Jay-Z e eu, o via dentro agora. Somos só pra mim. Temos arquivos maravilhosos e depositá-lo tamanho, auxilia na organização.
E também perceber que você seja um exemplo. Mais de 90 peças, eu faço essa contagem porque a minha mãe começou a organizar esse material com os anos atrás. Era o material que estava em fim.
[Música] O material estava desorganizado, enfim. Não dá tempo de fazer isso direito, né? E ela começou a organizar esse material onde ela pediu pra mim: "Eu preciso de uma lista das suas peças em ordem cronológica das peças que você dirigiu para poder organizar isso direito.
" É virginiana, então. E aí eu comecei a fazer essa lista. De fato, essa peça que eu acabei de mencionar, que chama "Emergências", será a minha 90ª direção do fundo.
[Música] Ah, eu acho que as peças mais marcantes são aquelas que provocam uma espécie de uma virada ou de uma realização pessoal, quase como se fosse uma espécie de uma epifania a respeito do próprio fazer teatral. Se eu posso dizer algumas delas, a primeira que eu tenho que mencionar é "Vestido de Noiva". Não tem como eu não dizer "Vestido de Noiva".
Foi a primeira vez que eu dirigi uma peça. Eu não tinha a menor ideia do que fazer com os atores durante os ensaios. Eu tinha uma gana imensa de colocar aquilo no palco, mas não tinha ferramentas de fato de direção, a não ser uma intuição sobre o que era uma peça de teatro.
Mesmo assim, de forma absurdamente embrionária, naquele momento eu fui extraordinariamente feliz fazendo algo que eu não sabia fazer. É muito importante, assim, num. .
. eu tenho nenhuma hipótese de jamais esquecer aqueles momentos específicos. Aqueles momentos muito específicos não apagam da minha memória.
Ainda lá em Sorocaba, eu acho que uma peça que guardo uma recordação muito, muito prazerosa, satisfatória, ao mesmo tempo com todas as dificuldades que a gente teve para fazer a peça, foi "Máquina". Eu me dediquei ali integralmente para que ela pudesse acontecer. Passei madrugadas acordado preparando aquilo.
Era uma peça que tinha muita coisa, muita gente, muito fogo, urina, que tinha muito objeto. E tudo foi muito pesquisado. Naquela época, a gente não tinha acesso a uma época pré-internet; a gente não tinha acesso como temos hoje.
Hoje em dia se faz uma pesquisa de uma maneira muito mais prática. Mas eu me lembro que eu vim aqui numa livraria na Consolação, que era uma livraria que só vendia livros importados, e eu buscava material sobre a Idade Média, sobre Renascença. Enfim, a gente fez um grande esforço para criar uma reconstituição de época que fosse interessante, que fosse instigante e tudo mais.
Eu estava muito influenciado também, né? Eu estava cursando faculdade, então estava muito influenciado pela faculdade, pelas aulas de História da Arte, tudo mais. E eu acho que a gente foi muito feliz lá em Sorocaba fazendo essa peça.
Ela teve uma repercussão excelente. Enfim, depois eu acho que um projeto que foi. .
. sobre isso que estou falando, sobre as mesmas peças, mas acho que não é à toa, assim, diante da pergunta que me fez. Eu acho que "A Comédia dos Erros" de novo, Chip, né?
Mas principalmente porque a gente conheceu o Brasil fazendo a peça e porque a gente entendeu que o teatro é universal no sentido de que a gente apresentou para plateias de idades diferentes, classes sociais diferentes, localização geográfica diferente, plateias que teoricamente entendiam Shakespeare de formas diferentes. Quer dizer, a gente fez uma apresentação dentro da época. Então, pra iniciados, e a gente fez uma apresentação na periferia do Recife para pessoas que não sabiam sequer o que era o significado da palavra teatro.
Então, foi muito interessante perceber que é uma linguagem universal, que esse autor é universal, né? E que o acesso ao teatro se dá por muitas camadas. E a gente não tem muito controle sobre essas camadas.
Foi importante para entender que a gente não deve jamais ser prepotente em relação à plateia. A plateia tem o direito de entender a peça do jeito que ela bem quiser. Acho que depois eu tive alguns projetos que me marcaram assim.
"Candidata" foi uma peça que fez muito sucesso e que também rodou o Brasil. Eu acho que, falando de um assunto um pouco mais comezinho agora, foi quando as pessoas começaram a prestar atenção em mim como diretor de uma forma mais. .
. vou puxar qualquer palavra agora, no sentido de que durante muito tempo a gente fica fazendo e a gente fica falando só com uma bolha de pessoas. Aquela primeira bolha são aquelas pessoas que te conhecem e que falam assim: "Não, vou ver peça tal.
" E aí, quando você sai dessa bolha, percebe que tem uma bolha muito maior e que você pode se comunicar com essas pessoas através do teatro também. Isso dá muita satisfação, né? Se você ficar focado demais nisso, corre o risco de entrar num processo pouco egóico, que envolve sucesso de uma outra forma e principalmente tem a ver com a fama, né?
Mas tô falando de um acesso assim. Eu ficava muito feliz porque a gente fez uma turnê pelo país também com essa peça. Eu ficava muito feliz quando estava lá em Fortaleza.
Não conheço ninguém em Fortaleza, mas a gente estava lá e estávamos fazendo a peça para pessoas em Fortaleza, uma peça do Bauru Shopping. Imagina, uma peça velha, uma peça de 100 anos atrás, e as pessoas estavam super interessadas. Rindo daquilo, estavam refletindo sobre aquilo porque aquele marido e aquela mulher estavam tendo aquele problema conjugal ali naquele momento, né?
Fora todas as questões sociais que a peça envolvia também, mas ela falava principalmente de um triângulo amoroso de um casamento que não estava dando certo, porque o marido achava que ele era mais importante do que ele realmente era para sua própria mulher. É interno, muito interessante de ver, dizer o seu trabalho expandindo assim, sabe? Acho que é isso que queria falar e não achava essa palavra de ver o seu trabalho se expandindo.
Tive um momento único, único que tem uma foto desse dia, o dia claro, ano sua zona, assisti Cândida no Teatro Santa Isabel, esse Santa Isabel, Santa Rosa, em João Pessoa. E quando falaram que Ariano Suassuna estava na plateia, eu falei: "Meu Deus do céu! Quando eu ia imaginar que ia fazer uma peça de teatro e que Ariano Suassuna ia assistir a uma peça minha?
" E depois ele veio no camarim, foi muito querido e falou: "Que brilhante! Que ótimo! Que bom que vocês estão ensinando Bernard Shaw, porque ninguém mais em cena Bernard Shaw!
" Coisas que a gente jamais achou que vão acontecer e que um dia acontecem, né?