Você se lembra da febre da Telexfe? Uma das maiores pirâmides financeiras que já aconteceram no Brasil. Ali por volta de 2012, 2013, parecia que o país inteiro tinha sido convidado para uma oportunidade única.
Era a promessa da liberdade financeira e o sonho de ficar rico trabalhando de casa. A ideia era simples. Você pagava para entrar, postava alguns anúncios na internet todos os dias e o dinheiro caía na sua conta.
Simples assim. O problema é que esse sonho virou o maior pesadelo financeiro da história recente do Brasil. Um esquema que movimentou bilhões, deixou mais de 1 milhão de vítimas no país e foi parar na justiça.
E agora, mais de 10 anos depois, o nome Telex Free volta a assombrar o mercado. Afinal, o que aconteceu com os donos? Cadê o dinheiro?
E a pergunta que vale milhões. Será que o maior golpe financeiro aplicado no Brasil voltou? Meu nome é Beatriz Sales, você está na UVP Capital e hoje vamos desvendar de uma vez por todas o que realmente aconteceu com a Telex Free.
[música] A Telex Free foi uma operação transnacional desenhada para funcionar aqui no Brasil e ao mesmo tempo nos Estados Unidos. No centro de tudo estavam três figuras principais. Primeiro, o rosto americano da operação, James Matthew Marrow.
Ele era o presidente da Telex Free lá em Massachusetts. A função dele era clara, dar um ar de legitimidade de empresa gringa de tecnologia. O segundo nome e talvez o mais importante, era Carlos Nathaniel Vanzeller.
Ele era o cofundador e a narrativa de sucesso da empresa, um imigrante brasileiro que foi para os Estados Unidos em 1988. Ele começou como lavador de pratos e supostamente virou um empresário de sucesso em telecomunicações. Era a prova viva de que o sonho funcionava.
E fechando a trinca, quem operava o esquema aqui no Brasil era Carlos Roberto Costa. Ele era o cofundador e diretor da empresa brasileira A Impactos Comercial, que era o nome fantasia da Telexfe por aqui. Ele era o responsável por gerenciar a máquina de recrutamento massivo que se espalhou pelo país.
Eram esses homens a fachada americana e a operação brasileira que formavam o cérebro da Telex Free. E como funcionava o golpe na prática? A Telexfe fingia ser uma empresa de tecnologia, uma revolução em cima do marketing multinível.
Mas [música] para um esquema desse tamanho rodar, ele precisava de uma fachada altura, um álibe para justificar de onde vinha tanto dinheiro. A fachada era o telefone que quase ninguém usava. O produto que eles diziam vender era um serviço de telefonia pela internet, o tal do Voip, com o nome chique de 99 Telexfree.
A promessa era simples: pague um valor baixo e faça ligações ilimitadas. Só que o produto já nasceu todo errado. Para comestir conversa, a Anatel bateu o martelo.
A empresa não tinha autorização para operar telecomunicações no Brasil. Isso, claro, gerou um monte de multas. Mas o pior não era nem isso.
O Ministério Público do Acre foi investigar e descobriu o óbvio. O serviço de telefone era pouco utilizado. Ninguém estava lá por causa do VIIP.
O produto não dava lucro de verdade. Ele era só uma capa, uma desculpa pro que realmente acontecia nos bastidores. O motor real era a tarefa de postar anúncios.
O que realmente movia a Telex Free era o recrutamento interminável dos divulgadores. E para entrar [música] no esquema, você tinha que entrar com uma grana alta e comprar um kit de adesão. E aí você ganhava em troca uma tarefa de postar anúncios desse serviço na internet todo santo dia.
E olha, essa tarefa era a parte mais esperta do golpe, porque ela funcionava em dois níveis. Primeiro, ela dava uma justificativa psicológica para quem entrou. A pessoa realmente sentia que estava trabalhando, até porque ela postava lá seus anúncios e aí o dinheiro caía na conta.
Parecia um pagamento verdadeiro. Essa sensação de pertencer a um trabalho era algo que batia muito no pessoal, até porque a gente sabe que falar sobre emprego pega na dor do brasileiro. E esses anúncios que eram feitos muitas vezes mostrando ganhos absurdos, eram a melhor propaganda para recrutar mais gente na base do esquema, [música] porque na real o dinheiro de verdade não vinha da venda do VOIP.
O lucro vinha de trazer mais gente pro sistema. [música] Você ganhava comissões e bônus que eram pagos com o dinheiro dos kits que os novos recrutados compravam. E isso, como a gente sabe, tem nome.
É a definição clássica de uma pirâmide financeira, que é crime contra a economia popular. A [música] Telexfe não vendia um produto, ela vendia a promessa de dinheiro fácil e quem pagava a conta era sempre o próximo a entrar. A sede da Telexfir no Brasil, chamada Impactos, ficava no Espírito Santo.
A operação era global, mas a ação judicial que paralisou o esquema inteiro veio de onde ninguém esperava, do Ministério Público do Acre. Foi uma verdadeira história de Davi contra Golias. Lá em janeiro de 2013, uma promotora de justiça chamada Alessandra Marques instaurou um inquérito civil para investigar o que a empresa estava fazendo no estado.
Ela percebeu o tamanho do problema e em julho de 2013, o MP do Acre entrou com uma ação civil pública contra Telexfree. Foi aí que veio a decisão liminar que mudou o jogo. A segunda vara cívil de Rio Branco deu a canetada, determinou a suspensão imediata de todas as atividades da Telex Free, o mais importante, o bloqueio de todos os bens da empresa no Brasil inteiro.
[música] Pensa comigo, um esquema de pirâmide é como um eterno negócio de recrutamento ilegal. Ele depende vitalmente do fluxo de caixa contínuo, do dinheiro dos novos membros entrando para conseguir pagar os membros mais antigos. No momento em que a justiça do Acre congelou as contas e proibiu novas adesões, ela estancou o sangue do sistema.
[música] A pirâmide parou. O Ministério Público foi claro na época. Eles fizeram isso para proteger esse patrimônio e garantir o ressarcimento.
Se eles deixassem o esquema quebrar sozinho, quando o recrutamento diminuísse, não ia sobrar um centavo para devolver pras vítimas. Aquela decisão vinda do Acre foi o começo do fim da Telex Free. [música] Enquanto a justiça do Acre paralisava o Brasil, o esquema também estava ruindo lá nos Estados Unidos.
Em 2014, quando a casa caiu de vez, um dos cofundadores, o Carlos Vanzeller, aquele brasileiro que venceu na vida como lavador de pratos, foi indiciado por fraude e conspiração. O que ele fez? O óbvio, fugiu.
E ele fugiu pro Brasil. A estratégia dele era muito clara. Ele era brasileiro nato e a nossa Constituição Federal não permite a extradição de cidadãos natos.
Ele veio para cá achando que o Brasil seria seu porto seguro, um lugar onde a justiça americana não poderia pegá-lo. Só que aconteceu um erro de cálculo, um erro fatal. As autoridades brasileiras, a pedido dos americanos, foram analisar o status dele e descobriram uma coisa.
Lá em 2009, no auge do seu sonho americano, o Van Zeller tinha por vontade própria pedido a cidadania norte-americana. De acordo com o artigo 12 da nossa Constituição, se um brasileiro optar voluntariamente por outra cidadania, ele pode [música] perder a nacionalidade brasileira. E foi exatamente isso que o Supremo Tribunal Federal, o STF, determinou.
Legalmente, o Carlos Vanzeller não era mais brasileiro. Ele era um cidadão americano escondido no Brasil. Essa decisão selou o destino dele.
[música] O STF autorizou a extradição. O ato que simbolizou o auge do seu sonho americano, a naturalização, foi exatamente o que destruiu a sua única rota de fuga. Ele acabou sendo preso pela Polícia Federal em Búzios, no Rio de Janeiro.
Hoje ele aguarda o desfecho dos seus processos em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica lá em Vitória, no Espírito Santo. Quando a gente fala da Telex Free, as primeiras perguntas que vem à mente são: ela teve IPO, tinha ações na bolsa? A resposta é simples.
Não. A Telex Free ou Impactos Comercial nunca abriu capital. Era uma empresa privada controlada pelos donos.
Qualquer promessa de ações ou participação feita aos divulgadores era só mais uma parte da fraude. OK. Mas qual era o lucro anual da empresa?
De novo, zero. A empresa não gerava lucro de verdade porque o produto dela era uma fachada que ninguém usava. O que ela tinha era um fluxo de caixa positivo, fraudo lento, alimentado exclusivamente pelo dinheiro de quem estava entrando.
E o volume desse fluxo de caixa era astronômico. E falando em IPO, você sabe que dá para ganhar uma grana investindo em ações, né? O único problema é que você não pode sair por aí investindo sem saber de nada.
O que acontece, galera, é que todo mundo quer fazer dinheiro. Isso é um fato. Mas ninguém quer ficar rico devagar.
Todo mundo quer apertar um botão e pronto, dinheiro na conta. Mas adivinha? Esse botão não existe.
Pelo menos a gente nunca viu. Agora, se você quer aprender do jeito certo, sem mágica, sem promessas vazias, entra no site. com.
br, clica no botão e faz sua análise de perfil. É um questionário simples, com poucas perguntas. E olha, se você tiver coragem de investir agora, mesmo quando o mercado tá cheio de gente com medo, a UVP vai te mostrar uma estratégia sólida passo a passo para construir patrimônio de verdade.
Mas vamos ser realistas. Se você ganha um salário mínimo e acha que vai sair da plataforma direto para uma Ferrari, não vai rolar. Agora, se você ganha mais de R500 por mês, aí dá para construir algo.
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O processo é mais rápido, mas não é loteria, é estratégia. Clica lá, preenche o questionário e começa agora, porque a gente tá começando uma turma nova e pode te ensinar a investir com estratégia no Brasil e no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, o governo estimou que o esquema causou um prejuízo global de mais de 3 bilhões de dólares.
No Brasil, o impacto foi devastador. Estima-se que pelo menos 1 milhão de pessoas caíram no golpe. O Ministério Público Federal denunciou uma movimentação oculta de mais de R2 milhões deais e sonegação fiscal de quase 90 milhões deais.
E para onde ia todo esse dinheiro? Uma parte ia pro topo da pirâmide. Para pagar os líderes.
Existem registros de cheques de até R$ 4 milhões deais pagos a um único divulgador de topo. Eram esses líderes que ostentavam seus ganhos para recrutar ainda mais gente. E a outra parte, claro, ia pro bolso dos fundadores, que usavam laranjas para comprar um patrimônio milionário.
As investigações apreenderam sítios, um deles valendo R 1,5 milhões deais, fazendas como uma na Bahia avaliada em R$ 8,8 milhões deais, apartamentos de luxo, um avião e vários iates e uma coleção de carros de luxo. Era a clássica ostentação dos esquemas de pirâmide, tudo pago com o dinheiro dos kits de adesão. A saga da Telexfe é repleta de reviravoltas, mas algumas são difíceis até de acreditar.
A primeira e talvez a mais chocante foi a reação dos próprios divulgadores quando o golpe foi descoberto. Quando o Ministério Público do Acre interveio e bloqueou as contas em 2013, o que aconteceu? Milhares de pessoas organizaram carreatas e protestos, mas não eram contra a telexfe, era a favor da empresa e contra o Ministério Público.
É bizarro, mas é quase uma síndrome de Estocolmo financeira. As pessoas estavam tão imersas no culto, tão cegas pela promessa de enriquecimento, que elas viam a justiça como a inimiga que estava tentando acabar com o sonho delas. A segunda curiosidade é o que aconteceu com os bens de luxos apreendidos.
A gente falou dos carros e atoss e até de um avião que a Polícia Federal apreendeu. O lógico seria vender tudo isso e usar o dinheiro para pagar as vítimas, certo? Errado.
Em um episódio que mostra o nó cego do nosso sistema judicial, parte desses bens de luxo foi devolvida aos ôos da Telexfree. O motivo? O judiciário negou a venda antecipada desses bens.
E como eles estavam parados, depreciando e gerando custos altíssimos de manutenção, a justiça optou por devolvê-los aos réus. até o fim do processo. E por fim, a Telexfe não foi só um golpe, ela foi um modelo de negócios.
Ela foi o que inspirou uma epidemia. Depois da queda dela, o Ministério da Justiça revelou que pelo menos 17 outras empresas estavam sendo investigadas por esquemas [música] idênticos. Empresas como a famosa Bebon foram filhotes diretos copiando o modelo da Telex Free.
[música] Afinal, a Telex Free voltou? Vamos direto ao ponto, sem rodeios. A resposta paraa pergunta a Telexe voltou é: não, não há nenhuma chance.
A empresa está morta, enterrada e falida. O que conhecíamos como Telexf no Brasil, a empresa Impactos Comercial SA, teve sua falência decretada oficialmente em 9 de outubro de 2019. Hoje ela não opera mais, ela não tem mais funcionários, ela não existe funcionalmente.
O que sobrou da Telexfe é apenas uma massa falida. Isso significa que ela é só um monte de bens e dívidas sendo gerenciados por um administrador judicial que tenta liquidar o que sobrou para tentar pagar quem foi enganado. E os donos estão pagando a conta.
Aqui no Brasil, Carlos Vanzeller e Carlos Roberto Costa foram condenados a 12 anos e meio de prisão cada um por gestão fraudulenta. O Vanzeller, como vimos, está em prisão domiciliar, monitorada em Vitória no Espírito Santo. O americano James Mariel confessou o crime lá nos Estados Unidos e também foi condenado e cumpriu pena.
Portanto, a Telex Free voltou e provavelmente não vai voltar. O que existe hoje é a longa e lenta fila para tentar recuperar o dinheiro perdido. [música] A Telexe saiu devendo um valor estimado de R 2,5 bilhões deais aos seus credores, que são as próprias vítimas.
Aquele dinheiro bloqueado lá atrás na ação pioneira do Acre, junto com os bens apreendidos dos líderes, formam um montante que está sendo usado para tentar pagar quem foi lesado. Mas o processo é dolorosamente lento. Os divulgadores precisam se habilitar como credores no processo de falência para ter chance de receber.
E é aqui que entra a regra mais cruel dessa história, que está na sentença judicial. A sentença determinou que todos os valores pagos pelos divulgadores, como os kits, deveriam ser devolvidos. Porém, desse valor que a pessoa tem a receber, deve ser abatido tudo que ela já recebeu da empresa, seja como bônus por postar anúncios ou comissão por recrutar.
O que isso significa na prática? que apenas aquelas pessoas que tiveram prejuízo líquido, ou seja, investiram mais dinheiro do que sacaram, tem direito a alguma restituição. Aquele seu parente que entrou no fim, pagou o kit caro e não recebeu quase nada, talvez receba uma parte de volta.
Mas aquele líder que ostentava carros, que sacou R$ 10, R$ 20. 000, mesmo que tenha investido 5. 000, não vai receber nada.
Na prática, quem teve lucro com o esquema está no fim da fila e, em tese, poderia até ter que devolver o que ganhou. No fim das contas, o slogan da empresa era: "Sua liberdade chegou". Mas a única liberdade que chegou foi a dos fundadores, que viveram uma vida de luxo com o dinheiro dos outros e que agora terminou em prisão ou tornou zeleira eletrônica.
M.