Como é que eu faço para descobrir quem é o verdadeiro eu no meio desse monte de vozes falando dentro de mim? [música] [música] Que será que a gente poderia dizer de consistente que identifica, que dá para nós uma pista da nossa identidade? Aí eu vou passar duas dicas para vocês, para que cada vez mais a gente possa começar pelo fundamental, que é a construção de uma identidade mais sólida, tá?
E a primeira delas é isso aqui. Imaginem que essa circunferência é a tua consciência. Tudo aquilo que você tá vendo na sua vida dentro de si mesmo, à sua volta, é a sua consciência.
Cada vez que você vai tomar uma decisão, isso é automático, a gente corre para um centro de decisão a partir do qual nós vamos emitir o nosso veredito baseado no que aquele centro nos diz. Acontece que nós uma montoeira de centros periféricos, uma montoeira, um trauma que você teve na infância, sei lá, você foi mordido por um cachorro na infância, então você corre para aquele trauma. Qualquer cachorrinho que apareça diante de você é um perigo, é um monstro.
Eu já vi gente assim que tem pavor até de um pudoi, né? Porque um dia foi mordido por um cachorro. Ele tá se guiando por bolinha?
Pelo pequeno eu do trauma. Aí tem o pequeno eu do preconceito, aí tem o pequeno eu da preguiça, tem o pequeno eu das paixões, tem o pequeno eu de uma montoeira de experiências que você viu na vida e que ficaram ali dando palpite e a gente recorre a elas para decidir e aí sai tendo um monte de decisões insensatas com uma pessoa que teve uma crise diante de um dolói porque um dia foi mordida por um cachorro. Você já perde a proporção quando nós começamos a decidir por coisas periféricas.
Se vocês pararem para analisar durante o último mês, sei lá, a última semana, as decisões que eu tomei de onde partiram, vão perceber alguns desses eus. Às vezes um preconceito, às vezes uma inércia. Eu já desconfiei que a minha maneira de agir não é a melhor, mas tá tão confortável aqui, eu não quero partir pra novidade, né?
às vezes uma inércia, às vezes uma tendência meio crítica, não, porque outras pessoas são bem suspeitas, o meu jeito é melhor, seja lá o que for, núcleos periféricos fazem com que a gente tome decisões insensatas. E quando você vai procurar quem é você, você se vê no meio de um caos, porque cada hora é um negócio diferente dando palpite. O que seria agir a partir da sua própria identidade?
Seria agir a partir do centro. aquele solzinho que tem ali no centro, que seria a tua essência, a tua verdadeira identidade. Tá certo?
É tudo muito bonitinho. Porém, como é que eu faço para descobrir um negócio desse? Como é que eu faço para descobrir quem é o verdadeiro eu no meio desse monte de vozes falando dentro de mim?
Tenho uma dica, gente. O legítimo eu é pura bondade, é pura ideia de do bem. É bondade, não é o bonzinho, não é o piegas que quer ser amado a qualquer preço, é bondade.
É querer ajudar as pessoas a crescerem da melhor maneira. É querer ajudar ao mundo. É aquela bondade que transpira de nós de uma maneira natural, no sentido de querer beneficiar o outro.
Seja uma instituição, seja uma pessoa, seja um animal, seja o que for. O nosso legítimo eu é bondade. Portanto, quando você for se procurar no meio daquilo que você não é, procure os momentos de mais legítima bondade, aquela que flui sem ninguém estar olhando, sem nenhuma intenção de reconhecimento, sem nada.
Nesse momento, certamente é onde você tá sendo mais legítimo. É uma das reflexões que a gente propõe em Nova Acrópole, que é a reflexão filosófica sobre o verdadeiro e o falso. Quando eu estou sendo verdadeiro, quando eu estou sendo eu mesmo quando tô usando uma máscara.
uma máscara de um pequeno eu, uma máscara de uma circunstância para ficar parecido com todo mundo, uma máscara qualquer. Quando na minha vida era eu mesmo, quando na minha vida eu estava com outra pessoa, que essa pessoa não tava com máscara e eu também não. E a gente teve um contato verdadeiro.
Quantas vezes isso aconteceu? Achar-se no meio daquilo que você não é. Também comento isso muito nas minhas palestras, que é origem da palavra inteligência que vem de interer, escolher dentre, dentre as coisas que o mundo te oferece, qual é a melhor, tá certo?
Isso é inteligência, mas é a maior inteligência escolher dentre as coisas que o mundo diz que você deve ser, quem é realmente você, né? Então, nos momentos de legítima bondade, aí você rastreia, você certamente aí vai encontrar a tua verdadeira identidade, que a natureza humana é da mesma natureza, como Platão falava, da ideia do bem. Ela é benéfica, ela é benfeitora.
E, portanto, aí a gente encontra a nossa identidade mais profunda por trás de todas as máscaras. Essa é uma primeira dica. Uma segunda dica que também sempre dou, que é igualmente importante, é fixar um propósito.
Fixar um propósito, um ideal. Propósito é palavra da moda, né? Não sei.
Acho que os coaches e não coaches, a linguagem empresarial, todo mundo fala do propósito. Eu nunca corri atrás para ver o que que pensam disso. Mas o fato é que ter um propósito significa imaginar o ser humano que você quer ser quando tudo isso tiver perto de terminar.
Eu já imaginei o anotei inclusive para não esquecer e recomendo que façam isso. Anotem o ser humano que eu quero ser. Quais os defeitos eu quero ter vencido de não ter mais nem notícia deles.
Quais as qualidades eu gostaria de ter, de ter desenvolvido, de ter conquistado, como eu queria que esse ser humano fosse, procurar visualizar como ele anda pelo mundo, como ele responde às circunstâncias, qual é o rastro que ele deixa no mundo, como é essa obra prima da minha vida. o ser humano que eu quero ser lá nos últimos momentos da minha vida. Anote, visualize, veja como você quer, qual é o teu ideal?
Esse é o teu ideal. Veja como você quer ser. Esse é o teu ideal.
A partir do momento que você tem um ideal ou um propósito, como vocês quiserem chamar, você tem uma referência de direção que justifica toda a tua vida. E você sabe que tudo que te leva para lá é bom. Tudo que te afasta é mau.
Tudo que te leva para lá é certo, tudo que te afasta é errado. Ou seja, você tem valores. Eu sempre uso esse exemplo.
Se eu tô caminhando e pergunto para vocês se eu tô certa ou errada, vocês vão me perguntar onde eu quero chegar. Se eu disser, eu quero chegar naquela porta, agora tá certo, agora tá errado. Não é isso?
Certo, errado, verdadeiro, falso, bom ou mau, depende de onde você quer chegar. E se você não quer chegar a lugar nenhum, o que é o certo e o errado? O que é o verdadeiro e o falso?
Percebam que a nossa sociedade, em geral não tem valores. O certo, errado, é o que todo mundo tá fazendo ou o que as pessoas não estão querendo fazer. Então, se cria uma moral paralela, louca.
É certo, por exemplo, cancelar pessoas na internet sem saber nada se aquela crítica era verdadeira ou não. Por que que é certo? Porque todo mundo faz.
O que que é errado? O errado é não se manifestar politicamente, por todo mundo se manifesta. Então nós ficamos sem senso de certo errário.
Se não temos identidade, não sabemos onde queremos chegar. Isso é um elemento fundamental, porque todos os dias da sua vida você vai medir o dia de hoje a partir da direção que você tomou. Pitágoras recomendava isso aos seus discípulos.
Faça um diário. Veja para onde você caminhou no dia de hoje. Se você foi na direção do seu ilal, se ficou parado, você andou na direção contrária.
Isso aí é muito importante. Sabe por quê? A natureza não deixa vácuos.
Se você não pensa o ser humano que você quer ser, isso vai ser preenchido por alguma algum modelo social. Que que vocês acham dos modelos sociais? Das pessoas de sucesso, das pessoas de êxito, em geral, são modelos bons, dignos de serem copiados?
Olha que a coisa não é fácil. Não é fácil. Os modelos sociais não são grandes coisas.
Você vai imitar os atores de Hollywood ou os da Rede Globo ou os atletas. Quem que você vai imitar? Ou seja, se você não escolhe o ser humano que você quer ser, inconscientemente vai estar adotando um modelo social que em geral não são muito recomendáveis.
natureza não vai deixar esse buraco vazio. A gente às vezes observa quando você anda no meio das pessoas que tem certos padrões sociais que as pessoas adquirem, que estão copiando até o jeito de gesticular daquele jogador de futebol ou daquela atriz, daquela telenovela de sucesso. Tão copiando até o jeito de vestir, estão copiando tudo, não tem consciência disso, mas necessitam de um modelo e vão adotar aqueles que a sociedade tá oferecendo, que são péssimos.
Portanto, construa o seu modelo. Quando nós estamos diante da morte, é a única coisa que nos gratifica é ter construído a nós mesmos e, a partir dessa construção, ter deixado um referencial positivo no mundo. Nada mais vai valer coisíssima nenhuma.
Não é possível que a gente tenha que esperar que a morte chegue diante de nós para chegar a essa conclusão que só tem validade os valores que a gente construiu em nós mesmos e a referência que deixou para os demais. A partir disso é impressionante como nós temos uma mentalidade, todo tipo de alienação parece que a gente concentrou e adquiriu nessa nossa cultura atual. Uma delas é aquela, bendito ditado popular que não tem valor nenhum de que o Mandorinha não faz verão.
Se eu mudar sozinho não vou fazer diferença nenhuma. Gente, a gente viu um caos moral, um deserto moral. Quanto mais o mundo faz escuro, quem tem luz pequeninha que seja, vista uma distância muito grande.
A mais com os meios de comunicação que a gente tem hoje, as coisas ecoam uma velocidade enorme. Joga uma pedrinha na água e veja os círculos concêntricos se espalhando pela água como um todo. E nós ainda aceleramos esse processo natural através da nossa tecnologia.
Uma pessoa que tem uma conduta ética, essa pessoa entra no menu de opções de cada jovem que surge no mundo. Quando ele olhar pro mundo e perguntar: "Que que tem para eu viver? " você colocou uma alternativa nova ali, deu uma chance para ele, deu um caminho diferente.
Portanto, não acreditem, a natureza não trabalha com quantidade, ela trabalha com qualidade. Um ser humano, que é uma referência pode fazer uma diferença muito grande no mundo. Parem para olhar pra história.
Nós não fomos ensinados a refletir a respeito daquele material que jogaram na gente lá no colégio. Pare para refletir um pouco. Quem fez a história?
Ah, um dia uma multidão acordou e todo mundo pela manhã disse: "Vamos mudar o mundo". Não foi, meu caro. Foi um ou dois que estavam despertos, um ou dois que estavam conscientes da necessidade do mundo, que dispararam na frente e o resto correu atrás.
Quando viu que era por ali, correram atrás. Sempre foi assim. Sempre foram os homens espertos que fizeram diferença, que escreveram a história.
Não é agora que vai ser diferente, né? Então, um ser humano que tenha bons referenciais tem uma influência muito significativa no mundo, muito significativa. Vou dizer para vocês que esse negócio do desse canal do YouTube para mim é uma das coisas mais miraculosas do mundo.
Eu comecei isso com a Luana. Ela não tinha essa câmera bonitona que ela tem hoje, não. Vocês acham?
Já tinha uma câmera que ela apoiava o cotovelo em cima da mesa, não tinha nada, não tinha tripé, não tinha coisa nenhuma, não tinha microfone. Então as primeiras palestras ficam, você fica ouvindo os carros passando na rua, o pessoal gritando lá fora, não tinha nada. E a gente começou, o pessoal dizia: "Vocês vão colocar palestra de uma hora, ninguém vai assistir, o pessoal gosta de coisas rápidas".
E a gente só colocou palestra de uma hora para mais. No início era quem que assistia, era eu, ela. Eu costumo brincar que eram três pessoas, eu, ela e minha mãe.
Quando minha mãe não assistia, baixava em 30% audiente. Então, nunca colocamos 1 centavo de patrocínio nesse negócio. Um centavo.
Nunca colocamos, inclusive, porque não tínhamos. E você vai ver, hoje tem canais enormes. Vocês sabem quanto o pessoal investe para esses canais crescerem?
A gente nunca colocou um centavo ali e a coisa foi crescendo organicamente. Por quê? As pessoas encontraram ali um referencial e as pessoas estão precisando de referencial.
Existe um grito na humanidade. Se vocês aguçarem os ouvidos, vocês vão perceber. Dá-nos um sentido de vida, uma luz no final do túnel.
As pessoas necessitam disso. E quando nós começamos a nos transformar, nós começamos a oferecer isso ao mundo, tá? Então não não acreditem que somos poucos e não podemos nada.
Se somos um referencial humanista, nós somos uma referência de mudança. Certo? Então que mais?
Já dei dois conselhos. Estão guardando? Buscar encontrar a si próprio no meio daquilo que você não é, através dos atos de bondade, através de uma referência.
Então, quem é a Lúcia? Eu sou aquela que busca justiça e fraternidade. Essa é a Lúcia.
Se algum momento eu tiver buscando outra coisa, eu estou fora de mim e vou buscar voltar para mim. Meu nome interno é aquele que está lá no horizonte, como diziam os egípcios, teu nome interno está no horizonte. Meu nome interno, que é a verdadeira Lúcia, é fraternidade e justiça, lá no final do caminho.
E isso sou eu. Se eu dissesse pro Platão, garanto que ele volta para casa satisfeito, né? E se existisse uma Netflix só que de filosofia?
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