Canta dominou. Olá, amigos e amigas do Saber. Neste episódio de hoje, nós vamos falar sobre Tomás de Aquino e a existência de Deus.
Nós vamos apresentar uma das cinco vias que Tomás Jaquino formulou para demonstrar racionalmente que Deus existe. Bom, porque Deus é uma discussão filosófica. Deus não é meramente uma questão de fé ou de foro íntimo.
E na história da filosofia há alguns argumentos que tentam demonstrar a existência de seja um motor imóvel, seja uma causa primeira, a que a gente dá o nome de Deus. E Tomás Jaquino, fortemente influenciado por Aristóteles, ele também vai formular cinco vias. para demonstrar que Deus existe.
E neste episódio a gente quer se ocupar especificamente de sua terceira via. Então nós vamos explicar como que Tomás tenta demonstrar que é necessário que exista uma causa primeira. E a relevância de a gente apresentar essa discussão filosófica, uma discussão medieval, é que Deus continua sendo um assunto atual.
Nós temos bilhões de pessoas hoje no planeta Terra que acreditam na existência de alguma divindade. E como a gente já afirmou, a fé não é meramente uma questão de foro íntimo. A crença em Deus é uma questão que pode ser defendida racionalmente.
Agora, se esses argumentos são bem-sucedidos ou não, isso já é outra história. Então, nós vamos apresentar a terceira via e também uma das críticas que se faz a terceira via. Nós vamos ver se de fato ela se sustenta.
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De volta então ao nosso tema, Tomás Jaquino e a existência de Deus. Tomásquino foi um filósofo e teólogo medieval. Ele nasceu no ano 1225 no castelo Roca Seca, na Itália, e morreu no ano de 1274.
Ele deixou uma obra imensa. Ele escrevia de forma compulsiva e é considerado um dos principais teólogos da Igreja Católica. Em sua monumental obra Suma teológica, ele apresenta cinco vias para demonstrar a existência de Deus.
O que é interessante é que essa obra ela é muito grande, uma obra que compreende milhares de páginas e essas cinco vias ocupam mais ou menos uma página ou um pouco mais que isso. Elas são muito breves, muito curtas. E o que é interessante é que justamente essas cinco vias tiveram uma repercussão muito grande na história da filosofia.
A terceira via que vai nos ocupar aqui nesse episódio hoje é chamada também de a prova ou a demonstração cosmológica. Bom, mas então vamos lá. O que é exatamente um argumento cosmológico?
Porque há vários argumentos cosmológicos na história da filosofia e não só este apresentado por Thomas Jaquino. O que nós chamamos na filosofia de argumento cosmológico é um conjunto de provas que vão tentar demonstrar a existência de uma razão suficiente ou então uma causa primeira para o surgimento do cosmos, para o surgimento do mundo. É por isso que é cosmológico, né?
cosmológico, diz respeito ao cosmos, que a gente pode entender como tudo o que existe. Esses argumentos, de acordo com alguns autores, como por exemplo, o JPE Morland e o Willane Craig, eles podem ser agrupados em três categorias básicas, né? O primeiro, o argumento cosmológico calã, da causa primeira do princípio do universo.
Esse calan que a gente tá mencionando aqui é um outro tipo de argumento que foi defendido principalmente por filósofos islâmicos na Idade Média, né? Então esse seria o primeiro grupo. O segundo é o argumento cosmológico tomista, ou seja, de Tomás de Jaquino, que vai falar sobre a sustentação do mundo pelo fundamento do ser.
E o terceiro é o argumento cosmológico do filósofo alemão Libnit, que é o argumento da razão suficiente para a existência de algo ao invés de sua inexistência. Na história da filosofia, entre os filósofos que propuseram algum tipo de argumento cosmológico além do Tomás Jaquino, a gente pode encontrar Platão, Aristóteles, Avicena, Algazale, Maimôedes e Santo Anselmo de Aosta, entre outros. Vamos apresentar então a terceira via de Tomás Jaquino, como a gente a encontra em sua obra Suma teológica.
E vamos ver que ela toma por base as noções aristotélicas de necessidade e de contingência e ela visa explicar a necessidade da existência do universo. Então vamos abrir aspas aqui para Tomás de Aquino. A terceira via é tomada do possível e do necessário.
Ela encontramos entre as coisas as que podem ser e não ser, uma vez que algumas se encontram que nascem e perecem. consequentemente podem ser e não ser, mas é impossível ser para sempre o que é de tal natureza, pois o que pode não ser não é em algum momento. Se tudo pode não ser, houve um momento em que nada havia.
Ora, se isso é verdadeiro, ainda agora nada existiria, pois o que não é só passa a ser por intermédio de algo que já é. Por conseguinte, se não houve ente algum, foi impossível que algo começasse a ser. Logo, hoje nada existiria.
O que é falso. Assim, nem todos os entes são possíveis, mas é preciso que algo seja necessário entre as coisas. Ora, tudo que é necessário tem ou não a causa de sua necessidade em um outro.
Aqui também não é possível continuar até o infinito na série de coisas necessárias que tenham uma causa da própria necessidade, assim como as causas eficientes, como se provou. Portanto, é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não encontra alures a causa de sua necessidade, mas que é causa da necessidade para os outros, o que todos chamam Deus. Fecha aspas.
Vamos explicar então o que Tomás Joaquino queria dizer com isso. O Giovan Reali e o Dario Antissere, eles vão resumir essa terceira via da seguinte forma. Eles dizem que esse argumento ele parte do princípio de que o que pode não ser um tempo não existia, né?
Ou seja, se alguma coisa ela pode não ser, por exemplo, eu e você, houve um momento em que a gente não existia, nós somos seres contingentes. Então, aquilo que pode não ser, houve um período em que aquilo não existia. Então, antes da minha data de nascimento, eu não existia, né?
Antes da minha concepção no útero de minha mãe, eu absolutamente não existia. Agora, se, portanto, todas as coisas elas podem não ser, isso é, se todas as coisas são contingentes, então em um dado momento, nada existia na realidade. Tenta pensar nisso.
Houve um momento em que não havia nada no universo, porque não havia nenhum universo. A gente nem consegue pensar isso, pensar no nada. O nada, ele não é pensável, né?
Alguns filósofos já vão afirmar isso. E agora, se tudo então é contingente, se tudo fosse contingente, em um dado momento nada existiria na realidade. Agora, se isso for verdade, também agora nada existiria, porque aquilo que não existe só pode começar a existir por causa de uma outra coisa que já existe, né?
E a menos que não exista alguma coisa que seja necessariamente existente, então nada viria a ser hoje, nada existiria hoje. Então, concluindo, nem tudo pode ser contingente, mas é preciso que haja algo necessário. E esse algo necessário é aquilo que a gente costumeiramente chama de Deus, dizendo de outra forma: se um ser criado, isso é porque algo que já existe antes dele o trouxe à existência.
A nossa existência como seres humanos é causada por um outro ser, pois nós somos o efeito de uma cadeia de causalidades. Só que se a gente for voltar ao início dessa cadeia, a gente só pode encontrar algo como causa original e algo cuja existência seja necessária. Tudo o que existe, todas as criaturas, já que elas nascem, crescem e morrem, elas são contingentes, ou seja, elas não possuem o ser em virtude de sua essência.
Se a gente quer então explicar a atual passagem do estado possível ao estado atual, é necessário que a gente admita uma causa que não foi e não é de modo algum contingente ou possível, porque ela está sempre em ato. Perceba então que nós mencionamos aqui os conceitos de ser e essência, que são dois conceitos muito importantes e de inspiração aristotélica utilizados por Tomás Jaquino. A relação entre esses dois conceitos de ser e essência, da forma como ela aparece na terceira via, pode ser explicada da seguinte maneira.
Aqui nós estamos nos apoiando no Wien Craig e no JP Morland. Eles afirmam o seguinte, abre aspas: "A essência de algo é a natureza individual que serve para definir o que esse algo é. Se uma essência existe, deve haver também unido à essência um ato de ser.
Esse ato de ser envolve a contínua doação de ser. ou então a coisa seria aniquilada. A essência está em potência para o ato de ser.
Portanto, sem a doação de ser, a essência não existiria. Pelo mesmo motivo, nenhuma substância pode se tornar real por si própria, pois a fim de se tornar realia sê-lo. A potência pura não pode se tornar real, ela precisa de uma causa externa.
Fecha aspas. O que eles estão dizendo aqui é basicamente que a essência de algo é a natureza individual, ou seja, é aquilo que vai definir o que esse algo é. Quando a gente pergunta, por exemplo, qual que é a essência do homem, né?
Então o Sócrates, por exemplo, vai falar: "É razão. " A essência do homem, aquilo que define o que o homem, o ser humano, é, é a própria razão. Agora, a essência, ela tem que estar relacionada a um ato de ser.
E esse ato de ser, ela envolve a contínua doação de ser, porque senão a coisa seria aniquilada. Se essa coisa não tivesse recebendo ser a todo momento, ela deixaria de existir, seria aniquilada, destruída. Então, é basicamente isso que está envolvido aqui na relação entre a essência e o ser e o que está por trás aqui na terceira via de Tomás Jaquino.
De maneira geral, é isso que a terceira via de Tomás Jaquino tá tentando demonstrar. Só que há outras questões filosóficas mais sutis envolvidas. as categorias com as quais Tomás Jaquino está trabalhando.
Então vamos ver sobre a questão da contingência, né? Nós já vimos que o Tomás Jaquino, ele inicia essa terceira via partindo da observação de que como há coisas que passam pelos processos de geração e corrupção, essas coisas elas são possíveis existir e não existir, né? Isso a gente já falou, nós já demonstramos isso aqui neste episódio.
Agora, o que vai chamar atenção é o fato de que as coisas que sofrem geração e corrupção são apenas algumas entre as coisas, mas elas não são todas. Isso é por coisas o Tomás Jaquino, ele está se referindo tanto aquilo que é observável no terreno da experiência quanto aquilo que não é. E entre esses últimos aí entra a questão mais teológica do Tomás Jaquino, que ele vai incluir anjos, almas ou corpos celestes e etc.
De uma perspectiva filosófica, isso pode talvez não ser muito interessante. A gente já eh tá trazendo essas questões da doutrina cristã, mas isso não vai interferir no argumento de forma geral. Agora, se é verdade que essas coisas são possíveis existir e não existir, então isso não poderia ser o caso com todas as coisas, porque isso levaria à conclusão de que em algum momento seria possível que nada existisse.
Nós também já mencionamos isso aqui neste episódio, né? E se em algum momento nada existisse, então nada existiria hoje, porque é necessário que algo receba sua existência de algo que é necessário, que tem a sua necessidade causada por outro ou por si mesmo. Então, percebam que a questão de necessidade parece estar intimamente relacionada com a de causa eficiente nesta via.
Bom, e agora o que que é causa eficiente, né? Eu introduzi aqui um novo conceito, causa eficiente. Bom, causa eficiente é uma das chamadas quatro causas de Aristóteles, né?
Então aqui a gente já percebe já a influência do pensamento de Aristóteles na filosofia medieval. essa causa eficiente seria algo externo e que interage com a própria coisa em transformação, de modo a ser um agente da mudança. Então, por exemplo, a causa eficiente de uma mesa é o carpinteiro que atua ali sobre a madeira, né?
Outro exemplo, a causa eficiente de um filho são o quê? São os seus pais. Então, a causa eficiente é, de certa forma, aquele agente que interage com a transformação no objeto sendo estudado.
Essa causa eficiente, ela é também causada por outra coisa. Nós vimos agora que a causa eficiente de algo é aquilo que lhe confere existência. Se for o caso, é preciso então que essa causa eficiente tenha uma outra causa e essa causa da causa tem uma outra causa.
Então vai ser a causa da causa da causa e assim sucessivamente até que se chegue a uma primeira causa eficiente, porque a gente não pode levar essa série ao infinito. Isso foi demonstrado na segunda via do Tomás Jaquino, né? Então vamos ter em mente aqui que essa terceira via que a gente está estudando neste episódio, ela faz parte de um conjunto de cinco vias, né?
E cada uma delas vai demonstrar a existência de Deus através de um determinado aspecto do cosmos. Dizendo de outra maneira, a gente pode afirmar que essa terceira via, ela tenta demonstrar a doação de ser da existência através da causalidade eficiente. Ou seja, havendo coisas contingentes, deve haver também uma causa eficiente necessária que lhe dá ao ser.
E se essa causa ela é necessária não por si mesma, mas por uma outra, então deve haver uma causa eficiente que é necessária por si mesma, né? Percebam que a gente tá usando aqui os termos, né? É contingente necessário.
Contingente a gente já explicou, é aquilo que pode não ser. Eu e você, por exemplo, né? Nós somos seres contingentes.
A gente poderia não existir. Houve um momento em que a gente não existia e vai haver um momento que a gente não vai existir mais. Nós somos contingentes.
Agora, o que é necessário é aquilo que tem que existir, aquilo que não pode não existir. A partir de agora, nós vamos nos ocupar de uma crítica à terceira via de Tomás de Jaquino, mas isso será após a nossa breve pausa musical. Relaxe e não saia daí.
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Então, alguns comentadores vão dizer que essa seria uma leitura equivocada, porque as sessões seguintes da Suma teológica, elas vão oferecer argumentos muito bem elaborados para demonstrar que a causa primeira é ato puro, imóvel, imaterial, etc. e que o Tomás de Jaquino, ele estaria apenas levando o teísta, ou seja, aquele que já crê em Deus, a reconhecer que este Deus filosófico é o Deus cristão. Agora, isso não vai resolver toda a questão, mas apenas vai deslocar o problema para outro ponto.
Porque como é que a gente pode reconhecer que esses atributos divinos que o argumento filosófico descobriu, eles pertencem ao Deus cristão e não a um outro Deus de qualquer outra religião? E além disso, mesmo que o universo possa ter uma explicação para sua existência, essa explicação pode ser que ela não se fundamente em uma base externa, mas na própria necessidade de sua natureza. O próprio filósofo David Hilm, ele sugeriu que o universo é um ser metafisicamente necessário, né?
E isso aparece quando o David Hilmel se pergunta assim: "Por que o universo material não pode ser necessariamente existente, né? De fato, como pode algo que existe desde a eternidade ter uma causa, já que a relação implica uma prioridade de tempo e de princípio de existência? Será que a terceira via de Tomás Jaquino é capaz de responder a esta objeção ateísta?
O David Hilm tá se perguntando aqui, olha, por que que o universo material não pode ser necessariamente existente? Por que que a gente tem que procurar uma outra causa fora do próprio universo, né? E ele pergunta: "Olha, como é que pode algo que existe desde a eternidade ter uma causa?
" Porque se o universo existe desde toda a eternidade, ele não precisaria ter uma causa, porque essa relação causal, ela implica algo que existe antes no tempo e que também tem um certo princípio de existência anterior. O William Lane Craig e o JP Morland são dois autores que nós já mencionamos nesse episódio aqui hoje, eles vão comentar essa discussão e vão dizer o seguinte: "Olha, se o argumento de Tomás Jaquino for bem-sucedido, se ele conseguir alcançar o seu objetivo, essa terceira via, ela vai demonstrar que o universo é um ser contingente, que o universo depende de uma causa, de um ser necessário para continuar a existir", né? E aí eles dizem, ó, com certeza as coisas são naturalmente contingentes no que tange a sua existência contínua, como dependente de uma miria de fatores, né?
Se a gente tá falando do universo, a gente vai incluir nisso massas de partículas, né, em forças fundamentais, temperatura, pressão, nível de entropia, etc. Só que a contingência natural não é suficiente para estabelecer a contingência metafísica das coisas no sentido de manter a sua adição contínua à essência, a fim de que elas não sejam aniquiladas espontaneamente. Então, o argumento de Tomás Jaquino, se eles nos conduz por fim a um ser absolutamente simples, cuja essência é simplesmente existir, então alguém poderia ser levado a negar que os seres são metafisicamente compostos de essência e existência.
Se tal ideia de um ser absolutamente simples provar ser ininteligível, vocês percebem então que a discussão começa a ficar muito mais complexa, começa a envolver muitas outras categorias filosóficas, tem muito mais coisa pra gente aprender aqui nessa terceira via de Tomás Jaquino. Bom, mas se a gente puder resumir de forma simples, o que a gente vai perceber com isso é que a terceira via de Tomás Jaquino, ela acaba nos encaminhando novamente para uma discussão que é de natureza teológica, que é a simplicidade divina. E ela não vai dar conta de responder a essa objeção fora do campo da teologia.
Lembrando, então, neste momento nós estamos analisando o problema do gap, né, ou o problema do salto. Esse aqui é um dos problemas que a gente encontra na terceira via. Isso é, a gente pode até chegar à conclusão de que deve existir uma causa necessária, uma causa primeira, uma causa eficiente para o universo, mas como é que a gente vai associar depois essa causa ao Deus cristão?
E aí a gente começa a chegar numa discussão que é de natureza teológica, que é sobre os atributos divinos. Então, essa impossibilidade de definir o Deus cristão como essa causa primeira, ela acabou dando origem lá no ano de 2005, aproximadamente, a um grande fenômeno chamado o monstro do espaguete voador. Que que aconteceu?
Teve um determinado cidadão lá nos Estados Unidos, cara chamado eh Bobby Henderson, ele escreveu uma carta ao Conselho de Educação do Estado do Kansas para protestar contra o uso de livros textos nas escolas que estavam promovendo a teoria do design inteligente em sala de aula. E ele foi, esse cara escreveu o seguinte: "Olha, lembremo-nos de que há várias teorias do design inteligente. Eu e muitos outros ao redor do mundo acreditamos fortemente que o universo foi criado por um monstro de espaguete voador.
Foi ele quem criou tudo que vemos e sentimos. " E aí o esse tal de Henderson, ele anexou nessa carta um desenho de como seria o monstro do espaguete voador, né? Apesar de ser invisível.
E aí ele fez um desenho bem tosco em folha de papel. Parece um desenho de criança, né? Ele colocou ali umas montanhas, umas árvores e lá em cima um monstro tipo parece um de fato é um espaguete, né?
Parece um espaguete todo misturado com dois olhinhos assim. E ele falou que esse é o monstro de espaguete voador e que ele acredita que a divindade é essa, que foi esse monstro de espaguete que criou o universo. Eu não sei se vocês já viram isso na internet, mas pelos ídos lá de 2005 e nos anos seguintes, isso foi muito comentado.
E se você colocar aí num buscador monstro do espaguete voador, você vai ver alguns desenhos, algumas representações e vai ver a repercussão que isso deu. Agora o William Lan Craig ele vai afirmar o seguinte, que essa paródia da teoria do design inteligente, que né ficou muito popular, ela não diz nada sobre a real necessidade de uma inferência, de uma causa do universo, seja qual for essa causa. O o ponto dessa paródia do monstro do espaguete voador é exatamente indicar a dificuldade de a gente saber algo sobre a natureza dessa causa do universo, que o Thomas Jaquino vai chamar de Deus.
ele vai apontar, vai apostar que essa causa é o Deus cristão. Então, a gente tem que tomar cuidado com isso, porque isso parece uma forma, né, bem simples de responder uma questão filosófica complexa, mas é uma forma errada. A gente não tá demonstrando com o monstro do espaguete voador que não existe uma causa primeira para o universo.
A gente tá falando o seguinte: "Olha, a gente não pode saber qual que é essa causa, né? Vocês cristãos estão dizendo que essa causa é o seu Deus, mas eu posso querer acreditar no monstro do espaguete voador. Bom, isso é outra coisa, né?
Isso é uma discussão de natureza teológica. É a gente saber algo sobre esse ser agora que essa causa é necessária. Isso foi demonstrado filosoficamente pela terceira via.
Então, recapitulando, o que que a gente viu hoje? Nós vemos que o argumento cosmológico faz parte de uma família de argumentos que vão procurar demonstrar a existência de uma razão suficiente ou então de uma causa primeira da existência do cosmos, do universo. É por isso que é cosmológico, porque tem a ver com o cosmos, né?
E a terceira via de Tomás Jaquino é um argumento cosmológico que vai tentar estabelecer a sustentação do mundo pelo fundamento do ser, né? Agora, o argumento de Tomás Jaquina, a gente viu, ele encontra pelo menos duas dificuldades. A primeira é passar da contingência natural à contingência metafísica das coisas para demonstrar que o próprio universo não poderia ser ele mesmo necessário devido à sua natureza.
E a segunda objeção que a gente viu é sobre demonstrar que essa causa primeira que a terceira via demonstra, ela seja efetivamente o deus cristão e não o deus de alguma outra religião ou então até mesmo o monstro do espaguete voador, né? Então são duas questões que estão em aberto. A primeira questão ela é de fato de natureza mais filosófica, a objeção apresentada inclusive pelo David Hill, né?
Ou seja, como é que a gente vai passar da necessidade natural, da contingência, perdão, natural à contingência metafísica, né? Então o universo mesmo poderia ser necessário. E a outra seria mais de natureza teológica.
O que que a gente pode dizer sobre essa causa, né? Uma vez demonstrada que essa causa eficiente, essa causa primeira existe, seque-se daí qualquer coisa de interesse religioso e, mais especificamente, de interesse religioso para os cristãos. E lembrando mais uma vez, faça sua inscrição em nosso curso de introdução à filosofia dos pré-socráticos a Sartre.
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