Os pilares da educação: todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória.
Na nossa Constituição, no Estatuto da Criança e do Adolescente, a educação básica está garantida. O que é a educação básica? A educação básica contempla o Ensino Fundamental I e II, juntamente com o ensino médio.
Isso quer dizer que é desde o primeiro ano até o 3º ano do ensino médio. O órgão público precisa garantir a possibilidade dessas crianças e adolescentes frequentarem a escola de forma gratuita. Alguns anos atrás, foi acrescentado também em alguns níveis da Educação Infantil; assim, o pré-escolar — que algumas pessoas chamariam — hoje em dia significa que as crianças a partir dos 5 anos de idade precisam estar matriculadas.
Pensamos que, com cinco anos de idade, a criança já está na pré-alfabetização. Então, antes de ir para o primeiro ano, em que realmente aprenderá a ler e escrever, ela precisa entrar antes na escola para se preparar para esse momento de aprendizagem da alfabetização. Isso, então, na Constituição, é garantido.
Essa é considerada a educação básica. Já conseguem imaginar que, dentro de uma sala de aula com 15 crianças, e isso falando da Educação Infantil e ali do Fundamental I, nos 1º e 2º anos, é mais normal que haja uma quantidade menor de alunos, e até 35 alunos? Porém, quando você é mais novo, essa quantidade fica menor.
Então, imaginem uma professora em uma escola com 15 crianças de 6 anos de idade, de casas diferentes, de culturas diferentes, de vivências diferentes. Como é que a professora consegue lidar com esse tanto de alunos em conflito? Isso não existe!
O conflito acontece a todo momento na escola, dentro da sala de aula. Saber sobre essas ferramentas ajuda muito a poder lidar com esses "ser humaninhos" e a conseguir alcançar o objetivo da escola, que é passar algum conhecimento. Na escola, temos essa obrigação: aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer e aprender a ser.
Porque, quando falo de educação, hoje em dia, a escola não está limitada a ensinar português, matemática, física e química. Dentro da BNCC, que nós vamos falar um pouquinho mais adiante, ela traz outras competências e habilidades que a escola deve ensinar para o aluno, além de física, biologia e das matérias e disciplinas. A escola tem o dever de ensinar algumas competências e habilidades que nós vamos discutir daqui a pouquinho, mas elas estão dentro desses focos: aprender a conhecer.
Quando falamos de educação, não podemos simplesmente deixar de mencionar a diferença entre uma opinião baseada no que se acha e uma opinião fundamentada na pesquisa científica de estudiosos do assunto, em um conteúdo estudado e realmente explorado. Assim, as crianças dentro da escola e os adolescentes já começam a aprender a conhecer um assunto. A primeira coisa que geralmente os professores fazem é fazer aquela primeira perguntinha: "O que vocês conhecem sobre isso?
". E, a partir desse conhecimento prévio, que é apresentado pelos alunos, se começa uma construção de novos conhecimentos, uma construção de uma metodologia, uma construção de uma hipótese. É isso que acontece; precisamos ensinar a conhecer, a observar, a analisar e a tirar suas conclusões.
Aprender a conviver é um dos principais motivos da existência da escola. Desde sempre, um dos questionamentos que muitos pais fazem, e que também foram feitos quando foi introduzida a obrigação de colocar crianças de 5 anos já na escola, é sobre a convivência, pois ela também é uma fonte de aprendizado muito grande. A primeira forma que nós aprendemos é a partir da observação e da convivência da nossa família: como um bebê começa a aprender a falar e a andar?
É por meio de observações. Ele observa os adultos conversando e balbucia suas primeiras palavras; e, a partir da escuta, aprende a conversar e o significado das palavras e objetos. Como ele aprende a se movimentar e a andar?
Também por meio da observação. Ele precisa ter outras pessoas no seu convívio para realizar essa observação e fazer esse aprendizado. Aprender a fazer também é uma das obrigações da escola.
Então, você ensina algo para o aluno e ele precisa saber fazer aquilo que você ensinou. É por isso que temos as avaliações, que são o momento em que esses alunos têm a oportunidade de demonstrar ao professor que aquele aprendizado foi concluído, que eleEstá certo. Isso significa que, se você ensina um aluno a fazer uma divisão, ele deve conseguir realizá-la por si mesmo, e não apenas na base da compreensão de "a professora entende como funciona".
Assim, a aprendizagem ocorre; você tem o momento de receber a orientação e, depois, tem um momento de praticar. Essa prática pode ocorrer de várias formas diferentes, como na apresentação de um seminário, especialmente entre os adolescentes do ensino médio, ou na confecção de um jogo, que acontece muito ali no fundamental, com crianças do 4º e 5º anos, na hora de redigir uma prova ou fazer uma redação. Tudo isso é uma forma concreta de demonstrar a habilidade de fazer.
Por último, nós temos o aprender a ser. Quando nós não estamos todos esses conhecimentos, nós vamos formando um ser humano, ou um ser humano vai sendo formado. Então, como nós podemos nos definir?
Nós nos definimos com as coisas que fazemos, as coisas que aprendemos, aquilo que nós temos como habilidade. Ao longo deste caminho de aprender a conhecer como viver e fazer, também está sendo formado. E isso também é uma das responsabilidades da escola.
E aí você fica parado para se questionar: a escola tem uma importância muito grande, porque será que ela também não é tão valorizada quanto o trabalho que ela está fazendo? Porque, no final das contas, todo mundo passa pela escola. Ela não é obrigatória; todo mundo passa pela experiência da escola.
Então, é um lugar de formação de ser humano, é um lugar de formação de cidadãos, é um lugar de formação e de autoconhecimento. Todos os alunos têm essa oportunidade de conhecer colegas, de conhecer professores diferentes, de conhecer habilidades diferentes, de conhecer disciplinas e conhecimentos, que vão se juntando, formando a sua própria personalidade, suas ideias, sua moral. Não é só a família que acaba fazendo esse trabalho; a escola também.
Porque desde que se tem cinco anos de idade até conseguir terminar o Ensino Médio, o momento em que o aluno consegue terminar essa etapa, ele também vai se formando, se moldando nos conhecimentos que se têm na escola. Afinal de contas, ele passa a maior parte do seu dia, de segunda a sexta-feira, dentro da escola. E sem contar alguns projetos diferenciados que cada escola tem, que cada escola proporciona.
Então, aprender, conhecer, conviver, fazer e ser é de extrema importância. Toda escola tem que oferecer esses pilares da educação. No próximo slide, eu trouxe para vocês uma frase de Paulo Freire.
Paulo Freire foi um educador muito famoso, tanto aqui no Brasil como mundialmente. Ele é o patrono da educação aqui no Brasil e escreveu muitos livros interessantes falando sobre a educação. Eu sugiro que vocês procurem esses livros e leiam, porque ele fala da educação não somente da escola, mas a educação como ciência, como parte da importância do ser humano.
Então, eu trouxe para vocês: "Quando o homem compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformar e o seu trabalho pode criar um do próprio seu eu e as suas circunstâncias. " Paulo Freire já falava sobre os conflitos, já falava sobre levantar hipóteses para conseguir achar soluções.
E que lugar melhor do que a escola, que tem diversas formas de conflito, que tem diversas pessoas com formações diferentes, com pensamentos diferentes, para conseguir abrir possibilidades? Paulo Freire faz essa noção de que a educação pode ser libertadora e que uma boa educação é libertadora. O livro dos pilares da educação.
. . Vou falar um pouquinho para vocês sobre a BNCC.
O que significa BNCC? A BNCC é a Base Nacional Comum Curricular. O que é isso?
É uma regra que a Secretaria de Educação, depois de alguns anos, organizou e passou como regra para todas as escolas, sejam escolas particulares, sejam escolas públicas, e independente da sua etapa, seja ela na educação infantil, seja no fundamental 1, fundamental 2, ensino médio e também no nível superior. Existe a BNCC, que é um documento que traz as competências e habilidades que cada segmento da educação tem que conseguir repassar para os seus alunos. Ele traz um documento para cada segmento da educação, então, ele traz 10 competências gerais.
Dentro dessas competências gerais, destaco um pouquinho mais do que toda escola precisa e tem a obrigação de desenvolver com seus alunos: o conhecimento, o pensamento crítico, científico e criativo, o senso estético, a comunicação, a argumentação, a cultura digital, a autogestão, o autoconhecimento e o autocuidado, a empatia e cooperação, e também a autonomia. Lembram que eu falei um pouquinho antes que a escola tem a obrigação de conhecer, de ser, de fazer, de criar tudo isso? Os pilares da educação.
Então, como eles criaram esse documento, eles trouxeram essa abrangência de forma mais específica, porque existia muito essa discussão na escola sobre qual seria a função da escola, qual seria a função do professor, do educador. Muitos pensavam, e muitos ainda têm essa consciência, de que a função do professor e a função do educador eram ensinar a matéria, ensinar português, ensinar biologia, ensinar química. Só que esses alunos ficam metade do seu dia na escola.
Acontecem várias situações de conflito dentro dessa escola, acontece uma gama de sentimentos e emoções, tanto dos alunos quanto dos funcionários da escola. Então, a BNCC juntou todos esses intercalços que aconteciam ao longo da escola, que não tinham uma explicação, que não tinham um porquê. Todo mundo sabia que existia conflito na escola, mas não havia uma forma de tratar isso no meio educacional.
Se existia um conceito, ele era resolvido retirando o recreio da criança, fazendo uma suspensão, chamando para conversar. Agora, com essas competências, o professor, o educador, tem autonomia de usar esse conflito, porque resolvendo de uma outra forma, ele pode realmente desenvolver habilidades na criança e no adolescente que eles vão conseguir utilizar para fora da escola. Então, quando ele fala de empatia e cooperação, e quando ele fala da autonomia, quando ele fala da comunicação, ele está saindo de dentro dos livros e trazendo habilidades que eles vão precisar socialmente.
Então, onde a nossa mediação escolar conseguir entrar dentro dessas competências gerais obrigatórias da BNCC, ela pode entrar em comunicação e pode entrar também na. . .
Argumentação no autoconhecimento e no autocuidado, na autonomia, na empatia e na cooperação, no pensamento crítico, também assim como no conhecimento. Para vocês perceberem que a mediação consegue entrar no ambiente escolar sem parecer que está invadindo um espaço de conhecimento, ela tem essa possibilidade de trabalhar com as competências e habilidades obrigatórias. Podem esquecer que, a partir de 2020, todas as escolas já têm que estar com seus planejamentos e seus projetos políticos pedagógicos dentro e encaixados nessas competências e habilidades obrigatórias.
Já teve aqueles dois anos desde que este documento foi criado para que as escolas pudessem se organizar e implementá-las. Então, a partir de 2020, isso já é obrigatório. Todas as escolas devem estar utilizando este conhecimento dentro do seu planejamento.
Ok, então quem for trabalhar com mediação escolar, é muito importante conhecer a BNCC do segmento que for atuar. Nós vamos falar, quando estivermos no passo a passo da mediação, sobre o preparo de uma mediação escolar. O mediador tem que estar pronto.
Eu não estou dentro das ferramentas e do passo a passo da mediação, mas como ela deve acontecer. O mediador também precisa estar seguro do que está fazendo dentro da escola; ele tem que estar seguro do ambiente em que está. Então, ele precisa conhecer o que é uma escola, quem são as pessoas participantes de um ambiente escolar e o que é uma Base Nacional Comum Curricular.
Ele precisa conhecer aquilo sobre o que vai falar. Não posso falar de um conflito escolar sem saber quais são as competências e habilidades que a escola tem, por obrigação, ensinar ao aluno. É importante conhecer estas informações para utilizá-las.
Se você, mediador escolar, sabe como a escola funciona, sabe qual é a função do professor, a função do diretor, você consegue navegar dentro do ambiente escolar. Você consegue fazer o rapport, ser aceito pelo ambiente escolar e fazer um trabalho mais efetivo porque toda mediação precisa de um rapport, ela precisa de conhecimento por parte do mediador. Então, se você for mediador escolar e for fazer mediação no ensino médio, com alunos do ensino médio e professores do ensino médio, vocês precisam saber o que aquele segmento estuda, numa base de sentimento, numa base de emoção, numa base de competências e habilidades sociais.
Vocês precisam ter esse conhecimento para poder entrar na escola, ser aceitos, falar com propriedade e ter segurança. Ninguém vai ter segurança num profissional que não sabe do que está falando, então é preciso buscar essa segurança tanto por meio do olhar empático para a situação que vocês forem chamados a mediar quanto tendo esse conhecimento do ambiente com quem estão trabalhando. Ok, no próximo slide, hoje nós vamos falar ainda dentro do assunto dos pilares da educação sobre o que é comunidade escolar.
Quem faz parte da comunidade escolar? A comunidade escolar é formada por professores e profissionais que atuam na escola, por alunos matriculados que frequentam as aulas regularmente e por pais e/ou responsáveis dos alunos. Quando falamos de professores e profissionais, é porque dentro da escola não tem somente o professor e o aluno.
Em uma escola, temos o diretor, o secretariado, o coordenador, o orientador; algumas escolas chegam a ter o psicólogo escolar, e também os funcionários da limpeza e os funcionários da cantina. Então, todo aquele que trabalha dentro da escola faz parte da comunidade escolar, assim como os familiares dos alunos matriculados. Isso é de extrema importância.
Por que digo que é de extrema importância? Porque o professor não faz o trabalho sozinho, ele não consegue educar uma criança sozinho. Temos ali uma parceria: professor com aluno, escola com família.
A família precisa estar dentro do ambiente escolar, fazendo parte desse processo de aprendizado e desse processo de conhecimento dos seus filhos ou dos seus sobrinhos, qualquer um da família que se mostre responsável pelo aluno. Não só o pai e a mãe, mas também o tio, os avós, todos aqueles que precisam participar. Nunca um familiar da criança deve ser descartado.
Eles são de extrema importância na construção do conhecimento que esses alunos estão adquirindo na escola. Dentro da escola, como falei antes, temos a direção, a coordenação e a orientação. Vou falar um pouquinho sobre a função de cada um deles.
O diretor ou a diretora de uma escola têm a responsabilidade de saber o que acontece em todo o ambiente escolar, em todas as salas de aula, com todos os professores e com todos os profissionais. Ele é o gestor geral daquela escola. Após a direção, temos a coordenação e a orientação.
Ambas têm a mesma quantidade de responsabilidade dentro da escola, mas cada um está voltado para um lugar diferente. O coordenador é responsável pelos professores; ele não é o chefe dos professores, mas o ponto de contato para qualquer situação que envolva a atuação do professor na sala de aula. O coordenador vai olhar o planejamento do professor e fazer o acompanhamento das aulas que o professor está realizando.
Então, qualquer coisa dentro da escola relacionada ao professor deve ser direcionada à coordenação pedagógica. Já a orientação é responsável pelos alunos; ela faz a ponte entre o professor e a família. Se você tem algum aluno com dificuldade de aprendizado, você vai marcar uma reunião com o orientador para chamar a família para conversar.
E aí é bem delicado. Porque a criança não participou dessa reunião? Essa reunião é uma ponte: o professor é uma ponte, a família é um orientador, faz essa ponte.
Se o pai matricula o aluno e ele tem alguma dificuldade de aprendizagem, tem algum laudo que ele precisa apresentar para a escola para ter um tratamento diferenciado, o professor precisa saber dessas particularidades do aluno para poder fazer um trabalho diferenciado. Então, os pais trazem esse laudo e apresentam para a orientação, e o orientador vai, junto com o professor, pensar em alternativas, pensar em formas de alcançar esse aluno dentro das suas necessidades. E aí, neste momento, o coordenador e o orientador trabalham juntos.
Por que eu falei para vocês? O coordenador é aquele responsável pelo trabalho do professor; o orientador é aquele que vai cuidar da ponte família-professor, família-escola. Mas ele também vai cuidar da disciplina dos alunos, das dificuldades pontuais de cada aluno.
Então, nesse momento, a orientação e a coordenação trabalham juntas para procurar possibilidades junto ao professor sobre como tratar com aquele aluno. Então, nós temos este formato, essa é a hierarquia dentro de uma escola. Se nós temos um problema com o professor, nós precisamos conversar com o coordenador; se nós temos um problema com o aluno, nós precisamos conversar com o orientador, dependendo da situação.
A angústia é conjunta, e procuram novas opções. Numa escola saudável, esses dois profissionais trabalham conjuntamente, porque cada um tem uma especificidade, mas, tratando-se de ser humano, nós temos um sistema. Não vamos tratar de um aluno só sobre as habilidades que o professor está passando para ele; não vamos tratar o aluno somente com as habilidades que ocorrem ali na educação física ou em alguma situação que ocorre na hora do intervalo, por exemplo.
A criança é um sistema; a escola também é um sistema. Então, em uma escola saudável, nós temos um coordenador e um orientador que trabalham suas particularidades, porém procuram opções de resolução em conjunto com o professor também. E, é claro, nós temos o professor.
O professor dentro da sala de aula, ele tem que ter autonomia. Nós temos documentos da Secretaria da Educação que falam, por exemplo, da BNCC, que também classifica os conteúdos que são obrigatórios a cada ano. Então, dentro desses documentos, o professor utiliza suas habilidades para construir esse conhecimento dentro de sala de aula com os alunos.
Dentro da sala de aula, o professor é autoridade; não é o coordenador, não é o orientador, não é o diretor. A sala de aula é domínio do professor. Porém, em toda a escola, o professor tem o tempo de coordenação, que é aquele momento em que ele senta com a coordenadora, mostra os seus planejamentos, conversa junto para pensar em possibilidades, para pensar em estratégias, para falar sobre as dificuldades que está tendo com o aluno, as dificuldades que está tendo com a família.
Então, é um momento de, vamos falar assim, um momento de reunião e organização. É muito importante para o mediador saber dessa hierarquia e saber as funções de cada profissional dentro da escola, porque se você está tendo uma dificuldade com um professor e um aluno, você não vai chegar direto no diretor da escola, porque você está ultrapassando uma hierarquia. Você vai entrar e conversar com o professor; posteriormente, se necessário, conversar com o coordenador.
Aí, só se o conflito estiver numa espiral muito grande, chama-se o diretor e o orientador para dentro da mesa. Mas é importante saber essa hierarquia de quem é que resolve o quê, porque se vocês vão resolver um conflito, vocês precisam saber qual é o caminho dentro da escola para vocês conseguirem organizar esse conflito. Ok?
Próximos lá.