Olá, tudo bem! Meu nome é Tássia Cani, sou médica endocrinologista. Hoje eu vim falar um pouquinho sobre uma doença bastante prevalente, que é a obesidade.
A obesidade é uma doença crônica, porque ela é um fator de risco para diversas outras mazelas que podem nos acometer, por exemplo, artrite, artrose, apneia obstrutiva do sono, hipertensão, problemas de colesterol, alguns tipos de câncer, como câncer de endométrio, de mama, e até mesmo o câncer de colo. É um fator de risco importante também para diabetes mellitus e por isso nós devemos encarar essa condição da obesidade como uma condição para ser tratada, para ser corretamente conduzida junto ao seu médico clínico geral ou mesmo seu médico endocrinologista, mas também ampliar a atenção a essa condição junto ao nutricionista, um educador físico e também todo um suporte muitas vezes psicológico. Então, por ser uma doença de difícil lida, nós temos que entender que mais de um profissional muitas vezes é necessário.
Em que sentido? No sentido de ter uma equipe multidisciplinar para poder engajar esse paciente, tratar esse paciente, acompanhar esse paciente. A alimentação precisa ser corretamente orientada por um profissional da área de nutrição.
Os profissionais nutricionistas são profissionais habilitados para nos orientar uma dieta, uma orientação alimentar que seja compatível tanto com a perda de peso, mas também que seja compatível às vezes com uma outra condição que o paciente apresenta. Por exemplo, se o paciente tem obesidade e também diabetes, ele precisa de uma orientação nutricional que seja adequada a gerar uma diminuição do consumo de caloria, daquela energia do alimento, mas ao mesmo tempo uma alimentação que contém uma menor porcentagem, uma menor proporção de carboidratos, que são os açúcares, que podem elevar a nossa glicose. Ao passo que, por exemplo, um paciente com hipertensão, com pressão arterial aumentada, precisa de uma alimentação com uma menor quantidade de ingestão de sal.
Então essa individualidade precisa de ser trabalhada também junto ao nutricionista, para que haja uma contemplação da doença obesidade junto a outras condições que a pessoa possa vir a apresentar. Uma outra questão é a atividade física, é preconizado, é orientado que os pacientes realizem pelo menos 50 minutos de atividade física, três vezes por semana ou 30 minutos, cinco vezes por semana pelo menos, a gente contabiliza isso em 150 minutos por semana. Essa atividade física pode ser dos mais variados tipos, por exemplo, academia, atividade física resistida, caminhada ou hidroginástica, o que também vai depender de uma condição de base do paciente.
Vou dar mais um exemplo, pacientes que têm problemas articulares, dores em joelho, que até mesmo a própria obesidade pode ocasionar, é interessante que esse paciente faça uma atividade física com menor impacto, um exemplo é hidroginástica, uma atividade física dentro d'água. Essa orientação da atividade física junto a um profissional educador físico também pode potencializar a perda de peso, bem como tratar outras condições que o paciente possa vir a apresentar. Por fim, é interessante que a gente fale sobre algumas medicações que existem hoje no mercado brasileiro, infelizmente elas não estão dentro do programa do SUS - Sistema Único de Saúde, o governo infelizmente não realiza a distribuição dessas medicações, mas que elas estão disponíveis e podem ser orientadas aos nossos pacientes.
Quem seriam os pacientes candidatos a receber a medicação? Seriam pacientes que possuem uma obesidade que a gente classifica como grau um ou pacientes que possuem sobrepeso e possuem alguma outra doença que a obesidade traz, como a diabetes e a Hipertensão. Quais são essas medicações que existem hoje?
A primeira delas é o Orlistat, é uma medicação que diminui a absorção da gordura que adquirimos através da alimentação. O que ela faz? Quando a gente come algo gorduroso, toda aquela gordura do alimento é absorvida, transmitida para o nosso corpo.
E quando eu faço a utilização dessa medicação, parte da gordura do alimento vai direto às minhas fezes. Muitos pacientes até conseguem visualizar gotas de gordura nas fezes, isso é em decorrência da não absorção daquele alimento que a pessoa ingeriu. Tem como principal efeito adverso justamente a esteatorreia, que é essa diarreia gordurosa.
Normalmente acontece quando os pacientes acabam ingerindo uma grande quantidade de gordura. A segunda medicação é a Sibutramina, é uma medicação que atua no sistema nervoso central, uma área do cérebro relacionada a sensação de menos fome e mais saciedade, ou seja, a pessoa acaba se sentindo mais saciada, mais cheia, mesmo comendo um pouquinho e sente menos fome naqueles intervalos entre as refeições. Então ela é considerada um inibidor do apetite.
Lembrar que a sibutramina possui alguns efeitos adversos, o principal deles é a boca seca e tem também algumas contraindicações, por exemplo, pacientes com mais idade, pacientes que já têm um histórico de uma hipertensão, de uma pressão arterial de difícil controle ou já tiveram algum episódio de infarto ou AVC, essas pessoas não podem fazer o uso da sibutramina. Uma terceira e última medicação são os análogos de GLP-1, que hoje a gente tem no Brasil disponível para perda de peso, a Liraglutida. O que que essa medicação faz?
Ela também tem o intuito de diminuir a fome e aumentar a saciedade. Então ela também atua como um inibidor do apetite. A liraglutida é uma medicação injetável, de aplicação no subcutâneo e tem um custo muito mais elevado, então o acesso a essa medicação acaba mais difícil.
Resumindo, a obesidade é uma doença de grande prevalência na nossa população existem vários fatores que estão envolvidos com o desenvolvimento dessa doença, inclusive fatores alimentares, fatores genéticos, pessoas da mesma família têm mais chance, e também fatores comportamentais, por exemplo, o sedentarismo, a falta da atividade física. O tratamento inclui uma orientação nutricional adequada junto a um profissional da área da nutrição, mas também um profissional que nos ajude na atividade física, e para alguns casos é necessária a utilização de medicação, que sempre deve ser instituída e acompanhada com o profissional médico que esteja assistindo esse paciente. Muito obrigada pela atenção.