[Música] Eh boa noite a todos em nome da boitempo editorial e da Livraria Martins Fontes ah Recebemos a todos aqui para debate de lançamento do novo livro de Paulo Arantes o novo tempo do mundo H uma publicação da coleção estado de sítio coordenada pelo Paulo o livro da sequência extinção também lançada pela coleção estado de sítio em 2007 e reúne uma série de ensaios sobre este novo Tempo do mundo e sobre como o capitalismo aprendeu a sambar com jeitinho brasileiro Ah vamos organizar aqui então uma fala inicial da socióloga Silvia Viana autora de rituais de
sofrimento de 10 minutos mais ou menos depois passamos para provocações do Historiador Jorge grespan autor de O negativo do capital e em seguida o Paulo responde a essas provocações daí passamos por uma segunda rodada de questões aqui na mesa e por Fim passamos para um momento de questões por escrito do público que podem ser eh encaminhadas aqui paraa mesa durante o debate e que depois vão ser agrupadas tematicamente Ah o debate Então deve ter uma duração aproximada de 2 horas e depois seguimos lá para baixo para uma sessão de autógrafos Lembrando que o estacionamento fecha
às 10 paraas 10 então o aviso tá dado Silvia por favor obrigada eh eu queria eh começar pedindo uma Licença pro público hoje eu vou fazer uma fala eu vou ler a minha fala porque o o o tempo que me foi dado é escasso o assunto é denso então eh eh eu peço essa licença para hoje fazer uma fala lida Tomara que não seja muito tedioso mas 10 minutos eu acho que ninguém também vai dormir eh Então vamos direto ao ponto eh O que é esse novo tempo do mundo evidente que não sou eu que
vou responder aqui ainda mais com 10 minutos Você tentou em 500 páginas eu não sei Aí já é com você eh bem já que o Paulo vive me provocando falando que minha especialidade é fazer pesquisa de sofá com controle remoto na mão é daí que eu vou partir não para enfim dar uma resposta para essa questão mas para oferecer uma imagem que Talvez possa nos ajudar a pensar o que é esse novo tempo do mundo eh eu vou partir então de um programa de TV eh uma série americana chamada Tratamento de Choque Olha o nome
eh essa série é definida na sua própria propaganda da seguinte forma Eh aí a a citação da própria propaganda da série essa série acompanha programas de intervenção Que expõe adolescentes em situação de risco a realidade por trás das grades o uso do termo expor no lugar de mostrar já é significativo pois o programa submete meninos e meninas que se encontram Soterrados sob os destroços da sociedade salarial Americana a vida na cadeia Para que sejam devidamente quadrados daí o nome original do programa ser scared Straight algo que significa alguma significa alguma coisa como endireitamento via pavor
A ideia é reunir pequenos grupos de jovens que apresentam alguma forma de comportamento considerado perigoso muito perigoso por exemplo Fumar maconha não obedecer aos pais fugir de casa pichar muros cabular a aula e por aí vai então essa intervenção leva essas pessoas esses meninos adolescentes pra cadeia por algumas horas na qual viverão na pele nos termos do próprio programa a vida de presidiários as técnicas de endireitamento são fáceis de imaginar eles são algemados uniform trancados em selas e convivem com presidiários e carcereiros ambos Encarregados do trabalho de aporá Eu olhei aqui pro Paulo porque o
trabalho eh esse trabalho de contenção de riscos o trabalho direto de contenção de riscos e é um trabalho sujo exigido pelo capitalismo contemporâneo e enfim não vou me aprofundar nesse sentido agora gostaria de ouvir o Paulo falar a respeito eh mas o que importa aqui é a gente perceber nesse programa H como aparece a questão desse novo tempo do mundo por esse programa asqueroso é de nosso interesse porque sua matéria é precisamente o futuro melhor dizendo a propalada ausência de futuro desses jovens cuja própria existência deriva é tida como um risco para o mundo que
os cerca tanto quanto para eles mesmos contudo mais que proclamar a Predestinação da nulidade dessa gente duplamente perigosa coisa que qualquer jornal mundo cão faz diariamente o programa nos mostra como ela é forjada na prática o tratamento de choque e não apenas esse televisionado realiza o tempo do mundo que pode ser compreendido a partir do livro do Paulo sob dois aspectos em primeiro lugar a técnica de correção pelo medo tem uma finalidade Educativa trata-se de demonstrar para a rapaziada os limites de suas expectativas para o Futuro por isso após algumas sessões de intimidação os mesmos
prisioneiros que deram um apavoro nos meninos lhes ministram uma aula e a lição é uma só independentemente do episódio ou do docente encarregado se vocês não não entrarem na linha vocês virão para a cadeia a Estrutura da lição a uma eternidade de distância do que outrora se chamou formação também é algo menos que uma disciplina pra conformidade compensatória a aula é negativa é pura ameaça e não será esse o pressuposto de tudo que ainda se chama educação nos dias que correm estude ou não terá um emprego em ambos os casos não se promete nada mais
que a duvidosa probabilidade de não sermos ados como aqueles Presidiários descartados uns e outros pois o discurso do Tratamento de Choque tem M dupla e os professores encarcerados bem sabem que o buraco em que se encontram é já há bastante tempo escárnio da ideia reformista de Reintegração Social Aquilo é o fim de linha contudo o horizonte alternativo que se busca conquistar mediante a Ameaça é do mesmo modo um fim de linha nas palavras de um dos participantes do Programa Agora eu só quero trabalhar um Participante que saiu desse Tratamento de Choque disse o seguinte agora
eu só quero trabalhar receber pagamento e me manter fora de encrencas era um menino que cujo crime era fazer grafite na rua e fumar maconha e agora eu só quero trabalhar e me manter fora de increnca só isso o medo visado pela intervenção foi devidamente incorporado aqueles que ainda não foram descartados não cabe expectativa alguma que a fuga em disparada do descarte que De qualquer modo jamais cessará de espreitar talvez graças a essa equivalência de horizontes rebaixados ninguém se dê conta da insanidade objetiva que é o tratamento ministrado pelos presentes aos presidiários futuros o fato
de que a fuga da punição já é em si mesma a própria punição Eis o segundo aspecto do Novo Tempo tratado por Paulo Arantes o presente se converte em pura expectativa de si Mesma ou nos termos de um carcereiro que aos berros ensinava o medo Essa é sua vida aqui e agora acostume-se com ela presente e futuro estão algemados pelo imperativo inescapável da prevenção o fato de que os riscos fantasmáticas só se tornam presentes como efeito colateral da prevenção não é algo sobre o qual se atina e sim objeto de Nova salvaguarda e outra e
mais outra então contra os crimes que ainda não Foram cometidos por elementos potencialmente perigosos é forjado da punição preventiva contra a qual é necessário se prevenir arruma-se então emprego para que para não ser preso novamente faz-se premente um estado de alerta permanente porém o círculo vicioso do mundo não se fecha meramente como política eh policial punitiva a intervenção é também ao mesmo tempo social Humanitária dessa perspectiva temos adolescentes em situação de vulnerabilidade social para os quais é desenvolvido um projeto que conta com a participação ativa da Comunidade carcerária dos familiares mas principalmente dos próprios jovens
que assumem a responsabilidade sobre seu próprio protagonismo os termos podem variar ao gosto do cliente mas a lógica político Temporal da da qual somos prisioneiros é Rigorosamente a mesma a de uma emergência preventiva sob tal lógica a vida amedrontada escorre como uma sucessão ininterrupta de contagens regressivas ao fim das quais espreitam toda sorte de catástrofes sejam elas da Ordem da natureza do mosquito da dengue ao terremoto passando pela intoxicação transgênica sejam da Ordem da natureza a demissão a crise a precarização o rebaixamento a Exclusão derivem elas por fim da natureza do outro selvagem que está
por todos os lados o bandido o vândalo o concorrente e cada contagem regressiva multiplica e a cada Contagem multiplicam-se as compulsões securitárias CCO reciclar o lixo para evitar o colapso planetário quro não abrir a janela do carro para o bandido não entrar TRS fazer trabalho voluntário para que a criança não vire um de menor Dois arrancar os próprios seios e colocar silicone para evitar o câncer um trabalhar muito para poder continuar trabalhando e e tomar cuidado para que os prazos não estourem e manter o currículo atualizado ponto a ponto e aceitar qualquer oportunidade para não
perder a oportunidade e certificar-se de que os colegas não percebam a sua exaustão o único sentido permitido por esse novo tempo do mundo é que se Evite a Qualquer Custo atingir o zero Ameaçador temos que retornar dia após dia do um para o cinco com a gratidão de quem conseguiu ao fim e ao cabo simplesmente evitar alguma coisa qualquer coisa e assim é até que não há pouco menos de um ano atingimos o zero esse mundo parou esse tempo parou como Junho do ano passado foi capaz de estabelecer uma urgência verdadeira transpondo o duplo limite
de um Horizonte rebaixado e de um presente Trancafiado eis a pergunta que encerra o novo tempo do mundo o livro cabe saber se encerrará também o novo tempo do mundo o [Aplausos] pesadelo esse microfone já voltou funcionar ência então vou passar agora palavra ao Jorge grespan é claro emergência bom quero primeiro lugar quero agradecer aqui o convite que foi feito a mim pela Pela boitempo e pelo Paulo para vir debater aqui com ele Eh esses textos provavelmente nenhum de vocês devem ter visto ou talvez a maior parte de vocês não devam ter visto esse texto
ainda esse esse livro do Paulo que tá sendo justamente lançado hoje e ficou pronto há pouco tempo então só apresentando rapidamente ele é composto por nove textos dos quais o primeiro e o último são inéditos Os outros já haviam sido publicados em algumas revistas aqui Ali e eventualmente muitos de vocês já tinham lido né mas o primeiro e o último não e o primeiro texto é um quer dizer era inédito não era para mim porque o primeiro texto justamente o Paulo tinha me dado de de presente vamos dizer assim ass há um tempo atrás para
que eu eh fosse lendo você não se lembra não ah bom e aliás eu pensei que Justamente a minha razão de de de estar aqui né não é a razão de serm mas a razão de estar Aqui era em grande parte o debate do primeiro texto e claro que posso falar sobre os outros também mas enfim o debate do primeiro texto que é um texto no qual Paulo lança a ideia mesmo do novo tempo do mundo e faz uma discussão Eh vamos dizer assim de filosofia da história é o Paulo que me perdoe se eu
for agora começar a misturar aqui certas coisas filosofia história mas foi agradável uma surpresa muito agradável para mim não surpresa mas uma coisa Agradável de de confirmar de verificar que você tá cada vez mais ficando um Historiador de mão cheia né Eh Então pois pois justamente até aí eu tinha pensado Olha só que coisa interessante conheço vários filósofos que quando resolvem virar oradores conseguem no máximo ser sociólogos de segunda categoria o Paulo O Paulo não o Paulo se mantém tanto na filosofia como na história alto nível até porque ele tá dialogando com o senhor entre
entre Outros com o senhor reinhard kelek que é um um senhor filósofo da história alemão né que escreveu o seu acho que foi a sua tese de habilitação em 1954 famosa crise crítica que foi traduzido sós 10 anos mais uns 12 agora pro português né Ficou um tempão aí sem sem publicação em português e aí o Paulo aí ele nesse primeiro texto ele ele fica falando o tempo inteiro sobre o que que seria esse tempo do mundo o tempo que começa num certo momento lá eh ali entre o século 16 1 né e e vem
retomando as ideias do kelc basicamente a ideia Central que o Paulo discute bastante mas não só essa mas a ideia central do celec é que a modernidade ou o novo tempo que daí em alemão fica um trocadilho entre entre nosite e nosite né entre o o Novo Tempo e a e a modernidade eles estão relacionados pelo fato de que eh existe uma cada vez uma dissociação maior entre a experiência e portanto a nossa relação com o passado e a Expectativa portanto a nossa relação com o futuro quer dizer isso era Central aqui pros clássicos da
hermenêutica lá do século XIX começo do século XX essa relação de experiência e expectativa de futuro e passado e o que o kelc tá fazendo é mostrar que existe uma dissociação progressiva e o Paulo retoma esse fio da meada né para avançar pro momento seguinte as coisas culminam no livro do kelc em 1789 a Revolução Francesa e o Paulo avança e vem embora Mostrando eh como é que essa dissociação entre experiência e expectativa vai se ampliando para no final do livro perdão desse primeiro texto ele deixar aqui a o gancho para nós de que existe
uma uma possível reo disso aí só que num Horizonte de expectativas rebaixadas ele vai desenvolver essa ideia ou a ideia mesmo de um novo tempo como um tempo de urgência e de catástrofe né ele vai desenvolver essa ideia ao longo dos outros textos e Finalmente e vai retomar essa ideia e aí vai completar essa ideia no último texto eh de uma maneira muito muito importante então o primeiro texto eu confesso que me provocou certas inquietações quando eu li a primeira vez e reli agora para poder e lembrar das passagens da argumentação o texto é um
texto sinuoso vocês sabem que como a escrita do Paulo é difícil especialmente nesse texto ela tá bem complicada ele vai incorporando autores Vai dialogando e e e vai fazendo aquele aquele movimento sinuoso que é próprio dos dialéticos e enfim eh ele ele ele vai vai despertando várias questões e inquietações que aliás é o que ele quer fazer mesmo e no final o último texto é o texto que trata de Junho das manifestações de junho e do que se seguiu a partir de junho não é só aquele Justamente esse é um ponto importante não é só
aquele mês lá fotografado e Parado né mas é o que se Seguiu a partir daí E aí eh faz uma análise que eu achei muito muito importante eh eh sobre isso realmente foi das análises que eu li a mais interessante eu sei que a minha função aqui não é tanto debater o último texto e sim o Primeiro mas quero debater quero não debater mas quero eh falar desse último texto também porque de certa maneira ele completa ele dá um acabamento a todo o livro e vi você nesse texto Paulo Eh muito sei lá como muito
feliz com os acontecimentos todos e escrevendo dessa maneira que passa pro leitor mesmo essa não vou dizer otimismo porque essa essa isso ser uma ofensa para você mas assim mas vamos dizer assim uma uma felicidade mesmo que que passa e e porque de uma certa maneira o o aspecto Sombrio que o primeiro o texto Tinha lançado que os outros vão desenvolvendo de uma certa maneira não se resolve mas existe alguma Coisa ali no final e acho que você mobiliza primeiro lugar uma crítica à esquerda tradicional ao fato da esquerda e achei belíssima a tua crítica
assim ao fato da esquerda tradicional não ter tido condições de entender o que aconteceu em junho e não vem entendendo e vem com aquela velha tese como você mesmo fala aqui do esquerdismo doença infantil etc e tal e você abre para várias questões importantes eu achei excepcional quando você traz o conceito De Utopia real e fica discutindo o elemento real da Utopia real e e ao mesmo tempo quando você tá sempre interessado em pontuar aqui os momentos do tempo né então quando é que dá a virada quando o kelic identificou em 1789 Mas você identifica
depois em certos momentos da tua análise em 1914 outros momentos você vem até 1989 né E e aí num certo momento que eu até gostaria de ler essa passagem no último Texto na página 377 você fala do levante zapatista de primo de Janeiro de 1994 e eu fiquei imaginando como esse momento é como você diz o Marco Zero de todo novo período na acepção trivial do termo os zapatistas de fato se insurgiram contra o governo federal mexicano mas em nenhum momento cogitaram tomar o poder pela simples razão que julgavam ser esta a via real para
não transformar o mundo e nisto bifurcar no tronco das insurgências históricas da América Latina be fcaram do tronco ou seja eles sabiam então que tomar o poder não era o meio o meio para transformar o Mundo ao Contrário era um meio para não transformar o mundo e evidentemente Que Nós lembramos aqui do hol que é citado um pouco mais extensamente pelo Paulo um pouco mais adiante e eu achei eh queria que o Paulo comentasse achei muito interessante todo esse esse movimento aqui eh do texto de por um lado A Crítica da Esquerda tradicional a esquerda
que tem dogmas e fórmulas prontas por outro lado a discussão aqui a partir do Benjamim e a partir enfim de autores mais atuais sobre essa questão da Utopia real e etc e do próprio holway que não não ele o autor dessa desse termo Mas enfim me pareceu eh muito bem tramado aqui eh no conjunto da análise para explicar também o que que era junho e a apontado para além de Junho acho achei bonito e bacana que o Paulo diz e esse foi o primeiro Junho estemos agora por diante de nós o segundo Junho que virá
e já tá com agenda e data marcada e calendário marcado e achei ótimo isso de fato vamos aí esperar o sego Junho que o segundo ser ainda melhor que o primeiro E aí Paulo eu queria bom além desse comentário aqui então eu pedi para você fazer uma última página do teu do texto quer dizer não é exatamente a última porque ainda tem esse encarte pós Subscrito Mas aqui tem uma na última página do texto você faz uma citação longa aqui da socióloga Regina Magalhães de Souza e E aí você num pedaço dessa citação dela ela
diz sobre os as pessoas que estavam saindo no Rio de Janeiro nas manifestações né durante o segundo semestre do ano passado e ela identificou vários alunos dela inclusive da faculdade particular que ela dá aula no Rio e ela disse Eh que essas pessoas eram adultas já haviam aprendido a resistir aos apelos da propaganda não usavam roupas de grife não navegavam pela internet moradores da Periferia mas que por algum motivo se mantiveram afastados dos movimentos sociais Urbanos de reivindicação de direitos dos sindicatos e dos partidos mas também não eram tão pobres a ponto de preencherem os
requisitos para se tornar os beneficiários dos programas sociais não se se tornando por objeto Portanto do discurso das políticas públicas governamentais e aqui é o ponto do Paulo né Eh o ponto do Paulo pelo que me pareceu é justamente mostrar como é que eh é fazer uma crítica eh forte né uma crítica radical realmente H todo esse movimento eh desta desta incorporação esse engajamento falso eh desta camada vamos dizer assim eh pobre eh das do das favelas como se diz Antigamente do Morro carioca e também de toda parte no Brasil e de vários lugares do
mundo e aqui ele relaciona com as estratégias eh de de eh cativar aqui eu que tô dizendo agora corações e mentes né que era uma estratégia já dos anos 60 mas que agora nos últimos 10 anos é que ficou de fato realçada E aí a minha questão é uma questão em relação a esse último texto Paulo é se você di digamos assim não tá identificando então agora um grupo eu Achei muito interessante isso uma classe social uma subclasse um grupo social importa muito aqui que faz Face ao tal do subproletariado os sub proletariados são aqueles
que são tão pobres que só podem entrar pela via da da da das benesses do governo que os incorpora e etc e daí todos os males políticos que decorrem como nós sabemos e e aqui me pareceu que esses não tão pobres ou seja eles são pobres portanto eles não são incorporados pelo caminho Do mercado do capital das da distribuição de renda etc mas ao mesmo tempo eles são ess esses são pobres quer dizer são pobres não são incorporados pela via do Capital mas não são tão pobres a ponto de ter de serem vamos dizer assim
os os alvos o público alvo outra expressão que o Paulo ressalta o público alvo eh dos programas assistenciais do governo Então seria esse grupo Os não Tão pobres são eles que estão nas manifestações do Rio são eles que estão por aí quer dizer encontramos Talvez uma um grupo social uma fração de classe que que faça que possa vir a fazer Face a ao subproletariado né enfim mas em relação ao primeiro texto e aí eu já vou vou já vou concluindo em relação ao primeiro texto Então o que eu achei interessante foi que ele tinha um
mesmo no final um tom um tanto Sombrio Porque as expectativas no final que com que a gente completava eram expectativas rebaixadas me pareceu que o último texto inverte o último texto me pareceu que inverte essas esse rebaixamento de expectativas não sei se se li bem isso ou se eu próprio Li também com o meu com o meu eh o o wif senin aqui [Música] h o que me incomodou te digo aqui naquele primeiro texto é eh não é tanto o kelc acho que a leitura Do kelc é uma leitura com a qual concordo Achei que
você fez a a ponte entre os textos dele especialmente entre o o passado futuro e o e o e e o anterior né o crítica e crise eu achei muito muito interessante o o a coisa toda que entra para mim é que eu gostaria que você desenvolvesse um pouco ou conversasse um pouco com a gente sobre isso é o a ideia do arig do wallerstein que você também traz na coleção D vamos dizer assim de uma de Uma retomada do tempo né de uma espécie de ideia de ciclo que eles como sociólogos eh gostam e
eu como Historiador não gosto e uma ideia de ciclo de que as coisas de uma certa maneira se repetem que tem a ver com uma certa ideia eh que chega a ser eh citada Clara assim expressamente um termo que é citado expressamente pelo Paulo que é a ideia de fusão de horizontes que remete aqui para para pro Pensamento de gadamer pro verdade método do velho gadamer que evidentemente era muito bem lido pelo celec então é uma ideia de uma fusão de horizontes horizontes históricos que se fundem então tá em jogo aqui o horizonte e o
horizonte histórico em certo momento se funde com outro Horizonte histórico e isso permite de uma certa forma a repetição em termos é claro de experiências mas o o problema do do Ciclo para um Historiador sempre é que se perde nessa ao enfatizar o ciclo se perde o específico de cada momento por exemplo se perde o específico desse momento agora dessas jornadas de Junho que tem a ver com todo o movimento tamb também Mundial se perde também a crise atual a ideia da crise econômica que é uma última um Último Ponto Paulo que eu queria que
você falasse um pouco o que que você pensa a respeito do impacto da Crise não da crise não quero que você fale digamos como economista a respeito da crise econômica mas sim que você fale um pouco desse impacto da crise eu achei que por exemplo na página 441 você faz uma uma eu anotei tudo porque eu mesmo vou também pensar nessas coisas e você faz uma definição muito boa do que tá acontecendo agora como colapso administrado e que não há mais valor quer dizer você diz eh bons tempos em que havia bons tempos entre aspas
O que Tou dizendo valor para distribuir quer dizer o que acontece hoje é que não há mais valor para distribuir então aqui como como pensar também essa dimensão Econômica da crise essa ideia de colapso administrado mas no qual a administração cada vez mais eh eh entem falência porque não tem mais valor para distribuir não tem mais valia para distribuir então diante disso tá se distribuindo cada vez mais o quê na Verdade o que tá se distribuindo são dívidas né o estado é um grande distribuidor de dívidas e os estados mundiais né e e é isso
mas eu queria que você falasse um pouco mais desse Impacto talvez inclusive nos movimentos de junho né e ou então esclarecer se a gente porque que você eh quis dar essas duas belas tacadas aqui e e não não quis ir adiante em relação à à crise econômica No especialmente no último texto no primeiro texto foi escrito H alguns anos eu não me lembro quanto eh e por o primeiro texto o da do novo tempo do mundo a se é isso o novo tempo do mundo é 2006 se Pois é ah seja bom tá certo o
fato é o seguinte é mais ou menos contemporâneo da crise mundial né então ali já vamos dizer assim tá se Armando a ideia de catástrofe de urgência né que se precipitou inclusive depois com a quebra E a quebra do do Lemon Brothers e toda a quebradeira que se seguiu e que está se seguindo ainda muito bem essas questões aí para você eh ver que que você acha que é interessante debater ou não e enfim qualquer coisa debatemos também mais [Aplausos] tarde com a palavra o autor bom boa noite obrigado a todos pelo incômodo peço desculpas
sei que aqui não é embora Seja a Avenida Paulista atualmente já um Marco histórico Marco Zero mas eh não é bom não é cômodo se deslocar em São Paulo por isso Muitas coisas aconteceram então peço e peço desculpas por isso no e agradeço de coração a presença de todos para para esse debate em primeiro lugar também agradecia pelo mesmo pelas mesmas razões a Silvia e ao Jorge o Jorge eu já tinha passado Esse primeiro ensaio ensaio é pretencioso digamos estudo lá se o texto qualquer coisa assim há algum tempo era um teste viu se não
você se você fechasse a cara eu ia esquecer eu não ia não não bom E como você diz tinha gostado eu pom vamos em frente Bom vou fazer o seguinte eu vou ver se não en cedo 20 minutos que foi o que o qu me concedeu vou baralhar um pouquinho a ordem das respostas não vou começar pela Silvinha das Silvinha eh poderia Aparecer como um apêndice no livro porque é um é um artigo do livro se fosse uma possível reedição que eu não acredito só Enem calhe total para ver poderia fazer várias mãos e alguns
Alguns apendices avu porque a ideia do livro é essa muita gente pensando junto Aliás a dedicatória faço questão dedicatória É para um Uma Geração tá lá um sangue bom que circula há 13 anos nas noites de quarta então esse sangue bom poderia participar eventualmente do Livro Como fez Silvinha Silvinha acrescentou um artigo ao livro portanto ao comentar o que você disse eu serei Obrigatoriamente redundante vou sublinhar alguns outros aspectos que você não abordou então eu vou começar pelo Jorge e pelo Jorge pelo primeiro pelo primeiro pelo primeiro estudo dig não sei como dizer não é
qualquer terr ensaio mas ensaio é uma coisa disforme é Uma é uma anomalia de fato eh é um grande digamos uma grande tentativa de periodização isso sim só que não é uma periodização n não é nem de sociologia histórica e nem de historiador propriamente dito eu uso e Abuso das categorias desse grande Pensador alemão chamado reinhard kelek recém-falecido e que tem uma obra monumental de um gênero que ele inventou semântica histórica E as duas categorias uma das das duas categorias fundamentais que ele criou eh é a seguinte já explico porque que eu me interessei demais
por por ela tem uma uma razão muito precisa objetiva local além do alcance desses conceitos ele procura eu vou repetir um pouquinho que disse o o o Jorge para poder engatar no meu assunto ele procura ele através de duas categorias aparentemente anodinas meio Antropológicas existenciais que é campo de experiência e Horizonte de expectativa eh isso é as pessoas se lembram das coisas há uma memória individual social e há também tem expectativas a respeito do que vem adiante futuro ele diz que até digamos Até fim do século XV início do século XV havia um encavalamento entre
essas duas duas noções entre o campo de experiência e Horizonte de expectativa de certa maneira coincidiam Isto é não se poderia O que se poderia a espera a antecipação remetia aquilo que já se sabia a ideia não que não houvesse história no sentido objetivo não é essa bobagem é a experiência da história o que ele chama exatamente de temporalização da história quando se começa a perceber que a nós digamos existe um tempo que se move e dentro desse tempo alguma coisa que se acelera ou desacelera pode haver período de estagnação mas nós continuamos dentro desse
tempo histórico e essa e essa Sensação de ir para algum lugar que não se sabe bem o que que é E no entanto pelo qual se anseia se aspira se tem Uma expectativa é uma coisa nova e que rompe que rompe com essa fusão entre esses dois campo e Horizonte que vem da da idade média e que rompe também com a autoridade a autoridade que rege esse futuro que depois na formação dos estados absolutistas no fim desse período começam a fazer prognósticos e cálculos estratégicos Maso significa que Vai sempre se repetir alguma coisa de lá
atrás por isso que vem a expressão aprender com a história iso é pela primeira o que o k tá descrevendo é pela primeira vez nós não aprendemos mais com a história quando vem alguma coisa de tão novo e para o qual as pessoas de certa maneira aspiravam que era a Revolução Francesa não há mais nenhum exemplo histórico que ensine o caminho para as pessoas então a expressão aprendemos com a história para não Repetir a história quando vocês encontram um colonista que diz como a história ensina esqueçam a história não ensina mais nada não tem essa
história que a história ensina devia Tero grafado em latim e se referia a idade média história não ensina nada como a história ensina que não faz isso não faz aquilo que é linguagem típica de chancelaria e as chancelarias adotaram por inércia pensam até assim como a história ensina Putin não deveria fazer isso mas como Com a história ensina mais louco que ele sa fazendo as coisas ele tá bagunçando o mundo e nem ele sabe onde que vai dar então a história não tá ensinando absolutamente nada para saber o que que o Putin vai não vai
o que que bom isso deixemos Ah então vai dar um exemplo o exemplo favorito do coel é que é é é o seguinte é a a a estupefação acho que eu vou passar um pouquinho dos é a estupefação de um grande intelectual alemão um dos Irmãos schlegel não me olha assim dos irmãos o irmão um irmão schlegel vendo um quadro uma um mural do em feito em 1500 por o Imperador alemão que era a batalha de Alexandre e ele do aldolf Eu não eu só conheço de álbum e vou repetir a descrição do KLE e
ele fica estupefato com o que ele vê e se ele vê ele faz ele faz essa viagem acho que acho que é em Munique tá o negócio não sei onde em 1800 e o quadro é de 1520 e poucos nessa Batalha de Alexandre é a batalha de Alexandre com os persas em que Alexandre derrota o Império Persa é a batalha de isos bom que aconteceu nos anos 300 antes de Cristo nessa batalha quando ele olha Aquilo é uma aquele quadro magnífico o que que ele vê ele vê os exércitos germânicos cristãos enfrentando os otomanos iso
é Os turcos estavam às portas de Viena já cercando Viana naquela época de modo que o que ele vê é uma espécie de eh não há Nenhuma distância histórica entre os dois tempos entre a o império otomano assediando a Europa e a Batalha de Alexandre e é a batalha contra o anticristo e é uma batalha cosmológica o sol participa a lua participa Os Cavaleiros cristãos gregos são Cavaleiros cristãos germânicos identificáveis ele fica estupefato daquilo P por qu Por que que ele fica estupefato é uma obra prima porque a a percepção dele é uma percepção Estritamente
histórica isto é que é a diferença não é mais possível você conviver com aquele passado Isto é a batalha de Alexandre foi uma batalha decisiva para o destino da cristandade já era um anúncio pregado pelo Lutero que o anticristo estava aí Aliás estava estava sentado num trono em Roma e era a Grande a grande bom rameira da Babilônia Que bom e eu e e o Lutero diz olha pode que seja até o fim do ano fim dos tempos e assim por diante ora isso passa a História objetiva tá lá os historiadores estão lá cavocando descobrindo
coisas interpretando assim por diante mas é é a experiência da história que é completamente diversa é que o schlegel percebe percebe dis bom é um outro mundo é um outro mundo e ele e esse o que ele o que ele tá registrando e o c que registra é a percepção é a percepção desse desse desse transcurso histórico em que vai se como lembrou o Jorge vai se separando cada vez mais o seu campo De experiência que vai ficando para trás e é elaborada constantemente Ninguém Vive sem memória e a as suas expectativas o horizonte de
expectativa que é aberto cada vez mais aberto quanto mais essa experiência vai se tornando mais tênue aí at a abertura torna-se quase Total quando aparece irrompe esse absolutamente novo que é a Revolução Francesa e o schlegel era um comentador era um contemporâneo da Revolução Francesa ele é um dos autores da frase Famosa os três grandes acontecimentos do nosso tempo a Revolução Francesa a educação do o o Willan meister do Gut e a doutrina da ciência do Fist não ISS é alemão desculpa at um francês dois an para isso bom isso é um é isso é
o tempo é o o tempo do mundo propriamente dito tal como nós o conhecemos em que era um tempo de esperas de grandes esperas e é uma uma um exemplo dessas grandes esperas nós Encontramos é um exemplo que um dos meus prediletos que o brest Veja só o brest no fim dos anos 30 O Galileu é fim dos anos 30 início dos anos 40 por aí então o terceiro R no a e a Alemanha tava vencendo a guerra na Europa portanto se o anticristo tava chegando aí bom e o brest põe na boca do galileu
põe na boca do galileu Ah quando o Galileu explica o sistema do mundo para o jovem Andreas Sarti e a a o fato de que a hipótese Heliocêntrica está descartada e portanto a a a hipótese da Terra no centro mundo está descartada e portanto as hierarquias celestes estão quebradas e portanto ele era Iluminista num certo sentido graças a essas descobertas da ciência no caso da Matemática as as hierarquias sociais vão dançar também literalmente Depois tem um carnaval vão dançar essa revira volta aí ele mostra como é que a invenção do Telescópio a luneta o Copérnico
e diz pro Andreia Andreia veja só a humanidade depois compara também com a descoberta do novo mundo os barcos estão se afastando da Costa Novo Mundo Novo o novo tempo do mundo a humanidade está há 100 anos esperando por uma coisa nova como ela está esperando a humanidade há 100 anos esperava por isso isso é o tempo do mundo que ficou para trás e para e fala isso dito dito no momento em que se estava enfrentando o nazismo e o nazismo vitorioso em toda a Europa e os Estados Unidos lá na flauta esperando destruição da
Europa e fazer um acordo com ritler a ideia era essa não tinha nada de liberal bom bom tava vendendo tava vendendo pros dois lados tava negociando bom bom mas não V um cara esse esse esse digamos a o a periodização que eu faço acompanhando acompanhando o celec são esses são esses 200 anos então a a ideia de que você ficou incomodado não você parece repetir A fusão dos horizontes tal como aparece no no primeiro no wallerstein depois no arig na verdade remonta o brodel as hegemonias o ciclo das hegemonias históricas primeiro a holandesa depois a
a britânica depois a Pax Americana e agora o caos sistêmico porque h o poder americano é igualmente é o maior poder geopolítico e econômico Mundial mas não é mais hegemônico não consegue mais governar sozinho o mundo como fazia antes assim por e por aí a fora não eu Não eu não faço essa periodização minha periodização é muito mais de certa maneira mais nesse texto minha periodização mas eu tô glosando textos ele é muito mais ambiciosa ela é uma era histórica que essa era das grandes esperas que se esgota é isso e como é que ela
se esgota bom aí multiplico as evidências bem as mais as mais digamos concretas possíveis que poderia entrar essa esse reality show como poderia entrar outra entra mil Coisas mil coisas para mostrar e também esse diagnóstico não é meu alguns vários historiadores franceses estão fazendo isso mas quando se reportam as categorias do cosel diz o seguinte o que que o que que mudou não são os ciclos heg germoni depois eu chego na na na crise econômica não são não são esses ciclos das hegemonias históricas retratadas pelo rodel pelo arig pelo wenin todo mundo da da teoria
dos sistemas mundiais é que pela primeira Vez um um Historiador francês fala faz faz a seguinte comparação é uma coisa absolutamente inédita nós não conhecíamos isso desde o fim do alto império do romano do Baixo Império Romano só no Baixo Império Romano se tinha você teve uma sensação uma percepção parecida com essa Isto é pela primeira vez eh o campo da experiência que é o que vem de trás e é o nosso presente e esse Horizonte de expectativas coincidem não há mais Espaço entre eles mas a expectativa continua esse esse é a minha modesta a
minha modesta contribuição isso chama-se urgência pela primeira vez esse o presente passa a ser um campo emergencial que é justamente uma emergência que Você projeta projeta ou você antecipa você imagina que se ao qual você vai de encontro pela primeira vez elas se estreitam ela esse campo vai se estreitando a ponto de se superpor de modo que todas as expectativas todo o Horizonte de expectativa que é próprio do ponto de vista antropológico da digamos da sociedade moderna ele se concentra ele é rebatido no Único presente e é isso que faz com que ah há uma
espécie do que o que alguns autores chama de ruína do Futuro A ideia de futuro se muda completamente Ela desaparece de cena não o objetivo temos as dimensões do tempo estão aí mas ela desparece sendo como uma experiência política histórica e Social a ideia de você reportar para uma Redenção futura e caminhar por um desenvolvimento Perpétuo e uma integração inclusão social a perder de vista S não há uma há uma sensação há uma sensação de que ah há uma há um risco há uma urgência e e essa essa urgência não é que seja uma questão
apenas percepção ela tira do seu Horizonte a ideia de futuro e rebate para agora ora isso na na periodização que eu tento que eu tento fazer começa Essa essa percepção de que você está num presente blo bloqueado não é inteiramente tomado por esse presente prolongado ela começa a se a se cristalizar no fim dos anos 70 nos anos 80 no núcleo orgânico do sistema que que é a Europa e Estados Unidos e aí e a a começa a se tornar corrente o diagnóstico das de que as expectativas são decrescentes e quem usa essa expressão é
o Christopher les quando escreve a Cultura do narcisismo Public é uma montanha de artigos avulsos que ele escreveu mas ele sistematiza e publica em 79 e é o subtítulo do livro dele uma era de expectativas decrescentes is as pessoas esperam cada vez menos esperam tem certeza que o que vem pela frente será sempre pior do que agora e Quem trata emergencialmente de gerenciar era o presente não tem não pode ter a não ser que por demagogia cegueira discurso inércia ideológica não pode falar sem Mais nem menos com alguma propriedade do que do que vem pela
frente e o que vem pela frente é temido como uma espécie de eh movimento explosivo de negações Como já disse Como já disse alguém e não é por acaso que no fim dos anos 70 aparece pela primea vez um livro capital que é uma espécie de síntese ideológica de Tod essa percepção chamado princípio de responsabilidade que vai terminar no princípio de precaução qualquer agência de fiscalização de qualquer coisa Usa Usa finge veja só eles infringem o princípio de precaução e portanto mandam Brasa com trangênicos sabendo que podem podem envenenar terras águas humanidade e o diabo
A4 ou sanfu mas o princípio de precaução é respeitado em nome desse princípio sem o que as populações não se deixam mais governar por exemplo a população de São Paulo como já foi da França comando na grande grande há alguns anos atrás houve houve na França uma uma onda de calor matou muita gente Matou muito velhinho e a população ficou indignada indignada e cobrou do governo que fez o governo admitiu o erro meia culpa não fomos previdentes é nós desproteger vocês os velhinhos não prevendo uma onda de calor agora direito trabalho sociedade on sanfu não
se trata mais disso não mais que proteção existe a proteção física de organismos vivos vulneráveis por isso que a questão da água agora vira questão de segurança pública o resto s tanto faz não vem as Pessoas querem ser protegidas querem querem proteção do or isso é uma coisa nova e começa nos anos 70 e 80 e o detectou isso para dar um para dar um outro para dar um outro exemplo de um outro autor francês ele diz o seguinte não exatamente na acepção que eu tô tomando nós podemos tomar esses últimos dois séculos vamos para
facilitar começa com a Revolução Francesa e vai até a rocada da União Soviética e passa portanto é Uma espécie de história ascensional tantos liberais progressistas socialistas Todo mundo estava embarcado nessa história ascensional ora essa história ascensional a partir de um certo momento é Tem sempre a partir de um certo momento vamos identificar esse e esse momento materialista que tanto te inquieta que está está ausente do livro A partir de um certo a partir de um certo momento Ah o que que se esperava no século XIX qual era a grande espera a Grande expectativa no século
x basta ler qualquer romance do século XIX para você ficar ficar em casa as coisas boas coisas boas de ler romances e e histórias políticas se esperava o que se mais temia uns esperavam positivamente outros esperavam negativamente era uma expectativa ou positiva ou negativa do que revolução da Revolução Francesa e depois veio n até 17 e mais adiante até 45 Se esperava um Horizonte de espera da humanidade era uma revolução uma Revolução onde o segredo da história seria finalmente revelado e resolvido para o bem e para o mal e portanto era a literatura Ou era
sobre essa expectativa positiva a literatura do Medo basta ler o famoso Capítulo do aurbach sobre o hotel De La mo o vermelho negro o que que se esperava na rest o que se tinha medo todo mundo tinha medo da revolução avisa os Navegantes ninguém mais tem medo de nós os tempos mudaram veja só nós não metemos medo em ninguém nós Esquerdas socialistas classe operária organiz ninguém teme a revolução esse ninguém teme mais a revolução teme outras coisas vamos ver se ou pode ser que ela apareça com não sabemos bom essa a partir de um cer
revolução nasce junto com a guerra são as guerras napoleônicas ela é exportada com guerra a partir de um certo momento começa a se Temer a guerra um pouco antes de 14 ela vem a guerra imperialista depois entre 14 e 39 a Grande espera é a guerra você vê que são são esperas decrescentes são declinantes É isso que me interessa tanto faz se a hegemonia é se é holandesa se ela é inglesa se ela é Pax Americana e depois num certo momento a espera a espera da Guerra ela é total e a espera da Guerra nuclear
com a Guerra Fria a revolução já havia sido aposentada por um cara que estava lá em Moscou disse acabou a revolução tá encerrado agora é coexistência pacífica Guerra F vamos vamos disciplinar através do terror nuclear as duas esferas da humanidade pronto colocar colocar nos eixos no fim da guerra fria aparece um novo um novo temor que A Espera de Um Grande acidente que será social Ecológico econômico assim por diante modo quando chega aí é o nosso ponto quando chega 2008 que é a 11ª grande crise Financeira po pode ser é maior do mundo em escala
desde 29 Mas é uma crise financeira ela Já é trivial todo mundo já tem a pele dura o passou a ser um modo de vida as crises econômicas o estado de emergência Econômica permanente então 2008 por ainda que seja orçado em 4 trilhões 30 20 trilhões 30 trilhões o que o governo americano enfiou no resgate do sistema financeiro endividou o resto da humanidade por quatro gerações já ia já era um modo de vida há 30 anos esse esse que é o problema agora Bom é um modo de vida bom acontece que essa essa esse modo
de vida ele aconteceu ele ele apareceu no fim no fim da era fordista digamos assim da sociedade salarial com em que a proteção social havia sido conseguida na Europa por uma guerra não foi não foi não foi dado foi inclusive foi vendido como sucedan da revolução você não vão ter revol vocês que ganharam do fascismo a guerra você a revolução não vai acontecer por ordens Superiores e porque vocês foram também desmobilizados mas para como um sucedâneo da revolução que não houve teremos estado social por isso que a esquerda até hoje acha que quando tem estado
social tem tá tá encaminhando-se encaminhando na direção da revolução é compreensível é é compreensível porque a a na Europa há um extraordinário filme do kenl sobre como é que foi desmontado o estado social Inglês a partir da tatia é uma operação Militar de guerra terminou a trégua macacada o que diz a tar terminou a trégua porque quem foi para a guerra se matar não queria o est antes tava Claro na França também na Itália também houve também eminência de guerra civil era derrotamos o nazista no nazismo a próxima etapa terminando depois da frente Popular democrática
contra o nazismo a próxima etapa é revolução e Moscou disse que não era Mais essa próxima etapa nem revolução nem o diabo tava tava encerrado mas em função disso se chegou no chegou no estado social aliás Recomendo um livro que eu isso ali resenhas do Timo Thomas picat ele diz exatamente a mesma coisa só que ele propõe depois impost so grandes fortunas aí é um petar moem mas ele quer reforma tributária ele faz 200 anos de história dep Vamos fazer uma reforma tributária Mas quem vai fazer os caras que os quando você falou não Terminou
de falar reforma tributária os chos já estão na Rússia com com suas fortunas na Rússia na Suíça onde o diabo a qu na China o o chineses est na Suíça mas ele ele ele disse o seguinte P aumentou desigualdade é um capitalismo patrimonial herdado Aliás o Marx Postman escreveu um artigo extraordinário em 2005 que ele escondeu não sei onde é que tá em que ele descobriu que 60% da riqueza brasileira não é mais fruto do trabalho ou da produção é patrimonial Herdado são ativos e todo mundo fica lá embaixo porque bolsa isso bolsa aquilo mas
tá lá tá doido Dá nove décimos Lan ca passando de pai para filho de sogro para para nora ou genro e assim por diante é isso que tá acontecendo bom E esse picker diz o seguinte é a desigualdade só só chegou perto do crescimento just trabalho a remuneração do trabalho e capital depois de duas situações de caos Mundial destruição física duas guerras mundiais depois que Você consertou a casa aumenta novamente exponencialmente Então não é com reforma das grandes fortunas Enfim pode ser que bom bom voltando ah aí opa Ah como é onde é que dá
onde quando acontece um tranco como é que isso como é que nós passamos eu eu não eu não como eu não sou teórico não sou economista não sou nada enfim leio coisas e tento juntar os fios mas nada e tirar algumas conclusões que possa me orientar o sipol Eh contemporâneo eu parto do seguinte eu começo a reparar que a partir dos anos 70 digamos a a ideia fordista do Progresso começa a ser torped pelos próprios progressistas por eles então que que significa esse sintoma independentemente de crise econômica não pode ser a gente pode fazer coincidir
com a com as mudanças econômicas o Nixon o dólar o padrão dólar ouro Que Desaparece é claro há uma há um dá para fazer Coincidir com o processo de financiera que que vem que que vem a ser essa financiera começa começa a a a endividar isso é o bom aí nós aí começa a história conosco marxistas O que que nós fazemos Marxismo meu seja muito exótico em todo caso o que que nós fazemos nós ficamos perplexos diante das profecias do velho que se cumpriram a primeira Ele sempre disse bom trabalho O trabalho vivo é um
um a produção e o trabalho vivo é um estorvo ou o ideal o capital existe é um Processo cego para passar de dinheiro para mais dinheiro passar pelo meio da produção é uma contingência uma mal necessário e todo nós o capital se esforça para montar estratégias de ultrapassagem desse atalho e chegar diretamente lá na Rapadura e bom ao mesmo tempo o valor só é acrescido ao valor através do trabalho vivo não tem outra fonte não tem outra fonte então se eu queimo esse esse mal menor esse mal maior esse estorvo para Chegar diretamente à rapadura
eu vou cerrar o galho no qual eu estou sentado e como é que eu faço isso eu faço incluindo mais trabalho morto muito mais técnica e assim por diante Bom a partir de um certo momento isto isso aconteceu Ele conseguiu esse desiderato suicida foi alcançado foi alcançado é o que alguns autores chamam de crise lógica do capitalismo foi alcançado foi alcançado portanto uma parte da população trabalhad tornou-se descartável é Possível não é possível ser feito foi o que aconteceu tornou ele se esforça para tornar redundante o trabalho vivo mas ele não pode se legitimar se
ele não explorar esse mesmo trabalho vivo que ele se esforça para descartar Portanto ele vai ter que arrumar um modos operand Essa é o colapso administrado aliás inspirado na sociedade totalmente administrada dos frankfurtianos que eram otimistas em relação ao que acontece acontece hoje por isso que ah Ah a data a data maior É quando isso quando essa quando essa reversão se dá Quando essas digamos o que o Marx previu de certa maneira aconteceu Tecnicamente nós Tecnicamente o novo tempo do mundo para mim é isso Tecnicamente o problema o problema da produção da da escassa está
resolvido não é mais necessário nós podemos raciocinar assim no século XIX no século XX a forma Bárbara de gerar riqueza que é explorando outro ser humano colocando um intermediário humano Entre entre um sujeito que é humanidade e um objeto objeto do trabalho é é tornou-se dispensável não era bom um Historiador falar em socialismo na Grécia em Roma assim por não fazia sentido esse isso isso ao custo de uma guerra social permanente foi conseguido mas o próximo passo não o próximo passo não é dado devido a essa a essa contradição para usar o termo antigo portanto
nós temos nós estamos assim ah No Limiar de alguma Coisa se poderia se chamar de sociedade comunista sem condições de alcançá-la Então você administra esse Limiar esse Admar esse Limiar no qual nós estamos atolados a administração desse Lar desse Limiar é o que as pessoas estão chamando de presentismo é o presente Porque não há a ideia de futuro acia não existe mais apenas é uma projeção ideológica você dizer que as sociedades continuam em que são sociedades orientadas para o futuro mas que futuro que futuro se você Tem que nós temos portanto a uma espécie de
libertação material possível e ao mesmo tempo encarceramento de massa nunca se encarcera se encarcera se se destruiu Força Viva das pessoas nunca se destruiu se nunca se arrebentou tanto e a beira a beira da da a fluência abundância é besteira Isto é o problema Mater o problema da exploração ele está Tecnicamente resolvido é isto bom então é isso isso Quando isso acontece a as expectativas mudam inteiramente o futuro desapareceu e quando se você é de esquerda enxerga isso o que que você faz com a ideia de futuro então o o nosso problema o problema da
esquerda é o seguinte nós estamos literalmente isso não é n por aí daí a a parte otimista que você identificou no fim isso essa novidade não é necessariamente uma má notícia não é um pesadelo o fato de que não existe mais futuro o que se faz Qual é o futuro De uma qual terá tem futuro uma esquerda que não tem mais futuro Esse é o problema esse é o problema então aí o papo Progressista estad nem socialdemocracia existia quando existe revolução no sentido clássico coisa mudou não faz não faz não faz não faz mais sentido
então a a questão a ser enfrentada o novo tempo o novo tempo do mundo é isso as pessoas falam em presentismo presentismo como se fosse bom aí começa começa a ideologia Como se fosse um déficit como se fosse um equívoco como se fosse um erro você ser está inteiramente atrelado ao presente significa que você é um narcisista sibarist Hum pós-moderno assente como se fosse um erro ideológico quando é é uma é é uma é uma realidade não não não é uma escolha um equívoco político é uma condição real é uma condição real o eu citei
não falei por acaso esquerda sem futuro tô citando um ensaio do de um eh americano chamado ou Inglês Timothy Clark um Historiador da arte extraordinário e que num determinado momento ele escreveu um um ensaio Zinho chamado Por uma esquerda sem futuro só que ele cometeu o ensaio tem altos e baixos tem coisas fantásticas e outras uns tropeços assim cavalares no G alguém no nível dele é impressionante mas é muito interessante e a resposta melhor esquerda lhe deu é uma resposta convencional Esse cara é presentista ele não acredita mais na Revolução na classe superama que que
é isso ele tá falando outra coisa só que o erro que Ele comete é o seguinte nós temos que pensar como se não existisse futuro futuro ficou com a direita nós temos que pensar eliminando do Nosso repertório a categoria do Futuro o erro dele é imaginar que isso é um programa ideológico isso já aconteceu objetivamente não existe mais aí ele perde o bonde aí ele perde o bonde nós temos que entender o que que onde é que Nós onde é que a esquerda vai recuperar esse essa esse tipo como é que ela recupera como é
que ela refaz em que dimensões temporais ela pode recuperar a ideia de expectativa que sem sem expectativa nada feito mas só que não é mais nos nos termos da percepção histórica dos dois últimos séculos espé Isso mudou é essa mutação que nós temos que encarar ela tem uma origem material acabei de dizer em quatro frases você pega lá pega o capital Pega os grund R ISO tá explicado o homem disse a isso vai acontecer isso aconteceu e Nós não sabemos o que fazer porque os nossos repertório é de dois séculos atrás quando isso ainda não
era não era uma especulação do Marx tinha ficado lá para trás e a O Nosso repertório de dois séculos atrás dois séculos de espera era para acelerar esse Progresso que precipitou esse Abismo nós Eram todos progressistas Eram todos modernizadores Eram todos desenvolvimentistas e por aí A fora chegou e agora nós sabemos o que fazer no sentimos órfão e repetimos damos um passo à frente proteção social emprego inclusão tá tá tá bom bom até só que por outro lado há uma estratégia de atenção no fundo quem está por cima sabe que isso é conversa então você
tem que proteger você tem que administrar você tem que governar organismos vivos do quê proteger de radiação atômica você tem que vacinar você como se fosse uma População que você governa independentemente das classes a classe A classe já descolou já tem lá uma elite patrimonial que tá simplesmente quer que lá embaixo se cuide se faça essa governança das populações vulneráveis aí você pode de maneira participativa fazer com que os os caras os carinhas participem nesse experimento mas é real assim um cara que tá lá na tá na Fundação Casa aliás num depoimento outro dia alguém
tava dizendo isso que Trabalhou nisso com Juventude e nos programas e socioeducativos no tempo num primeiro período que que fo as mães estavam lá na na porta da FEB Fundação Casa batendo desesperada na porta para entrar porque Vão matar meu filho hoje elas estão lá dentro par reuniões de grupo participativos para ver como é que eu vou aferrolhar melhor o meu filho pronto é isso o presente do novo novo tempo do mundo é isso essa administração social Penal em que todos participam livremente não tem repressão a repressão é para excessos pontuais tem que participar aí
o ideal era levar todos os black blocks para algum programa distribuindo carteirinha de vândalo vândalo mais bem parados vândalos participativos administravam chegou então a a esperança o humor é isso nós tocamos depois eu vou comentar um pouco a Regina mas não agora já vi Uma besteira Você tocou apareceu em plena pacificação social tá começando a começar pessoas não classes não pessoas ingovernáveis ou difícil de governar a maneira antiga então estão atrás dessa maneira nova e se chegarem antes por mais uma geração a gente se ferra vão administrar isso e sabem são experto [Aplausos] obrigado bom
como a gente tinha antecipado a gente vai passar agora Para para uma nova levada de de questões levantadas aqui pelo Jorge pela depois voltamos ao Paulo e daí No final a gente tem um breve Uma Breve rodada de questões de vocês quem quiser encaminhar aqui paraa frente por escrito e preferencialmente para que a gente possa aproveitar melhor aqui o encontro bom eu fico contente que o Paulo eh esclareceu pontos aqui falou também Adiantou pontos centrais do livro dele e de uma maneira muito precisa eh e a única coisa que eu queria retomar Paulo é que
nesse bolo todo aqui eu não sei se você se você quer comentar mas eu vou retomar se você disser Olha isso aí é especulação tá tá tá era aquela questão lá do da subclasse desses desses tá tá bom é basicamente É isso aí porque acho que isso aí é um ponto interessante porque Você tá ao longo desse último texto você vai fazendo e menções e depois notas de rodapé sobre esse esses historiadores do PT que que estão aí então e fazendo trabalhos interessantes e tudo tá o trabalho do lincol seco no meu colega lá no
departamento de história ou o trabalho do André Singer sobre o lulismo então Eh especialmente do André que tá que tá localizando aqui o o a classe social que tá dando a base de apoio pro PT e tal etc Então se essa é a base de Apoio h não seria tanto o fato de que o PT tá perdendo apoio nessa base mas é que tá se constituindo uma outra base né que são os ingratos lá que o que o Como é o Gilberto Carvalho Gilberto Carvalho falou lá no fórum lá em Porto Alegre né ingratos É
isso aí né ficar doente eu eu queria que você falasse um pouco mais da questão do trabalho você você você colocou aqui que um problema pra esquerda é como Recuperar a dimensão de expectativa e eu acho que para mim pelo menos é uma questão com relação a junho que tem se falado muito que hoje em dia o campo político tá no espaço urbano é urbano que constrói a que é do urbano que surgem essas insurgências e tal mas eu fico com essa questão porque é do trabalho que surgia mundo e hoje o trabalho perdeu justamente
essa capacidade de formular mundo eh é possível essa passagem desse Digamos para um paradigma do espaço urbano independente do trabalho e por outro lado se o se o trabalho não forma mais mundo por onde construir desculpa por onde construir expectativa eh enfim é uma inquietação minha com junho e já que que tem questões que você passa por aí ã a outra questão eu eu não sei eu gostaria que você falasse um pouco de 64 do golpe que tem o o seu texto e que eu li agora eu não tinha lido antes eu Achei muito bom
e e é um e é um texto que me fez pensar muito principalmente pela experiência que eu tive quando eu fui na na comemoração não no evento do que aconteceu aqui em São Paulo lá na na Tutoia Oi foi e foi uma experiência muito esquisita para mim porque foi uma foi enfim tinha cara de comemoração mesmo tinha uma daquelas barracas da Prefeitura e e logo que eu cheguei o que que eu tava esperando é convite que você recebe pro Facebook você não sabe o que vai acontecer né só que eu tava esperando que fosse ter
um pessoal do lado de fora xingando alguém lá eu chego parecia que não tinha ninguém Quando entrei eu vi que era um evento dentro no estacionamento daquele espaço e aí nesse evento enfim as pessoas cantavam cantaram lá Internacional e e exigindo a Punição e tal e eu não sei porque começou a me dar um malestar quando aí eu saí de lá e aí eu comecei a formular eu falei bem é como se estivéssemos pedindo passagem para estar aqui aquela delegacia funcionando e aquele evento acontecendo num palco montado no estacionamento e me passava pela cabeça porque
diabos aí fazia um discurso porque nesse lugar se torturou t e eu falava porque diabos não estão jogando uma pedra nesse Lugar fim comente não com o meu microfone bom então ah o texto lá dos Sem discurso e desamparados que é a expressão que usa pela usado pela Regina trabalho em 64 é isso É fale Tá bom vou falar tudo Vou contar tudo Vou me abrir com vocês o texto mencionado pela eh pelo Jorge é uma é um paper de uma socióloga chamada desculpe o paper Escapou Regina Magalhães de Souza não sei se ela está
aqui ã mas bom que ela não esteja que assim eu posso elogiar despudoradamente eu acho um texto uma maravilha como o livro dela recomendo se puderem comprar N isso aqui ah aí embaixo é o discurso do protagonismo juvenil é uma coisa espantosa o que ela faz ela faz um levantamento do discurso centrado na ideia de protagonismo juvenil não mundo pela hora da morte e os jovens são Protagônico agora quando ele é protagônico na Paulista panha mas em todo caso mas é que não são mais protagônico nesse sentido é esse ela procura não vou resumir o
livro dela mas basicamente o que ela diz ela descobre lendo todos os manuais os os escritos das grandes corporações da de todas as zong dos governos os grandes multilaterais e todo mundo como é que se você mobiliza os jovens através de dispositivos de participação e Protagonismo para fazerem coisas em benefício próprio negociando seus próprios interesses com outros jovens na mesma situação é claro são jovens pobres não é jovens no sentido Jardins é outro é outra é outra Juventude como é que você governa essas pessoas e você governa entre outras coisas dizendo que o século XXI
já chegou portanto começa o discurso do Futuro século XX já chegou preparem-se se você não aprender a aprender você Estará despreparada para usufruir da do moderno que chegou que é o século XXI que é o futuro bom e a Grande descoberta delas é que dela é seguinte governos ONGs e sobretudo as grandes corporações os empresários que se mobilizaram Descobriram que a política no sentido que a esquerda e liberais e socialistas penso a política desapareceu Não essa é a velha política segundo eles dois sindicatos dois partidos do do Parlamento e por a forma Política é outra
coisa se a velha Essa é a velha política não funciona não melhora a vida de ninguém só piora a política é outra coisa a política é uma política de protagonismo de participação de uma sociedade civil propositiva e ativa empresários falando depois vem um partido de massa começou a falar a mesma coisa governos falando a mesma coisa ONGs falando a mesma coisa organismos multilaterais fazend mesa coisa política não existe de modo Quando vem Quando vem Essa história para a o grande tido contraveneno para junho façam política os donos da rapadura dão risada é claro façam política
essa política querem faça continue fazendo para nós tá ótimo mas nós fazemos política de outro jeito nós governamos a população de outroo nós vamos na periferia e através dos nossos braços sociais e culturais bancos empresas construtores assim por diante nós fazemos a política que interessa e essa política ela é mobilizada pelo Discurso do protagonismo da Juventude e o jovens que participam e se participam do seu autogoverno e portanto interiorizam todas as normas de governar de se conduzir de se em última instância de Obedecer é isso isso é ela isso ela trata disso bom diante disso
el dis alguma coisa pavorosa você lendo o livro ninguém escapa dessa rede as escolas funcionam assim as empresas funcionam assim os governos funcionam assim os mandatos funcionam assim as ONGs Funcionam assim todo mundo funciona Desse jeito todo mundo tá participando as mães dos meninos que estão na Fundação Casa funcionam assim bom bom como aí ela era professor aposentou-se na prefeitura era professora de formada em sociologia resolveu dar ala de sociologia numa unisquina não é no Rio é em São Paulo numa unisquina gigantesca maior que a USP e foi e como ela gostava de dar sociologia
ela foi dar aula de Sociologia nessa unisquina gigantesca e Teve ficou 2 anos dando aula de Sociologia clássica el descobriu que o dur Kim era interessante começar a dar a explicar jkim para moçada ia por aí bom que que e que que o que que ela descobre ela dá o o texto dela chama-se trabalhadores não tão jovens assim que voltam a estudar e voltam a estudar e vão para o curso de sociologia porque é o mais barato vale nada então é mais barato então vamos para lá porque eles precisam de um diploma de alguma Coisa
qualquer coisa vão para lá e ela começa a fazer essa moada a a ler a ler Dek a explicar de que existe sociedade como é que ela vai exp expar que existe sociedade paraas pessoas que não acham que não existe sociedade bom e que que eles são são tem manicure tem covero tem PM tem eh bom todas as profissões as mais disparatadas exóticas que vocês possam imaginar é gente que mora em caixa pego uma morora mais viaj 3 horas depois trabuca rala todo dia vai lá Assistir sociologia depois pega um trem e vai lá paraa
Caixa Prego depois volta bom esses aí ela ela começa há um desinteresse há dois tipos de desinteresse quem é que se desinteressa por sociologia Diz ela primeiro os que já estão em programas sociais do governo e portanto abrem a boca e falam o discurso do protagonismo juvenil da organização da participação da ONG isso o trabalho voluntário e da programa social isso e por aí a fora os Organizados os organizados politizados em partidos os políticos de esquerda e de extrema esquerda e os que são assessores de mandatos de vereadores esses já sabem tudo então ali por
no mandato porque no lugar em que eles trabalham eles precisam de um um canudo qualquer Esse é o mais barato é o mais rápido Nem presto atenção na aula porque eles já sabem na luta de classes já já sabem o que que é o Projeto democrático Popular eles já sabem tudo então Simplesmente eles funcionam nessa máquina não existe eles tem discurso e não estão desamparados tem os que estão protegidos pelos programas sociais tem os que tem t esses empregos oficiais e tem os que tem tem as suas organizações políticas e já sabem já tem programa
de tudo tem enfim tá perfeito o mundo é perfeitamente legível vão tocando vão tocando o barco aí ela descobre esses esses sem discurso e desamparados que na na como como Jorge leu que não tem não São nem tão pobres para serem assistidos por um programa social existem as dúzias dezenas Então ninguém é está desassistido nesse sentido e nem tem nem nem tão politizados para estarem em Organizações e serem assessores terem assessores num num mandato qualquer e nem e nem participe veja só ela entra isso que é mais entra no pacote do conformismo Social os movimentos
sociais quem está em movimento social também não está interessado em descobrir como é que Funciona uma sociedade tomar uma mínima distância sobre o discurso da ordem contemporânea num país como o Brasil então eles são estão perdidos Diz ela para eles a aula para eles bate na parede eles vão embora pagam a mensalidade e acabou e ela dá aula Conseguiu dar aula para uma fracção que assim são trabalhadores não são precários inteiramente precários pelo contrário são eles ralam é é o trabalho a nova Centralidade do trabalho que é uma centralidade Demoníaca Mas por outro lado trabalhar
alguma coisa que tem significado ainda mas eles estão lá e desamparados e e sem saber o que pensar o que dizer e esses começaram a se interessar por estudar sociologia por para explicar quando você explica para uma pessoa um público como esse Por que que as pessoas se suicidam pega lá o JK o que que é anomia o que que é suicídio o que que é punição por aí é fora o que Que é religião e eles se interessam eles começam a descobrir que existe alguma coisa por trás dele que se chama sociedade que funciona
em que você e começa a se descobrir que são são pessoas de segunda ou terceira categoria que não tem não tem nenhum guichê para eles ora em junho ela fez essa escreveu isso tá pesquisando transformou-se num Capítulo de um livro coletivo em andamento em junho ela foi pra rua obviamente ela foi pra rua e os Encontrou na rua nos encontrou na rua e encontrou de uma maneira diferente como quem tava ela descreve isso como quem tava participando de uma coisa muito agradável convivial como se fosse como se fosse tomar cerveja na calçada depois depois da
aula encontra os amigos encontra outras pessas encontraram uma sociedade em movimento e acharam que faziam parte de alguma coisa e p e não tinham palavras n não tinha um discurso Preparado pronto para volta H política se Organize partido política reforma política ou patriotismo sem sem violência porque a violência não tem um discurso sobre a violência violência então o cara bate el V não é legal Batu um polícia bate não tem não tem não tem não eles estão por milagre estão fora dessa dessa toneladas de de Sens comum que sufocou a inteligência social no Brasil ela
viu isso ponto eu não eu não tenho eu não sou sociólogo não sou Teólogo ela você vê um troço desse você vai atrás que que tá acontecendo ponto não digo mais nada é o tá lá tá lá não sei bom e aí entra no trabalho são trabalhadores todos são trabalhadores que tipo de relação trabalho sociedade tem nessa circunstâncias que em junho aflorou não é tradicional não é convencional não é que nós convencional não S pejor não é que nós estamos habituados a fazer a a a lidar nó não não sabemos Qual é a Relação deles
com o trabalho é uma coisa gratificante é uma coisa horrorosa Nós não sabemos direito nós sabemos que deve ser horrorosa se chegar uma jornada de 12 horas até chegar em casa para ganhar uma merreca de um um mínimo um salário e meio ou duas não deve ser uma coisa pavorosa mas por outro lado há uma reserva uma uma disposição pelo fato de estar ingressando na sociedade Que Nós não sabemos é a única frase são a única franja a única franja e que Digamos que O oficialismo tem de dizer que nós alguma coisa nós temos a
ver com isso tem sim na medida em que você balança o Coreto em que mais gente participa desse mundo horroroso do trabalho muda o panorama social mas óbvio que muda mas não Mud Pode não ter mudado no sentido esperado é claro isso era isso foi isso foi inesperado então há uma outra centralidade do trabalho que é negativa que nós não estamos sabendo o que que é e esse trabalho faz com que as pessoas Se conformem a fazerem as piores coisas porque é um trabalho de seleção e de eliminação você tá lá para ferrar os outros
por outro lado é um trabalho que dá gosto as pessoas as pessoas por mais alienado que seja o trabalho as pessoas querem fazer uma coisa bem feita você recebe mesmo você passar um xerox mesmo que seja que entregar uma pizza ele quer entregar bem uma pizza por outro lado não estão deixando ele entregar bem uma pizza Esse é é uma espécie de Centralidade negativa do trabalho isso faz e é uma e e e a o a entrega da pizza dele é uma coisa que exige a mobilização da imaginação da convivialidade da simpatia da disposição para
o trabalho seja gripado ou não arrebentado ou não na moto assim exige totalmente não é mais uma jornada de 8 horas Qual ele se desincumbe com uma coisa qualquer e depois vai PR casa e esquece não ele é integramente absorvido é uma para falar de maneira pedante é uma subu total do Trabalho pelo capital nesse momento só que é para nada ele sabe por outro lado ele sabe que ele tá ele gosta de trabalhar bom ele quer fazer o trabalho bem feito ele quer ser reconhecido pelos outros e o trabalho é alguma coisa antropologicamente fundamental
Não dá para o problema é trabalho em mercadoria trabalho abstrato é outro isso é esse viés que nós temos que buscar nas ruas de junho não o que a que o data bagulho isso data bagulho aquilo diz que é o Extrato x de renda o o eleitor de beltrano ciclano tá lá não tava tava classe alta média baixa superior IOR lateral esquerda eu quero vender produtos para esse cara candidatos e produtos é isso isso que as pessoas que os institutos querem isso não é isso é isso é marketing eleitoral é pesquisa de mercado não é
sociologia nem é a coisa que a esquerda interessa é óbvio todo mundo não precisa fazer pesquisa para Saber que a classe trabalhadora organizada não estava na rua por pronto onde é que ela estava vamos procurar em vez de decidir não tava então vi e faram 22 milhões de pessoas na rua ela não estava depois ela fez nas famosas na jornada de Julho ela conseguiu Não foi mais Impacto porque paralisou paralisou o que rodoviária Estrada por quê Porque um porque dos setores dos setores de transporte que é um Sindicato do crime que o pariu os caras
trocaram tiros Na na na na uma semana antes em São Paulo bom tem bom vamos Não vamos não vamos não vamos aprofundar então é um fiasco história a a mudança de maré é visível é só sair na rua e ver olhar pra cara das pessoas tu saber se é classe média ou não você olha para uma cara de pessoas você diz o que tipo qual é socialmente o que que ela é não tem mistério fica medindo na classe média para cima para baixo então Eh 64 vamos lá não sei se Respondi quanto tempo qu uma
perun só você mou o título do artigo desse livro em relação ao livro da ditadura é o mesmo artigo Eu só mudei o título então eu já não acho aqu lá já insuficiente em todo caso AH 64 bom aí 64 Ah é uma coisa complicada então eu vou Eu precisaria de uns 10 minutos pode ser eh é uma bom é um bom me parece um bom um uma boa amra para a gente poder Entender o que que o que que significa esse diabo desse novo tempo do mundo que é Nossa percepção relação política eu acho
que mudou mudou e nós temos que começar a compreender isso e um dos lugares privilegiados para você perceber essa mudança é a maneira pela qual o 64 está sendo rememorado estudado debatido 50 anos 50 anos depois então existe uma eu vou começar por um um fenômeno novo existe uma coisa que os historiadores clássicos a respeito de 64 Começou a aparecer em 94 depois se reforçou em 2004 nas datas cheias sempre e agora em 2014 que chamo de revisionismo revisionismo histórico n é revisionismo no sentido da historiografia não é revisionismo não é revisionismo no sentido digamos
maoísta e o revisionismo e e o revisionismo Contec no seguinte a partir de um determinado momento Dá até para dar a data precisa meados dos anos 90 é Quando a maré vira mesmo Maré digamos a mutação antropológica que no que eu tô tentando descrever mal lem com esses artigos aí memes prolixos e desformes ah a coisa a maré vira a maré vira e começa e aparece uma coisa que era era inédita e as pessoas ficam chocadas assim algum punhado de bons bom não são ideólogos ris são bons historiadores eu não vou dar os nomes muita
importância são bons historiadores começa a dizer o seguinte eh entre 61 E 64 depois o golpe ao Desfecho houve houve uma espécie de estava em marcha Ah agora V Lar Utopia esqueci do negócio da Utopia real alguma coisa uma Utopia negativa que era per são os historiadores estão diz aconteceu isso foi assim que era a percepção de que era que democracia e Reforma a institucionalidade ou a legalidade democrática regida pela constituição e reformas de base reformas estruturais exigidas por uma nação em movimento eram incompatíveis e que Portanto só na marra reforma agrária na lei oar
era isso que todo mundo dizia como vocês não tá aqui só eu e o Roberto acho que Ah nós dizíamos com a maior natur ao dizer reforma agrária na lei na marra era digamos era uma espécie de Teorema Óbvio da esquerda vai de um jeito ou de outro é claro a reforma base era um antic câmara de uma convulsão social por vir se a lei impede pior pra Lei ou mudamos a lei se a lei não muda a lei Não V mudar nós somos a maioria e explorados pronto tá encerrado o assunto a partir de
94 isso vira uma espécie de impulso liberticida As pessoas odeiam a democracia são não faz parte da cultura da esquerda brasileira a democracia isso foi descoberto em 94 porque não avisaram a gente não teria feito as besteiras que fez antes de 64 61 se respeitemos a democracia então há um impasse há um impasse catastrófico uma outra expressão que apareceu há um impasse catastrófico Uma Utopia negativa dizendo que democracia e Reforma são incompatíveis e quem é culpado disso a esquerda mas não só esquerda começou mas aí a direita reagiu e a direita entrou no mesmo barco
ela começou a dizer que as reformas eram incompatíveis com a legalidade democrática portanto a constituição teria que ser respeitada Mas se vocês continuarem impressionando Nós também vamos desrespeitar a democracia portanto houve um empate e houve é a democracia Pobrezinha democracia de 46 a ordem liberal no Brasil foi as tomad de assalto por dois demônios surgidos do nada que era a Extrema esquerda e a Extrema direita que massacraram a pobre que foi vitimizada bom isso são historiadores sérios que dizem bom Que que isso significa esse efeito de boa fé é documentado dá para dizer que de
fato ninguém mais egoistas e e veja só e diz olha e houve uma uma mudança na Mentalidade da esquerda houve uma mudança na mentalidade da esquerda porque em 61 eles eram legalistas para evitar o golpe e assegurar a posse a posse do em 61 depois da renúncia do jnio quadros era que que era era a luta da legalidade para se cumprir a constituição o vício Toma Posse a esquerda portanto eraa legalista subitamente em 63 entre 61 E 64 ela vai deixando de ser e ela se torna uma adversária da democracia no Brasil ela é Incompatível
com a democracia a Extrema esquerda Claro não o trabalhismo bom e a a reação do outro lado é compreensvel bom isso significa pera estô já já vou encerrar Isso significa que nó isso esse revisionismo Na verdade é um tremendo não um Historiador clássico é anacronismo é anacronismo você não pode rebater só para 60 anos atrás aquilo que você acha que é o horizonte máximo hoje que é o capitalismo Liberal democrático e assim Por diante e portanto você você olha para trás você só vê catástrofe só vê catástrofe violações e e desrespeitos e atentados contra a
democracia em Total incompatibilidade com a democracia porque Esso é a verdade isso isso éo olha o que eu estou dizendo não é nemum coisa né o revisionismo ele faz parte dessa conjunção ou dessa conjuntura que eu estou chamando novo tempo do mundo que mudou a percepção política tempo e isso é da coisa maior os Revisionistas não admitiria isso porque eles são progressistas eles são eles descobriram democ depois de 25 anos de ditadura descobrir Dem é uma descoberta Curiosa você descobrir só precisar de uma uma uma ditadura para descobrir os valores da Democracia não sabe nós
não sabíamos o que que o que nós estamos pondo em risco assim por diante bom o que eu digo aqui não é nem anacronismo nem revisionismo no sentido em que os historiadores e Rejeitam ou de ser uma revisão eu que estou dizendo o seguinte há uma coisa nova uma coisa nova pela Nós nos damos conta agora eh 50 anos depois do do golpe 30 anos depois 25 anos depois da ditadura a ditadura continua contemporânea atual não que ela esteja aí na ditadura não tá aí o dispositivo da ditadura não está aí ela passa a ser
um acontecimento que nós ao qual nós reagimos como se tivesse acontecido Anteontem isso é novo isso é absolutamente novo isso Começou no fim dos anos meados dos anos 90 um dos indícios é a primeira a lei a primeira Lei dos do da responsabilização do estado dos mortes desaparecidos quando aparece isso até então não existia isso no horizonte da esquerda a direita S fu não existia no horizonte da esquerda porque a esquerda ainda era Progressista no sentido tradicional que que o que que a esquerda Propugnava Anistia como esque foi esquerda Que ventou isso não foi direita
não Anistia como esquecimento esquecemos foi foi Bárbaro atrocidades in nominava anda e nós vamos voltar e nós vamos construir ir uma um estado social um compartido de massa e não portanto nós queremos a volta dos nossos exilados a abertura das prisões ficam lá crime de sangue fica lá coitado S meia dúzia vão apodrecer mas volta portanto nós estamos interessados em que a coisa vá pra Frente e 64 ficou para trás esquecemos esquecemos é um trauma mas ficou para trás era assim que se pensava no fim dos anos 70 era assim que se pensava durante os
anos 80 aí veio o trambolhão em 89 perdeu-se ass em 90 as coisas começam a mudar al uma alguma coisa Muda alguma coisa muda essa essa nova Maré entra em cena e o que muda muda é o fato de que 64 deixou de fazer parte da história como estado novo estado quem o estado Novo foi tão Bárbaro quanto 64 durante durante a era durante o governo Dutra matou-se mais comunistas do que na do que na ditadura de 64 o critério não é quanto mais matou quanto mais não é não é isso matou camista tava fora
da lei e era o inimigo matava aparecia inimigo matava destroçava arrebentava ponto Mas a partir de um certo momento isso isso tá isso é história Isso é história 37 45 Isso é história para ser Pesquisado evocado na memória dos partidos não porque o trabalhismo o socialismo Partido Comunista assim por exemplo tá lá na nossa é Nossa memória história mas não é a atualidade a partir de 94 com essas leis com as novas leis de responsabilização do Estado morte depois de reparação não precisa o julgamento é uma outra a ideia de justiça e punição jurídica é
é um outro capítulo quando isso aparece milagre 64 torna-se novamente Atual e não é apenas pela memória dos familiares dos Mortos desaparecidos que foram estropeados torna-se torna-se novamente contemporâneo se ele familiar tempor portanto faz parte do mesmo é como 50 como se 50 anos fossem vividos agora e se eles são vividos agora se nós somos contemporâneos do que aconteceu há 50 anos atrás que continua acontecendo Então o revisionismo tem tem sentido eu acho um lixo do ponto de vista Ideológico Claro mas faz inteiramente sentido que as pessoas reconheçam bom então a democracia ela se expande
ela ela tem efeito retroativo assim como eu quero condenar quero julgar quero a verdade quero a memória quero julgar quero condenar os perpetradores de tudo portanto a lei sobre tortura el tem efeito retroativo tudo tem efeito retroativo então a democracia começa a ter efeito retroativo e eu sou tomado por essa Miragem da Democracia que foi Massacrada em 64 ora isso é o novo tempo do mundo isso significa que você pode você está convivendo com esses mortos ao qual você deve um acerto e esse acerto ele é um acerto contemporâneo mudou portanto a relação da política
com o tempo do dano do dano com o tempo mudou não há o tempo não cura mais nada Como diria o sart em 45 o tempo não cura mais nada nós achávamos quando começávamos a iniciar como esquecimento que o tempo curava ele Não cura não vai passar então nós esse problema não ele é ineliminável então entra no tempo jurídico a ideia do imprescritível que era impensável é imprescritível e o efeito retroativo significa o que que nós começamos aí a briga com os revisionistas vai se dar nesse terreno nós começamos a fazer política nós à esquerda
com fazer com que a nossa agenda de justiça e emancipação a nossa agenda clássica se volte para o passado então o acerto de Contas com o passado é a nossa agenda que era do futuro Mas isso não é um erro isso é um sintoma de que o tempo mudou e a nossa relação do tempo e política mudou é isso bom falei demais encer agora [Aplausos] encerra bom nós temos condição caso alguém queira fazer uma questão de fazer uma última breve rodada de questões eh e daí depois a gente passa para sessão de autógrafos alguém a
gente não Recebeu aqui só recebemos uma questão por escrito do Paulo Então vou eu vou pedir para você fazer a pergunta no microfone porque tá sendo gravado e daí o o Paulo Arantes passa aqui mas a gente realmente vai precisar de uma objetividade Na verdade eu tinha feito uma pergunta sobre 64 Mas você já respondeu apesar que eu acho que se você quiser continuar respondendo e seria até interessante e o que o que Se falou a mudança do Novo Tempo houve uma mudança tecnológica nesse processo nesses últimos tempos acho que essa não se tocou eh
de algum modo eu me lembro eu sou de uma geração que viveu sobre a eg da televisão televisão dominou é isso Inclusive a Silvinha pode ajudar a nessa questão eh domingo o fantástico deu o pior índice de audiência de todos os tempos não eu acho que é um um sintoma Um sintoma que eu acho que tem a ver com com a contemporaneidade com essa relação com o tempo e inclusive com as informações que aparecem e eu e eu acho que para entender hoje inclusive como tá se pensando os sujeitos que estão na rua deve se
pensar como que a eh a relação com com a comunicação também como que se ess esses meninos não só estão aprendendo em sala de aula eles de algum modo eles também aprendem quando eles Ligam o Facebook mesmo que seja uma notícia mesmo que 90% do que Eles veem seja bobagem aparece lá uma notícia que eles não vão ver eh em outro lugar porque ele é amigo de um professor de história ou de Filosofia e que e que aquela notícia vai vai aparecer Eu acho que eu não sei se tá vendo estudo sobre isso mas que
eu acho que seria interessante para entender também o que é Junho o que a ideologia que Também está aparecendo aí nos movimentos que estão nas ruas que também passam também por uma uma certa de relação com conhecimento na verdade não foi uma pergunta mas queria que você comentasse um pouco isso se você acha que faz parte também dessa temporalidade Quando o senhor se refere ao se referi ao revisionismo eh o senhor me fez lembrar muito um livro que eu li Recentemente que fala sobre a historiografia da Alemanha e e que há o mesmo debate então
a ação da da esquerda eh era antidemocrática e a ação da turma lá do pintor alemão também era eh era antidemocrática e a ditadura Ficou ali no meio e acabou né tendo a a a ascensão eh do Hitler essa essa tese que nós temos agora no Brasil ela não seria um reflexo da reorganização da direita eh na Europa porque eu eu eu eu tenho um Certo pessimismo porque o que eu vejo também é que eu acho que na na na na década de 90 como nós dizíamos que eram socialistas todo mundo dava da nossa cara
agora já se volta a falar de uma conspiração eh judaico Maçônica comunista com com o direito ao fantasma do do do do Carl Marx andando por aí então não é uma rean eh reordenação também da direita porque eu tô dando aula sobre o a segunda guerra mundial esse esse semestre e aí Eu fico sempre pensando nisso a gente não tá feliz porque houve uma uma fazendo como o Partido Comunista alemão que ficou fiz is porque tinha aumentado o número de de de de cadeira sem perceber que o número dos nazistas tinha triplicado a gente não
pode tá indo nessa met direção ó bom boa noite Paulo a mesa eh eu fiquei com uma dúvida assim na sua explicação porque assim eu sou da de uma geração né que nasceu sobre o Neoliberalis ISM nos anos 90 tal e participei das das das manifestações de junho e aí a dúvida que ficava assim que sei lá durante toda a minha juventude assim adolescência parecia já que não existia futuro assim porque nada acontecia assim você não via sei lá movimento social não via nada na rua nada acontecendo nada no âmbito internacional também e a sensação
de ir pra rua eh pelo contrário sei lá parecia que Começava a existir futuro e começava a existir expectativa de mudança Então eu queria que você sei lá comentasse um pouco porque quando você fala assim ah qual é a perspectiva de uma esquerda sem futuro eh eu não entendi muito bem eh se não tem o que é o que você quer dizer que não tem futuro ou se o futuro se aproximou assim entendeu com essa ideia de expectativa de mudança mais não sei se deu para Ficou claro mas enfim a Sensação não melhorou não sei
para mim a sensação foi de que não para mim eu não sei se as outras pessoas que participaram porque eu sei que tem pessoas que participaram aqui foi de que poderia existir alguma perspectiva de mudança e de futuro agora eu não sei se esse futuro eh por isso que acho que tem que ter um diálogo de gerações aqui se é um futuro que a gente projetava né que a geração de vocês projetava mais pra frente de transformar De uma sociedade utópica Ou se era uma sensação de que o futuro também poderia estar em sei lá
pequenas mudanças mas que pra gente parece muito assim de que pessoas na rua já é um futuro sabe uma coisa assim bom primeira primeira pergunta do Y bom eu não eu não trato disso eu trato de passagens dis ieca escrita sobre isso chama-se e o tópico desses estudos chama-se aceleração social do tempo tese do presentismo da ruína do Futuro assim vem dessa aceleração e essa aceleração do tempo o tempo real a ideia de tempo real vem ela é impulsionada por por tecnologias da informação e da comunicação que por sua vez não é determinismo tecnológico foram
elas vem da guerra é é o complexo indústria militar que concebeu todas essas tecnologias da informação e da da comunicação ao básico dele por razões estratégicas e racionalização no sentido weberiano e que reexport que exporta Pela para a sociedade a qual se recorreu na na na medida em que o capital deu uma deu um tranco e entrou digamos numa fase contrarrevolucionária sem revolução Essa é a novidade do período que o Marcus já havia anunciado nos anos 70 nós vamos conhecer agora contra revolução permanente sem revolução e é o que tá no Brasil o Brasil nós
temos uma contrainsurgência permanente sem insurgência mas a contrainsurgência ela é permanente já começou no Rio já Começou agora segunda-feira que nós íamos preparar para o presentinho da copa vamos antecipar um mês porque não dá dando para segurar a barra mas R A insurgência tá mas tá aí bom Ah então eu eu não não abordei diretamente esse tópico que foi essa tecnologia que foi mobilizada no momento em que você em que ela foi mobilizada para poder desestruturar esse mundo do trabalho que não é mais o mundo do trabalho não existe mais mundo mundo no sentido em
Que as coisas fazem se correlacionam e se entrel Liam e você tem um mundo de significações o qualquer antropólogo sabe disso então eu não tratei disso mas porque se eu não queria abrir esse esse esse livro de de enfim de evidências sobre essa aceleração eh social do tempo e que que é a é a versão benigna da ideia de urgência ou emergência como como não temos tempo não temos tempo não temos tempo e que faz essa aceleração ela ela é perfeita para botar todo mundo Para correr no trabalho que não é mais mundo então todo
mundo corre atrás de alguma coisa sem sabend no que no que significa essa correria da ideia de que não tem futuro é uma correria pela correria por simplesmente segunda pergunta sobre vaimar eu acho que esse fantasma da República de vaimar que você tá estudando Ah é É um fantasma não tem nada a ver conosco Isso é apenas e quem curiosamente é é a esquerda que o evoca a direita não tá nem aí a Direita estão ganhando o jogo de goleada aí a esquerda que tá querendo participar desse jogo como auxiliar ela fica então montando esses
esses espantar não repitamos o que aconteceu em vaimar os socialistas não são os nossos não são os inimigos inimigos são os fascistas aí aí felizmente aparecem fascistas na rua sempre tem né tem tem esses núcleos existem por várias razões é uma pulsão que se encarna em várias que se Cristaliza de vária maneira e para você para fazer a moçada ficar quieta e portanto eu acho não Não Há possibilidades se abusa da palavra fascismo Eu acho que o que vem por aí é uma coisa nova diferente igualmente horrorosa horrorosa Então pegamos pegamos pega pelo menos o
o o o o que tá acontecendo na Grécia que é uma das coisas mais pavorosas na Grécia na Grécia os os trabalhadores emigrados Ou nem trabalhadores Simplesmente os imigrados os refugiados os removidos que vêm do Afeganistão do Iraque da Síria ficam em bairros específicos eles não podem sequer sair de casa são massacrados são massacrados e não só na Grécia na Europa na Europa inteira Então existe racismo xenofobia e vai lá embaixo e pega fundo é claro que aí começa a imaginação todo mundo tem começa a fantasiar com seus ritos com suas Bandeiras é tudo é
estetizando e reaparece todos toda a Iconografia do terceiro raio reaparece mas não tem mais nada a ver com o terceiro raio por uma razão muito simples não existe classe classe trabalhadora organizada a ponto de fazer um tomar o poder ou uma revolução como existia nos anos 30 isso está fora de cogitação então eles estão batendo naquele estão batendo na população excedente estão exterminando a população excedente porque faz parte da engrenagem a onda punitiva Não não poupa ninguém então você tem um aparelho coercitivo legal de estado de direito na França que encarcera que arrebenta E você
tem depois os malucos na rua que fazem a mesma coisa que são considerados malucos para e servem para assustar aqueles que são a favor de pegar esses malucos ou as vítimas desses malucos e colocar na cadeia para que para que a rua fique tranquila então bom e voltando para voltando pra Grécia então um dos argumentos um dos um dos Argumentos digamos eu acho oxo mas em todo caso é um argumento interessante do Timothy clar quando ele fala da esquerda sem futuro quem é que pensa em pensa em futuro em termos redentores Apocalípticos que a nossa
hora chegou hoje são os socialistas europeus mas são desdentados estão mortos são sonâmbulos são nada bolchevik não existe mais então quem quem tá pensando no futuro como a a nossa hora está chegando a nossa grande expectativa é a Extrema direita e a Extrema direita esses têm um programa um futuro apocalíptico por descer essa é é uma é uma coisa que a gente tem que tem que tem tem que pensar melhor mas eu sou eu acho que essa esses revivals as revivescência históricas nós temos que aprender o que aconteceu o que que foi O importante saber
o que que foi que que foi a luta antifascista nos anos 30 como é que houve uma guerra e Por que essa luta é esquecida E se a gente olha para trás só tem vítimas não tem mais Combatentes não tem mais luta não tem mais nada só as vítimas holocausto e Companhia assim por diante an dos genocídios isso isso é o mais grave e quem Esse é o problema que aconteceu lá na na na Rua Tutoia e o último da futuro então dizer assim em 3S minutos é claro que quando você diz na rua nós
sentimos que havia um futuro começamos a respirar é óbvio é óbvio também todo mundo porque aconteceu tá a a eu vou te dar em Duas respostas primeira dois pontos primeira coisa na rua você sentia que alguma coisa estava acontecendo que não era o caso na pasmaceira mundial ou numa sociedade pretensamente pacificada embora se chine regularmente todos os fins de semana nesse país não acontecia nada então o algo algo acontece bom no que Na nessa nesse enquadramento digamos de percepção do tempo política e social que eu estou que eu uso nesses ensaios significa o Seguinte que
o acontecimento voltou ele voltou porque você tem uma conjuntura Perpétua permanente e perene que não tem desfecho como tinha como tinha antigamente um desfecho um golpe como não tem não tem desfecho Então você tem uma siranda de acontecimentos só que ess nesses acontecimentos não acontecem nada de repente um acontece alguma coisa então tem aparece o que os Alguns chamam de acontecimento monstro e esses acontecimentos eles são e eh falam sobre Eles mesmos começam a se auton narrar como se já estivesse indo para o passado e nesse momento um um certo percepção da história funcionando aparece
nós temos novamente alguma coisa nessa direção isso posto não significa que o futuro o meu futuro não voltou para você o seu futuro é completamente diferente o seu futuro tá vinculado a uma coisa política chamado ação direta que não existia no meu tempo meu tempo era o tempo das mediações das grandes organizações do Chão de fábrica da mediação da dos partidos políticos do Progresso do programa de transição E por aí a fora porque nós tínhamos a história a nosso favor e nós éramos pacientes nós sabíamos esperar porque se ou Tarde trabalhando na boa direção com
uma boa direção nós chegaríamos lá nesse isso Isso mudou não é que os somos infiéis ou traímos essa essa tradição Isso mudou isso saiu de cena independe como o schg lá vendo aquele quadro bom desapareceu é Outra coisa como é que como é que isso pode acontecer ora em todos esses movimentos desde o zapatismo mas se se aceleram na primeira década do século XX a ideia de futuro desapareceu a o que o que o que entra a ideia de futuro antiga o futuro novo que entrou é um futuro imediato é um novo acontecendo cujo e
o o acontecimento é justamente o que eu tô dizendo é o é aparece como Horizonte de expectativa o único que nós dispomos é aquele acontecimento se desenrolando ora Na Grécia que eu descrevi há pouco a palavra de ordem houve uma grande Insurreição estudantil em 2008 em fims de dezembro início de novembro de 2009 todo mundo esqueceu mas houve eles tocaram fogo foram para cima não tô fazendo apologia não sou incendiário não e eles diziam Nós Somos a imagem do Futuro que vai acontecer no mundo entre outras coisas depois já tinha acontecido em 2005 na França
e eles dizem o seguinte nós não temos proposta Nenhuma não temos programa nós sabemos simplesmente somos contra o estado e contra o capital ponto não tá não há não temos um programa de transição não temos um programa de governo não estamos na rua para isso is é não tem teleologia como eles eles diziam não há não há um não tem você percebe que mudou alguma coisa iso é então para alguém da sua geração você disse que é geracional bom obviamente É geracional mas isso é trivial dizer mas pode ser para mim eu Assa m é
uma coisa tem três vezes a sua idade Não sei não é é por aí você ah aí veja só para essa para quem percebe esse no essa coisa acontecendo no ar não faz sentido a ideia de acumular forças correlação de forças concentrar massa as massas se movimentam acumulam forças transmite essas forças para um partido que transmite essas forças para os seus representantes no Parlamento onde mudam a correlação de força e portanto Nós pegamos o estado e Redirecionamos o estado na nossa direção isso desapareceu isso não tá em citação e mesmo aqueles que propugnam essa política
que assim puf ela envelheceu não é não é dogma não tô não tô refutando ela simplesmente é uma é uma coisa da vida ela desapareceu Eles não conseguem mais fazer isso não consegu mais fazer isso na rua conseguem só nos aparelhos os aparelhos vão pro prégnante vão ficar óf Eles não sabem mais fazer eles só sabem fazer essa Coisa antiga quando eles passarem pra Oposição a depois de outubro eles não vão mais saber o que fazer estão perdidos estão perdidos completamente Onde estão os nossos gabinetes os nossos mandatos Onde é que estão os nossos estatais
não sab mais o que fazer os nossos movimentos nossos partidos tão que tão que reaprender a fazer aquilos que eles sabem fazer que era de 20 anos atrás mas eles esqueceram enquanto isso com gente com você já tá Alguns quilômetros lá na frente então a é essa e ninguém é culpado de nada ninguém traiu ninguém ninguém é imbecil ninguém é ideólogo ningém né porque é isso é assim que tá assim que tá acontecendo ponto Obrigado a [Aplausos] todos n