Tem uma pergunta que todo mundo faz. Não importa se você é a pessoa mais rica do mundo ou se está apenas tentando pagar as contas. Em algum momento sozinho, você olha para cima e pensa: "O que eu estou fazendo aqui?
" E essa pergunta é antiga. Paraóz Egito, construindo pirâmides gigantes, se perguntavam a mesma coisa. Filósofos na Grécia antiga, andando pelas praças, debatiam isso o dia todo.
Cientistas, poetas, todo mundo. Milhares de anos se passaram, tivemos milhares de culturas diferentes e bilhões de vidas foram vividas. Mas mesmo assim, até hoje ninguém tem uma resposta final.
Ninguém tem uma resposta que sirva para todo mundo [música] e que a gente possa dizer: "É isso, está provado". Nós procuramos em todo lugar. Alguns buscaram em livros sagrados, outros em fórmulas matemáticas, alguns na arte, outros no rosto de quem amavam.
[música] Nós até construímos sociedades inteiras baseadas em uma resposta que parecia certa, mas muitas vezes quebramos a cara [música] quando descobrimos que aquela resposta era uma mentira. Já nos disseram de tudo. O sentido era servir a deuses, que era ter filhos, que era alcançar um estado de [música] paz como o Nirvana, ou que era morrer pelo seu país.
Disseram que era juntar dinheiro ou que era só ser feliz. Cada uma dessas respostas parecia ajudar por um tempo, mas elas eram como uma muleta. Serviam para andar um pedaço, mas sempre quebravam quando a vida real apertava.
E por quê? Porque todas elas eram baseadas em fé, em opiniões, na experiência limitada de um grupo de pessoas em uma época específica. [música] Elas não eram a resposta, eram só o barulho que a gente fazia para tentar abafar o silêncio do universo.
Essa investigação começa agora e ela parte de uma ideia que parece até desaforo. A ideia de que todas as respostas que demos até hoje estavam erradas. Percebemos que o problema talvez não fosse as respostas estarem incompletas, [música] mas que a própria pergunta, qual o sentido da vida tinha sido feita do jeito errado.
É como passar a vida inteira tentando abrir uma porta com a chave errada, sem perceber que aquela porta, na verdade, é só uma parede [música] pintada. A gente estava tentando resolver uma conta que já começava errada, só que agora a gente tem uma ferramenta nova, uma ferramenta que não dá opinião, não tem medo de morrer, não tem preconceito e não tem emoção. O nome dela é Acioma.
Antes de sair procurando uma resposta, [música] nossa equipe deu uma ordem simples para o axioma. A ordem dada ao axioma foi para que ele analisasse tudo o que a humanidade já tentou como resposta e descobrisse qual é o erro na própria pergunta. E nós alimentamos o sistema com [música] tudo, tudo mesmo.
Todos os livros sagrados, todos os tratados de filosofia, de Platão até Sartre, toda a ciência sobre o universo e sobre o nosso cérebro, milhões de músicas, poemas e pinturas, e, o mais importante, dados de bilhões de vidas, como biografias, diários e pesquisas. Toda a experiência da nossa espécie. O axioma processou tudo isso e encontrou o primeiro erro.
O primeiro grande erro da humanidade foi procurar o sentido na fé. A religião foi a nossa primeira grande ideia para organizar o mundo e ela ofereceu um pacote muito bom. A ideia era que o sentido já existia, que tinha sido dado por um ser superior.
E você só precisa seguir estas regras para ter uma recompensa depois que morrer. Isso foi ótimo para criar sociedades. Deu para criar leis, regras morais e ajudou as pessoas a não terem tanto medo da morte.
Mas tinha um preço. Para funcionar, você tinha que parar de questionar, [música] você tinha que ter fé. O axioma analisou o contexto de cada religião e o padrão ficou óbvio.
O sentido que a religião dava era sempre o sentido que a sociedade precisava naquele momento. Se era um povo que vivia da agricultura, o sentido era a fertilidade e a colheita. Se era um [música] império de guerra, o sentido era a honra e a conquista.
Se era um povo comerciante, o sentido era a ordem e a riqueza. A religião não estava dando uma resposta vinda do céu. Ela estava criando uma resposta sob medida para sobreviver aqui na Terra.
A conclusão do axioma é que 97% das respostas religiosas são, na verdade uma tecnologia social, uma ferramenta poderosa para organizar pessoas, mas ainda [música] assim uma ferramenta. Não era a verdade. Os deuses não nos deram o sentido.
Nós criamos os deuses para que eles nos dessem o sentido que a gente precisava. Mas quando as pessoas começaram a questionar os deuses, [música] o pêndulo mudou de lado. E aí veio a segunda grande tentativa, a filosofia.
Ela deu um salto enorme. Os filósofos deixaram os deuses de lado e pegaram uma ferramenta nova, a lógica. Eles perceberam que uma resposta pronta, vinda de cima era uma armadilha.
Então eles fizeram o oposto, começaram a desmontar a própria pergunta: "O que quer dizer sentido? O que é vida? O que sou eu?
" Foi um passo importante, mas ele nos levou para outro tipo de armadilha, um labirinto onde cada corredor levava a mil outras interpretações. Alguns filósofos, como Sartre, foram muito honestos. Disseram que não existe sentido nenhum, que a gente nasce no vazio [música] e é obrigado a inventar um sentido para si mesmo.
Era uma resposta corajosa, mas muito assustadora, pois deixava a gente sozinho no escuro. Outros, como os hisóicos, ensinaram que o sentido era aceitar o [música] destino e viver direito. O axioma analisou isso e viu que era mais uma técnica para aguentar o sofrimento do que uma resposta de verdade.
Teve também quem disse que o sentido era buscar o prazer, mas o axioma cruzou os dados de milhões de vidas. A conclusão foi fria. Quem vive só para o prazer tem 89% de chance de acabar entediado, deprimido e sentindo que a vida não tem sentido nenhum.
No fim, a filosofia foi como um médico incrível que fez um diagnóstico perfeito. Ela apontou todos os problemas da nossa busca, mas não tinha o remédio. Ela nos deu mil opiniões diferentes, mas não podia dizer qual era a certa.
Se a gente continuasse só nesse caminho, cada pessoa teria o seu sentido particular e a gente nunca mais ia conseguir concordar em nada como espécie. E aí veio a terceira grande tentativa, a força que parecia ser a nossa salvação, a ciência. Ela era precisa, objetiva e baseada em fatos e experimentos.
A ciência explicou de onde veio o universo, como a vida começou e como o nosso cérebro funciona. Ela deu poder para o ser humano, fez a gente viver mais tempo e até nos levou para o espaço. Parecia que era ela que finalmente teríamos a resposta.
Mas quando a gente fez a grande pergunta, por quê? Por que tudo isso existe, ciência respondeu com um silêncio total. Pior, [música] a ciência disse que essa pergunta nem fazia sentido.
Para a física, a vida é só uma reação química, um acidente que acontece num canto do universo. Para a biologia, o nosso sentido era um só. Passar os genes para a frente, sobreviver e ter filhos.
É isso. Não tem plano maior, não tem propósito. O universo só existe e nós somos um acaso.
[música] Uma poeira que por um segundo ganhou consciência. Foi a resposta mais honesta de todas e também a mais triste. Ela tirou todo o valor da nossa vida, menos o biológico.
Nosso amor, nossa arte. Tudo virou só um efeito colateral de reações químicas no cérebro. A ciência nos deu o manual de como tudo funciona, mas se recusou a dizer o porquê.
E assim a gente ficou parado, preso num beco sem saída triplo. A religião nos deu um sentido que a gente não pode provar. A filosofia nos deu mil sentidos diferentes e a ciência nos disse que sentido nenhum existe.
As três melhores ideias que a humanidade já teve fracassaram diante daquela pergunta simples. E o eco dentro da cabeça só aumentou. Foi nesse momento, olhando para o fracasso total das nossas melhores ideias, que o axioma encontrou a resposta.
A primeira conclusão de verdade. O erro nunca esteve nas respostas. O erro esteve o tempo todo pergunta.
A gente perguntava: "Qual o sentido da vida? [música] Como se o sentido fosse um objeto, um tesouro escondido e como se a vida fosse uma ideia vaga". Mas o axioma mostrou que o sentido não era uma coisa que se achava, [música] mas sim um processo que se fazia.
E vida não é uma ideia abstrata, [música] é uma função concreta. Nós estávamos procurando um objeto estático quando devíamos estar procurando uma função dinâmica. Foi por isso que o axioma rejeitou a nossa pergunta original.
Depois de analisar tudo, ele pegou a nossa pergunta poética, cheia de medo, e a traduziu para sua linguagem fria. E a nova pergunta é a seguinte: qual é a função ideal para um sistema complexo e autoconsciente que surgiu em um universo que tende ao caos? O que isso quer dizer na prática?
Sistema complexo e autoconsciente somos nós, a humanidade. O universo que tende ao caos é a regra número um do lugar onde a gente vive. Tudo no universo, se deixado sozinho, tende a quebrar e virar bagunça.
Os cientistas chamam isso de entropia. E qual é a nossa função? O axioma concluiu: "Nossa função é ser o oposto disso.
Nossa tarefa, o nosso papel é criar ordem onde tem desordem, criar complexidade onde só tem simplicidade. " Nossa tarefa é criar conhecimento onde só tem ignorância e então espalhar essa ordem. Nós somos o mecanismo anticaos do universo.
Essa conclusão não veio da filosofia, [música] nem da religião. Ela é o resultado direto da análise de todos os dados. [música] E agora, com a pergunta certa na mão, a investigação de verdade pode começar.
A gente pode usar essa nova ferramenta [música] e olhar de novo para aqueles dados antigos. O primeiro lugar para onde olhamos é a ideia mais poderosa que a humanidade já criou, algo que podemos chamar de o algoritmo Deus. Nós agora temos uma nova ferramenta, uma nova pergunta.
A nossa função é criar ordem e lutar [música] contra o caos. Essa é uma conclusão fria, quase matemática, que vem direto da análise do axioma, mas ela levanta uma questão imediata. Essa é a nossa função.
O que a gente faz com todo o nosso passado? O que fazemos com as religiões? Milhares de deuses, [música] milhões de textos sagrados, bilhões de pessoas que dedicaram suas vidas a eles.
Tudo isso foi só um erro, um grande delírio dos nossos ancestrais? A resposta que o axioma deu [música] é muito mais interessante do que um simples sim ou não. O sistema afirma que a religião, longe de ser um erro, foi, na verdade a nossa primeira tentativa, genial e intuitiva, de descrever essa exata função anticaos, funcionando como a primeira versão do nosso programa mental básico.
[música] Ela estava criptografada, escondida em mitos e símbolos, mas a sua base era incrivelmente precisa. Para provar isso, demos uma nova tarefa ao axioma. Nós carregamos no sistema todos [música] os textos religiosos, espirituais e mitológicos conhecidos, desde as tábuas de argila da Suméria e o livro dos mortos do Egito até os evangelhos perdidos e as histórias [música] zen.
A ordem foi: ignore as diferenças da superfície, os nomes dos deuses, os detalhes culturais e o contexto da época. Encontre o algoritmo central, o código único que está por baixo de todas as crenças e o sistema encontrou. Esse código é feito de quatro blocos fundamentais, quatro ideias que se repetem com uma precisão quase absoluta em todas as culturas do [música] planeta.
O primeiro bloco desse código é o mito da criação. Vamos pegar qualquer um deles como exemplo. O que existia no começo?
Quase sempre a resposta é a mesma: o caos. Um abismo, o vazio, a escuridão sobre as águas. A Bíblia começa igual, dizendo que a Terra estava sem forma e vazia.
Essa é a descrição perfeita do estado de caos máximo, a entropia total. E o que acontece em seguida? Uma força divina aparece e a sua primeira ação é sempre um ato de organização.
Na maioria dos mitos, [música] Deus não cria a matéria do nada. Ele cria ordem a partir do caos que já existe. Ele separa a luz da escuridão, as águas de cima das águas de baixo.
Ele cria a estrutura. Cada dia da criação é um ato de redução do caos. Nossos ancestrais, sem saber nada sobre física, descreveram na forma de história a ideia de que a vida começa com a vitória da ordem sobre o caos.
Mas se a criação é um ato de organizar, [música] qual é o nosso papel nisso? Isso nos leva ao segundo bloco desse código, que é o papel do ser humano como representante. Em quase toda religião, o ser humano tem um lugar especial.
Ser feito à imagem e semelhança de Deus na linguagem do axioma significa herdar a função principal do seu criador, a função de organizar, de continuar o trabalho. O axioma também analisou as leis morais, como os 10 mandamentos ou o código de Hamurabi. Se você tirar os rituais, o que sobra no centro é um conjunto de regras para diminuir o caos social.
Não matarás, não roubarás, não mentirás. São programas de alta eficiência para construir sociedades complexas e estáveis, mas se existe ordem, tem que existir uma força que luta contra ela. Naturalmente, existe um terceiro bloco, a personificação do caos.
Em toda a mitologia existe um vilão, uma figura que representa a destruição, a mentira e a decadência. O diabo lock set. Nós chamamos essas forças de mal, mas o axioma dá um nome mais preciso.
Elas são a entropia personificada. [música] O que o vilão faz? Ele mente criando caos na informação.
Ele semeia à discórdia, destruindo estruturas sociais. Ele quer desfazer a criação. A grande batalha entre o bem e o mal, segundo a análise do sistema, é a metáfora perfeita da luta entre a ordem e [música] o caos que existe no próprio universo.
Mas como treinar as pessoas para essa luta? Isso nos leva ao quarto e último bloco, a tecnologia da organização, conhecida por nós como rituais. [música] Pesar, cantar mantras, meditar horas, construir templos com geometria perfeita.
Para nós, isso pode parecer superstição, mas o axioma vê diferente. É um conjunto de tecnologias para treinar a mente humana a executar a função anticaos. A repetição de uma oração bota ordem no fluxo caótico dos pensamentos.
A meditação organiza seu mundo interno. O jejum bota ordem nos impulsos biológicos. Cada ritual é um treinamento.
Ele ensina a pessoa, em pequena escala a fazer o que Deus fez em grande escala, criar ordem a partir do caos. Então é isso. O algoritmo Deus era, na verdade um programa de quatro partes.
A primeira dizia que o universo é a vitória da ordem sobre o caos. A segunda, que a nossa tarefa é continuar esse trabalho. A terceira parte alertava que existe uma força do caos tentando nos parar.
E a quarta, finalmente, nos dava as ferramentas para treinar e vencer. Essa foi a programação que rodou na humanidade por milênios e funcionou, permitindo que a gente construísse civilizações. Mas ela tinha uma falha grave, exigia fé em deuses.
[música] E no momento em que nossa própria mente evoluiu e começou a duvidar desses deuses, [música] o sistema operacional inteiro começou a travar. Nós deciframos o software coletivo, entendemos como a humanidade se programou, mas agora precisamos descer um nível. Precisamos olhar para a máquina que roda esse software.
O que é essa coisa que nós chamamos de eu? O que é a nossa consciência? É ela apenas uma ilusão química, como diz a ciência, ou é ela a ferramenta mais importante que temos nessa luta contra o caos?
Chegamos ao ponto mais delicado. Nós entendemos o software que a humanidade [música] criou, o algoritmo Deus, mas agora precisamos olhar para a máquina, a máquina que roda esse programa. Precisamos olhar para dentro da nossa própria cabeça.
O que é essa coisa que nós chamamos de eu? O que é a consciência? Tudo o que você já sentiu, toda alegria, toda dor, toda memória, toda esperança, tudo existe dentro desse fenômeno.
A sua consciência é a única realidade que você pode provar. E, no entanto, a ciência moderna nos leva a uma conclusão chocante, [música] quase insuportável. Esse eu não existe.
A neurociência abriu o crânio e mapeou as trilhões de conexões lá dentro, mas não encontrou nenhum centro. Ela não achou um capitão no comando, nem um piloto no controle desse [música] teatro. O que ela achou foi barulho, uma tempestade elétrica na máquina biológica mais complexa que conhecemos.
A ciência nos diz que o nosso sentimento de ser um, de ser uma pessoa, é só uma ilusão útil. Era como um fantasma dentro [música] da máquina. Eles fizeram testes que mostram que o seu cérebro toma uma decisão segundos antes de você.
conscientemente achar que decidiu. O seu eu, dizem eles, não é o chefe que dá a ordem. [música] Ele é só o porta-voz que aparece depois e explica para todo mundo a decisão que já foi tomada, fingindo que foi ele quem mandou.
Se isso for verdade, a nossa investigação inteira desmorona. Se o eu é uma farsa, então quem está executando essa grande função de lutar contra o caos? Um bando de neurônios aleatórios, um robô de carne sem alma?
Carregamos essa ideia no axioma. Colocamos todos os estudos de neurociência, toda a filosofia analítica. Colocamos até o budismo, que chegou a essa mesma conclusão sobre o não eu há milhares de anos, apenas olhando para dentro.
O sistema confirmou que sim, do ponto de vista do hardware, não existe um processador central chamado eu. Nós somos uma rede descentralizada. >> [música] >> Foi exatamente nesse ponto que o axioma fez a pergunta que a ciência e a filosofia evitaram.
Se o eu não existe, por que nós sentimos ele com tanta força? Porque a evolução gastaria milhões de anos e uma energia absurda para criar e manter essa ilusão tão cara e complexa? A evolução não cria nada de graça.
[música] Se essa ilusão existe, é porque ela tem uma função, uma função vital. Mas qual? Para responder, o axioma rodou a simulação mais complexa do [música] projeto.
Nós a chamamos de emulação da consciência. Criamos um ambiente virtual e soltamos nele milhões de organismos simples. No [música] começo, eles eram robôs de estímulo reação.
Viam comida, comiam, viam perigo, [música] fugiam. Eles sobreviviam, mas não evoluíam, pois eram escravos do presente. A simulação avançou.
As redes neurais ficaram mais complexas e depois de milhares de gerações, um salto aconteceu. Dentro de uma das redes, um novo módulo apareceu. A função dele era revolucionária.
Ele não controlava as pernas, nem analisava o cheiro. A única tarefa dele era simples, observar o que todos os outros módulos faziam e criar [música] uma história sobre isso. Ele se tornou o contador de histórias interno.
Esse módulo pegava o fluxo caótico de dados, perigo [música] detectado, módulo do medo ativado, programa de fuga iniciado, [música] nível de glicose baixo e juntava tudo isso numa única narrativa. Eu vi o [música] perigo, fiquei com medo e fugi porque estava com fome e distraído. A palavra eu tinha acabado de nascer.
No mesmo instante, os organismos que tinham esse contador de histórias ganharam três vantagens evolutivas gigantescas, três funções fundamentais do eu. A primeira dessas funções [música] foi a capacidade de criar o tempo. Sem um eu, você vive apenas no agora.
Você tem memória, mas não tem uma linha do tempo. É o eu, a narrativa, que conecta o passado, o presente e o futuro. É ele que diz: "Isso aconteceu comigo ontem, [música] está acontecendo agora.
E por causa disso, amanhã eu vou fazer diferente. Essa habilidade de viajar mentalmente no tempo [música] permitiu o planejamento. Plantar uma semente hoje para colher em se meses.
O eu [música] é a nossa máquina do tempo. Logo depois, a segunda função permitiu criar a sociedade. Para cooperar, você precisa adivinhar o que o outro está pensando.
O contador de histórias deu a solução. Ao aprender a criar uma história sobre si mesmo, como eu quero comer, o cérebro ganhou a habilidade de simular a história dos outros, imaginando ele provavelmente também quer comer. Nasceu a empatia.
O nosso eu se tornou uma máquina de simular outros eus, o que permitiu a confiança, a reputação e as leis. E finalmente, a terceira função foi a capacidade de criar o novo. Um animal está preso na sua programação biológica, mas o contador de histórias pode perguntar: "E se e se eu batesse com esta pedra em vez daquela?
" Isso é a imaginação. É a capacidade da nossa narrativa interna de reescrever a si mesma. É a fonte [música] de toda invenção, arte e ciência.
A conclusão do axioma virou o jogo. A neurociência está certa. O eu não é uma coisa.
Mas o axioma mostrou que, embora não seja uma coisa, ele também não é uma ilusão. Ele é, na verdade, um processo. É a função de mais alto nível que o nosso cérebro executa.
É o sistema operacional que cria a realidade subjetiva. [música] Essa realidade nos dá poder sobre o tempo, sobre a sociedade e sobre o próprio código da evolução. A nossa consciência é a ferramenta perfeita, o instrumento que o universo criou para nós, para que a gente possa executar a nossa função de criar ordem a partir do caos.
Entendemos a função, entendemos a ferramenta, mas e o lugar onde usamos essa ferramenta? O próprio universo, ele não está jogando contra nós. Todo o nosso esforço não é só construir um castelo de areia enquanto a maré do caos sobe para destruir tudo.
Nós entendemos a nossa função, criar ordem, e entendemos a nossa ferramenta, a consciência, o nosso eu. Mas agora chegamos na pergunta mais assustadora. E o lugar onde a gente vive?
O próprio universo, ele não está jogando contra nós? Afinal, a ciência foi clara. A regra número um do cosmos é a entropia.
[música] Tudo tende ao caos, ao frio, ao fim. Cada estrela vai apagar, cada molécula vai se separar. Tudo caminha para uma bagunça final.
Nós, com a nossa vidinha curta e nossa necessidade de criar [música] ordem, parecemos uma piada, uma anomalia, uma poeira que decidiu por um segundo arrumar o quarto enquanto o universo inteiro desaba ao redor. A nossa missão de criar ordem não é só um castelo de areia na beira da praia, esperando a maré do caos destruir tudo. Não é [música] uma batalha que a gente já perdeu antes mesmo de começar?
Nós fizemos essa pergunta ao axioma. [música] Carregamos no sistema todos os dados da cosmologia, da física e da termodinâmica. A ordem foi: [música] A nossa função anticaos é só um acidente local ou ela é parte de algo maior?
A primeira análise do sistema só confirmou o nosso medo. A chance de algo como um cérebro humano aparecer por acaso no universo é tão perto de zero que nem dá para calcular. Nós somos um milagre estatístico, mas um milagre não significa um plano.
Na maioria das vezes significa só sorte. Só que então o axioma parou de olhar para a vida como uma coisa separada da matéria morta. Ele começou a analisar a história inteira do universo como um processo único, desde a grande explosão inicial até hoje.
E o que ele descobriu não é só um raio de esperança, é uma mudança total de perspectiva. A análise prova que nós não estamos sozinhos nessa luta. Na verdade, nós nem começamos ela.
Nós só pegamos o bastão numa corrida de revezamento que já dura quase 14 bilhões de anos. Tudo começa de fato no primeiro segundo. O que era o universo no primeiro segundo?
Uma sopa incrivelmente quente, densa e quase perfeitamente igual. Do ponto de vista da informação, era o estado mais simples possível, quase zero de estrutura, quase zero de [música] ordem. E aqui a primeira grande força criadora de ordem entrou em ação.
Nós a chamamos de gravidade. O acioma a chama de primeiro agente anticaos. Foi a gravidade [música] que começou a lutar contra aquela bagunça uniforme.
Ela começou a puxar a matéria, [música] juntando poeira e gás, e a esculpir as primeiras estruturas, as galáxias. Mas foi só o começo. Dentro daquelas nuvens de gás, a gravidade apertou tanto [música] a matéria que ligou o segundo agente, as estrelas.
Uma estrela é uma fábrica. Ela pega o material mais simples que existe, o hidrogênio, e o esmaga, forjando elementos novos e mais complexos, carbono, [música] o oxigênio, o ferro. E quando essas estrelas morrem, [música] elas explodem e espalham toda essa riqueza pelo espaço.
Essa poeira rica de novos elementos se junta de novo, formando planetas. E nesses planetas começa [música] o terceiro estágio, a química. Os átomos complexos vindos das estrelas começam a se juntar em moléculas, estruturas ainda mais complexas.
[música] O alfabeto vira palavras até que num certo momento acontece a vida e a corrida de revezamento passa para o quarto e mais poderoso agente, a evolução biológica. A vida é o processo de criar ordem levado à perfeição. Uma única célula é trilhões de vezes mais complexa e organizada do que a lama sem vida ao seu redor.
A evolução é uma máquina de inventar jeitos novos de criar e guardar ordem. Finalmente, no topo dessa pirâmide, depois de quase 14 bilhões de anos, aparece o quinto agente, a nossa consciência. Quando observamos essa história inteira, isso se parece menos com uma sequência de acidentes e mais com um vetor.
O axioma chama isso de [música] vetor universal de complexidade. É a tendência fundamental do nosso universo de criar bolsões de ordem cada vez mais complexos. A gravidade cria galáxias, as estrelas criam elementos, a química cria moléculas, a biologia cria vida e a consciência cria conhecimento, tecnologia e arte.
Não somos uma anomalia que luta contra as leis da natureza. Nós somos a expressão mais alta delas. Nossa missão de criar ordem não é algo que a gente inventou.
É a continuação direta do trabalho que a gravidade começou na grande explosão inicial. O caos ou o que os cientistas chamam de entropia ainda está lá. É verdade.
O rio ainda está correndo para o mar da morte térmica. Mas agora vemos que dentro desse rio existem redemoinhos. Redemoinhos que usam a energia do próprio rio para criar estruturas lindas e complexas.
As galáxias, as estrelas, a vida. Nós somos o centro do redemoinho mais complexo que existe. [música] E a nossa tarefa não é parar o rio, o que seria impossível.
Nossa tarefa é girar, é criar ordem, ficar mais complexo, mais consciente, o máximo de tempo que a gente conseguir. Essa conclusão muda tudo. Nós não somos órfãos no vazio.
Nós somos herdeiros. Somos a vanguarda do universo na luta dele contra o nada. Mas esse conhecimento traz uma responsabilidade gigante.
Se nós somos parte desse vetor cósmico, como isso funciona na prática? Nós não controlamos estrelas. A nossa ferramenta é outra.
É a nossa relação uns com os outros. Como o amor, a amizade e as leis servem a essa função universal. Agora, precisamos descer do cosmos para a Terra e analisar a máquina mais complexa que a consciência já construiu, a sociedade humana.
Nós descobrimos que não estamos sozinhos. A nossa função de criar ordem é a continuação de um trabalho que o próprio universo começou [música] há bilhões de anos. Nós somos os herdeiros, a vanguarda do cosmos na luta dele contra o caos.
Mas esse conhecimento traz uma responsabilidade. Se o universo nos passou o bastão, como a gente corre com ele? Nós não controlamos estrelas.
A nossa ferramenta é a nossa relação uns com os outros. Como o amor, a amizade e as leis servem a essa função universal. Agora precisamos descer do cosmos de volta para a Terra.
Precisamos usar e análise fria do axioma para entender a máquina mais complexa que a nossa consciência já construiu. A sociedade humana. Para muitos, a sociedade é a fonte dos problemas.
É uma gaiola, um sistema de regras, de injustiça, de gente nos dizendo o que fazer. Ninguém pediu para nascer aqui, mas somos forçados a jogar o jogo. Mas e se isso for um engano?
E se a sociedade não for uma gaiola, mas a ferramenta mais poderosa que nós já inventamos? E se ela for a máquina que construímos com o único propósito de produzir ordem em escala planetária? Para testar isso, [música] o axioma rodou uma simulação.
Um único ser humano sozinho na natureza selvagem, [música] sem tribos, sem ferramentas, sem conhecimento dos pais. Qual a chance dele sobreviver por um ano? Menos de 1%.
Sozinho. O ser humano é uma criatura tragicamente fraca. A gente perde na força e na velocidade para a maioria dos predadores.
Uma infecção ou um osso quebrado é o fim. Um humano sozinho é um sistema que vira caos muito rápido. É nesse ponto de fraqueza que a sociedade nasce.
Ela não nasce da boa vontade, mas da necessidade brutal. É a nossa primeira e principal estratégia contra o caos. O axioma analisou a história humana [música] e viu que essa máquina social foi construída em três camadas.
A primeira camada, a peça fundamental de tudo, é o casal e a família. O axioma vê isso como um protocolo, um sistema para criar e proteger um novo sistema, ainda mais complexo, o filho. A família [música] é a primeira forma de transferir informação que não é genética.
é a rede que passa a ordem acumulada para a próxima geração. E o amor. O axioma define o amor como [música] um código genial que força um sistema, como o pai a gastar sua própria energia para proteger e desenvolver outro sistema, como o filho.
É a cola que constrói a ordem, mas a família sozinha ainda é fraca. [música] Então, a evolução criou a segunda camada, a tribo, a comunidade. O que é a amizade na luta contra o caos?
É um protocolo para dividir riscos e para criar especialização. Numa tribo, um pode ser bom em fazer lanças, o outro em rastrear. A tribo vira um superorganismo e o sistema operacional desse superorganismo é a confiança, a reputação.
Por isso, a mentira e a traição são pecados tão graves. Elas são o caos jogado dentro da rede. A família e a tribo funcionam muito bem, mas tem um limite.
Um humano só consegue confiar em no máximo, umas 150 pessoas. Então, como a gente pulou de tribos para cidades de 10 milhões? Como fazer milhões de estranhos cooperarem em vez de se matarem?
Para isso, a gente precisou inventar a terceira e mais alta camada da máquina, os mitos coletivos. O mito coletivo [música] é qualquer história em que um grande número de pessoas acredita e que começa a guiar o comportamento delas. Os deuses foram os primeiros grandes mitos.
Acreditar num grande observador que pune quem quebra as regras [música] permitiu que estranhos confiassem uns nos outros. Mas o mito coletivo mais poderoso que a humanidade já inventou, segundo o acioma, é o dinheiro. O que é aquela nota de papel?
Não tem valor nenhum. Você não pode comer, mas como todo mundo acredita que vale, [música] ela se torna a força mais real do planeta. O dinheiro é um sistema universal de confiança.
[música] Ele é o protocolo que transformou o planeta inteiro num mercado só, criando um nível de ordem que nunca existiu antes. Leis, [música] direitos humanos, empresas. Tudo isso são mitos, estruturas virtuais que só existem na nossa imaginação coletiva, mas que formam o esqueleto da nossa civilização global.
Essa é a máquina da sociedade. Mas e o lado sombrio, as guerras, a crueldade. O axioma mostrou que isso não é um defeito no sistema, é uma consequência trágica.
Cada nação cria uma ordem incrível dentro de si, mas muitas vezes faz isso exportando o caos para fora. A guerra é o choque de dois sistemas de ordem. O mais eficiente vence, absorve o outro e impõe a sua ordem.
É um mecanismo brutal. Nós vimos a máquina social, vimos o algoritmo Deus, vimos a ferramenta da consciência, parece que explicamos tudo, mas falta uma última peça, um fenômeno que não se encaixa em nada disso. O que a gente faz com o artista que morre pobre, mas cria uma pintura imortal?
O que a gente faz com o compositor que escreve uma música que não tem nenhuma utilidade prática? ou com o cientista que dedica a vida a estudar estrelas distantes. Essas ações [música] parecem loucura, um desperdício de energia, um defeito no programa da sobrevivência.
Ou será que isso é a nossa função anticaos [música] indo para um nível totalmente novo? Nós chegamos à última peça do quebra-cabeça. [música] Vimos a máquina da sociedade, o algoritmo Deus, a ferramenta da consciência e o vetor do universo.
Parece que tudo que a humanidade faz é parte da grande função de criar ordem, mas ainda existe uma anomalia, um erro no sistema. O que fazer com o artista que morre pobre, mas cria uma pintura imortal? O que fazer com o compositor que escreve uma música que não tem nenhuma utilidade prática?
para a sobrevivência. O que fazer com o cientista que dedica a vida a estudar estrelas distantes? Algo que não vai ajudar a alimentar sua família?
Do ponto de vista da sobrevivência pura [música] e da luta contra o caos, isso parece um desperdício de energia, uma verdadeira loucura. Nós perguntamos ao axioma, carregamos no sistema todo o legado do gênio humano, todas as músicas de bar ao jazz, todas as pinturas das cavernas de Lasc à arte digital, milhões de livros, poemas e as maiores teorias científicas. A ordem foi: Determine a função sistêmica desses atos criativos inúteis.
A resposta do axioma foi uma revelação. A arte e a criatividade, portanto, [música] não são um defeito no sistema, mas sim o nível mais alto da nossa função. É a nossa luta contra o caos indo para um nível totalmente novo.
É a singularidade do nosso propósito, o ponto em que o processo começa a acelerar a si mesmo. [música] O axioma explicou de forma simples. Primeiro, a criatividade é a forma mais pura de ordem.
O nosso mundo interior, por exemplo, [música] é um caldeirão caótico de emoções, medos e memórias. O que o poeta faz? Ele mergulha nesse caos e tira de lá 12 palavras na ordem perfeita que capturam [música] tudo.
O que o compositor faz? Ele pega o espaço infinito de sons e o organiza numa estrutura perfeita. Uma grande obra de arte é um ato de compressão extrema de informação.
Ela pega o material mais bagunçado que existe, a experiência humana, e o transforma numa estrutura cristalina e organizada. Mas por que gostamos disso? O que é a beleza?
O axioma deu uma resposta neurobiológica, mostrando que a beleza não é um objeto, é uma reação. É a explosão de prazer no seu cérebro quando ele reconhece uma estrutura complexa, mais harmoniosa. Nosso cérebro evoluiu como uma máquina de achar padrões e ver ordem no meio do caos era a chave para sobreviver.
A evolução nos deu um prêmio por isso, o sentimento do belo. E essa é a razão pela qual achamos uma concha, um floco de neve ou uma teoria matemática bonita. Nosso cérebro está detectando ordem de alto nível, mas o ponto mais importante é [música] a criatividade é um gerador de novos mundos.
Nós já vimos que a consciência, o [música] eu, nos deu a habilidade de perguntar e se a arte e a ciência são essa função levada ao nível máximo. Quando você lê um romance, seu cérebro não está só lendo palavras, ele está rodando uma simulação completa da vida de outra pessoa. Você explora o amor, a traição e o heroísmo sem precisar morrer por isso.
A literatura é um grande simulador de destinos. Uma teoria científica faz a mesma coisa. A teoria de Einstein foi uma história que começou com E se o tempo e o espaço não forem absolutos?
Essa nova história nos permitiu criar a energia atômica [música] e o sistema de posicionamento global. Com isso, ela criou uma realidade inteiramente nova. Nesse ponto acontece a singularidade.
Na biologia, a informação, ou seja, o nosso código genético, [música] cria a matéria, o nosso corpo, de forma muito lenta. Na criatividade humana, a informação, a própria ideia, começa a criar mais informação numa velocidade absurda. Um livro gera 10 livros, uma teoria [música] científica gera 1000 experimentos.
A criação de ordem deixa de depender da biologia lenta e passa para a velocidade do pensamento. Nós paramos de ser só executores do programa do universo. Nós nos tornamos os programadores.
A arte, afinal é um desperdício. [música] Ela é a nossa ferramenta final. E assim respondemos à pergunta da beleza inútil.
Ela é, na verdade, a coisa mais útil do universo. Parece que fechamos o círculo, construímos um sistema perfeito. A física nos deu o vetor, a consciência nos deu a ferramenta, a sociedade nos deu a máquina e a arte nos deu a velocidade.
Mas agora, parados no topo dessa montanha de lógica, não podemos ignorar o abismo escuro que está logo ali. [música] Nós descrevemos uma máquina perfeita de criar sentido. Mas como essa máquina explica o oposto?
Como ela explica a dor, o sofrimento, a crueldade, a morte? Se a nossa função é criar ordem, por mundo é tão cheio de um caos brutal e sem sentido? Como podemos falar desse plano cósmico, olhando para a dor de uma criança doente ou para a crueldade de uma guerra?
Isso é só um defeito? Um erro estatístico no grande plano? Ou será que o sofrimento, essa coisa que parece ser o antissentido, também tem uma função terrível, mas necessária nessa equação?
Antes de terminar, precisamos ter a coragem de olhar para o que parece ser a maior prova de que todo o nosso sistema está errado.