[Música] mais de 200 trabalhadores da Bahia foram resgatados em um alojamento na Cidade de Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul Onde viviam em condições análogas à escravidão houve grande repercussão do fato Associação dos produtores publicou nota em defesa das vinícolas para qual os trabalhadores estavam trabalhando o vereador Sandro fantinel do patriota em Caxias do Sul também Saiu em defesa das vinícolas fez discursos xenofóbico e houve grande repercussão a pauta está em debate mas este não é um caso isolado em 2022.575 pessoas foram encontradas em condições precárias de trabalho no Brasil o número é o
maior desde 2013 segundo o Ministério Público do Trabalho Minas Gerais lidera essa lista de trabalho escravo com 40% dos casos no Brasil o programa Analisa recebe hoje dois convidados para debatermos as questões do trabalho eu sou Adriana Vilar de Menezes e conversar com advogada Thaíssa Rocha proni que é mestra em Direito do Trabalho pela Universidade de São Paulo USP Doutora em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e ciências humanas e fch da Unicamp e pesquisadora de pós-doutorado pelo departamento de Ciência Política também do ifch em colaboração com a diretoria executiva de direitos humanos e também
vamos debater com o nosso convidado o sociólogo Ricardo Antunes professor do Instituto de filosofia ciências humanas e FSH da Unicamp que é referência no campo da sociologia do trabalho no Brasil no exterior e com diversos livros lançados sob o assunto o mais recente lançado em 2022 é o capitalismo pandêmico a lista é muito extensa de livros também recentemente ele lançou urbanização trabalho digital e Indústria 4.0 O Privilégio da servidão e muitos outros Antunes coordena um grupo de trabalho e pesquisa na Unicamp cujo nome é mundo do trabalho e suas metamorfoses o programa Analisa tem trabalhos
técnicos de João Ricardo boi e Kleber Casa Blanca e Otávio Fonseca o que contribui mais para a perpetuação da exploração do trabalhador no Brasil em condições análogas a escravidão o histórico de escravidão e o fim retardatário né da mesma uma legislação fraca ou a falta de fiscalização eu gostaria de lançar essa pergunta para os convidados professor Ricardo Antunes e advogada Thaíssa proni posso começar Adriana com A Thaíssa no programa Analisa na nossa Unicamp não sei nem quantas décadas que eu estou como professor aqui e não vejo o fim da luz do fim do Túlio porque
eu espero ficar ainda há muito tempo trabalhando aqui a questão do trabalho é análogo a escravidão certamente a Taíssa vai vai também nos explicar o que que é isto né ele ele tem esses condicionantes o que que explica a sua vigência primeiro uma sociedade que eliminou uma comunidade indígena inteira para criar um novo modo de vida e de produção acumulação primitiva fundada na escravidão na escravização de negros e negras os nossos povos africanos isto Marca uma chaga que que marca como marca a história por exemplo dos Estados Unidos como marca a história do de tantos
outros países da nossa América Latina que teve forte presença Negra e marca a história também da América Latina que teve forte presença indígena que foram escravizados ou avitados ou eliminados Isto é um traço que está presente então na cabeça do Senhor de Engenho a escravidão ou a escravização dos negros e das negras era normal na cabeça de um indigente que hoje comanda uma dessas empresas de terceirização é normal o Filipe uma das formas por exemplo é o cambão você traz o trabalhador ou a trabalhador e esse trabalhador já vem endividado porque ele é paga ele
é pago o transporte e ele passa a depender do balcão da mercearia do dono da fazenda ou do dono hoje tá certo da da da empresa de exploração do trabalho e a partir daí ele vira escravo e ele não sai mais Então esse é um traço marcante Ou seja a gente tem uma inegável herança escravocrata agora ela se soma eu só vou indicar porque isso seria uma conversa longa ela se soma um segundo ponto tá certo o mundo do trabalho hoje leva a escravidão digital eu disse isso no meu livro privilégio da servidão e eu
só dou um exemplo todos os meninos que hoje trabalham em meninas que trabalham nas entregas trabalham 8 10 12 14 16 horas não tem horário para se alimentar não tem horário para descansar e não tem lugares para urinar e não pode beber água mas estaria dizer isso então sem falar nos níveis é 1,22% nível de acidentes letais de mortes no mundo hoje do entregador Esse é o fenômeno mundial e acompanhe isso na China na Índia na Europa nos Estados Unidos da América Latina Tá certo só no Chile até hoje na África sempre com os meus
colegas e amigos e amigas que eu não quero morrer sem conhecer o nosso continente que nos originou de algum nota né Nós somos todos muito negros né e devemos isso a presença em dia o terceiro elemento é o horror do dos últimos seis anos do Brasil especialmente não só o período é longo mas de 2016 pra cá nós vivemos uma vivemos uma devastação temer e Depois o repelente bolsonaro em qualificar E aí vale tudo porque aí por um senhor de de Fazenda ontem hoje vale tudo ele acha que escravizando já é bom demais porque senão
aquele trabalhador ou aquela trabalhadora não teriam Tá certo como sobreviver então ele acha que ele tá fazendo um favor quando ele tá utilizando isso devido em Qual a consequência disso é como você disse bem a burla da legislação não se cumpre a legislação e para dar só o exemplo bolsonaro né eliminou-se tá dilapidoce eliminou-se um exagero mas praticamente se desestruturou todo o sistema de fiscalização porque você tem que ter fiscais do trabalho que são importantes é muito já morreram lutando aqui no Brasil você faz uma política como fez se fez o mesmo governo bolsonaro nas
comunidades indígenas Tá certo eliminando qualquer tipo de defesa dos indígenas para furar a Funai se tornou uma fonte predadora e não uma fonte de defesa das Comunidades indígenas esse complexo que justifica esse flagelo que vale lembrar para terminar não é só brasileiro só que aqui tudo é exagerado até o horror bolsonaro né Eu imagino que os os fascistas do mundo dizem bolsonaro exagera um pouco entende os fascistas eu gostaria de Claro em primeiro lugar agradecer ao convite né um prazer estar aqui uma alegria e na presença do professor Ricardo Antunes que para mim é a
grande referência Nacional internacional sobre o assunto então sinto-me honrada em compartilhar essa discussão ao lado do professor Ricardo Antunes que dispensa qualquer tipo de qualificação né então eu gostaria de pegar em complemento ao que foi dito pelo professor Ricardo uma parte da sua pergunta que é se a legislação é fraca então em primeiro lugar as pesquisas apontam que o acabou os legislativo que nós temos no Brasil hoje ele não é um arcabou os fraco muito pelo contrário ele até referenciado internacionalmente como um exemplo de legislação né Nós temos que entender que o conceito de trabalho
escravo contemporâneo e a legislação elas estão em disputa constante dificuldade brasileira né Nós temos uma um processo histórico em que se Em que em que foi se formando esse conceito legislativo né É claro que a sociologia do trabalho a psicologia do trabalho economia do trabalho dão uma nova amplitude para essas conceituações mas não acabou os legislativo nós temos uma evolução do conceito que antes era caracterizado apenas com uma coibição do irivir por vigilância armada foi se ampliando ao longo das décadas através do trabalho dos profissionais né envolvidos com combate ao trabalho escravo contemporâneo juízo Procuradores
auditores né policiais rodoviários federais policiais federais foram compreendendo né e os estudos também foram avançando no sentido de dizer que a escravidão contemporânea do Trabalhador ela não se resume a uma situação constrangimento da liberdade de viver por vigilância armada né E aí a legislação foi caminhando um novo corpo até que o código penal foi modificado no início dos anos 2000 para constar no seu artigo 149 as quatro caracterizações do trabalho escravo contemporâneo né em que a vigilância armada e a a proibição ou a proibição do irivi de voltar para o seu lar para sua casa
ou mesmo circular no município Onde está sendo prestado do trabalho é uma um dos elementos sendo os outros três condições degradantes de trabalho né condições tão degradantes de trabalho de alimentação de higiene de acomodação que coloca em risco a saúde a segurança e a vida do trabalhador né a jornada exaustiva que não é aquela jornada que por um dia o trabalhador ficou muito cansado foi para casa não é uma jornada tão extenuante e sem pausas que leva o trabalhador eu sou completo esgotamento físico e mental A exemplo de trabalhadores do americano no interior de São
Paulo que faleceram no meio do canavial porque estavam sob jornada estenuante né E esse trabalho forçado que seria não só o tráfico de pessoas mas a manutenção ou a enganação de trabalhadores e trabalhadoras para que façam trabalho ao qual eles não se voluntariaram ou ao qual foram enganados né devido a publicidade de circunstâncias e condições enganosa geralmente verbalizadas por essa figura que a gente caracteriza nos estudos como gato que é a pessoa que traz os trabalhadores que convence os trabalhadores a virem para o local onde serão explorados né e chegando no local eles percebem que
foram enganados E aí estão forçados a fazer esse trabalho então esses quatro elementos eles passam a compor o código penal brasileiro né abarcando O que os estudiosos das várias áreas do trabalho já tinham é denunciando como uma forma de escravidão contemporânea Então veja nós não temos um problema de arcabouço legislativo nós temos legislação nós temos a Constituição Federal O Código Penal nós temos as diretrizes do Ministério do Trabalho nós temos As instituições públicas do trabalho Ministério do Trabalho Ministério Público do Trabalho Justiça do Trabalho agindo né junto com as polícias né agindo para fiscalizar para
resgatar esses trabalhadores e mesmo assim nós temos de 1995 até hoje Quase 60 mil trabalhadores e trabalhadoras resgatados do trabalho escravo contemporâneo Então nós não estamos no problema do arcabus Legislativo as legislação não é fraca nós estamos num campo de problema de concretização das normas vigentes hoje você acabou antecipando uma questão que eu ia colocar para a gente tentar caracterizar o que é a condição de trabalho análogo escravidão né você já descreveu aí bem claramente né Então você fala da legislação com relação a esse trabalho análogo a escravidão que é crime né Isso é um
crime mas e a legislação trabalhista é a legislação do trabalho a CLT né As convenções por exemplo o Brasil é signatário de Convenções internacionais da oitê né para combate do trabalho forçado do tráfico de pessoas do trabalho é escravo contemporâneo né a legislação trabalhista por exemplo prever o dano moral ou dano moral coletivo né aquele que é caracterizado pela pela violação dos direitos individuais de um grupo de trabalhadores e trabalhadores então por exemplo conta um caso desse chega até o Ministério Público do Trabalho por exemplo através do trabalho dos auditores em conjunção com as instituições
a justiça do trabalho vai reconhecer todos os direitos trabalhistas daquela parcela de trabalhadores e trabalhadoras então reconheceu o contrato de trabalho fazer assinatura na carteira reconhecer as horas extras que foram eventualmente prestadas ou seja reconhecer através da nossa legislação todos os direitos que foram vilipendiados e mais e mais indicar um valor de Condenação em dano moral e dano moral coletivo para que esse dinheiro compõe um fundo que vai retroalimentar as ações de combate as políticas públicas de combate ao trabalho escravo contemporâneo né Por exemplo o Ministério Público do Trabalho Quando recebe uma denúncia de trabalho
escravo contemporâneo verifica junto com a equipe de auditores pode firmar um taque que é um termo de ajustamento de Conduta onde o trabalhadores e os empregadores ou empregador reconhecem aquela situação de ilegalidade o tac compõe esse rol de legalidades a empresa sente em primeiro lugar não mais praticar né esse tipo de legalidade em segundo lugar consiste em reconhecer e pagar todos os direitos que ali constam né através do nosso acabou-se jurídico em terceiro lugar a empresa consciente com o Ministério Público do Trabalho em prestar uma indenização em dinheiro um valor que vai compor esse dano
moral coletivo porque é um dano não só para aquele trabalhador para aquela trabalhadora é para coletividade né porque veja nós temos que combater não só a prática mas também o discurso o discurso que está entranhado na nossa sociedade que o professor Ricardo Antunes bem ressaltou dessa condição escravagista em que alguns detem dinheiro e poder e podem assim tratar outros seres humanos como sub-humanos como humanos de segunda categoria né então por exemplo só pegando gancho da sua pergunta sobre a caracterização mais fiel do trabalho escravo contemporâneo né eu posso exemplificar então o trabalhador uma trabalhadora que
está por exemplo no campo não agronegócio do interior paulista né uma situação em que chegou de outro estado está aqui foi enganado em relação ao transporte em primeiro lugar enganado em relação às condições de trabalho porque não tem banheiro não tem água limpa come comida estragada come uma comida que está vencida ou tem uma oferta de alimentação que é muito atendo o número de pessoas precisam ser alimentadas né cuja jornada ultrapassem muito aquilo que foi combinado e que é exaustante extenuante né condições por exemplo de dívida Servidão por dívida que é um aspecto extremamente importante
que o professor Ricardo falou ela compra naquela vendinha naquela mercearia né para ter o próprio sabonete como trabalhadoras e trabalhadores que eu entrevistei que para tomar banho precisavam comprar um sabonete daquela mercearia que que existia dentro da Fazenda nos limites da fazenda e que era cinco vezes mais caro quatro vezes mais caro do que aquele vendido no comércio da cidade né então todas essas condições que são retratadas na mídia né com retratos mesmo com fotos de trabalhadores nessas condições caracterizam a escravidão contemporânea no capitalismo que nós vivenciamos hoje Então a gente tem um arcabou sugerídico
mas não tem a prática muito por conta desse contexto e do histórico que o professor resumiu muito bem aqui Sabe o que seria interessante acho que foi muito rica ou desenho que A Thaíssa mostrou como nós temos no Brasil uma das legislações No que diz respeito ao chamado trabalho análogo escravidão e nós temos uma CLT que tem história mas tem um contexto que é muito importante que é a mudança profunda do capitalismo nas últimas décadas isso começa nos anos 70 Como a crise estrutural se algo diz em 2008/2009 se algo diz ainda mais agora no
contexto da pandemia e depois da crise da invasão da Ucrânia pela Rússia abrindo o espectro de uma Terceira Guerra Mundial Este quadro que eu não posso aprofundar aqui de crise né estrutural profunda é que durou então digamos de 70 para cá são cinco décadas houve um processo de monumental devastação do Trabalho em escala Global as grandes empresas disseram olha agora é para valer sabe porque primeiro crise profunda segundo alta trabalhadores e trabalhadores no mundo inteiro não há nenhum país do mundo hoje exceção de pequenos países né que não tem um exército de trabalhadores e trabalhadores
disponíveis para qualquer trabalho dos mais qualificados ao menos qualificados três alta tecnologia é um processo longo começa com a flexibilidade depois com a terceirização depois com a intermitência e a devastação Então vamos pegar só o caso brasileiro eu podia citar só para fazer um paralelo Itália 1970 um código de trabalho Espetacular pois bem quando eu fui trabalhar na universidade italiana dar um curso de sociologia crítica do Trabalho em 2017 a discussão lá é que a classe trabalhadora não estava mais aceitando o trabalho pago por walcher trabalha ganha um voucher vai troca por dinheiro quer dizer
o trabalho intermitente violento isso existe em Portugal isso existe em todos os países digamos assim europeus você tem formas assemelhadas de precarização do trabalho tá certo E no caso brasileiro com a com a reforma ou a contra-reforma trabalhista do temer 2017 o que Que Nós criamos Só porque você tem uma ideia para mostrar essa devastação porque veja há um imperativo Global hoje das plataformas arrebentar com a legislação social protetora do Trabalho em todos para arrebentar eles dizem que isso é arcaico só que eles estão propondo o arcaísmo do século 18 trabalho de mulheres crianças e
jovens 16 horas por dia morreu põe outro se tem milhões de trabalhadores procurando trabalho morre um tem sem querendo o lugar deles então no caso brasileiro 2017 trabalho intermitente eu chamei isso na época é a legalização do ilegal o trabalho intermitente é ilegal se você é legalismo ilegal vale tudo você trabalha agora Adriana e ganha Aí você fica duas horas sem trabalhar não ganha Aí você fica duas semanas sem trabalhar não ganha E como é que você sobrevive essas duas horas ou duas semanas problema seu o que que é o trabalho o Ziro Hauer contrate
inglês de 20 mais de 20 anos atrás do inglês e britânico é semelhante e hoje que nós chegamos num flagelo profundo que é o trabalho em plataformas o acentoso do Trabalho em plataformas é que houve O mascaramento da condição de assalariado porque veja se eu tenho alta tecnologia se eu tenho trabalhadores e trabalhadoras em abundância em todos os países do mundo de médicos até operar da construção civil desempregados eu já entrevistei em trabalhador uberizado né dirigindo um carro o que era veterinário eu brinquei com ele para aqui vamos ver meu cachorro que tá comprando esquece
eu não vou nem mais para o aeroporto veterinário já entrevistei um que era engenheiro químico e ele falou eu ganho numa empresa de engenharia química 3000 eu tenho um problema particular com minha com duas filhas que tem que ter uma alimentação absolutamente diferente e eu tenho que ganhar aqui 3 mil Então trabalho 16 horas por dia e esse cenário se junta ainda na legislação do temer Tá certo com o negociado sobre legislado o seu negociar empresa e trabalhadores uma retração das condições isso passa a valer e o quarto ponto a retração do das condições de
incidência da Justiça do Trabalho sem falar no desmonte do sindicato é uma devastação e É nesse contexto que você tem então Os Capitais então que que é você pegar uma empresa como essa de terceirização no Rio Grande do Sul e e acentuais escravização ao limite nós vamos burlar legislação nós vamos por lá e não contexto político como nós vivemos temer e bolsonaro os empresários sabiam vale tudo é por isso que agora o que nós temos que exigir né violentamente é que o ministério público trabalha é combativo Judiciário do trabalho também a sua parcela combativa muito
importante tá certo a denúncia intelectuais de investigadores pesquisadores e as lutas dos trabalhadores nós temos acompanhado de um projeto Adriana que eu tenho com meu grupo de pesquisa com o Ministério Público do Trabalho de Campinas né ele começou em 2019 eu fui convidado pelo pelas procuradoras e Procuradores do do do daqui de Campinas para organizar um projeto de pesquisa o livro trabalho obedizado indústria 4.2 trabalho digital organização indústria 4.0 é resultado disso agora antecipa aqui para você em primeiro esse mamão em maio vai sair um tijolo de 600 páginas é o segundo livro dessa pesquisa
chama-se assim iceberg zaderiva o trabalho nas plataformas digitais são 28 Capítulos do da nossa pesquisa brasileira do nosso grupo de pesquisadores brasileiros que nós dialogamos e pesquisadores de vários países do mundo mostrando que esse é o fenômeno Global você já falou que a tecnologia não é neutra não é isso gente se destaca isso dentro desse contexto aí da contribuição das novas tecnologias para essa essas condições de trabalho um pouco dignas né claro é o que o senhor chama de uma escravidão moderna não é isso nesse caso digital trabalhador urbanizado desses que fazem entregas que são
imprescindíveis na pandemia se eu não tivesse um jovem para trazer comida o remédio para mim eu teria morrido porque eu não podia ir com um pouquinho mais de 30 anos eu não poderia ir ao mercado e eles ficaram perambulando morreram sofrerem trabalhos imprescindíveis o que que acontece se esse trabalhador vamos falar trabalhador aqui no masculino porque o entregador de moto a prevalência é mais de 90%. trabalho masculino se ele fica se ele perde o celular numa corrida ele para de trabalhar para trabalhar para dar um exemplo ele para de trabalhar vamos para a universidade e
esquecemos do celular Nós entramos em parafuso porque a gente perde em contato com o mundo quer dizer o mundo hoje é mediado por alto nível de exploração da manualidade do trabalho nas profissões mais aviltadas até alta e alto nível de trabalho digital eu sempre digo atenção esse mito de que o mundo vai ser só de trabalho digital numa piada está errado quem fala isso não sabe do que está falando eu escrevi o adeus ao trabalho o sentido do trabalho ambos publicados em vários países do mundo a Deus eu trabalho depois de 25 26 anos foi
publicado pela primeira vez na Holanda na Inglaterra numa edição única em inglês e nos Estados Unidos 25 26 anos depois eu tive um mito do fim do Trabalho sabe porque esse digital aqui esse celular ele não existe sem o trabalho mineral sem trabalhadores da China na Ásia na América Latina e na África o mesmo na Europa na Europa menos do Canadá A mina tá certo mas assim as minas fundamentalmente estão no sul do mundo porque é um vídeo bem Eu já entrei numa mina eu entrei numa mina de carvão eu sou o social do trabalho
eu quero entrar eu entrei numa quando eu entrei Adriana minha sensação caiu a minha sensação foi assim eu quero sair daqui porque você Olha para cima é Alguém já disse isso é uma sucursal do inferno entende eu falei se essa gíria gosta desmonta eu vou ficar aqui vou virar pó e carvão eu falei eu já entendi tudo já saquei as condições brutais de trabalho chama o Trenzinho e eu quero subir eu quero ver só esse esse é o trabalho e tem pessoas que passaram décadas tá jornadas de 12 14 horas por décadas dentro dessas condições
de trabalho isso é trabalho manual não existe nenhum satélite nenhuma internet sem a extração mineral sem alguém que faça os cabos fios elétricos se alguém que faça o maquinário se alguém que prepare o chip é um mundo do trabalho hoje é muito complexo só que as empresas querem fazer com que com que hoje trabalhadores e as trabalhadoras deixem de ter direitos e para isso criar um monstro um monstro um Frankenstein social se eu tenho alta tecnologia se eu tenho força sobrante de trabalho vamos criar uma figurinha do não trabalhador ainda que ele seja explorado ele
ou ela explorada o limite vamos dizer que ele é empreendedor é uma piada Adams dos ensinava que a burguesia era empreendedora Tá certo O chupeta falava nisso empreendedor é quem tem dinheiro e quer investir para ganhar trabalhador que não tem nada se para terminar que não tem nada se endivida para alugar ou comprar uma moto ou uma bicicleta ou um celular vai trabalhar para essas empresas tem direito nenhum é escravo digital e o que que são esses icebergs à Deriva veja nós estamos no mundo você tem William music que tem uma fortuna que em Reais
chegou perto de um trilhão em Reais muitos bilhões de dólar você tem do outro lado uma empresa que começou Tá certo nos anos 90 vendia livros e hoje é a Amazon inclusa a Amazon mecânica mundo inteiro a todo mundo inteiro eles já estão pensando inclusive esses dois e outros né já estão programando a exploração do espaço quando você tem eu só vou dar esse exemplo simples Adriana ele é muito simples quando você tem alguns indivíduos no mundo alguns poucos milhares que tem uma riqueza equivalente a 80 90% da riqueza do mundo e você tem 50
60 milhões de pessoas que tenham uma pobreza abjeta é que usar iceberg estão a deriva mais objetivamente se você automatizar o mundo Fabril você vai ter cada vez mais desemprego estrutural nas fábricas do serviços e uma massa de desesperados que vão ser a base para o trabalho belisar hoje a médico belizado médica enfermeiro enfermeira professor professora jornalista o freela fixo tá certo arquiteto advogado sem falar dos trabalhadores que não tem né outra atividade se não se eu na pandemia tivesse 20 30 anos antes e tivesse desempregado e tivesse um carro eu ia virar era a
única alternativa que eu tinha para sobre a condição para isso é ter claro que eu sou aspas empreendedor e este vídeo pendeo significa que se eu fosse deitado sabe ter uma coisa do brasileiro que é genial é meio Guimarães Rosa se eu fosse é se eu for se eu for acidentado se vire-se entende né para lembrar o Guimarães se vires é problema seu não é possível a humanidade não pode ser assim E esse não é um fenômeno só Brasileiro é Brasileiro é chinês é italiano é francês gosto de vidas diferentes e o último ponto a
nossa pesquisa tem mostrado Tem havido lutas importantes no Brasil na América Latina Nós estamos vendo uma luta importante na França esses dias Vital contra ao invés da gente reduzir o tempo de trabalho eles querem aumentar portanto a Previdência mais tardia e sem falar das lutas da Inglaterra nos Estados Unidos e na Espanha para reconhecer a condição de assalariamento dos Trabalhadores em plataforma se eu pensar que as plataformas são uma Mirinha de de mim veja diferente o Uber de um trabalhador da Amazon mecânica o tanque que faz tradução mas todos eles têm uma coisa em comum
o direito ao trabalho não faz parte do seu universo isso é um Vine pandil isso é inaceitável existe uma disputa intensa e multimilionária em relação às decisões das cortes judiciais no mundo inteiro sobre o trabalho é sobre plataformas digitais ou em relação a aplicativos né Por exemplo na corte britânica foi reconhecido recentemente há mais de um ano alguma coisa assim que os trabalhadores da Uber seriam não empregados mas trabalhadores com direito a registro do seu contrato de trabalho Previdência Social limitação de jornada e piso salarial Então você tem essa essa disputa que está acontecendo no
mundo todo nas coisas dos Estados Unidos Por exemplo né a colt britânica sai com essa decisão e no Brasil inúmeros processos de primeira segunda e já chegando na terceira Instância para discutir se o trabalhador de aplicativo se o trabalhador da Uber Seu trabalhador que está envolvido com a tecnologia se ele tem vínculo de trabalho ou não se ele é realmente um empreendedor como professor Ricardo Antunes já desmascara né E nós podíamos ouvir o professor Ricardo Antunes por horas e horas e horas porque é tão rico e tão bom né ter um conhecimento de qualidade desse
nível no nosso Brasil né então esse tipo de desmascaramento que o professor Antunes faz aqui agora ele é um subsídio né Para a gente entender como é que essa legislação deve funcionar Porque se o direito é concorda que esse trabalhador essa trabalhadora não tem vínculo não é um empregado então aí Realmente nós estamos numa situação de devastação jurídica também né Então essas disputas que vem ocorrendo por exemplo Vira e Mexe a gente tem uma sentença de primeira instância em que o juiz a juíza do trabalho reconhecem não tem que comprar trabalho sim é empregado e
aí uma disputa na Segunda instância dessas grandes corporações que contratam escritórios enormes com bancas de advogados é muito é resistência né de muita gente trabalhando para artificialmente construir uma jurisprudência né através de entendimento reiterados de tribunais a favor delas dizendo que não vínculo de emprego que isso é uma falácia que o mundo mudou Veja a CLT arcaico o mundo mudou não não o mundo não mudou o que mudaram foram as formas de exploração o estágio do capitalismo avançado essa devastação que vem ainda mais acentuada após a pandemia né mas lá no fundo no fundo o
que o Victor hugou denunciava nos seus no seu livro na sua obra célebre Os Miseráveis continuem vigor que é os poderosos né os grandes empresários do mundo inteiro explorando os pobres e Miseráveis do mundo e eu concordo com o professor Ricardo não é um fenômeno no Brasil brasileiro exclusivamente é um fenômeno Mundial então eu destaco que essa miserabilidade dos povos das populações do mundo já tanto denunciada na literatura na música no direito na Sociologia na economia é o material de trabalho ou é o maquinário que move essas esses grandes interesses e grandes interesses econômicos que
estão tentando influenciar o judiciário no mundo todo né Então veja nós ainda não temos a projetos de lei tramitando na nossas cortes legislativas né nas nossas casas legislativas de regulamentação dos trabalhos desses trabalhos por aplicativo dos trabalhos obesizados né de toda essa Gama de trabalhos que o professor Ricardo Antunes mencionou mas nós não temos ainda uma legislação específica para isso ela está em plena disputa e é uma disputa multimilionária e eu queria só para encerrar dizer que mesmo no caso dos trabalhadores que são escravos contemporâneos digitais ou dos trabalhadores escravos contemporâneos do campo Negócio ou
dessa idade através das confecções né então conhecido de nós as Confecções escravizam mulheres né e vendem depois as suas peças por preços altíssimos em cadeias produtivas bastante conhecidas e já veiculadas né esse esse tipo de prática ele precisa também ser combatido com uma mudança de discurso porque eu trabalho com uma metodologia de pesquisa que é multidimensional então eu e a professora Ângela Araújo né do departamento de ciência política que a supervisora dessa pesquisa nós estamos profundamente convencidas de que somente um olhar Monte dimensional consegue abarcar a grandeza desses fenômenos né então não é só legislação
são as legislações os valores sociais que estão em cheque hoje né na sociabilidade atual as práticas e também a estrutura a super estrutura né como é que a gente entende a estrutura do trabalho como é que o trabalho é produzido mas principalmente eu quero falar do discurso murchando é esse esse discurso desse Vereador do Rio Grande do Sul né Ele se sentiu muito à vontade para o seu Ricardo e Adriana para falar tudo aquilo que ele pensa E que provavelmente um grupo Pensa a respeito desse dessas práticas de tratar pessoas como sub-humanos né achandofobia que
aparece né o racismo então ele se sentiu muito à vontade de falar isso numa Tribuna uma casa legislação da raça pura expressão Total sem inibição né Sem inibição Então eu penso que nós temos que também combater os discursos combater as práticas mas também combater os discurso excelente o desenho que A Thaíssa fez excelente só lembrar três pontos um né é quando há depoimentos desses jovens que hoje São trilhardários não são mais milionários milionário é coisa mistura é bitri que eles diziam no início que um dos Desafios foi contratar escritórios de advocacia corporativa para explicar o
caminho da burla como fazer com que trabalhador ou trabalhadora não assumam a aparência de trabalhador ou trabalhador aí as mistificações quinze anos atrás se falava trabalhador tal ou trabalhadora tal não tem empregabilidade lembra quinze anos atrás ninguém falava empreendedorismo nessa dimensão de repente o pessoal trabalhador percebeu ele faz de tudo para ter aspas empregabilidade qualificar e não tem trabalho agora a palavra digamos mundo é Mundial é empreendedorismo isso vai durar isso tem a ver com neoliberalismo individualismo possessivo mas o escritórios jurídicos tiveram papel importante para dizer como burlar a lei porque a Taíssa mostrou bem
a legislação em alguns casos é muito precisa Então como é que você faz quando a legislação impede você é burla Como fizeram as empresas Tá certo e como fazem as empresas Tá certo que burlam esse cenário dois como controlar Como saber que uma guigué que que é a Guig economia original é o bico Tá certo a economia de bico compartilhado o bico e tal como você sabe se uma se um trabalhador de plataforma Tá certo dessas empresas iFood rápido ele liberou nos Estados Unidos e na Europa Tá certo lift todas elas né 99 cabify todas
essas Facebook airbnb veja é imenso a Amazonas Amazon mecânica o turco mecânico entende Amazon mecânica quantos milhares de trabalhadores pelo mundo a Amazon tem que ela não reconhece a condição de assalariamente importante sem direito entende o que que acontece Como é que você sabe se esses trabalhadores são guide é bico ou são proletários o algoritmo o algoritmo sabe os dias as horas os minutos e os segundos que as trabalhadores e os trabalhadores trabalham Por que que as empresas não entregam os algoritmos para a Justiça do Trabalho elas de segredo Empresarial é porque esse é o
mapa da mina aí então contabilizar o cronômetro taylorista o relógio do Taylor do século 20 do nosso tempo é o algoritmo e o sistema de metas o sistema é uma coisa que nós vamos ter que enfrentar a meta é o inferno que adoece tá certa adoece nos leva ao aumento dos assédios Morais leva o aumento das depressões do trabalho nenhum trabalhador que eu entrevistei até hoje de plataforma deixou de dizer eu só paro de trabalhar quando eu chego na minha meta do dia teve um que disse que trabalhou 20 horas porque ele tinha que levar
tantos reais para casa e só quando ele chegou naquela meta ele levou outro me disse eu perguntei Quantas vezes você descansa na semana ou no mês ele nenhuma vez eu falei mas você não tem férias ele falou não eu cheguei um tipo de vida que dá para eu fazer eu paro todo dia meio-dia vou ao almoço com a minha filha levo ela pra escola volto trabalhar às 2 horas depois das 6 horas eu pego a minha filha da escola e levo para casa janto e volto e assim eu não tenho um dia de férias também
não é possível isso não é guia e economi e o último ponto é Adriana que eu acho muito importante que que tem a ver com que a Taíssa falou também além da experiência espanhola que as empresas perderam ela estão ameaçando sair da Espanha era jogam pesado elas querem corromper judiciário nós vimos outro dia e exemplos de uma dessas grandes empresas se tornou e saiu na grande imprensa britânica e entendimento Mundial corrompendo eles diziam nós temos relações diretas com os grandes governos do mundo é muito como ela disse Thaís é multi bilhar essa brincadeira é a
corrupção é pesada de modo que os governos de Judiciários sejam com descendentes muito bem Último Ponto o governo Lula está no seu primeiro teste de fogo o Lula é um trabalhador e a sua origem da classe trabalhadora ele sabe que entregador não é empreendedor e o seu governo está diante agora de uma situação regula e reconhece a condição de assalariamento ou mantém a bula o vilipêndio do empreendedorismo E agora tem um elemento fundamental sabe o que que vira isto Só tem um jeito da história da classe trabalhadora desde o século 18 para cá Só houve
Conquista quando ouvi luta tá nós não temos que ter ilusão se os entregadores não se mobilizarem por isso eles criaram agora esses dias ele tem participado a Associação Nacional dos entregadores eles têm que ter uma proposta certo que unifique uma categoria muito heterogênea né mas é possível não ter nenhum direito é possível ser um empreendedor eu já tenho depoimento E com isso eu termino que ele arrebentou todos nós conhecemos sair na empresa arrebentou o braço ele ligou para a empresa que não ia poder continuar trabalhando porque quebrou o braço o braço estava caindo a primeira
coisa que a empresa Perguntou mas você entregou a comida falou meu caro eu tô com o braço arrebentado Eu não entreguei porcaria nenhuma muito bem encurtar a empresa quando lhe pagou descontou dele a comida que ele não entregou ele foi para casa e se ele ficar seis meses parado ele tem que viver da cotização voluntária e solidária dos seus amigos porque não tem recurso pra sobreviver não é possível isso não é um nem dois isso são milhões no Brasil é encontrada ninguém sabe ao certo Quantos milhões e homens e mulheres trabalham como entregadores e e
o bagulho assim plataformizados em geral e o último ponto Eu brinco com o juiz do trabalho vocês quando vão julgar vocês não é trabalhador já pensa em que um dia a justiça do trabalho poderá ser organizar não é porque não neoliberalismo para que manter um Juízo ou uma juíza com estabilidade com recorte Eu lembro que do governo bolsonaro ele deixou de dizer claramente se eu puder eu acabo com a justiça do trabalho acaba quer dizer não vai ser nem obedizado por que que nós não temos trabalhadores professores plataformizados e belizados aqui porque nós exigimos a
ciência A reflexão e a pesquisa e isto para isso é preciso ter estabilidade alguém pode falar professor é antigo porque que esse e termina com isso por que que esse funcionário da Receita Federal travou amoamba que a família bolsonaro tava trazendo para se arrepiar porque ele tinha estabilidade ele não podia ser demitido porque se fosse um terceirizado se o presidente mandou ele na hora passa passa e vai prova porque que não fez porque tinha estabilidade Isso é ilegal não posso fazer senão eu tô eu tô burlando essas questões nós temos que repor são muitas questões
como disse a Taíssa a gente ficaria que horas e horas Enfim pelo conteúdo que vocês trazem a discussão de qualidade e pelo tema também né que é muito extenso a Taíssa falou anteriormente não aqui na nossa conversa a respeito do trabalho doméstico por exemplo também é uma questão [Música] você contrata uma trabalhadora doméstica um trabalhador doméstico entramos qualquer uma dessas centenas dezenas de empresas que você negocia para prestar trabalho amanhã qual é o discreto Charme desse trabalho como todos os belizados não tem nenhum direito se essa trabalhadora se acidentar vindo para casa de quem o
contratou e sofreu um adoecimento É problema dela e não é seja uma série de conquistas históricas estão ameaçadas né Professor E aí eu então Infelizmente eu vou vamos encerrar nosso debate maravilhoso maravilhoso sempre eu vou trazer uma um alerta não sei como que a gente pode chamar que o professor já fez em outra ocasião a respeito da urgência de uma reinvenção de outro modo de vida eu queria que você se concluíssem com um pequeno comentário a respeito disso Desse alerta do professor Ricardo Antunes obrigada eu vou falar brevemente para deixar a finalização para o professor
Ricardo que fará isso brilhantemente para finalizar e para pensar modos de uma nova sociabilidade eu gostaria de trazer um exemplo de algo que já está acontecendo então é algo que a gente ainda tem que pensar ou esperar o futuro eu quero citar o projeto que está acontecendo hoje pela Universidade Federal da Bahia que é o vida após Resgate que que é esse projeto é trabalhar com essas pessoas esses trabalhadores trabalhadores que foram escravizados que passaram por um processo de trabalho análogo a escravidão e que libertando-se disso e sendo reconhecido seus direitos não tem o que
fazer e nem para onde ir e muitas vezes acabam sendo reinseridos nessa mesma forma tristemente né então eu gostaria de citar essa luz né que essa nova sociabilidade que como o projeto vida após Resgate que tem um objetivo de devolver a cidadania para essa pessoa né devolver ela autoestima o alto valor a cidadania a consciência de que ela sofreu um processo de Ataque aos seus direitos fundamentais né E além disso é um projeto que Está incentivando que essas famílias dessa região se unam elas já se uniram numa Associação e elas estão conquistando um espaço que
é um pedaço de terra onde elas vão produzir todo tipo de alimentação orgânica então é um projeto lindo é um projeto que está acontecendo é um projeto que deve ser apoiado e ele deve ser Espraiado para todo o nosso território nacional para que essas pessoas possam gozar de políticas públicas consistentes após o Resgate Porque uma pessoa que recebe uma política de transferência de renda que tem uma perspectiva de se colocar no espaço de cidadania de ser revalorizada de ser reconhecida é como um cidadão um cidadã uma cidadã ela não vai de novo é ser tão
incauta e facilmente enganada ou ela não vai estar numa situação tal de vulnerabilidade social que para comer e para dar de comer aos seus filhos ela tem que se submeter a esse tipo de vilipend né então esse projeto para mim é o retrato de uma nova sociabilidade é criar discursos e práticas que vão resgatar essas pessoas no seu mais íntimo né no seu valor e dependendo também de políticas públicas que mexam realmente na reforma agrária que possam de fato colocar em vigor essa legislação Nossa que que a PEC mudou a constituição para dizer que aquela
propriedade flagrada com trabalho escravo contemporâneo deve ser expropriada para reforma agrária né que isso entra em vigor mesmo que saia do papel que saia do arcabouço legislativo para sua concretude e que mais propriedades sejam destinadas a movimentos que ao mesmo tempo em que resgatam a dignidade do trabalho produzem alimentos orgânicos alimentos saudáveis né uma economia sustentável Então eu penso que essa sociabilidade a nova sociabilidade que eu gostaria de ver aponta para isso para harmonia das relações de trabalho com o meio ambiente né Eu acho que a pandemia precisa ter nos ensinado alguma coisa não é
possível né Nós vemos na pande nós vimos na pandemia a pobreza e a miséria aumentarem de tal forma que aumentou-se muito trabalho escravo contemporâneo nós verificamos isso tanto nas pesquisas como qualquer um verificando os meios de comunicação né não é só uma percepção é Sutil é um dado concreto né Quanto mais vulnerável quanto mais pobre miserável uma população mais ela estará sujeita a essas formas de exploração Então eu penso que a sociabilidade é essa mudança dos discursos das práticas e de políticas públicas que apontem caminhos concretos para uma nova forma desses dessas trabalhadoras viverem né
a sua Plenitude a Plenitude dos seus direitos obrigada pelo convite mais uma vida Taísa Rocha ProUni muito bem a Taíssa mostrou né no plano micro cósmico uma questão Vital Tá certo eu vou tentar ir à sua questão porque eu tenho batido muito nessa tecla tá eu acho que eu tô uma das pessoas para o bem ou para o mal responsáveis por isso como é que nasceu isso no meio da pandemia olhando o horror eu eu tive um convite para escrever um trabalho sobre a pandemia disse eu não tenho nada de você sobre a pandemia eu
não não sou médico não sou infectologista né mas por vários motivos Acabei aceitando depois né pela provocação e porque eu tava fazendo eu devo ter feito 1.000 lives nos primeiros dois anos de pandemia adoeci por suposto não de covid mas adoeci você tal exaustão Mas enfim que que eu quero dizer com relação a isso a pandemia nos mostrou e a Taíssa terminou mencionando isso não é que a natureza chegou ao limite ao limite não é que a natureza daqui a 10 anos não nós vimos São Sebastião sofreu 730 40 mm de chuva em 24 horas
quando o máximo seria 300 nessa época do ano no mês bom isso aconteceu na China no metrô chinês anos quase um ano atrás ou perto disso na Alemanha as pessoas fugiram para os sótãos das casas soltas não subterrâneos porões para fugir da coisa do do do avalanche de água e foram e morreram eh digamos é como é que chama de porque num pela pelo volume de água que caiu sobre eles como é que você é afogado afogado na Alemanha nos Estados Unidos é uma sucessão então a natureza nós chegamos no limite e qual foi a
primeira constatação que esses encontros tem feito muito bem aquela militante Mundial muito blá blá blá né Vamos reduzir a energia fóssil que país efetivamente reduziu energia fácil depois veio a guerra Russo a invasão russa Ucrânia e a energia fóssil está se expandindo vamos reduzir energia de carvão a China tem uma potência enorme de energia de carvão e vários outros países e não há redução nenhuma é por isso que nós vimos recentemente eu acho que foram dados da ONU que eu li né dizendo assim nós estamos tendo em 2022 temperaturas no verão querem imaginadas para 2050
então o mundo chegou no fim do poço a natureza e a primeira coisa e é o exemplo Elementar O que que eu vi na pandemia quando houve lockdown as fábricas Pararam o transporte de automóveis das ruas parou e nós respiramos um ar melhor então tem que reduzir Tá certo a atividade de poluição que é ilimitada da China ao Brasil dos Estados Unidos a África do Sul é um problema Mundial dois o trabalho que Que Nós aprendemos nós falamos muito aqui do trabalho vou tratar de um ponto que nós não tratamos Nós aprendemos com Ana com
a pandemia que o trabalho que faz sentido eu trabalho que cria valores socialmente úteis os entregadores As entregadoras As Enfermeiras os médicos uma vez eu ouvi um trabalhador do hospital vocês falam tudo dos médicos das Enfermeiras esquecem nós que carregamos as marcas que pegamos os dois todo o trabalho do Complexo Hospitalar esse trabalho da reprodução que cria bem socialmente úteis Este é o trabalho não é o trabalho que produz bombas que nós devemos que incentivar não é o trabalho que produz automóveis um atrás do outro né Nós vemos aqui um Tiggo um antigo dois antigo
três volker quer dizer mais automóveis então eu não consigo mais andar em nenhuma capital do mundo nenhuma capital do mundo nós temos que pagar taxas altíssimas se queremos locomover eu transporte coletivo cada vez mais precarizados especialmente no nosso então reinve tem uma coisa elementar se nós temos milhões de trabalhadores e trabalhadoras que trabalham 10 12 e 14 16 horas por dia e temos centenas de milhões que não trabalham nenhuma hora por semana é redução profunda da jornada de trabalho é um ponto de partida e nem limável tá certo e três nenhum trabalho sem direito nem
atenção nem professor Ricardo Antunes tem dito nenhum trabalho sem direito e se o dono de uma dessas empresas que eu não acho o trabalho vocês conhecem alguma dessas empresas o Uber iFood Amazon delivery 99 cabify que os filhos dos trabalhadores estão trabalhando 12 e 14 16 do Filhos dos donos estão trabalhando no meu tempo viu Adriana a gente pensava assim eu quero o melhor pro meu filho né Eu quero que ele tenha um bom trabalho Por que que os donos da iFood não tem os seus filhos trabalhando 12 14 horas nas motos correndo risco mas
não são loucos os meninos estudando provavelmente né para seres se ouos um dia eu vou inventar um equivalente para o Senhor porque toda vez que eu lembro dessas chefe executiva eu fico eu tenho calafrios entendem o senhor é uma espécie de predador civilizado do mundo mas a predação nunca não combina com civilização entende e nós temos que ter uma igualdade substantiva nós estamos a servação da xenofobia tu homens do da homofobia Tá certo né ai as acerbação do racismo quer dizer é uma atrás da outra você citou também o caso do vereador lá né e
ele não é quer dizer nós tivemos um ex-presidente que era expressão acabada desse desse horror como é que você reinventa tudo isso até porque Reinventar um novo modo de vida não sabe assim eu vou lembrar que a Margarete é no sentido oposto dela Snow alternativo não tem alternativa nossos filhos não vão viver nós não teremos ar para respirar nós vamos adoecer nós estamos numa sucessão por isso que eu criei ideia viu pandêmico o sistema é destrutivo é incontrolável é letal é belicista e agora é uma pandemia atrás da outra e é uma atrás da outra
quantas cepas nós vamos ter da covid qual vai ser a próxima chikungunya isso voltando coisas que tipo quer dizer é um sistema que é destrutivo o ar tá destruído alimentação tá destruído os transgênicos estão aí as populações estão sendo depredadas nós vimos que se passou com as comunidades indígenas do Brasil nós temos que Reinventar um novo mal de vida foi o que eu aprendi na pandemia a pandemia me ajudou a pensar e se eu tenho ainda alguns anos de boa vida para poder pensar vou jogar a minha energia nessa direção é o que deve fazer
uma intelectual público que eu me considero e que tenho e que viveu a vida inteira Tá certo na universidade trabalhando com recursos da população trabalhador não é a empresa que paga nosso trabalho aqui é a população pobre a ela que nós temos que dedicar o retorno da nossa pesquisa isso para mim é um é um leite motive Sabe é um é um princípio Vital da pesquisa intelectual pelo menos para mim tá certo e eu sei que para muitos colegas e muitas colegas também como nós vimos aqui com a Thais e tantos outros tá bom muito
obrigado foi um prazer muito grande o tema é Vital e faremos certamente outros eu agradeço imensamente a presença da Thaíssa Rocha proni do professor Ricardo Antunes que aceitaram o nosso convite para debatermos esse tema tão importante tão cheio de de mudanças e que afeta tanto a nossa vida né Muito obrigada [Música] [Música]