Eu tava refletindo o que tu tava falando, Paulo. E assim, existe uma definição hoje chamada nomofobia, que acomete várias pessoas, que é uma fobia de se separar do celular, mas não necessariamente se separar. A nomofobia é quando aquela pessoa ela tem um baixo controle de que não pode olhar o celular.
Então, por exemplo, a pessoa tá, sei lá, na igreja, tá lá orando, rezando, tal, tal, tal, tal, num momento da, sei lá, fala da Igreja Católica que conheço, da homilia, aí o cara vai e olha o celular, ele sabe que aquele momento é um momento que ele tem que tá prestando atenção na homelia, tal, mas ele vai e olha o celular e percebe que não é apenas a notificação. Muitas vezes meio que a gente tá assim, aí meio que eu abro aqui para ver se tem alguma coisa. Então, nomofobia é o estado em que algumas pessoas chegam de não ter controle, de dizer o seguinte: "Não, não vou olhar o celular de 22 horas, eu paro sem telas.
22 horas sem telas. Acordei, dei um tempinho. O ideal até Jerônimo Tem fala muito isso, né?
uma hora antes de dormir e uma hora depois de acordar que você vai pegar no celular e uma hora antes de dormir que você solta o celular. Então, eh, essa é uma coisa que tem crescido e é óbvio, o que a gente eh faz no nosso cotidiano, no trabalho, você leva pro trânsito e aí as pessoas acabam levando o celular. Uma das coisas que eu não falei em relação à infração é que mesmo com o veículo imobilizado, tem gente que faz que não sabe, tô no congestionamento ou sinal tá vermelho, eu tô com veículo imobilizado, mas eu estou em trânsito.
Então aquela olhadela no celular não é só infração quando o veículo está em movimento, também infração naquela eh, né, parada momentânea, digamos assim, que a gente chama de imobilização. E aí, bicho, eu acho que a gente vai ter de fato uma tendência muito grande a aumentar os sinistros em decorrência desse danado aqui. Eu lembro de uma matéria do Caco Barcelos.
que era sobre motociclistas. Não tem a ver com o celular, mas só para pontuar uma questão que era o seguinte, ele entrevistou um motociclista que teve uma perna amputada, foi naquele programa profissão repórter e mesmo depois dele se recuperar com a perna amputada, ele fez uma adaptação com um cabo de vassoura e ele continuava empinando moto. Aí veja, normalmente quando a pessoa passa por algo muito traumático, não sei se deve ter acontecido contigo, né, no teu sinistro com Mari, pô, a gente começa a repensar vida, a repensar valores.
Eu, particularmente, na pandemia foi um dos momentos que eu mais mudei na minha vida. A pandemia eu liguei para pessoas que eu não tava bem, eu liguei pra ex-esposa pedindo desculpa. tentei contato com outros que não tive, enfim, porque foi um momento ali que foi por muito, apesar de não ter sido acometido, eu não fiquei internado, apesar de ter sido contaminado, mas foi bem de boa, já tava vacinado, mas foi um momento que tanta gente tava sofrendo que você Então assim, só que existem pessoas que não, mesmo com experiências muito impactantes, não muda.
Então a minha pergunta é, será que e tu tava falando da questão da eh do instrutor que não foca na questão comportamental? É muito técnico? Às vezes até o agente de trânsito, Paulo, o agente de trânsito às vezes aborda o cara e diz a ele qual o valor da infração?
Eu, a a a informação menos importante, se tem uma criança sentada no coloista, é que a infração de transportar criança em desacordo com o código de trânsito é infração gravíssima. É a informação menos importante que a multa é de R$ 293. É a informação menos importante, pô.
Ele precisa entender o que, quais são as consequências de uma criança não estar presa no veículo, que mesmo no bairro, em baixa velocidade, se ela leva a criança no colo dela, ela pode esmagar o filho dela contra o volante. Então, essa questão é meio que generalizada de focar muito em informações sem focar nas consequências. Então, enquanto as pessoas estão dizendo tempo todo, pô, tu instala um radar, um medidor de velocidade, as pessoas vão falar: "Isso é indústria da multa".
E tá todo dia a gente morrendo por essas velocidade. E nos lugares onde tem medidor de velocidade, praticamente ninguém morre por excesso de velocidade. Então, até que ponto?
Essa é uma pergunta que eu me faço todos os dias, pô. até que ponto nós vamos conseguir fazer como instrutor de trânsito, como educador, fazer com que as pessoas reflitam a ponto de mudar o comportamento, porque eu sei, nós somos militantes de um trânsito seguro, então pra gente mudar o comportamento sempre foi mais fácil, porque a gente tá vivenciando aquilo tudo, né? É por isso que sempre que alguém dizer assim, ó, sabia que falar determinadas frases tem um teor racista?
Eu me eu paro e escuto. Eu não sou um militante, mas eu paro, escuto e reflito. Alguém diz assim: "Pô, se tu fala alguma coisa para alguém e a pessoa se incomoda com isso, eu não tenho que chamar isso de mimimi.
Alguém se incomodou com alguma coisa? Se eu tenho a compreensão que se alguém se incomoda com algo, eu não deveria ser o motivo de trazer incômodo para outra pessoa. Então, se eu começo a refletir sobre eh segurança no trânsito como algo que é importante não só para você que tá dirigindo, mas pras outras pessoas, quantas pessoas hoje não estão num ponto de ônibus e vem um cara embriagado, né?
E aí o celular a gente precisa mostrar as pessoas que, cara, é perigoso. Não, não tem nada que justifique tu ter que olhar o celular enquanto tá se deslocando. E eu mesmo até falei de com veículo imobilizado, dar uma olhadinha, eu até preciso me policiar que às vezes eu percebo que eu dou uma olhada também.
Enfim, eh, é algo que a gente realmente precisa, não só conhecer a importância de que as pessoas precisam esclarecer, mas como fazer com que essas pessoas realmente reflitam sobre isso.