito para ajudar o educando a crescer.
Quantas vezes usamos a avaliação apenas como termômetro, como filtro, como punição, mas ela pode ser muito mais. Pode ser diálogo, pode ser ajuste, pode ser reconhecimento. Já experimentou fazer uma roda de conversa no fim de um ciclo de aulas e perguntar: "O que vocês mais aprenderam?
O que ainda está difícil? Isso é avaliação formativa. Já pensou em pedir aos alunos que escrevam postite o que levaram da aula?
Tudo isso é dado, é escuta e nos ajuda a planejar melhor. Avaliar não é só corrigir, é cuidar do processo, é acompanhar. E quando falamos em reavaliar, repensar, replanejar, falamos também de inovação.
a se inovar como em meio a tantos desafios, professora. Bom, Eloía Luck, ela afirma que a inovação começa com atitude diante do cotidiano escolar. Isso quer dizer que não é preciso ter recursos extraordinários para inovar.
Basta ter um olhar atento, uma escuta aberta, disposição para experimentar. Digamos que um professor de história é propôs que os alunos criassem perfis de figuras históricas, como se fossem redes sociais. Um professor de matemática que organizou a turma em duplas para criar jogos com perguntas sobre frações.
Não houve gasto, só intenção. Inovar é fazer diferente, com sentido, é sair do automático, é propor uma aula em que o aluno se sinta parte da construção do saber, independente da temática que está sendo utilizada. E por falar em inovação, pessoal, eu quero compartilhar com vocês uma experiência brasileira que ganhou o mundo e que começou de uma forma muito simples.
Tem uma professora chamada Débora Garofalo, de uma rede municipal aqui de São Paulo, que iniciou um projeto de robótica com o sucata. coletando material reciclável das ruas com os alunos, passou a ensinar ciência, cidadania, sustentabilidade e engajamento. E esse projeto ele foi reconhecido mundialmente, mas o mais importante não foi o título, e sim a mudança no cotidiano escolar.
Os alunos eles passaram a frequentar mais as aulas, os episódios de indisciplina caíram, a comunidade eh se envolveu, né? A Débora, ela não tinha laboratório de última geração. Ela começou com escuta, com intencionalidade, com criatividade.
E essa história nos inspira não porque ela deve ser copiada, mas porque ela nos mostra que é possível fazer diferente com o que temos à mão, não é verdade, gente? Bom, turma, depois de tantas ideias, vale a pena organizar, visualizar, não é verdade, os pontos centrais aqui desta nossa conversa de hoje. Vamos retomar juntos os principais pontos que exploramos neste nosso primeiro encontro.
Então, falamos de planejamento, mas como ação intencional, flexível. Falamos também de ensino como processo de escuta, vínculo, mediação. Falamos também de avaliação, mas como prática de cuidado, acompanhamento.
Ã, que mais? Falamos de inovação com atitude frente à realidade. E, se possível, recomendo que você visualize agora o mapa mental com estes quatro eixos ou até crie o seu próprio mapa conectando esses elementos com o quê?
Com a sua prática. OK? Bom, pessoal, e agora que percorremos juntos tantos aspectos importantes da nossa prática docente, eu quero te convidar a voltar, sabe aquela pergunta que nós abrimos lá no começo, nosso bilhete de entrada.
Vocês lembram qual foram, qual foi a pergunta mesmo? Hum, hum. Se eu pudesse transformar uma prática que repito no automático, qual seria?
Bom, talvez você tenha pensado em algo como: "Eu sempre começo minhas aulas da mesma forma e isso já não engaja mais. Ã, ou eu costumo usar o mesmo tipo de avaliação, mesmo sabendo que não funciona também. ou eu repito atividades porque sei que funcionam, mas percebo que elas não desafiam os alunos como poderiam ou enfim, são exemplos comuns, legítimos, gente, porque o mais importante é que a pergunta é nos faz parar e refletir com intenção.
E agora eu quero propor o nosso bilhete de saída. O que me fez pensar diferente hoje? E essa pergunta, pessoal, ela não busca uma resposta certa, ela busca movimento, pequenos deslocamentos que fazem a diferença na prática.
Então, os bilhetes, tanto o de entrada quanto de saída, vocês perceberam que são estratégias simples, acessíveis e profundamente formativas e tem tudo a ver com o que nós estamos falando, porque promovem a escuta, a reflexão, a intencionalidade. E são essas três palavras que eu desejo que fiquem com vocês. Escuta, reflexão e intenção.
Perfeito, pessoal. Mas não acabou ainda, né? Antes de encerrar, eu quero propor um passo além e vou deixar aqui para vocês um pequeno estudo de caso.
Ele é breve, direto, mas potente e convida à prática. Hum. Digamos que uma professora chamada Carolina, ela dá aula de ciências em duas turmas do sétimo ano de uma escola pública.
Ela relata que os alunos demonstram pouco interesse nas aulas teóricas e que há muita dispersão, especialmente quando ela propõe, sabe o quê? Leitura de textos didáticos ou explicações muito longas. E ao aplicar uma avaliação escrita, muitos alunos entregam a folha em branco ou com respostas incompletas.
E apesar disso, a professora percebe que em conversas informais os estudantes demonstram curiosidades sobre temas como alimentação, corpo humano, saúde mental. E ela quer o quê? repensar a sua prática e incluir estratégias que ajudem a engajar os alunos desde o início das aulas.
Então, qual será o nosso desafio? Independentemente da sua área de atuação, eu gostaria de saber como você usaria o bilhete de entrada e o bilhete de saída. Lembra da estratégia que eu falei aqui com vocês?
Nesta situação aqui é para ajudar esta professora a ouvir mais os seus alunos e de repente ajustar a sua prática. Hum. Então fica o convite, pessoal, como forma de seguir ampliando essas ideias, tá?
Também vou deixar aqui como sugestão o material complementar com algumas inspirações práticas, alguns referenciais teóricos, né? Porque como diz a minha CTO, o conhecimento é uma viagem, não um destino. Então pessoal, muito obrigada pela escuta, pela presença e, principalmente por estarmos juntos nesse processo formativo.
Até breve. Vejo vocês no nosso próximo encontro. Bons estudos e um excelente trabalho para cada um.
Até mais, gente.