Vamos avançar nessa matéria de teologia sistemática um, ainda tratando aqui do tópico dos prolegômenos, OK? Então, lembre-se que essa parte dos prolegômenos é a parte da teologia que prepara o aluno, que dá a base para o estudo da teologia. Nós já vimos a questão da introdução ao estudo teológico e estamos ainda vendo essa parte dos pressupostos da teologia cristã.
Na primeira aula em que tratamos dos pressupostos, vimos o primeiro pressuposto, que é o pressuposto a respeito de Deus. O cristianismo ele é teísta, ele acredita em Deus e que esse Deus ele é infinito e ele é pessoal e habita tanto fora quanto dentro do universo. Essa é a visão teísta cristã, OK?
Então, o cristianismo é teísta. Em segundo lugar, o cristianismo também crê em revelação, que Deus ele se comunica, ele se revela. E esse pressuposto da revelação, ele é baseado em três fatos.
Em primeiro lugar, no fato de que Deus é capaz de se revelar. Em segundo lugar, no fato de que o homem é capaz de receber essa revelação. E, em terceiro lugar, que existem meios estabelecidos pelo próprio Deus para se revelar aos seres humanos.
Então você tem o pressuposto da existência de Deus, o pressuposto da revelação. Na aula passada também vimos o pressuposto dos milagres. O cristianismo crê em milagres.
O cristianismo crê que se o universo é teísta, então Deus pode intervir na ordem das coisas. Deus pode agir sobrenaturalmente na criação. Lembrando que o que nós estamos chamando de milagres são intervenções poderosas de Deus na ordem natural das coisas.
Então, ah, são fatos, eventos que só poderiam ocorrer pela intervenção divina. Jesus andar sobre as águas pelas leis naturais, isso seria impossível, mas por uma intervenção de um poder divino, isso passou a ser possível. OK?
Então isso é o que nós estamos chamando de milagres. Então, só ressaltando algo que eu enfatizei bastante na aula passada, a questão do valor dos pressupostos. Então, pressupostos são aquelas crenças que vão determinar as suas conclusões teológicas ou mesmo a sua pesquisa.
Então, ah, pegando esse tópico do milagre, se você parte do pressuposto que não existem milagres ou que não é possível que aconteça milagres, a sua interpretação bíblica vai ser uma. E se você parte do pressuposto de que é possível milagres, então a sua interpretação bíblica vai ser outra. Então, antes de interpretar a Bíblia, ou seja, antes de fazer teologia, a gente precisa estar ciente de que quais pressupostos nós vamos seguir.
Um quarto pressuposto que nós vimos na aula passada é o pressuposto da lógica, ou seja, o cristianismo crê no pensamento lógico. E eu mostrei para vocês aqui, certo? Quais são as três leis fundamentais da lógica, que é a lei da não contradição, a lei da identidade, a lei do terceiro excluído.
O que que nós queremos dizer com isso? Que se Deus ele é o criador, então a criação reflete quem Deus é. E então a criação reflete a lógica, reflete.
Nós vamos estudar por eh sobre isso daqui daqui a instantes, OK? Então, o cristianismo crê no funcionamento das leis do pensamento. Eh, se você não crê na lógica, se você não crê que essas três leis do fundamento, leis do pensamento são verdadeiros, então a sua teologia vai ser uma teologia completamente modificada, certo?
Eu vou mostrar para vocês isso posteriormente. Então, quais são as três leis fundamentais do pensamento? é a lei da não contradição.
Em segundo lugar, a lei da identidade e em terceiro lugar a lei do terceiro excluído. A lei da não contradição diz que uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Então, a afirmação ah Jesus é Deus, ela não pode ser verdadeira, assim como a afirmação Jesus não é Deus.
OK? Uma das duas são falsas, certo? Então, ou Jesus é Deus ou Jesus não é Deus.
E aí nós entramos na outra lei, a lei do terceiro excluída, a terceira. Ou Jesus é Deus ou Jesus não é Deus. Você não tem o meio termo aqui.
E a lei da identidade, quando nós chamamos de Jesus, de Deus, isso significa que aquilo identifica Jesus. Jesus é Deus e não o diabo. Jesus é Deus e não não Deus.
OK? Então essa é a lei da identidade. Então, como eu prometi a vocês nessa aula, eu gostaria de tratar ainda h sobre essa questão da lógica e ver então os últimos pressupostos, OK?
Então, por que que nós devemos, por que que esse pressuposto ele pode ser racionalmente afirmado? Em primeiro lugar, porque as leis do pensamento elas são autoevidentes. Você não tem como você não tem como provar que as leis do pensamento são verdadeiras sem utilizar as leis do pensamento.
Então, por exemplo, qualquer tentativa de você negar a lei do pensamento, qualquer lei da lógica vai ser autodestrutiva. Por quê? Porque para negar as leis da lógica, você tem que usar as leis da lógica.
Por exemplo, na aula passada eu comentei com vocês que muitos teólogos do século XX, muitos filósofos do século XX, eles defendem que não existe mais isso de aquelas leis absolutas da lógica, que tudo é uma questão de linguagem, certo? Só que veja bem, quando eles dizem o seguinte: "Não existe raciocínio lógico absoluto, essa afirmação, quem faz essa afirmação espera que você tome essa afirmação como verdadeira e não como falsa". Então, para você defender a não existência do raciocínio lógico, você tem que usar o raciocínio lógico.
E isso então é um raciocínio autodestrutivo. OK? Alguns exemplos aqui.
Quando alguém diz o seguinte: "Eu penso que a lei da não contradição é falsa". Ou seja, não existe lei da não contradição, certo? E qual é a lei da não contradição?
é que duas afirmações não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, certo? Duas afirmações contrárias. Então, a afirmação a lei da não contradição é falsa e a afirmação a lei da não contradição é verdadeira, elas não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.
Ok? Então, quando alguém diz que a lei da não contradição é falsa, ela espera que você acredite, certo? que a afirmação, a lei da não contradição é verdadeira, que essa afirmação é falsa, que o correto é essa que ele está afirmando.
Então, para ele mostrar, para ele negar a lei da não contradição, ele precisa usar a lei da não contradição. E isso é uma contradição, isso é uma um raciocínio autodestrutivo, OK? Ou então a lei do terceiro excluído ou é verdadeira ou falsa, certo?
Ou seja, eu estou usando a lei do terceiro excluído ah para demonstrar ou para negar a lei do terceiro excluído. Agora, quando nós falamos de lógica, irmãos, ah, surgem sempre muitos questionamentos a respeito da lógica e Deus. Então, eu quero fazer aqui algumas considerações sobre a relação da lógica com Deus, certo?
Tudo isso baseado, lembre-se disso, nós estamos seguindo o livro de Gáisle, a parte dos prolegômenos do livro de Gley. Então, em primeiro lugar, a lógica está ontologicamente sujeita a Deus. Então, Deus é anterior a tudo, inclusive a lógica.
Quando nós falamos de a lógica está ontologicamente sujeita a Deus, o que nós estamos querendo dizer é que a lógica existe porque Deus existe. Só existe uma lógica porque Deus existe. Então, Deus existe, por isso a lógica existe.
Então, a lógica ela é sujeita à existência de Deus. Porém, irmãos, Deus, ele é um ser racional. Então, a lógica, ela provém do fato de Deus ser um ser racional.
A lógica não é algo que Deus estabeleceu. Então, não foi Deus quem estabeleceu, quem determinou a lei da não contradição, certo? Então, deixe-me fazer uma comparação aqui.
A lei de que Deus coloca no Novo Testamento, certo? De que nós temos que ir para os cultos, digamos assim. Então, isso foi uma lei que Deus estabeleceu e que se ele quisesse ter estabelecido isso diferente, ele teria estabelecido isso diferente.
OK? Agora, a lei da não contradição não foi algo que Deus em um determinado momento, imagine assim, estabeleceu. Não, a lei, eu eu vou criar um universo com lei da não contradição.
Não, a lei da não contradição, ela provém da própria natureza de Deus. A lógica provém da própria natureza de Deus, certo? Então, por Deus ser lógico, a lógica existe.
Por Deus ser um ser racional, a racionalidade existe. Por que que nós, seres humanos, seguimos o raciocínio lógico? Porque nós somos criados à imagem de Deus.
Não é que Deus deixou um livro de lógica para que a gente aprenda isso e siga. Não. Todos os seres humanos simplesmente seguem as leis da lógica.
Ninguém, a gente estuda lógica pra gente trazer isso à nossa mente de maneira consciente, mas ou pra gente perceber quando as coisas estão erradas. Mas todo mundo naturalmente segue a lógica. Quando, por exemplo, ã, alguém afirma eu existo ela espera que você acredite que a afirmação eu não existo é falsa.
OK? Então, todo mundo segue a lógica. Por quê?
Porque fomos criados à imagem de Deus. Então, a lógica ela é sujeita a Deus e ela existe porque Deus existe. Porém, Deus está epistemologicamente sujeito à lógica.
Isso pode lhe causar uma estranheza, porque nós estamos colocando aqui Deus sendo descrito como sujeito a alguma coisa. E você pode estranhar isso, mas no final das contas o que eu estou querendo dizer é que Deus ele é sujeito a sua própria natureza. Deus ele é sujeito a ele mesmo, certo?
Isso é soberania. É você ser seu ser sujeito apenas a si. Nós, seres humanos, não somos sujeitos apenas a nós mesmos.
Nós somos sujeitos a Deus também. Por isso, nós não somos soberanos. Então, quando eu falo que Deus ele é sujeito à lógica, não entenda isso como se a lógica fosse superior a Deus.
Não, mas Deus é sujeito à sua própria natureza. Então, a lógica ela precede Deus no saber. E mais uma vez, isso pode lhe causar estranheza, mas o que eu estou querendo dizer com isso, que Geisler também vai dizer isso no livro dele, é que no final das contas tudo o que Deus faz, tudo o que Deus pensa, tudo o que Deus fala é sujeito à lógica.
Por que que é sujeito à lógica? Porque tudo que Deus faz é sujeito a ele mesmo, a sua própria natureza. Então, por exemplo, eh, Deus pode pecar?
Não, Deus não pode pecar. Por quê? Porque Deus, ele é sujeito à sua própria santidade.
Deus pode não amar? Não. Por quê?
Porque agora entenda aqui, estamos falando do do amor que Deus é, OK? Então, Deus não pode, porque Deus ele é sujeito à sua própria natureza. Então, Deus pode entrar em contradição, Deus pode fazer algo sem obedecer a lógica, Deus pode cometer alguma falácia, Deus pode cometer algum erro lógico.
Não. Por quê? Porque Deus, ele é sujeito a a si mesmo, a sua própria lógica.
Ok? Então, todas as nossas afirmações sobre Deus, todas também devem estar sujeitas à lógica. Se uma afirmação a respeito de Deus não estiver de acordo com a lógica, essa afirmação ela é falsa.
OK? Então, vou dar um exemplo a vocês. Então, eh, eu já vi teólogos dizendo o seguinte.
Então, alguns teólogos costumam defender a seguinte ideia, que existe uma ordem eterna de sujeição na trindade, que eternamente o filho ele é subordinado ao pai. Então, eles afirmam isso, OK? Agora, quando você pergunta para eles o seguinte, então isso quer dizer que existe uma diferença na trindade, porque o pai ele é tudo isso e autoridade e o filho é tudo isso e sujeito.
Então existe uma diferença na trindade. Eles não são apenas distintos, eles são também diferentes. Então eles vão dizer: "Não, existe uma subordinação na trindade, mas não existe uma diferença de autoridade na trindade".
Então aqui você tem uma contradição, ou é subordinado ou é igual à autoridade. OK? Então se uma afirmação, certo?
Então, voltando aqui, então, o que que eu já ouvi algumas coisas dizendo é que a gente não pode levar esse tipo de raciocínio para Deus porque Deus não está sujeito à lógica humana. Só que isso não é verdade, certo? A lógica, não existe isso de lógica humana.
A lógica não foi criada pelos seres humanos, certo? A lógica é um estado das coisas, assim como a moralidade, assim como a lógica, é como as coisas são, por são criação de Deus. OK?
Então, Deus está sujeito à lógica, porque Deus está sujeito a ele mesmo. Sendo assim, qualquer afirmação a respeito de Deus que seja uma contradição que fira as leis da lógica, essa afirmação ela deve ser negada. OK?
Avançando aqui, outra questão que abrange esse tema da lógica é a diferença entre racionalismo ou racionalidade. Então, veja bem, isso que eu acabei de dizer, que ah as leis da lógica não são inventadas pelos seres humanos e que Deus então está sujeito às leis da lógica porque ele está sujeito a ele mesmo. OK?
Então, muita gente pode dizer que isso é uma espécie de racionalismo, mas vamos definir aqui. Racionalismo é o uso da razão para determinar a verdade. Já a racionalidade é o uso da razão para descobrir a verdade.
Então, qual é a diferença entre um e outro? é que o uso da razão para descobrir verdades a respeito de Deus é uma forma de sujeitarmos as nossas mentes ao próprio Deus. Então, quando nós estudamos a respeito de Deus, utilizando as leis da lógica, nós, na verdade, estamos sujeitando a nossa mente ao próprio Deus, OK?
Por quê? Porque as leis da lógica são reflexos da própria natureza de Deus. Então, não há problema de você utilizar a sua razão, o raciocínio lógico para estudar a respeito de Deus.
O que há problema é se você disser que você só acredita naquilo que pode ser explicado logicamente. Veja bem, pegar verdades do tipo: Jesus Cristo é Deus e Jesus Cristo é homem. Essas são duas afirmações que são difíceis de conciliar.
Nós não temos a nós não temos a informações suficientes para conciliarmos essas duas verdades, OK? Mas isso não significa que ela é uma contradição ou que nós estamos aqui utilizando ou negando a lei da identidade. Não.
Jesus Cristo é Deus e Jesus Cristo é homem. Agora, isso pode ser totalmente explicado racionalmente? Não, porque isso está além da capacidade humana de explicar.
Ou seja, a o racionalismo é quando nós afirmamos que algo só pode ser verdade se for explicado racionalmente. A racionalidade é aquilo que diz que algo é verdadeiro se el se ele obedece as leis da lógica. Então, nós descobrimos o que é verdadeiro pelas leis da lógica, ok?
Então, o cristianismo, ele não pode ser racionalista nesse sentido, no sentido de que a verdade só é aquilo que pode ser totalmente explicado. Não, mas o cristianismo ele é racional, OK? Ele usa a razão para descobrir a verdade.
Então, toda verdade, ela é revelada por Deus. Mas como nós descobrimos essa verdade? OK?
Então, quando Deus se revela a nós, Deus se revela inclusive à nossa razão. Então, nós recebemos a revelação de Deus, inclusive pela nossa razão. Mais uma questão aqui é essa.
Pode Deus quebrar as leis da lógica? Então, se você tem acompanhado essa aula até aqui, você já vai saber a resposta. Pode Deus quebrar as leis da lógica?
A resposta é não. Deus não pode quebrar as leis da lógica. Ok?
Por que que Deus não pode quebrar as leis da lógica? Porque ele estaria negando a si mesmo. Esse tipo de pergunta, ela é semelhante a perguntas do tipo: Deus pode criar uma pedra tão grande que ele mesmo não possa levantar?
A resposta é não. Por quê? Porque Deus, porque isso vai contra a natureza de Deus.
OK? Então, Deus ele faz tudo aquilo que ele pode, que ele tem poder para fazer, certo? Ou então Deus pode criar um solteiro casado?
A resposta é não, porque isso fere a lei da identidade. Ou você é solteiro ou você é casado. Então, Deus pode criar uma chuva que não seja molhada?
Não, porque isso é da natureza da ordem criada. Ok? Então, Deus criou as coisas seguindo a lógica, seguindo a sua própria natureza.
Então, Deus pode criar algo que ao mesmo tempo seja verdadeiro e falso? Não, certo? Verdadeiro e falso no mesmo sentido.
Não, não pode. Por quê? Porque Deus está sujeito à sua própria natureza.
Então, Deus pode mentir? Não. Por quê?
Porque Deus ele está sujeito à sua própria santidade. OK? H, então Deus pode não existir.
Deus pode parar de existir? Não, Deus não pode parar de existir porque a autoexistência é parte de quem Deus é. OK?
Então, estou só dando esses vários exemplos para mostrar a vocês que a lógica ela é parte da natureza de Deus e que, por isso Deus não pode quebrar as leis da lógica. Outra pergunta semelhante a essa é a seguinte: Deus não transcende as leis da lógica como transcende as leis naturais? Então, por exemplo, a lei da gravitação universal.
Deus está sujeito à lei da gravitação universal? Não. Deus não está sujeito a isso, certo?
Deus está sujeito à lei do empuxo ou a entropia? Não. Deus não tá sujeito a nenhuma dessas leis.
Ok? Então, por que que Deus estaria sujeito às leis da lógica se Deus não está sujeito às leis naturais? É porque as leis naturais elas existem baseadas em como a natureza é.
Então, Deus criou a natureza desse jeito e ela funciona seguindo essas leis. As leis da lógica, elas não são baseadas naquilo que a natureza é, mas elas são baseadas naquilo que Deus é. OK?
Então, as leis da lógica baseiam-se na natureza não criada de Deus. Então, Deus não pode transceder a si mesmo. Deus não pode estar fora da sua própria natureza.
Por isso Deus não pode estar fora das leis da lógica, ok? Então Deus não transcende as leis da lógica. Outra pergunta: Os mistérios da fé são contrários à lógica?
O que que nós estamos falando por mistérios da fé? A trindade é um mistério da fé. A dupla natureza de Jesus é um mistério da fé.
a relação da soberania de Deus e da liberdade humana. Tem debate sobre isso, mas a grande maioria dos teólogos acreditam que isso também é um mistério da fé, OK? Então, esses mistérios são contrários à lógica.
Por exemplo, a trindade. A trindade parece violar a lei da da não contradição ao dizer que existe um Deus, mas que existem três deuses. OK?
Então, existe um Deus, mas são três pessoas. Como é que Deus é um e três? Isso parece ser uma contradição ou parece ser uma violação do do da lei da identidade.
Só que Deus não é um e três no mesmo sentido. Costuma-se dizer que Deus é um em essência, mas Deus é três em personalidade. Agora, como é que nós explicamos isso?
Isso é um mistério. Isso não é uma contradição, ok? Uma contradição seria se eu dissesse que Deus é um e três no mesmo sentido.
Deus é uma pessoa, Deus é três pessoas. Isso sim é uma contradição. OK?
Avançando aqui a questão da encarnação. A encarnação afirma que Deus se tornou homem. o infinito se tornou finito.
Isso não é uma contradição. Pode uma pessoa ser infinita e finita ao mesmo tempo? Então, a resposta para isso é que a natureza de Cristo não se tornou humana.
Foi a natureza humana que foi acrescentada à natureza divina. OK? Então, você tem uma pessoa com duas naturezas, certo?
Não é que uma natureza é ao mesmo tempo infinita. Infinita. Isso sim seria uma contradição.
Uma pessoa com duas naturezas, uma infinita e outra finita. Como explicar isso? Isso é um mistério, isso não é uma contradição.
Então, apesar do cristianismo conter verdades que estão além dos limites do entendimento humano, ele não pode conter verdades além da lógica. Veja a diferença, certo? Se uma afirmação ela não pode ser explicada logicamente, então ela é falsa.
Agora, se nós não temos informações suficientes para dar todas as explicações, isso não significa dizer que é falso. Por exemplo, eu afirmar que Deus é soberano e que o ser humano ele é responsável pelos seus atos. Então isso não fere as leis da lógica.
São duas verdades paralelas, certo? O que feriria as leis da lógica seria se eu dissesse que Deus é soberano e que o homem é soberano, ou então que Deus ele é soberano e por isso ele decreta todas as decisões humanas e eu dissesse que o homem é soberano e o homem decreta todas as suas decisões. Isso sim é uma contradição.
Agora, quando eu afirmo que Deus é soberano e que o homem é responsável pelos seus atos ou livre, digamos assim, isso em si não é uma contradição. Apenas nós não temos informações suficientes ainda para conciliar as duas verdades. OK?
Então, a teologia ela é sujeita à lógica, certo? Agora, ela não é sujeita ao racionalismo. Então, pode ser que algo na sua teologia fira as leis da lógica.
Isso é falso. Agora, pode ser que algo na sua teologia não consiga ser explicado racionalmente. Isso não necessariamente é errado ou falso.
OK? Então, ah, com isso, a gente encerra aqui o o pressuposto da lógica. E o quinto pressuposto é o pressuposto da verdade.
Mas eu estou vendo aqui que nós já atingimos os 30 minutos, OK? Então, ã, vamos dar uma paradinha. Ainda faltam aqui três pressupostos.
A nossa aula ficaria muito extensa. A parte de lógica demorou mais do que eu imaginava, certo? Então, vamos dar uma parada aqui, ã, e na próxima aula, então, aí sim a gente conclui essa parte dos pressupostos.
Então, fique com Deus e até a próxima aula.