Olá pessoal! ! Já está valendo desde as 0 horas de hoje, nove de abril de 2025, a tarifa de 104% sobre os produtos chineses exportados para os Estados Unidos.
Essa tarifa que começou em 20% há poucos dias foi escalando até chegar nesse patamar. A China já demonstrou que não se intimidará e deve dar a sua resposta. Afinal, por que chegou a esse ponto?
Até onde ainda pode ir? E o que está por trás dessa guerra deflagrada por Donald Trump? Este é o assunto do vídeo de hoje.
—-------------------------- Bem pessoal, se o assunto de seu interesse é finanças, estratégia empresarial ou economia política, e também gosta de reflexões como tudo isso se conecta com filosofia e os rumos da humanidade, considere se inscrever aqui no meu canal, caso se inscreva não esqueça de ativar as notificações para ser avisado sempre que eu postar um novo conteúdo! ! Não esqueça de deixar o like e fazer os seus comentários aqui abaixo.
Vamos lá ao assunto de hoje, Já está valendo a tarifa de 104% sobre os produtos chineses que entram nos Estados Unidos. Uma escalada que começou com o anúncio por Trump de 20% sobre a China, o país asiático respondeu com tarifas pontuais sobre alguns setores da economia americana, Trump dobrou a aposta e anunciou uma sobretaxa de 34%, a China respondeu novamente, dessa vez com uma taxa igual de 34% agora sobre todos os produtos americanos que entrarem em solo chinês. Trump ameaça sobretaxar em mais 50% caso a China não voltasse atrás.
Como já era esperado os chineses não retrocederam e então já está valendo a tarifa de 104% aplicada por Donald Trump. Se no momento em que você assistir este vídeo a China não ainda não deu sua resposta, com certeza ela sairá em breve. Bem, a dúvida de todos é: até onde vai essa briga?
No jogo de truco, quem grita 12, ou no jogo de poker que dá all in, tem que mostrar as cartas e ganha quem tiver a melhor mão. Nessa guerra existe a melhor mão? Alguém ganha?
Apesar de Donald Trump agir como se estivesse em um, estamos na vida real e isso não é um jogo. Na realidade, aqui a melhor mão é de quem perde menos, e todo analista sério, inclusive a maioria em solo estadunidense, sabe que quem perde menos é a China. Mas por que então Donald Trump age como o “doidinho do bairro”?
Xingando e chutando todos os vizinhos, inclusive seus amiguinhos? Sabendo que tem grande chance de ser ridicularizado e isolado? Bem, na minha opinião, olhando pra história da ascensão e queda das grandes potências nos últimos 500 anos, a hegemonia americana já não existe mais nesse jogo mundial.
O que Trump está tentando fazer não é apenas mudar as regras do jogo. Ele quer derrubar todas as pedras e trocar o tabuleiro. Se não der certo, e não dará, pelo menos ele e seus amigos permanecem ricos.
Donald Trump não tem apreço por ninguém, só pelo próprio ego e pelo dinheiro. Só os ingênuos e incautos são cooptados pela sua retórica de apreço ao trabalhador americano. Os Estados Unidos já sabendo que perderá sua hegemonia econômica tentará salvar sua liderança militar.
A recente declaração do vice-presidente, J. D. Vance, que em tom de crítica relatou que a China produziu em 1 ano mais navios que os Estados Unidos produziram desde o final da segunda guerra mundial, evidenciou a preocupação militar do governo estadunidense.
Sim, esses números são alarmantes e deixam claro a superioridade chinesa, os estaleiros da China produziram mil navios em 1 ano enquanto os dos Estados Unidos produziram apenas 10. Para a China produzir uma máquina de guerra e ultrapassar os Estados Unidos é apenas uma questão de tempo e desejo. A história dos últimos 500 anos nos mostra que todas as grandes transformações do equilíbrio de poder militar do mundo se seguiram de alterações no equilíbrio produtivo, e que a ascensão e queda dos grandes impérios foram confirmadas quando a vitória coube sempre ao lado com maiores recursos materiais.
Nações que ocupam uma posição especial, própria, econômica e militar, enfrentam duas grandes provas que desafiam a longevidade de toda grande potência que ocupa a posição número um dos assuntos mundiais, a capacidade de preservar um razoável equilíbrio entre as necessidades defensivas do país e os meios de que dispõe para atendê-las. Um baixo investimento para uma potência que se estendeu demais por todo o mundo como os Estados Unidos, pode deixá-lo com a sensação de ser vulnerável em todos os lados, mas um investimento muito pesado, embora dê maior segurança a curto prazo, pode corroer de tal modo a competitividade da economia que o país estará menos seguro no longo prazo. Um dilema comum aos países que já foram número um é o fato de que, mesmo quando sua força econômica relativa está diminuindo, os crescentes desafios estrangeiros à sua posição o forçam a destinar mais e mais recursos ao setor militar, o que por sua vez reduz o investimento produtivo e com o tempo leva a uma espiral descendente de crescimento mais lento, impostos mais pesados, e o enfraquecimento de sua capacidade de arcar com o ônus da defesa.
Esse é um padrão histórico. Os Estados Unidos, assim como a Espanha Imperial do início do século XVII e o Império Britânico do início do século XX, herdaram uma vasta série de compromissos estratégicos feitos décadas antes, quando a capacidade política, econômica e militar que tinham de influenciar as questões mundiais parecia muito mais assegurada. Os Estados Unidos pagam o preço de sua excessiva extensão imperial, ou seja, os responsáveis pelas decisões enfrentam a dura e permanente realidade de que a soma total de seus interesses e obrigações mundiais é hoje muito superior ao poder que têm de defender simultaneamente esses interesses e obrigações.
A própria ganância do capitalismo neoliberal imposto ao mundo pelos estadunidenses após a queda do bloco soviético, acelerou o seu enfraquecimento econômico. Como já abordado em outros vídeos, a transferência das manufaturas para outros países em busca de maiores retornos desindustrializou os Estados Unidos. A decadência da sociedade estadunidense se deve a má distribuição do aumento da produtividade da economia americana, o que gerou mais concentração de riqueza na mão de poucos e o aumento brutal na desigualdade econômica.
Não é de surpreender que esses problemas econômicos tenham levado a um incremento do sentimento protecionista em muitos setores da economia americana. De maneira mais ampla, a intensificação do sentimento protecionista é também um reflexo da erosão da supremacia antes inquestionada da sua indústria. Os americanos do pós-guerra eram favoráveis ao livre comércio e a competição aberta, não apenas porque achavam que o comércio e a prosperidade global seriam estimulados nesse processo, mas também porque sabiam que se beneficiariam com o abandono do protecionismo.
Juntamente com essas dificuldades que afetam a indústria e a agricultura americana, a turbulência sem precedentes nas finanças nacionais, a falta de competitividade de seus produtos industriais no exterior e as decrescentes vendas de exportações agrícolas produziram em conjunto espantosos déficits no comércio. A única maneira pela qual os Estados Unidos podem pagar esses déficits é importando somas cada vez maiores de capital, o que transformou o país de maior credor mundial a maior devedor mundial em algumas décadas. A globalização consolidou a atual dinâmica da economia global, com cadeias produtivas de valor interligadas, talvez somente alguns produtos low tech possam ser produzidos isoladamente, mas na fronteira tecnológica e nas indústrias medium tech, nenhum país produz nada sozinho, um telefone tem seus componentes produzidos por indústrias espalhadas por diversos países, uma televisão idem.
Os Estados Unidos não têm a capacidade nem o poder de mudar essa dinâmica, e mesmo que tivesse, não é o que o mundo deseja. Agora é tarde, a ganância e a arrogância os colocaram nessa situação. O mundo precisa superar tudo isso e no futuro os países precisam ser mais colaborativos.
Na minha opinião o próprio povo americano antevendo o desastre, vai resolver a situação, mas no momento a bola está com o doidinho do bairro. Espero que a reflexão de hoje possa estimular em você um pensamento crítico melhor. O que você achou do conteúdo de hoje?
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