Exclusivo. Frente à frente com o coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto. Ele enfrenta as mais duras perguntas sobre a morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana.
Ela morreu no apartamento do casal com um tiro na cabeça. Suicídio ou feminicídio. Uma investigação especial que inclui uma entrevista tensa e reveladora que você acompanha a partir de agora na nossa grande reportagem de hoje.
Alô. Éente Coronel Neto. A minha esposa é a policial feminina.
Ela se matou com tiro na cabeça. Os contornos da misteriosa morte da soldados de Zeli. Uma mulher jovem, bela e cheia de vida.
Suicídio ou assassinato? Por que seu marido, um influente coronel Neto da Polícia Militar de São Paulo, se tornou suspeito? Diante de mim, um homem sob intensa pressão.
A primeira entrevista exclusiva, frente à frente com o coronel Neto, suspeito de ter assassinado a própria esposa. Qual a verdade? Ele apresenta o lado dele da história.
Estou diante de um homem que assassinou a esposa a quem eles i amaram. Uma viagem ao interior de São Paulo nos leva ao endereço mantido sobilo onde o coronel Geraldo Neto está. Assim ele me recebe no dia em que não faltavam boatos de que ele poderia ser preso a qualquer momento.
35 anos de corporação, alta patente, um homem condecorado. Leoneto, o senhor tem orgulho dessa fada, desse uniforme? Ten orgulho de tudo, da Polícia Militar.
Aqui tem todas as minhas promoções, as minhas medalhas. A obrigação de policial é defender quem não pode se defender. Concorda?
É defender a todos indistintamente. O senhor defendeu a Gisele? Sempre.
Sempre defendi. Passado e presente, um desafiando o outro. A foto do então coronel fardado contrasta com seus últimos dias de homem acuado, ouvindo muitos comentários e vendo dedos apontados em sua direção.
Eu estou sofrendo um linchamento virtual faz 20 dias seguidos. Estão me utilizando como saco de pancada. Como é que o senhor descreve esse casal?
Maravilhoso. Muitos descrevem a relação desse casal com uma relação tóxica. O senhor concorda com isso?
Não, jamais. Casal maravilhoso, perfeito. Por que essa história descrita por ele como um grande amor terminou assim?
A soldado Gisele, uma jovem policial militar, 32 anos, mãe de uma menina de sete, zelosa, amorosa. A gente só entende o que é amor quando vira mãe mesmo. O amor não dá nem para descrever, né?
É aquele amor incondicional mesmo. Ama que é um amor que chega dói mesmo. Estamos no local dos acontecimentos.
Bairro do Brás, zona central de São Paulo. Esse é o prédio em questão. Vamos subir até o 27º andar.
Era amanhã de quarta-feira, 18 de fevereiro. Estamos buscando o apartamento 2706, uma propriedade de apenas 58 m² e 2/4 que foi alugada pelo próprio coronel Neto. Esse é o lugar onde a soldado Gisele viveu seus últimos momentos.
O que de fato aconteceu? Suicídio ou assassinato pelo próprio marido? Uma investigação fundamental.
A busca por respostas. É verdade que embora casados, o senhor Gisele dormiu em quartos separados há meses? Desde julho do ano passado.
Isso mostra uma relação conflituosa, não é? Que começaram a chegar as denúncias anônimas, enfundadas e inverídicas contra mim. Isso foi minando o nosso relacionamento, ao ponto da Gisele chegar para mim e falar assim: "Ó, eu prefiro dormir em quartos separados por enquanto.
" O senhor confirma que vocês est se desentendendo que as brigas eram constantes. Nunca teve briga. O termo briga é um termo errado.
Ela relatava isso constantemente a família. Discussão. Briga sugere agressões.
Nunca teve nenhum tipo de agressão. O senhor confirma discussões? Então, discussões.
Por que discussões? Por ciúmes. Ela não confiava no senhor.
Ela confiava em mim, mas essas denúncias uma atrás da outra acabou que foi minando a credibilidade da relação. Objetivamente, o senhor estava atraindo a Gisela? Nunca traí minha esposa.
E por que existem denúncias na corregedoria de que o senhor assediava militares? assediava seus comandados. É uma é uma tática e uma estratégia que é usada quando você começa a cobrar as aquelas pessoas que trabalhem.
Eu sempre cobrei muito. O senhor tem consciência de que havia essas denúncias que o senhor estava assidiando suas todas as denúncias foram apuradas e foram arquivadas. Contradições, suspeitas, ciúmes.
Ela falava direto: "Mãe, eu não posso usar um batom que ele fica reclamando. Mãe, se eu coloco não uma calça jeans, ele fala assim, né? Para que essa calça jeans ligada perfume?
Para qu, né? Você colocar perfume para os outros homens sentir seu perfume. Segundo a família, o senhor proibia Gisele de vestir determinadas roupas e também de usar maquiagem.
Por que o senhor fazia isso? Eu nunca fiz isso. A Gisele sempre foi uma mulher muito bonita, muito vaidosa.
Eu sempre tive muito orgulho da minha esposa em todos os aspectos físicos, morais, emocionais. Ela sempre usou batom, maquiagem, perfume. Então tudo isso é uma narrativa mentirosa que estão construindo para tentar me acusar.
Por que a família diz isso então? Porque eles precisam achar o culpado. Porque a filha Gisele chegou à casa dos avós chorando, dizendo que não aguentava mais as brigas.
Eu não sei, eu não ouvi esse relato da filha da Gisele. Menos de 24 horas de do falecimento de Gisele, o ex-esposo dela, ele vai buscar a criança e a criança diz e que não quer mais retornar à casa, abro aspas, do tio, neto e da mamãe, fecha o aspas, porque ela está sofrendo muito. Palavras da criança.
Uma criança relatou isso, sim. É a versão que os pais dela estão falando. Mais uma versão mentirosa.
Porque eu tratava de Isso não é verdadeiro não. E por que a Gisele ligou para o próprio pai pedindo para que ele fosse buscá-la? Porque isso sugere que o senhor estivesse ameaçando?
Não, eu não vi. Eu não escutei ela ligar pro pai pedir para ir buscá-la. O pai descreve isso.
Tudo bem, mas é o pai que tá falando. Não sou eu. Eu não vi.
Por que que ela precisaria que o pai a fosse buscar? Eu não sei, Cabrine, porque assim, eu falei para ela que a gente precisava terminar o relacionamento, tá? Por três vezes eu agendei o divórcio, setembro, outubro e novembro.
Essas datas foram marcadas no cartório e a Gisele não foi. Ela não queria se separar. Será que não era ela que queria se divorciar sen?
Se fosse ela, ela teria procurado um advogado para agendar o divórcio, mas fui eu que procurei. Essas são as últimas imagens e Gisele Alves Santana convida. 17 de fevereiro, um dia antes de sua morte, ela segue sua rotina normal academia.
No dia anterior vocês conversaram sobre separação. Duas horas por duas horas. Duas horas.
Exatamente. Mas o senhor não disse que é amava por uma separação? Sim.
Eu fiquei s a 8 meses vivendo como dois estranhos dentro do mesmo apartamento. Qual foi a sua última conversa com Gisele? Foi no dia de manhã.
Quando eu entrei no quarto, dei bom dia e falei: "Olha, amor, conforme a gente conversou ontem, eu acho que é melhor a gente se separar mesmo, tá? " Qual foi a reação dela? Ela levantou imediatamente da cama, veio na minha direção me empurrando para fora do quarto.
Quando ela me empurrou para fora do quarto, ela bateu a porta do quarto com muita força, fez um barulho muito alto. Daí eu saí e entrei no banho. Minutos depois, Gisele encontrada morta.
Aí quando eu estava no banho, eu ouvi o barulho, abri o box, abri a porta, vi ela caída no chão, imediatamente nem desliguei o chuveiro, vesti a bermuda, peguei meu celular em cima da pia, saí do banheiro, abri a porta do apartamento, que é 1 m pra direita, deixei a porta aberta para ter transparência, porque todos vissem o que estava acontecendo se alguém saísse no corredor. A primeira ligação do tenente coronel para pedir socorro foi às 7:57, a segunda às 8:1. Bombeiras emergência.
Oi. É, a minha esposa se matou com tiro na cabeça. Ela é policial militar feminino.
Agora faz um minuto, ela tá respirando ainda. Por favor, um resgate de novo. Muitas pessoas consideram que o senhor estava frio demais.
Eu estava, que que o senhor diria sobre isso? Eu estava abalado psicologicamente pela aquela situação dramática que eu estava vivenciando naquele momento. Corão, existe uma discrepância de horários.
Segundo consta, o senhor ligou para o resgate às 7:57, só que uma vizinha registrou ter ouvido um tiro às 7:28. São 29 minutos. O que que o senhor ficou fazendo durante esses 29 minutos?
Esses 29 minutos nunca existiram. Ela tava equivocada, ela viu a hora errada. Ela devia estar sonolenta dormindo e olhou pro relógio e viu a hora errada.
Eu afirmo que eu liguei no máximo em 10 a 20 segundos após ouvir o disparo. Não foi mais que 20 segundos. Uma coisa que me chama muito atenção, muito atenção, é Gisele de toalha.
Então, não tinha circunstâncias de suicídio e o sangue de Gisele também estava coagulando. Ou seja, é uma prova técnica e científica que ela tinha sido baleada não no tempo que o tenente coronel diz e sim no que a vizinha escutou o estampido. Diga-se passagem, não tinha nenhum motivo para cometer suicídio.
Um dia antes estava feliz lá na academia. O único problema que ela tinha era o conjugal. E ela aonde ensejar ali eh o seu pedido de separação, ele não aceitou e aí ele resolveu seifar a vida dela.
Ela jamais ia deixar a filha dela sem sem ela. Nunca. Coronel, depoimento da vizinha.
Eu moro no mesmo andar que o casal e frequentemente ouvia brigas constantes e gritos vindos do apartamento deles. Geraldo era uma pessoa muito reservada e possessiva. Uma vez o vi tentando esconder a Gisele para que não a víssemos.
Recentemente ouvi Gisele gritando que sairia de casa com a filha e voltaria para os pais porque não aguentava mais as agressões. Agressões? Eu nunca é uma descrição de alguém que poderia tirar a vida.
da sua esposa. Eu nunca agredi nunca. Jamais levantei a mão para ela.
Nunca agredi. Por que esse depoimento da vizinha vem de encontro ao que diz a família da Gisele? São pessoas que não se conhecem.
Sim. Eu não tenho culpa se a minha esposa gritava. Eu ia fazer o quê?
Ia tapar a boca dela para ela não gritar? Ela gritava, ela se exaltava, ela me ofendia. Quem grita não é porque se sente ameaçado.
Não. Ela gritava me xingando e me ofendendo. Quem grita porque se sente ameaçado grita por socorro.
Ela não gritava por socorro. Coronel Sura admite que a Gisele temia o senhor? Temia, não amava.
Mas por que ela dizia que queria sair do relacionamento pra família? Não sei. Será que ela falava isso mesmo?
Ou será que é mais uma invenção da família? Até que ponto o senhor tinha uns ciúmes possessivo e doentil em relação a Gisele? Nunca tive ciúmes possessivo e doentem em relação a Gisele.
Até que ponto? Ponto zero. Nunca tive.
E por que existem as inscrições nesse sentido, os relatos nesta direção? Tem que perguntar pras pessoas que fizeram o relato. Eu não sei a resposta dela.
Teve uma festa e a Gisele foi dançar algumas vezes e o neto ficou extremamente desconfortável. Houve uma discussão, uma discussão sobre ela estar dançando, uma discussão sobre a saia ser curta e ela falou alguma coisa de ir embora. É por isso que eu quero ir embora ou alguma coisa de ir embora e ele viva.
Viva não. Nessa mensagem trocada com outra amiga, Gisele escreve: "Ele tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora ele me mata.
" Depoimento do padre Gisele. Durante uma briga, ele chegou a enviar um vídeo para ela, apontando uma arma para a própria cabeça, ameaçando se matar se ela rompesse o relacionamento. Corel, como é que o senhor explica essa imagem?
Por que que o senhor mandou esse vídeo pra Gisele? Eu não mandei. Só é inteligência artificial.
Eu não é o senhor aqui? Sou eu, mas eu não tô com arma e também não tô chorando e jamais teria uma arma na cabeça. Essa arma na cabeça, com certeza foi colocada através do uso de inteligência artificial.
Procuramos dois especialistas em inteligência artificial. Após analisar as imagens, o primeiro concluiu que existe 90% de probabilidade do vídeo ser autêntico. Outro profissional afirmou que não detectou nenhum tipo de rastro que as principais IAS deixam e fala em 98% de chance do vídeo ser real.
Essas imagens são do corredor do apartamento onde o casal morava. Elas registram a chegada do socorristas que atuaram diretamente na ocorrência. Por que que o senhor se preocupou em ligar para um desembargador?
Eu não liguei para um desembargador. Eu liguei pro meu melhor amigo, independente da profissão dele. Se fosse um gari que varre rua, o meu melhor amigo, eu teria ligado para esse gari.
Que tipo de orientação o senhor pediu a ele? Eu não pedi nenhuma orientação e assim, eu não preciso de ninguém para me orientar. Eu tenho conhecimento suficiente se eu quisesse fazer alguma coisa errada.
Então por que ligar para ele então? Porque é meu melhor amigo. Por que a família Gisele afirma que o senhor não ligou comunicando a morte dela?
Porque eu não liguei pra família dela. Mas não seria sua obrigação entrar em contato com a família comunicando a morte Gisel? Eu não lembrei disso na hora.
Eu tava em estado de choque e eu não fiz isso. Mas o senhor ligou para um desembargador que o senhor disse melhor amigo. O pai dela não era o meu melhor amigo.
Mas antes de ligar para um desembargador sen não deveria ligar pra família Gesé. Não, a família dela não tinha contato comigo. Toda vez que a gente ia lá visitar, eles me hostilizavam.
Por que a família tinha tantas reservas contra o senhor? Porque eles queriam que ela voltasse pro ex-marido. Porque se ela voltasse pro ex-marido, ela ia voltar pra casa dos pais depois.
Essa foto é parte da investigação, a forma que Gisele segura a arma. Coronel, o senhor é um policial muito experiente. Em quantos casos de homicídio o senhor já atuou?
Mais de 100, 200, 300, centenas. Então o senhor sabe que uma pessoa que comete suicídio em todas as situações, ou pelo menos quase todas as situações, ela não fica segurando a própria arma. Por que a Gisele estava segurando a arma no chão?
Quem falou isso? Os especialistas acham que é improvável. Eu sei, eu sou especialista nisso também, ó.
E eu vou te dar um exemplo. Dar uma olhada aqui. Isso aqui é condizente com a pessoa que cometeu suicídio.
Sim, é condizente. Sabe por quê? Acho que ela iria, a arma, segundo os especialistas, não estaria.
Sabe por cab? Dia 21 de abril de 2001, a 12,34 cm, deu um tiro no ladrão. Um tiro acertou entre os olhos.
Ele caiu sobre o próprio eixo, com a arma na mão, com o dedo no gatilho e assim ficou no chão. Dependendo a parte do cérebro que esse tiro pegar, a pessoa fica sem espasmo muscular nenhum. Do jeito que ela tá segurando a arma, ela cai e fica.
O que o senhor quer tá querendo dizer que o senhor já atendeu casos em que a arma ficou na mão da pessoa? Mas então por que os policiais relatam não terem encontrado um cenário convizente com suicídio? Qual a experiência desses policiais?
Quantas eles foram? E assim não é uma matemática exata. Pode ter casos que a arma cai e vai longe.
Pode ter caso que a arma fica na mão. Então ouça esse depoimento, coronel, por gentileza. Eu sou policial militar há 12 anos.
O tenente coronel Geraldo estava no local falando ao telefone o tempo todo e notei que ele não tinha marcas de sangue nas vestes, o que achei estranho, dado que o local estava muito preservado para uma ocorrência dessa natureza. Como é que o senhor rebate essas informações? Vamos lá.
Eu não cheguei a menos de 2 m do corpo. Eu não cheguei a menos de 2 m da arma. Eu não toquei no corpo.
Eu não toquei na arma em momento nenhum. Porque esse policial afirma que o cenário do crime estava muito preservado? contesto, porque o, o que que é o local de crime?
O local que tem que ser preservado não foi depois da chegada do socorro tinha marcas de sangue pelo apartamento inteiro. Dezenas de policiais entraram. Descrição do policial militar, ele insistiu em tomar banho e mesmo sendo orientado a não fazer, acabou se lavando, o que prejudicou a preservação de vestígios.
Não acreditei que fosse um suicídio. Como é que o senhor responde a isso? É a percepção dele.
Se eu não tinha vestígio de sangue, por que que ele tá falando que eu me lavei para tirar vestígios? se não tinha vestígios. Mas, coronel, o senhor foi orientado a não tomar banho e o senhor desobedeceu essa orientação.
Por quê? Quem me orientou isso? Os policiais dizem que o senhor desobedeceu a orientação.
Diz muito o contrário. Eu comecei a passar mal. Não lembro agora quem foi naquele momento que eu tava passando mal, que mediu minha pressão com aqueles aparelhos portáteis.
Deu 20 por 18 a minha pressão. Essa mesma pessoa que me diu me deu dois remédios. Toma esse remédio e se o senhor puder tomar um banho bem quente, vai causar vaso de dilatação das artérias.
O sangue vai circular melhor, sua pressão vai descer mais rápido. Senhor, pode senhor consegue tomar banho para ele consigo. O primeiro laudo aponta que o tiro foi dado do lado direito, de baixo para cima, e atravessou o crânio.
No segundo laudo, feito após a esumação do corpo de Gisele, o documento aponta lesões no rosto e no pescoço, compatíveis com pressão digital e típicas de enforcamento. Foram encontradas também marcas de unha. Não há sinais que Gisele tentou se defender.
O senhor esganou a Gisele? Nunca pratiquei nenhum tipo de agressão. As marcas estão aí.
Os laudos confirmam. Mas foi eu que fiz a marca. Quem estava ali no apartamento?
Mas a marca foi feita. A marca foi feita. A marca foi feita naquele dia?
Mas existem marcas e dedo no pescoço dela, que provavelmente foi a filhinha que fez agarrada no pescoço da mãe, que nem uma macaquinha que ela andava com a mãe grudada quando se cansava e e subia no colo da mãe, abraçava com as pernas atrás do quadril e segurava com as mãozinhas atrás do pescoço. Quem é que vai acreditar que uma criança produziu aquelas marcas? Eu não sei quem fez aquelas marcas.
Eu eu garanto que não fui. Tanto que no laudo do IML fala que tem marcas de unha. Errou unha.
Nem unha eu tenho. Será que a própria Gisele não apertou o pescoço com a mão, já conhecedora de procedimentos policiais, sabendo: "Ah, eu vou fazer marcas, depois vou me matar para tentar incriminá-lo". Existe uma desconfiança de que ela pode ter desmaiado porque o senhor teria esganado e depois o tiro ter acontecido.
Foi ela que tirou a própria vida. Como que ela estava desmaiada se ela tirou a própria vida? Coronel Neto, sinceramente, o sur assassinou sua esposa.
Nunca jamais. Impossível. Eu não atiraria nem num bandido desarmado, muito menos num ente querido.
Todos os dias. Ela não tinha razões para se matar. Tinha porque impossível ela se matar.
Jovem saudável, bonita, uma filha de 7 anos, com a vida inteira pela frente. Mas então por que a família da Gisele desconfia tanto do senhor? Porque se fosse a família da Gisele que tivesse larania que ela tirou a própria vida.
A cápsula do tiro não foi encontrada e os exames residográficos eram negativo tanto para Gisele quanto para o coronel Neto. A pessoa que atira a queima roupa com uma arma ponto 40, ela fica resídua, Gisele não atira. Isso é um ponto crucial.
O dele também deu negativo, sim, mas ele teve meia hora para limpar. As investigações mostram que o celular da Gisele foi ativado depois dela ter morrido. Por que o senhor fez isso?
Eu fiz isso. Eu não fiquei com o celular dela. Quem ativou foi eu quem pegou.
O WhatsApp dela foi ativado. Mas quem que ativou? Gostaria de saber.
Eu também não sei. Não fui eu. Eu não tava com o celular dela.
Eu vou ativar por telepatia a distância. Impossível, né? O senhor não fez isso?
Não. Eu não tava com o celular dela. Eu tava com o meu celular.
Naquele mesmo 18 de fevereiro, no final da tarde, três policiais mulheres vão até o apartamento para fazer a limpeza do local. Não passa uma imagem que o senhor estaria tentando manipular o local? Eu não mandei ninguém lá.
O meu comandante pediu para uma equipe de manutenção do CPM5 ir até lá depois que a perícia liberasse o local para tirar o sangue do chão, para que os pais da Gisele, que depois foram lá buscar roupas dela e da filha dela, não vissem sangue espalhado pelo chão. Uma imagem extremamente Seus amigos da polícia não estariam tentando ajudá-lo? Não.
Ajudar por quê? Eu não tenho o que esconder. Ajudar tentando talvez alterar a cena do crime.
Alterar para quê? A perícia já passou no local. alterar por se a perícia já foi feita com o policial experiente que o senhor é.
Não é estranho isso? Não acho estranho. Coronel, o senhor usou o seu poder para mandar os policiais desligarem as câmeras corporais?
Em nenhum momento eu fiz isso. E por que as câmeras corporais não estavam funcionando? Estavam ligadas todas.
Eu vi todas ligadas com a luzinha vermelha acesa. Todas estavam ligadas. Não existem essas imagens.
Por existe na Polícia Militar. Com certeza. Existe.
Tem certeza disso? Absoluta. Coronel Neto, onde o senhor se enxerga daqui um ano?
Trabalhando na Polícia Militar. fazendo meu serviço. O senhor não se enxerga preso e condenado?
Jamais, Cabrine. Eu não fiz nada de errado. Eu não cometi crime nenhum para est preso e condenado.
Se os pais da Gisele que pensam que o senhor assassinou, estivessem aqui nesse momento, o que senhor diria a eles? Que eu não os culpo, que eu os perdoo, porque se eles estivessem dentro do apartamento e ela se matasse, eu ia desconfiar deles também, porque eu jamais ia acreditar que ela se matou. As imagens e as lembranças de Gisele, da soldado, da mãe e da cidadã revelam uma mulher especial.
Esclarecer sua morte é o mínimo que se pode fazer em sua memória. O advogado de defesa, Eugênio Malavasi, afirma ter confiança na palavra do coronel e sustenta que foi um suicídio. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar apuram todas as circunstâncias relativas aos fatos, com classificação de morte suspeita.
O inquérito transmite em sigilo e aguarda os resultados e novos laudos.