Olá, moçada! Tudo bem? Bom dia!
Sejam bem-vindos novamente. Hoje, dia 6 de março, com mais uma reflexão estóica, hoje uma meditação de Epicteto, intitulada pelos nossos autores de "Não conte histórias para você mesmo". Espero que todos estejam bem, que todos estejam em paz, moçada.
Vamos à leitura do trecho: "Em público, evite falar demais das suas realizações e urgências. Pois, por mais que gostes de contá-las, não é tão agradável para os outros ouvir sobre seus assuntos. Especialmente em época de redes sociais, nós passamos a sentir uma espécie de necessidade de projeção de tudo aquilo que nós somos e, especialmente, daquilo que nós não somos, para que os outros nos admirem de alguma maneira.
Os filósofos gregos antigos falavam que existem dois elementos na vida que frequentemente nos tiram do eixo de uma boa compreensão de nós mesmos e da realidade. Primeiro, é associar felicidade a bens materiais. Então, os filósofos sempre tiveram muito cuidado com relação a isso, dizendo: "Olha, ok, ter uma boa vida materialmente ajustada, mas não se torne escravo disso.
Não viva para isso! " A vida é curta demais para ficarmos o tempo inteiro acumulando algo que vamos deixar para outros, sem usufruir de uma reflexão mais profunda sobre essa passagem por aqui. A outra coisa é a tal da honraria, que é essa necessidade de criar uma reputação, uma espécie de admiração dos outros sobre nós.
Isso acaba criando uma série de distorções, né? A gente está sempre procurando alguma forma de mostrar aos outros como nós somos maravilhosos. Eu me lembrei que outro dia houve um professor universitário que ficou famoso no mundo inteiro porque fez um currículo com todos os "nãos" que ele recebeu na vida, com todos os fracassos dele.
Vocês podem dar um Google aí que vocês vão achar, é coisa de alguns anos. Ele falou: "Cara, minha vida não foi construída com os livros que eu publiquei, com os artigos que foram aceitos, com os convites para palestras em lugares legais. Não!
A minha vida foi construída muito mais com os 'nãos' que eu recebi, as negativas em pareceres de artigos para publicação, livros que não foram aceitos por editoras, problemas no meu departamento. . .
" É assim: "Cara, espera! A vida não é feita desses apelos sociais que nós buscamos reforçar a todo momento, dizendo tanto que nós somos maravilhosos. " E é realmente insuportável estar com uma pessoa que está o tempo inteiro tentando se reafirmar, dizendo o quanto ela é maravilhosa, o quanto ela é rica, que ela é chique.
Dizem que todo excesso esconde uma falta. Essa pessoa, como diria Sartre, muito provavelmente é aquela que, no banho sozinha, chora a mediocridade da sua existência. Porque, se você tem que passar uma vida inteira buscando o reconhecimento do outro, se legitimando pelo olhar do outro, você não é nada mais do que um escravo, um servo.
Vamos ao comentário dos autores. O filósofo moderno Taleb, e eu digo "filósofo" porque ele é um bom historiador, advertiu para a falácia da narrativa: a tendência a criar histórias reunindo fatos do passado não relacionados. Essas histórias, por mais que sejam prazerosas de criar, são enganosas por natureza.
Elas levam a uma sensação de coesão e certeza que não é real. Então, como você quer projetar uma imagem de inteireza, de sucesso? Você começa a fazer montagens com os elementos da sua vida para que as pessoas vejam como se fosse um filme, né?
Com começo, meio e fim, e meio que você esconde tudo aquilo que foi ruim ou negativo, mas que te moldou. Então, a gente vai colocar nas redes sociais as nossas desgraças, dos nossos "nãos", provavelmente, não. Mas também não romantize o seu sucesso.
Não romantize e não projete como se fosse uma coisa extraordinária um certo percurso. Se isso for muito empolgante, lembre-se de que, como Epicteto ressalta, há mais uma razão para não contar histórias sobre o seu passado. Sujeito que se entusiasma demais consigo mesmo, né?
É entediante, irritante e egocêntrico. Talvez o faça se sentir bem, dominar a conversa e fazê-la girar em torno de você, mas como acha que os outros se sentem? Não é absolutamente insuportável?
Vocês sabem do que eu estou falando. E aí, se a gente não gosta de ter pessoas assim por perto, não sejamos nós mesmos essa pessoa! Achamos que as pessoas estão mesmo gostando das glórias dos seus dias de futebol no ensino médio?
É este realmente o momento para mais uma história exagerada sobre suas proezas sexuais? Esforce-se ao máximo para não criar essa bolha de fantasia. Viva no que é real!
A filosofia estóica é essencialmente isso. A proposta estóica é essencialmente essa: viva no que é real, ouça outras pessoas e relacione-se com elas, mas não atue para elas, para que a gente realmente não seja escravo desse grande teatro que nós criamos para nós mesmos, para o nosso entorno. E celebremos aquilo que nós somos, do modo como nós somos, tentando, obviamente, melhorar sempre, mas sabendo dos nossos limites, dos nossos problemas, das nossas inconsequências e não tentando vender a imagem de um ser acabado, terminado, sem arestas.
Enfim, precisamos ficar atentos a esses detalhes. Curtam, comentem! Não se esqueçam de fazer isso, por gentileza.
A gente se encontra aqui amanhã para mais uma meditação estóica. Tenham um excelente dia!