dis ritmia Elizandra Souza no bairro da cabaça de braços erguidos em direção ao céu o corpo num giro que sufocava o ambiente os pés suspensos no ar por conta da intensidade dos movimentos Z estava ali naquela posição de entrega feito um incenso de jasm e orquídea aceso balançando no ritmo do vento conhecendo seus limites e explorando diferentes possibilidades aromatizando e se fazendo presente no seu espaço lembrou-se de quando seu sentimento era de que o mundo estava preso em uma redoma dançante e só ela não sabia melodia ficava com os pés enxutos encosta-se com a perna
direita flexionada e as palmas das mãos apertando a parede uma moça cor de ébano que sempre observava como coruja e voava silenciosamente devorava sem mastigar um samba de coco os participantes folha na Ventania aos pares sorriam jogando seus corpos e Bat um dos pés zaji com os olhos grudados no balançar das saias aspirava que fosse seu aquele Molejo não queria ser a melhor dançarina apenas entregar-se à Cadência com leveza girar os braços ou pernas como as ondas do mar ser voluntária aceitar convites balançar sacudir rodar curvar saltitar galopar E se fosse preciso mas esperava ser
ela mesma recordou-se também de outro dia numa festa de amigos um rapaz que dançava apercebeu mesmo naquele alinhamento no mesmo compasso uma moça chegou e re quebrou-se em sorrisos rodopiou os pensamentos dele e o conduziu para seus gracejos das pisadas do novo casal escorriam alegrias e lá estava ela recuando mais uma vez dando passos para trás parecia vela derretendo sem iluminar acontecia sempre do mesmo jeito se alguém a chamava para dançar ela ficava sem jeito respondia que não sabia mas essa resposta feria lhe a língua e sangrava alma e o pior eram sobressaltos preta está
no sangue o nosso ritmo dizia Fulano não acredito que você não sabe dançar comentava outro sua vontade era de sacudir a pessoa e gritar mas engolir em seco a resposta mal criada que espinhara na laringe e calava suas cordas vocais na meninice não tinha tido momentos lúdicos que usassem o movimento pouco se lembrava da própria participação em festas mesmo as familiares a mãe permitia que brincasse de casinha com a irmã mais nova contava nos dedos às vezes em que se divertia na rua com as outras crianças zaji nunca tinha visto seus pais conduzirem um ao
outro ao som de uma música um dia no entanto achou uma caixa de fotografias e numa das fotos seus pais estavam em um barle com muita gente desenhando os mesmos Passos gostou tanto do retrato que o retirou da caixa e foi correndo perguntar para a mãe que estava costurando onde eles estavam quando aquela fotografia foi tirada e foi repreendida pelo seu atrevimento vai estudar menina deposite mais realidade nos sonhos pois só estamos de passag e não a passeio Aproveite eque mais cimento nessa conção pois algodão doce um dia acab não era só com a Dana
também era apaixonada por Bas mas foi a última do grupo aprender a andar em uma e foi uma labuta primeiro porque levou mais de um ano para que seus pais conseguissem presenteá-la com objeto de desejo não era nova mas lhe pertencia depois o medo de cair impedia a circulação mas seus pais estavam ao seu lado inspirando segurança na escola nunca era escolhida para fazer parte dos times nos jogos fixava-se nos cantos da quadra E se por acaso faltasse alguém da turma de jogadores natos eles preferiam ficar só papeando e a convidá-la ela observava com um
levantar de sobrancelhas mas direcionava seu olhar para alguns dos livros que acompanhavam fingia não perceber f esta navegando nas letras extraindo das Entrelinhas seu próprio gingado os colegas invejavam sua habilidade nos estudos disputavam aos tapas quem faria par com ela nos trabalhos e provas em dupla era aí que ela não perdoava escolhia quem tinha dedicação semelhante destinava Seu Amor ao foliar das páginas bailando nas letras não tinha lugar específico para demonstrar seu afeto evidenciava sua preferência pelos livros e os beijava na frente de qualquer pessoa sem constrangimentos na fase de abrir suas pétalas ela insistia
em continuar apenas botão entregando-se apenas aos chamegos dos orvalhos que secavam ao amanhecer resistia não havia brilho nos lábios sombras nos olhos roupas que contornasse suas estradas desejo de seguir viagens um tanto solitária ainda presa ao casulo espiando pelo Canto do olho o convite das Borboletas em pleno voo e com sua mesa farda de conhecimento conduzia com perfeição suas pesquisas acadêmicas participação em mesas de debates congressos e seminários só duta começou a aceitar os apelos das amigas para sair à noite contemplar a lua eram ocasiões em que o papel não tinha serventia que a vida
pedia urgência e não Lia rascunhos o couro do tambor esquentava pedindo Corpo e Alma muitas vezes zaji soluçava por dentro fechava rapidamente as pálpebras e escrevia o bailado de seu corpo continuava congelada até seu sangue coagula um chumbo nas pernas um enferrujamento nas juntas um bocado de olhos observando seu engasgamento rítmico queria enfiar a cabeça embaixo da terra feito Ema apesar de repreender se queria partilhar diversão e em uma das festas que começou a frequentar engoliu todas as suas experiências traumáticas feridas abertas e fixou raízes nesse território Tão Seu e ao mesmo tempo distante ali
a aos 30 anos ela lançava sorrisos aos quatro ventos permitindo ser guiada pela sonoridade dos tambores pelo litar das saias floridas pelo encontro dos pés com o barro O sopro da vida fim