Não existe sexo fora do casamento. Quer dizer que essa é a primeira trepada com freito dele já tá com as casas aquela dona saiba ou não, né? É que depois tudo mais que ele fizesse era adultério.
Então só existe casamento e adultério. Não tem um negócio chamado sexo fora do casamento, né? Quer dizer que toda relação extraconjugal ela já é adulter ou é um casamento, não tem um dato.
Daí o cara pergunta: "Ah, então Olá tá vivendo em adultério? " Falei: "Sim, seria isto se a igreja não tivesse criado remédios por esta citação, né? " Né?
Então, eh, quer dizer, aí no caso o sujeito tira uma conclusão factual desde meras palavras, sem ter, vamos dizer, em conta as várias acepções que essa palavra fala tem distintas situações históricas, onde onde mostra fatos completamente eh eh é diferentes, não é isso? Então você imagina, por exemplo, que nem sempre a igreja teve um registro dos casamentos. Hum.
Então, se aparecia o sujeito com a mulher e dizer, esta é minha mulher, a igreja conhecia. Por quê? O sacramento tinha sido oficiado por eles mesmos, né?
Então a igreja reconhecia. Bom, só que o problema começou a aparecer o sujeito com uma mulher, duas mulher, três mulher, quatro mulher, daí virou bagunça. Então, daí a igreja passa a reconhecer como casamento somente aquela que foi oficiada fazer ritualmente ali na própria igreja.
Isso não aconteceu desde o primeiro dia. Eu tenho a impressão que isso começou a acontecer foi por volta do século 9, 10, uma coisa assim, eu não lembro direito, tá certo? Mas é claro que se não existe um registro dos casamentos na igreja, então o próprio conceito de casamento religioso está identificado com o quê?
Com o fato do homem cohabitar com a mulher fisicamente, não é isso? Então isso era a situação primitiva. Hoje evidentemente não é mais.
Então, mas não di a dúvida que o rapaz colocou ali, ela é legítima na esfera da pura lógica. Hum. Porque não levou em conta o quê?
Os ante predicamentos. não usou, não percebeu que o sentido do termo casamento matrimido unívoco, é o sentido análogo, né? Quer dizer, ele ele designa para realidades diferentes que são em parte a mesma e em parte são diferentes.
Que que seria, vamos dizer, o matrimônio tomar no sentido estrito de que é um sacramento oficiado na hora que o homem simplesmente toma a mulher e coabita com ela. Esse é um sentido. E o que que é o casamento no sentido posterior, onde existe, vamos dizer, com rito público, né?
e eu assinam o documento, etc, etc. Sem contar que mais tarde entra o casamento civil, não é isso? Que então, vamos dizer torna a ideia de matrimônio ainda mais eh nítida e mais clara para terceiros que estão observando, né?
Né? Então, a ideia de essa palavra matrimônio, ela é usada em sentido análogo para todas as coisas. Todas elas são matrimônio de algum modo, mas o casamento civil é um casamento, né?
O casamento oficiado pelo padre é um casamento e o casamento no sentido primitivo também é um casamento, não é isso? Então, há diferenças e semelhanças entre todos esses. Esta sensibilidade para perceber que há realidades diferentes por baixo dos mesmos termos, isto é uma coisa que só se desenvolve com um treino literário muito extenso.
Tá compreendendo? Então, eh, eu vejo, por exemplo, quando eu vejo congressos de lógica, teve esse congresso na Suíça que eu participei por ectoplasma, eu não pude ir porque eu tava vindo para cá, foi no ano 2005, eu vim para cá em maio de 2005 e o congresso, eu acho que eu vim para cá no dia 20, >> tá? Completando 5 anos hoje.
>> Completando 5 anos hoje. Exatamente. 21 de maio, né?
21 de maio e o congresso era no dia 20 de maio, então não podia ir. Então mandei o trabalho lá, o trabalho foi apresentado lá, não sei se gostaram, não gostaram, entrou nas atas, tal. Muito bem.
Mas eh depois eu lendo alguns trabalhos lá, eu vi a infinidade de discussões que pode haver em lógica, mas que não são problemas reais, são apenas problemas internos da lógica, né? e que tratados por meios lógicos, eles nunca têm solução, mas com uma certa sensibilidade para a transposição linguística da experiência, você imediatamente percebe se a coisa é um problema real ou falso problema. Tá concordando?
também tem inúmeros outros, vamos dizer, eh, esse problema que surge deodiceia, que o pessoal toda hora manda pergunta sobre isso, como é que um Deus bom permite e tal, outra coisa, né? Eh, deriva do fato de que a palavra bom é análoga e não uníca, não é? Isso quer dizer, quando você usa a palavra bom no sentido da moralidade humana, é uma coisa, quando você a refere a Deus é outra coisa completamente diferente, com alguma semelhança, não é?
Então, o que acontece é uma espécie de é um um loop, né? Você ouve a mesma expressão, ele dá a expressão, a palavra bom sentido que aquilo tem na moralidade humana e em seguida examina Deus como se a moralidade humana existisse independentemente de Deus. Tá comendo?
E daí ele cria um enigma absolutamente insolúvel, não é isso? Quando você repõe as coisas nos seus nos seus lugares, você vê que o problema não se o problema não existe mesmo, não é isso? Nós só podemos compreender o nosso o sentido humano da palavra bom dentro da circunstância humana real, que é feito de pecado, de violência, de brutalidade, de mentira, etc, etc.
Então daí e e dentro disso sai o sentido que nós eh eh damos a palavra bom, não é? Quer dizer, se existisse se a bondade humana imperasse em tudo qualquer lugar, se todo mundo fosse bonzinho, tá certo? Não haveria assim que o conceito de bom, não é isso?
Porque a bondade estaria oniprosente. Como a bondade divina está onipresente, ela também não se enxerga. Então, com exame lógico, você nunca vai chegar à conclusão disso.
Você só vai chegar isso medante a meditação, quer dizer, a rememoração profunda da experiência que te leva a perceber da onde eu tirei esta ideia. Agora, quando a gente pergunta para uma pessoa da onde ela tirou essa ideia, a resposta em 99% dos casos é uma defesa da ideia, é uma justificação. A gente tá perguntando uma origem que a pessoa responde com um fundamento lógico.
Daí eu pergunto, mas eu não tô perguntando o fundamento lógico, eu tô perguntando a origem, a origem real na experiência. Hum. Quer dizer, que se esta palavra bom tem algum sentido substantivo, é porque ele corresponde algo na realidade, não somente no seu pensamento.
Então, falando de quais realidades você tirou isso? Com que elementos de experiência você construiu a abstração que você está chamando de bom neste momento, né? Essa rememoração é extremamente difícil e ela implica, vamos dizer uma de exercício de autoconsciência, uma confissão para si mesmo, não é?
Então, é claro que você operar no nível puramente lógico é muito mais fácil do que isto mesmo, porque a lógica, como ela é uma só para todo mundo e como ela é constitucamente aplicáveis, ela pode ser usada sem o comprometimento da sua pessoa. você pode raciocinar como se você fosse um outro ou como se você fosse uma função pública ou como se você fosse um computador. Então, há um há uma certa defesa.
Então, proseguinte, existe nisso uma certa eh defesa social contra a participação, vamos dizer, efetiva do indivíduo real no processo de discussão, até no processo de conhecimento, né? Então, na verdade, assim, a o o por todo o intercâmbio de ideias no mundo filosófico, científico, ele se baseia num tipo de convivência social que exclui o indivíduo real, onde o Freito fala como profissional, como professor, né? sem precisar ter um comprometimento existencial com aquilo que ele tá dizendo, né?
E isso é claro que isso é um impedimento ao conhecimento, né? Quem disse que um papel social pode conhecer alguma coisa, só um indivíduo concreto pode conhecer, né? Se você, no instante do de que você tá lidando com as questões mais altas, difíceis da filosofia, você é um papel social e não indivíduo real, você tá ali como se você é um lutador que entrasse no ring com a mão amarrado, né?
Mas parece que existe um uma obrigação de entrar ali com a mão amarrada, né? Que isso é obrigatório. As pessoas não podem participar disso assim, com o coração na mão, né?
Elas têm que estar ali de jaleco branco, queré e bem bem defendidinhas. Então, é claro que a esfera, o círculo de percepção que tá em ação nesse momento é limitado. E você vê você quando tá sozinho, né, sozinho com seu quarto fechado, escuro, meditando, você percebe coisas que depois, vamos dizer, você transmutado no seu papel social, você esquece, você perde.
Quer dizer, é naquele momento da sua solidão que você tem o máximo de de consciência, de atenção, de tudo. E era isso que devia ser conservado para ser trazido para esses outros momentos, né? Na mas na passagem de uma coisa para outra existe de certo modo o medo de ser visto por dentro, né?
O medo e é um sentimento natural de pudor do ser humano, né? Mas aí o que eu tô dizendo aqui, a filosofia implica a no momento necessidade de um completo despudor, né? Quer dizer, o indivíduo tem que dizer que as coisas como ele realmente as viu sem o o medo desse de desse comprometimento, né?
Então, quando você pede à pessoas o depoimento sobre a origem das suas ideias, isso aí implica um autoexame de acontecimentos internos reais. Não tem como você se esconder. Aí você vai ter que contar com uma coisa efetivamente se passou, não é isso?
Se você conseguir lembrar, mas eu digo, mas se você não lembra, né? Então você não pode ter nenhuma garantia de que o que você tá dizendo tem algo a ver com a experiência real. Então é, eu não não vejo como praticar filosofia boa se não for num ambiente que é quase como um grupo de psicoterapia, onde as pessoas vão contar as outras coisas como realmente se passaram.
Tá certo? Mas vez é curioso que essa esta inibição ela existe mesmo quando você não está falando de coisas que possam comprometer a imagem das pessoas. Quer dizer, é uma espécie de pudor deslocado.
Quer dizer, não tô não tô pedindo confissões sobre a sua vida sexual, não tô pedindo para você contar como é o melhor do vizinho, não tô pedindo nada disso, tô pedindo você contar apenas como apareceu uma ideia na cabeça, né? Mas esta intimidade psicológica, ela é ainda mais defendida, né, do que, digamos, a intimidade erótica. É uma coisa incrível, né?
Então você acaba conversando com pessoas que não são pessoas reais, são apenas um papel social. E aí a busca da verdade perde toda a força. Na verdade, quando você é capaz, vamos diz, pegar a sua experiência real e transpôla em em palavras, o que você transmite, em geral tem bastante valor universal.
Quer dizer, você tá repetindo certas, expressão de certas experiências que provavelmente se passaram igualzinho na cabeça de outros, entendeu? Então não tem por ter ter medo disso, tá certo? Então em grande parte os seres humanos às vezes não obtém o conhecimento porque elas não o querem efetivamente.
Elas não o querem efetivamente, né? Elas querem, como dizer, um simulacro socialmente válido. Pode ser acadêmico, pode ser religioso, pode ser isso, pode ser aquilo, né?
Mas é claro que se a gente perguntar assim, existe conhecimento eh socialmente válido? Eu digo, existe só em sentido metafórico. Quer dizer que a sociedade tem conhecimento, a humanidade tem conhecimento, na verdade somente o indivíduo concreto tem conhecimento, né?
você dizer que a sociedade tem conhecimento, o que você quer dizer é que existem registros, né, que a sociedade conserva certos registros que são acessíveis a todos os indivíduos. É só isso que quer dizer, né? Mas o portador do conhecimento é o indivíduo concreto.
Então é como tal que você deveria raciocinar sem esquecer que esse indivíduo concreto também é membro de uma sociedade, não é uma coisa solta no ar, né? Mas o domínio do conjunto dos instrumentos lógicos frequentemente serve apenas como uma autodefesa contra a experiência real. E se ao contrário você tiver uma boa capacidade de transposição da experiência em palavras, preferentemente o aparato lógico ele aparece sozinho.
Por quê? Porque o pensamento lógico é natural. Pensei fazerogido.
Dig natural no ser humano, né? Mesmo que você não tenha aprendido a técnica, em geral, mais ou menos você sabe, você acerta sozinho. Claro que o estudo da técnica aprimora um pouco isso, mas esta outra coisa que eu tô falando, embora ela ela é natural, mas ela é superada por um outro instinto natural, que é o instinto, vamos dizer, do pudor, da autodefesa, etc, etc.
né? Se você perguntar para as pessoas falar, você quer saber realmente como são as coisas, quer dizer, até onde você quer ir no conhecimento disso? Você vê que eu acho que na quase totalidade dos casos as pessoas não querem avançar muito.
Elas querem adquirir um instrumento que lhe permite, l permita agir socialmente até como intelectuais, pousar como intelectuais, né? Mas não quer ter, vamos dizer, a experiência viva do conhecimento que sobretudo porque arrisca ser intransmissível. Quer dizer, a risca você não conseguir dizer pros outros o que você percebeu e a risca então criar um um abismo entre você e os outros, né?
Mas sem sem esse abismo o conhecimento não anda, evidentemente, né? Você só pode saber o que os outros já sabem.