Oi gente, eu sou a Glaucia As duas são minhas filhas A Emilly e a Cota Eu conheci a Cotinha quando eu entrei em um emprego Na Beneficência Portuguesa, em 2010 O pessoal do hospital falava que ela sofreu um acidente quando tinha 10 anos Eles falaram que ela tava atravessando a rodovia Washington Luiz Com o irmãozinho de quatro anos Um caminhão pegou os dois O irmãozinho faleceu e a Cota chegou toda machucada Toda quebrada lá no hospital Nisso, ela foi ficando lá Falaram que ela ficou quatro anos internada Gritava de dor Ela ficou internada O pessoal anunciou no jornal Na rádio Ninguém foi buscar ela Como eram as freiras que tomavam conta do hospital Elas começaram a tomar conta da Cota Começaram a tomar conta da Cota E a Cota foi morando lá Ela já foi trabalhando Com 10 anos, já colocaram ela pra ajudar no hospital Ela foi ficando. . .
Uma pessoa que trabalhava pra morar ali, sabe? Se eu perguntar pra ela: "Cota, como foi? " Ela não vai saber Ela tem algumas sequelas A gente não sabe se é por causa do acidente, ou se ela nasceu assim Ela não fala e a gente foi convivendo com ela ali Depois de 6 anos, o hospital faliu Ela foi levada para um abrigo Ninguém quis ficar com ela Ela foi deixada lá Ficou 3 dias lá, aí eu levei ela pra minha casa A gente foi na ilusão De que o hospital fechou, mas eles prometeram pra gente que ia voltar Aí eu pensei: "Ela vai ter o canto dela e eu vou ter o meu serviço" Mas foi ao contrário, o hospital não voltou Ela ficou sem casa e eu sem o meu emprego Ali que eu fui vendo que ninguém quis saber dela Passei muita dificuldade com ela ali Eu não tinha emprego, fiquei 3 meses desempregada Depois eu consegui um emprego Eu ia trabalhar e ela ia junto comigo Você vendo a Cota, você acha que ela tem algumas dificuldades Realmente ela tem, ela não fala.
. . Mas ela entende.
. . Ela entende o AGORA, ela não tem entende o amanhã e o que passou Ela veio com algumas manias do hospital Eu tive que mudar essas manias dela No caso, ela não trocava de calcinha, não trocava de roupa Eu fui percebendo isso Eu fui vendo que eu tinha que educar ela de novo Traz aqui, filha Põe aqui que a mãe coloca Obrigada!
Vai lá que depois eu te chamo Então, eu tive que mudar alguns hábitos dela Mas o resto. . .
A Cota é muito inteligente, ela me ajuda Você imagina? Ela sofreu a vida toda dentro do hospital Não teve família, não teve irmãos Não teve o hábito de todo domingo ter macarronada em casa Hoje ela tem família, eu fiquei pensando por esse lado Teve uma coisa que aconteceu que eu vi que ela realmente me chama de mãe "Oh, mãe! " Aí, ela estava na minha mãe e abriu a torneira Nisso, a torneira dispaou Abriu tudo, disparou Ela falava assim: "Oh, mãe!
Oh, mãe" Sabe quando a criança entre em desespero e só a mãe pode resolver? Eu tava atrás, corri e fechei Ali eu vi que assim. .
. ela bota fé em mim Ela bota. Tudo é "mãe".
"Mãe, pode? " Por exemplo, minhas amigas falam: "deixa eu levar ela pra minha casa? " Daí falam "Cota, vamos pra minha casa nanar?
" "A mãe, a mãe" Ela é muito obediente É como se fosse uma adoção porque eu dei o meu sobrenome pra ela Mas na Lei não existe adoção de idosos Vamos supor, se fosse a Cota me adotando, daria certo Mas como sou eu adotando a Cota Eu tenho 30 anos, a Cota tem 70 Mas só de eu conseguir a certidão de nascimento dela, que ela não tinha Nisso, a advogada, a Júlia, disse: "Glaucia, que tal a gente dar seu sobrenome pra ela? " Eu adorei! Porque realmente é o que a Júlia falou: "Você é a mãe dela" E nisso também conseguimos o auxílio do Governo que é pra eu poder manter ela conseguir manter ela porque só meu salário, eu não conseguiria manter eu passava muita dificuldade Não teve aquilo de "eu vou adotar ela" De repente a Cota já tava morando comigo De repente a Cota já tava com meu nome De repente a Cota já.
. . não sei o quê Não teve aquela coisa de vamos nos reunir e "oh, vou fazer isso", não teve De repente a Cota entrou na minha vida e ficou Eu sei que eu comprometi minha vida.
Eu tenho 31 anos, mas a minha filha também é pequena Então, junta as duas e acabou É assim, ela não é uma pessoa que eu posso compartilhar o meu sofrimento Do tipo, às vezes eu tô passando alguma dificuldade, ela não vai entender o que eu tô passando mas se eu chorar ela vai entender que eu estou magoada Aí ela vem e me abraça Ela vê que tá acontecendo alguma coisa Então, eu curto o agora A gente vai no cinema Eu compro roupa pra ela Ela adora roupa Eu compro boneca pra minha filha e compro boneca pra ela. Ela adora! A gente curte esses momentos O pessoal fala assim "você tem um lugarzinho no céu" Eu não considero isso Eu não considero que realmente eu tenha um lugar Todo mundo fala "você é um anjo" Gente, qualquer um poderia fazer isso Realmente, eu não parei pra pensar nas dificuldades Eu fui e agi Eu fui e fiz Não pensei com a razão Pensei com a emoção A Cota é uma idosa que não cresceu É uma idosa que ficou.
. . você pode ver ela tem atitude de criança, ela gosta de boneca E sobre ela ser idosa e me dar trabalho Isso é normal, todo mundo vai passar por isso Todo mundo vai ficar idoso e todo mundo vai passar.
. . Então, eu acho que eu estou preparada e.
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