Olá, muito bom dia. Muito bom dia. São 10 horas em ponto deste domingo, dia 4 de janeiro de 2026. Eu sou o Mauro Taliaferre e essa é uma edição extraordinária do All News, em que a gente vai atualizar para você a situação da crise na Venezuela, a intervenção militar que os Estados Unidos fizeram na Venezuela, capturando o presidente Nicolás Maduro, levando presidente Nicolás Maduro para território americano. A gente vai atualizar a situação, a gente vai fazer a análise para você hoje com com os fatos um pouco mais consolidados, com a cabeça um pouco mais fria,
podendo botar um pouco mais a bola no chão e fazer uma análise pensando inclusive no futuro da nossa região, da região onde a gente vive, a região geopolítica da América Latina e também toda a repercussão desse fato pelo mundo todo, o que os principais Líderes falaram, como é que a China reagiu, como é que foi a situação de Nicolás Maduro. desde que chegou nos Estados Unidos, a gente tem todas as informações para você a partir de agora nesta edição do Wall News. Você sabe que a gente tá ao vivo no canal Wall pela TV Acabo.
A gente daqui a pouquinho passa aqui embaixo toda a lista das operadoras e os canais, tá aí já, tá aí já para você, onde você tem o canal all disponível para você na sua TV a cabo. Estamos também disponíveis pela internet para você nos assistir ao vivo ou a qualquer momento ou a qualquer hora, tanto pelo YouTube como nos nossos canais digitais do wall. Para me ajudar nas análises agora nesse começo de Wall News, a gente recebe a professora de relações internacionais da SPM, Denilde Rolhacker. Bom dia, professora. Tudo bem? Bom dia. Prazer é meu
tá aqui. >> E a também professora de relações Internacionais da UNIFESP, Carolina Pedroso. Tudo bem, professora? >> Bom dia. Tudo bem? também uma satisfação. >> Muito obrigado por por estarem aqui com a gente, por terem disponibilidade de nos atender numa manhã de domingo. Eu vou começar contando um pouquinho para para pro pessoal que tá nos assistindo eh o que que aconteceu, né, desde ontem, final da tarde, eh com o ex-presidente, quer dizer, presidente mais presidente Capturado, né, da da Venezuela, Nicolás Maduro. Nicolás Maduro passou a noite no Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn, na cidade
de Nova York. Ele e a esposa Cília Flores vão permanecer nesse centro de detenção até serem levados a uma corte também ali em Nova York. Essa informação foi dada por uma fonte do jornal americano The Washington Post. A expectativa é de que os dois compareçam ao tribunal amanhã à noite. Isso para uma espécie de audiência de Custódia, não é julgamento ainda. Eles vão ser apresentados perante um perante um juiz num tribunal federal de Manhattan. Manhattan é o é o centro ali de Nova York. E essa essa informação é de que isso deve acontecer amanhã à
noite. Eh, Nicolas Maduro desembarcou nos Estados Unidos, ele e a e a mulher dele, a Cília Flores, desembarcaram ontem nos Estados Unidos, no aeroporto internacional Steward em Orange Orange County. Ele foi capt capturado, você Sabe, junto com a esposa. E existem, inclusive, temos imagens, né, do dos dois. Eh, esse é o momento aí que você vê eles desembarcando. Existem imagens também deles já no centro de detenção. Você vê aí saindo do carro com uma forte escolta. Eh, essa essa imagem da Cília Flores, a esposa de Nicolas Maduro, tá ali com um espécie de um casaco
verde. Eh, e Nicolas Maduro ali descendo de boné com um casaco preto, descendo de boné, uma calça, parece ser uma calça Jeans, descendo do carro eh escoltado ali por forças de segurança americanas. Eles desceram, eles passaram ontem eh pela sede de administração da administração de repressão às drogas, o dae, na sigla em inglês, eh, também passaram por um, eles foram fiz foram por uma espécie de de fichamento, né, e depois foram levados para esse centro de detenção no Brooklyn, em Nova York. Enquanto isso, na Venezuela, o Supremo Tribunal da Venezuela, ele ordenou no Final da
tarde de ontem que a vice-presidente Delc Rodriguez assuma o cargo de presidente interina ausência de Nicolás Maduro. A decisão foi que ela assumisse o cargo é para garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação no comunicado do Supremo Tribunal da Venezuela. E esse comunicado também determinou que o o tribunal vai debater o assunto para determinar o quadro legal aplicável para garantir a continuidade do Estado, a Administração do governo e a defesa da soberania diante da ausência forçada do presidente. E em seguida, a a agora a presidente interina da Venezuela fez um pronunciamento em
rede de televisão e esse pronunciamento eh foi um pronunciamento bastante eh em oposição aos Estados Unidos, tá? Ela reiterou que Nicolás Maduro é o único presidente da Venezuela e que a Venezuela jamais será colônia. Ela disse o seguinte: "As máscaras caíram revelando apenas um Objetivo, a mudança de regime da Venezuela". Essa mudança de regime também permitiria a apropriação de nossos recursos energéticos, minerais e naturais. Esse é o verdadeiro objetivo e o mundo e a comunidade internacional precisam saber disso. A gente tem um trecho do vídeo da desse pronunciamento da Delc Rodriguez. imediata liberente Nicol Maduro
de suosia florico presidente de Venezuela presidente Nicol Maduro al mando importante del estado venezolano alto mando militar alto mando del estado alando del consejo de vicepresidente con todos los factores políticos del poder nacional estava ali no contexto desse discurso, ela estava ali ladeada pelo irmão dela, que é o Jorge Rodrigues, que é o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. estava com os ministros da Defesa, Vladimir Padrino Lopes, e do interior o Diosdado Cabelo, que é o homem forte do chavismo desde da época ainda do do Hugo Chaves. Eh, eles são aí os principais eixos do
poder no regime chavista. E aí eu queria começar por aí a nossa análise. Vou começar com a professora Denilde. Quando a a presidente interina Delci Rodrigues diz que Nicolás Maduro é o único presidente ilegítimo da Venezuela, ela se contrapõe a Donald Trump. E ontem Donald Trump, Naquele longo pronunciamento, entrevista coletiva que ele deu, ele falou que ele que ele iria dialogar com a Delc Rodriguez. Em que bases esse diálogo pode acontecer se ela mantiver mesmo essa posição exigindo a soltura de Nicolás Maduro? >> Bom, bom dia, Mauro. Eh, eu acho que vai ser muito limitada,
né? Acho que a o diálogo e aí eh mostra o ou eh parte aí do da pressão americana para fazê-la mudar de lado, né? Quando você tem Situações de mudanças eh abruptas, e de regime, eh uma das das situações mais questionáveis é quem vai assumir o poder, né? Acho que esse é o é quem quem do a na lógica, né, da retirada do Maduro, né, de o que centralizador e e de um cunho autoritário, eh qual vai ser o grupo que assume o poder e qual é o grupo que vai estabelecer o diálogo? Acho que
o Trump ontem fez a indicação de que o diálogo seria com a com a DEC, eh, e que ela já estava fazendo essa Essa negociação. Então, eh, a mostra que a a contradição ou é parte da tática americana, né, para gerar a a uma situação de eh de crise no grupo de apoio ao Maduro, eh, ou ela assumiu o papel de que e o grupo tá o mais unido do que se imaginava que estaria. Então, acho que aqui são dois eh duas possibilidades eh presentes que a gente só vai conseguir eh entender à medida que
a gente for tendo a mais informação e qual vai ser a reação do próprio Trump A a esse essa posicionamento dela. N ele deixou claro que o governo estaria já sob a liderança e a supervisão das forças americanas. Então, se ela tá questionando eh claramente no discurso dela eh e indicando que a Venezuela não vai e não está nessa eh não aceitará essa intervenção americana, a gente tem aí o um quadro de possibilidade, de instabilidade, eh, e o quanto é de fato o grupo de Apoio ao Maduro, essas três principais lideranças que você falou, eh,
estão eh fortes o suficiente para se contrapor aos aos Estados Unidos. E acho que o outro ponto importante da fala do Trump é que ele não descartou ter novas investidas militares eh e manter tropas americanas até ter o um controle e poder ser feita uma transição. Então tudo indica que não vai ser o somente uma uma capacidade de diálogo. É preciso também eh entender aí como que vai se dar esse Jogo de forças entre a as forças de apoio ao xavismo e ao Maduro e a a presença atual americana na no país. >> Pois é,
tem uma informação do New York Times de que essa incursão dos Estados Unidos ontem na na Venezuela provocou a morte de 40 pessoas entre civis e militares e não houve baixas do lado americano. É uma outra, uma outra questão também nesse discurso que o Trump fez ontem seguido de uma entrevista coletiva, ele afirma Categoricamente que primeiro e ele diz que o secretário de estado, Marco Rúbio já teria até telefonado para Delc Rodriguez, estaria em contato com DC Rodriguez. Esse é um ponto. O segundo ponto é que o Trump foi questionado sobre a oposição venezuelana, mais
especificamente sobre a Maria Corina Machado, que é a líder da oposição, acaba de vencer o Prêmio Nobel da Paz. E aí o Trump diz que a Maria Corina não tem apoio popular, não tem respeito Dentro da Venezuela para assumir o poder. A gente tem esse trecho para você ver. with respect with a very does have us ends up administrating venezuela for years you know well you know it won cost us anything because the money coming out of the ground is very substantial so it's not going to cost us anything we will well we want safety
there we want to be surrounded by countries that ar housing all of our enemies all over the World that's what that was happening and you don't want to have that uh But we're going to be rebuilding and and we we're not spending money. The oil companies are going to go in. They're going to spend money. They we're going to take back the oil that frankly we should have taken back a long time ago. A lot of money is coming out of the ground. We're going to get reimbursed for all of that. We're going to get
reimbursed for everything that we spend. So, it's going To be uh it's going to be a very important it's going to be a very important this is a very big evening that took place last night. Professora Carolina, a sensação que dá do do discurso do Trump e a gente ouvindo novamente, pegando aí os detalhes, tudo isso, é que se a Venezuela concordar, olha, petróleo e um ou outro eh uma outra outra riqueza mineral venezuelana ficarem e a cargo de empresas americanas administradas e Exploradas por empresas americanas. Tanto faz quem tiver no poder na Venezuela. E
eu fiquei muito com essa sensação. Queria saber >> de você também, por favor. >> É, eu acho que é uma impressão que se justifica até pela simplicidade como o Trump resolve grandes problemas mundiais nos seus pronunciamentos, né? ele trata como se fosse tudo muito simples. Eh, mas de toda maneira eu acho que até pegando o gancho, né, do que a Professora Denilde falou também, eh, eu acho que a gente pode, eh, considerar um pouco qual que é o quadro político venezuelano nesse momento com a ausência do Nicolas Maduro. É, se a gente retroceder um pouco
no tempo, pensar no momento em que ele foi escolhido para eh liderar o processo já no momento, né, em que o Gut Chaves fica doente e depois falece, eh naquele momento ficava um pouco mais claro quais eram as diferentes correntes dentro do xavismo. Eh, óbvio que o Chaves ele, se colocava, acima de tudo, um processo extremamente personalista, mas havia tendências diferentes ali dentro do processo. Quando Maduro assume, ele também vai começar a escantear um grupo, principalmente do ponto de vista econômico, que tinha uma visão muito mais radicalizada, eh, que inclusive publicava textos e gostaria de
ter colocado em prática na Venezuela um plano para efetivamente Promover eh uma transição ao socialismo. Eh, e esse grupo foi escanteado e na política econômica acabou eh sendo priorizado. É um grupo que dava muito mais acesso eh do mercado venezuelano eh inclusive para empresas norte-americanas. É óbvio que à medida em que a relação foi se desgastando, houve avanços e retrocessos, principalmente por parte dos Estados Unidos, né, de aplicação das sanções, sanções unilaterais, restrições Comerciais e financeiras. Eh, mas o que eu quero dizer é que, embora a gente tenha eh com olhar superficial a ideia de
que Nicolás Maduro seria uma figura extremamente radical dentro do xavismo, ele não era exatamente o mais radical dentro dessas pessoas todas que poderiam vir a ser os herdeiros políticos dos Chaves. Nesse sentido, a própria Delc Rodrigues e o Jorge Rodriguez teriam uma posição um pouco mais radical. Então, nesse momento, a gente tá eh com sinais Um pouco trocados, porque seriam aquele grupo, né? eles seriam representantes desse grupo que tinham uma posição um pouco mais radical do ponto de vista econômico, ou seja, de fechar mais o mercado e de fortalecer as relações, por exemplo, com essas
outras grandes potências que estão presentes na Venezuela. Porém, eh, o momento mudou, né? A realidade se impôs. Maduro foi sequestrado de dentro, né, do do próprio porte militar. ele tava ali na sede do Que é o Ministério da Defesa, né, demonstrando a total incapacidade das forças venezuelanas de realmente proteger eh o chefe de estado. E a realidade de fato se impôs. Então, a gente tem já há algum tempo essa suspeita, né, de que DC Rodrigue está em contato com Donald Trump e que estaria fazendo esse movimento de liderar a transição política, né, de rifar Maduro,
eh, para que o Trump tenha uma vitória política e ao mesmo tempo, manter a Estrutura de poder. E qual que foi a moeda de troca? a moeda de troca provavelmente foi o setor petroleiro. São indícios que a gente tem tanto na fala da Delc Rodriguez, mas também na fala do Trump, porque embora ela faça um discurso muito duro, ela também não desconsidera a possibilidade eh de que haja essa ponte, né, entre eh Estados Unidos e Venezuela. Então, eu acho que é um cenário que tá se desenhando, eh, não tá claro se isso vai se consolidar
ainda Ou não, justamente porque a gente tem um outro grupo, eh, além do da Delici Rodrigues e do Rio Rodrigues, que é o grupo dos militares, que é liderado pelo Diasado do Cabeio, pelo Vladimir Padrino Lopes. E, internamente, os militares também têm uma visão eh muito bem consolidada, já há mais de duas décadas da importância dos recursos estratégicos paraa defesa da soberania nacional. Então, eu acho que é aí que tá o X da questão. Para onde a Venezuela vai, é Para onde os militares vão efetivamente se consolidar. >> Pois é. Agora, e eu é perfeita,
perfeita essa análise. Eh, inclusive, assim, a gente lendo o perfil da DC Rodriguez, ela ela é filha de um militante marxista que foi morto em 1976, quando ele tava, inclusive ele foi preso e morto enquanto tava em custódia policial. Eh, o irmão dela que a gente falava agora, é ex-vice-presidente da Venezuela, ex-prefeito de Caracas, é um dos Principais articuladores políticos aí do regime. A Delc Rodriguez eh vem exercendo cargos no governo venezuelano já há mais de 20 anos, mais ou menos, né? Ela foi eh vice-ministra para assuntos europeus já em em 2005. eh e ocupou
vários cargos em vários ministérios na na Venezuela também. Agora, eh a a questão que que eu fico me perguntando é o seguinte: eh se ela conseguir se entender com essa Ala militar eh e ao mesmo tempo oferecer o que o o Trump quer, né? petróleo. O Trump já tem o troféu dele, já levou lá o o Maduro pros Estados Unidos. Agora ele precisa pagar a conta aí do da da indústria petrolífera. Eh, se ela oferecer ao Trump o que ele quer e ele quer e eh não é apenas o que ele quer, ele exige inclusive
ameaçando com novas intervenções militares na na Venezuela, tá? tá toda a a esquadra norte-americana Ali posicionada para novas intervenções. Eh, se ela oferecer o que o Trump exige e se entender com os militares, o xavismo tá continua na Venezuela. Não existe essa história de vamos libertar a Venezuela do xavismo que muita gente tem falado por aí. Eu não sei se vocês concordam. Queria queria ouvir vocês duas. Pode começar pela professora Denil. Posso? Então, começa aqui, Mauro. Eh, eu acho que essa era a um dos pontos, né, Da retirada do Maduro não necessariamente se significaria o
fim do regime eh do eh do xavismo ou da do histórico, né, do xavismo. É só uma mudança eh interna de alteração aí qual o grupo que vai eh estar no poder. Concordo com a Carolina de que os militares é a base, né, de sustentação, foi e durante construído ali durante o governo Chaves e foi intensificado, né, no o e por isso o próprio Maduro se eh sentia seguro porque sabia que tinha Todas as forças militares, todo o processo que foi feito de eh mudança das regras, de eh número de de generais que passaram a
ter patentes. Então, todo toda uma lógica eh importante e a gente tem que entender que os militares hoje eh ocupam também os principais postos, né, de eh da da economia e do acesso ao principal recurso que é o interesse americano, que é o petróleo, mas também toda a parte energética do do país, né, todas a a Venezuela, a gente fala muito do petróleo, mas também tem eh jazidas de ouro, bachita, tem minerais importantes no mundo em que a questão de acesso a minerais é relevante eh paraa geopolítica mundial. Então, então acho que é aqui, então
os os militares controlam a o esse processo. Eh, e a DC também é uma importante eh elemento nessa configuração, porque ela que comanda a política econômica e comanda também as as ações ligadas à Questão da exploração de petróleo. Então, eh, faz sentido, Trump dizer que ela é a principal fonte de diálogo, porque é aonde é quem detém aí o a o a lógica de de atuação principal no que é interesse americano. Ah, agora, por outro lado, e voltando aqui pro pra tua pergunta sobre as as os grupos de oposição, a gente sempre tem que lembrar
que a oposição venezuelana ela é uma oposição muito heterogênea, eh, e que e muito fragmentada. Então, a a Corina é Uma importante hoje figura dentro da oposição, mas é de fato há diferentes grupos, como também tem dentro do do próprio do próprio xavismo. Então, a disputa dentro dos grupos de oposição também vão ser eh também vai ser uma disputa grande para saber qual vai ser o grupo que vai eh se contrapor. E e aí eu eu acho que a gente ainda tem muita instabilidade, porque por mais que a a possa a possibilidade da deci ser
a a liderança e Constitucionalmente ela é a liderança, né? ela tem agora assumindo constitucionalmente, se seguir o que determina a própria Constituição, ela tem 30 dias para eh convocar novas eleições. Eh, e se convocadas novas eleições, é qual vai ser o o grau de eh abertura e e de eh liberdade para que os grupos de oposição também participem? Então, então é é um grande dilema. Apesar de não termos uma um a questão democrática seu centro pro Pro Trump, o que o Trump quer é um governo aliado a ele, né? Independente do que seja a configuração,
é um governo que aceite as posições americanas e que esteja no na numa lógica eh eh americana. E aí me parece que é pouco provável que os que os grupos chavistas, históricos ou não, eh, estejam dispostos a se posicionar de um sob um julgo americano de forma tão tão explícita como a gente viu pela fala do Trump. Então, acho que isso iria contra o Histórico da luta da luta eh marxista na região e na Venezuela e do próprio da própria lógica do Chaves, de ser um, na sua origem eh também anti-americana. Então, acho que eh
o jogo político pode ser mais complexo do que aparente se coloca nesse primeiro momento >> para se manter no poder. Eh, professora, eh, no o o cálculo político nesse momento, eh, e vamos vamos ser bem claros, a Venezuela vive um regime de exceção, vive uma ditadura. A gente não Tem democracia na na Venezuela. As eleições foram eleições que não foram legitimadas por uma série de de órgãos internacionais. O próprio Brasil não reconheceu a última eleição de Nicolás Maduro. Eh, mas nem que seja para se manter no poder, eh, naquele esquema que eu que eu falei
assim, olha, eh, deixa os Estados Unidos cuidarem do petróleo aqui, inclusive porque a indústria petrolífera da da Venezuela foi quem sustentou o governo do Hugo Chaves, né, com com uma um crescimento econômico grande. Eu lembro que eu tive na Venezuela uns 10 anos atrás, mais ou menos, a a gasolina era quase de graça. Eh, foi foi já na transição, já era governo maduro, eh, mas ainda era um período que a gasolina era muito barata lá. Depois os preços dispararam, teve a queda do do valor do petróleo, uma série de sanções impostas à Venezuela. Mas a
a será que nem para se manter no poder o xavismo não abriria uma exceção? Deixa o setor de petróleo, deixa o setor de mineração nas mãos de empresas americanas e a gente continua no poder. >> Eh, bom, eu acho que é um exercício interessante de reflexão nesse momento e de novo eu convido a gente fazer esse essa pequena volta ao passado, né? Claro que são circunstâncias distintas, mas naquele momento em que a cabeça do processo, né, que o Thes desaparece fisicamente, de fato, o processo eh do que chamada Revolução Bolivariana se Encontrou numa encruzilhada para
qual caminho seguiria e um ano que eu considero muito importante para determinar eh eu acho que exatamente esse aspecto talvez do pragmatismo, né, de lidar com a realidade como ela é, eh, e talvez não necessariamente abandonar eh as ideias, né, ou o viés ideológico do projeto. Mas eh adotar determinadas medidas que seriam controversas eh a partir de uma ideia, estamos voltando um passo atrás Para dar dois passos à frente, é 2017. em 2017, uma ruptura importante do regime de Nicolás Maduro com a Constituição de 1999, que é considerada a grande, é o grande marco aí
de mudanças promovido pelo Tabes. A grande herança do Tab, na verdade, é a Constituição, foi a mudança constitucional, eh, que vai inaugurar na Venezuela uma série de questões da do seu funcionamento político, vai criar novos poderes constitucionais. Então, na Venezuela, pela Constituição, são cinco poderes constitucionais, diferente da boa parte dos países. Tem o poder popular e o poder eleitoral, que seria totalmente independente dos outros três poderes. Pelo menos assim foi desenhado naquele momento. E Nicolas Maduro, diante de uma forte crise interna e externa, vai propor a criação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que naquele contexto
de 2017 vai se sobrepor a todos os outros poderes Constitucionais. E olhem a ironia do destino. Quem presidia essa Assembleia Nacional Constituinte era Delc Rodriguez. Então, quem tinha total poder sobre a Venezuela em 2017, no ápice da crise humanitária, da crise econômica, era Delc Rodrigues, né? Então, ela que estava à frente. Ela em tese tinha mais poder que o Maduro naquele contexto, né? Eh, e muitos chavistas romperam com Nicolás Maduro neste momento porque entendiam que ele não era mais o Verdadeiro representante daquele projeto original, porque ele tinha abandonado a Constituição, tinha atropelado a Constituição e
desde então eles são uma oposição à esquerda do governo. Então, pegando esse exemplo histórico relativamente recente, faria sentido também eh pelo menos no curto prazo, e eu acho importante destacar isso também, porque no longo prazo realmente desconfiguraria completamente eh o projeto Xavista estar eh submetido ao Poder norte-americano no que se se refere ao gerenciamento do petróleo. Mas no curto prazo, diante de uma situação excepcional que foi esse ataque militar, eh o governo venezuelano, agora liderado por DC Rodrigues, poderia eh tentar convencer as suas bases de que estrategicamente faria sentido eh admitir a situação tal como
está para poder preservar aquilo, né, que eles consideram mais importante, que é a continuidade do processo político e da Permanência dessas estruturas de poder. Mas eu também acho importante da parte do Trump, né? Eh, porque ele tem feito uma diferenciação das intervenções que os Estados Unidos faziam antes dele e aquelas que ele lidera, porque vejam, a gente também tem outro exemplo histórico recente que são as intervenções no Oriente Médio, muitas vezes trouxeram muito mais problemas ou até o retorno de problemas antigos. E me parece que nesse caso é o Donald Trump eh quer de certa
Maneira distinguir a maneira como a sua administração vai lidar com esse tipo de intervenção. Então muito mais cirúrgica, muito mais inteligente, muito mais estratégica. E talvez o fato dele não ter apontado a Maria Corina como uma substituta imediata de Nicolás Maduro, seja justamente porque ele sabe que não vai ser fácil tirar o xavismo de todas as estruturas de poder do estado da Venezuela. Talvez o caminho mais simples para evitar um grande atoleiro seja Buscar, ainda que seja difícil de sustentar no longo prazo, esse equilíbrio de interesses que eh essencialmente são contraditórios, mas que nesse primeiro
momento, de novo, né, se tratando de uma situação excepcional, pode ser que funcione pro público interno dos Estados Unidos e pro público interno da Venezuela. Vamos seguir em frente aqui com com o noticiário, porque a gente também tem a as repercussões internacionais. A China Já tinha se manifestado ontem, voltou a se manifestar hoje pedindo que os Estados Unidos libertem imediatamente o ditador venezuelano Nicolás Maduro e a esposa dele, Cília Flores, que foram capturados ontem. A China apela o comunicado, eu vou ler um um trecho do comunicado aqui. A China apela aos Estados Unidos para garantir
a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo Venezuelano e resolver as divergências por meio do diálogo e da negociação. Foi a declaração do Ministério de Relações Exteriores da China, a nota que foi divulgada. A pasta antes já tinha afirmado que condenava a ação militar americana e que estava profundamente chocada com o ataque à Venezuela. A a vi a declaração que foi feita anteriormente foi a China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos Estados Unidos, que viola gravemente o direito Internacional e a soberania da Venezuela, e ameaça
a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Instamos os Estados Unidos a respeitar o direito internacional e os princípios da carta da ONU e parar de violar a soberania e a segurança de outros países. a declaração do governo chinês. Eh, e aí começa eh a sessão e olha em que mundo vivemos. A Coreia do Norte, o governo da Coreia do Norte afirmou hoje que monitora de perto os Acontecimentos na Venezuela. A nota do governo norte-coreano diz que o governo espera que a democracia seja restaurada. Além de pedir que a vontade do povo
venezuelano seja respeitada, o porta-voz de Quin Jo aguardar que a situação na Venezuela seja estabilizada o mais breve possível por meio do diálogo. A Coreia do Norte também pediu que as partes envolvidas se esforcem para aliviar tensões na região. Eh, bom, a Coreia do Norte pedindo democracia. E aí tem mais um capítulo que também é é é é é dessas coisas de do da história do mundo louco, né? O governo da Venezuela classificou como uma intromissão inadmissível as declarações de Emanuel Macron, presidente da França, sobre o ataque cometido pelos Estados Unidos. Ontem o presidente francês
afirmou que o povo venezuelano só pode se alegrar com o fim Da ditadura Maduro. O presidente francês reivindicou ainda uma transição pacífica e afirmou que Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, atentou gravemente contra a dignidade do seu próprio povo. Curiosamente, ontem a líder da extrema direita francesa, Marine Lepen, publicou um texto no no Twitter, no X, condenando a ação americana. Ela faz ali uma observação de que Nicolas Maduro é um ditador e de que até ela se mostra favorável que ele saia do poder, Mas não da forma como saiu, condenando a a intervenção americana. Ou seja,
professoras, temos a Coreia do Norte pedindo democracia. Temos eh temos o presidente francês Emanuel Macron apoiando a ação, uma intervenção militar. Temos a líder da extrema direita pedindo aí, condenando a intervenção militar. Vocês que são professoras que expliquem, porque eu não tô entendendo nada. Começar pela professora Berilde. Carolina, >> não ia deixar pra Carolina começar. >> É, realmente, eu acho que a gente precisa fazer um exercício que vai além realmente eh daquilo que a gente considera como óbvio na política internacional, né? A política internacional ela tem dessas situações que às vezes podem surpreender as pessoas.
Na verdade, eu acho que esse essa situação toda da Venezuela, ela não Se restringe somente à política interna venezuelana. já há bastante tempo. Isso é um território que se consolidou como eh uma peça fundamental da geopolítica global. E é isso que tem dado eh muito mais repercussão para esse ataque dos Estados Unidos, inclusive gerando, né, esses pronunciamentos que podem parecer surpreendentes, porque talvez a gente esteja caminhando, né, para um processo da ordem global e a professora Denilde também acompanha bastante esses debates Na área de RI, eh, de que a gente tá entrando numa num novo
momento do sistema internacional em que as grandes potências estão redesenhando as fronteiras, né, dos seus, das suas influências geopolíticas, da até onde elas elas realmente estão dispostas a atuar. Eh, então, nesse sentido, eu veria, por exemplo, né, o posicionamento eh de algumas lideranças europeias, eh porque em todo esse contexto eh do caso da Venezuela, a Europa perdeu bastante Protagonismo, né? A Europa sempre foi, pelo menos ao longo eh do século XIX, do século XX, pelo menos uma referência em termos de valores, né, de democracia, de direitos humanos. E ao longo do tempo, ela foi perdendo
esse protagonismo, principalmente na América Latina, né? Eh, então os líderes europeus até diante dessa grande proeminência, desse hiperativismo global do Trump também ficam muito ofuscados eh diante, né, do que ele tem promovido o mundo afora e da Sua incapacidade até de lidar com o principal conflito que tá próximo deles, que é o da Ucrânia, né? A Europa tem muita dificuldade ali, se sente eh ameaçada com essa esse aumento da presença russa. Enfim, então eu vejo que esses líderes eles estão pensando para além somente da questão da democracia, dos direitos humanos. Eles estão olhando pro tabuleiro
geopolítico global e vendo como cada peça tá se movendo e como isso vai de alguma maneira repercutir no seu Próprio quintal, né, na sua própria área de influência ali mesmo a China, né, eh a gente tava fazendo aquele exercício anterior eh de talvez pensar na possibilidade de que houve um acordo entre Delc Rodrigues e o Donald Trump para pelo menos nesse curto prazo, haver uma transição em que o xavismo continua no poder. Mas aí a gente tem um complicador, isso foi combinado com os chineses, né? Porque a Venezuela tem barris de petróleo, eh, enfim, mais
de Uma década de barris de petróleo para fornecer paraa China, que já foram pagos adiantados, né? E a China quer saber, vou receber o meu petróleo ou não. E curiosamente, né, poucas horas antes da confirmação da captura do Maduro na Venezuela, ele tava com representante da diplomacia chinesa. Provavelmente esse representante estava na Venezuela quando a operação aconteceu, né? Eh, então a gente realmente fica com essa pulga trás da orelha, né? Isso foi combinado com a China, porque h algum tempo eu venho trabalhando com a hipótese de que, pelo menos com a Rússia, essa situação com
a Venezuela já tava mais ou menos azeitada. Porque vejam que há uma coincidência, né, entre a eh o encontro do Trump com Putin para discutir a Ucrânia no Alaska em agosto de 2025 e logo depois começa a movimentação da das embarcações militares dos Estados Unidos no Caribe. Não há nada, né, que garanta que esse tema não tenha sido discutido. Provavelmente foi. É óbvio, isso não veio a público. Eh, mas em que sentido, né? Aí aí eu volto ao começo da minha da minha análise, eh, de que as potências estão redesenhando as suas áreas de influência
ou consolidando, né, de forma mais clara as suas respectivas áreas de influência. Então, eh, algo no sentido, né, o Putin pode ter proposto ou o Trump pode ter proposto, olha, Putin, você prioriza a Ucrânia, eu priorizo a América Latina, eu não mexo no seu, você Não mexe no meu, né? Então, pode ser que o mundo esteja caminhando para esse para esse percurso que, por um lado, eh, faz sentido do ponto de vista dos interesses dessas grandes potências, mas, por outro, eh, um grande problema no que se refere ao que isso significa pro multilateralismo, pro direito
internacional, para toda essa ordem que foi construída depois das duas grandes guerras do século XX e que boa parte desses eh dessas normativas, né, dessas Regras, dessas grandes eh convenções coletivas que foram construídas estão indo por água baixa. Então, a gente tá caminhando para um mundo que não tá muito claro exatamente para onde vai, mas que parece que a lei do mais forte tá se sobrepondo sobre o direito internacional. >> São 10:40. A gente vai fazer um rápido intervalo para você que nos acompanha pela TV Acabo, para você que tá no canal Wall Pela TV
Acabo. É rapidinho, já já o All News tá de volta e a gente continua transmitindo em todos os nossos canais digitais pela internet. Até já, professora Denilde. Quero ouvi-la também sobre todo esse todo todo esse essa confusão internacional. E é, e esse ponto é interessante, essa formação, essa nova formação de blocos geopolíticos, isso, isso de fato é o que vem se desenhando, é o que a gente tá vendo. Esse movimento acaba eh deixando Mais claro assim que e e a formação desses blocos de influência. É, eu acho que isso esse a o Trump na deixou
claro que é, né, algo que a gente já vinha, concordo com a Carolina de que é já vinha tendo uma configuração eh para redefinições das áreas eh de controle. Eh, o Trump acelerou esse processo, né, e ontem ele deixou bem claro aí na fala, no discurso dele, ele até ele até traz novamente a questão da doutrina moral, né, do colorário Trump, Eh, de que é uma redefinição aí do poder americano a partir da sua da sua capacidade, da sua área de influência central, que é a é a todo o continente americano. Eu acho que essa
é é o é o fator e ela abre o e aqui as reações elas têm um pouco a ver com esse precedente, né? Se ela ela abre um outra estratégia e um outro e e uma outra lógica nas relações eh de poder entre os países. A e o a Coreia do Norte eh que vem constantemente sendo pressionada. Eh, faz todo sentido dizer que é contra a intervenção, porque pode, numa lógica que de poder e de uso militar também sofreu uma intervenção direta e a retirada do eh do poder, né, do ditador que que tá presente.
A a LEPEN, eu acho que ela tem aí umas nuances, né, e de da atuação, né, é de preocupação de fato com o que pode acontecer com a própria Europa, né? A gente tem que voltar na história aí para também fazer esse balanço, né? Todos os momentos de grande instabilidade, as intervenções e os processos de eh redefinição de fronteiras no contexto europeu sempre levaram a situações de conflito. Então, então aqui acho que tem um pouco dessa percepção de que o mundo tá se reorganizando e a Europa não tá mais eh com a capacidade que ela
tinha ah no nos últimos eh anos nos últimos anos. Então, acho que esse é o ponto que também eh tá presente a E com a a questão do uso atores, só para lembrar que a gente tá de volta também na transmissão paraa TV acabo, mas pode concluir, professora. Não. E aqui é uma, acho que uma outro ponto é bastante relevante que a gente tem que considerar no caso da China, eh acho que tem uma parte que é muito da retórica, né? a gente não viu eh ao longo de todo esse processo do de pressão americana,
uma a uma posição da China de forma a dar sustentação para o Regime maduro. Então, então ela e e mesmo a Rússia e aí a Carolina falou do do da crise de 2017, eh quando a gente tem lá os embates, né, também com relação ao Guaidó, a gente viu uma uma movimentação muito eh rápida e de apoio tanto da Rússia quanto da China, que a gente não viu nesse momento. Então, acho que a gente tem aqui um quadro em que a Rus, a China também tá fazendo um discurso retórico de eh de se posicionar frente
aos Estados Unidos, Porque tem sido essa a estratégia do XinPim no embate com o próprio Trump, eh, mas não de efetivamente se colocar como guardião do regime e do da atual situação. Ah, o custo paraa China é alto. Acho que ela tem tem todo o petróleo que já foi, os empréstimos que foram feitos para eh o governo venezuelano. Ah, mas também abre o mesmo precedente, né, paraa China na sua área de influência e aí nas suas ações no em Taiwan. A gente também viu isso Acontecendo na última semana, a China dando passos eh mais agressivos
do que ela tinha dado anteriormente. Então, eh é a reconfiguração do do de toda o cenário, eh mas é também o reposicionamento eh frente a essas novas eh dinâmicas eh de poder que estão se configurando. Professora Denilde, muito obrigado pela sua análise, muito obrigado por tá por tá com a gente hoje aqui. Um bom pross prosseguimento de domingo e até uma Próxima ocasião. >> Eu que agradeço. Boa, boa, bom dia. >> Um bom dia também. E quem se junta à gente agora para a gente continuar nesse bate-papo e nessa análise da situação da Venezuela, é
a professora de relações internacionais da UNICuritiba e doutora em Ciências Políticas, Natalie Hoff. Professora, bem-vinda. Obrigado também por aceitar o nosso convite. Tudo bem? >> Bom dia, Mauro. Bom dia, Carolina. Eu que agradeço o convite, né? Estamos aqui Começando janeiro já com muitos assuntos para tratar no âmbito das relações internacionais. Mais uma vez, o ano começou quente, não tenho a menor dúvida. a gente falava um pouco das repercussões no mundo e eu queria agora chamar a atenção para nós aqui, né, aqui no Brasil dentro desse teatro global também tem uma matéria na Folha de São
Paulo, uma matéria da Cátia Seabra dizendo que o presidente Lula manifestou nos bastidores durante o dia de ontem Uma preocupação com as ameaças do presidente Donald Trump e a estabilidade na América Latina. Eh, em pronunciamento sobre o ataque que realizou contra a Venezuela, e esse é um outro ponto aí pra gente prestar atenção. O presidente Trump mencionou e fez ameaças também contra a Colômbia e contra Cuba. Ele repetiu, por exemplo, que o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, deve ficar atento e que voltará a falar sobre Cuba também. E essas declarações foram vistas Aí como um
risco à estabilidade regional. Eh, houve uma reunião em que Lula participou remotamente com auxiliares, né? O presidente tá tá de férias no Rio de Janeiro e o presidente Lula pediu durante essa reunião que ministros acompanhem aí com atenção os desdobramentos dessa intervenção americana na Venezuela, especialmente na fronteira com o Brasil. Ah, segundo participantes da reunião, diz a matéria da Folha de São Paulo, a Conclusão é de que a vice-presidente, agora presidente interina da Venezuela, Delc Rodrigues, é é agora de fato a presidente, a presidente de fato da Venezuela. E a constatação parte não apenas das
declarações de Trump sobre a transição no país, mas também pela demonstração de apoio interno que ela obteve ao reunir ainda neste sábado o Conselho Venezuelano. De qualquer forma, professora Natalie, a o Brasil fica numa posição eh e principalmente o governo Lula, eh, de tá ali num num se equilibrando, né? Porque o presidente Lula, estamos em ano eleitoral, o presidente Lula sabe que toda vez que ele demonstrou qualquer tipo de apoio ou qualquer aproximação com Nicolás Maduro, ele teve problemas sérios com a popularidade dele aqui no Brasil. Eh, ao mesmo tempo, tá vendo aí uma ação
militar, uma intervenção militar num país vizinho. Como se equilibrar entre esses dois jogos num ano eleitoral? É, eu acho que esse é o principal desafio quando a gente pensa no lugar do Brasil, eh, no contexto sul-americano e também no contexto global, né? O Brasil ele é considerado um país médio, né? Então, quando a gente pensa nas relações de poder no âmbito internacional, ele não é um país que se pode ignorar, né? Porque tem uma economia e tem uma presença importante tanto quanto liderança regional, como também ocupando espaços no âmbito internacional. Mas Esse essa posição de
potência média ou de, né, um país que ocupa uma posição média, ela funciona muito melhor num contexto internacional no qual a os estados se comportam muito mais a partir do multilateralismo e pela via da diplomacia e do direito internacional, até porque o Brasil não é um estado eh militarmente forte quando a gente analisa o contexto geral, né, do das capacidades relativas dos estados, né, e essa virada que a Gente tem observado eh no âmbito da política do Donald Trump, mas que acompanha também uma virada na no comportamento da Rússia de tentar reativar essa lógica de
zona de influência, assim como a China, ela costuma ser bastante complicada para estados como o estado brasileiro, né, que precisam navegar num cenário internacional muito mais tortuoso, onde a gente às vezes acaba tendo mais dificuldade de exercer influência. E eu Acho que um dos maiores receios que a gente talvez poderia ter era justamente o Donald Trump não somente voltar a ao colocar a América Latina, né, o hemisfério ocidental como um elemento central da sua política externa e de segurança, que é o que ele já indicou na estratégia de segurança nacional que ele publicou em dezembro,
né, de de novo de de apontar muito claramente que ele buscaria retomar essa posição americana de dominação aqui no continente, Principalmente frente ao avanço chinês. E essa busca por autonomia de países como o Brasil e o próprio México, né, atualmente tem tentado navegar dentro desse contexto. Então, acaba sendo algo bastante complicado pra gente entender como a gente vai navegar. E no caso da Venezuela ainda é mais complicado porque o Madura ele tem, né, o governo, o regime venezuelano, ele se tornou um regime bastante eh difícil pro âmbito da política externa e e pra diplomacia dos
Estados latino-americanos nos últimos anos, porque a gente tem ali de fato um governo eh autoritário, um governo desgastado, impopular, né, com relação aos venezuelanos, que eh o qual você precisa de alguma maneira se posicionar, porque isso gera também não somente efeitos no âmbito internacional, mas efeitos domésticos, até por conta dessa relação eh do discurso da extrema direita com relação com a o governo maduro, com o autoritarismo de esquerda Que esse governo representa, com a dificuldade do próprio PT, muitas vezes, em adotar uma postura mais dura diante deste desses desses governos. Mas ao mesmo tempo você
precisa eh entender que a você cortar relações ou você não tá por uma mediação com esse tipo de governo é muito pior paraa política externa americana e uma intervenção como a que os Estados Unidos acabou de de realizar, né, de decaptação, pelo menos do não necessariamente do governo, Porque a estrutura se mantém, mas pelo menos da liderança que era Maduro, eh, e uma e uma intervenção militar no contexto americano, é algo bastante negativo. E o Brasil precisa se posicionar de maneira bastante enfática, eu acho, de eh deixar claro o a uma posição contrária, né, o
que aconteceu aqui no contexto latino-americano, até porque os efeitos que isso pode trazer tanto paraa política, né, paraas relações dos estados, quanto paraa Questão de segurança regional, a depender de como a situação da Venezuela vai se eh vai se desenhar nos próximos dias e meses, né? Então, certamente a gente vai ter um processo ali longo e que pode ser muito desgastante e que pode gerar efeitos securitários bastante significativos e não somente do ponto de vista humanitário, que é o que a gente geralmente pensa por conta já da crise humanitária que gerou crise migratória, que sobretudo
em países como eh Colômbia E Brasil, mas também porque a gente tem ali grupos armados numa região que já é relativamente instável, que já que já é que já tem ali atuação de grupos armados, um narcotráfico bastante ativo quando a gente pensa ali na região norte. do contexto sulamericano, né, além da presença americana, que é o que o Brasil tem tentado evitar nessa presença americana militar, né? Então, a gente já tem esses acordos com eh o Paraguai para estabelecer bases e agora A gente vai ter uma presença mais efetiva no contexto venezuelano, né? Então, acho
que e isso tudo faz com que a posição brasileira ela fique numa num tenha que ser eh bastante cuidadosa do ponto de vista de tentar equilibrar os nossos interesses estratégicos, as nossas questões securitárias. Eh, e ao mesmo tempo o Lula tem que fazer isso no contexto de ano eleitoral, onde o Maduro, né, e a Venezuela acaba sendo uma sempre foi, digamos, uma pedra No sapato do discurso eh do governo Lula diante de como a direita eh usa isso para eh para mostrar ali certas fragilidades da política externa do governo Lula e até mesmo do posicionamento
do PT. Não à toa que a nota demorou um pouquinho para sair, né? a gente acabou ficando algumas horas esperando uma manifestação eh do presidente Lula e aí essa nota acaba saindo algumas horas depois. Eu acho que foi uma nota bastante eh coerente e Correta com relação a essa situação. E eu acredito que a nossa diplomacia nesse momento deve optar por tentar se colocar como um país eh que vai tentar ajudar nessa mediação, né, e tentar ajudar nesse processo de pensar numa transição mais sutil do ponto de vista ali das relações regionais, mas sempre deixando
claro, né, que essa presença americana, ela é bastante incômoda e pros países sul-americanos, especialmente pro Brasil, pra Colômbia. É, o Brasil vai participar inclusive da reunião da da Assembleia da do Comitê de Segurança, né, da ONU e e deve manter essa mesma posição desse comunicado. Agora, a gente tá chegando ao final aí. Eu queria uma uma análise rápida de vocês duas. A Casa Branca publicou um ou repostou uma foto de Donald Trump com uma sigla em inglês embaixo que numa tradução livre, a sigla tem um palavrão, mas numa numa tradução livre diz assim, ó, brinca
com fogo, mas aguenta as Consequências depois. Eu fico imaginando pro Brasil que já teve uma ameaça de intervenção americana. Vamos lembrar, Donald Trump colocou um tarifaço aqui e aplicou a lei Magnitisk exigindo que a justiça cessasse o processo contra Jair Bolsonaro, né? já houve uma tentativa do governo americano de intervir diretamente no estado brasileiro. HH, eu fico imaginando como agir num cenário como esse que a professora Natalie falou, tendo bases militares Americanas tão próximas, né? Eh, e essa ameaça, tipo, brinca com fogo para você ver o que acontece, como fazer? Eu vou vou dar um
minuto para cada uma, vou começar pela professora Carolina. >> É, um minuto é um desafio para sintetizar tantas coisas. Eh, mas eu diria que tá muito clara que aquela política externava e ativa que tinha no Brasil nas nos primeiros governos Lulas mais de 20 anos atrás, ela não tem mais as mesmas circunstâncias e condições Internas e externas para ser exercida. Então, a diplomacia brasileira realmente fica encurralada diante de um cenário internacional cada vez mais troncado, cada vez mais complexo e cada vez mais relacionado com a política interna, né? essas esses dois âmbitos que por tanto
tempo pareceram distantes, eles são cada vez mais próximos em um ano eleitoral tão decisivo e que vai marcar eh uma pode marcar uma nova configuração política do próprio continente Sul-americano, né? Lembrando que a centroesquerda só tem governado agora eh Uruguai, Brasil e Colômbia, que são Brasil e Colômbia os países que vão passar por eleição recentemente. Então esse recado aí da Casa Branca, ele tá muito claro, principalmente para essas duas lideranças que vão ser colocadas aí à prova pelo seu próprio eleitorado. Eu não tenho dúvidas de que Donald Trump também tá mirando e os seus próprios
interesses tendo em vista o calendário Eleitoral aqui da América do Sul. Então é um grande desafio pro Brasil, vai ter que pisar em ovos nessa relação. >> Como fazer, professora Natalie? >> Essa é realmente uma pergunta complexa de se responder. Eu concordo muito com a professora Carolina, né? Acho que foi o meu primeiro pensamento quando eu soube das notícias relacionadas à Venezuela, eh, foi justamente lembrar, né, que o Brasil se encaminha, né, a gente tá agora no ano eleitoral e que o Donald Trump já no ano passado declarava na estratégia de segurança nacional, colocava ali
a América Latina como um foco central da política externa e de segurança dos Estados Unidos e que isso traria ali dificuldades, desafios, eh, e, e muitos impecílios para que que o Brasil possa exercer a sua uma posição autônoma no contexto internacional, que é algo que o governo Lula tenta fazer e muitas vezes tenta fazer reditando a política externa que funcionou no começo Do século XX, mas que hoje encontra um cenário internacional muito mais complicado. Eh, e muitas vezes parece que a gente tem tido um pouco de dificuldade de encontrar exatamente qual deve ser o caminho,
né, pro Brasil de fato conseguir exercer essa posição autônoma. E tudo isso ainda precisa ser feito considerando as questões domésticas, porque realmente a gente tem essa conexão entre o interno e o externo, essa relação das redes, sejam Elas de esquerda, mas sobretudo de direita, que se utilizam de fatos internos ou que se utilizam de questões internacionais para uma agenda doméstica, que é o que o Trump faz muito e ele faz isso bastante no contexto ali do Caribe e da Venezuela. Então eu acredito que o caminho pro Brasil vai ser um caminho de parcimônia, um caminho
de ponderação e de pensar estrategicamente quais são os nossos interesses e como a gente pode se Equilibrar num contexto de alta tensão e de manter boas relações eh com dois parceiros que são fundamentais, os Estados Unidos, porque a gente não pode evitar, a gente tá no hemisfério ocidental, a gente não tem como evitar ter boas relações com os Estados Unidos, mas outro lado, a gente também tem que manter essa diversificação das nossas parcerias e um bom relacionamento com a China, que hoje é imprend endível para pro nosso desenvolvimento econômico, pro Funcionamento da nossa economia. Então
eu acredito que o o lugar que o Brasil deve ocupar nesse momento é o de ponderação, que é o que o Itamarati sabe fazer muito bem, mas que nessas águas muito turbulentas se torna muito difícil, porque uma palavra errada, uma decisão eh que talvez não seja a mais adequada dentro de uma certa circunstância pode gerar ali consequências muito significativas, ainda mais quando você tem Donald Trump, Que é muito imprevisível e que toma decisões eh que muitas vezes a gente não pensaria que elas seriam tomadas como ele atacar um país na América do Sul, né? A
gente já teve várias intervenções americanas, mas direta e nesse nível é algo que a gente ainda não tinha visto, que é muito preocupante quando a gente pensa na nossa posição e na segurança regional. >> Professora Natalie, professora Carolina, muito obrigado por nos ajudar nas Análises aqui nessa edição especial do Wall News. Voltem sempre. Um bom domingo para vocês. >> Obrigada. Até mais. >> Obrigada. Bom domingo e até mais. E eu agradeço muito a você que nos acompanhou até aqui nessa edição. O All News volta às 3 da tarde com outras notícias, com mais informações sobre
a crise na Venezuela e outras informações e análises para você. Obrigado pela companhia e até mais tarde. Tchau tchau. Wow.