Olá, seja muito bem-vindo. Eu sou o jornalista Luís Lopes Júnior da assessoria de comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Esta é a terceira live da série sobre os caminhos da missão presentes nas diretrizes gerais da ação evangelizadora da igreja no Brasil para os anos de 2026 a 2032.
Hoje nós vamos falar sobre as comunidades de discípulos missionários. Lá no documento nós lemos no parágrafo 116 assim que a iniciação à fé que nasce do anúncio da palavra gera a comunidade e a faz crescer. É o que lemos dar no início do parágrafo 116 das diretrizes.
E hoje nós vamos aprofundar esse tema das comunidades de discípulos missionários com arcebispo de Santa Maria no Rio Grande do Sul e presidente da Comissão para a animação bíblico catequética da CNBB, [música] Dom Leomar Antônio Brustolim. ele que liderou a comissão responsável por redigir o texto das diretrizes. Nós vamos então receber aqui Dom Leomar.
Seja muito bem-vindo, Delumar. Obrigado por sua participação. >> Obrigado, Luiz.
E saúdo a todos que estão conosco nesse momento. >> Bem, vamos começar aqui, Dom Leomar. Algo que já é histórico nas propostas pastorais que a CNBB apresenta e a igreja no Brasil e oferece é a questão do fortalecimento do senso de pertença à igreja.
E as diretrizes retomam então esse convite falando da formação e do fortalecimento dessas comunidades de discípulos missionários. [música] Qual é a marca dessas comunidades, Dom Lear? >> Em primeiro lugar é aquilo que você já mencionou, é o senso de pertencimento.
Isso significa que todos nós, por sermos batizados, participamos, isto é, fazemos parte da grande família de Deus. Não existe cristianismo no isolamento. Não existe cristianismo na solidão e no individualismo.
Sempre a fé cristã é comunitária, não é só coletiva. Porque o coletivo pode ser muitas pessoas juntas sem envolvimento, sem empatia, sem compromisso. Por isso, a fé cristã, por ser derivada da trindade santa, [música] nós somos e herdeiros do coração da trindade, né, que nos nos [música] criou.
E a trindade é uma comunidade de amor. Então, a fé cristã depende disso, porque senão nós podemos multiplicar devoções, ritos, podemos ter práticas religiosas, mas só seremos cristãos se nos entendermos batizados em Cristo para formarmos criaturas novas, para nos configurarmos em comunidade. Nesse sentido é que nós vamos olhar para os o tempo dos apóstolos, onde Atos 2, 427 insiste justamente eh eh no mínimo em quatro pontos, que poderiam ser mais, mas [música] é o ensinamento dos apóstolos, que é iniciação cristã, é é manter-se sempre formando e estudando a nossa congestão de cristãos.
Depois a fração do pão, que é eucaristia. Então, palavra e eucaristia. Eh, terceiro, a comunhão fraterna, que é a caridade.
E quarto, a missão, ir ao encontro do outro. Por isso, eh, a questão da comunidade é uma derivação de quem fez a experiência do encontro com Deus Trindade. >> Don, o senhor colocou aí o a passagem, né, de Atos 242 sobre [música] as primeiras comunidades que eh o documento já apresenta como esse modelo das [música] dessas comunidades eh que nós devemos, né, promover e formar.
Mas como as igrejas particulares no Brasil já podem aplicar essa indicação [música] se assemelhando, buscando esse exemplo que vem lá dos Atos dos Apóstolos? [música] >> Eh, eu diria, Luiz, o primeiro ponto é ler as diretrizes e sobretudo os caminhos da missão. São cinco caminhos, mas vejam que um deles está no centro, tem dois antes e dois depois.
É este o que as diretrizes mais querem, é formar pequenas comunidades de pessoas que vivem juntas na oração, na partilha do pão, no ensinamento dos apóstolos e na caridade. Então, mesmo as grandes paróquias, santuários, movimentos pastorais, grupos de vida, não grupos grandes. Não podemos imaginar que a gente vai conhecer profundamente 150 pessoas que se reúnem todo domingo, mas um grupo pequeno, um grupo reduzido que em torno da palavra vive.
Várias experiências no Brasil, do norte ao sul, estão já vivendo isso desde o documento 100 da CNP. Se alguém quiser eh aprofundar como que são essas comunidades, leia o documento sem comunidade de comunidades, a conversão pastoral da paróquia. Porque nós acreditamos que a paróquia é indispensável, ela é muito importante, [música] mas se ela der um passo, ela não ser apenas um centro de atendimento religioso, mas uma grande comunidade que reúne pequenas [música] comunidades.
é um grupo de pessoas, de famílias, um grupo de eh pessoas que estão na rua eh [música] ou que ou no trabalho que se reúnem, pessoas do bairro se reúnem com regularidade, ou semanalmente ou quinzenalmente em torno da palavra de Deus. Enquanto não sai um um material próprio, que a comissão bíblico catequética está elaborando um material para formar pequenas comunidades, se pode reunir em torno da do Evangelho de domingo e refletir esse evangelho com leitura orante da palavra de Deus. E a partir da leitura orante da palavra de Deus, esse grupo se torna cada vez mais [música] amigo entre si, amigo de Deus, amigo forte de Deus, como dizia Santa Teresa Dávila.
e a partir daí viver os valores do evangelho. Eh, nós vivemos uma sociedade que precisa de pessoas que se apoiem em tudo, né? Eh, também nas questões eh difíceis do da condição humana, mas que a partir da palavra buscam luz.
Eh, Luís, eu entendo que é assim, grupos pequenos em torno da palavra que se reúnem e que vão à igreja toda semana para comungar a Eucaristia, onde é possível e onde não é possível, porque muitas regiões não têm missa semanal, mas tem sempre a possibilidade dessa pequena comunidade se reunir para viver a palavra. Não é um grupo de estudo, é um grupo que reza, celebra e vive a palavra. Don, nós temos um desafio na igreja no Brasil.
Acredito que o senhor que esteve ali desde quando a CNB aprovou o documento 100, [música] eh, de superar a pastoral de grandes eventos, de grandes encontros para a formação dessas pequenas comunidades. Então, nós percebemos a CNB falando sobre isso há muitos anos. Bem, agora com as diretrizes, que ela tem essas indicações pastorais ali no no capítulo 5, vai falando alguns passos, mostrando alguns passos que podem ser feitos ali na diocese, até nos planos pastorais que devem eh acolher ou a gente sugere que seja que acolham, [música] né, essas indicações pastorais.
Mas para quem ainda não abraçou essa formação, a promoção dessas pequenas comunidades, [música] qual o convite que o senhor deixa então para essas dioceses, essas igrejas particulares ou até movimentos eclesiais que ainda não perceberam a importância de ter essas pequenas comunidades como essa fonte também de de promoção da união, da comunhão [música] de toda a igreja. Olha, Luiz, eh tudo está ancorado no sínodo, sobre a sinodalidade, quando diz que é preciso converter, converter [música] vínculos, relações e processos. Eh, quem quiser aprofundar um pouco isso, pode ler o capítulo seis das diretrizes.
Não basta formar pequenas comunidades, nós precisamos nos converter. Nós precisamos ter eh relações mais saudáveis, vínculos mais profundos, eh capacidade de nós realizarmos processos. Eventos são interessantes, mas se eles não realizarem processos, eles são elementos pontuais que eu preparo, realizo e depois eles terminam, né?
>> [música] >> Então é um processo, não dá mais para fazer nas paróquias uma pastoral de balcão. Eu fico atrás do balcão recebendo inscrições da catequese, recebendo eh inscrições de batismo, pais e padrinhos ou noivos querem se casar. Nós temos que ir ao encontro das pessoas.
Nós temos que fazer itinerários catecumenais. Nós temos que nos tornar amigos e próximos para que as pessoas se sintam missionadas. isto é, convidadas a entrar na igreja.
Se é só o sacramento, se é só o rito, pelo rito, eh, quem tem que rever a postura somos nós. Eh, para falar de conversão pastoral, nós precisamos nos arrepender do tipo de pastoral que estamos fazendo. Sem arrependimento, ninguém se converte.
Está suficiente o nosso tipo de trabalho? Sabe, muitas vezes as pessoas diz: "Não, está bem, sim, mas uma das características de Atos 2:47 é que eh o Senhor a cada dia aumentava o número daqueles que acreditavam no em Senhor Jesus. Nossas comunidades, nossas paróquias, nossas capelas estão aumentando o número de jovens, crianças e adultos ou é sempre os mesmos?
" Alguém até às vezes o bispo vai na paróquia e diz: "Bispo, aqui ninguém quer, todo mundo é sempre a mesma coisa". Mas por quê? Nós não nos perguntamos porque que não tem gente que entra, porque não tem gente que chega.
Por isso, a conversão das relações, dos vínculos e dos processos, dizem, é preciso melhorar o relacionamento na na comunidade eclesial. Não dá para ter uma panelinha que comanda tudo. Não dá para ter aquela turma que fica sempre dizendo aqui sempre foi assim, não vai mudar nada.
Não dá para dizer: "Jovens, venham depois da crisma paraas nossas pastorais". Mas qual pastoral quer um adolescente junto? Qual pastoral dá espaço pro adolescente não ficar só carregando caixas, mas ouvir o que ele tem para dizer?
Por isso, uma mudança a mais difícil é de mentalidade, de sentimentos. Não é só a mudança no fazer, nas mãos. é mente e coração, é a razão e o sentimento.
É a alegria de perceber que ser cristão eh é um caminho que se segue, não apenas uma religião que se professa, é o é o caminho. Por isso fica aqui um apelo grande de que a gente transforme nossas paróquias eh numa rede de comunidades, muitas comunidades. Mas qual é o objetivo?
é um só se encontrar com Jesus Cristo. Porque às vezes tem reuniões, a reunião, por exemplo, do Conselho Econômico, que o nome de Jesus nem entra, a gente tem tanta preocupação em organizar tantas coisas que não dá tempo de falar de Jesus, não dá tempo de ouvir sua palavra. Por isso que muitos investimentos na igreja são mais às vezes em tijolo do que em Bíblia.
são muito mais em obras do que em cursos de formação. São muito mais eh em prédios do que em pessoas. Na verdade, nós precisamos escutar Jesus, escutar o Senhor.
Isso depende de um encontro pessoal com ele que leve muitos outros a se encontrarem também. Por isso, Luís, eu acho que enquanto nós não eh revisitarmos nossas escolhas, nossas práticas, nosso ser, nosso viver a fé cristã, nós não damos um passo missionário. E eu sempre digo que duas palavras para mim marcam muito as eletrizes.
Conversão, que é mudança, não adianta. E a gente não gosta de mudar. A gente não gosta nem de mudar o nosso lugar na mesa quando almoçamos em casa.
Imagina mudar a forma de ser cristão em missão. A conversão só vai dar certo se nós atraírmos outras pessoas. Pessoas que olham para nós e diz: "Vale a pena ser cristão?
" Para mim, a crise vocacional é sinal de uma evangelização que não está dando certo. E onde a evangelização vai bem, tem vocações. O Senhor chama.
Por quê? O Senhor sempre chama, mas as pessoas vão dar a resposta a partir daquilo que elas enxergam. Se elas percebem testemunhos qualificados, simples, mas [música] coerentes, de segmento de Jesus, o que os jovens mais querem hoje são referências.
E quando nós fizermos, tivermos essas referências, muda tudo. Em síntese, as comunidades poderão transformar a nossa experiência do encontro com Jesus Cristo, que é sempre pessoal, único, singular, mas sempre se dá em comunidade, sempre volta pra comunidade, sempre integra numa comunidade eclesial. O caminho é grande, é longo, mas é belíssimo e ele tem um futuro garantido pela própria ação do espírito [música] que lá em Atos 2 soprou e que continua soprando hoje sobre a sua igreja, a igreja de Jesus.
É isso. Obrigado, dona Omar, por nos colocar então nesse caminho aqui que chama a conversão e a missão. [música] Bem, para você que nos acompanha no mês de agosto, a comissão ah de animação do síno do da CNBB vai realizar uma série de lives sobre o capítulo seis das diretrizes.
Então, vai abordar aí essas três convenções à quais o documento nos convida, das relações, né, dos processos, enfim. Então, eh, pra gente continuar aprofundando esse chamado aí para formar, atualizar a nossa forma eh de ser comunidade, fica o convite para acompanhar também essa série de lives, [música] além de ler e estudar documento. Bem, donar, agradeço mais uma vez sua participação, sua disponibilidade para nos atender aqui.
Eu sei que o senhor está falando muito sobre esse tema a já há alguns anos, né? Mas a gente fica aqui então eh com essa possibilidade de ajudar as pessoas a entenderem melhor esse documento e assim poder eh aplicarem em suas realidades. >> Eh, muito obrigado, Luís.
Obrigado a você que nos acompanhou e que nós possamos juntos caminhar como igreja com senso de pertença, comunhão e missão. Fiquem com Deus. Ciao.
Ja.