Bora lá que tem muito assunto para que a gente eh possa refletir. A gente até escolheu aqui esse assunto quente que tem a ver com economia e tem a ver com política, né, que é a história do IOF. O ministro da fazenda, Fernando Hadad, explicou ontem pros presidentes da casa Algum Mota e Davio Columbre, que não tem outra alternativa e que se eles derrubarem o decreto do IOF, pode ter uma tragédia aí econômica no nosso país, um apagão.
Vamos ouvir o que ele disse. Expliquei também as consequências disso, eh, para em caso de não aceitação da medida, né? o que que acarretaria em termos de contingenciamento adicional.
Então nós ficaríamos um patamar bastante delicado do ponto de vista do funcionamento eh da máquina pública do estado brasileiro. Eu eu não eu não vim discutir a renovação, a revogação, porque o que tá sendo discutido é a revogação pelo Congresso. Ó, segundo Hadad, sem essa arrecadação, eh, que eles falam que deve dar mais ou menos em 20 bilhões de reais, será preciso cortar mais os gastos do orçamento.
E aí foi interessante porque hoje, agora a pouco, quem colocou nas redes sociais aí uma resposta ao governo foi o presidente da Câmara, Hugo Mota. Ele escreveu lá que está dando 10 dias pro governo apresentar outra alternativa. Eu não sei se a partir dessa dessa fala aqui de Hugo Mota, o governo vai apresentar alguma alternativa, porque ontem ele dizia que não tem alternativa.
E aí, Josias, tem ou não tem alternativa, hein? tem alternativa. A questão é saber se o Congresso eh está disposto a discutir as alternativas que são viáveis, né?
Ninguém disse ainda, Fabula, talvez por pena, mas o Fernando Hadad enfrenta algo muito parecido com um cerco. Por um lado, ele é fustigado pelo Congresso que ameaça derrubar esse penúltimo aumento de impostos eh anunciado pela fazenda que elevou o imposto sobre operações financeiras. E por outro lado, o ministro é desafiado pelo Lula.
O o chefe dele tá abrindo os cofres para recuperar a popularidade num instante em que o ministro quer cortar gastos. Tá cortando gastos. Cortou, congelou 31 bilhões em gastos na semana passada.
E o presidente tá percorrendo ontem mesmo eh no tava no Nordeste eh anunciando lá vale gás, energia gratuita, eh eh financiamento para eh recuperação, para eh reconstrução, reforma de casas populares. O Lula tá no modo eleição, tá operando no modo eh no modo populista para recuperar a popularidade. Então o Hadad está realmente eh submetido a um cerco.
Se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado na noite passada e saiu dizendo que em nenhum momento discutiu eh revogação da elevação do IOF. Né? E aí vem agora poucas horas depois, já na manhã desta quinta-feira, vem o presidente da Câmara, Hugo Mota, e leva as redes sociais, eh, o que na prática soou como ultimato, dizendo que o Ministério da Fazenda tem 10 dias para apresentar uma alternativa a essa elevação do IOF, chamou isso de gambiarra e falou que o Ministério da Fazenda precisa apresentar alguma coisa que evite essas gambiarras tributárias.
O Daviel Columbre já tinha declarado antes até do encontro na noite passada com o Fernando Hadad e os líderes governistas, estavam lá os líderes governistas também nessa conversa. Ele tinha dito que o governo tá tá querendo eh ultrapassar prativas do Congresso, porque essa elevação do IOF, esse tipo de imposto, eh pode ser aumentado, pode ser elevado por meio de decreto, não precisa passar pelo Congresso. Outros tributos precisariam do aval do do Congresso para uma qualquer elevação precisaria do aval do Congresso.
Então, o Davi Colume tava dizendo também, tratando isso como uma gambiarra, porque eu digo que há solução, Fabíula, eh, e que é preciso saber se existe disposição. O Fernando Hadad está levando à mesa de forma muito delicada eh o que eh se parece muito com uma caixa preta. No orçamento deste ano de 2025, o governo estimou que eh as isenções tributárias e isenções fiscais eh custariam ao estado eh R44 bilhões de reais.
Pessoas chamam isso de gasto tributário. Na verdade, isso aqui são mimos que eh o Estado brasileiro eh fornece a plutocracia nacional. Tem aí algumas coisas que são relacionadas ao simples, enfim, mas o grosso disso daqui é mimo tributário para pluto e o Ministério da Fazenda descobriu que esses 544 bilhões, em verdade pode ser muito mais, a cifra pode ser muito maior, pode chegar a R$ 800 bilhões deais.
Então a renúncia fiscal no Brasil pode chegar a R$ 800 bilhões deais. O ministério tá, o Hadad tá manuseando um levantamento que, eh, foi feito pelo Ministério da Fazenda, está ainda em fase de detalhamento, mas que mostra isso. Por que que o governo tá chegando a essa conclusão?
Porque no ano passado criou-se no Ministério da Fazenda um negócio chamado eh dirb, é declaração de incentivos, renúncias, benefícios e imunidades de natureza tributária. O que que é isso? é uma ordem da Receita Federal para que as empresas declarem, elas mesmos informar ao fisco quanto elas mastigaram em benefícios tributários, qual foi a o montante que a empresa usufruiu em isenções e e benefícios tributários.
E aí o governo tá descobrindo que a conta é muito maior do que imaginava. Só a agroindústria, por exemplo, o agronegócio eh informou por meio dessa dirb, dessa ordem da Receita Federal, informou que no ano passado usufruiu de 158 bilhões em benefícios tributários e a Receita Federal tava prevendo para este ano agora de 2025 que essa isenção do agronegócio seria de 83 bilhões. Só no ano passado já foi 158.
Então, há aqui uma subestimação do benefício que o estado dá ao agronegócio e assim também com outros setores, a zona franca, eh incentivos para projetos de infraestrutura. Então, o governo tá descobrindo que, na verdade, a isenção tributária chega a 800 bilhões. Se quiserem uma solução definitiva sem gambiarras, poderíamos tocar nesse vespero aqui, Fabía, agora, o que que tá acontecendo com o ministro eh Hadad?
Ele começou o mandato do Lula, o terceiro mandato, dizendo que ia caçar os jabutis tributários. E ele agora está sendo caçado pelos donos do jabutis, porque os os beneficiários desses eh dessa dessas isenções todas têm lobis fortíssimos no Congresso e ninguém admite discutir isso. Então, há formas, poderíamos discutir.
Dá para resolver o problema fiscal do governo, Fabulo, e ainda diminuir os impostos que a sociedade brasileira paga. Porque se você divide melhor o andor que todo mundo é obrigado a carregar, evidentemente eh o a sobrecarga sobre determinados setores vai ser menor. Agora, quem é que quer discutir isso?
Ninguém. Então, é melhor eh eles preferem submeter o ministro a uma a um cerco, eh, acusá-lo de manusear gambiarras do que discutir a sério esse tipo de coisa. Mas é preciso saber também se o o Fernando Hadad vai estar disposto a levantar esse debate.
É, é uma situação difícil pro Fernando Hadad nesse momento, né, Sacamoto, porque ele vai para essa reunião ontem, eh, conversa com eles, expõe ali a dificuldade em relação às contas, diz que esses 20 bilhões são extremamente necessários, que não existe outra saída. Eh, e aí na sequência, Hugo Mota diz: "Não, a gente não aceita, não concorda, é preciso arrumar uma outra alternativa". E ele dá um prazo de 10 dias.
E aí, então o problema é que o ministro Fan Hadad, né, eu concordo com com Josias, ele tá entre a cruz e a caldeirinha, não, ele tá sendo pressionado por dois lados e vai ser cada vez mais pressionado a medida que se aproxima as eleições de 2026. O governo Lula não quer criar caso com determinados setores econômicos. Então você não quer comprar determinadas brigas, não quer comprar brigas menores ainda com a parcela mais pobre da população.
Isso ele tá certo, né? Que já se estrepa diariamente e não deve ser tungada, né? Não deve ser pelo menos a primeira a ser tungada numa crise, mas sempre é.
Então o governo vai tentando eh manter aqui, ali, garantir, segurar os pratos. O Ministério da Fazenda vê os problemas que as contas não estão fechando, que o arcabolso não vai ser cumprido, sabe? Vê que isso significa dar uma sinalização ruim para o mercado, para o mercado de uma maneira geral, para investidores, para quem tá querendo investir no Brasil, que fica com pé atrás, né?
E aí no final das contas, eh, o Congresso Nacional também, do outro lado, o Congresso Nacional também não faz a sua parte, a sua não faz a sua lição. Eh, vamos lembrar todos e todos que lá atrás teve toda aquela discussão que o Hrad entrou, Hade entrou naquela briga por conta da reoneração daqueles 17 setores, né, a folha de pagamento, 17 setores que tinham obtido uma desoneração durante um bom tempo. O Hadad falou: "Olha, acabou a exoneração, bora cobrar de novo o imposto".
E aí o pessoal foi fazer gritaria, foi bater, os lobistas foram bater sola no Congresso Nacional, teve um monte de evento de empresas, né, eh, reclamando. A própria mídia bateu muito. Por quê?
Porque a mí, o jornalismo foram um dos beneficiados com esta eh desoneração e queriam manter a desoneração. Então, o que acontece é que o pessoal foi para cima dele, ele perdeu e o e até agora o Congresso Nacional não apontou da onde não ajudou a apontar da onde vai vir o dinheiro para repor este buraco que ficou com a com a manutenção da desoneração, não foi apontado. Então o que acontece?
O Congresso ele quer gastar também, ele tá pensando na sua reeleição do ano que vem. Ele quer emenda, emenda, emenda, dinheiro de emenda parlamentares. Quando o governo fala, ó, vou ter que também cortar a emenda.
Eles falam: "Não, nem com a vacaça, se vira, corta outra coisa". E aí, por outra coisa, corta proteção ambiental, corta proteção a povos tradicionais, corta proteção à água, corta questões ligadas à qualidade de vida das pessoas, mas não vai cortar a emenda porque a emenda é aquele montinho de dinheiro que ele quer mandar pra sua base para que ajudar prefeitos e vereadores, que serão seus cabos eleitorais no ano que vem. Então eles não querem.
Então o seguinte, o que que acontece? Fica aquela situação complicada. O o Josias bem falou, o Hadad já em entrevistas coletivas, ele falou: "Olha, tem dois pontos que vocês podem me ajudar, o legislativo e o judiciário.
" O legislativo no mais de meio trilhão de de renúncias e benefícios fiscais que foram concedidos, sendo que a própria Constituição brasileira aponta a necessidade de caminhar para apenas 2% de de benefícios fiscais, de de renúncias, né? eh, numa PEC aprovada ainda no governo Jair Bolsonaro, só que o Congresso naquela época agora não quer. Então é várias vezes maior esse número.
O pessoal não vai abrir mão. E quando a gente olha, Fabiola, que que é essas renúncias fiscais? Você tem setores econômicos que recebe, como o juiz colocou, tem a zona franca de Manaus, mas também tem outras coisas que atinge classe média alta, classe alta, que o pessoal não quer abrir mão.
Um exemplo que o inclusive eh eh o nosso colega, o Felipe Salt sempre fala, é a questão da dedução de gastos de saúde no imposto de renda. A dedução de gastos de saúde no imposto de renda é ilimitada na prática. Você pode colocar de acordo com o seu gasto.
Isso beneficia quem? beneficia classe média alta e classe alta que pagam por fora, que não usam SUS, né? Então, e isso são dezenas de bilhões também por ano.
Isso poderia ter entrado já, mas aí o governo ia comprar uma briga com um grupo social da que já não gosta dele. Ah, desoneração de empresa, o governo é comprar outra briga e por aí vai. Sempre tem uma briga para ser comprada.
Mesma questão do simples. O simples era para ajudar a microempresa, mas você tem empresas maiores, etc. , que ganham, faturam bem e também são beneficiadas.
Isso de um lado o e o Congresso não vai mexer nessas isenções. Por quê? Porque na prática muitos dos financiadores do Congresso e muitos dos próprios congressistas são empresários se beneficiam disso.
É a classe social deles. E por fim, o BPC, o benefício de prestação continuada, aquele salário mínimo pago para idosos e eh pessoas com deficiência em situação de miséria, é fundamental. precisa você continuar pago salário e salário mínimo.
O problema é que a justiça foi concedendo ao longo do tempo liminares, liminar, liminar, liminar para pessoas que não tinham conseguido porque não entravam no escopo do programa. Então hoje tem dezenas de bilhões de reais que são pagos de BPC que poderiam ser cortados e ajudariam nisso, mas a justiça não para de conceder liminar. Vocês estão entendendo?
Tem um ponto e aí o Hadad tem razão, tipo, todo mundo quer fechar a conta e é importante fechar a conta, mas no final ele é o culpado por não fechar a conta, só que todo mundo tá mantendo a torneira aberta e tá sendo de forma irresponsável. Eu não tô aqui defendendo o Haddad, o Hadad comete erros. A própria divulgação do IOF junto com outro pacote de de có de gasto foi um erro.
É, foi um erro craço, sabe? repeti um erro passado, dividiu, botar uma notícia boa, uma notícia ruim, separava, negociava com o Congresso, tem vários erros que foram cometidos, mas ele tá certo no ponto que não é só o Ministério da Fazenda, não é só o governo. E não adianta vir, vamos cortar aumento do salário mínimo, vamos cortar o andar de baixo, não.
É hora do Brasil cortar do andar de cima. Só que isso, Fabiola, é mais difícil do que o tal camelo passar pelo buraco da tal agulha. Achei interessante, vocês dois entraram bem nessa nessa parte econômica.
A gente vai tentar aqui ao longo do All News também trazer economista para nos trazer eh existe ou não alternativa. Os dois falaram sobre isso, os caminhos, né? Agora só muito rapidamente, ô Josias, do ponto de vista político, é bem complicado que a gente tá vendo nesse momento acontecer, porque a gente sabe que Hadad tem sido um alvo da oposição, né?
Eh, com outros episódios que aconteceram. Eles agora tão falando com todas as letras que vão derrubar eh o IOF. O próprio Hugo Mota disse isso, né?
Ele que até h pouco tempo tava ali ao lado do Lula, recebido pro Lula dessa maneira. Há neste momento uma crise entre o governo e o Congresso? É exagero falar isso.
Eh, olhando do ponto de vista político, como é que tá essa relação, Josias? É, a relação é ruim desde o início do governo, né? O governo não tem eh maioria no Congresso Nacional e mesmo aqueles partidos que foram cooptados e que se boletaram em ministérios, o partido do PP, por exemplo, do Artur Lira, do Ciro Nogueira, tá controlando até a Caixa Econômica Federal, mas esses partidos não se sentem mais eh obrigados a retribuir com votos no Congresso, porque eles adquiriram uma independência financeira, eh obtiveram essa independência por meio das emendas parlamentares.
Depois o o Congresso Nacional tá administrando só nesse ano eh alguma coisa em torno de R$ 60 bilhões deais. Isso deu a eles eh toda a possibilidade de financiar suas próprias reeleições sem a necessidade de dizer amém ao governo. Então, o governo tá nessa situação.
Agora, evidentemente, eh, há uma uma atmosfera eh complicada pro governo nesse momento, porque eh o que está em jogo agora é a desautorização da principal do da principal peça da explanada dos ministérios. O Congresso tá ameaçando desautorizar o ministro da Fazenda, que é o hoje o principal ministro do governo, né? Uma coisa é você eh criar uma crise pessoal com a Marina Silva, eh eh submetendo a ministra a uma cafagestada numa sessão da do Senado Federal.
Outra coisa é você derrubar Câmara e Senado numa operação eh conjunta, derrubar uma proposta que, se não ficar de pé eh significará aquilo que o os técnicos chamam de shutdown, que é o a interrupção eh a a do dos serviços que o governo presta à sociedade. O governo vai entrar em colapso, em resumo, é o que o Fernando Hadad está dizendo aos presidentes da Câmara e do Senado. E os dois estão dando de ombros e falando.
Então, arrume em 10 dias uma alternativa, senão vai cair. Já há, Fabíola, no Congresso eh duas dezenas de propostas de projetos de decretos legislativo para derrubar esse essa esse aumento do IOF. Há uma pressão também do sistema financeiro.
Ainda ontem estava a fina flor do sistema bancário. Febraban e presidentes das maiores casas bancárias do país, estavam em Brasília expondo eh ao expondo ao Ministério da Fazenda e também fazendo lobby no Congresso eh as suas restrições a essa elevação do imposto sobre eh operações financeiras. Dizem que levaram alternativas, mas não expuseram essas alternativas.
O Hadad se reuniu com esses banqueiros ontem, eh, o número dois eh, da fazenda também participou das reuniões e eles foram ao Congresso para pressionar. Então, se o Congresso derruba esse imposto, essa elevação do imposto sobre operações financeiras sem que se chegue a um acordo, a uma alternativa, isso significará eh uma uma paulada no do legislativo nas pernas do ministro da Fazenda. E hoje, Fabíula, eh, como dissemos aqui, o ministro tá sob cerco e o governo pioraria muito se, eh, nesse momento o Haddad chamasse o caminão de mudanças e dissesse: "Olha, deu para mim, tô indo para casa".
Se isso acontecesse, o governo estaria em maus lençóis, eh, pioraria a gestão pública e não seria bom pro país também, porque o ministro Fernando Hadad é um ministro bastante razoável, ele é sensato, eh, cordato, tem bons modos, eh negocia, algo que eh outros eh tentaram enfiar guela abaixo, ele sempre tem uma palavra eh em favor da negociação. Então, eh, convém ao Congresso chegar ao entendimento com o ministro. Ah, não dá o IOF, querem derrubar.
Que que vai pôr no lugar? É preciso encontrar alguma coisa, porque derrubar por derrubar, aí sim nós teremos uma crise se isso acontecer.