[Música] [Música] essa é a nossa primeira videoaula da segunda semana ou seja a quarta videoaula E lembrando que na primeira semana a gente fez aquela recuperação sobre o que é literatura Quais as funções da literatura vimos o que são teorias da literatura e agora a gente vai começar a avançar nos assuntos propriamente ditos e o primeiro assunto que vai nos ocupar ao longo dessa videoaula são os gêneros literários na antiguidade está dividido em duas aulas nós temos uma aula sobre gêneros literários na antiguidade uma outra com já leitores pessoas mais adiante no tempo que fizeram
leituras de Aristóteles de Platão e depois veremos alguns exemplos de como pensar textos antigos a partir desses gêneros como tem acontecido nas videoaulas eu vou abrir com uma citação essa é uma citação muito curiosa do Aristóteles que é a seguinte a arte que se usa apenas de palavras sem ritmo ou metrificadas esta seja com variedade de metos combinados seja usando uma só espécie de metro até hoje não recebeu o nome é o Aristóteles falando da literatura que não tinha nome eh na altura em que ele estava eh fazendo pela primeira vez a divisão dos gêneros
Isto é mesmo que seja antes de ter recebido o nome de literatura alguns pensadores já estavam eh se esforçando em Como dividir a literatura num gênero ou no outro estavam estudando aquilo que não tinha recebido ainda um nome ou um campo específico ou seja isso é sinal de que eu não preciso ter um nome para que o fenômeno exista né Não preciso dar um nome para que o fenômeno exista e também eu não eu não preciso esperar que ele exista com o nome para que eu possa estudá-lo e é o que nós vamos ver na
aula de hoje tanto nas figuras do Aristóteles quanto nas na figura do Platão e do Sócrates daqui a pouco eu explico porque que esses dois estão juntos tá bom o primeiro livro lá no Século IV eh que vai ser o primeiro a formular os gêneros literários é a República do Platão nesse livro O Platão reproduz um diálogo do Sócrates né então ou seja Essas formulações são socráticas mas reproduzidas no livro do Platão e o Sócrates diz o seguinte ele propõe um gênero literário que seja somente de imitação ou seja não há ali uma criação não
há uma voz não há uma outra voz criando aquela narrativa eu só tenho as pessoas que existiriam no mundo sendo imitadas sobre o palco e esse gênero que é só imitação estaria dividido daqui a pouco nós vamos ver em tragédia e comédia um segundo gênero seria um gênero que é composto do relato do poeta Ou seja a maneira como um poeta vê o mundo e fala sobre esse mundo ele não tem correspondência exata com os gêneros de hoje em dia mas depois seria aquilo que nós chamaremos de gênero lírico ainda um terceiro gênero que é
misto de imitação e de criação misto de imitação e de voz de poeta Ou seja eu não tenho só pessoas sendo imitadas e representadas nem tenho só a voz de um poeta relatando tem uma uma mistura dessas duas coisas e o gênero definido como a mistura da imitação e da voz do poeta é a epopeia tá essas a referência dessa classificação eu tirei daquele livro A Teoria dos gêneros do anatol rosenfeld antes de gente avançar porque depois essas essas classificações serão retomadas eu quero ver rapidamente com vocês a diferença entre tragédia e comédia é uma
diferença que para nós não vai ser muito muito interessante ao longo do curso nós não Voltaremos a elas a ela muitas vezes então é melhor resolver logo nesse slide do que deixar ela pendente aqui a tragédia são eh imitações ou seja encenações com homens melhores do que nós nobres ou heróis ela tem uma linguagem elevada e o seu desfecho é trágico tá a comédia S homens piores do que nós em geral que na verdade somos nós mas daqui a pouco eu falo sobre isso serviçais trabalhadores etc a linguagem rebaixada e o desfecho É cômico ou
moralizante também pode ser que se use o exemplo daquela figura para moralizar no final ah aí o Fulano aprendeu e depois disso foi uma pessoa melhor e tal é claro que existe uma divisão política nessa divisão entre tragédia e comédia Ou seja quando eu eh remeto a tragédia a ideia de que só homens melhor do que nós em linguagem elevada em desfecho trágico podem encenar o destinos da Nação eu tô dizendo que só eles importam pro Futuro daquela comunidade né E quem quem diz isso não sou eu é o rancier num num texto chamado a
política da ficção e é claro que essa definição de comédia também homens piores do que nós para o mundo grego são trabalhadores ou seja somos nós né São pessoas que trabalham que precisam trabalhar e que não estão envolvidas diretamente no futuro daquela comunid E aí a linguagem que se chamava de de rebaixada era linguagem comum né e o desfecho cômico moralizante era a maneira como esse ângulo mais elitizado enxergava a diferença social naquele mundo antigo no na na Grécia antiga tá bom num livro posterior Ou seja a república posteriormente o Aristóteles que é discípulo do
Platão ele vai eh intensificar complexificar a classificação do Platão primeira coisa ele vai dividir eh a para além daquela tripartição do Platão de imitação voz do poeta e um gênero misto entre imitação e voz do poeta o Aristóteles vai começar a refletir por exemplo sobre os meios Isto É pode ser a pintura pode ser o canto ou pode ser as palavras né ou seja de diferentes meios é possível fazer imitação de diferentes meios é É possível colocar a voz do poeta e de diferentes meios é possível fazer um misto entre a imitação e a voz
do poeta eh também vai refletir a respeito dos objetos né ou seja os objetos consistem naquilo que as obras imitavam né ou seja elas podem imitar pessoas melhores do que nós ou piores do que nós mas não sendo isso uma exclusividade da literatura Eu também poderia fazer um quadro que Tend desse digamos ao trágico e um quadro que tem desse ao cômico Aristóteles também vai falar sobre as maneiras como os objetos são imitado ou seja se existe a presença de um de um narrador se ele é feito somente a partir das personagens se há uma
mistura entre uma coisa e outra mais uma vez não sendo exclusividade literária aprofundando um pouco mais a relação entre Platão e Aristóteles a gente consegue perceber algumas diferenças que eu vou elencar aqui primeira delas Aristóteles aprofunda a noção de imitação para pensar outros meios que não só a língua verbal é importante dizer que imitação eh a palavra grega para Imitação é mímesis ou mimeses e a palavra grega para criação é poiesis essas duas palavras vão se relacionar aqui ao longo da da nossa explicação os objetos imitados ou seja mimetizados ou miméticos eles também são para
o Aristóteles considerados para outros meios que não só a literatura isso também é importante e terceiro na classificação das maneiras né o fato de haver uma voz do poeta narrando ou falando em primeira pessoa diferencia esses gêneros daqueles que não TM narrador Isto é para o Aristóteles a existência daquela voz poética aquela voz criadora aquela voz poiesis né aquela voz que narra isso diferencia esse gênero de outros gêneros a partir dessas duas formulações a gente tem bem clara a divisão de três gêneros literá antigos o épico O que que é o épico em que existe
uma voz de pessoas narrando e existem pessoas conversando entre si aquilo que que vai ser depois o romance mas que era a epopeia e que também vai ser depois a novela existe o lírico que que é o lírico é quando essa voz poética fala sobre a sua experiência e sobre aquilo que ela sente no mundo antigo por exemplo o hino A Ode e a elegia e existe também o dramático que é quando essa voz que conta a história se retira e a história é contada pela relação entre as pessoas em cena ou seja tô falando
daquilo que hoje nós conhecemos como teatro né a farça a tragédia e a comédia por exemplo são histórias contadas de no modo dramático A partir da interação das personagens bom agora nós vamos feita essa abordagem Inicial fazer um mergulho um breve mergulho nos três gêneros antigos literários três gêneros literários antigos o primeiro deles é o é eu espero até que com a explicação já dada aqui já já esteja bastante Claro para vocês a diferença entre um gênero e outro mas eu quero reforçar essa diferença aqui porque esse é um negócio muito importante que a gente
vai acabar usando em vários momentos não só do curso como nos estudos de literatura de maneira geral o gênero épico é caracterizado por uma certa objetividade que ultrapassa a visão do narrador Isto é o narrador que é um mediador que é aquele que está criando um ponto de vista dentro da forma ele está contando a história mas há uma história que é contada a revelia desse narrador Quando duas pessoas conversam numa determin num determinado romance por exemplo essas pessoas estão conversando a revelia desse narrador não é exclusivamente a perspectiva dele existe uma outra coisa que
acontece no mundo e esse e esse acontecimento transborda a mediação do narrador nesse sentido o mundo construído é um mundo mais amplo e existe um certo princípio comunicativo no gênero épico ou seja o narrador está contando aquela história para alguém isso acaba também influenciando a linguagem ou seja em geral é uma linguagem menos figurada mais sóbria mais comunicativa mais voltada para o entendimento da história pelo outro beleza o segundo gênero que nós vamos mergulhar um pouquinho é o gênero lírico eu coloquei o épico e o lírico porque o lírico é exatamente aquele em que essa
voz do narrador digamos do narrador entre aspas vai se intensificar ao máximo ou seja o lírico é a resposta mais intensa e mais imediata de um sujeito em relação às experiências que ele vive no mundo em geral experiências amorosas mas não só existem poemas que não são poemas líricos né então ou seja o gênero lírico se caracteriza por essa subjetividade que se impõe sobre a objetividade do gênero épico Isto é no gênero épico você vê o sujeito que narra Mas você também vê outras coisas quando você tá lendo no gênero lírico em geral essa subjetividade
é ampliada e você vê mais o sujeito que está lá falando sobre as suas experiências do que propriamente quais experiências estão sendo experimentadas por esse sujeito tá em decorrência disso tal como aconteceu no gênero épico a linguagem no gênero lírico se volta sobre si mesma porque ela é parte componente importante desse gênero né Ou seja eu não tenho mais o intuito de contar uma história eu tenho mais o intuito de expressar o que eu estou sentindo se o intuito é expressar o que eu estou sentindo a linguagem vai acabar dobrada sobre si mesma como se
fosse um pano e portanto ela é mais espessa e menos comunicativa menos sóbria do que no gênero épico por fim e talvez o mais tranquilo de aprender dos gêneros é pelo menos na visão antiga né é o gênero dramático o que que é o gênero dramático é o gênero em que não há narrador e portanto o mundo apresentado se autonomiza é como se eu recortassem um pedaço do mundo e colocasse ele sobre o palco é por isso que o Platão e o Aristóteles chamam de gênero mimético ou seja não tem alguém poético não tem alguém
criando a história junto com a representação Isto é a história é contada pelas ações encadeadas entre as personagens né a história não depende de alguém que conte a história a história imita aquilo que acontece no mundo real claro ess essa imitação pode ser numa linguagem mais densa ou pode ser numa linguagem menos densa mas é importante dizer no gênero dramático que mesmo que aquele acontecimento esteja transcorrendo no futuro da história ou no passado da história como um flashback aí encenação sempre se dá no tempo presente né então é um gênero de maneira geral e eminentemente
muito presentificado as pessoas estão lá na frente representando uma determinada Ação Sem o narrador e essa ação se dá no presente da sua representação Diferentemente do gênero lírico e Diferentemente do gênero épico que podem recompor uma história ou recompor um sentimento que foi sofrido ou vivido na semana passada no mês passado etc essas categorias aristotélicas épico lírico e dramático Elas tiveram Longa Vida na História do Pensamento né elas só com a chegada da modernidade lá no século XVI que elas vão ser transformadas ou seja o épico que era poético né lembrem que daqui a pouco
a gente vai falar sobre isso eu vou mostrar no exemplo e a a linguagem dele era a linguagem ele era escrito em poesia e não em prosa ele vai deixar de ser escrito em em em linguagem poética e vai passar a ser escrito em linguagem prosaica e vai derivar as formas romance e conto da mesma maneira Mas talvez de forma um pouco mais lenta o gênero dramático que também era eh criado a partir de uma linguagem poética vai deixar de ser poético e vai passar a ser prosaico e a linguagem poética vai ficar restrita à
poesia vou parar aqui durante uns 40 segundos para tentar explicar isso para vocês porque é uma coisa importante o que nós ch chamos de poético como uma linguagem poética para o grego significa criar poiesis é criação enquanto mimeses é imitação bom dentro da do épico existia a voz do narrador então existia ali um elemento poético e existia também as personagens como um elemento mimético dentro do drama existia só o elemento mimético porque eu não tenho um narrador ao passo que a aquele terceiro gênero que seria o lírico é o gênero em que eu tenho mais
fortemente a presença desse criador portanto é um gênero poético no sentido moderno do termo essas coisas vão se alterar e poesia vai significar para nós um tipo de linguagem um tipo de linguagem que rima um tipo de linguagem que tem metáfora etc etc esse tipo de linguagem que rima ou esse tipo de linguagem eh desenvolvido em versos na antiguidade ele pertencia Aos três gêneros aquilo que era prosaico na antiguidade era gênero historiográfico para contar a história e tal e não gênero literário é importante ter essa divisão em mente porque é uma uma divisão que confunde
bastante justamente porque mantém as mesmas palavras né no campo da teoria da literatura o que que nós vimos nessa quarta videoaula primeira da segunda semana as formulações do Sócrates do Platão e do Aristóteles sobre os gêneros literários examinamos de perto as diferenças desses das formulações analisamos as principais características do gêneros e vimos só de leve por enquanto as transformações em relação à modernidade é claro que as conclusões que eu já disse são também importantes Isto é muito antes de haver uma noção moderna de Literatura e mesmo antes de haver uma noção Latina de literatura nós
já temos pensadores voltados paraa classificação dos gêneros literários e eu citei aqui três deles né o estudo da produção dos Poetas no sentido antigo Ou seja no sentido de de Criadores possibilitou que esses pensadores fizessem um paradigma inclusive definissem no caso do Aristóteles quem era o melhor dramaturgo quem era o pior dramaturgo etc etc mas e nós vamos levar isso pro debate nas próximas semanas será que é o gênero mais característico é o melhor ou seja quando eu pego uma peça mais característica do gênero dramático ela é a melhor peça possível ou seja qual é
a relação entre classificação e valoração Vamos tentar conversar um pouco sobre isso nas próximas semanas Muito obrigado pela atenção espero que vocês revejam as aulas Quantas vezes for necessário acessem os monitores acessem o professor estamos sempre à disposição e até a próxima videoaula tchau tchau [Música] e [Música] [Música]