Então, agora nós seremos a professora Sônia Shelby, contando sobre a experiência dela enquanto aluna universitária e, depois, não será mesmo o último bloco falando sobre a experiência dela enquanto diretora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sorocaba. Eu me formei no curso de Pedagogia em 1970 e já estava pleiteando o mestrado ou na pública, na USP. Prestei nas duas universidades.
A PUC não indicou nenhum livro para ler para você prestar à seleção; a USP indicou 15 (quinze) livros, cinco dos quais em língua inglesa. A biblioteca da Faculdade de Filosofia tinha; eu li os 15, sendo 10 em português e 5 em inglês, tendo que fazer um dicionário próprio quase para os termos que mais se repetiam e que eram desconhecidos para mim. Passei nas duas e acabei optando pela PUC, que era paga, por causa da orientação da psicologia.
A USP tinha uma orientação mais behaviorista, e eu me identificava mais com essa linha chamada cognitivista ou humanista, ou o que seja. Bom, isso foi em 71; em 70, estava colando grau. Em março de 71, eu estava na PUC.
Lá apareceu a possibilidade de fazer um curso na Universidade de Londres, um curso pequeno, de curta duração. Eu fui em 72, de janeiro a fevereiro, comecinho de março; era sobre o sistema educacional inglês. E aqui no Brasil nós estávamos com uma lei de diretrizes e bases da educação nacional, a 5692.
Lá em Londres, eu fui descobrir que essa lei é quase cópia da lei inglesa, com recursos totalmente diferentes. Por exemplo, educação para o lar, para a saúde, que aqui muitas vezes é a receita culinária; lá, é uma programação que tinha como a nossa aula de biologia, com a alimentação que eles precisam comer e que confeccionam esses alimentos, em uma cozinha com 10, 15 fogões. Os alunos aprendem.
Então, voltei revoltada, mas deu para conhecer a terra dos sheiks. Fui para o Extrato Fórum, nem wo, e depois, algumas encenações Light Setra. Então, aquela admiração pelo teatro, pela contribuição que o teatro da escola.
. . e esse ícone, a ida da literatura e do teatro, que achei bom.
Aparece a possibilidade de entrar como docente na Faculdade de Filosofia. Me telefonaram pedindo currículo, anexando todos os documentos comprobatórios, e hoje estou agora no terceiro período do mestrado em Psicologia da Educação da PUC. Sua provada porque ele preenche vários requisitos.
Vai começar como docente na faculdade no ano seguinte, época em que me chamam com a sua seleção em São Paulo, mas o campus que eu sou designada para adicionar é aqui em Sorocaba, no curso de Enfermagem. Depois, vai aparecer Biologia, vai se ampliar. Bom, na carreira universitária, na vida universitária, eu fui passando de professor assistente a professor titular e, depois, chefe do departamento de educação, diretora e vice-diretora.
Foi uma aprendizagem também muito grande. O diretor, Aldo, me telefonou um dia convidando-me a concorrer com ele ao mandato como vice; aquele algo que foi o Vieira, sorocabano, o professor, o diretor da faculdade. Eu, que trabalhei junto, voltei a ser colega de profissão e, agora, era vice-diretor.
Os contatos do Aldo tinham uma das primeiras promoções que o autor faz como diretor: é trazer Paulo Freire para dar um curso em Sorocaba. Foi ele que desenvolveu um trabalho em Sorocaba. Ele, Paulo Freire, estava voltando depois de 16 anos de exílio.
Paulo Freire estava sendo contratado pela PUC, pela Unicamp, e a Faculdade de Filosofia tinha um grande amigo dele, um colega que tinha trabalhado com Paulo Freire em Genebra, no Conselho Mundial das Igrejas, também autoexilado. Eu conheço Paulo Freire; o Paulo Freire com o qual eu entrei em contato no primeiro ano da faculdade, porque ganhei de presente, lá em 67, de colegas veteranos, "Educação como Tratado da Liberdade", a primeira edição. E agora estava Paulo Freire ali ao vivo, e eu gravando tudo, porque, como vice-diretor, era responsável pelo serviço de audiovisual; hoje chama-se multimeios, tem outro nome, motivo, mas é o setor de audiovisual, que ainda não tinha câmera.
Então, eu tinha que gravar e transcrever todas as fitas de gravação, que foram quatro grandes encontros com Paulo Freire. Eu devia assistir um deles; um deles, o professor Aldo fez a primeira correção, depois eu digitava e fazia de novo. Depois foi o Paulo Freire que fez a correção final, autorizou a publicação no "Paulo Freire ao Vivo", na faculdade.
Bom, o período de vice-direção foram quatro vezes, um mês por ano, ao tirar férias. Eu assumi a direção da faculdade, fiz colação de grau, assinei convênios, porque, naquela época, diretor da faculdade assinava cheques. A Fundação do Alívio ainda não estava totalmente estruturada como é hoje, com uma mantenedora.
Mas o diretor acabava assinando cheques, também para pagamentos e coisas assim. E daí, depois desses quatro anos, eu quis voltar para a docência. Tinha até convites e sugestões para continuar a concorrer à direção e permanecer como vice-diretor, o Aldo, assim, é candidato à reeleição.
Me convidou, eu falei que queria voltar à sala de aula em período integral. O professor Denilson, fulano, fulano é que foi o vice-diretor em seguida. Bom, quando voltei para a sala de aula em período integral, eu tinha uma turma do curso de Ciências de manhã, uma turma do 1º ano de Ciências.
A que tem uma aluna que foi da montagem original de "Vida e Morte Severina", em São Paulo, dos Pneus, à direção do Sul, nem Siqueira Zebra. E ela acaba montando "Vida e Morte Severina" com os alunos, colegas de classe dela nos modos e foi o vídeo. A morte da menina em São Paulo eu cheguei a assistir também, "Seguranças da Felicidade", assisti no Teatro do Sesi às primeiras apresentações e depois, administrou tudo, a importância.
E depois, no Teatro Municipal, um ano depois que eles foram. . .
Convidados aqui, do dinamismo entre os alunos, alunos que estavam ali, não abriram a boca em sala de aula, mesmo na aula de psicologia. Por mais que às vezes os incentivasse, mesmo elogiando a avaliação que ele fez, um trabalho, uma apresentação do grupo na história. Né?
Não no curso de ciências, e ver uma coisa é porque era 1º e 2º ano de ciências; o terceiro e quarto eram matemática, 3ª e 4ª de licenciatura plena e 1º e 2º de licenciatura curta. Então, a força que esse teatro fez em meu benefício, que fez para cada um deles e que os docentes abriram uma perspectiva do nordestino, da vida severina, da dificuldade dele de continuar vivo, de não morrer… Nossa! A parte que cabe deste latifúndio, os latifúndios, e ele sair espremido.
Bom, daí o que acontece: um sonho neste returno foi… Eu não me candidatei, Roberto. Eu não sei se você lembra que o processo, em 1988, era assim: todos os professores titulares eram candidatos a um outro. Podia dizer: "Olha, vota em mim!
" Eu a ser muito treinada, mas tive uma votação muito expressiva. É tal que o presidente da Fundação Dom Aguirre, que estava há meses na direção da FUNDAP, da presidência da fundação, que era Dom José Lambert, ficou com uma batata quente na mão. Eu acho que sou a primeira mulher que dirige a faculdade.
Eis a aluna que ia fazer um programa de direção à posteriori, que eu fiz, entreguei aos professores, mas foi à posteriori. Eu acho que ele ficou com muita dificuldade para decidir e eu depois fiquei sabendo que ele foi até no centro escolar se a perguntar como é que eu era, como aluna, como era meu casamento, como era como professora. Ele se foi cauteloso em todos os sentidos da MX.
Amor, fala: "Olha, você que vai ser nomeada. " E, sete, depois eu soube que um grande incentivo que ele teve foi de um senhor Mauro Vallini, que me conhecia bem há muito tempo e que deve ter dado um empurrão lá pro do aberto na direção. Vai ter um professor que você sabe quem é.
Meu mandato na direção foi em 1988, exato, há 32 anos. Em 88, assumi a direção da faculdade, sucedendo Aldo, e já é um tremendo peso. O Aldo, autor de livros, daquela oratória maravilhosa, competente em todos os sentidos, diretor da faculdade durante vários anos, mais mandatos, eu vou substituir.
Muito medo! Muito medo! E queria fazer o melhor possível aí.
Fosse como docente, vai fazer o seu mestrado e a defender o seu mestrado na USP, o ensino da dança na escola, trajetória provisória, também ensino da literatura, teatro, coisas que você defende. Em novembro de 88, eu já estava dirigindo o projeto do teatro na escola. Eu queria um grupo que eu achava importante, um grupo de teatro universitário na Faculdade de Filosofia.
Ela era celeiro de tantos aspectos: tinha que ser, em si, também. Eu levei o projeto para o CTA (Colegiado Técnico Administrativo), que é um órgão menor do que o Conselho Superior da Fundação da Vila, mas que tem um poder decisório. O CTA da época era formado pelos três diretores: o diretor da Faca, que era o Grisi, Felipe Grisi; a diretora do colégio, a Maria Aparecida Correia Maia, dona Tita; e o diretor da faculdade, que era eu, o administrador da fundação, Geral do Casagrande, o presidente do colegiado Monsenhor Mauro Vallini, e o secretário, o senhor Neves, José Carlos de Araújo Neves.
As pessoas levaram o projeto e levaram o maior susto quando o senhor Mauro, meu amigo e que sabe que a gente tinha um contato de admiração mútua, diz: “Você está propondo uma atividade que vai ser um antro de homossexuais”. Aquilo caiu como um balde de água gelada! Eu falei: “Olha, homossexual tem toda a atividade humana, até na igreja.
Eu estou propondo um grupo que vai desenvolver a linguagem, vai desenvolver; vai além de traduzir a literatura, palavra em atos e gestos, vai relacionar com a parte musical, vai ser benéfico! Então, sentirei, vai levar o nome da faculdade à frente. ” Citou o exemplo do Tuca.
Tudo isso daí. O clima ficou pesado. E o seu Neves, muito prudente, foi: “Não vou deixar o assunto na próxima reunião.
” Aí deixou para a próxima reunião, que era um mês, um mês e pouco depois. Acho que todo mundo pensou muito bem nos prós e contras na próxima reunião. Eles tinham lido o projeto que tinha entregue por escrito a todos eles, arquivado na secretaria da faculdade.
Nem me pergunto se ainda está arquivado na secretaria da Faculdade de Filosofia, e outras coisas que fui procurar e não achei. E, daí, o projeto é aprovado por unanimidade, com dotação orçamentária, porque dotação tinha que fazer a reforma do palco do salão, aquele salão, aquele piso brilhante encerado. O dia que pintar de preto, porque senão os atores iam cair e escorregar.
Você tinha que ser remunerado porque daí você já tinha definido seu mestrado! E eu convidei você para ser o diretor desse grupo, achei que não ia trabalhar de graça, que teria rotunda a cortina no fundo, os trilhos, os spots. Você, voluntariamente, foi!
Não tinha verba para tudo. Você foi para São Paulo comprar os spots, o dinheiro da faculdade, mas com gasolina e carros, e trouxe as gelatinas, que eram para fazer os spots coloridos. E tudo aquilo lá, e tinha muita resistência até pintar de preto o piso, porque eles queriam encerado, de antigamente, que era só para a palestra.
Mas ia ser um palco multiuso. E no fim, a história continuou, que você já sabe. Foi aprovado um grupo grande, é meu lado, pela sua força, o seu esforço.
O Gil foi comigo para São Paulo pra comprar todo esse material. E depois foi também pra som, depois abrindo espaço para comprar sonoplastia. Ai, falando.
De som que terá cabine de som de duas acima do par que colocar lá no fundo da minha existência. Mas aí, dando certo, e aí no próximo bloco, agora no último bloco, a sua negra contar mais sobre essa questão do grupo de teatro que ela propôs, que se transformou, foi posteriormente, no grupo de teatro Catarse. Então, até já.