Se esse vídeo chegou em você, parabéns. Há 93% de chance de ter algo errado com a sua mente. Não no sentido médico, no sentido descolado.
Tipo Sonic. Você pensa demais nas coisas, não consegue relaxar? Seu cérebro é tão veloz que ele não só identifica perigos como os antecipa.
>> Cara, apaga essa mensagem. Sei que levou meia hora para escrever, mas eu sinto que vai ser mal interpretada. >> Verdade, né?
Você é incrível. Brincadeira. Você só é instável mentalmente.
A real é que esse lance de pensar demais nas coisas é um saco, porque significa que você sente mais e quem sente mais só se lasca. Falo por experiência. Passei 11 meses fazendo esse vídeo e agora não sei como começar porque eu sinto que quem mais precisa ver não vai ter paciência porque essa pessoa tá exausta.
Para calar a mente hiperativa, ela passa o dia consumindo TikTok Wheels esgotando o cérebro. E aí mal consegue focar por 3 minutos. E tipo, 3 minutos não é suficiente.
Pergunte a minha ex, qualquer uma delas. >> Como eu convenço você? >> E sua mente inquieta que já deve estar querendo rolar e ler os comentários porque ela não para.
>> Ha ver um vídeo de meia hora sobre ansiedade. Não sei. Então, em vez de tentar te persuadir, eu vou só fazer uma confissão e aí, se te deixar intrigado, você decide se quer continuar.
Eu odeio psicólogos. Antes de julgar, me deixa explicar. Especialmente se já te disseram: >> "Ai, você devia fazer terapia".
>> Te desafio a ouvir a minha experiência e não mudar sua visão sobre psicologia. E mais, vou mostrar como o ódio a psicólogos me fez descobrir um jeito de ter uma mente mais calma e como você pode usar esse conhecimento para se ajudar e ajudar quem você ama. Outro dia marquei terapia porque sempre que olhava pra sacada minha mente tocava o slogan da Nike.
>> Sentei e contei o que estava me incomodando. Estress, insônia, a sensação de que o meu futuro é como um enredo de Shrek 5. Não tem como saber, mas eu sinto que vai ser ruim.
Após uma hora de desabafo, o cara diz: "Tiago, já sei o problema, você tá muito ansioso. É preciso relaxar. ouvi aquilo me irritou.
Talvez porque ele parecia o Pablo Marçal. >> Sério, se eu pudesse mostrar uma foto, você ia concordar, mas eu não posso. Então só imagina.
>> Sem pensar, respondi eu, doutor. Ansioso. Por que será?
Já olhou em volta? Noticiário, >> o fim está próximo. >> Redes sociais, >> o fim está próximo.
>> Fatura do aluguel, >> fim. >> Na relaxa, não existe pim. Desculpa, mas o único jeito de não tá ansioso é ser um imbecil ou rico ou os dois.
Relaxar. Como se eu tô te pagando R$ 200 a hora para ouvir o óbvio? Claro, não saiu tão perfeito.
Na realidade foi tipo: "Relaxar, como você tá pagando 200? " >> O fato é surtei com desconhecido. No meu mundo, agir assim é como praticar Libras em Salvador.
Eu costumo evitar. Como diria minha namorada após insistir para saber o meu fetiche secreto? Ai, que arrependimento.
Tentei me desculpar, mas foi como se tivessem trocado meu cérebro por um edit do boner sem fôlego. >> Boa noite, até amanhã. >> Pra minha surpresa, o cara responde: "Você tem razão.
Vivemos num mundo caótico. Difícil mudar isso. Mas sabe o que dá para mudar?
Seus pensamentos. Não seria bom ter mais controle sobre sua mente? Dormir melhor, sofrer menos, evitar explosões de humor.
Fiquei sem palavras. Então ele levantou, fuçou num instante e me entregou um papel, tipo uma sherox e disse: "O mito de Orfeu conhece? Fala sobre um jovem que pensava demais nas coisas e por isso sofria demais.
Foi escrito na Grécia há 2000 anos, mas contém uma das lições mais atuais sobre a psique humana. Aceita um desafio? Leia.
Se não mudar nada em você, não precisa voltar aqui. E é por isso, meus amigos, que eu odeio psicólogos. Graças a um, passei um ano produzindo esse vídeo porque ele tava certo.
A história de Orfeu mudou algo em mim. Mais que isso, me convenceu de que todo jovem adulto deveria ouvi-la, especialmente quem sofre para controlar propriamente. Então, me permita te contar essa história e como ela me levou a uma filosofia esquecida que me ensinou a viver com menos ansiedade.
Parafraseando o sábio, se não mudar nada em você, não precisa voltar aqui. Antes de seguir, um aviso. O foco desse vídeo é sério, ansiedade.
Mas antes de entrar na reflexão, eu preciso contar uma história cheia de simbolismos. Então, se a próxima parte parecer estranha ou viajada, confia. Em 10 minutos tudo fará sentido.
Tô dizendo isso porque eu fiz algo inédito nesse canal. Convidei um ator real para interpretar Orfeu enquanto eu narra a história. Orfeu na mitologia é um grande músico, jovem, bonito, tipo o Kurt Cob Atenas.
Então, foi atrás de um ator que pudesse representar todo o charme desse rockstar mitológico. Comente aí se funcionou. Belê, simbora.
Que casamento incrível, exclamaram os convidados. O noivo era Orfeu, um mestre da poesia e do canto. Sua boca era como uma loja de dias do Hul.
Quando abria, mulheres enlouqueciam. Alguns homens também. Eu a noiva, era tão bela que uma vez passou na beira do rio.
Narciso viu o reflexo e tentou deslizar pra direita. Juntos, Eda e Orfeu formavam o par mais icônico da Grécia, atrás só do iogurte e o beijo grego. Já tentaram misturar?
Não recomendo. Enfim, ninguém imaginava que aquela festa terminaria em velório. Eu tonta de vinho, sai para dar uma volta na floresta até que sente um estranho se aproximar.
Ó, não pensou. Meu noivo vai me matar. É que Orfeu era extremamente paranóico e ciumento.
Erid nem podia elogiar muito suas músicas que ele já surtava. >> Não ame a arte, ame a mim, ô artista. Imagina o que ele diria se soubesse que a noiva estava no meio do mato, só com outro.
Apavorada, Eurit corre, porém tropeça, cai no ninho de cobras e vai de Gugu Liberato. Inconformado, Orfeu berra, chora, destrói os presentes que comprou pra noiva e vai reclamar com os deuses. Deus, me ajude.
Minha noiva faleceu. Me autorize para ir ao subemundo ou reino dos mortos para ressuscitá-la. >> Tá ligado que não é assim, né?
Não é só chegar lá e reviver seus aliados. Tá achando que é quem? A do Valoran.
>> Por favor, >> tá bom, MC Melody, mas depois der merda, não reclama. >> E assim Orfeu parte em busca de Ouritse, sem saber que ao atravessar aquele portão, ele nunca mais seria o mesmo. Logo de cara, Orfeu se depara com Cébero, o guardião infernal.
Seis olhos, três bocas, zero paciência. Mas nosso herói não se intimida. Ele ergue o braço e mostra sua arma secreta.
Uma lira. O inferno cai no riso. K k k.
Para onde esse pensa que vai? Até que Orfeu começa a tocar. [Música] Imagina o equivalente musical ao casamento dos seus pais.
Triste, trágico, deprimente até. Mas mesmo assim você não quer que acabe. Cerbero se emociona.
>> [ __ ] cachorro. Até lembrei da minha ex. Laica.
daquela cadela fogosa. >> Verdade. >> Pode crer.
>> Como é? Preciso falaram que dormia enquanto eu e ela. >> Orfeu aproveita a brecha e avança, deixando as almas incrédulas.
Quem era aquele mortal? O que ele pretendia fazer em seguida? E o mais importante, será que ele vai querer me cobrar cachê?
Ora, mas é claro que não. >> Querido Ludo viajante, basta divulgar o meu Instagram @manualbaristeu. Afinal, sua casa não teria reboco e você precisa alimentar duas gatas.
Então não me ofereça dinheiro porque eu não vou aceitar. E pipra. >> Valeu, Aristelu.
>> Orfeu segue abrindo o caminho com sua música até que o show é interrompido. >> Como ousa entrar no meu reino? Dizades, o temível deus dos mortos.
>> Você não viu a placa? Proibido vivo. >> Mas eu só uso e aqui nem tem sinal.
>> Basta. Me deu uma razão para não te reduzir a pó. >> Orfeu respira fundo, ajoelha e revela seu último recurso.
Sua voz angelical. >> Tá. Eu não sei cantar nem o Aristu, mas imagina algo emocionante.
Orfeu declara seu amor por Eurídice como se tivesse num clipe do NXero. Diante da cantoria de Orfeu, o submundo parou. As almas não lamentavam, as fúrias não torturavam.
Sífu não rolava sua pedra. Até mesmo Peréfone, a deusa esposa de Ades, se emocionou. Nunca ouvi algo tão belo.
Ades, devolva a noiva desse rapaz. >> É, devolve, devolve. O azulão se vê num dilema.
Por um lado, não dá para sair revivendo defuntos só para agradar o público. Ele virou o quê? A fase seis da Marvel?
Por outro lado, Orfeu conquistar a todos. Impossível ignorá-lo. A não ser que Ads tem uma ideia.
Beleza, Simple Plan, vou dar um restart nesse seu My Chemical Romance. Mas tem uma condição, você não pode olhar para trás. >> Como assim?
Você vai refazer o caminho até a superfície. Eu vai te seguir em silêncio. Se você chegar lá em cima sem olhar para trás, ela volta à vida.
Agora se olhar, nunca mais verá sua noiva. Que tal? Sem muita escolha, Orfeu aceitou o acordo.
O caminho de volta estava estranhamente quieto. Orfeu tentou falar com Eurídice, mas ela não respondia. Tudo bem, pensou.
logo estariam juntos. Ele mal podia esperar para abraçá-la e se desculpar por todas as vezes que for inseguro, ciumento, paranóico. Faltava pouco.
Orfeu já havia a luz da superfície. De repente, porém, sua mente foi tomada por uma dúvida. Pera aí, por que eu não posso olhar para trás?
Começou como uma faísca. Não faz sentido. Cresceu como uma chama.
Eu não ouço os passos dela. Virou um incêndio. Estariam os deuses me pregando uma peça?
No calor da raiva, medo e ódio se fundiram, transformando a suspeita em convicção. É isso, Ades me enganou. Não tem nada atrás de mim.
Ávido para desmascarar a farça, Orfeu vira para trás. O que ele vê, no entanto, é pior que qualquer traição. Eu se sendo arrastada de volta, seus olhos arregalados e a voz doce ecuando pela última vez.
Adeus, meu amor. [Música] Não sei vocês, mas eu saí dessa história meio confuso. Aliás, existem muitas versões por aí.
Essa que eu contei é baseada na sherox do psicólogo e a princípio me pareceu uma metáfora sobre luto. Orfeu perdeurites, não consegue seguir em frente, olha para trás, piora tudo. Tá, mas se era só isso, por que o psicólogo sugeriu que tinha uma lição aqui capaz de mudar minha vida?
Voltei lá para saber e tipo, foi a melhor coisa que eu fiz. O cara me tira uma folha com nomes, setas, conexões, destrincha o mito de Orfeu e me faz perceber algo absurdo. Não, não é uma história sobre luto, é sobre uma armadilha mental que afeta todos nós.
Eu, você e a pessoa que acabou de pensar. Ah, não me afeta. >> Afeta sim, Lucas.
>> Para de se enganar. >> Você também ama. >> Arruma essa postura.
Parece um camarão. Você que pensa demais, sente demais, é inseguro demais, senta aqui e me ouve, porque depois que você entende a real lição do mito de Orfeu, você economiza 20 sessões de terapia. Juro, confia.
Tudo começa com uma questão. Por que a Ads inventa a regra do não olhe para trás? Era só ter dito não.
O que ele queria provar? Para entender isso e o que isso tem a ver com a gente, precisamos falar sobre como a ansiedade funciona, ou melhor, como ela destrói a sua vida. sem que você perceba, a ansiedade é como um alarme que dispara diante da incerteza, isto é, situações que podem ou não acaba mal.
Não tem como saber, mas é um sério risco. Um beco escuro, uma mensagem ambígua, uma menina de franja perguntando o seu signo. O alarme em si não é bom nem ruim.
O problema é a relação que cultivamos com ele. Por exemplo, imagine dois amigos domingo à noite, tudo calmo, até que eles se lembram e tem prova amanhã. O alarme dispara, corações aceleram, mentes a mil, mas cada um reage de um jeito.
Joãozinho estuda um pouco e vai dormir. Ele sabe que não vai gabaritar, mas paciência. Já Orfeuzinho entra em pânico, estuda, toma café, estuda mais café, chora ainda mais café, estuda, estuda, estuda, treme, baba, alucina, flutua, transcende o espaçotempo, [Música] acorda atrasado, corre, desce a escada, torce o pé, lembra que esqueceu a mochila, sobe a escada, torce o outro pé, vomita, pega a mochila, volta, escorrega no vômito, é atropelado, cai no bueiro, pisa na bosta, chega atrasado, implora para entrar, senta, faz a prova, vomita de novo, dessa vez com sangue, desmaia.
No fim, ele tira sete, menos um ponto pelo atraso. Joãozinho tira 6 e5. Essa diferença na reação nem sempre é consciente.
Talvez Orfeu seja mais sensível à ansiedade devido à genética ou traumas passados. Mas o fato é, com tempo nossa resposta ao alarme tende a virar um hábito. Joãozinho aprende a encarar ansiedade como encarar fome.
Um sinal chato, mas necessário. Tô com fome, vou comer algo. Tô ansioso, vou fazer algo e seguir em frente.
Orfeuzinho, não. Sempre que se depara com incerteza, >> situações que podem acabar mal, >> o alarme toca, ele reage demais e sua vida um caos. Logo, sua mente associa incerteza à ameaça, algo que deve ser evitado ou controlado.
Agora avancemos no tempo. O Feuzinho virou adulto e as incertezas estão em toda parte. No trabalho, no amor, no espelho.
Como nunca aprendeu a lidar com a alarme, ele vive tenso na esperança de abafar a sirene, custe o que custar. Às vezes isso significa adiar responder mensagens para ter certeza que vai dizer a coisa certa. outras vezes espionar o celular da namorada para ter certeza de que ela é fiel.
É exatamente isso que Adis identifica em Orfeu, um sujeito alérgico ao alarme do incerto. Diante da incerteza do amor, Orfeu surta de ciúmes. Diante da incerteza da morte, ele surta com os deuses.
Essas reações podem parecer gestos românticos, mas Ades não compra. Daí que vem a regra do não olhe para trás. É como se ele dissesse: "Se você realmente veio aqui por amor, consegue suportar a incerteza de não saber se origá te seguindo só por alguns minutos?
" E claro, Orfeu não consegue porque sua motivação central nunca foi o amor e sim o medo do incerto. É aqui que esse mito passa a ser sobre todos nós, porque a real tragédia não é só a morte de Oritse, mas aquilo que é a causa, duas vezes, a incapacidade de Orfeu enxergar o quanto sua ansiedade afeta ele e todos que ele ama. Essa é a grande armadilha do comportamento ansioso.
Quando ele vira um hábito, se torna um padrão automático, justificado pela nossa própria mente. Ciúmes? >> É que eu amo demais.
>> Procrastinação, >> eu funciono melhor sob pressão. >> Insegurança. >> Só tô esperando a hora certa.
>> Como Orfeu, nos convencemos de estar agindo bem, quando na real estamos permitindo que o medo controle a nossa vida. Agora corta pro presente. Brasil, o país mais ansioso da terra, segundo a OMS.
Ah, chupa países em guerra, mano. É ataque aéreo, ataque militar, o bagulho é >> ataque de pânico. >> Mas sério, faz sentido?
Se a ansiedade se alimenta da incerteza, nós estamos bem servidos. Inflação, violência, uma política que é como assistir uma briga de bar entre uma grávida e 20 anões. Entretém?
Sim. Até você lembrar que o bebê é o seu futuro. Adicione a isso >> o tempero capitalista.
>> Um blend de exploração em burnout que passado à amargura inicial revela um sabor doce. >> Doce ilusão de que um dia você vai se aposentar. >> E voá temos o combo completo.
MC angústia existencial. >> Auto estress, desespero, lágrimas. Se Orfeu sucumbiu a ansiedade na Grécia antiga, quando a maior preocupação era cruzar com dois filósofos numa moto, corre, eles vão roubar nossas certezas.
>> Perdeu, [ __ ] Passa o conceito de virtude. >> Que chance nós temos? Na real, até que algumas.
Veja bem, o erro de Orfeu não foi sentir ansiedade, e sim não enxergar o padrão no qual ele estava preso. Só de estar aqui falando sobre isso, já estamos na frente. Sabemos que o problema da ansiedade não é a ansiedade em si, mas o relacionamento que cultivamos com ela.
Uma relação ruim cria padrões invisíveis que afetam toda a nossa vida. Então, a verdadeira questão é: melhorar essa relação? [Música] Curioso você perguntar, porque foi exatamente aqui que eu travei.
Comecei a escrever esse vídeo em 2024. Tô gravando isso agora, quase um ano depois. Por meses não consegui sair dessa parte.
Nunca tive dúvida sobre a mensagem central. Asiedade é como um alarme que dispara diante da incerteza. Como lidar melhor com ela?
Aprendendo a tolerar sua causa. Um inserto. Por exemplo, imagina se Orfeu tivesse pensado: "Eu tá atrás de mim.
Não sei, mas não importa. Minha missão agora é seguir em frente. O mesmo vale paraas ambiguidades da nossa vida.
Vai dar certo? Vai dar errado? Vou me machucar?
Não sei. Logo, o jeito é seguir sem saber mesmo. Simples, né?
Aceite a incerteza. Parabéns, sua ansiedade foi curada. É certo que não.
Não é tão simples dizer para alguém ansioso que ele deve tolerar a incerteza. É como dizer para alguém se afogando que ele deve relaxar. Faz sentido na teoria.
Mas aí voltamos para aquela questão. Relaxar como? Então eu travei porque de repente eu não tava certo do que eu queria dizer.
Percebe a ironia? Num vídeo sobre tolerar a incerteza, eu fiquei incerto e eu fiquei ansioso e aí ferrou. Um brinde à meta linguagem.
Mas foi bom até porque me forçou a reparar no que eu estava sentindo. E aí eu notei algo curioso. Nem sempre o alarme da ansiedade grita.
Muitas vezes ele sussurra no medo de decepcionar alguém, no receio de falar besteira, naquela sensação vaga de que você nunca é bom o suficiente. E o mais estranho, esse sussurro não parece algo separado de você, mas sim um aspecto fundamental da sua mente, como se uma parte sua realmente acreditasse que precisa pensar em tudo, prever tudo, controlar tudo, senão o mundo vai desabar. Como você desliga uma parte de você?
Foi aí que caiu a ficha. Eu não sei. Eu passo meses criando esses vídeos, não porque eu tenho as respostas, mas porque eu acredito no valor de refletir com vocês.
Então essa virou minha nova conclusão. Valeu por assistir, mas eu não sei se eu sei do que eu tô falando. Até que aconteceu algo que mudou tudo.
E eu sei, esse vídeo tá muito longo. Não gosto de me estender assim porque eu tenho TDAH, sei como é teu foco de um peixe, mas juro, vai valer a pena. Tó dopamina pro nosso cérebro do TikTok.
Ele é o que mais precisa ouvir o que eu vou falar agora. Lembra aquela treta do dibre com as artes feitas por Iá? [Música] Eu tava numa videochamada com os meus apoiadores e compartilhar um texto sobre isso que me deixou pensativo.
Aliás, se você quiser participar desses encontros é só assinar meu apo custa R$ 3. Link na descrição. Enfim, o texto dizia: "A inteligência artificial pode até imitar o traço, mas nunca vai conseguir copiar a alma daqueles filmes.
Porque o que torna o dib especial não é só a estética, é a filosofia por trás". Segundo o autor, uma grande influência do dibre é o tauísmo, uma filosofia chinesa milenar que gira em torno de questões como: "Por que o ser humano vive tão ansioso e como podemos levar uma vida mais leve? " E aí, claro, lá tava eu, ansioso, travado, fiz o quê?
Comprei o Taotetim, o livro base da filosofia tauísta. Afinal, se inspirou aqueles mundos tão serenos do diible? Devia ter algo ali para mim também.
E olha, é difícil explicar o que esse livro me trouxe. Sabe quando algo muda dentro de você? Quando abre um espaço novo na cabeça, onde antes só tinha ruído.
Então vamos fazer assim. O vídeo tá longo, não sei se eu tenho mais piadinhas, mas eu realmente acredito que o que vem agora é a parte mais importante. Se para você bastou saber a relação entre ansiedade e incerteza, ótimo.
Mas se quiser ir mais fundo, entender porque esse alarme existe, de onde vem essa voz que quer controlar tudo e nos sabota, me acompanha. Vou resumir o talismo e fazer um paralelo final com Orfeu, porque não, a história não acaba quando ele olha para trás. O que acontece depois é ainda mais cabuloso.
Mas para entender a dimensão disso, precisamos falar sobre porque afinal nossa mente tem um alarme que o dê incerteza. E como alguém há 2000 anos descobriu um jeito genial de silenciá-lo. [Música] A vida é como uma mãe alcólatra na véspera de um trabalho de geometria, imprevisível, caótica e não tá nem aí pros nossos planos, [Música] entendeu?
Nem aí pros nossos planos. Eu avisei que eu tava cansado. Já anotou?
Sempre que você pensa, uhu, as coisas estão começando a andar. O destino surge igual Jeff Dammer na ceia de Natal, pronto para te passar a perna. Conheceu a pessoa perfeita?
>> Ela mora no Acre, >> feriado na praia, >> chuva torrencial, >> prestes a derrotar o boss após 2 horas de surra. Nessas horas, você tem duas opções. Um, olhar pro céu e expressar sua frustração como mineiro bilíngue.
>> Aai, universo, uai. Dois, sorrir e aceitar que a vida não passa de uma pegadinha cósmica. Se a segunda opção te pareceu mais sábia, parabéns, você já é um taoísta e talvez não sabe.
Laudsu, criador dessa filosofia, via a existência como um rio, não um riachinho instagramável, mas uma torrente cheia de caos e curvas metafóricas. E ainda assim, segundo Laô, muito do nosso sofrimento não vem do rio da vida, mas da nossa resistência a ele. Em vez de seguir o fluxo, nos agarramos à margem, desesperados por segurança, rejeitamos as curvas com medo de onde elas podem levar.
Mapeamos nossos dias, meses, anos, na esperança de tornar o caos mais previsível. Ou seja, tentamos controlar o fluxo da realidade, sendo que mal conseguimos controlar nossos próprios pensamentos. Por exemplo, pensou, né?
Eu sei que você pensou. A real é que, apesar dos nossos esforços, o caos do rio prevalece. Basta uma virada inesperada e nossos plãs viram destroços.
Uma doença, uma demissão, um banquinho mal posicionado. Gugu. Sabendo disso, Lautsu propõe uma ideia radical.
E se parássemos de lutar contra o rio? E se em vez de tentar controlar a corrente, aprendêsemos a nos mover com ela, tipo surfistas cósmicos existenciais. E assim nasce o talpo, que pode ser resumido numa simples ideia.
O universo segue um fluxo. Quando resistimos a ele, sofremos. Quando nos aliamos ao fluxo, encontramos paz.
Tá? Mas o que isso significa? Como você que tá me assistindo com essa cara pode se alinhar ao fluxo do universo?
Bom, começa com a compreensão de um fato estranho. Você não existe. Sabe Matrix?
Quando o Nil percebe que tá numa simulação, aquilo foi muito inspirado no tauísmo, porque essa filosofia defende que, de certa forma, a gente também vive num ilusão. E essa seria uma das maiores fontes da nossa ansiedade. Para provar isso, Lauds oferece um argumento muito doido, mas quanto mais refletimos, mais faz sentido.
Então, me acompanha agora e veja se você concorda. Aliás, não só veja, me conte. No Discord eu faço lives aprofundando essas filosofias.
Para participar e conversar comigo ao vivo, basta assinar meu após. Mais infos na descrição. Enfim, voltando pro taoísmo.
Gostamos de acreditar que no núcleo do nosso ser existe algo fixo, uma essência imutável que nos define. Alguns chamam de ego, outros de alma. Mas para para pensar, quem era você aos 7 anos?
Uma criança adorável, cheia de energia e na adolescência? Um jovem promissor, cheio de sonhos. E hoje?
Qual dessas versões é o verdadeiro você? Nenhuma. Assim como um rio, você não é uma coisa estática, mas um processo, um fluxo em constante mudança.
E no entanto, resistimos a essa verdade. Tratamos nosso senso de eu não como um rio, mas como algo sólido, um bloco de mármore que precisa ser esculpido e aprimorado. Nos apegamos a ideias rígidas sobre identidade, homem, mulher, pessoa bem-sucedida e lutamos para caber nesses moldes mesmo quando eles machucam.
Colocamos nossa imagem num pedestal e sofremos diante da ideia de que podemos arruiná-la ao dizer ou fazer a coisa errada. Como se a vida não fosse uma jornada, mas uma peça teatral com papéis bem definidos. Ai de quem esquece a fala, ai quem se perde na cena.
Percebe? É nesse cenário que a incerteza se torna uma vilã abominável. Afinal, quando a meta é performar, o imprevisto atrapalha o espetáculo.
>> Uh, seu lixo. >> Se sentir perdido não é só desconfortável, é humilhante. Segundo tauísmo, esse teatro do ego é uma das raízes mais profundas da nossa ansiedade.
Afinal, ele é projetado pela nossa própria mente, que se vê como a protagonista da peça. Por isso, se libertar dele e de toda a ansiedade que ele causa é tão difícil. Não basta querer, é preciso rever as lentes com as quais nosso cérebro percebe a realidade.
A começar pela linguagem. Você vê a linguagem é incrível. Graças a ela, podemos falar, escrever, condensar piadas inteiras numa única palavra.
Mas a língua é como aquele seu amigo que ganha 3K e defende bilionário na internet. Ela possui uma séria limitação intelectual. é que ao tentar capturar o mundo, ela reduz, empacota tudo em categorias simplificadas, muitas vezes binárias.
Certo e errado, sucesso e fracasso, eu e você. Prático, sim, mas perigoso, porque nos faz esquecer de algo essencial. A realidade não cabe nessas caixinhas.
O universo não é uma prateleira com sessões bem definidas. Ele tá mais para um milkshake cósmico, onde ideias opostas se misturam e se confundem num delicioso paradoxo. Por exemplo, considere os conceitos de vida e morte.
No papel são opostos. Você nasce, você morre. Game over.
De uma perspectiva cósmica, porém, essa separação desaparece. Os átomos que formam seu corpo já pertenceram a estrelas, oceanos, peidos de dinossauro. Eles existiam antes de você e continuarão existindo depois.
Ou seja, vida e morte não são coisas separadas, e sim formas diferentes de perceber a mesma coisa, o fluxo da existência. O mesmo vale para toda a dualidade, amor e ódio, luz e sombra, alto e baixo. Uma só existe em relação à outra, compondo assim faces de o mesmo todo.
O problema surge quando nos apegamos demais a certas faces, enquanto rejeitamos outras. Queremos alegria sem dor, conquista sem luta, amor sem dúvida. Mas fazer isso só alimenta a nossa ansiedade, pois é como viver em guerra com a ordem natural do universo.
Tipo uma criança que se aborrece quando uma onda destrói o seu castelo de areia, sem perceber que se não fosse o vai venho da maré, a areia sequer estaria ali. O que fazer então se somos condicionados a buscar certeza? >> Mas o universo oferece poucas ou nenhuma?
[ __ ] >> Como viver em harmonia com a realidade. Aqui entra o conceito mais bonito e talvez o mais poderoso da filosofia taoísta, o que pode ser traduzido como agir sem forçar. A melhor maneira de entender o ei é observando a natureza.
As coisas mais fortes não são as que resistem à mudança, mas as que dançam com ela. O bambu se curva ao vento, logo sobrevive a tempestade. O lago evapora no calor, logo retorna como chuva.
O Tarzan treina bem os glúteos. Logo, anda de pó, mesmo com as mãos ocupadas. Essa é a essência do way, flexibilidade.
Entender que no universo incerto a verdadeira força não vem do controle absoluto, mas da capacidade de se adaptar. Claro, isso não significa ser passivo, aceitar o mundo como ele é, como se não tivéssemos agência, não. Aliás, recomendo o livro Como Sobreviver na era da ansiedade.
Se você tá curtindo esse vídeo, você vai amar. Ele mostra exatamente como aplicar essa filosofia na prática. Link na descrição.
Em resumo, o ei não é um convite à apatia, é um convite à presença no sentido de testemunhar agora mesmo quem nós somos além das palavras. Você não é uma pessoa atravessando o universo. Você é o próprio universo se manifestando numa forma temporária.
Elementos forjados no coração de estrelas antigas viajaram por eras inteiras só para se reunirem aqui no brilho dos seus olhos. Sério, para para pensar. As mesmas forças que esculpem galáxias e acendem só as que agora operam na delicada dança das suas células, orquestrando a cada instante o milagre da sua respiração.
Qual a chance de que num cosmo regido pelo caos e pelo frio, esse momento pudesse existir? De que entre todas as combinações possíveis da matéria você fosse surgir exatamente assim? Não só como um corpo, mas como uma mente consciente?
Até onde sabemos, esse arranjo de espaço, tempo e matéria nunca vai se repetir. Você não é uma pessoa atravessando o rio da existência, você é a existência, fluindo na sua forma mais gloriosa. Quando essa ficha cai, a rigidez do ego se dissolve, a necessidade de vencer, controlar, se proteger a qualquer custo, tudo isso perde a força.
E nesse espaço que se abre, surge uma paz estranha, diferente. Não a paz de ser alguém no controle. A paz de simplesmente ser.
O que nos leva de volta a Orfeu. [Música] Spoiler, ele morre. Após olhar para trás e perder orig de vez, ele sai por aí cantando a música mais triste do mundo até cruzar com as seguidoras de Dionissio que não curtem essa vibe de preas dizem: "Amado, supera, né, tanta mulher do mundo solteira, tipo a gente".
Mas Orfeu segue chorando. Aí elas vão lá e desvivem ele assim, sem hesitar e de um jeito brutal. Eu nem posso escrever aqui.
Quem quiser ler o mito original, tem link na descrição. Aliás, aproveitem, tem um link de todos os livros que eu usei para fazer esse vídeo com desconto. Quando alguém clica, ajuda o canal.
Então, valeu. Enfim, mas já que estamos aqui, eu queria propor algo para fechar. Que tal se a gente imaginar um final alternativo pra história de Orfeu, um que junte tudo que vimos sobre o taoísmo?
Só para entender na prática como essa filosofia pode ajudar alguém que pensa demais e também para responder aquela questão que ficou em aberto. Como melhorar nossa relação com a ansiedade? Eu ainda não sei se eu sei, mas através de Orfeu acho que dá para imaginar um caminho, um que só vai fazer sentido agora, depois de toda essa nossa conversa, porque é menos sobre explicar e mais sobre sentir.
Então, imagina o seguinte, após olhar para trás e perderes pela segunda vez, Orfeu não se desfaz em desespero. Em vez disso, ele retorna ao altar vazio, o mesmo onde horas antes, ouvidas antes, ele acreditava que a felicidade era garantida. Ali, sob o testemunho diferente da lua, Orfeu é tomado por uma epifania.
Agora e só agora ele tá pronto para se casar. Irônico, claro, porque a noiva já não existe, mas talvez justamente por isso faça sentido, porque agora, e só agora, ele entende que amar alguém é como amar vida. Um pacto com efêmero, uma entrega constante ao início, cuja única promessa é o final.
Ele que através da música tentou dobrar o destino ao som da sua vontade, enfim rende ao que mais temia sua ansiedade, o silêncio. Fecha os olhos e, pela primeira vez, apenas escuta o quebrar das ondas, o choro do vento, a estranha melancolia que precede o fim de cada momento. Então, se dá conta, essa é a música do mundo.
Não som de posse, mas de entrega. Uma sinfonia em movimento, onde cada instante é um acorde fadado a se perder no tempo. Que Tolice achar que essa canção nos deve algo, que podemos separar suas notas mais belas e preservá-las num jarro?
Não, o verdadeiro amor, Orf entende, segue o ritmo. Não é sobre sustentar uma nota até o infinito. É saber deixá-la aí para que o silêncio que segue lhe devolva o sentido.
E nesse instante resignado, o universo, que só responde a quem para de perguntar, finalmente fala Corfeu, não com palavras, mas com a proposta silenciosa que, na verdade, é feita a todos nós. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, no certo e no incerto, você aceita? Na culpa que persiste, na saudade que esmaga, no abraço que num dia é seu mundo e no outro só uma lembrança vaga.
Você aceita no tempo que não volta, na chama que esfria, no espelho que reflete a impiedosa marcha da entropia, na ordem, no caos, no breve, no eterno, na incessante dança, entre desejo e tédio, aceita? E se eu disser que a sua resposta pouca importa, que esse rio corre e sempre vai correr, indiferente aos seus desejos, você ainda aceita? Orfeu, diante do chamado do infinito, não responde com palavras, apenas respira.
E ao respirar, ele diz sim. Por falar em aliança, observe esse belo casal. Se conheceram no meu Discord?
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